O homem de capuz vermelho chegou ao seu destino relutante. Partes de seu plano haviam falhado irremediavelmente. A partir daquele ponto não teria mais volta e qualquer erro seria fatal. Ele já não precisava mais se esconder das câmeras, então tirou o casaco e vestiu um paletó combinando com a calça social, roxo e chamativo. Sua intenção era mesmo chamar a atenção naquele momento. Caminhou até um portão bem grande guardado por dois vigias enquanto terminava de abotoar o paletó.
— Boa noite senhores. Eu estou esperando alguém que logo deve chegar aqui. Não tenho tempo a perder, então... — ele disse terminando de ajustar a manga do paletó e acertou o pescoço do vigia mais próximo com dois dedos o fazendo recuar.
O outro vigia já tinha a mão sobre a arma no coldre na cintura e apontou rapidamente para o invasor que por sua vez já estava próximo o suficiente para segurar o cano da arma apontando para o chão e em dois movimentos rápidos desmonta-la jogando o pedaço que ficou com ele para longe. O vigia desarmado viu o invasor virar as costas para ele e ir até seu colega de trabalho que tentava se recuperar, remover o cinto com a arma dele e, após desviar facilmente de uma tentativa de soco, usar a arma para dar uma coronhada no seu colega vigia que caiu desmaiado. Sabendo que não teria chances ele correu para a guarita depois do portão. O invasor tirou uma faca do bolso e arremessou. O vigia parou antes de abrir a porta, olhou para a faca a dez centímetros da sua cabeça e então olhou para a arma apontada em sua direção.
— Eu prefiro facas. — disse o invasor de terno roxo. — Elas são muito mais funcionais que armas de fogo. Não precisa recarregar o tempo todo. Uma das coisas que mais me agrada é a necessidade de estar perto. — ele encostou a arma na testa do vigia. — Você também dá ao oponente a chance de lutar para sobreviver. É uma arma justa, se você não usá-la nas costas de alguém, é claro. — ele desmontou esta arma também e jogou as peças cruzando os braços, uma para cada lado a suas costas por cima dos ombros. — Eu falando desta forma... Eu não sou um assassino, não... Nem me considero especial ou perfeito. — ele colocou a mão no cabo da faca começando a força-la para sair da porta enquanto o vigia ainda assistia. — Eu só quero que este mundo seja menos hipócrita. É pedir muito?
O vigia tentou impedir que o invasor removesse a faca socando ele na face.
— Vou te contar algo interessante. — o invasor disse enquanto era ameaçado pela própria faca por um vigia tremendo. — Algo que o cara que me ensinou a apanhar me contou. Um segredo muito interessante. — ele ignorou uma investida que seria uma tentativa de amedronta-lo. — Espere eu terminar de contar porque vai ser útil para toda sua vida. Como eu estava dizendo, esse meu amigo me fez uma pergunta... — ele levantou as mãos para mostrar rendição e pareceu tentar imitar alguém mais sério. — ...Se um dia um elefante pisar em você, as chances de você sobreviver são maiores do que morrer? — ele olhou o vigia nos olhos e aguardou uma resposta.
— Eu não sei. — respondeu o vigia tentando pensar em como agir mais do que no que o estranho homem falava.
— Responde a merda da pergunta!
— Morrer... Eu acho...
— Eu respondi diferente. Eu disse que depende onde ele pisar. Estava errado também de qualquer forma. As chances de sobreviver são muito maiores. Eu não entendi o que ele quis me ensinar antes de me dar uma surra. Talvez ele estivesse louco ou falando sozinho, mas aquilo ficou gravado em minha mente.
— Eu já chamei reforços. Deite no chão...
— É falta de educação interromper. Já sei que estão observando. Não se preocupe. Continuando, então eu fui atrás e descobri porque eu sobreviveria debaixo das toneladas de um elefante. Não só o elefante, mas a maioria dos animais desenvolveram sensores e instintos para os proteger. É involuntário. O elefante controla o peso de cada pata de acordo com o que está debaixo delas. Um filhote, um solo macio ou uma pessoa. Todos são um perigo. Essa foi a forma do meu amigo me dizer que meu soco era fraco. Eu tinha algo me impedindo. Algo involuntário. Talvez uma admiração em meu adversário ou medo de quebrar meus dedos. — o invasor deu um murro no vigia que bateu a nuca na porta e caiu nocauteado. — Hoje eu não tenho mais esse problema.
Batman levou poucos segundos para encontrar o paradeiro de seu alvo. Levou mais tempo mesmo esperando um veículo substituto. Um que ele não usava a algum tempo depois de algo que ele tentava esquecer. O desconhecido que iniciou a noite espalhando caos foi na direção do cliente mais exigente dos serviços da Candis. O conteúdo era sigiloso. O local estava registrado como um laboratório químico de pesquisa e produção. Informação o suficiente para deixar qualquer um preocupado. Já não havia dúvidas que tudo se tratava de uma armadilha. Uma que foi confirmada pelo mentor. Logo que Batman viu dois homens caídos na entrada do lugar ele saltou do veículo planando sobre o lugar e procurando o rastro de desordem comum causado por aquele homem. Os dois vigias desacordado na entrada eram um mal sinal. Não quis perder tempo verificando os corpos enquanto ainda haveria alguém causando aquilo por ali. Eram três grandes instalações. Levariam horas para procurar alguém em cada uma delas. Isso se não fosse o fato de haver um homem de terno chamativo à frente de uma das instalações. Não havia dúvidas de quem era quando o homem procurando no céu encontrou Batman, acenou com uma lanterna e entrou na porta atrás dele. A isca era evidente. Seguir sozinho seria imprudente, mas a ajuda que ele costumava ter desapareceu alguns meses antes. Ele deveria aceitar qualquer que fosse a armadilha e se arrepender depois de ter feito o máximo e não o mínimo. Usou o arpéu para se elevar ao teto e ficou intrigado com o som de sua aterrissagem. Andando pelo teto ele entendeu que todo ele era diferente. Na realidade não havia som nenhum como quando ele pisa no chão de concreto. Somando características de sua armadura, suas habilidades e conhecimentos ele tinha aperfeiçoado técnicas para não ser ouvido, mas em um teto era um pouco diferente. Tanto que ele conseguiu perceber. E suas suspeitas confirmaram quando não achou nenhum lugar que poderia entrar. O teto era mais espesso do que poderia identificar. Pulando da beirada ele confirmou o mesmo com as paredes. Procurando qualquer informação no device que tirou do cinto, mesmo nos registros não públicos não havia qualquer informação útil. Eram apenas as plantas de qualquer laboratório de pesquisa e muita informação diversificada que não batia com a estrutura ali presente. Documentos falsos, com toda certeza. Uma entrada era falsa, notada ao tentar abrir e ver que a maçaneta nem mexia. Outra entrada diferente da que o desconhecido entrou estava com uma porta batendo em algo a impedindo de abrir para dentro. Ao forçar esta foi aberta para uma parede de concreto e linhas metálicas. Era, provavelmente, um túmulo gigante escondendo algo muito importante em seu cerne. A falta de segurança era o que mais gritava para ele parar ali mesmo. Um teste foi feito ao jogar e controlar um drone pela porta de entrada seguindo um corredor pouco iluminado onde haviam luzes apenas sobre as placas além de mais nada até o centro escuro. A primeira placa era a comum de "Somente pessoal autorizado". A segunda era "Invasores serão alvejados" escrito em vários idiomas. A terceira não pode ser lida porque foi perdido o sinal e o drone ficou ali parado. Nada mais poderia ser feito. Ou ele virava as costas e torcia para nada de ruim acontecer ou entrava ele mesmo. Bruce Wayne e Batman em conflito, ambos indecisos de sua opinião. Um homem estranho estava lá dentro daquela enorme construção prestes a fazer algo grande e a decisão precisava ser feita. E então Batman entrou.
... Continua?
