Capitulo 7
Tres semanas depois, as coisas começaram a normalizar. Finalmente me acostumei com o frio, tanto que agora consigo usar camisetas. Comecei a trabalhar naquela segunda-feira e estou quase sempre de plantão na parte da noite. Não que aqui em Londres a emergência seja muito cheia, na verdade durante a semana é bem calma, mas eu gostava de trabalhar, quando estava meio vazia, eu dava uma passada no necrotério e conversava com Molly. Ela era realmente legal, descobrimos um amor em comum por series e musicais. Também tínhamos algo mais em comum, o Sherlock. Ela sempre perguntava por ele, se ele tinha um caso novo, se falou dela. Coitadinha, estava na cara que ela tinha um paixão platônica por ele e ele nem ligava. Em casa, os meninos pareciam descansar do trabalho, Sherlock estava especialmente irritado essa semana. Tocava seu violino horas seguidas durante o dia e a noite, John ficava estressado sem conseguir dormir também. Eu não me importava muito, na verdade musica clássica me dava sono. Ele estava assim, pois não tinha aparecido nenhum caso interessante depois de Moriarty, somente casos ocasionais e muito fáceis, dizia ele. Não recebemos nenhuma noticia sobre o paradeiro daquele crápula maluco. Eu agradecia por isso, quanto mais longe de mim estivesse, melhor. Também não tive mais nenhuma noticia de um certo Californiano – se é que ele é Californiano mesmo-, ainda estava preocupada com a ligação dele, mas tentava me convencer de que ele não tinha conseguido achar meu endereço ainda. John continuava um cavalheiro de armadura brilhante, sempre gentil, sempre preocupado comigo, ele era a pessoa mais próxima a mim aqui em Londres. Ele sempre me visitava a tarde antes do trabalho e na sexta, minha folga, eu me reunia com os meninos la em cima, para comermos macarronada ao molho de frango e assistir besteira na TV. Sherlock tentava esconder, mas sempre parecia ansioso antes deu chegar. Meu macarrão era a única coisa que eu via ele comendo, além de chá e biscoitos. Ele também parecia ter voltado a investigação do meu passado, sempre que eu passava em seu apartamento ele tinha uma perguntinha oportunista a fazer.
- Vi que recebeu correio hoje. – Comentou ele hoje a tarde, assim que abriu a porta, quando fui deixar alguns shorthbreads para John. Ele tinha crescido viciado nos doces, como eu.
- Humrrum. – Fui em direção a cozinha colocando o saco de doces sobre a mesa.
- Perecia ser uma caixa com rosas. – Ele disse atrás de mim. Continuo de costas para ele, colocando a chaleira com agua para ferver.
- Não te interessa. – Pego xicaras limpas e coloco sobre a mesa. Viro, encontrando Sherlock atrás de mim com os braços cruzados no peito.
- Seria um interesse amoroso? – Ele questiona, me ignorando. Ele finalmente parece perceber algo em mim, ele faz uma careta ao olhar meu peito.
- O que? – Olho procurando por algo errado.
- O que é isso na sua blusa? Esta comprando na sessão infantil agora?
- São cartoons, todo mundo gosta do Looney Tunes! – Exclamo levantando as mãos para o céu.
- Não pessoas adultas. - Ele ainda me olhava como se eu fosse estranha.
- Eu adoro roupas da sessão infantil, não me importo com a sua opinião. – Cruzo os braços. - Onde está John? – tento mudar o assunto.
- Não. – ele balança a cabeça. Não o que? – Muito cedo para um namorado, você passou por um termino recente. Mas então quem? Não conhece ninguém na cidade além de mim e John. – Ele continua como se nunca tivéssemos mudado do primeiro assunto. Suspiro, passando as mãos na calça jeans.
- Sherlock... – tentei chamar sua atenção.
- Você não me parece mais alegre do que o usual, na verdade é difícil te ver sem um sorriso no rosto. Poderia ser um disfarce? – Seus olhos piscam rápido. – Você finalmente arranjou um distribuidor?!
- O que? – Não entendo seu raciocínio.
- Ele acha que você finalmente encontrou quem te vendesse drogas. – diz John entrando na cozinha.
Rio da ideia. Sherlock nunca desistia dessa possibilidade.
- Já disse que não uso drogas. – A chaleira apita anunciando que a agua esta pronta. A retiro do fogão, distribuindo nas três xicaras. Coloco os saches de camomila e me sento a mesa.
John me segue, comendo alguns doces.
- Finalmente terminei o texto sobre o caso não resolvido.
- Ai que legal, vou ler assim que puder! – Pisco para John que sorri encabulado. Sherlock revira os olhos para a conversa, saindo em direção a sala. John sempre me avisava quando tinha texto novo, eu adorava lê-los e não só eu, eles faziam sucesso. Sherlock odiava especialmente quando John contava dos não resolvidos.
- Eu já disse para não menciona-los! – Exclama Sherlock da sala.
- O visualizador do Blog registrou quase duas mil visualizações ontem a noite, essa é a sua vida Sherlock! – Ele grita para que Sherlock escute. – Não os 240 tipos de cinza de tabaco que tem no blog dele. – Ele sussurra a ultima parte pra mim.
- 243! – Dizemos eu e Sherlock juntos.
- Tem plantão hoje? – pergunta John.
- Sim. Ontem chegaram algumas vitimas de acidente de carro. Então tenho a noite meio cheia. – Suspiro triste. – Queria ver Molly hoje.
- Vocês conversam muito? – Pergunta John.
- Sim, ela é ótima. – sorrio. - Sempre que estou com tempo livre vou la no necrotério. Na verdade, a acho um pouco solitária.
Ele assente, concordando.
- Eu estava pensando se a gente não podia sair amanhã. Eu cheguei em Londres faz um mês e ainda não conheço nenhum bar na cidade, isso é triste. – sorrio de lado.
John ri. – É um pouco, tenho certeza que poderíamos ir. No momento estou solteiro então... – Ele da de ombros. Dou um pequeno gritinho interno, John Watson solteiro era um perigo. Eu não gostava mesmo de Sarah, quem perdeu foi ela.
- Você também vai né, Sherlock?! – grito em direção a sala.
- É claro que não. – Ele grita de volta.
Levanto, limpando as mãos na calça. Passo pela porta da cozinha sentando na poltrona de Sherlock.
- E você tem algo melhor pra fazer? Faz uma semana que não sai desse apartamento. – Ele estava deitado no sofá com o notebook sobre o peito.
- Qualquer coisa é melhor do que ir para um bar de Londres cheio de macacos bêbados desprovidos de inteligência.
- Ah qual é? Eu aposto que uma musiquinha te faria bem. Algo não clássico, algo para mexer as cadeiras. – Sorrio balançando os quadris. Ele me encara como se tivesse nascido uma cabra no lugar da minha cabeça.
- Não seja estúpida. Não preciso mexes as... cadeiras. – Ele bufa, sentando-se. – Preciso de um caso.
- Tenho certeza que você poderia achar um assassino na noite de Londres, não deve ser tão difícil. – sorrio esperançosa.
Ele revira os olhos.
Meu celular vibra anunciando uma mensagem. Abro curiosa esperando por Lily, fazia alguns dias que não nos falávamos. Era um foto. Mostrava a janela de um trem e planícies verdes. Em baixo uma mensagem.
" A Irlanda é mesmo bela. Poderiamos voltar aqui depois que eu te pegar. "
Largo o celular como se ele queimasse. Como ele conseguiu? Eu mudei o numero semanas atrás. Me sinto tremer.
- Melinda? – Pergunta Sherlock, percebendo o meu estado.
Me afasto, batendo as costas com John. Ele segura meus braços ficando a minha frente.
- Linda? Quem era no telefone? – Ele parecia preocupado.
Balanço a cabeça em silêncio. Não podia ser. Ele já estava na Irlanda, me acharia fácil agora. Não, não, não.
Sherlock pega o telefone lendo a mensagem.
- Seu ex?
Abaixo a cabeça. Não queria falar sobre isso.
- Tenho que ir trabalhar, estou atrasada. – murmuro apressada. Pego minha bolsa no sofá, e tiro o celular da mão de Sherlock.
- Linda, você não deveria sair assim. – John tenta falar. – Nós podemos ajudar.
- Eu tô bem. – Abro um grande sorriso. – Foi só um antigo conhecido. Nada demais. Depois eu explico, agora... tenho que ir.
Sherlock me encara desconfiado enquanto John parece preocupado. Sem esperar por mais perguntas, desço correndo as escadas, logo parando um táxi. Ele já estava na Irlanda! Como ele me achou?
Mal consegui trabalhar, todo homem que chegava perto de mim me assustava. Eu pensei ter visto seu rosto de relance umas cinco vezes. Finalmente, as seis da manha, o turno se encerrava. Me dirigi a cantina comprando um grande copo de café. Eu não conseguiria dormir hoje.
John tinha me mandado quatro mensagens durante a noite, perguntando se eu estava bem. Eu não queria preocupa-lo, mas já estava pensando em contar tudo. Eu queria desabafar, e Lily estava a quilômetros daqui. Além de que ele estava se aproximando, eu precisava de ajuda, e quem melhor do Sherlock Holmes e seu amigo do exercito pra me ajudar? Mas e se eles se machucassem? Se não acreditassem em mim? Eu não tinha provas. Será que John ainda iria gostar de ser meu amigo depois de saber tudo sobre mim? Eu não podia arriscar. Eu adorava os dois, mesmo o babaca do Sherlock. Não suportaria o olhar de nojo ou de pena em seus rostos.
- Hummm. – Puxo os cabelos, frustrada. O que eu faço?
Meu celular vibra com uma mensagem. Com receio do remetente, desbloqueio o celular o olhando de relance.
" Venha pra ca, não é seguro. – SH "
Sherlock mandou mensagem pra mim? Nossa! Sorrio um pouco, ele estava preocupado comigo? É claro que não, ele queria descobrir o mistério que eu era, e eu estando morta não tinha serventia. Sinto meu sorriso diminuir. Eu não o culpava por ser assim, é só o jeito que ele era. As vezes as pessoas são o que são e a gente só deve aceita-las, se realmente gosta delas. Ele era inteligente, realista, perceptivo e lógico. Não tinha lugar para emoções bobas nele. Mesmo sabendo que ele ficava super alegre quando aparecia um Serial Killer na área e considerava muito o John. Vai entender...
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Ao chegar no apartamento, as 7 da manha. Encontro John deitado em meu sofá. Ele manteve esse habito na primeira semana depois do sequestro de Moriarty. Eu não conseguia dormir só, então ele dormia no meu sofá. Depois que melhorei, expulsei ele de la. Agora parece que ele achou que eu precisaria dele. Sorrio agradecida com o gesto. Vou para o meu quarto, depois de tirar as roupas e colocar um short e uma camiseta de Hogwarts, me jogo na cama logo adormecendo.
" Você é mesmo tola, acha que alguém vai acreditar em você? Contra a minha palavra? Você não é ninguém, uma pobre órfã universitária, sem um tostão furado. Chega a ser patético você considerar me desafiar assim. Eu te dei uma chance de ficar calada, mas você parece esnobar isso. Escolha errada. – Ele levanta a mão descendo um forte tapa na minha cara. Sinto meu nariz estalar, enchendo de sangue. Eu não conseguia respirar. "
Acordo gritando. Aos poucos percebo o meu redor. Estou em Londres, foi só outro pesadelo. Eu estava tão casada deles. Suspiro.
- Linda? – John coloca a cabeça na porta do quarto. Sento, arrumando os cabelos bagunçados.
- Hey, John. Desculpe acorda-lo.
Ele se aproxima, balançando a cabeça. – Posso sentar?
Aceno. Ele se senta no meu lado direito. – Você não acha que está na hora de conversar com alguém.
Me preparo para retrucar, mas ele me interrompe.
- Não precisa ser comigo, ou com Sherlock. Com alguém, quem você quiser, mas você precisa falar. – Ele suspira. – Não está te fazendo bem, essa pessoa do seu passado está te atormentando e quanto mais perto ele chega mais instável você fica. Não quero que tenha medo. – Ele pega minha mão direita na sua. – Quero que nos deixe ajudar. Sabemos que você esta fugindo de algo. Por favor, nos deixe ajudar.
Respiro fundo. – John, eu agradeço muito por se preocuparem, mas não é assim tão simples, eu... – fecho os olhos, fugindo da imagem dele em minha memorias. – Não quero arriscar ninguém.
- Nós podemos te proteger! – ele agarra forte minha mão.
- Não quero vocês no meio disso. Não quero, John. Ele não vai me achar. – Tentei me convencer disso mais do que a ele. Sorrio de lado.
Ele balança a cabeça frustrado. – Teimosa.
O abraço forte. – Muito obrigada, John. Você é o melhor amigo que eu poderia achar aqui em Londres, no momento que eu precisava.
- Só quero que fique bem. – ele sussurra em meu ouvido.
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John saiu para trabalhar, me deixando com Sherlock. Eles ainda estavam preocupados com a foto enviada.
- Ele esta se aproximando, é isso que a foto significa. Mas quem é ele e por que você esta fugindo? Eu preciso saber! – Sherlock andava de um lado para o outro.
Suspiro, irritada.
- Por que não esquece isso, eu não sou um caso seu!
- Não importa, eu preciso saber. – Ele para fechando os olhos e colocando as mãos sobre o queixo. Ele sempre fazia esse gesto, ele estava rezando ou o que?
- Eu já disse, não quero que se envolvam.
Ele bufa, irritado.
- Já tentei seus registros escolares, contas, impostos, tentei falar com sua amiga...
- O que? – Sento atenta, ele falou com Lily?
- ...Mas ela não foi de muita ajuda. – Continuou como se eu não o tivesse interrompido.
- Como falou com a Lily?
- Peguei seu celular emprestado. – Ele disse, acenando a mão como se fosse nada.
- Pegou? Mas e a minha senha?
- Muito fácil, você devia melhora-la. Enfim... – Bufo irritada, que babaca! Ele abre os olhos, pensativo, retomando a caminhada. – Nenhum registro de quando morou no orfanato e quase nada sobre seus pais adotivos, nenhuma passagem pela polícia, a única coisa que encontrei foi um pequeno surto após a morte de seus pais, causado por estresse pós traumático, sendo provavelmente dai onde tirou seu atraso em coisas de criança, como utilizar roupas com desenhos e tomar raspadinha, o que é ordinariamente normal. Você não é mesmo um mistério?
Reviro os olhos. Qual é, todo mundo gosta de roupas temáticas! Sorrio orgulhosa da minha camiseta do Homem Aranha e minha calça jeans preta. Num rompante, ele para o caminhar e olha resignado para o celular sobre a sua poltrona.
- É a única solução.
O encaro sem entender. – O que?
- Terei que ter uma visita meio chata. – Ele revira os olhos, colocando os óculos de proteção e indo em direção a cozinha. Ele estava fazendo um experimento com maçarico e dedos humanos.
Me aproximo dele, tentando entender o que ele estava fazendo. Me mantia afastada, ele ficava irritado quando era interrompido.
Seu telefone na sala começa a tocar.
- Atenda. – Ele fala sem parar o que estava fazendo.
Bufo, saindo da cozinha. – Mandão.
Pego o celular e atendo.
- Alô?
- Esse é o telefone do Sherlock? – Era a voz de Greg.
- Hey, Greg. É a Linda.
- Ah, oi Linda. Sherlock esta ocupado?
- Digamos que sim... – Olho para ele na cozinha.
- Diga que temos um caso, peça para ele me encontrar no teatro de Londres. Diga a ele que é um caso sobre possíveis gêmeos.
- Legal. Vou dizer a ele.
- Obrigada.
- De nada. – Termino a ligação e volto para a cozinha.
- Era Greg, tem um caso pra você. – Tento falar sobre o barulho do maçarico.
- Que tipo de caso? – Ele continuou a virar os dedões.
- Eu não sei, algo sobre possíveis gêmeos.
Ele para o maçarico, refletindo por um momento, então sorri, indo em direção ao quarto. Mando uma mensagem para John avisando do caso, Sherlock ia querer a presença dele.
- Avise John. – Ele volta colocando o casaco.
- Já avisei! – falo animada.
Ele me encara de testa franzida. Depois da um sorriso.
- Também estou animado! Gêmeos são promissores.
Dou uma risada. Ele não existia!
Se vira, saindo do apartamento.
Suspiro. Vou ficar sozinha agora...
- Você vem? – Ele grita la de baixo. Dou de ombros, pegando meu casaco sobre a poltrona e corro escada abaixo.
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- Do que poderíamos chamar esse caso? – Pergunta John ao sairmos do palco.
- O assassino dos umbigos? – Proponho com uma risada. Eu já nem lembrava mais daquela mensagem, estar com eles, no meio de suas loucuras me fazia esquecer, eu me divertia.
- O tratamento Umbilical? – Propõe Sherlock com aquele sorriso convencido sempre que resolvia um caso. Esse só durou 3 dias.
- A imprensa esta la fora, rapazes. – Diz Lestrade nos encontrando no corredor da saída.
- Eles não se interessam por nós. – Diz Sherlock.
- Isso foi antes de virarem um fenômeno na internet. – Lestrade vai a nossa frente. Ele também parecia orgulhoso. Sherlock encara John, com uma careta, que estava ao meu lado. Seguíamos atrás de Sherlock. – Alguns vieram especialmente para tirar fotos de vocês.
- Pelo amor de Deus. – Sherlock exclama sem paciência.
- Que legal! – Exclamo, sorrindo. – Sou amiga de pessoas famosas.
Ele revira os olhos pra mim, enquanto John da de ombros. Passamos por um camarim. Sherlock para a nossa frente, entrando no quarto. Ele pega um chapéu e joga para John.
- John, cubra o seu rosto.
Joga um chapéu de madame para mim, com uma pena de ganso na ponta. Que chic! Combinava divinamente com minha blusa de alcinhas marfim, meu cachecol azul petroleo e meu casaco estilo navy. Minha saia branca com meias azul marinho completavam o visual.
- Andem rápido e com os rostos abaixados.
Coloco meu chapéu, arrumando o cabelo solto nas costas. Agora que a ficha cai, não devo ser reconhecida, se Ele encontra o jornal com uma foto minha em Londres vai me achar mais rapidamente. Amarro o cachecol sobre a boca cobrindo todo o meu rosto.
Sherlock coloca apressado um chapéu de investigador sobre a cabeça. Seguimos Lestrade em direção a saída. Somos recebidos por um flash de câmeras. Olho para o chão, sendo guiada pelo aperto de John no meu braço.
Ao chegarmos em casa, respiro aliviada. Espero não ter saído reconhecível em nenhuma das fotos. Subimos todos para o 221B.
- Precisamos comer, acho que tenho os ingredientes para um estrogonofe.
- Eu adoraria um estrogonofre agora. – Murmura John, tirando o casaco. – E você Sherlock?
- Humm. – Ele só rugi. Acho que isso é um sim.
- Ok, já volto. – Desço correndo as escadas. Pego todos os ingredientes e volto a subir. Encontro Mrs Hudson na sala.
- Olá querida.
- Olá, Senhora Hudson. Vou fazer um estrogonofre, a senhora gostaria de se juntar a nós?
- Obrigada querida, mas tenho um jogo de baralho com senhoras em alguns minutos.
- Não é bem um jogo de senhoras. – Fala Sherlock da poltrona. John o olha feio, fazendo Sherlock dar de ombros.
- Tudo bem. – A Senhora Hudson desce não dispensando um olhar enviesado para Sherlock. Vou para a cozinha e começo a cozinhar. 40 minutos depois o estrogonofre já esta cheirando divinamente.
- Eu já estou salivando com esse cheiro, quando vai ficar pronto? – John pergunta atrás de mim.
- Em 10 minutos. – Digo sorridente, eu adorava quando elogiavam minha comida.
Termino de mexer, retirando o arroz e as torradas do fogão. Preparo a mesa com os talheres e pratos. John pega o suco na geladeira e coloca sobre a mesa.
Desligo o fogo e transfiro o estrogonofre para uma tigela de vidro, colocando sobre a mesa.
John mergulha um dedo no estrogonofre levando a boca. Bato na mão dele.
- Não seja mal educado!
- Estou com fome. – ele lamenta.
- E agora vai comer. – Empurro ele para a cadeira.
Vou para a sala e Sherlock esta digitando em seu notebook. Desço a tela, colocando o note sobre a mesinha de centro.
Ele me olha irritado.
- Vamos logo, você sabe que não me engana, esta com fome.
Ele vira os olhos e se levanta indo para a cozinha. Meu celular toca anunciando uma mensagem.
"Gostou do meu presente?
Espero que sim, sei que você adora rosas e depois do que houve esta um pouco longe delas. Sinto sua falta. Você esta mesmo bem? Ainda fico preocupada com você. Sempre que penso naquele louco a solta... Desculpe não queria estragar o momento com assuntos do passado. Espero mesmo que esteja feliz ai. Você não me contou mais nada sobre o John John e o gato do Sherlock. Miga a voz dele me deu arrepios nos lugares onde o sol nem bate. Já seguiu meu conselho sobre o ménage? Olha, vale a pena viu! E a data mais linda que esta chegando? Queria muito estar ai, mas como não posso, vou mandando meus presentes para compensar. Me responde logo.
Te amo, Lily."
Dou risada das loucuras dela. Ela não desistia da historia do ménage, isso so me deixava cheia de ideias mirabolantes na cabeça, coisas que eu não tinha coragem de fazer. A responderia mais tarde.
- Ta tudo bem? – Pergunta John.
- Sim, é só a Lily e suas ideias malucas.
Quando Sherlock se senta. começo a servir os pratos. John é o primeiro a atacar. Sherlock como sempre faz manha ate eu brigar com ele. Parecem crianças. Meus bebezinhos... Sorrio feliz.
