Seis
Capítulo VII – Segredos x Verdades
O céu estava nublado, o cinza entristecido era como um espelho para os sentimentos de algumas almas. Almas que, apenas agora, nesse dia de tempestade começavam a se conhecer. A verdade sobre si mesmas era revelada. Lágrimas eram derramadas, a dor dilacerava o coração. Confusão, sofrimento, solidão. Cada alma sentia um sentimento diferente, mas igual em essência. Cada uma dessas seis almas tentava se encontrar. Encontrar seu próprio caminho no labirinto que era o jogo do destino.
O vento frio e úmido da tempestade batia na madeira do chalé de Iruka e fazia os vidros tremerem. Lá dentro estava quente devido à lareira acesa e por todo o chalé só havia três pessoas: Iruka, Kakashi e Naruto. Os outros professores e as outras crianças se encontravam em outros chalés na chácara. Os três estavam na sala, sentados em uma mesa redonda de madeira. Naruto observa a tempestade que caía enquanto Iruka e Kakashi se entreolhavam tentando descobrir como começar. O loiro suspirou e guiou o olhar para o rosto de seu sensei. O observou em silêncio por alguns segundos antes de sério, perguntar:
- O que é Jinchuriki?--a voz do garoto saiu baixa quase como um sussurro, mas séria e com uma leve sombra de desespero.
Iruka desviou o olhar de Kakashi para Naruto. Suspirou e fitou o aluno. Estava sério.
- Jinchuriki é o nome de uma experiência do cientista Namikaze Minato, mais conhecido como Yondaime.
- Aquele cientista que morreu por causa de uma experiência que deu errado?
- Sim, Naruto. Namikaze-san morreu vítima de sua experiência, Kyuubi. Um vírus que aumenta a capacidade física das pessoas.
- Kyuubi era capaz de aumentar a força física de qualquer pessoa. --continuou Kakashi. Naruto voltou seu olhar para ele. --Mas com o tempo essa pessoa perdia o controle de si mesma e destruía tudo o que via pela frente. Era um vírus muito perigoso.
- Depois de ter falhado em várias tentativas de parar o vírus, Namikase-san não viu outra maneira de detê-lo a não ser destruí-lo. --retomou Iruka.
- O vírus Kyuubi já tinha matado várias pessoas, Naruto. --a fala voltou a Kakashi--Todos que entraram em contato com ele acabaram mortos. E para evitar mais destruição, o Yondaime resolveu destruí-lo.
- Só que mais uma vez ele falhou. --Iruka retomou a fala. --O vírus se mostrou muito resistente e Namikaze-san não conseguiu destruí-lo.--o professor ficou em silêncio por alguns segundos.--Então, para evitar que o vírus Kyuubi matasse ou ferisse mais alguém ou até mesmo caísse em mãos erradas Namikaze-san criou um modo de selá-lo. Utilizando uma criança ele a infectou com o vírus Kyuubi, mas logo em seguida ele injetou uma espécie de soro que mantinha o vírus em estado de animação suspensa e sem prejudicar a criança.
- Só que esse último recurso teve um preço. --disse Kakashi. --O próprio Yondaime acabou infectado pelo vírus Kyuubi que não reagiu bem ao seu organismo e o matou. --o ex-gangster fez uma pausa--A criança que o Yondaime utilizou era o próprio filho que recebeu o nome de Jinchuriki.
- Era você. --veio a voz de Iruka. Lá fora um trovão rugiu no céu.
Naruto largou o corpo na cadeira. Estava em choque. Não sabia o que sentia. Estava confuso, seu coração doía. Em silêncio começou a chorar e aos poucos o som de seus soluços ecoava pelo chalé. Iruka aproximou sua cadeira da de Naruto e abraçou o garoto. O loiro imediatamente o agarrou e chorou ainda mais, encolhido no colo do professor.
Iruka olhou para Kakashi. O professor estava com os olhos marejados e tremia devido os espasmos que corriam pelo corpo de Naruto. Kakashi suspirou e baixou o olhar até Naruto. O garoto ainda não tinha ouvido toda a história.
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Sob a fina garoa que caía sobre Londres Sasuke, Karin, Juugo e Suigetsu caminhavam seguindo o caminho que o Uchiha indicava. O moreno vinha na frente mantendo o olhar sempre no caminho que seguia. Ouvira dizer que aquele homem estava vivo. Precisava saber se era verdade. Se ele realmente estiver vivo talvez o diga como encontrar e matar Itachi.
- Sasuke?--Karin o chamou, mas o moreno não respondeu. --Sasuke?!--chamou um pouco mais alto.
O Uchiha apenas virou o pescoço ficando de perfil para a garota.
- Hum?
- Para onde vamos?--Karin perguntou.
- Paris.
- Hã?!--exclamou Suigetsu--Por que vamos para França?
- Há uma pessoa que eu quero encontrar e ela está lá.
- Seu irmão?
- Não, Suigetsu.
Sasuke voltou a olhar para frente dando a conversa por encerrada. A verdade era que o fato de aquela pessoa estar em Paris era apenas um palpite. Não tinha certeza se a encontraria lá.
- E como vamos para Paris?--a voz de Juugo chegou até os ouvidos de Sasuke.
- De avião. Ainda tenho um pouco da fortuna que minha família possuía.
Após as explicações serem dadas o silêncio se instalou. Sasuke olhou para o céu. A chuva ameaçava se tornar uma tempestade.
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- Itachi-san?--Deidara chamou.
Os dois membros da Akatsuki se encontravam em um hotel no centro de Londres. Era um hotel simples, servia apenas para que eles passassem a noite. Na manhã seguinte partiriam de avião em direção à Berlim onde ficava a sede da Akatsuki.
- Sim, Deidara-san?
O Uchiha respondeu sem olhar para o companheiro de quarto. Haviam pedido um quarto com duas camas de solteiro. O loiro já estava deitado enquanto o moreno permanecia de pé colocando uma capa negra de couro sobre suas roupas, também escuras.
- Vai sair? Na chuva, un?
- Sim. --respondeu e se encaminhou para a porta.
- Tem certeza?--perguntou o loiro. --Não prefere ficar aqui, un?--sorriu maliciosamente.
- Sim e não. --respondeu as duas perguntas sem emoção saindo do quarto.
Deidara suspirou enquanto virava o corpo, ficando de lado na cama. Fechou os olhos e adormeceu.
Itachi caminhou pelas ruas de Londres sentindo a chuva cair em seu corpo molhando seu cabelo e sua pele. Não se importou. Andou por vários minutos até chegar a um parque. Estava deserto devido à chuva. Caminhou na grama e por entre as árvores em silêncio. Pensava na vida que levava, nos crimes que cometera e no motivo que o levara a se jogar na vida que agora levava. Suspirou acariciando uma rosa branca. Foi tirado de seus pensamentos por um barulho conhecido à suas costas.
- Ainda me seguindo, ANBU Ne?--perguntou sem se virar.
Atrás do Uchiha, Sai estava parado sorrindo falsamente como de costume. A capa negra que usava ocultava e protegia seu corpo da chuva, mas seu rosto e cabelo estavam encharcados.
- Tenho que prendê-lo, Uchiha Itachi.
Itachi se virou, seus olhos vermelhos como sangue. "Sharingan." pensou o ANBU Ne.
- Me prender? Duvido que consiga.
O sorriso falso de Sai aumentou. Em um segundo ele sumiu do campo de visão de Itachi para no segundo seguinte estar com uma kunai encostada na garganta de Itachi. O Uchiha nem piscou. Colocou a mão no tórax do rapaz e a outra no pulso que segurava a kunai. O empurrou em direção ao chão. Sai caiu de costas na grama com o Uchiha sobre si com uma perna de cada lado de sua cintura o segurando pelo tórax e imobilizando seu pulso, os rostos a centímetros de distância. O sorriso na face do ANBU Ne desapareceu e os olhos negros inexpressivos fitavam os frios olhos vermelho sangue do Akatsuki acima de si.
Itachi apenas observava o rapaz. Desde a primeira vez que se encontraram não conseguira tirar o ANBU Ne da cabeça. Os modos dele, o sorriso falso. Tudo. Aquele menino não saia da sua cabeça! Sem que percebesse Itachi foi se aproximando ainda mais do garoto, que o olhava em um misto de confusão e seriedade. A chuva caía molhando os dois. Itachi encostou seus lábios nos lábios de Sai. O ANBU Ne estranhou a atitude do Uchiha, mas não o repeliu. Sentiu a língua de Itachi pedir passagem para entrar em sua boca e a concedeu. Fechou os olhos e retribuiu o beijo. Pôde notar a diferença de temperatura. Seus lábios, seu corpo estava frio enquanto os lábios, o corpo do Uchiha estava quente. Em questão de segundos o beijo já estava intenso e profundo. Quando a falta de ar se fez presente, Itachi separou os lábios e observou o garoto abaixo de si. O rosto um pouco confuso, a boca levemente aberta molhada pela chuva. "Belo...". Ao se dar conta do que pensou e do que estava fazendo o Uchiha rapidamente se levantou e se afastou do parque. Sai tentou segurá-lo, mas não conseguiu.
O ANBU Ne permaneceu no parque, sob a chuva, tentando entender o que acontecera. Por que Itachi o beijara?
Itachi correu o mais rápido que pôde de volta para o hotel. Subiu as escadas que levavam ao quarto que dividia com Deidara. Abriu a porta do aposento ofegante. Respirou fundo e andou até a cama. Se deitou e fechou os olhos. "O quê eu fiz? Por que eu...?"
- Itachi-san, un?--a voz sonolenta de Deidara na cama ao lado o chamou de volta a realidade.
- O quê, Deidara?
- Está tudo bem, un?
- Sim.--respondeu de modo sério.
Deidara não voltou a chamá-lo. Itachi não ligou. Logo adormeceu. Com a imagem do ANBU Ne em sua mente e seus dedos tocando seus lábios.
- Sai...
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- Naruto?--Kakashi chamou.
Naruto já havia se acalmado. A tempestade dera uma trégua em Norwich. Naruto não respondeu ao chamado do ex-gangster. Apenas levantou os olhos e o observou.
- Tem mais uma coisa que você precisa saber. Aqueles dois homens que invadiram o orfanato são membros da Akatsuki, a maior máfia da Europa. A Akatsuki quer pegar você para poder usar o vírus Kyuubi que há em seu corpo. Esse foi o motivo que os levou a invadir o orfanato.
Naruto permaneceu em silêncio.
- E mais uma coisa. --o loiro fechou os olhos. Estava se sentindo péssimo. --O homem moreno que atacou Sasuke. --quando ouviu o nome do Uchiha Naruto abriu os olhos, mas não fitou Kakashi. --Era Uchiha Itachi, irmão de Sasuke.
Naruto se levantou do colo de Iruka e olhou para Kakashi. Estava sério apesar das claras marcas de choro em seu rosto.
- Irmão do Sasuke?
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No aeroporto de Heathrow, Sasuke, Juugo, Karin e Suigetsu esperavam a chamada para o embarque. Sasuke mantinha os olhos na pista, internamente desejava estar certo sobre aquela pessoa estar em Paris.
Atrás e um pouco afastado do moreno o resto do grupo o observava.
- De agora em diante. --a voz do Uchiha chamou a atenção dos outros. --... Seremos conhecidos como "Taka".
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N.A.: Desculpem-me pela imensa demora. ^_^"
Espero que tenham gostado desse capítulo. No próximo capítulo: a explicação sobre os olhos vermelhos de Itachi.
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