Cornélia estava atrasada para a aula de primeiros socorros, então não era de espantar que ela estivesse correndo como se um minotauro estivesse atrás dela. O único problema foi quando uma figura apareceu do nada do corredor e deu um encontrão nela. Os dois caíram e ela estava pronta para se desculpar (porque a Cornélia é muito bem educada) quando o viu.
Era o menino cobra mais lindo que ela já tinha visto! Seu corpo todo era coberto por escamas azuis claras, os olhos eram vermelhos iguaizinhos aos de uma cobra. O cabelo era preto espetado e mesmo assim uma mecha teimava em cair na testa dele. Ele parecia preocupado.
-Você está bem? – ele perguntou a ajudando a levantar.
Agora que eles estavam de pé ela pôde notar na altura dele, ele era no mínimo uma cabeça mais alto que ela. E ele tinha uns braços de morrer!
-Foi mal. – ele disse com um sorriso sem graça. – eu estou atrasado pra minha aula de grego, nem notei quando você apareceu. – ele ficou esperando que ela dissesse alguma coisa, mas, como Cornélia ficou petrificada no lugar, ele continuou. – eu sou o Angus, e você é...
Só então Cornélia acordou.
-E-eu sou a C-cornélia.
-Que nome bonito. – ele disse com um sorriso lindo. – olha, eu tô mesmo atrasado, mas será que você não quer encontrar comigo mais tarde? Sabe, pra falarmos sobre os perigos de correr no corredor e tal.
Cornélia ainda estava muito maravilhada pra falar direito então ela só fez um sim com a cabeça.
-Legal. Te encontro no refeitório depois da aula então.
Ele piscou e saiu correndo. Nesse ponto até as cobras de Cornélia tinham desmaiado.
Jéssica e Dylan trocaram um olhar confuso quando viram a górgona entrar na sala praticamente flutuando.
-Alguma coisa que você queira contar para os seus amiguinhos aqui? – Dylan perguntou se inclinando pra ela quase morrendo de curiosidade.
-Eu encontrei o menino mais fofo do mundo. – Cornélia disse desabando na cadeira.
-É mesmo? – ele perguntou interessado.
-Como ele é? – Jéssica perguntou mais interessada ainda.
E Cornélia respondeu com toda calma do mundo, não parecia que ela tinha voltado para a Terra ainda, então Dylan e Jéssica foram bem pacientes com ela. No final Jéssica ficou feliz, afinal Cornélia merecia um cara legal.
Dylan foi muito dramático, praticamente caiu em cima de Cornélia enquanto dizia:
-Eu nunca vou desistir de você Cornélia! – ele disse mais dramático que um ator numa peça de Shakespeare. – Deixe essa minhoca de lado e fuja comigo!
-Eu prefiro ficar careca! – Cornélia respondeu no mesmo tom. Suas cobras entraram em pânico.
Os dois gargalharam e Jéssica ficou novamente enjoada. Será que Dylan não podia lhe dar uma folguinha sequer? Ela precisava desabafar com alguém, mas quem? Jack estava muito ocupado estudando para as provas finais, e quando não estava estudando, estava com Celine. Também não podia falar com Cornélia, afinal ela estava tão feliz que não seria capaz de falar com ela sobre o seu sofrimento, seria cruel demais.
Ela resolveu ir falar com Amy e Agatha, as duas saberiam o que dizer. Pelo menos era o que ela esperava.
Mas só conseguiu falar com elas na hora do recreio, e todos estavam sentados juntos, incluindo Dylan. Ela se convenceu de deixar o assunto de lado, por enquanto. Não porque nunca conseguiria afastar as duas do grupo sem chamar a atenção, como também pôde notar o quantos elas estavam preocupadas.
-Aconteceu alguma coisa? – Jéssica perguntou.
-Não sabemos onde o Douglas está. – Agatha respondeu.
-Não se preocupem lindas, ele provavelmente está com Lie. – Dylan disse sem notar o olhar assassino de Jéssica.
Mas Lie chegou (desacompanhada) naquela hora, acabando com a teoria de Dylan.
-Querida e linda Lie, você não sabe onde está o inútil do Douglas? – Dylan perguntou sem a menor cara de pau.
-Não. – Lie respondeu preocupada. – a última vez que eu o vi foi ontem.
-Está perdendo o seu tempo, Dylan. – Celine respondeu cruzando as pernas. – Lie só presta pra duas coisas: pular e enfeitiçar os outros.
A bruxa apertou os punhos tentando conter a raiva, mas a vampira não pareceu nem um pouco intimidada.
-Aconteceu alguma coisa entre vocês duas? – Jack perguntou meio inseguro, afinal ele era a única coisa que separava as duas.
-Eu só descobri quem foi que colocou essência de alho no meu shampoo ano passado. – Celine respondeu.
Lie gargalhou e Celine sibilou, Cornélia chegou carregando um monte de bandejas cheias de comida e todos a olharam sem acreditar.
-Quanto te mandamos buscar a comida, Cornélia, não pensávamos que você ia buscar mesmo. – Jean disse pegando sua taça de B+.
-Não se acostumem, eu só estou muito feliz hoje. – ela sorriu quando viu Angus acenando pra ela. – agora se me dão licença eu tenho que ir.
Todos pegaram seu prato, mas antes que Lie pudesse colocar uma garfada na boca Celine lhe deu um tapa na mão.
-O que foi agora, Celine? – Lie perguntou impaciente. – vai dizer que eu estou gorda agora.
-Não, sua besta! Tem uma coisa fedendo na comida.
Jean e Duncan também torceram o nariz e afastaram as taças do rosto. Quando Jack olhou mais atentamente notou pequenos pedaços azuis brilhantes na comida.
-O que é isso? – ele perguntou.
Lie deu uma examinada de perto e ficou genuinamente surpresa e confusa.
-São cogumelos brilhantes! Os que estão fazendo na comida.
-Ainda bem que vocês viram. – Dylan disse afastando seu prato. – sou alérgico a cogumelos.
-O que eles fazem? – Jéssica perguntou ignorando Dylan.
-Fazem dormir.
Eles olharam em volta e cada aluno que comida uma colherada sequer da comida, não importava qual, caia no sono. Cornélia e Angus não foram exceção.
-Tem uma coisa muito errada aqui... – Celine disse se levantando.
-Onde está Clara e Douglas? – Duncan perguntou.
A verdade veio como um soco para Lie e ela saiu correndo para o quarto de Clara, todos foram atrás. Lie teve um probleminha com a porta trancada, mas Duncan a abriu com um peteleco e todo viram o quarto nojento que Clara tinha.
Lie estremeceu quando viu os ingredientes que estavam nas prateleiras.
-Todos esses ingredientes estão banidos da Sociedade de Magia, tanto branca quanto negra. – ela se virou para o livro e deu uns passos para trás. – todas as cópias desse livro deviam ter sido destruídas! Como Clara conseguiu um exemplar?
-Eu penso. – Clara respondeu.
Antes que qualquer um conseguisse fazer qualquer coisa Clara ergueu as mãos e cordas saíram das pontas de seus dedos. Jack, Jéssica e Dylan foram amarrados, Celine e os primos foram pregados na parede, Lie foi içada até o teto, e Amy e Agatha foram amarradas uma nas costas da outra.
-Cadê o Douglas? – Lie perguntou depois de recuperar o fôlego. – o que você fez com ele?
Clara deu um sorrisinho e estalou os dedos.
O chão se abriu e Douglas apareceu, estava em choque com as costas cortadas e ensanguentadas. Amy e Agatha começaram a chorar e os vampiros rugiram. Jack e Jéssica viraram o rosto, não aguentaram olhar. Lie gritou muito e Dylan bufou, era o único que estava de costas e não conseguia ver nada.
-Dá pra alguém me dizer o que aconteceu? – o lobisomem perguntou tentando olhar.
-Clara arrancou as asas de Douglas. – Jéssica respondeu sem abrir os olhos.
Dylan rugiu e não parou de xingar Clara, mas a bruxa má não estava dando a mínima, ela só estalou os dedos de novo e Dylan foi arremessado para a parede junto dos vampiros. Clara pegou o rosto de Jéssica e a obrigou a olhar para Douglas.
-Olha! – ela mandou. – você fez isso!
-O que você tá falando? – Jéssica perguntou chorando.
-Se você e o seu irmão não tivessem vindo Douglas estaria numa boa! Mas vocês tiveram que vir!
Clara soltou Jéssica e foi para o seu caldeirão, só aí Lie notou que ela estava fazendo uma poção. Pelo cheiro ela viu que não podia ser coisa boa.
-O que você fez, Clara? – Lie perguntou meio rouca.
-Douglas queria me ajudar a sumir com esses frankensteins nojentos, mas depois não quis mais! O que eu podia fazer?
-O que você fez? – Lie perguntou de novo.
-Como eu ia matar alguma coisa que já estava morta? – Clara perguntou mexendo a poção. – eu precisava de um veneno antigo e de ingredientes proibidos, pelo menos nisso Douglas me ajudou.
-Seu monstro! – Amy gritou chorando revoltada.
-Olha quem fala. – Clara respondeu sorrindo, pelo visto a poção estava pronta. – eu meio que queria que todos vocês estivessem dormindo, seria muito mais fácil. Mas já que vocês, espantalhos nojentos, estão acordados eu vou ter que me virar.
Com outro estalar de dedos Jéssica foi arrastada para perto do caldeirão e Clara ergueu a colher cheia de veneno.
-Agora diga A.
Dylan deu um rugido especialmente alto e Douglas meio que saiu do estado de choque, ele ainda não entendeu o que estava acontecendo, mas só levantar foi o suficiente. Quando Clara o viu de pé ela perdeu toda a concentração e todos foram soltos. Dylan puxou Jéssica para longe do caldeirão e Celine ajudou Douglas a ficar de pé. Lie jogou um feitiço em Clara, mas ela fugiu.
-Acho que ganhamos uns minutos até ela voltar. – Lie disse se aproximando de Douglas. – você está bem Dougie?
-Não. – ele respondeu ofegante.
De fato, Douglas estava com tanta dor que nem conseguia ficar ereto. Os cortes nas costas eram tão profundos que chegavam aos ossos e um ventinho era o suficiente para Douglas berrar de dor.
-O que a gente faz? – Amy perguntou enquanto tentava conformar o irmão. – Clara vai voltar a qualquer segundo!
-Lie consegue prendê-la, não é? – Dylan perguntou esperançoso.
-Não. – Lie respondeu quase envergonhada. – a magia de Clara é mais antiga e muito mais poderosa do que a minha. Por isso um monte de gente acha que ela é um prodígio, entendeu?
-Então você está me dizendo que ninguém pode parar a Clara? – Dylan perguntou a beira do desespero.
-É gente... – Lie disse derrotada. – ganhamos passagens só de ida para a Loserville.
Douglas se dobrou de dor e Lie e Amy correram para ajuda-lo, Agatha e Celine ficaram bem do lado delas enquanto os outros quebravam a cabeça para achar a salvação. Ninguém esperava ouvir o grito de Douglas, mas não era de dor, mas sim de raiva.
-Será que alguém consegue me tirar logo daqui, antes que aquela doida queira cortar mais algum pedaço de mim? – ele se virou para Celine. – sabia que é assim que ela conseguiu todos esses ingredientes? – ele apontou para os frascos. – são todos os seus ex-namorados!
Pela primeira vez na vida Celine ficou genuinamente chocada. Claro que ela estranhava o fato de nunca reencontrar seus exs, mas mesmo assim. Nunca tinha imaginado que Clara seria capaz de tamanha monstruosidade.
Douglas se dobrou mais uma vez de dor e Jean se ofereceu para tirá-lo dali, claro que Lie foi junto. Celine teve um plano de tirar todos ali enquanto Clara não voltava, cada vampiro carregava duas ou três pessoas para fora dos terrenos da escola e gritar por ajuda, mas antes que ele fosse posto definitivamente em prática Dylan teve uma ideia.
-E se Clara se transformasse em uma estátua? – ele perguntou ingenuamente.
-Como assim? – Celine perguntou visivelmente interessada.
-Bem... a Cornélia podia dar uma olhada nela e ela virava estátua. O efeito não é permanente, mas daria tempo da gente fugir e chamar as autoridades.
Todos ficaram tão surpresos que Dylan ficou até ofendido.
-Eu tenho boas ideias! Às vezes...
-Isso é brilhante Dylan! – Celine disse sorrindo. – quem vai buscar a Cornélia?
-Eu! – o lobisomem levantou a mão.
-Eu vou junto! – Agatha e Jéssica disseram.
-Bom. – Celine disse. – Lie e Amy vão levar o Douglas pra longe, Duncan e Jean vem comigo caso o plano do Dylan não funcione, e Jack vai chamar ajuda. Todos de acordo?
Todos gritaram sim e Dylan e as meninas saíram correndo pelos corredores, Jean e Duncan sumiram, assim como Amy, Lie e Douglas. Jack estava a ponto de sair correndo quando Celine o puxou e lhe tascou um beijo, claro que ela levou um choque.
-Me desculpe. – Jack disse quase tendo um ataque de tanta vergonha.
-Não tem problema. Só toma cuidado, tá?
Os dois trocaram um sorriso e Jack saiu correndo. Celine rolou os olhos e foi atrás dos primos, será que um dia ia conseguir beijar o menino que gostava sem levar um choque?
Chegar no refeitório foi fácil, eles chegaram em questões de minutos. Dylan demorou uns instantes para achar Cornélia naquele monte de monstros desmaiados. A pegou no colo com cuidado e eles foram andando pelos corredores, não sabiam onde Clara estava. Era muito improvável que estivesse no quarto, afinal não tinha mais ninguém ali. Clara devia estar zanzando pelos corredores igual a eles. Agora eles contavam com a sorte.
-Tirando o fato de que tem uma bruxa louca atrás da gente e que um dos meus melhores amigos foi brutalmente sequelado eu até que estou feliz.
-Por quê? – Agatha perguntou seriamente preocupada com o estado mental do lobisomem.
-Quando eu teria a chance de ficar perto de três meninas lindas ao mesmo tempo? – Agatha e Jéssica fuzilaram Dylan com os olhos e ele fez uma careta arrependida. – qualé gente, foi só pra descontrair.
Jéssica bufou e saiu batendo os pés. Dylan e Agatha estranharam e Cornélia foi entregue à súcubo enquanto Dylan ia atrás de Jéssica.
-Você está bem? – ele perguntou quando conseguiu alcançá-la.
-Tem uma bruxa doida tentando me matar, como você acha que eu estou? – Jéssica respondeu quase rosnando.
-Fala sério, Jess! – Dylan a segurou pelos ombros, a obrigando parar e a olhar para ele.
Ela bufou e cruzou os braços, agora quando ela parava pra pensar, não tinha hora melhor de falar com Dylan. Ela ia morrer mesmo!
-Dylan. – ela disse séria. – eu vou te perguntar uma coisa e eu quero que você seja sincero. Tá?
-Manda. – ele disse como se estivesse disposto a testar um colete de balas.
-Você gosta de mim?
-Claro que eu gosto-
-Não. Você gosta gosta de mim?
Dylan demorou uns segundos para entender, mas aí a ficha caiu.
-Gosto. – ele disse.
Foi aí que Jéssica teve um chilique.
-Então por que, diabos, você fica dando em cima de todas as meninas que aparecem?
Com essa ele teve que rir, o que piorou o chilique de Jéssica.
-Isso é só brincadeira. – ele explicou antes que os remendos de Jéssica se soltassem. – quando eu gosto gosto de uma menina eu tento ser amigo dela primeiro. Você devia saber a diferença.
-Como é que eu ia saber? Você também não dá nenhuma pista-
Dylan a beijou e ela se calou. Agatha os interrompeu carregando precariamente Cornélia.
-Isso é hora? – ela perguntou sem acreditar.
-É agora ou nunca, gata. – Dylan disse com um braço ao redor do ombro de Jéssica.
-Que bonitinho. – Clara disse atrás deles.
Eles olharam e lá estava: uma bruxa flutuante com sérios problemas mentais. Agatha tentou tirar os óculos de Cornélia, mas acabou se atrapalhando e as duas caíram no chão. Dylan ficou na frente de Jéssica, mas não adiantou muito já que em um estalar de dedos todos estavam presos nas paredes, menos Cornélia.
-Onde estávamos? – Clara perguntou segurando uma colher imensa cheia de veneno. – ah é! Diga A.
-Espera um momentinho aí! – Dylan gritou. – eu até que não ligo muito se você matar a minha namorada, mas eu quero saber por quê.
-Sério? – Clara, Jéssica e Agatha perguntaram ao mesmo tempo sem acreditarem no que tinham acabado de ouvir, não necessariamente na mesma parte da frase.
-Sério.
Clara ficou meio desconfiada, mas agora que tinha notado, nunca ninguém tinha mostrado o mínimo de curiosidade sobre o seu ódio pelos frankensteins . talvez ela nunca mais tivesse a chance de desabafar. Então ela começou a falar.
Pelo visto seu pai era um bruxo excêntrico que era muito criticado por fazer experiências com mortos vivos, em especial frankensteins, até um dia eles se revoltarem e matarem o pai de Clara. Então desde aquele dia Clara odiava qualquer coisa que se parecia com um frankenstein.
Ela levou exatamente duas horas para falar aquela história e quando terminou foi quando Cornélia finalmente acordou.
-Tira os óculos Cornélia! – Dylan gritou quase a beira do desespero.
-O quê? – a górgona perguntou quase sem acreditar.
-Faz a Clara virar pedra! – Agatha gritou. – rápido!
-A gente! Só porque a gente não gosta dela não é desculpa para-
-Ela quer matar a Jéssica e o Jack! – Dylan disse.
Clara engoliu em seco e Cornélia ficou tão brava e as cobras do seu cabelo não pararam se sibilar. Cornélia tirou os óculos e todos fecharam os olhos. Clara foi derrubada por Duncan e foi obrigada a abrir os olhos.
Sua última visão foi o olhos verde de Cornélia, e Clara virou uma estátua. Dylan, Agatha e Jéssica caíram pesadamente no chão e Dylan perguntou:
-Podemos abrir os olhos agora?
-Podem. – Cornélia disse colocando os óculos de volta.
Celine apareceu com um homem alto e magro, usava uma capa enorme e tinha uma barba tão longa que batia no chão. Atrás deles estavam Amy, Lie e Douglas. Aquele homem era o primeiro e único Ludovico Eberão, a figura mais poderosa de todo o mundo mágico. E ele começou a falar:
-Eu, Ludovico, decreto a expulsão imediata da aluna Clara del Mont e seu desligamento com a Sociedade de Magia. Também a acuso de praticas hediondas e assassinato, sequestro, roubo e agreçao do pior grau. Também a condeno a três mil anos na prisão de baixo, a prisão feita para o pior tipo de criatura mágica.
Dito isso ele estalou os dedos e a estátua de Clara sumiu no ar. Agatha ficou de frente para Ludovico e perguntou:
-O meu primo vai ficar bem?
-Se acalme, minha jovem. Douglas ficará bem, só precisa de energia vital e suas feridas cicatrizarão em um segundo.
-Não vou conseguir voar de novo, não é? – Douglas perguntou derrotado.
-Infelizmente não. – Ludovico respondeu genuinamente triste. – sinto muito.
Umas duas lágrimas desceram pelo rosto de Douglas e Celine lhe ofereceu a mão. Aquilo simplesmente quebrou o coração de Lie, mas não tinha nada que ela pudesse fazer. Douglas precisava de energia vital, e em uma quantidade que seria fatal para qualquer outra companheira. A única que podia ajudar o íncubo era Celine.
A escola foi acordando aos poucos, mas Cornélia consegui terminar o seu encontro com Angus. Dylan e Jéssica tiveram um momento só para eles e até Jean e Duncan tiveram uma atenção especial de certas primas súcubos (*Amy e Agatha, pra quem não descobriu). Jack só chegou de noite trazendo com ele uma frota de bruxos, eles estariam guardando a escola até toda a ameaça que Clara tinha deixado estivesse bem longe dali.
Mas imagine como Jack se sentiu quando Lie contou onde Celine estava. Nem mesmo a parabenização do diretor e de sua esposa foram o bastante para alegrá-lo depois daquilo.
Lie estava na biblioteca quando Douglas apareceu, estava lindo como sempre e ela ficou realmente feliz quando viu que as costas já não sangravam mais.
-Você está melhor? – ela perguntou fechando o livro que estava lendo.
-Muito, obrigado. – os dois trocaram um sorriso e Douglas olhou o livro curioso. – o que você está lendo.
-Não é nada não.
Douglas pegou o livro e abriu na marcação, ele ficou muito surpreso quando viu que o capítulo era sobre criação de asas a partir de magia. Será que Lie estava tentando fazer o que ele pensava?
-Você está tentando me dar asas? – ele perguntou vendo Lie com diferentes olhos.
-É... sabe? Eu queria fazer uma surpresa e tal.
Douglas a beijou e Lie nunca ficou tão feliz.
-Obrigado Lie. – Douglas disse.
Os dois trocaram um sorriso e se beijaram de novo.
Jack estava sentado no refeitório sozinho, todos os outros estavam em outro lugar, Cornélia estava com Angus, Amy estava com Jean, Agatha estava com Dunca, Lie estava com Douglas e por aí ia. O fato era que ele estava sozinho, e não parecia muito feliz.
-O que foi? – Celine perguntou enquanto se sentava do lado dele.
-Lie me contou o que você estava fazendo para ajudar Douglas.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo e Celine disse:
-Não foi traição, Jack. Eu estava salvando ele, e eu-
Ela se calou quando Jack a beijou, mas não foi o beijo em si que a surpreendeu, mas o fato de não ter levado nenhum choquezinho sequer.
-Às vezes eu acho que você fala demais. – Jack disse se separando dela.
-Mas pelo menos você achou um ótimo jeito de me fazer calar a boca.
Os dois trocaram um sorriso e Celine o puxou para mais um beijo.
FIM
E vocês pensaram que eu nunca ia terminar! É só que aconteceu muita coisa e eu não estava com tempo ou com imaginação, mas pelo menos eu terminei! Antes tarde do que nunca, é o que eu sempre digo.
Pois é, acabou a história e para aqueles que estiverem interessados eu estou pensando em escrever uma história sobre a Celine, mas não vai ser aqui não, vai ser no outro site. Vai ser num estilo completamente diferente, muito mais maduro e sério, mas eu acho que vai ficar legal. Então pra quem quiser eu coloco o link quando eu postar.
Espero que tinham gostado e que comentem!
