Sadly I rose at dawn, undid the latch of my shutters
Thinking to let it light, but I only let in love.
Birds in the boughs were awake; I listened to their chanting;
Each one sang to his love; only I was alone.

The Desolate City – Wlifrid Scawen Blunt

Capítulo 7 — Primeiro de Maio

Eu gosto de congelar as pessoas no tempo, lembrar delas em alguns momentos. Pequenos segundos se amontoam como tesouros da enchente de história. Rabastan, o garoto que eu só observava algumas vezes, observava o jeito que seu cabelo se enrolava atrás do pescoço, quando ele estava sentado no hall dos Fudge. Me lembro de como o sol se levantou no dia de Walpurgis, luz brilhante transbordando das cortinas e me acordando de meu sono gostoso. Perto de mim, Bella ainda estava em seu vestido dormindo, os babados brancos apertados em sua mão e seu cabelo espalhado pelo travesseiro como uma auréola negra. Ela sorriu para si mesma levemente quando eu vesti uma capa e atravessei na ponta dos pés o corredor dos Rosier, e passei pelos elfos domésticos apressados, o forro de pele por cima de meu rosto quando abri a pesada porta da frente. Respirei o ar da manhã, sentido o gelado do amanhecer antes que o orvalho evaporasse da bainha de minha camisola. Por um segundo eu só quis congelar naquele momento para que nada mudasse, mas então senti o braço de Rabastan nas minhas costas e me virei para sorrir para ele.

Ficamos parados de pé por um momento, a mão dele encontrando seu caminho na minha enquanto assistíamos o sol se levantar por trás das árvores. Embora eu soubesse que devia perguntar sobre a noite anterior, algo me fez ficar quieta. Algo que me fez querer esquecer o passado e o futuro, esquecer o casamento e o baile depois, esquecer como Bella estava na noite anterior, esquecer de que éramos descendentes de uma das mais poderosas linhagens do país. Esquecer de que não havia nada além desse momento e de nós de pé juntos, um garoto e uma garota assistindo o sol nascer num novo mundo.

Quando estávamos andando de volta para a casa, ele parou de repente e se virou para mim.

— Eu tenho uma coisa para você — ele abriu minha palma e depositou um colar nela: um delicado medalhão pendendo de uma longa corrente de prata. Eu o abri e vi uma figura em branco e preto trouxa de um homem de uniforme sorrindo de volta para mim. Virei a figura e li numa letra caprichada "Para minha querida Betty, com amor, Ralph" e, numa letra diferente, de mulher, alguém tinha escrito as datas 1897-1918.

— Onde você conseguiu isso? — perguntei tremendo um pouco.

— Eu peguei para você — ele franziu o cenho de leve, suas sardas se enrugando.

— Mas era de alguém! Era de Betty!

— Uma trouxa... Nós a obliviamos depois — ele me beijou abruptamente antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. Fechei o medalhão, não querendo olhar para a face sorridente e cheia de esperança de Ralph e pensar sobre o que tinha sido feito para esse presente me ser dado e o beijei de volta, apertando forte meus olhos.

Rabastan nunca me ofereceria um presente de uma das orgias denovo; ao invés disso eu assistiia Bella descarregando seus troféus. Ela nunca pegava dinheiro, embora o viesse juntando de outras maneiras desde que tinha nove anos.

— É a minha recompensa — ela dizia, pondo as pilhas de sicles de volta numa caixinha de jóias e cobrindo-as com séries de pérolas. — Quando eu fizer dezesseis, vou sair dessa prisão e vou para Paris.

— Mas o que você vai fazer lá? — perguntava Regulus, sempre querendo saber a resposta para tudo, como se isso fosse ajudá-lo a entender o mundo.

— Vou subir na torre Eiffel e gritar e gritar, e ai não vai ter ninguém para me mandar ser uma dama.

— Mas o que você vai gritar?

— Cornelius Fudge é um tarado patético! — Bella ria e nós entreolhávamos, sabendo que o irmão de Juliana se arrependeria do dia em que tinha posto a mão no peito de minha irmã. Mas nas orgias Bella esquecia de seus planos de fuga. Ao invés disso ela juntava vidas, álbuns de fotos, cartas de amor e cartões de aniversário. Se debruçava neles, absorta, olhando molduras douradas de mães segurando bebês, traçando seus contornos com os dedos, e subitamente jogava-os com força no chão, voltando ao seu desprezo normal, professando, do mesmo jeito que fizera quando observávamos a mãe de Odette abraçá-la no café-da-manhã, que as pessoas eram estranhas.

Eu a assisti acordar, seu rosto de repente se tornando vivo, o gosto doce e amargo de Rabastan em meus lábios, uma dor estranha, fraca e proibida de culpa em meu estômago. Não pus o medalhão na minha caixa de jóias — as pérolas e diamantes o faziam parecer pequeno e embaçado. Ao invés disso, coloquei-o em meu bolso, com medo de perdê-lo e nunca poder devolver a sua dona, quem quer que fosse. Eu teria usado para protegê-lo e por causa de Rabastan, mas o brasão da família ainda circundava meu pescoço.


— Estou apaixonado.

Me virei surpresa para ver a silhueta da troca de votos de Juliana e Evan por trás do vidro grosso do saguão dos Rosier. Juliana de repente parecia mais velha desde quando seu pai levantara seu véu, sua boca um botão de rosa perfeitamente pintado, esquecido nas especulações do dote, que sempre equivalia à aparência da tiara da noiva.

Pus um dedo nos lábios e gesticulei para meus pais que estavam na nossa frente. O cabelo de minha mãe estava preso firmemente com um brocado de rubis, um orbe perfeitamente brilhante. Quando eu era mais nova, tinha um desespero por alcançá-lo e tocá-lo, assistir o cabelo cair numa cascata dourada, como tinha visto o de Narcissa. Mas isto tinha sido como o resto de mamãe, intocável. Ao invés disso, com Regulus, que estava arrastando os pés pelo chão e murmurando para si mesmo, eu me virei para falar com seu irmão mais velho.

— Apaixonado?

— Sim, apaixonado — sussurrou Sirius, revirando os olhos como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Por quem?

— Lily Evans.

— Quem? — dei uma olhadela em volta para ver se o objeto da afeição de meu primo estava perto. Os bancos de pedra conjurados estavam ocupados com o que parecia ser a metade da comunidade bruxa e eu podia ver James Potter acomodado entre seus pais. Ele deu a Sirius um aceno maníaco, que foi retornado com gestos de mãos ferventes, que deixaram os dois garotos de onze anos histéricos e Regulus e eu confusos, antes de Sirius continuar.

— Minha futura esposa, se ela me tiver — disse Sirius calmamente.

— Ela está aqui?

— Não, os pais dela não são bruxos... Não diga nada, Meda, eu não me importo. Ela é a minha Lovely Rita e minha Eleanor Rigby.

— O Potter não bateu em você porque você a chamou de sangue ruim? — sussurrei, pensando na instabilidade das lembranças do primeiro ano e me lembrando de Lily Evans como uma ruivinha amuada que imperava sobre os primeiranistas com uma mistura de desejos pré-púberes e uma inteligência superior.

— Sim, porque ele gosta dela também, mas James e eu decidimos que vamos dividi-la.

— Dividi-la!

— Como aquelas pessoas que o tio Alphard falou. Eu sei que tecnicamente Blacks não têm que dividir nada, mas Lily é demais, ela tem todos os álbuns dos Beatles! — Sirius me implorou com o olhar.

— E Lily não vai se importar de ser dividida? — mordi meu lábio para me impedir de sorrir, tentando imitar a expressão hipnotizada de horror na cara de Regulus ao pensar em seu irmão se sentindo atraído por uma sangue ruim, me perguntando por que eu não estava mais aflita com esse fato.

— Foi o que Remus disse — Sirius disse pensativo. — Talvez nós a deixemos decidir entre nós.

Abri a boca para responder, mas subitamente tomei consciência de Bella, que tinha estado misteriosamente quieta durante o anúncio de Sirius sobre sua vida amorosa, sussurrando fervorosamente sob sua respiração.

— Crucio, Crucio, CRUCIO! — estava se concentrando mais do que eu jamais tinha visto, seus olhos faiscando de malícia enquanto brandia a varinha como uma espada. Me virei para onde ela estava apontando para ver Fifi Delacour, a filha do Ministro da Magia francês, segurando o braço de Lucius e tagarelando muito rápido em francês. Bella e eu trocamos olhares significativos, que comunicavam instantaneamente o que estávamos pensando. Sabíamos que Narcissa podia mais do que controlar Lucius. Apesar de ser a que mais estava procurando meninos na caverna, o menino para quem toda mãe lançava suas filhas nas festas, Lucius, não tinha se importado com nenhuma outra garota que não fosse nossa irmã por mais de cinco minutos desde que tinha visto pela primeira vez seu cabelo bruxulear à luz das velas quando ela tinha posto o Chapéu Seletor na cabeça.

— É fácil — Narcissa nos disse enquanto arrumava o cabelo com a varinha. — Você só os deixa pensar que estão no controle: na verdade eles são patéticos, pobres coitados.

Ainda tínhamos uma reputação pela qual zelar.

— Como leoas à espreita — Sirius me diria anos depois com uma risada amarga. — Coitado de quem entrar no território de vocês. Não me espanta que todo mundo tenha medo de vocês.

— Damos um jeito nela depois — apontei a varinha de Bella para baixo com a maior força que consegui; por uns segundos ela resistiu e então escorregou nas dobras de seu vestido. — Onde você aprendeu aquilo? — perguntei, imaginando se ela tinha visto papai fazer aquilo aos elfos.

— Rodolphus.

— Me ensina! — Sirius e Regulus exclamaram ao mesmo tempo. Bella sacudiu a cabeça.

— Eu não ensino grifinórios e bebês — disse ela melindrosamente com um farfalhar de sua saia. Seu vestido era de seda preta com uma faixa vermelha, seu cabelo caindo em cachos lustrosos, que balançavam vigorosamente se levemente desarrumados. Enquanto os garotos ainda pareciam cansados da noite de orgia, Theo quase dormindo em cima do café-da-manhã e fazendo Odette rir descontrolada, Bella estava energética como sempre. Atrás de nós uma figura escura deu uma risadinha. Virei para ela e perguntei:

— Quem é aquele? — Ela deu de ombros e respondeu:

— Ele estava lá na noite passada. Evan o trouxe.

— Família? — indaguei mais como uma ação de reflexo.

— Não faço idéia.

— Então não pode ser ninguém importante.

— Só porque você não pode fazer! — Sirius sorriu maleficamente, seu interesse oscilando como sempre enquanto ele procurava por uma nova diversão.

— Talvez eu possa, talvez só esteja esperando a hora certa — retorquiu Bella.

— Sim, como se você fosse capaz de esperar por alguma coisa — zombou Sirius.

— Você ficaria surpreso se soubesse pelo quê eu sou capaz de esperar, Sirius Black — disse Bella enigmaticamente; ela enfatizou o sobrenome, e o som ecoou em meus ouvidos.

Sirius sorriu e girou os olhos.

— Assustador — disse ele sarcasticamente para mim, mas eu me virei para assistir o processo do casamento. Não querendo ser enredada na recém-descoberta tensão, que parecia aumentar entre os dois de repente e sem aviso, e então evaporar como se nunca tivesse ocorrido.

Regulus me parecia preocupado. Enquanto seu irmão e minha irmã vicejavam em tensão, meu primo mais novo hesitava diante do mundo que achávamos que podíamos tão facilmente controlar. O pegávamos às vezes fitando o nada fascinado enquanto observava o resto de nós caçoando e abraçando uns aos outros, varrido pela tempestade sem ter onde se abrigar do temperamento da família.

— Eles te encontraram do outro lado da porta, Reggie? — Sirius zombava indiferente em intervalos regulares, transformando o novo jeito de desafiar o irmão numa brincadeira entre ele e Bella. Porém, ainda havia algo dentro de mim que queria desesperadamente proteger Regulus de sua raça para viver à altura de seu nome. Então abanei minha cabeça para Sirius antes que ele pudesse começar a atormentar o irmão, e mudei de assunto.

— Mas, Sirius, da última vez que eu vi você e Evans juntos, você estava perguntando a ela se já que você a tinha chamado de sangue ruim e ela tinha te dado um tapa, se você podia chamá-la de cenourinha.

— Ela me bateu do mesmo jeito — Sirius sorriu para si mesmo e se inclinou para trás de um jeito satisfeito. Por sorte Bella estava ocupada demais dando um olhar maldoso a Lucius para testemunhar esta manifestação de segurança.

— Se você e Potter não enchessem o saco dela, talvez ela gostasse mais de vocês — eu disse. Sirius me deu um olhar assombrado de compaixão.

— Mas nós enchemos o saco dela porque gostamos dela, essa é a única razão pela qual meninos enchem o saco de meninas. Merlin, Meda, achei que todo mundo soubesse disso! — disse ele no mesmo tom de voz que Narcissa tinha usado para explicar para uma Bella de sete anos que se vestir de dementador e pular em pessoas distraídas em jantares não era educado.

— Ah — eu disse.

Sem pensar, meus olhos viajaram para Alice De Winter e Frank Longbottom, que estavam sentados juntos. Onde normalmente havia uma cabeça risonha de cabelos castanhos encaracolados entre eles, hoje havia uma distinta falta de alguém para acenar maniacamente através dos corredores para mim; ou distrair Madame Pince esbarrando numa estante para que eu pudesse dar uma espiada na seção restrita e alegar que tinha sido um acidente e que ele nunca me ajudaria com meu trabalho, e isso era obviamente fantasia minha, e a verdadeira Andie talvez devesse tomar algum remédio para essas fantasias estranhas, pois quem é que sabe o que você pode começar a imaginar depois?; ou sentar no fundo da sala de Defesa Contra Artes das Trevas e cochichar na orelha de Alice De Winter fazendo-a rir e eu, pela primeira vez na minha vida, sentir que havia uma coisa que eu queria e meu sangue não podia me dar. Me dando conta de o que eu estava fazendo e de para onde meus pensamentos estavam me levando, me virei de volta para Sirius e disse a ele e a mim mesma:

— Nós não amamos sang... — captei a reprovação dele — nascidos trouxa. Você conhece as regras.

Sirius franziu as sobrancelhas.

— Nós somos Blacks — disse ele. — Regras são irrelevantes para nós.


— Odeio bailes — disse Bella, assistindo o crepúsculo da janela.

Narcissa tinha decidido que iríamos elegantemente nos atrasar para a recepção para "fazer entrada". Então tínhamos nos reunido no quarto de hóspedes para ajudarmos umas as outras com nossas roupas e admirar os brincos de diamante que Narcissa tinha ganhado de aniversário.

— Toda aquela história de ficar em pé à toa com uma aparência ornamental, sem poder comer o que quiser, dizer o que quiser ou dançar quando quiser, ou... ah! Cadê o Sirius? — Bella bateu o pé e se jogou para trás na cama com um suspiro melodramático, amarrotando seu vestido de propósito.

— Aqui. Eu e James estamos indo tocar fogo nas roupas de Snape, quer vir? — a cabeça de Sirius sorriu maliciosamente da porta.

— Não sei — disse Bella, sua voz subitamente afetada. — Isso me parece meio imaturo. Acho que minhas roupas deviam ficar limpas e sociáveis.

— Snape... A mãe dele não acabou de ter outro romance? — perguntou Narcissa enquanto fazia sua maquiagem.

— Ah, quem se importa? — Sirius e Bella disseram em coro.

— Ele é um idiotinha magrelo — Sirius adicionou.

— O pai dele paga nossas contas, e eles são só a segunda geração — disse Bella franzindo o nariz. — Essa gente dificilmente sabe como causar um escândalo peculiar.

— Então você vem?

— Talvez. Vou ver o que Rodolphus está fazendo. Talvez eu dance com ele se ele não disser que vou me cansar, como os outros garotos dizem.

Os observamos sair e ouvimos um estardalhaço no corredor quando Bella tropeçou no porta guarda-chuva de Rosier pela quinta vez naquele dia.

— Bellatrix! Por que você não pode agir como uma dama e ficar direita em vez de ficar tropeçando em tudo? Você vai ser a minha morte! — Sirius disse numa imitação aérea de minha mãe. Bella disse alguma coisa e, ao passo que saíam do meu alcance de audição, eu ouvi suas gargalhadas.

Narcissa e eu nos entreolhamos. Era sempre certeza que Bella e Sirius estavam rindo juntos; como o sol nascendo de manhã ou as folhas caindo das árvores, como Narcissa escovando o cabelo cem vezes antes de irmos dormir ou como Reggie sendo atormentado por Sirius. Mas nós somos Blacks, nunca uma certeza, e nos perguntamos se, quando Bella visse Rodolphus no baile e Sirius visse James, ainda estariam rindo juntos. Era um momento contraditório. Às vezes a vida é assim, uma série de momentos contraditórios.

Descemos as escadas para nos juntarmos ao resto do mundo, onde nada mais parecia certo.


Meu espartilho estava machucando, o vestido era bonito — uma majestosa saia de seda que farfalhava quando eu andava e um corpete bordado com rosas minúsculas insinuando nas laterais. Mas aquilo estava me apertando tão forte que achei que fosse desmaiar a qualquer segundo. O baile estava reluzente; a comida que não acabava, os vestidos das garotas vislumbrando à luz das velas. Eu podia ver Bella sentada numa cadeira e rindo enquanto segurava um copo de champanhe e girava a varinha na mão descontraidamente, rodeada pela audiência admirada de Rodolphus, Evan e Theo. Narcissa tinha enlaçado seu braço no de Lucius de modo que a mão protetora dele descansava na curva das costas dela. Ela sorria enquanto mantinha uma conversinha com Juliana e seu irmão mais velho, Cornelius. Olhei em volta para ver se minha mãe estava olhando e escapei para o jardim sereno, exalando quando o ar frio se chocou contra meu rosto.

Senti uma respiração nas minhas costas e me virei esperando ver Rabastan. Ao invés disso encontrei o contemplar invisível de uma figura escura que tinha dado uma risadinha mais cedo. Sorri — porque não havia nada mais a fazer a não ser sorrir — e estendi a mão.

— Não acredito que nos encontramos, eu...

— A outra Black, sim. Estava me perguntando quando eu te encontraria — sua risada fez como se formigas dançassem na minha espinha.

— Você sabe quem eu sou.

— É claro. Ouvi falar muito de você, mas todo mundo conhece as Black, não? — não respondi e ele não esperou que eu respondesse antes de continuar. — Além disso, Bella me falou de você na noite passada.

— Bellatrix — não gostei do jeito que ele disse o nome dela. — Só a família a chama de Bella.

— Mulher Guerreira: ela certamente faz jus ao nome. — Os olhos dele eram verdes por baixo do capuz, porém tinham uma tonalidade avermelhada sob a lua da colheita. Seu olhar era perturbador e eu desviei os olhos quando ele falou denovo, sua voz suave e calculada. — Notei que você não estava lá no final para nos parabenizar que nem sua irmã mais velha. Por quê?

Encontrei seu olhar respondendo a pergunta que ninguém ainda tinha feito.

— Porque não vejo por que vocês devam ser parabenizados por se divertir as custas de gente que não pode se defender. Isso não me parece nada heróico.

— Sim — ele sorriu. — Sim... Me disseram que você era a mais inteligente, e não estou desapontado. Então, senhorita Black, o que a senhorita quer que a gente faça?

— Não sei; usem sua energia para pegar algo real. Lutem como homens — eu disse chutando o cascalho. Estava começando a escurecer. — Eu tenho que ir. — Me virei para sair e parei, me lembrando de modos em meio à minha súbita raiva irracional, e me virei para ele.

— Desculpe, não perguntei seu nome.

Ele sorriu e senti as formigas fervilhando novamente em minha espinha, e a súbita explosão de frio.

— Lord Voldemort. E não se preocupe, senhorita Black, eu pretendo lutar.

I looked into your eyes
And my world came tumbling down
You're the devil in desguise

Madonna — Beautiful Stranger


N/T: Lovely Rita e Eleanor Rigby são músicas dos Beatles.