Redefinindo a verdade

Já havia se passado uma semana e eles ainda não estavam se falando direito. Arya evitava a presença dele a maior parte do tempo e quando conversavam era sempre em função de Rickard. Não gostava da ausência dela, não gostava de ser incapaz de lhe dirigir uma palavra minimamente simpática, mas também não conseguia olhar para ela sem sentir raiva.

Ela tinha razão quando disse que de todas as coisas que ela havia feito, botar um bastardo no mundo era a única que Jon jamais perdoaria. Mesmo que amasse Rickard e que amasse Arya, aquilo jamais apagaria o rancor. Olhar para Gendry todos os dias também não ajudaria.

Era como se sentar diante de um grande tesouro, imóvel e impotente, sabendo que havia um ladrão habilidoso a espreita. Gendry era um ladrão e Jon não podia fazer nada contra ele sem passar por cima de sua honra, ou sem ter uma boa desculpa pra isso.

Quanto tempo até Arya decidir voltar para o ferreiro com o filho nos braços, deixando pra trás Winterfell e Jon? Quanto tempo até ela decidir que a proteção dele não era o que ela queria? Quanto tempo até Rickard chamar Gendry de pai e se esquecer de quem o viu dar os primeiros passos e ouviu suas primeiras palavras? Um homem sensato enforcaria um plebeu por ter encostado as mãos em uma lady. Jon tinha a lei a seu favor, mas sabia que usá-la seria declarar guerra à Arya e perdê-la de vez.

Sam o tirou de seus pensamentos no momento em que entrou na sala de estudos. O maester o encarou satisfeito, trazendo em suas mãos uma carta selada. Jon reconheceu o selo sem esforço algum. O dragão de três cabeças era uma visão que poderia ser tanto uma resposta aos problemas dele, quanto o decreto definitivo de que ele estava prestes a perder tudo o que mais amava.

- Acabou de chagar, Jon. – Sam falou afogueado – Demorou, mas finalmente tem uma resposta.

- Me dê logo essa carta. – Jon estendeu a mão e pegou o pergaminho, quebrando o selo imediatamente.

Era a letra da rainha. Daenerys Targaryen estava longe de ser a governante mais brilhante que o reino já teve, mas tinha um coração gentil. Aegon Targaryen, por sua vez era um homem por quem Jon tinha alguma simpatia. Ele não tinha qualquer prazer em governar e para ele a tarefa não era um direito e sim um dever. Era esforçado e em pouco mais de três anos de governo, havia conseguido colocar alguma ordem no reino. Seu irmão era um rei justo.

Apesar de Aegon ser aquele por quem Jon tinha uma admiração maior, era Daenerys quem havia conquistado a sua lealdade quando usou seus dragões para afastar a ameaça dos Outros de volta para o extremo norte. Ela sempre foi gentil e acessível, e quando simpatizava com alguém, a rainha era extremamente generosa.

Era justamente aquele o caso. Numa caligrafia bonita, ela dizia que Aegon havia analisado o assunto pessoalmente e decidido atender ao pedido de Jon, já que tanto Brandon Stark e Rickon haviam desistido dos direitos hereditários aos títulos de Guardião do Norte e Lorde de Winterfell. Rickon decidiu acompanhar Bran que havia assumido o controle do Forte do Pavor após o casamento com Meera e já tinha um herdeiro próprio a caminho. Quando chegasse a hora, Rickon assumiria como lorde de Karhold, casando-se com lady Karstark.

Pela própria mão de Aegon Targaryen e Daenerys Targaryen, Rickard Snow recebeu o sobrenome Stark, na condição de herdeiro legítimo de Jon Stark, Lorde de Winterfell e Guardião do Norte.

- O que diz, Jon? – Sam perguntou ansioso. Jon ergueu os olhos da carta sorrindo satisfeito.

- Eu tenho um herdeiro, Sam! – ele disse confiante – Rickard é um Stark, reconhecido e legitimado.

- Isso é maravilho! – o amigo respondeu satisfeito – Tenho certeza que lady Arya vai gostar de saber. Quem sabe... – Sam parecia inseguro em prosseguir – Quem sabe isso ajude a colocarem de lado seja lá o que ocasionou a discussão de vocês.

- E quem disse que discutimos? – Jon questionou e Sam rolou os olhos em resposta.

- Não se falam a uma semana! – Sam retrucou – Eu sou gordo, não imbecil, Jon! Não sei o que causou isso, mas você fica terrivelmente mal humorado quando discute com ela e a recíproca é verdadeira.

- Às vezes eu penso que não importa o que eu faça por ela, nunca será o bastante. – ele confessou deixando a carta de lado – Tudo era mais fácil quando ela era uma criança. Completávamos as frases um do outro, qualquer coisa a fazia feliz. Agora eu mal sei o que se passa na cabeça dela.

- Acho que a vida adulta tem dessas coisas. Tudo é mais complicado do que deveria ser. – Sam disse sério – Se me permite, eu tenho outras coisas a fazer.

- Esteja à vontade. – Jon disse dando licença para que o amigo se retirasse.

Ele saboreou sua vitória sozinho por mais algum tempo. Tentou imaginar o que Arya diria quando ele lhe desse as notícias. Esperava que ela ficasse feliz com aquilo, feliz com o fato de que Rickard jamais ficaria desamparado e que teria um nome. Por algum motivo, aquela esperança parecia frágil como porcelana e Jon temia que aquilo não a agradasse de forma alguma.

Estava anoitecendo e ela não a encontrava em parte alguma do castelo, tão pouco Rickard estava no quarto. Logo o jantar seria servido e a noite estava fria de mais para que ela se estendesse por muito tempo do lado de fora, ainda mais com uma criança.

Jon deixou o castelo a procura dos dois e não precisava nem pensar muito para saber aonde estariam.

Desde a chegada de Gendry, ela ia à forja constantemente. Pedir para que ela fosse discreta era como colocar mamilos em uma placa de peito. Simplesmente inútil. Um dia pessoas começariam a notar e o Norte começaria a questionar um lorde que não conseguia botar um pingo de juízo na cabeça da irmã.

Talvez ele devesse estabelecer limites mais rígidos, mas deixar o ferreiro em Winterfell e permitir que ele se aproximasse do filho era um jeito de oferecer a Arya uma oferta de paz e tentar resolver tudo da forma menos turbulenta. Obviamente aquilo não estava dando muito certo.

Ele preferiu se aproximar pelos fundos da forja. Vozes urgentes podiam ser ouvidas, apesar de ser evidente o esforço para manter o tom o mais baixo possível. Jon se encostou à parede precária do lugar para ouvir melhor. Aquilo não podia ser um bom sinal, de forma alguma.

- Eu não me importo com o que ele quer! – Gendry dizia raivoso enquanto deixava o martelo – Ele não tem o direito de me tirar Rickard mais do que você tinha de me deixar quando tinha um filho meu na barriga!

- Você não tem condições de medir forças com Jon! – ela retrucou – Se for pego falando dessas coisas, vai acabar enforcado ou decapitado!

- Achei que seu precioso irmão não se oporia à sua vontade. – Gendry disse – Posso cuidar de vocês, Arya. Eu não sou um lorde, nem sou rico, mas posso cuidar de vocês. Só quero que sejamos uma família de verdade, ao invés de viver dependendo de migalhas!

- E o que você sugere? Acha que algum dia Jon vai acordar pensando que talvez fosse uma boa ideia me casar com um ferreiro? – Arya rebateu firme.

- Eu estava pensando em algo mais prático como fugir! – Gendry disse raivoso – Nós dois e Rickard. Para longe, talvez Jardim de Cima, ou para uma das Cidades Livres. Algum lugar aonde seus preciosos irmãos não possam nos alcançar! Qualquer coisa, menos ficar aqui vendo seu irmão roubar meu filho e você. Não me surpreenderia se um dia ele acabasse te levando pra cama, afinal de contas é a única coisa que está faltando para que vocês sejam um casal, já que agir como seu marido é algo que ele faz naturalmente!

Jon aproximou-se de uma fresta entre as taboas da parede da forja para tentar enxergar o que estava acontecendo.

Gendry se aproximou de Arya com passos grosseiros e mais do que apenas um pouco de urgência. Arya colocou suas mãos no meio do caminho impedindo-o de se aproximar ainda mais dela. Uma das mãos dele, grande e áspera, a alcançou pela nuca, fazendo suas bocas colidirem num beijo quase obseno.

- Eu te amo. – o ferreiro dizia contra os lábios dela, com a voz urgente e rouca de desejo.

Jon cerrou os punhos, sentindo a boca amargar e o sangue esquentar dentro das veias. O estomago revirava. Ele se afastou da forja com passos duros. Furioso de mais para se quer pensar em dirigir a palavra a ela. Se entrasse na forja acabaria matando alguém e Rickard estava lá dentro.

Ele voltou para o castelo e preferiu jantar sozinho. Bebeu mais do que era aconselhável, num esforço de manter a calma, mas nada parecia funcionar. Queria enforcar Gendry e trancar Arya dentro de seus aposentos para que aprendesse a agir com mais decência.

Horas depois ele deixou seu quarto, incapaz de aguentar aquele disparate por mais tempo. Ele caminhou decidido até os aposentos dela, com a carta de Daenerys Targaryen em mãos e decidido a deixar seus termos bem claros.

Abriu a porta de uma vez, sem se quer bater a porta. Arya estava acabando de se vestir para deitar. A camisola era fina e, contra o fogo da lareira, Jon pode ver o contorno gracioso de seu corpo, antes que ela alcançasse um manto para jogar sobre os ombros num ato quase reflexo.

- Jon, você me assustou! – ela disse sem fôlego e constrangida – Isso não é hora de entrar no quarto dos outros, ainda mais sem bater.

- Escondendo alguma coisa de mim? – ele provocou e Arya arqueou uma sobrancelha em resposta.

- Meu corpo, pelo bem da modéstia. Aposto que não gostaria de me ver nua. – ela retrucou ferina e por um momento Jon considerou o quanto ela estava equivocada nisso, mas esse era um pensamento que não tinha qualquer importância – Posso ajuda-lo em alguma coisa ou você só está determinado a não me deixar dormir?

Ele se aproximou dela com passos cuidadosamente calculados. Arya encolheu os ombros de leve ao senti-lo tão próximo. Ele estava furioso e ela não era cega ao ponto de não perceber o óbvio.

- Vamos deixar algumas coisas bem claras aqui. – ele disse severo – Eu não vou ser enganado dentro da minha própria casa, tão pouco eu vou deixar que afunde o nome dessa família e sua reputação na lama. Você me entendeu?

- Eu não sei do que está falando, Jon. – ela mentiu, mas mesmo para alguém tão habituada a mentiras, aquela era patética.

- Então eu vou explicar de forma mais clara. – ele retrucou – Gendry Waters não fica aqui nem mais um dia e se tentar ficar eu vou encurtá-lo uma cabeça. Não vou tolerar você se esgueirando até a maldita forja para servir de amante para um bastardo qualquer.

- Não sei o que andou ouvindo, mas não devia dar ouvido a boatos. – ela disse tentando convencê-lo de que nada havia acontecido.

- Não sou de dar ouvido a boatos. Eu vi. – Jon disse severo – Eu a vi hoje junto com ele e a parte mais interessante foi ver o quão rápido você se deixou levar pelas mãos dele. Não quero ser responsável por uma morte desnecessária, por isso estou disposto a deixá-lo vivo se ele concordar em ir embora daqui.

- E quanto a mim? – ela perguntou com olhos severos e queixo erguido.

- Está livre pra ir com ele, esquecendo que um dia teve uma família e um lar aqui. Eu não vou obrigá-la a ficar, mas se colocar um pé para fora daqui saiba que estará sozinha. Rickard fica comigo. – Jon retrucou firme.

- Você não pode me tirar meu filho! – ela revidou indignada e furiosa. Jon pegou a carta amassada que estava presa ao seu cinto e estendeu a ela.

- Isso me diz que eu posso e vou. – ele disse sério. Arya pegou a carta das mãos dele e leu em segundos.

- O que? – ela exclamou encarando-o incrédula.

- Rickard tem meu nome e é meu herdeiro legitimo. Eu esperava que isso fosse uma boa notícia para você, mas graças a sua falta de bom senso estou sendo obrigado a usar isso para lhe fazer ameaças enquanto tento botar juízo na sua cabeça! – Jon disse exasperado.

- O que está fazendo é tomar meu filho como refém! O que diabos aconteceu com você, Jon? Você nunca faria isso comigo! – ela disse se afastando alguns passos.

- Eu confiei no seu bom senso! Eu lhe dei um voto de confiança e na primeira oportunidade você estava agarrada ao seu amante planejando uma fuga. – ele revidou – Eu te salvei de uma morte certa no meio daquela tempestade. Cuidei de você, levantei minha voz contra todos os que se atreveram a pronunciar uma palavra contra você e sua honra, estava do seu lado quando Rickard nasceu e me recusei a deixá-lo levar um sobrenome de bastardo. Eu quero dar um futuro para o seu filho e você tem a coragem de me apunhalar pelas costas! Não se faça de vítima, Arya!

- Eu nunca te pedi nada. – ela disse ressentida – Eu só queria voltar pra casa, todo resto você fez por vontade própria.

- Fiz porque me importo com você, porque queria vê-la bem e feliz. Em honra a memória de Eddard Stark, que com certeza morreria de desgosto se visse o que eu vi hoje! – ele disse por fim – Se acha que Gendry é o que vai fazê-la feliz, vá. Eu não vou prendê-la aqui, mas me recuso a deixar que estrague a vida de Rickard. É assim que as coisas serão feitas, a escolha é sua.

Ele deu as costas a ela e deixou o quarto batendo a porta trás de si. No meio do caminho ele parou diante do berçário e entrou para se certificar de que Rickard ainda dormia. O menino estava bem aquecido e dormia um sono pesado, alheio a pequena guerra que Jon e Arya travavam entre si.

Era um menino tão tranquilo e esperto. Jon se arrependia amargamente de um dia ter desejado que ele não vivesse. Agora aquele menino era o centro do mundo dele e a única coisa que impediria ele e Arya de se matarem no meio de todas aquelas discussões e também a única coisa que faria lady Stark pensar antes de cometer uma idiotice.

Era uma atitude cruel e Jon sabia disso. Estava tirando de Gendry o filho e Arya. Mesmo que ela não fosse uma mulher convencional, ao menos ele sabia que Arya jamais deixaria o filho pra trás. Por um momento ele ponderou as acusações de Gendry e constatou que o ferreiro tinha razão. Ele estava agindo como o marido dela e a única coisa que faltava para completar aquela relação quase doentia era se deitar com Arya.

A noite foi longa e insone. No dia seguinte ele foi bem cedo à forja, determinado a botar Gendry Waters para fora de Winterfell e do Norte de uma vez por todas. Para sua surpresa, o ferreiro parecia esperar por ele.

Eles se avaliaram de cima a baixo, pensando e medindo as fraquezas e forças um do outro. Gnedry não estava em condições de ganhar aquela disputa e tinha plena consciência disso, mas também não desistiria sem lutar. Jon levou a mão ao cabo da espada num ato instintivo. Gendry tinha o martelo de ferreiro em uma das mãos.

- Veio me condenar, Lorde Stark? – o ferreiro perguntou e Jon travou a mandíbula em resposta.

- Não se for um homem esperto. – Jon disse sério – Eu não tenho nada contra você e seria um desperdício se acabasse morto, por isso eu vou lhe dar uma chance. Vá embora e nunca mais volte a pisar no Norte. Esqueça que algum dia conheceu lady Stark e que tem um filho. Isso vai lhe poupar muitos problemas e vai garantir a ela e ao filho um futuro melhor.

- E que futuro é este? – Gendry desafiou.

- Rickard foi legitimado, é meu herdeiro agora. – Jon respondeu – Eu e você sabemos que a vida não é nada gentil com bastardos. Seu filho tem um nome e vai herdar tudo o que eu tenho. Arya estará segura e bem cuidada, junto do filho, dentro de Winterfell que é o lugar dela.

- O lugar dela? E me diga, que lugar é este? – Gendry questionou – Ela é a lady Stark, a mãe do seu herdeiro e o que mais? Gosta de pensar nela como sua esposa não é? Me diga, Lorde Snow, quanto tempo vai levar para que a faça aquecer sua cama a noite?

Em resposta, Jon desembainhou a espada num movimento rápido e preciso colocando a ponta contra o pescoço de Gendry. O ferreiro não se mexeu, ficou apenas encarando o lorde sem se mover um músculo se quer.

- Acho que ainda não entendeu, não é mesmo? – Jon questionou – Rickard e Arya ficarão aqui. O que eu estou lhe dando uma chance de sair daqui com vida, porque, bem ou mal, você é o pai do menino. Eu não vou deixar que estrague a vida deles, ou que envergonhe o nome da família. Seja inteligente, pegue suas coisas e saia daqui.

- Muito nobre de sua parte. – Gendry disse sem se mover um milímetro – O que lhe incomoda mais? Saber que ela me quis em algum momento, saber que por mais que tenha seu nome o menino jamais será seu filho legítimo, ou pensar que os dois podem me amar mais do que amam a você? Eu sei o que é ser um bastardo. O que é desejar uma família, um nome, um lugar no mundo. Eu queria ter essas coisas também, Lorde Stark. Achava que poderia ter isso com ela, porque Arya não tinha mais uma casa para voltar. Nós estávamos bem, felizes juntos e o único motivo pelo qual ela me deixou foi descobrir que você e os outros estavam vivos!

- Então eu acho que isso deixa bem claro de que lado ela está. – Jon disse abaixando a espada – E o que mais me incomoda é pensar que ela recorreu ao seu afeto só por achar que não tinha mais ninguém no mundo. Como ela deve ter se sentido solitária e desprotegida todos esses anos, como deve ter sentido medo. Não se iluda, esse é o único motivo pelo qual ela foi para sua cama. – Jon o encarou nos olhos, sem vacilar um segundo – Eles não precisam mais de você.

Ao final daquele dia, Gendry Waters havia deixado Winterfell. Arya passou o dia escondida no quarto do filho, incapaz de dirigir uma palavra a Jon.

Nota da autora: Vc's são puro amor, gente! Reviews me fazem feliz e eu tenho os melhores leitores EVER! Então, Jon Snow like a boss, like a lord and like a mothefucker bastard botando Gendry pra correr com um pé na bunda épico. Nosso Lord "Stark" não é tão bonzinho quanto parece e se ele precisar tomar o filho da Arya ele vai tomar. Pois é, manda quem pode obedece quem tem juízo e isso foi uma declaração de guerra entre ele e a Arya. Aqui começa a grande crise dos dois e as coisas ficarão tensas em breve (ou interessantes).

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Bjux

Bee