Resumo: Eu tinha sete anos quando o conheci. E nem eu nem ele sabíamos como nossas vidas iam mudar a partir daquele momento. AU, B/B.

N/a: Marina, Angie e Yasmin, obrigado pelos reviews! Me dá mais gás pra escrever sabendo que vocês estão acompanhando.
Pensei um bocado nesse capítulo, a respeito do que eles poderiam aprontar. No final saí com essa.
Eu estou sentindo que para o próximo vão haver algumas mudanças, vamos ver... O que achou do capítulo? Gostou? Odiou? Tem alguma ideia legal? Sabe o que fazer. Até o próximo ;)


Brennan's Song

7. Arrumando Confusão

Take me back to the house in the backyard tree
(Me leve de volta para a casa da árvore no quintal)
Said you'd beat me up, you were bigger than me
(Diziam que você ia me bater, era maior que eu)
You never did, you never did
(Você nunca fez isso, você nunca fez isso)

O fato de eu Booth termos provocado Tommy nos trouxe consequências. Nas semanas seguintes ao episódio, não fomos deixados em paz. Ele ou Lucas poderiam seguir um de nós metade do recreio, repetindo grosserias. Eles sumiam com nossas mochilas, colocavam o pé na nossa frente para que tropeçássemos, e ficavam falando pra todo mundo que a garota estranha da terceira série era a namoradinha do transferido da quinta.

-Se eu não tivesse com esse gesso, eu dava outro soco naquele garoto! – disse Booth certo dia, depois que Lucas passou correndo e levou o sanduíche dele.

Estávamos sentados juntos no refeitório. Desde o começo da implicância de Tommy, alguns dos garotos com quem Booth andava começaram a evitá-lo, com medo que sobrasse para eles. Eu estava distraída, observando outro carreiro de formigas subir pela parede do refeitório quando tive uma idéia.

-Booth, a gente devia se vingar deles!

Ele olhou para mim.

-Essa cara quer dizer que você teve uma idéia, Bones.

E eu realmente havia tido uma idéia. Assim que contei para Booth ele riu.

-O que é isso? – perguntei, olhando para a mão esquerda dele, que estava fechada, apontando na minha direção.

-É um cumprimento, pra quando você está feliz, sabe? Bata.

Eu o mirei meio em dúvida, então fechei o punho e bati contra o dele.

-Credo, Bones! É pra bater de leve, não dar um soco!

Meu plano era simples. Eu tinha um aquário de formigas, que tinha usado na feira de ciências do ano passado. Tudo que eu precisava fazer era colocá-las em um vidro e levá-las para a escola. Então poderíamos soltá-las na mochila de Tommy quando ele estivesse no recreio.

Na segunda-feira, eu coloquei o vidrinho na mala cuidadosamente. Foi um dos poucos dias que não conseguia prestar total atenção na aula, só pensando no que faríamos mais tarde. Encontrei com Booth na porta da sala dele, e entramos em silêncio. Quase morremos do coração quando um grupo de crianças passou correndo pelo corredor, mas completamos nossa missão. Pra nossa sorte havia uma barra de chocolate na mochila de Tommy, e nós a jogamos no meio dos cadernos. Assim que chegamos ao corredor novamente, nos encostamos à parede, rindo sem parar. Era a primeira vez que eu quebrava as regras e fazia algo assim, mas descobri que o medo tornava as coisas mais emocionantes. Sabíamos que teria vingança, mas estávamos prontos. Ou achávamos que estávamos.

Na quarta-feira, eu estava carregando uma pilha de cadernos que a professora havia me pedido pra buscar. Estava para descer a escada quando vi Booth subindo.

-Ei, Bones. Quer ajuda?

-Não, tudo bem.

-Vamos jogar baseball hoje?

-Mas você ta com o braço engessado! E sabe que eu sou péssima em atirar.

-É lançar, Bones. Eu lanço a bola pra você, e te ensino a rebater.

-Hmmm. Tá bom.

-Até depois, Bones.

Eu comecei a descer as escadas, e o sinal tocou. As crianças que estavam no corredor começaram a correr para as salas, e eu imaginei que se não tivesse parado para conversar com Booth, já teria chego à minha sala.

Eu ouvi um barulho às minhas costas e parei, me virando cuidadosamente.

Tommy estava estendido no chão, o rosto vermelho. Booth estava sentado nas pernas dele, segurando a cabeça dele contra o chão.

-Seu covarde! Não achei que você fosse desse jeito!

Eu fiquei olhando, abobalhada, o ataque de fúria de Booth. Já havia visto ele bravo, mas não daquele jeito. Agora o corredor estava mais vazio, e quando vi a inspetora se aproximar, soube que a coisa ia ficar feia.

-Seeley! Saia de cima do Thomas agora!

-Ele ia empurrar a Bones! Eu vi! – gritou Booth, dando um tapa na cabeça do menino antes de levantar.

-Quem é Bones?

-Ele ta falando de mim.

A inspetora me olhou por cima dos óculos.

-Isso é verdade, Temperance?

-Eu... não sei, eu não vi nada.

-Ok, os dois para a diretoria, agora. Temperance, volte para a sala.

Eu voltei, entregando os cadernos para a professora e me sentando. Não me sentia bem. Não queria que Booth se encrencasse, ainda mais por minha causa. Sabia que o Tommy ia dar o troco, mas não achei que seria desse jeito.

O resto da aula se arrastou e quando finalmente o sinal tocou e eu corri para fora da sala, Russ estava me esperando.

-Tempe, o que aconteceu? Ta todo mundo falando que o Booth socou o Tommy e que você quase entrou na confusão e foi pra diretoria também.

Eu olhei pra ele brava.

-Isso não ta certo, Russ. Como que o Booth ia socar o Tommy com o braço engessado?

-Então por que ele ta na diretoria esperando o avô dele?

Eu expliquei para o meu irmão exatamente o que vi e ele escutou, sem me interromper.

-E você acha que ele ia te empurrar mesmo?

-Não sei, eu tava de costas. Mas ele ta bravo com a gente.

-Por quê?

-Por que ele tava tirando sarro do Booth por que ele não tinha pai nem mãe, daí o Booth bateu nele, e ele ficou bravo. E daí ficou perseguindo a gente, e fazendo a gente tropeçar, falando coisas mal-educadas, e nós colocamos formigas na mala dele e...

-Tempe, calma. Se o Tommy tava irritando tanto vocês, por que não me contou?

-É problema nosso, Russ. Eu me meti nisso quando fui tentar impedir o Booth de bater no Tommy.

-Eu sou seu irmão, lembra?

Ele se desencostou da parede de repente, se afastando.

-Onde você vai?

-Acertar as contas com o Tommy.

Eu fiquei no lugar um tempo, imaginando se devia correr para a diretoria e ver Booth, como queria, ou se devia seguir meu irmão. Por fim optei pela segunda.

Saímos para fora do colégio. Tommy estava se afastando com seu irmão mais velho, os dois caminhando até o carro. Russ correu na minha frente, chamando o menino pelo nome e ele se virou. Me aproximei cautelosa, sem saber bem o que Russ faria.

-Ei, Tommy. Fiquei sabendo que você anda atormentando minha irmãzinha.

-Você acredita no que as crianças tão falando, panaca?

-Não foi dos outros que ouvi. Ela que me contou.

-Não leva a mal , Russ, mas sua irmã não é muito certa não. Ela deve estar inventando.

-Acontece que eu acredito nela.

-Ei, vai deixar de acreditar no seu amigo pra acreditar nela? Você vivia falando que ela é estranha e que nem parece sua irmã de verdade.

Russ olhou para trás, pra ver se eu estava ouvindo. Se mexeu, incomodado, então encarou Tommy de volta.

-Quem se importa, Tommy? Todo mundo fala mal dos irmãos! Mas acontece que família é família e você passou dos limites! – Russ gritava agora, e algumas crianças que já haviam saído pararam para observar. Vi o irmão de Tommy, perto do carro, assistindo interessado.

Russ se lançou pra cima de Tommy, e os dois rolaram pelo chão se socando. Corri, pretendendo ajudar meu irmão, mas o irmão de Tommy chegou antes e os separou. Mais gente havia se juntado para assistir. Tommy se levantou segurando um dos olhos e Russ, com o nariz sangrando. Eu olhei brava para o meu irmão. Primeiro Booth, depois ele. Será que ninguém entendia que eu sabia me virar muito bem sozinha?

Mais tarde, enquanto eu e Russ estávamos sentados de cabeça baixa no sofá da sala, meu pai fazendo um discurso sobre como resolver as coisas de forma inteligente, me perguntei como havia chegado àquele ponto. Eu nunca havia me envolvido nesse tipo de coisa antes. Mas percebi que estava satisfeita com o desfecho. Tommy havia tido o que merecia, e não mexeria mais com a gente. E Russ havia visto como o menino era realmente, e não andaria mais com ele.

-Russ, pro quarto. Quero falar com a Tempe.

Eu levantei os olhos espantada. Russ me lançou um olhar de desculpas, e subiu correndo.

-Temperance, eu estou um pouco preocupado com você. Nunca tinha tido esse tipo de problema antes, foi a primeira que vez que a escola me chamou por sua causa.

-Eu não tenho culpa se o Tommy estava me enchendo!

Ele se sentou ao meu lado no sofá.

-Eu sei, e não estou falando que você não pode se defender. Sabe o que eu falo, você pode e deve se defender. É só que... – ele suspirou – O Seeley é um ótimo garoto, eu sei. Mas ele tem alguns problemas, e parece ter um pouco de dificuldade pra controlar a raiva. Ele é maior e mais velho que você, tenho medo que ele possa te machucar.

-O quê? O Booth? Não, pai, ele nunca bateria em mim.

Meu pai continuou a me mirar sério.

-Nunca, pai. Ele bateu no Tommy, mas foi pra me defender. Eu já disse que posso me defender sozinha, mas ele não escuta.

Ele deu um sorriso mínimo.

-Está bem, filha. Mas por favor, tentem ficar longe de problemas, ok?

Dois dias depois, enquanto estávamos estendidos no lab em uma tarde preguiçosa, eu contei para Booth sobre a conversa com meu pai.

-Você sabe que eu nunca vou bater em você ne? Mesmo quando você fala coisas que eu não entendo e fala que sabe mais que eu.

-Eu sei, Booth.

Ele estava brincando com um caleidoscópio entre os dedos. Era um grande e colorido, que eu havia ganhado no meu aniversário de cinco anos. Booth nunca havia visto um, e agora andava pra cima e pra baixo com ele, olhando tudo.

-Ei, hoje tem maratona dos Jetsons, vamos assistir?

-O que é isso?

-Ah, qual é Bones. O desenho? A família que vive no futuro?

Virei a cabeça para ele, uma expressão confusa.

-Meet George Jetsoon.

Eu comecei a rir da forma desafinada dele cantar. Ele largou o caleidoscópio.

-Nós vamos assistir os Jetsons agora, e só vamos parar quando você conseguir cantar a música comigo.

Eu ri e o segui. A alegria dele era realmente contagiante. E mesmo tendo perdido o controle e brigado com Tommy e preocupado meu pai, eu sabia que não precisaria me preocupar. Por que éramos amigos, e eu confiava nele.