Suteki da ne
Capítulo Sete

"Shaoran!" - Sakura chamou, correndo até o amigo. Haviam tido aula de educação física e ele ainda tinha os cabelos molhados, estavam agora quase na altura do queixo, já que estava deixando-os crescer. - "O que vai fazer agora? Quer ir comigo naquela lanchonete lá perto de casa, que inaugurou ontem?" - perguntou sorrindo para o amigo que a fitava com pesar. Piscou algumas vezes, sem compreender aquele olhar.

"Agradeço por me convidar, Sakura, mas eu…" - interrompeu a frase olhando para perto da quadra, onde estava Yamazato. Ela acompanhou o olhar dele, compreendendo o que ele ia dizer.

"Vai convidá-la para sair?" - perguntou forçando um sorriso. Ele confirmou com a cabeça.

"Sinto muito se estraguei seus planos…" - falou percebendo que ela ficara triste.

"Está tudo bem!" - mentiu, com o sorriso esvaecendo. Suspirou pesarosamente e o encarou, encontrando as pedras ambarinas a observá-la com carinho. Abriu um sorriso genuíno. - "Espero que tudo dê certo!" - desejou sinceramente, recebendo assentimento. - "Vou ver com as meninas se não querem ir comigo…" - acenou dando um passo para trás. - "Amanhã você me conta como foi…" - disse virando-se rapidamente para esconder uma lágrima escorrendo por seu rosto, que ela logo tratou de enxugar. Havia prometido a si mesma que não choraria quando ele fizesse sua escolha.

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Akio estava conversando com suas amigas, completamente segura da atenção que chamava pelas altas gargalhadas. Jogava com sensualidade o cabelo para trás, de tempos em tempos, como em um ritual bem elaborado para atrair o sexo oposto.

"E vocês sabem o que ele falou quando me deixou em casa?" - perguntou indignada. - "Que nunca esqueceria o que aconteceu entre nós, como se eu fosse alguma garotinha ingênua…" - virou os olhos com um sorriso debochado, arrancando risadas das meninas.

"Olha só quem vem aí, Akio…" - Hikaru disse olhando por cima do ombro dela. Yamazato olhou disfarçadamente para onde a amiga mantinha o olhar fixo, fazendo uma careta de cansaço.

"Ele não desiste, mesmo!" - murmurou balançando a cabeça.

"Ora, Akio, o Li é uma gracinha! Por que não dá uma chance para ele?" - Akami sussurrou, fazendo Yamazato olha-la com desdém.

"Se você acha, por que não fica com ele?" - sorriu sarcástica.

"Eu até ficaria, mas ele só tem olhos para você..." - respondeu brincalhona, afastando-se, assim como Hikaru, por causa da aproximação do chinês.

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"Tem certeza, Sakura, de que não quer ir com a gente?" - Rika perguntou enquanto caminhavam em direção ao portão.

"Tenho, sim!… Não vou ser boa companhia, hoje." - respondeu sorrindo fracamente.

"Mas o que aconteceu para que você ficasse tão desanimada de repente?" - Chiharu perguntou vendo Sakura olhar para a quadra.

"Acho que já sei o que foi que aconteceu…" - Tomoyo disse olhando na mesma direção que a amiga. Todas as garotas pararam olhando Li conversar com Akio. Desviaram o olhar para a garota que observava aquilo com interesse.

"Tem certeza de que quer ficar sozinha, Sakura?" - Naoko perguntou suavemente recebendo assentimento e um sorriso.

Voltaram-se para ir embora, quando o som de uma moto sendo acelerada atraiu sua atenção, novamente, para a quadra. Um rapaz andava em volta de onde Shaoran e Yamazato conversavam. Parou ao lado dela falando alguma coisa e ofereceu-lhe o capacete, que ela aceitou sem pensar duas vezes, subindo, em seguida, na garupa, como se o chinês nem estivesse ali. Passaram por Sakura e as meninas, antes de saírem.

Sakura não desviou o olhar de Shaoran um único segundo, observou, com um aperto no coração, todos os movimentos dele, que acompanhavam o motoqueiro e Yamazato saírem do pátio do colégio.

"Isso não é justo…" - murmurou, levando uma mão na altura do coração. - "Ele não merece isso, não merece!" - disse virando para suas amigas. Elas se entreolharam, voltando a encará-la com um sorriso.

"Acho que é melhor ir até lá..." - Tomoyo sugeriu. - "Ele vai precisar de você agora…" - suspirou e virou-se junto com as demais garotas para ir embora, deixando-a para trás.

Sakura abaixou a cabeça e cerrou os punhos, respirando profundamente. Precisaria ser forte agora, não só por ela, mas por Shaoran também. Começou a caminhar lentamente na direção dele. Não tinha muita pressa de alcançá-lo, por não saber o que dizer. Mas a distância não foi suficiente para que pudesse pensar em algo.

Shaoran estava sentado na arquibancada, com o olhar triste, perdido na direção do portão. Sakura se aproximou e, sem falar nada, sentou-se ao lado dele.

Permaneceram calados durante o que pareceu um longo tempo. Shaoran ergueu o rosto fitando o céu e sorriu fracamente. Desviou o olhar para Sakura e considerou-se uma pessoa de muita sorte por tê-la ao seu lado.

Sakura olhava para frente, pensando em como Yamazato podia ser tão estúpida a ponto de agir daquela forma com Shaoran. Pouco importava que ele não tivesse um carro ou uma moto, daria qualquer coisa para estar no lugar dela por um único segundo. Conhecia a pessoa extraordinária, o amigo fiel, o rapaz apaixonado que era Shaoran Li. Abaixou a cabeça com um tímido sorriso, seria capaz de arriscar qualquer coisa para que ele fosse feliz. Suspirou, olhando para ele e percebendo que a observava com um sorriso. Ficou envergonhada. Estava tão concentrada em seus pensamentos que não percebera a atitude dele.

"Vamos sair daqui!" - ele falou levantando-se e estendendo a mão para que ela fizesse o mesmo. Ela a aceitou, mesmo não precisando da ajuda, pelo simples prazer de tocar a mão dele.

Saíram do colégio estando em um clima bem menos pesado que há alguns minutos atrás. Apreciavam a simples companhia um do outro. Shaoran a olhou pelo canto dos olhos suspirando.

"O que você diria se…" - sua voz soava fraca. - "Se eu decidisse que, a partir de hoje, vou esquecer Akio Yamazato?" - perguntou engolindo em seco. Sabia que não seria tão simples quanto falar.

Sakura abaixou a cabeça abrindo um sorriso involuntário e parou de caminhar, vendo Shaoran fazer o mesmo à sua frente. Ergueu novamente o rosto. Seus olhos pareciam duas pedras preciosas, de tão brilhantes, naquele instante.

"Deveria saber que, não importa a decisão que você tomar, contanto que esteja realmente feliz, eu o estarei apoiando…" - sorriu sentindo um grande peso sair de seu peito, ao vê-lo sorrir também.

"Obrigado,…" - sussurrou, dando um breve beijo no rosto dela. - "Sakura…".

Ela levou a mão até a bochecha, Shaoran nunca havia feito isso antes. Ficaram encarando-se com sorrisos cheios de carinho e um outro sentimento que possuíam um pelo outro. A proximidade que Sakura encontrava-se dele e a forma com que ele a olhava, começaram a fazer seu coração palpitar em seu peito; ficou enrubescida ao pensar que queria apenas beijá-lo, como acontecia nos filmes que assistia. Tinha que sair daquela situação antes que o fizesse.

Shaoran sentiu-se estranho ao beijar a face de Sakura. Ia afastar-se logo após, mas os olhos da amiga, juntamente de seu doce perfume, não o permitiram fazê-lo. Sempre achara que ela tinha belos olhos, mas, naquele momento, um brilho diferente era o que tornava impossível, para ele, afastar-se. Viu-a corar e seu coração acelerou, como nunca antes ocorrera diante dela. O brilho cristalino das duas pedras esmeralda fez com que ele se aproximasse lentamente. Sentiu-se frustrado quando Sakura abaixou a cabeça. Tentando compreender o que acontecia, percebeu que suas mãos tremiam. Estava certo de que, se ela não desviasse o olhar, a beijaria. Mas, por quê?

'Deve ser por eu estar abalado com o que aconteceu na escola envolvendo Yamazato…' - pensou. Mas, apesar de sua mente aceitar a explicação, seu coração não o fazia.

"O-o… o que você quer fazer agora?" - ela perguntou, interrompendo seus pensamentos. Mostrava-se desconfortável com a situação deles. Shaoran abriu um sorriso ao ver como ela estava vermelha.

"Neste exato momento?" - ele perguntou passando a mão pelos cabelos e sentindo-se levemente incomodado. - "A única coisa que quero fazer agora é cortar esse negócio…" - sorriu ao ver que conseguira fazê-la rir. - "Estou falando sério!… Como foi que permitiram que eu o deixasse crescer desse jeito?" - perguntou, fazendo uma careta.

"Eu posso acompanhá-lo…" - sorriu e adicionou rapidamente. - "Se você quiser, é claro!…" - olharam-se novamente com sorrisos em seus rostos, sem aquela sensação de incômodo anterior.

"Eu adoraria se você pudesse me acompanhar…" - respondeu suavemente, voltando a caminhar, com ela ao seu lado.

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Sakura olhava uma revista estando sentada na sala de espera do cabeleireiro onde ela e Shaoran costumavam ir. Pensava no que Li dissera a respeito de Yamazato e sorriu, sentindo-se quase nas nuvens. Estava decidida a ajudar Shaoran a esquecê-la, iria lutar por ele e, finalmente, diria o que sentia. Sim! Ela lhe diria que o amava, porque era isso o que sentia. Sabia há muito tempo que não era uma simples paixão, uma simples atração, pois conhecia Shaoran com todos os seus defeitos, poderia enumerar cada falha dele e ainda assim seu coração saltitava em seu peito toda vez em que o via, que ele sorria, que a encarava. Da mesma forma que se contraía ao vê-lo partir. Amava-o a ponto de abrir mão de sua vida por ele.

"Estou pronto!" - ele disse, arrancando-a de seus pensamentos e fazendo com que olhasse ligeiramente para cima.

Ela arregalou levemente os olhos, vendo-o com os cabelos aparados e penteados. Sem dizer uma única palavra, colocou a revista que tinha em mãos ao lado e levantou-se ainda encarando-o.

"Não ficou bom?" - ele perguntou sem graça, passando a mão na cabeleira, bagunçando-a e fazendo com que a garota risse.

"Muito pelo contrário!" - afirmou, balançando negativamente a cabeça. - "Acho que você fica bem melhor assim…" - comentou, corando e abaixando a cabeça.

"Sério mesmo?" - perguntou sorrindo. Ela afirmou com um leve aceno da cabeça. - "Já que estamos falando sobre isso…" - disse de forma animada. - "Sempre achei que você fica melhor com os cabelos soltos…" - comentou, vendo-a levar imediatamente a mão ao rabo-de-cavalo que usava.

"Verdade?" - perguntou erguendo o rosto até que seus olhos se encontrassem. Shaoran confirmou, fazendo-a abrir um sorriso estonteante.

'O que está acontecendo comigo?' - ele se perguntou ao sentir que seu coração, novamente disparara ao vê-la sorrir. - 'Sakura é minha amiga, não deveria sentir-me assim…' - teve seus pensamentos interrompidos.

"O que você vai fazer agora?" - ela perguntou, sorrindo.

"Não tenho nada planejado, e você?".

"Não sei se posso dizer que é 'algo planejado', mas tenho que ir para casa e preparar o jantar…" - mordeu levemente o lábio inferior. - "Quer jantar lá em casa hoje?" - perguntou rapidamente, antes que ele dissesse qualquer coisa.

"Se não for incomodar…" - sorriu, vendo-a balançar a cabeça.

"Você já deveria saber que não nos incomoda…" - ela o repreendeu em tom de brincadeira. - "Já faz parte de nossa família e sabe disso…".

"E me sinto honrado por isso…" - afirmou, fazendo-a alargar o sorriso, enquanto caminhavam em direção à residência Kinomoto.

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Shaoran e Eriol estavam sentados em uma mesa na lanchonete dos pais de Yamazaki. Bebiam um suco cada um olhando o movimento das pessoas que caminhavam pela rua.

"O que está achando de Tomoeda, Eriol?" - Li perguntou quebrando o silêncio entre eles.

"É uma bela cidade!" - disse distraidamente abrindo um sorriso. - "O que você acha daqui?" - questionou, vendo o amigo arquear as grossas sobrancelhas.

"Não sei explicar a razão, mas eu gosto desse lugar…" - esboçou um sorriso e suspirou. - "Realmente gosto…" - olhou para o céu de forma pensativa.

"Eu já pude perceber isso!" - o inglês comentou com um tom irônico, atraindo o olhar do amigo.

"O que quis dizer com isso, Eriol?" - perguntou desconfiado.

O britânico apenas aumentou o sorriso, estreitando os olhos de forma maliciosa, deixando Shaoran irritado. Detestava quando ele dizia as coisas pela metade. Eriol, repentinamente, mudou a expressão, erguendo o rosto e abrindo um sorriso genuíno enquanto se levantava.

"Boa tarde, Tomoyo!" - disse, fazendo Li se erguer também e cumprimentá-la.

"Boa tarde, garotos!" - ela respondeu sorrindo e sentando-se na cadeira que Eriol afastou para ela. - "Peço, novamente, desculpas por ter avisado, tão em cima da hora, que não poderia estar aqui no horário que havíamos combinado…" - falou com a voz cansada.

"Não há problema algum, Tomoyo. Imprevistos acontecem…" - Eriol afirmou com um sorriso galante que fez com que a japonesa corasse, como vinha acontecendo muito na última semana, desviando o olhar para Shaoran.

"E onde está Sakura?… Não me diga que ainda não chegou…" - viu o rapaz ficar com a expressão triste e abaixar os olhos.

"Ela não poderá vir!" - explicou suspirando. - "Ela é a responsável pela limpeza da casa esse domingo…".

"Eu havia me esquecido desse detalhe…" - Tomoyo comentou balançando a cabeça com um pequeno sorriso no rosto. Shaoran não era o mesmo sem a presença da amiga. Ouviu-o rir, encarando-a.

"Aparentemente, a própria Sakura esqueceu-se deste detalhe…" - comentou brincalhão, arrancando dela uma risada.

"Como sempre…" - a jovem comentou voltando a fitar Eriol, ficando enrubescida ao perceber que ele a observava.

Shaoran sorriu ao reparar na rápida troca de olhares que houve entre seus dois amigos.

"Quer beber alguma coisa antes de irmos ao cinema, Tomoyo?" - o chinês perguntou, casualmente.

"Um suco de abacaxi seria ótimo…" - comentou sorrindo e virou-se para o inglês. - "Os sucos daqui são deliciosos!…" - exclamou alegremente, vendo Eriol sorrir e confirmar com a cabeça enquanto Shaoran fazia o pedido ao garçom.

"Diga-me, Tomoyo, o que irá fazer amanhã, no final da tarde?" - Hiiragizawa perguntou com a voz ligeiramente nervosa, o que não passou desapercebido pelo chinês.

"Amanhã haverá uma reunião com alguns acionistas das empresas da qual minha mãe gostaria que eu participasse…" - comentou, visivelmente aborrecida.

"Mas que pena!" - Eriol falou abaixando a cabeça e erguendo-a logo em seguida, deparando-se com um olhar curioso da jovem. - "Eu iria convidá-la para acompanhar-me em uma apresentação que acontecerá em Tokyo, onde serão interpretadas apenas composições de Nobuo Uematsu…" - viu um brilho de animação surgir nos olhos ametista da garota.

"Você tem ingressos para esse recital?" - perguntou ficando extasiada ao vê-lo confirmar. - "Que maravilha!… Eu não consegui comprá-los. Já haviam esgotado quando fui procura-los há um mês atrás…" - tinha um sorriso estonteante nos lábios.

"Meus pais os compraram há quase três meses, mas não poderão estar aqui amanhã..." - explicou sorrindo. - "Por isso deram-me as entradas para que eu fosse com alguém…".

"E você quer que eu o acompanhe?" - a voz de Tomoyo falhou por um instante. - "Estou lisonjeada, Eriol!" - sorriu respirando profundamente. - "Terei o maior prazer em acompanhá-lo!… Tenho certeza que minha mãe não se importará se eu faltar a essa reunião, visto que há muito queria assistir essa apresentação…" - afirmou, vendo o inglês confirmar com a cabeça.

"Sem contar, que uma apresentação musical, tem mais relação com a faculdade de música que você pretende fazer do que qualquer reunião de negócios de sua mãe…" - Shaoran comentou calmamente, fazendo os dois ficarem sem graça ao lembrarem de sua presença ali. - "Eu nunca compreendi muito bem a razão para você participar de tantas reuniões das empresas…" - disse bebendo um pouco de seu suco.

"Minha mãe sempre gostou de me exibir nas reuniões, por isso eu participo, como uma distração, cantando desde pequena…" - ela explicou, um pouco sem graça. - "Isso apenas me incentivou a dedicar-me cada vez mais à música…" - disse vendo um sorriso aparecer no rosto do chinês, que olhou para Eriol.

"Exatamente como você, Hiiragizawa!" - comentou debochado. - "Seus pais faziam questão que tocasse piano naquelas reuniões entediantes que fecharam a venda de metade de nossa filial de Londres…" - riu fazendo Tomoyo arregalar os olhos, espantada.

"Do que você está falando, Li?" - ela perguntou, fazendo-o perceber o que foi que falara. - "Pode me explicar essa história direitinho…" - olhou para o rapaz que suspirava pesadamente de cabeça baixa.

"Pois é, meu caro, parece que você deu com a língua nos dentes dessa vez..." - sorriu de lado o inglês.

"É uma longa história, Tomoyo…" - disse passando a olhar o céu.

"Então pode começar, pois parece que não vamos ao cinema hoje…" - sorriu de lado, cruzando os braços e vendo o sorriso resignado de Li.

'Essa vai ser uma longa tarde…' - pensou, imaginando qual seria a reação de Tomoyo ao saber da verdade.

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Sakura iria começar a preparar o jantar quando ouviu o som de um carro parando em frente à sua casa. Deixou os ingredientes, que estava separando, sobre a pia e foi até a porta da frente, quase sendo acertada pela mesma quando essa se abriu.

Um homem alto, com cabelos negros, olhos castanhos, a pele dourada e os ombros largos, vestindo uma camisa branca, com uma gravata negra frouxa em volta do pescoço e calça grafite entrou na casa com um sorriso debochado, carregando uma valise média.

"Tome cuidado, Monstrenga!… Eu mal chego em casa e você já vem me atacando…" - riu sarcástico, vendo a irmã abrir um sorriso, pulando no seu pescoço.

"Touya!" - exclamou, abraçando-o com força. - "Que saudades! Por que não avisou que voltava hoje?" - perguntou, soltando-o e deixando que ele entrasse.

"Queria fazer uma surpresa!" - tirou a gravata, jogando-a sobre o sofá, e sentou-se, ligando a televisão. - "Papai não está em casa?" - perguntou, vendo a irmã cruzar os braços olhando seriamente para ele.

"Não. Foi auxiliar nos últimos detalhes para o festival de talentos da faculdade…" - disse olhando a mala largada na entrada da sala. - "E eu passei a tarde inteira limpando a casa, portanto…" - olhou para a gravata do irmão, fazendo-o compreender o que ela queria dizer.

"Desculpe, Monstrenga…" - pegou suas coisas e saiu da sala, escapando de uma almofada que foi atirada em sua direção. - "Hei, Sakura, não faça bagunça!" - riu, fazendo-a grunhir.

"Muito engraçado, Touya!" - esbravejou, juntando a almofada e indo para a cozinha.

Touya entrou na cozinha e pegou uma maçã na fruteira que ficava sobre a mesa, encostando-se na bancada, observando Sakura limpar os feijões verdes para o jantar.

"Como foi lá na Europa, Touya?" - ela perguntou, olhando rapidamente para o irmão.

"Correu tudo bem!" - sorriu. - "As feiras industriais deram ótimos resultados. Antes de terminar a primeira quinzena, a procura pelos nossos serviços dobraram…" - comentou vitorioso.

"Que bom!…" - abriu o armário, esticando-se para pegar uma panela em uma das prateleiras mais altas, sem conseguir.

"Deixe que eu pegue para você..." - ele balançou a cabeça negativamente, abrindo um sorriso debochado. Pegou a panela e entregou a ela, sem falar nada pelo olhar ameaçador que estava sendo dirigido para si.

"Obrigada!" - ela disse respirando profundamente. - "O que você acha de ter macarrão para o jantar?" - perguntou colocando água na panela.

"Você é quem sabe…" - sorriu de lado. - "Eu não vou jantar em casa hoje, Monstrenga…" - recebeu um olhar interrogativo da irmã. - "Eu e Kaho vamos jantar fora…" - sorriu ao lembrar da namorada. - "Falando nisso, eu vou me arrumar…" - saiu da cozinha, deixando Sakura sorrindo sozinha.

Enquanto cozinhava a vagem, a campainha tocou, fazendo com que fosse atender a porta.

"Boa noite, Sakura!" - Shaoran cumprimentou-a sorrindo e recebendo um belo sorriso em retribuição.

"Boa noite, Shaoran…" - permitiu que ele entrasse na casa. - "Gostou do filme?" - ela perguntou, voltando para a cozinha sendo seguida por ele.

"Acabamos não indo ao cinema…" - ele disse, recebendo um olhar curioso. - "Ficamos conversando a tarde toda sobre… outras coisas…" - suspirou, fazendo uma pausa. - "Então eu decidi passar na locadora, alugar alguns filmes e vir até aqui para ver se não quer fazer uma sessão pipoca..." - tinha bastante animação na voz. - "O que me diz?" - encarou-a com um sorriso.

"Eu adoraria!" - apontou o banquinho próximo ao balcão para que ele se sentasse enquanto terminava de fazer a janta. - "Quais filmes você alugou?" - perguntou, desligando o fogo e escorrendo o feijão.

"Star Wars - Episodio II, Moulin Rouge e Procurando Nemo…" - citou enumerando nos dedos, vendo-a abrir cada vez mais o sorriso.

"Eu estava louca para assistir Procurando Nemo!" - exclamou. - "Disseram-me que o filme é lindo…" - comentou, abrindo o pacote de macarrão.

"Eu sei. Foi por isso que o peguei…" - sorriu, vendo-a colocando o macarrão para cozinhar.

"Sakura, o que você acha que fica melhor eu usar hoje…" - Touya entrou na cozinha, segurando uma gravata em cada mão, sendo uma verde esmeralda escuro e a outra verde musgo. Parou de falar olhando Li. - "Boa noite, Li. Como você está?" - cumprimentou-o educadamente.

"Vou bem e você, Kinomoto?" - meneou a cabeça cumprimentando Touya. Não tiveram um começo muito bom ele e o irmão de Sakura. Touya era superprotetor demais com a irmãzinha, mas acabaram se acostumando um com o outro e, hoje, poderia-se dizer que eles tinham uma relação até mesmo saudável e por que não?

"Muito bem. Então, Sakura, qual gravata você acha que fica melhor?" - perguntou levantando as duas mãos. Sakura olhou-o com uma sobrancelha erguida.

"Você não acha que está se produzindo demais para jantar com a namorada, Touya?" - ela perguntou, fazendo graça. Touya suspirou pesadamente, sem falar nada para responder à provocação. - "Não me diga que não vai ser um simples jantar…" - ela arregalou os olhos, vendo-o abrir um pequeno sorriso e balançar negativamente a cabeça.

"Não, Monstrenga. Não vai ser um jantar qualquer…" - retirou do bolso uma pequena caixa de veludo que foi agarrada pela irmã que mal podia se controlar de tanta excitação.

Sakura abriu a caixa vendo uma bela aliança de ouro com detalhe de três luas crescentes em baixo relevo em ouro branco.

"Você vai pedir a Kaho em casamento!" - ela exclamou animada.

"Só espero que ela aceite…" - comentou um pouco nervoso.

"Você está brincando, Touya?" - Sakura deu um tapinha no ombro do irmão. - "Acho até que já demorou demais!… Você e ela já namoravam antes de eu e papai nos mudarmos aqui para Tomoeda!". - disse com um ar brincalhão.

"E é claro que você pode me falar sobre relacionamentos complicados, não é?" - Touya comentou olhando com o canto dos olhos para o chinês, fazendo-a arregalar os olhos ficando vermelha. Shaoran ficou intrigado com aquilo que o irmão de Sakura comentou. Será que ela gostava de alguém?

"O-o que…" - foi interrompida por Touya que suspirou pesadamente.

"Qual gravata você acha que devo usar, Sakura?" - voltou a erguer as duas mãos, mostrando-as para a irmã.

Sakura deu uma reparou melhor na roupa que ele usava. O terno e a calça eram azul-petróleo escuro, usava uma camisa branca por baixo. Voltou a olhar as gravatas.

"Use a verde musgo…" - apontou para mão do irmão, que a olhou com desconfiança. - "É menos chamativa que a verde esmeralda e orna melhor com o azul petróleo…" - explicou fazendo com que aceitasse a sugestão.

"Obrigado, Sakura…" - colocou a gravata em volta do pescoço e pegou a caixa da aliança que ainda estava com a irmã, saindo da cozinha. - "É melhor você ver o macarrão ou ele vai ficar grudando, Monstrenga…" - comentou fazendo-a correr para mexer a água da panela.

"Ele é impossível, mesmo!" - resmungou, virando-se para Shaoran que a observava com um pequeno sorriso. - "Você fica para o jantar, não é mesmo?" - perguntou sorrindo.

"Eu adoraria!" - confirmou, balançando levemente a cabeça.

"Ótimo. Já está quase pronto…" - comentou, vendo-o levantar-se.

"Há alguma coisa que eu possa fazer?" - parou ao lado dela, com um sorriso.

"Pode arrumar a mesa…" - sugeriu olhando-o. Permaneceram alguns segundos ainda parados dessa forma a encarar um ao outro, antes que ele piscasse para Sakura, indo até o armário onde ficavam guardadas as toalhas.

Continua…

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Miaka: Mas que porcaria, hein? Akio, sua besta! Vai catar coquinho sua metida, nojenta! Shaoran, por que você foi cortar o cabelo? ÇÇ Ia ficar tão fofo de cabelo comprido... (sonhando) Eriol, fofinho, a Tomoyo não pode ir no concerto não... Deixa que eu vou...

Yoru: (sentada com os braços cruzados observando minha mãe terminar o chilique)... Tenha calma, mãe,... O papai já te levou para assistir o conserto no Nobuo-san, foi por isso que ele me sugeriu colocá-lo no fic, não lembra?...

Miaka: Ah... É... Bom... (acalmando-se) É verdade... (regularizando a respiração) Mas eu não me importo de ir de novo... (sentando desanimada) Essa viagem do seu pai está demorando...

Yoru: É verdade!... É duro ter um pai famoso... (suspirando pesadamente)... Mas eu é que gostaria de ir assistir esse concerto... (com os olhos brilhantes)... Mas deixando isso de lado... A Yamazato é realmente uma otária, não é?...

Miaka: Totalmente! (levantando novamente e começando outro chilique) Ainda mais com o que ela vai fazer depois, como que ela pode... (tendo a boca tampada por Yoru)

Yoru: Mãe!... Você quer entregar o ouro? (soltando a boca da Miaka, que estava ficando levemente azulada)... Eu também não gosto dela... (ficando levemente nervosa)... Eu nunca odiei tanto um personagem que eu mesma criei antes... (rangendo os dentes)... mas o fato dela ter a coragem de... (tendo a boca tampada pela Miaka)

Miaka: Hei! Agora foi você! (soltando a boca da Yoru) Desculpa, eu não consegui me controlar ao pensar que ela pode fazer algo assim... (cerrando os punhos) Mas vamos nos acalmar... E tentar não destruir a casa... O que seu pai pensaria de nós se chegasse e descobrisse que não existe mais a casa que ele tanto cuida?

Yoru: Ele ficaria terrivelmente desolado... (sentando calmamente)... hum... (abrindo um sorriso)... hehehe... (começando a gargalhar)...

Miaka: Filha... (colocando a mão sobre a testa da garota) Você está se sentindo bem? (Preocupada)

Yoru: Estou bem sim... (recuperando um pouco o controle)... Eu estava lembrando do Shaoran tentando tirar sarro do papai e dando com a língua nos dentes... (começando a gargalhar incontrolavelmente)

Miaka: Hahaha! Pois é... Ele realmente deu uma bola fora... (lembrando do Eriol) E aquele sorriso que ele deu depois que o Li falou... Ai! (dando pulinhos)

Yoru: Esse é meu pai... enlouquecendo minha mãe nos menores detalhes... (suspirando...)

Miaka: Ai, ai... (ainda aérea)

Yoru: Antes que eu esqueça... Nenhum dos filmes citados nesse capítulo me pertencem (Oh!... Não diga!)... Mas todos eles são muito bons... eu aconselho a assistir...

Miaka: (acordando) Sim! São fofos! (cantando) Continue a nadar, continue a nadar...

Yoru: Eu estou ficando sem assunto, então acho que vou começar a agradecer o pessoal logo...

Miaka: Eu vou agradecer primeiro! (pulando na frente de Yoru) Brigada filhota, por ter me dado esse espaço e por me animar... (abraçando-a) Ti amu!

Yoru: (abraçando a Miaka com força) Eu te amo, mãe!... (soltando-a um pouco)... Bem,... eu não vou comentar os reviews hoje... Então quero dizer muito obrigada para: Carol Higurashi Li, Felipe S. Kai, Lan Ayath, Dani Glatz, Jenny-Ci, Patty Sayuri Suyama, Diu-chan, Rafinha Himura Li, MeRRy-aNNe, Cherry-Hi, Violet-Tomoyo, Yume Rinku, M.Sheldon e Rosana.

Beijos e até o próximo capítulo.

Yoruki.


Re-postado em: 27/09/06.