Nota da autora: Este é um capítulo mais pequeno, acho, mas ainda assim, muito acontece (: Os capítulos depois deste vão começar a centrar-me na missão de Hermione. As coisas complicam-se, hehe.
DISCLAIMER: Não possuo nada.
Divirtam-se!
...~oOo~...
Capítulo Sete: O silêncio quebra
Os lábios de Sirius largaram os de Hermione. Ele suspirou e afastou-se. Tinha continuado a beijá-la durante um minuto.
"Já acabaste?" Hermione inquiriu baixinho, os seus lábios brilhantes e cor-de-rosa.
A única coisa que Sirius conseguiu fazer foi acenar.
Hermione pigarreou levemente e puxou para trás o cabelo que ele tinha embaraçado com a sua mão. Pegou no livro que estava à beira da janela e disse, "Vejo-te ao jantar, então." E afastou-se casualmente, como se absolutamente nada se tivesse passado.
Sirius ficou ali, chocado, olhando para a forma da rapariga que se afastava, sem saber o que fazer. E depois percebeu.
Corre atrás dela, claro! O que é que estás a fazer aí a olhar, seu idiota! a sua consciência gritava. Os pés de Sirius ganharam vida depois disso, indo atrás da rapariga com quem ele iria casar - quer ela soubesse disso ou não.
Quando ele a apanhou, ela estava do lado de fora da biblioteca, encostada contra a parede, a cabeça para baixo, e parecia estar a fazer uma espécie de exercícios de respiração. À primeira vista, pensou que algo estava mal, mas depois ele percebeu que ela estava... a entrar em pânico.
...~oOo~...
Recompõe-te, Hermione, a sua mente repetia franticamente. Não podes deixar-te ir abaixo assim. Lembra-te que ele não é o padrinho do teu amigo. Ele nem é mesmo teu irmão. É apenas um rapaz como Ronald ou Viktor... ou Remus...
E James! ela adicionou rapidamente à lista. Ele também era um rapaz, mesmo que ela não olhasse para ele de maneira romântica. Não que ela visse Remus de uma maneira romântica... Não de todo.
Ela abanou a cabeça com força, tentando que o que tinha acabado de acontecer fizesse sentido. Sirius tinha-a beijado. Com força. Tinha sido uma coisa violenta do tipo de beijo eu-posso-morrer-nos-próximos-segundos. Ela tinha basicamente ficado ali e deixado que ele explorasse a sua boca tanto quanto quisesse e tinha tido que se controlar para não derreter com os seus carinhos.
Sirius Black beijava espetacularmente. Os seus lábios eram confiantes e quentes e a sua língua era como veludo. E se ela tivesse que o admitir, ele também tinha um sabor fantástico, como hortelã-pimenta, por alguma razão. O doce favorito de Hermione eram bengalas de açúcar, e agora que ela estava consciente de que Sirius sabia a elas, era bastante mais apelativa a ideia de o beijar.
Enquanto se encostava às paredes de pedra do castelo, pensou que não sabia o que fazer. Apesar de Dumbledore ter dito que se a sua missão fosse completada com sucesso ela poderia ter o à vontade necessário neste tempo para não se preocupar em alterar o futuro, porque este já teria sido alterado.
Mas Hermione tinha feito um pacto consigo própria. Não haveria felicidade, romances e nada que podesse influenciá-la como paixonetas, amor ou atração até que ela tivesse completado a sua missão. Era confuso e fazia com que ela se dispersasse.
"Hermione..."
Oh, não... ela gemeu internamente. Ela olhou para cima, vendo Sirius. Ele estava parado a olhar para ela com as mãos nos bolsos e um ar sério, tendo as sobracelhas franzidas. Mas Hermione sabia que Sirius nunca poderia estar nervoso - não era simplesmente possível.
"Acho que devíamos falar..." ele disse calmamente.
Hermione tiu-se por entre os dentes hesitante. "Acho que não. Na verdade, acho que deviamos... não falar sobre isto."
Ele inclinou-se para a frente, baixando a cabeça para que os seus olhos olhassem nos dela. "Eu beijei-te," ele disse.
"Eu sei," Hermione sussurrou.
"E tu deixaste-me."
Hesitante, Hermione concordou.
"Se eu te beijasse outra vez, deixavas-me?"
Hermione abanou a cabeça desta vez.
Ela viu a garganta de Sirius contrair-se quando ele engoliu em seco, antes de exigir, "Porque não?"
"Porque... Sirius... nós somos irmãos," ela disse, tentando arranjar todas as desculpas que conseguia.
"Não somos mesmo irmãos, Hermione," ele disse com um pouco de raiva nas palavras.
"Mesmo assim, somos amigos próximos," Hermione disse baixinho, olhando para o chão. "E amigos não devem beijar-se. Complicaria as coisas."
"Que se lixem as complicações," ele rosnou, aproximando-se mais dela, os seus narizes a meros centímetros um do outro. "Não tem que ser complicado. Se eu te quero beijar e tu me queres beijar... então o que é complicado?"
"Eu não disse se te queria beijar ou não," Hermione disse. Ele estava a tornar as coisas difíceis para ela o recusar gentilmente. Ela não podia dizer-lhe a verdade, então tinha que usar uma desculpa qualquer.
"Se não me quisesses beijar," Sirius disse gravemente, "ter-me-ias empurrado e enfeitiçado. Não sou estúpido, 'Mione, tu és uma rapariga forte que não aceita ser forçada. É a maneira como tu funcionas."
Hermione desencostou-se de repente da parede e Sirius não se mexeu. Os seus peitos tocavam-se e o coração batia rápido. Hermione esquivou-se por um dos lados, e começou a andar. Ele seguiu-a. "Não é que eu te tenha querido beijar," ela disse cortante, ficando impaciente com a sua persistência. "Não quis magoar os teus sentimentos. Estava a ser simpática, mas agora estou farta. Deixa-me em paz, Sirius."
"Tretas," Sirius disse com uma voz carregada de veneno. "És uma mentirosa ainda pior do que James. Tu gostaste do beijo. Até tinhas os olhos fechados e as tuas bochechas estavam cor-de-rosa."
Hermione acelerou o passo e estava a afastar-se mais dele, mas Sirius agarrou-lhe na manga do uniforme e puxou-a para trás, obrigando-a a olhá-lo na cara. Ele olhou fixamente nos seus olhos e disse com precisão, "Tu gostaste tanto do beijo como eu. Agora, pára de sobreanalisar tudo e deixa-me beijar-te outra vez."
Sirius segurou-lhe em ambos os pulsos e levou as mãos dela até à sua cabeça, entrelaçando-as no seu pescoço antes de a abraçar pela cintura e voltar a envolver os lábios dela com os seus suavemente. Este beijo não era exigente nem apressado como o primeiro, mas gentil e hesitante, de maneira doce, os seus lábios encontravam-se deliberadamente.
E Hermione estava a derreter da cabeça aos pés, desintegrando-se.
Um suspiro de contentação escapou dos lábios dela e Sirius sorriu. James e Remus podiam comer as suas palavras. Ele teria Hermione. Era inevitável. Ele tinha a certeza que tinha sido por isso que ela tinha aparecido no seu quarto quando ele tinha treza anos - eles eram feitos um para o outro.
Ele não fazia ideia da razão real pela qual ela aparecera no seu quarto, mas a memória da sua missão alteradora do tempo pulsava na mente de Hermione com o bater do seu coração.
Estavam tão ocupados com o beijo, que não repararam que Remus tinha vindo à procura de ambos, visto o seu abraço íntimo e lábios juntos e tinha-se voltado e andado na mesma direção de onde tinha vindo.
...~oOo~...
Hermione e Sirius não mencionaram os seus súbitos atos íntimos aos restantes Marauders. Remus sabia, contudo. James estava alegremente desconhecedor desse facto.
Remus sentia-se levemente traído. O facto de Whiskers e Padfoot manterem um segredo tão monumental como este dos seus amigos fazia-o ranger os dentes. É claro que tinha muito que ver com o facto de que era Hermione. E Sirius. Hermione, tão estudiosa e inocente e Sirius, tão arrogante e desagradável.
Era tudo tão errado na cabeça de Remus.
Remus observou Hermione minuciosamente na aula de poções. Slughorn estava a falar de um tónico para verrugas, mas Remus não podia importar-se menos com isso. Do outro lado da sala, Hermione tirava notas atentamente, enquanto a sua parceira, Alice, estava perdida no seu mundo.
Remus passava muito tempo a observar Hermione, mas era cuidadoso para que não fosse óbvio. Era sempre do canto do olho, ou simplesmente olhando por cima da capa de um livro e às vezes, como agora, nas aulas, quando toda a gente estava concentrada no professor ou no trabalho.
Durante um ano. Durante um ano, Remus observara Hermione ao longe. Ele sabia que não poderia namoriscá-la ou tentar aproximar-se mais dela. Hermione era demasiado perfeita para alguém como ele. Saber isso era como se tivesse uma seta alojada através do seu peito. Sabia simultaneamente que nunca haveria alguém tão perfeito para ele, mas que ele nunca a poderia ter.
Remus estava quase aliviado por ela estar com Sirius, porque assim ele não tinha que se preocupar mais com os seus sentimentos, porque ela já pertencia a alguém. Quase, isto é. Na maior parte do tempo estava apenas zangado.
Remus viu Sirius, sentado à sua frente com James escrever furiosamente num papel que depois dobrou até ter o aspeto de uma criatura que parecia uma pequena borboleta. Ele atirou-a depois ao ar, e o pequeno papel ganhou vôo, atravessou a sala e caiu, ainda mexendo-se, no cabelo de Hermione.
A rapariga saltou na cadeira ao ouvir papel mexer-se perto do seu ouvido quando tinha estado tão concentrada em tirar notas, e com a mão, cuidadosamente removeu a borboleta do cabelo.
Sirius acotovelou James, para que ele acordasse, e apontou para o outro lado da sala. Remus, James e Sirius observavam enquanto Hermione desdobrava a pequena criatura e lia o que estava dentro. Remus teve que se controlar para não rir quando ela girou os olhos e lançou ao irmão um olhar penetrante. Ela escreveu uma resposta curta rapidamente, e girou a varinha. O quadradinho de papel atravessou a sala por cima das cabeças dos restantes alunos tão depressa que James se baixou, com medo de ser atingido.
Sirius apanhou o papel no ar, antes que este pudesse cortar-lhe a cara e abriu-o, onde encontrou letras grandes:
PRESTA ATENÇÃO A SLUGHORN. NÃO VOU VOLTAR A FAZER O TEU TRABALHO DE CASA.
James riu alto e Remus escondeu um sorriso. Então ela não tinha mudado, afinal, mesmo que estivesse secretamente com Sirius. Era bom saber que ela não ia cair pelo seu charme, apenas porque eles andavam aos beijos nos cantos escuros do castelo.
Sirius olhou para Hermione com um olhar descontente e aborrecido e pôs a língua de fora. Ela olhou simplesmente para os seus apontamentos, pôs tinta na pena e continuou ignorando-o.
"Corre melhor da próxima, Pads," James sussurou. "Ela vai ceder."
O sorriso de Remus desapareceu. Porque apesar de James não o saber, Hermione já tinha cedido.
...~oOo~...
O jantar algumas noites depois tinha sido tortura para Remus. Sirius sentara-se ao lado de Hermione e rotineiramente, enroscara-se nela. Mas havia uma atmosfera diferente na situação, parecia muito mais... profunda. Remus não fazia ideia se estava a imaginar isto porque ele sabia, porque James não tinha notado nada diferente... mas James não era a pessoa mais percetiva no mundo. Afinal, Lily Evans tinha-lhe dito expressamente que preferiria beber a poção dos mortos vivos do que namorar com ele, e ele continuava a dizer a toda a gente que ela se ía apaixonar por ele um dia.
Por isso, talvez James não fosse a melhor pessoa para ter como padrão da atenção.
Sirius estava encostado a Hermione, brincando com uma madeixa do seu cabelo. Apenas Remus reparou nos seus lábios movendo-se discretamente. Ele estava a sussurar-lhe algo. Um pequeno sorriso apareceu no canto dos seus lábios cor-de-rosa.
Não ajudava que a lua cheia fosse daí a apenas três dias. Ele tinha que se forçar fisicamente a não ouvir o que Sirius estava a dizer.
Depois desistiu, e pensou para si, Vou ouvir só um bocadinho. Não é como se estivesse a causar problemas.
Os seus olhos abriram-se mais e esperou para que Sirius falasse outra vez. Quando ele o fez, estava a dizer-lhe o quão a pele suave dela era lisa e cremosa.
Remus não fazia ideia de qual era o fascínio de Sirius por pele, mas ele mencionava-o sempre. Quando falava de raparigas, a primeira coisa que dizia era, "Ela tem uma pele bonita." Como se fosse uma peça de joalharia.
Não era que Hermione não tivesse uma pele fantástica, claro. Pele cremosa, suave, bonita em que ele conseguia imaginar roçar os lábios e mordiscar e beijar até que ela ficasse de um tom rosado...
Okay, então Remus conseguia ver o ponto de vista de Sirius.
Maldita lua cheia! Remus pensou, abanando a cabeça furiosamente, tentando tirar da cabeça a imagem da pele de Hermione entre os seus lábios.
"Estás bem, amigo?" Sirius perguntou, vendo Remus ter um mini-ataque.
"A lua cheia está próxima," ele murmurou gravemente. "Vou subir e vou para a cama." E levantou-se, afastando-se a passos largos.
"Vou ver se ele está bem," Hermione disse, soando preocupada. Ela começou a levantar-se, mas Sirius segurou-lhe na mão.
"Ele está bem," ele assegurou. "Tu sabes como ele fica quando estamos perto da lua cheia."
"Eu sei," Hermione disse, mordendo o lábio. "Mas mesmo assim quero ter a certeza." Ela largou a sua mão e correu atrás de Remus.
Remus ainda estava no fundo do corredor quando Hermione o encontrou e correndo mais depressa, começou a chamar, "Remus!"
O lobisomem parou no caminho e foi atingido pela deliciosa fragrância de pergaminho, livros poeirentos e chocolate. Ele não fazia a mínima ideia do porquê, mas Hermione cheirava sempre levemente a chocolate. E isso punha-o maluco.
"Estás bem, Moony?" ela perguntou baixinho quando chegou à sua beira, tocando-lhe na manga. "Queres que te leve alguma coisa ao quarto? Talvez um chá?"
Remus engoliu em seco e abanou a cabeça. "Só preciso de ir para a cama."
"Tens a certeza?"
"Sim, Hermione!" ele elevou o tom de voz. "Tenho a certeza! Pára de me tratar como uma criança!"
Com os olhos muito abertos, Hermione deu um passo atrás surpreendida. "Des-desculpa, Remus. Não percebi... Eu vou embora, já que não queres companhia." Ela começou a dirigir-se de volta ao Salão.
"Eu sei, Hermione. Sobre tu e Sirius."
As palavras tinham-lhe escapado, como se ele não tivesse qualquer controlo sobre elas.
Hermione parou e voltou-se lentamente para ele. "Como?" ela perguntou, não zangada ou envergonhada, apenas curiosa.
"Todos vocês parecem esquecer-se do quão bem eu ouço quando estamos assim tão perto da lua cheia," ele disse acidamente.
Agora sim, Hermione corou. "Não é nada de especial, a sério. Nem estamos mesmo juntos, ele só... tu sabes, ele é persistente e -"
"Eu vi-vos beijarem-se em frente à biblioteca," ele disse com raiva por ela estar a tentar mentir.
Ela suspirou. "Tu não sabes exatamente o que aconteceu."
"Eu acho que sei," Remus rosnou. "Ele beijou-te. Tu beijaste de volta. Parece-me uma equação suficientemente simples para eu perceber, Hermione. Não me trates como se eu fosse idiota."
"Eu nunca, Remus, te trataria -"
"Cala-te," ele sibilou. "Não quero ouvir-te. Vou dormir. E não digas a Sirius que eu sei sobre os vossos beijos e comentários doces." Ele lançou-lhe um olhar enraivecido, acrescentando, "Pensei que eras mais inteligente do que isto. Estava errado." E afastou-se.
...~oOo~...
Nota da autora: POR FAVOR, COMENTEM! POR FAVOR!
Desafio: 1. Passagem preferida neste capítulo? 2. Previsões? 3. Team Sirius ou Team Remus? 4. A lua cheia está a chegar... o que acham que vai acontecer?
