Chegaram em casa quase anoitecendo. Cansados pelo dia puxado em seus ofícios. Acharam um pouco estranho todas as luzes do apartamento estarem desligadas, era cedo demais para dormir, onde a terceira moradora estaria?

- vou ver lá encima. – Kanon disse já alcançando as escadas depois de ligar as luzes da sala.

- será que ela já dormiu? – Saga perguntava curioso.

- ela não virou a noite porque não deixei. – o outro respondeu.

- você já disse isso antes e quando chegamos ela estava acordada e elétrica. – o mais velho respondeu em tom de ironia.

- engraçado você. – sumindo no andar de cima.

Entrou no quarto dela, acendeu a luz, não estava, foi até o seu onde a deixou dormindo, também nada. Não teria a mais nova saído sem avisar, teria? Resolveu então olhar na varanda do segundo andar. Ah, lá estava ela, dormindo em uma das espreguiçadeiras... de biquíni? Parou perto dela, observando seu corpo seminu. Sentiu a garganta secar. Era bem mais definido do que pensava. As curvas muito bem desenhadas, os seios eram mais fartos do que aparentavam, sabia esconder com as camisas. Rogava aos Deuses para se manter são perto dela, um erro e poderia ser irreversível. Não podia mais negar o quão atraente era aos seus olhos. Já vira muitas mulheres e corpos diferentes, mas nada que lhe deixasse tão desconcertado quanto o dela. Agradeceu por ela usar aqueles pijamas coloridos, típicos de meninas, não poderia garantir a si mesmo que não faria nada a ela, se usasse alguma coisa mais sensual.

- aí morena... você vai ser minha perdição. – Kanon disse quase em um sussurro. A cobriu com a canga que estava perto e a pegou no colo, a levanto para o quarto.

- a encontrou! – Saga viu a mais nova praticamente apagada. – dormiu ao sol, que perigo.

- não está muito queimada, então não ficou muito tempo. – Kanon fechou a porta devagar e respirando fundo.

- o que foi? – Saga achou estranho.

- a vi de biquíni. – respondeu, abrindo os olhos devagar.

- você já viu mulheres nuas, o que tem de diferente? – o mais velho perguntou. – não me diga que...

- ela não tem sequer noção do quão sensual é. – Kanon respondeu sinceramente, para que mentir para a pessoa com quem dividiu tudo a vida toda, até seus segredos?

- Kanon... – o olhar do mais velho endureceu. – você não...

- o que? Não! Que ideia absurda. – ele rumava para seu quarto, sendo seguido pelo gêmeo. – que os Deuses me deem forças...

- ela é praticamente nossa irmã mais nova. – Saga entendeu onde o irmão queria chegar com aquela frase.

- sua irmã mais nova. – Kanon tirava o calçado. – não sinto nada fraternal por ela.

- melhor então ela ir viver comigo. – Saga disse sem qualquer receio, mas o olhar lançado por seu irmão a sua pessoa não fora nada amigável.

- nem pensar. – ele disse entre os dentes, sendo tomado pelo ciúme. – desta casa ela não sai.

O azulado mais velho observava atentamente a reação do outro. Ciúme. A razão pela forma protetora e possessiva com que era tratada por Kanon. Se indagava até quando ele seria capaz de se controlar perto dela, até quando seria capaz de conter o desejo que claramente crescia nele.

- vai ser melhor para vocês dois... – Saga tentava argumentar, mas só via o olhar do irmão se tornar mais e mais raivoso.

- o que vai ser melhor? – a voz dela se fez presente, para o alívio de Kanon, ela colocou um vestido. – chegaram agora?

- que horas você foi lá pra fora? – Kanon perguntou tentando controlar a raiva crescente em seu peito pelo pensamento da morena não estando ao seu lado.

- quase no final da tarde, não lembro bem a hora... – respondeu, percebendo algo errado. – tudo bem?

- sim. – os dois responderam ao mesmo tempo, olhando um ao outro.

- sei... – ela disse desconfiada. – quem me levou pro quarto? – a voz ainda continha traços de sono.

- eu, morena. – Kanon disse entrando no closet. – não durma ao sol, NUNCA! – a voz vinha de lá.

Serenity olhou para Saga, com um sorriso um tanto torto, meio Kanon.

- lembrou que eu existo!- a mais nova lhe deu um abraço apertado.

- pequena... eu disse que tinha muito trabalho. – Saga retribuiu o abraço e ainda a levantou do chão. – minha nanica!

- NÃO SOU NANICA, SAGA ELÍAN! – ela disse irritada. – você que é uma girafa!

- vá tomar banho e coloque algo bonito, vamos sair para jantar. – Saga disse, alto o suficiente para que o irmão ouvisse. – nada de chinelo.

- já sei me vestir feito gente! – ela deu a língua para ele, saindo do quarto.

- definitivamente ela tem muita influência do Kanon... – disse se sentando na cadeira, esperando o mais novo sair do banho.

Depois de algum tempo a companhia tocou. Saga foi atender. Aspros estava no outro lado da porta. O mais novo congelou.

- Saga. – Aspros chamou a atenção dele. – filho, se sente bem?

- pai, não esperava te ver hoje. – respondeu, sentindo que agora não teriam mais escapatória. – entra.

O mais velho adentrou na residência de seu filho caçula, estranhando ainda mais o comportamento. Analisava milimetricamente, notando coisas novas, tipicamente femininas. Um casaco lilás jogado no sofá foi o que mais chamou sua atenção.

- onde está seu irmão? – Aspros perguntou.

- se arrumando, íamos sair pra jantar. – Saga respondeu apreensivo.

- e a namoradinha de vocês? – ele foi direto ao ponto, não conseguia mais guardar sua preocupação para si mesmo.

- Saga, o Kan... – Serenity parou na metade da escada, olhando o recém-chegado.

- Pequena, esse é o meu pai, Aspros. – Saga os apresentou.

- seu pai e seu tio também são gêmeos? – ela perguntou estupefata.

- espere um minuto. – Aspros não gostou de saber que o gêmeo guardou isso dele. – a galinha velha e fofoqueira do seu tio sabe disso?

- contra a vontade dele guardou segredo. – Kanon apareceu na escada, atrás da moça. – pelo jeito agora não tem mais para onde correr.

- eu gostaria que vocês me explicassem o que está acontecendo. – Aspros disse com o tom mais calmo que o do irmão, mas nem por isso menos perigoso, o que não passou despercebido pela moça.

O geminiano mais novo desceu ao lado dela na escada, encarando o pai. Agora era tudo ou nada. Queria poder contar de outra maneira, sentou-se de frente para o pai. Começou o relato de todos os acontecimentos, sem ser interrompido pelo genitor que alternava o olhar entre os filhos e a moça que estava sentada ao lado de Kanon.

- desculpem, filhotes, mas... – Aspros se ajeitava na poltrona. – é muito fantasioso.

Serenity se manteve quieta, na esperança de assim não mais chover ofensas contra sua pessoa. Não sabia se aguentaria mais uma ofensa da família dele, pois a única coisa que não queria era causar problemas aos dois. Os gêmeos eram a única felicidade que teve na vida. Se dissessem que teria que partir, muito possivelmente morreria de coração partido. Não tinham o mesmo sangue, mas se tornaram sua família.

- se aproxime, menina. – Aspros praticamente ordenou, mantendo o tom cordial.

A morena olhou para Kanon, perguntando silenciosamente se seria seguro, ele assentiu positivamente. O geminiano mais velho a medida de cima a baixo, sua roupa, sua postura, seus traços. Aquele rosto lhe era familiar, pensou em uma determinada pessoa, nunca soube que tivera uma menina, mas também não tinham tanto contato. O que não deixava de ser uma semelhança muito grande e bizarra ao seu ver.

- como se chama, menina? – ele perguntou.

- Serenity, senhor. – respondeu insegura.

- tem sobrenome? – continuou as perguntas.

- Lissandra. – sentiu a insegurança crescer.

- Lissandra é nome próprio. – Aspros olhou para Kanon.

- pai... por favor... não venha com sete pedras. – o mais novo pediu. – ela também tem nosso sobrenome, também tem Elián no nome.

- vocês dois tem que entender que sou pai de vocês e vou me preocupar até o dia em que eu morrer. – o mais velho olhou para os dois filhos. – por que não contaram logo?

- por que acha, pai? Olha a sua reação, a do tio foi bem pior. – Saga se manifestou.

- quantos anos você tem, Serenity? – ele perguntou.

- dezesseis. – respondeu receosa do que viria a seguir.

- é uma mocinha ainda. – Aspros disse surpreso, sabia que a lei do país permitia que as pessoas se relacionassem com jovens a partir dos quinze, mas aí a levar uma para morar dentro da própria casa, não seria nada bem visto. – e qual dos meus filhos você namora?

Serenity ficou vermelha como nunca antes na vida. Os gêmeos ficaram brancos com a pergunta do pai.

- como, senhor? – ela quase gaguejou.

- qual dos meus meninos você namora, mocinha? – ele repetiu a pergunta tão naturalmente quanto a primeira vez. – ora, não vou bancar o hipócrita, sou cinco ano mais velho que minha esposa.

- eu não... eu não... – Serenity simplesmente travou.

- ela não namora nenhum de nós dois, pai. – Kanon respondeu, a fazendo se sentar perto dele, não passando despercebido pelo pai dele.

Aspros não estava confortável com aquela situação, o filho morando com uma adolescente. Pensou em quanto tempo até ela ficar grávida dele. A observou novamente, a postura defensiva, medrosa. Se escondia atrás de Kanon, procurando proteção.

- não precisa ter medo, mocinha, não vou lhe fazer mal. – Aspros disse a olhando nos olhos, percebendo o medo genuíno neles e olhou os filhos. – meninos.

- pai. – disseram ao mesmo tempo.

- eu vou indo, preciso pensar sobre o que eu vi e ouvi. – disse se levantando da poltrona olhando a todos os presentes. – vamos nos falando ao longo da semana. – abraçou os filhos, depois se retirando do apartamento.

A tensão ainda era palpável dentro da residência. Eles tinham plena ciência de que quando o pai caísse em si, a reação seria completamente diferente e precisavam estar preparados. Serenity se jogou no sofá, como uma conversa "curta" pode esgotar tanto? Os dois a olharam preocupados. Vendo o olhar desanimado, se entreolharam.

- vamos comer? – Kanon perguntou a olhando.

- podemos pedir pra viagem? – perguntou evitando olha-lo.

- não, vem, é bom sair um pouco de casa. – a puxou gentilmente pelo braço, eram raras as saídas dela.

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Final do dia, hora de ir para a casa. Acabou por não ter aula de Trigonometria Avançada, o professor adoecerá, mas garantiu que a aula seria reposta. Menos mal, ele pensou. Esticava as pernas ao andar mais devagar pela universidade, quando uma figura saindo da biblioteca chamou sua atenção. Amanda. O que faria até aquele horário na instituição? Estudando? Fazendo algum trabalho acadêmico? Impressionou-se consigo mesmo, não era curioso sobre a vida alheia, mas de repente aquela moça atraiu sua atenção de uma maneira que não conseguia explicar.

Caminhou a passos calmos até a entrada da universidade, a viu parada mexendo na bolsa, procurando por algo, já escurecia, não era bom para uma moça andar sozinha em tempos atuais.

- Amanda. – a chamou e viu quando o olhou.

- Shaka. – ela disse e voltou a procurar o dinheiro para o ônibus.

- o que procura? – perguntou estranhamente curioso.

- dinheiro do ônibus, perdi meu passe. – respondeu, ali viu a oportunidade perfeita de se aproximar da moça, talvez seguir o conselho de um carneiro serviria para algo uma vez na vida.

- mora longe? – Shaka a observava curioso.

- um pouco, moro na parte leste da cidade. – respondeu achando por fim a carteira.

- posso te levar em casa. – se ofereceu.

- não, que isso, não precisa, obrigada. – ela sorriu um pouco sem graça, não quis aceitar de primeira porque não queria que ele pensasse que era alguma oferecida.

- eu insisto, não é seguro uma moça andar sozinha a noite. – ele foi mais incisivo. – além do mais, não é nenhum trabalho para mim, Mu mora por aqueles lados.

A jovem ariana ficou um pouco sem graça, mas acabou por aceitar. Depois pensou melhor, era uma oportunidade de se aproximar mais do loiro. Talvez o destino estivesse conspirando a seu favor. Então trabalharia com ele.

- obrigada. – lhe deu um sorriso sincero.

O virginiano descobriu que adorava aquele sorriso da moça. Não era de se levar por qualquer pessoa. Já tinha sido muito difícil admitir que gostava de Rayssa na época que ainda não eram namorados. Mas as decepções que teve com a moça, o levaram a mais uma vez se fechar quanto ao assunto era amor. Só que agora com Amanda, a atração foi quase instantânea. Teria que ser bem mais cauteloso com seus sentimentos, não queria passar por tudo aquilo de novo.

Observando a morena pode reparar em como duas pessoas regidas pelo mesmo signo poderiam ser tão diferentes. Mu era seu melhor amigo desde que poderia se lembrar, mas sempre fora calmo, pacífico. Amanda era mais energética em suas palavras e jeitos, mais decidida. Se indagou sobre as divergências entre os signos. Ele era de Virgem, tinha suas manias, seus jeitos e gosto. Teve desavenças com Mu no passado, conhecendo o lado ruim de Áries. Como conheceu o lado ruim de Virgem.

- gostando do seu curso? – Shaka puxou assunto, visto que ficaria presos um tempo no trânsito.

- muito! – comentou alegre. – é melhor do que eu tinha esperado.

- isso é ótimo. – Shaka comentou.

- e você? Por que faz uma segunda graduação? – Amanda nem sempre tinha filtro para falar ou perguntar.

- gosto de Matemática tanto quanto de história. – respondeu calmamente, gostando do rumo da conversa.

- como consegue tempo para os dois? – perguntou.

- sou rigoroso com meus horários e minhas obrigações, não gosto quando não sabem como planejado. – respondeu. – ainda mais agora.

- o que tem? – perguntou muito curiosa.

- ah, bom, ao que parece a Universidade vai começar um programa especial para aqueles que não tem qualquer condição de estudar, pessoas bem pobres e até mesmo sem teto, crianças, jovens e adultos. – começou a contar do projeto. – me convidaram para ser professor do projeto e eu disse sim.

- poxa que bacana. – ela gostou da ideia.

- começará no próximo semestre, estão primeiro arrumando o local para as aulas. – explicou esse e mais alguns detalhes do projeto.

A conversa entre os dois corria de forma tão natural, fazendo com que o trânsito pesado da capital grega simplesmente desaparecesse. Nada mais existia, apenas os dois. Para Amanda estava sendo mais que especial, enfim pode conversar mais sossegadamente com o loiro. A pessoa que sem saber, roubou seu coração. Internamente desejava que não chegassem tão cedo a sua casa, queria aproveitar cada minuto. Não era preciso agarra-lo para aproveitar sua companhia.

Infelizmente nem tudo dura para sempre, avistou sua rua e um pouco mais a frente a casa de seus pais. Ficou triste por já ter que se despedir dele.

- nos vamos amanhã na faculdade. – Shaka disse, a animando por dentro.

- claro. – Amanda lhe deu um sorriso singelo, saltando do carro e vendo desaparecer na noite, entrou em casa com a alma mais alegre, com a esperança renovada. Amanhã seria um novo dia.

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Milo chegou em casa depois de um dia produtivo no restaurante. Apesar da crise que se abateu sobre o país helênico, ele e Camus foram capazes de manter o local em pé e com uma cliente regular e de alta classe. Os esforços dos amigos somados ao de toda a equipe que trabalhavam com eles.

Além do restaurante, era sócio de uma academia junto a Aldebaran. Inicialmente, o loiro tinha a intenção de cursar educação física, mas depois de um conversa com o pai sobre a ideia de Camus de abrir o restaurante assim que regressasse de Paris quando se graduasse da renomada Le Cordon Blue e lhe chamando para ingressar nesse empreendimento, mudou o curso para Administração de Empresas, depois fez uma pós graduação que permitiu que adicionasse aos seus conhecimentos, contabilidade. Podendo assim trabalhar sossegado e conseguir gerenciar qualquer crise que pudesse aparecer.

O taurino vendo o tato do amigo também lhe fez a proposta que lhe permitiu manter acessa aquela paixão pelos esportes, pelo condicionamento físico, tudo relacionado à área. Pensou consigo mesmo que agora que o restaurante estava estabilizado, poderia dar mais atenção a academia e quem saber começar uma expansão da mesma. Precisaria conversar com Camus também sobre isso, pois teriam que encontrar uma maneira de conciliar os dois.

- oi amor. – a voz rasgada da namorada se fez presente.

- olá, minha linda. – Milo lhe deu um selinho nos lábios. – como foi seu dia?

- melhor agora que chegou. – Shina sorriu, eram raríssimos os momentos em que ela soava mais romântica, principalmente em particular.

O loiro sorriu e a puxou para si. Apesar das brigas quase constantes, se gostavam muito, claro que sem vergonha como era, gostava ainda mais da reconciliação, o sexo reconciliatório.

- e o seu? – ela perguntou.

- produtivo, como eu gosto. – disse tirando a camisa, sentiu as unhas dela lhe arranhando levemente o abdômen bem definido. – já comeu?

- não, estava te esperando, eu pedi comida. – ela disse o olhando com um sorriso suspeito no rosto.

Recado entendido, afinal, para bom entender meia palavra basta. No caso deles, um olhar era o suficiente. A carregou consigo para o banho, demorado.

Acabaram levando o jantar para o quarto, onde comeram na cama. Conversando amenidades. Milo estava curioso ainda sob a atitude um tanto suspeita do gêmeos no restaurante. Talvez se conversasse com a namorada, não teria um ataque de ansiedade por estar curioso.

- amor, queria a sua opinião. – ele começou, tentando o melhor jeito de abortar o assunto.

Aquilo chamou a atenção da ariana, pois ele só ficava naquele estado quando algo o intrigava.

- diga. – ela disse. – o que está matutando nessa sua cabecinha?

- você vai achar que é coisa da minha cabeça, até talvez seja, mas... – Milo também era conhecido pelo rei da enrolação.

- Milo Alessandros, desembuche de uma vez. – Shina nem sempre era paciente para essa particularidade do namorado.

- tem alguma acontecendo com os gêmeos. – ele disse.

- como assim, Milo? – ela indagou.

- eu sei que os dois são ocupados e tudo mais, só que... – Milo pensava nas palavras certas. – estão escondendo algo.

- ai, Milo, de novo com esse tipo de coisa? – Shina deu uma pequena risada, o namorado cismava com coisas absurdas às vezes, sendo curioso como só ele. Pensava como Camus, o loiro deveria usar aquele "talento" para a polícia, imagine quantos casos conseguiria resolver?

- eu sei, eu sei, mas sei lá... pareceu tão estranho. – começou a relatar o que tinha acontecido no almoço com eles.

- não deve ser nada além do problema com a piranha de água salgada. – disse com cara de nojo, odiava Thétis desde o momento que seus olhos a viram. – ela deve ter aprontado alguma coisa feia com o Kanon e por isso agiu assim.

- é, você tem razão. – Milo acarinhava as costas dela. -se for o caso, eles vão falar se precisarem de algo.

- bom, agora que acabou com o assunto, eu tenho uma novidade para contar. – ela disse sabendo que o outro ficaria ultrajado de ter mantido segredo até aquele momento.

- não sei como você consegue segurar. – ele riu. – eu já teria explodido querendo falar.

- eu sei. – sentou na cama. – fui convidada para um projeto da Universidade de Atenas.

- uou, amor, isso é incrível! – ele se animou com a novidade. – conta mais.

- a Universidade vai inaugurar uma escola para a população mais pobre e para os sem teto. – ela disse animada. – levar a educação a todos.

- isso é muito legal! – Milo ouvia tudo com entusiasmo.

- ainda estão cuidando do local da escola, parece que querem fazer um tipo de colégio interno. – continuou. – a previsão é para o próximo semestre a escola comece a funcionar.

- vão aceitar adultos pelo que estou entendendo. – Milo comentou.

- sim, vão, por isso a demora em abrir a escola. – ela confirmou. – ao que tudo indica, aos que se interessarem, poderão morar na escola.

- ensino gratuito e de qualidade, imagino que vá lecionar. – ele disse imaginando a namorada paciente como era, dando aula aos mais novos.

- sim, Química. – apertou ele. – ao final dessa semana vai ter uma reunião do Conselho da Universidade, obviamente vão querer angariar fundos para isso, iniciativa privada e pública.

- patrocinadores. – disse.

A conversa sobre o projeto continuou até tarde da noite. O loiro gostava de incentivar a namorada. Pelo que podia perceber, o projeto a deixou muito animada. Apesar do jeito durão e às vezes agressivo da ariana, ela gostava de ensinar. Tinha mais paciência com pessoas mais velhas que adolescentes.