Comentário aos reviews:

dels76, não se preocupe, no próximo capítulo as coisas tendem a melhorar. Logo eles devem começar a se entender e também será revelado pelo menos parte do passado do Jensen.

Crisro, a essa altura do campeonato Jared só quer que o Jensen reaja a ele de alguma forma. Ele já não aguenta mais tanta indiferença! Ele também não entende como Jensen consegue se manter tão frio o tempo todo. Jensen é um desafio para ele…

Obrigada pelos comentários!

Capítulo 7

- Um rato!? Meu Deus, Justin, onde você conseguiu esse bicho!? – Jared olhou incrédulo para o amigo que sorria.

- Eu pedi para o Chad Murray arranjar para mim. Ele consegue tudo! É bom conhecer gente aqui na escola, Jared. Especialmente garotos espertos como o Chad.

Justin segurava o ratinho com força, enquanto o pobre roedor guinchava e tentava se livrar das mãos do garoto.

- Nossa, dessa vez o Jensen vai se assustar! – Disse Tom divertindo-se – Veadinho do jeito que é, ele vai subir em cima de uma cadeira e gritar muito!

Misha olhava com carinha de nojo.

- Nossa, mas até eu... Se eu desse de cara com essa ratazana eu ia fazer um pequeno escândalo.

Justin riu.

- Que frescura, Misha... É só um camundongo, e comprado em pet shop – explicou o louro, olhando o ratinho acinzentado que segurava nas mãos.

- Bem, mas eu quero mesmo é saber como vai pôr seu plano em prática – disse Tom. – Como pretende enfiar esse rato no quarto do Jensen?

- Ahh eu pensei em tudo, nos mínimos detalhes – Justin respondeu, cheio de entusiasmo e confiança – Eu vou ficar de tocaia, aguardando a faxineira, Antônia, chegar para limpar o quarto do Jensen. Em geral a limpeza é feita por volta das 11h da manhã, então vou ter que matar a aula de inglês.

- Ahh, espertinho, você está é fazendo plano pra matar aula – Misha disse rindo.

- Claro que não, deixa de ser bobo... E vou precisar da ajuda de vocês, então todo mundo vai matar a aula hoje.

- Ok, continua a contar o plano – disse Tom impaciente.

- Bem, vou calcular mais ou menos o tempo, e quando a Antônia estiver quase terminando de limpar o quarto do Jensen, o Tom e o Misha vão fingir que estão brigando. Os dois vão fazer barulho perto da porta. Ela vai sair para ver o que é, e vai deixar a porta destrancada, porque não é muito cuidadosa. Então eu entro e enfio o rato lá dentro. O Jared vai ficar vigiando a porta para ter certeza que não serei pego em flagrante.

Jared balançou a cabeça com ar de desaprovação.

- Mas aí a Antônia vai voltar, ver o rato, gritar e pisotear o coitado. E adeus o susto do Jensen... – disse o moreno.

- Não, porque esse ratinho é bem quieto e assustado. Ele vai se esconder em um cantinho, e a Antônia nem vai vê-lo. E aí vem a parte final do plano... – Justin prosseguiu – Eu comprei também um aparelhinho de ultra-som que emite sons de freqüências que não podem ser percebidas pelo ouvido humano, mas são perfeitamente ouvidas pelos roedores. Então quando o Jensen estiver no quarto a gente liga o aparelho. O rato vai ficar alvoroçado e começar a correr para todos os lados, e nós estaremos por perto para ouvir os gritos.

Jared achou aquele plano de fato genial, com certeza muito melhor que o que ele próprio havia planejado. Jensen certamente iria se assustar com um rato correndo pelo chão de seu quarto. Por um instante se envergonhou da sua ideia infantil de aterrorizá-lo com uma caveira, ou algo do tipo. Teria que pensar em alguma coisa melhor para poder competir com aquilo. De qualquer forma estava muito animado imaginando que Jensen finalmente teria que sair daquele estado de inércia que lhe era característico. Só de imaginar o louro gritando já colocava um sorriso em seus lábios.

Quando o momento de colocar o plano em ação chegou, todos estavam animados e a postos. A princípio, tudo correu as mil maravilhas. A faxineira Antônia saiu destrambelhada do quarto de Jensen para apartar a briga entre Tom e Misha. Assim que ela virou as costas, Justin entrou no quarto para deixar o ratinho em local seguro e escondido. Jared vigiou o corredor para ele, mas antes que Antônia voltasse, Justin já havia saído, são e salvo.

Os dois amigos marcharam vitoriosos em direção à briga fajuta para avisar aos outros dois que já podiam parar. Quando se aproximaram da confusão, foram surpreendidos pela voz do Diretor, Mark Sheppard, que estrondava pelo corredor.

- Que briga é essa aqui!? - Berrava o homem.

Misha e Tom se espantaram. Por azar o diretor resolveu aparecer na pior hora possível.

- Eles estão "brigano", Doutor! Tem que botar esses "menino" de castigo, pra aprender a não fazer mais isso – dedurou a faxineira.

Os dois garotos pararam imediatamente e pediram desculpas um ao outro na tentativa de escapar da punição, mas Dr. Sheppard era severo e não quis saber de desculpas. Obrigou ambos a cumprirem detenção. Então ele notou Justin e Jared ali também, apenas olhando.

- E vocês dois? O que estão fazendo aqui matando aula? Vão ambos para a detenção também!

Desesperados, os quatro amigos foram obrigados a seguir o diretor. Mark Sheppard colocou os quatro na sala de detenções e lhes deu uma montoeira de exercícios de matemática e física para resolver.

- Só sairão daqui quando conseguirem fazer tudo corretamente. Podem consultar esses livros se precisarem, mas nada de copiar uns dos outros – disse ele. Sentou-se em frente aos meninos para vigiá-los. Pelo jeito o desgraçado não tinha mais nada melhor para fazer.

Os exercícios eram muito complicados e os amigos estavam sofrendo para resolvê-los. Foram liberados rapidamente para o almoço. Frustrado com o acontecido, Justin pediu que o primeiro que conseguisse sair da detenção levasse o dispositivo de ultra som e fosse tentar finalizar o plano, antes que tudo desse errado. Depois do enorme trabalho que tiveram, aquela detenção não planejada poderia acabar por destruir seus planos.

Por volta das 17h Jared conseguiu terminar o trabalho. Pegou o dispositivo com Justin sem que o diretor percebesse e andou decidido até o quarto de Jensen. Estava feliz por ter sido o mais rápido dos quatro, pois ficaria muito chateado se não pudesse ouvir os gritos que o ratinho causaria. Ahhh... Como Jared queria ouvir Jensen gritando. Aquele garoto, frio e sem sentimentos, teria que ter uma reação humana alguma vez na vida.

Quando chegou ao corredor do dormitório, Jared começou a ouvir uma melodia de piano. A medida que se aproximava do quarto de Jensen, o som ia se tornando cada vez mais alto. Era uma música bonita, e Jared então notou que vinha do quarto do louro. O menino parou e não pôde deixar de prestar atenção. Que música bela, e triste... Triste demais. Jared não reconheceu, mas Jensen tocava "The Lonely Man" de Joe Harnell.

Como alguém tão frio poderia tocar com tanto sentimento? Será que toda essa tristeza existia escondida por baixo daquela aparente frieza? Jared engoliu em seco, a melodia o emocionava. Sentiu seus olhos se enxerem de lágrimas, e esqueceu-se do dispositivo que segurava nas mãos. Detraído, estremeceu quando ouviu a voz de Justin que vinha por trás.

- Jared, já apertou o botão? - perguntou o louro que agora, finalmente, conseguira também terminar os exercícios.

- A... ainda não – gaguejou.

- E o que está esperando? - Dizendo isso, Justin tomou o aparelho das mãos do amigo e apertou o botão sem demora. - Agora é só esperar pelos gritos! - Disse animado.

Jared sentiu o coração apertar. Não tinha vontade de interromper aquela música tão linda. Justin olhou para eles e ambos, apreensivos, esperaram a reação de Jensen, ainda escutando o som do piano. O louro, impaciente, apertou o botão mais uma ou duas vezes.

De repente o música parou bruscamente. Os amigos se entreolharam esperançosos. Mas o tempo foi passando e eles nada mais ouviram. Jared e Justin sentaram-se no corredor desanimados e esperaram por quase uma hora.

Quando Tom e Misha apareceram, após conseguirem se livrar da detenção, encontraram Justin e Jared desolados, ainda esperando uma reação que nunca veio. Resolveram sair dali para jantar e muito se lamentaram pelo plano tão elaborado de Justin ter sido um insucesso total. Acabaram sendo castigados, estavam cansados, e Jensen, ao que parecia, nem tinha visto o rato. Talvez Antônia tenha de fato achado o roedor e dado cabo dele.

Jared pensou que o seu plano talvez não fosse tão ruim assim afinal. Pelo menos caveiras não podiam sair correndo e desaparecer. Não se sentia, entretanto, tão motivado quanto antes. A música que ouviu Jensen tocar mexera com ele. E foi pensando nela que Jared se deitou a noite. Será que lá no fundo Jensen se sentia tão triste quanto a música que tocava?


Gente, espero postar o próximo capítulo muito em breve (talvez até amanhã). Com ele virá também um video que eu fiz... Pois é, acabei fazendo um video, e o motivo foi esse: Eu queria colocar um link para a música "The Lonely Man", para aqueles que não conhecem. Aí acabei pensando que seria muito mais legal colocar imagens que tivessem a ver com a história. Mas não esperem nada muito bom, pois eu não sou muito boa fazendo videos, mexo mal e porcamente no Windows Live Movie Maker... Apesar da ideia inicial ter sido colocar o link para o video neste capítulo (pois é nele que a música é mencionada), acabei incluindo imagens que tem a ver com o capítulo seguinte, e por isso vou deixar para postar depois.