Capítulo 6 – Intermitências
30 anos no futuro...
Butterfly with broken wings is falling by your side
(Borboleta com asas quebradas está caindo ao seu lado)
The ravens all are closing in there's no where you can hide
(Todos os corvos estão se aproximando, não há onde você pode se esconder)
Your manager and agent are both busy on the phone
(Seu gerente e agente estão ambos ocupados ao telefone)
Selling colored photographs to magazines back home
(Venda de fotografias coloridas de revistas de volta para casa)
...
Please wake me
(Por favor me acorde)
Nightmare – Pink Floyd
Os prédios de blocos cinzentos se erguiam na neblina da manhã como tumbas dedicadas aos vivos. Entre os becos escuros aguardava uma viatura negra com os seguintes dizeres estampados em branco "Pela Vossa Segurança" na lateral. Os poucos que se arriscavam naquelas ruas apressavam o passo para tentar escapar da visão dos homens ali dentro, sabia que eles não precisariam de desculpa alguma para levá-los de encontro ao pesadelo.
No interior do veículo homens de faces cobertas observam a tela principal de um GPS onde cada bloco habitacional e apartamento estavam representados e centenas de pontos vermelhos piscavam ora em movimento ora parados, o que lhes atraía a atenção estava em repouso no lugar que lhe cabia, chegara à hora.
...
Logan despertou naquela manhã sentindo o calor do corpo de mulher sobre seu tórax, o perfume dela entrelaçando-se nos outros cheiros e penetrando em suas narinas. Suor, sexo e o mofo que nunca parecia deixar os velhos apartamentos. Ah... Ele havia quase esquecido da falta que sentia de todas essas coisas e de um pouco mais, faltava o cheiro de leite e novidade das crianças pequenas no quarto próximo e de travessura misturada aos aromas parentais das mais velhas nos outros cantos. Deixou-se por um momento permanecer de olhos fechados, todos os seus sentidos diziam que era ela quem estava lá, mas a realidade fez seu trabalho e ele abriu os olhos esperando encontrar cabelos roxos cobrindo seu tórax verde, mas os fios eram loiros e estavam ligados a uma mulher que ele pensou amar, um dia... Há muito tempo.
*BREEEEEEEPPPPP*
Levantou-se de um pulo, seu comunicador! Onde estava o seu comunicador?! Olhou ao seu redor, naquele quarto pobre... Parou. À noite não reparara, mas a pintura da parede estava manchada de mofo, uma lâmpada pendia do teto por um longo fio remendado, a cama era de prensado de madeira sintético que se descascava perdendo camadas pouco a pouco, as colchas limpas, porém finas demais para ter alguma finalidade, as roupas guardadas em uma mala antiga e, como único enfeite, uma foto pregada na parede dela com um menininho loiro no colo. Há alguma coisa nos olhos verdes brilhantes da criança que despertaram memórias julgadas esquecidas no homem já velho, o comunicador toca novamente e ele se vê forçado a procurar de novo pelas calças que havia jogado de qualquer jeito em algum lugar.
- Droga... – murmurou baixinho para não acordar a mulher – Malditos animais! Maldita desorganização! – enquanto olhava para o chão acabou encontrando a calça debaixo da cama e pegou o comunicador – Logan na escuta, câmbio!
- Onde é que você está, cara? – uma voz metalizada saiu do vocal, era o Stone.
- Em lugar nenhum. – não falaria o que havia feito, não isso.
- Hum... – o tom do amigo era irritado – Qual foi a merda dessa vez?
- Merda?! – podia sentir a fera rugindo por debaixo de sua pele – Só se for a sua!
- Só chegue em casa vivo que eu não vou criar seus filhos! Ciborgue desliga!
O toque de despertar soou em seu primeiro aviso, ainda baixo, por toda a região – Seis e quinze! Merda! – e foi logo tratando de vestir a calça e procurar o resto da roupa, Tara dá mostras de que vai acordar logo e ele não quer ficar ali e ter de dar explicações, terminando logo de se vestir e indo em direção a porta quando uma idéia lhe passou pela cabeça então voltou para a cama e debruçou-se sobre a mulher beijando-lhe o topo da cabeça e murmurando – Desculpe, mas não fomos feitos para dar certo. – lembrou de coisas que queria esquecer e uma lágrima também se fez presente – Ravena... – ele cobriu o rosto com as mãos e recuperou a máscara voltando a ser o homem que era. Antes que perdesse mais tempo foi-se embora não era homem de açodar junto. Aquela não era a sua cama nem a sua mulher.
Domus Aurea
Os guardas e porteiros sempre o espreitavam quando entrava pelo hall de pé direito alto e pelos longos corredores frios e silenciosos, não se acostumavam a variedade de vagabundos que seu signore fazia questão de ouvir pessoalmente como informantes em grande parte por este em particular trajar bermudas jeans sem bainha e uma jaqueta militar feita para alguém maior. Terry costumava andar empertigado por aí, todos sabiam o que fazia e em algum grau o temiam por isso; ali, por outro lado, era só mais um pedinte mais um que tinha autorização para viver apenas enquanto fosse útil. Precisava mudar as coisas, não gostava do medo e do respeito quase religioso que aquele lugar emanava... Queria mais que tudo esse poder para si mesmo, para nunca mais ter que se curvar diante de ninguém. Mar'i poderia falar o que quisesse, mas não conseguiria convencê-lo de que estava errado. Nunca mais seria o "pobre" Terry, o filho da garçonete, o bastardo de pai desconhecido, ninguém nunca mais ia humilhá-lo por não ser rico, por não ter poder... Todos que conhecia eram filhos de super-heróis ou de super-vilões, ele era o único que era filho de uma covarde que havia fugido da guerra.
- Ragazzo Markov. – seus pés o haviam levado ao seu destino mais rápido que seus pensamentos, encontrava-se agora diante do ditador em pessoa – O que te traz aqui hoje?
- Trago informações, Signore. – cruzou os braços e com o polegar apertou o lugar onde o volsance estava implantado, sempre incomodava – Sobre pessoas não registradas.
- Prossiga. – sinalizou para que Terry se aproximasse de sua mesa de mogno antiquada, uma raridade do século XIX que tinha sido apropriada da casa de alguém que não mais podia reclamar.
- Todos os desgraçados da cidade comentam que a onça e o corvo escaparam atrás de algum plano suicida. Eu acho que usaram o equipamento que o Signore está procurando, é que corre a boca miúda por aí. – enfiou as mãos no bolso e começou a se balançar no mesmo lugar – Também encontrei com Nightstar – podia-se ver um sorriso maligno se abrindo pelo rosto de Terry – A puta alienígena surtou com o sumiço do namorado. Situação perfeita para o seu movimento, chefia...
- O que sabe sobre os meus movimentos, ragazzo?! – Silas ergueu a sobrancelha e o rapaz se afastou alguns passos – Que petulância é essa!
- Desculpe Signore Silas! – Terry odiava ter que repetir o "senhor" a cada sentença, aquele homem não passava de um velhote banal sem nenhuma habilidade digna de nota! Se não fosse pelo implante e os inúmeros guardas ele poderia muito bem explodir a cabeça do ditador com uma rocha.
- Cambiano, é bom saber que a máquina funciona.
- Então... – continuou Terry, mas Silas sinalizava para que se retirasse – Quanto ao meu pagamento e as novas ordens signore?
- Há! Não se esquece do soldi, sua aberração gananciosa é?! – engolir a raiva, guardá-la para quando fosse útil, era a diversão de Silas testar o limite dos seus e fazê-los tentar usar seus poderes mesmo com os implantes. O ditador recolheu algumas notas de dólar da gaveta e despejou-as na mesa a sua frente – Verá mais dessas se descobrir onde foram com a minha máquina. – o rapaz recolheu o dinheiro e enquanto se levantava da poltrona ouviu tais palavras – Como está sua mãe ragazzo?
- O quê? - medo percorreu suas veias e pode sentir uma gota de suor frio se formar em sua têmpora.
- Mio ragazzo stupido, acredita mesmo que eu não sei como essa coisa de informatore funciona? – Silas afastou sua cadeira lentamente da mesa e recostou-se confortavelmente – Tu escutas alguns boatos nas pocilgas desta cidade maledetto, consegue alguns outros se fingindo de amigo das pessoas certas e inventa mais alguns para adoçar a história... – sorri ironicamente enquanto entrelaça os dedos das mãos – Vem então até aqui como um cachorro abanando o rabo e conta as grandes novidades e pequenas conspirações contra mim esperando minha aprovação e o dinheiro que vem com ela. Oh, eu conheço bem esse jogo ragazzo!
- Não estou entendendo, signore. – Terry começa a sentir seu sangue ferver, se de medo ou de raiva ainda não decidiu e o implante volsanse pulsa implacavelmente em seu antebraço.
O riso seco do ditador ecoa pela sala – Oh, per favore! Quando sair daqui com o dinheiro em seus bolsos vai correr até seus amiguinhos aberrazioni e contar tudo o que eu disse em troca de mais dinheiro! – ele se ergue e avança lentamente em direção ao rapaz – Não admito joguinhos comigo, ragazzo. Quem trabalha para mim trabalha somente para mim, por isso que agora eu tenho uma viatura dos meus guardiões parada em frente a sua casa esperando apenas uma ordem para levar a sua mãe... – os dois se encontram a centímetros de distância um do outro e o mais velho encara o mais novo nos olhos exalando triunfo.
Os olhos de Terry começam a brilhar em amarelo, o grande ditador se afasta ligeiramente assustado e o prédio começa a tremer, poeira de gesso despenca do teto e os livros nas estantes vão ao chão – Você não passa de um merda! – grita avançando – Acha que pode nos controlar, mas se caga de medo cada vez que um de nós chega perto! – a energia cobre completamente seu corpo e franze a face em dor, o implante começou a funcionar. Leva menos de um minuto para tudo parar de tremer e o jovem estar no chão gritando de dor como se ácido percorresse suas veias.
- Aprenda uma coisa ragazzo, o bosta é você. Como um animal que nunca aprende nada só lhe resta a vara. – guardas entram na sala e o algemam arrastando-o para fora dali.
Outra parte da cidade.
I would say I'm sorry
(Eu diria que estou arrependido)
If I thought that it would change your mind
(Se achasse que isto faria você mudar de idéia)
But I know that this time
(Mas eu sei que desta vez)
I have said too much, been too unkind
(Eu falei demais, fui indelicado demais)
Boys Don't Cry – The Cure
Mar'i pisou no tapete de boas vindas de sua casa ao mesmo tempo em que o sol tentava fazer com que seus raios alcançassem as janelas dos edifícios mais altos, não adiantava de nada o esforço, uma neblina fina ainda percorria os becos, poças de água suja não secavam há dias no meio fio e os girassóis que a mãe tanto gostava eram apenas um mato verde acinzentado no quintal sem nunca dar flor.
Passara a noite andando a esmo pelas ruas, não avisara ninguém... A essa altura ela estaria se acabando de preocupação e passado a noite inteira acordada esperando-a no sofá para ter certeza que não seria mais uma lápide vazia nos arredores da cidade. Girou a maçaneta e caminhou pelo corredor repleto de suas fotos infantis.
- Esteve com seu pai a noite toda? – encontrou a mãe sentada na velha e rechonchuda poltrona da sala de estar, segurava uma xícara de café e se enrolava em um roupão felpudo cor de rosa com pantufas combinando – Ele está mais atencioso com você? – ela sorria, carregada de uma esperança triste própria de quem já estava cansado de ter esperança. A moça não conseguia entender a persistência da mãe de ainda esperar coisas boas daquele homem enquanto possuía poderes suficientes para destruí-lo, vingar a traição cometida e ainda assim não o fazia.
- Continua o mesmo de sempre, cada vez besunta mais o cabelo com gel. – Nightstar retirou seu sobretudo e pendurou-o no cabideiro enquanto ouvia a mãe suspirar – Mãe... – a garota engoliu em seco e apertou os lábios até formarem uma linha fina, sentia vontade de chorar – Como consegue? – poderia desabar em um instante – Logan, o pai, meu tio e todo o resto...
Estelar olhou para sua criança abatida cujos ombros tremiam ligeiramente, quem sabe de frio por ter passado a noite na rua, mas certamente não. – Como eu consigo o quê minha bungorfka? Que tem todos eles e tudo mais?
- Acreditar mãe. Neles? Em que as coisas vão mudar? – ela abaixou a cabeça, não queria encará-la naquele momento. – Depois de tudo, de todas as traições, você ainda ama o pai, ainda acredita no Logan, ainda espera que seu irmão te entenda. - Se a sua mãe realmente ainda acreditava em tudo isso, por que ela não poderia acreditar em Ares e no resto?
Estelar olhou para a filha com um sorriso triste, mas logo ficou séria. Ergueu as mangas do roupão e mostrou os pulsos a filha. – Minha criança, eu já tive que reconstruir tudo do nada tantas vezes... – antigas marcas de grilhões queimadas na pele podiam ser vistas se olhasse com cuidado, já estavam quase apagadas pelo tempo – Nós, Tamarianos, somos uma raça resistente. Isso é verdade, por muito tempo tivemos fé que restauraríamos nosso planeta devastado pela guerra, por muito tempo sonhei com paz, em reencontrar meus irmãos, em recuperar minha liberdade, em encontrar uma nova casa nesse planeta. – Koriand'r esfregou suavemente as marcas com seus dedos – Nem tudo aconteceu, mas lutei por tudo o que eu pude. Tudo que achei valioso, jurei para mim mesma que não ia aceitar perder mais nada que amasse. Aprendi, porém, que não posso mudar as pessoas... Posso, porém, esperar que elas mudem por si mesma, posso esperar por elas e estar lá quando precisarem. – a mãe voltou a olhar para ela - Algumas pessoas acham tolice, seu pai me ensinou que era gentileza. Ele ainda tem isso dentro dele em algum lugar, todos tem. Mas não é dele que quer falar, nem de Logan. Não é?
Mar'i sentou-se no colo da mãe, não importava quanto o tempo passasse ela nunca se sentia velha de mais para isso. Mesmo que agora fosse bem mais alta que a mãe – É tolice, mãe. Eles não te merecem, mas... É o Ares.
- O que aconteceu? – a menina desviou de seu toque, se sentando e apoiando a cabeça no braço da outra poltrona.
A jovem permite que a mãe acaricie seus cabelos escuros, sem saber que a lembrava a irmã que não encontrava há muito – Não soube? Parece que a cidade inteira já sabe.
- Eu não saí ontem. Não entrei em contato com ninguém. – Estelar só disse isso, mas por um momento pensou em Ravena, sua amiga estaria tão preocupada se ainda estivesse nesse mundo. Garfield, os filhos e os Titãs cada um em um canto, ela tinha sorte de não ver nada disso. Estaria destruída.
- Ele usou a máquina do tempo... Aquela que Slade e Ciborgue conseguirem retirar do avião de carga que caiu mês passado. Um plano maluco dele! Mudar o passado! – uma lágrima solitária forçou passagem pelos verdes olhos esmeraldas da jovem – Eu estou muito preocupada... E irritada! Não me avisou! Não contou do plano! Não falou comigo! Não me chamou! – ergueu-se em frustração, os punhos faiscando de energia – Foi com a irmãzinha dele! Com Ártemis! E não comigo!
- Querida, você não sabe os motivos dele! – Estelar seguiu sua filha para tentar acalmá-la – Ele pode estar tentando te proteger.
- Eu não preciso ser protegida! – raios dispararam de seus olhos e atingiram um dos porta-retratos na parede refletindo seguidamente em outros até sair por uma janela aberta – Carrego a energia de uma super nova dentro de mim e ele me deixa para trás!
- Por isso mesmo devemos ficar aqui filha. – a tamaraniana segura a mais nova pelos ombros – Mar'i nós somos mais resistentes que eles, temos de protegê-los. Ares sabe se cuidar e estará bem onde estiver, Ártemis não deixará nada acontecer a ele se puder impedir. Filha, nós devemos deixar as pessoas que amamos fazerem suas próprias escolhas, seguirem seus caminhos e esperar que tudo dê certo enquanto ficamos e lutamos por eles e por nós. É assim que mulheres tamaranianas fazem, somos fortes por eles.
- Eu não sou uma tamaraniana... Eles deixaram isso bem claro quando estive lá. – falou num fio de voz.
- Mar'i... – Estelar suspirou, não podia contradizer isso – Ao menos tenha alguma fé nele. Nós o conhecemos desde que nasceu, você sabe tão bem quanto eu que ele só se afastou de você para que nenhum dos dois se machucasse – a mãe fecha os olhos por um momento – Se um dos dois acabar sendo pego será o fim de ambos. – olha de cima a baixo para a filha, poeira nas roupas e lama nos sapatos – Tome um banho, vai se sentir melhor, enquanto isso eu vou preparar o nosso café da manhã. – se esforça para sorrir, apesar de que desde a ligação de Ryand'r não estava com muita disposição para isso – Só se pode pensar em um bom plano estando descansada e bem alimentada.
O sorriso da alienígena era impossível de resistir, exigia ser correspondido. Espalhava esperança – Você já sabia que eu não ia deixar quieto, né?
- Nunca que ia, Bungorfka!
Tempo presente.
Enquanto Ravena, Mutano, Ciborgue e Ares faziam a vigília na Torre Titã, Estelar e Robin foram verificar a anomalia temporal que haviam percebido.
As the snow flies
(A neve cai)
On a cold and gray Chicago mornin'
(Numa fria e cinza manhã de Chicago)
A poor little baby child is Born
(Um pobre garotinho nasce)
In the ghetto
(No gueto)
And his mama cries
(E sua mãe chora)
In The Guetto, Elvis Presley
Robin e Estelar andavam por um gueto de Jump City, o lugar era um lixo, bandos de jovens nas soleiras das portas fumando, paredes cobertas de pichações, prédios abandonados com as janelas cobertas por tábuas velhas, alguns homens tomavam umas cervejas em um barzinho imundo enquanto algumas senhoras penduravam a roupa lavada em um varal comunitário colocado entre as casas de um cortiço. Dava pena daquele lugar cujos tijolos estavam pretejados pela fumaça das fábricas de alta tecnologia e onde as crianças brincavam na rua sem a mínima atenção dos adultos, a titã tamaraniana nunca havia visto tanta miséria e o menino prodígio não conseguia evitar a nostalgia de estar ema parte da cidade que lembrava tanto a velha e suja Gothan.
- Que lugar horrível Robin! – exclamou Estelar levando a mão ao rosto com espanto – Humanos realmente vivem assim? Tem certeza que o sinal veio daqui?
- Até pior, estrela. – o cheiro de lona e serragem veio-lhe a mente. De acordo com nossos aparelhos, sim. – olhou para o aparelho tentando identificar de qual dos prédios da região estava vindo o sinal – Está em algum lugar por aqui... – diversos pontos começam a brilhar ao mesmo tempo no visor em alta velocidade até que este queime – Algo está errado aqui.
- Então por quê não perguntamos para alguém? – ela não esperou ele responder e já parte em direção a uma garota que estava saindo de um dos prédios do cortiço.
Robin dá um tapa na própria testa em sinal de desespero e sai correndo em direção a Estelar que já estava falando com a garota.
- Olá! Meu nome é Estelar e sou uma jovem titã, você poderia me dar uma informação? – a garota que devia ter uns quinze anos e era magríssima de cabelos pretos escorridos caídos de qualquer jeito sobre os ombros.
Ela olhou espantada para a titã, mirando-a de cima a baixo e respondendo – C-claro... O-o que v-você q-quer saber? – nessa hora Robin chega e responde a pergunta da garota.
- Aconteceu algo estranho por esses dois últimos dias?
A garota olhou de um para o outro e disse – Nada fora do comum, quer dizer, só o maluco do 718 que passou a noite toda fazendo barulhos esquisitos... – os titãs se entreolharam e depois voltaram a mirar a jovem – Ele sempre foi meio esquisito, nunca falou com ninguém e... – ela abaixou o tom de voz até chegar a um sussurro – E dizem que ele é nazista!
Os titãs se entreolham e Robin agradece – Obrigado, você foi muito útil. – a garota sorri e continua o seu caminho o garoto prodígio vira para Estelar e diz – Nazista? Isso não te lembra algo? – a máscara se ergue um pouco sobre um dos olhos dele.
A tamaraniana estranha – O Ares não tinha dito fascista?
- Na história da Terra, Estelar, o nazismo é um tipo de fascismo. Um governo autoritário. – ele engole em seco – Muitas pessoas confundem esse tipo de coisa.
- Então esse maluco... – ela parece estar meio assustada.
- Pode ser o... – Robin é interrompido por uma voz estridente de mulher saindo do 718...
- SILAS! – uma mulher velha de cabelos brancos e esquelética vestindo um tailleur cinzento que recendia fortemente a naftalina saía daquele número sacolejando um guarda-chuva em direção ao interior da casa - EU VOU FALAR PELA ÚLTIMA VEZ! OU PAGA O ALUGUEL ATÉ DAQUI A DOIS DIAS OU ESTÁ NA RUA! – e lá de dentro se ouviu uma voz rouca...
- Como queira Srª Browen, assim que eu receber... – ele se aproximou da porta, mas seu rosto ficou encoberto pelas sombras...
- ACHOO BOM! - ela gritou por último e se retirou para dentro da própria casa enquanto ela murmurava um levemente audível "Maiale capitalista! Você ainda vai me pagar...".
Para os titãs ali presentes o tempo pareceu congelar... Ali, diante deles estava o inimigo que tantas máculas havia feito ao futuro... E no segundo seguinte já havia desaparecido... Robin murmurou para Estelar – Acho que conseguimos achar o vilão... – ambos estavam chocados e ela murmurou:
- Mas... E o portal? – pergunta a titã preocupada...
- Deve ter se aberto na casa dele! Só pode... – Robin e Estelar cruzam o olhar com o do homem na soleira. Barba bem feita, rosto chupado, magro, roupas velhas, mas bem vestido em comparação com o resto das pessoas daquele lugar.
- O que você quer ragazzo? – Silas cruza os braços sobre a velha camisa de mangas compridas com o colarinho desabotoado – Sou apenas um trabalhador honesto que não tenho dinheiro para pagar o aluguel... – ergue uma das sobrancelhas – Isso é algum crime agora?! Caiam fora, Aberrazioni! – entra batendo a porta, os titãs se entreolham espantados, não esperavam que o grande vilão do futuro, o grande mal, fosse alguém tão comum.
