Adivinhando o próximo passo.
Capítulo Sete
James ainda conseguiu pegar o finalzinho do treino e, apesar de não ter percebido, estava muito mais animado. Depois, durante o jantar, contou aos outros que refez a prova e que tirou 'O'.
- 'O'??? – gritou Sirius, fazendo todos escutarem – Você tirou 'ÓTIMO'??? Depois de um 'T' de 'TRASGO'??? Em uma prova surpresa????
- Obrigado por anunciar ao castelo inteiro, Padfoot. – riu James.
- Muito bem, Prongs!!! – disse Sirius, dando batidas nada leves nas costas do outro.
James notou muitos olhares na sua direção, em especial uns olhos verdes acompanhados de um sorriso tímido. Agora Evans sorria para ele? Não, devia apenas estar contente por sua intervenção ter ajudado e agora se sentiria menos culpada.
- E por que o professor te deu essa nova chance? – perguntou Remus, trazendo a mente de James de volta à mesa.
- Aí é que está, ele disse que uma garota o convenceu, mas não disse quem foi.
- Evans! – disse Sirius.
- Evans. – disse Remus.
- Trelawney. – disse Peter. – Ela é que é a namorada dele! Por que a Evans ajudaria??
- James não namora ninguém, seu rabo de verme! – disse Sirius, dando um tapa na nuca de Peter – Muito menos a louca-lunática!!!
- Ah, não?
- Não! – gritaram Sirius, Remus e James juntos.
- Então vocês também acham que foi a Evans? – perguntou James.
- Sim, por isso ela se atrasou pra aula depois. – respondeu Remus.
- É, ela deve ter se sentido culpada... – riu Sirius.
- Eu também acho isso. – concordou James.
- Ou apenas quis ajudá-lo. – discordou Remus.
- É, sei... – debochou Sirius.
- Isso não importa. O importante é que você precisa agradecer a ela.
- Ficou maluco, Moony? – questionou Sirius.
- Eu não vou agradecer nada. – disse James.
- Por quê? Seria uma boa oportunidade de falar com ela sem levar um fora ou vocês brigarem.
- Pra quê? Eu já disse que não estou mais interessado. Aquela semana louca serviu pra me fazer ver que não vale a pena. Agora o velho Potter está de volta e o castelo está cheio de gatinhas. – terminou abrindo.
- É assim que se fala, Prongs! – Sirius bateu nas costas dele novamente.
Entretanto, mais tarde James se viu indo atrás dela para fora da sala comunal e, antes que pudesse evitar, a parou no corredor.
- Evans, eu só queria agradecer por você ter falado com o professor hoje de manhã.
A ruiva arregalou os olhos, mas não parecendo confusa por desconhecer o assunto, e sim surpresa por ele saber da sua ajuda.
- O professor me contou que uma garota explicou pra ele o motivo de eu ter ido mal em algumas coisas na semana passada e como só você e a Trelawney sabiam disso, e como você se atrasou pra outra aula depois...
- Sim, eu falei com ele. – ela admitiu em um tom de voz seguro, porém suave – Não achava certo você tirar uma nota ruim por algo que nem deu certo.
- Será? – perguntou ele, sorrindo, não conseguindo se conter – Conquistar, talvez não. Mas pelo menos eu consegui te impressionar, tanto que você se deu ao trabalho de ir me ajudar, não é mesmo?
Para sua surpresa, ela riu.
- É, me impressionou sim, nunca pensei que você pudesse passar por cima do seu orgulho e detonar sua reputação em todos os aspectos. Achei que você parecer burro, além de péssimo jogador, fedorento e com péssimo gosto para garotas, já era demais. Agora pelo menos você é inteligente.
- E cheiroso. – acrescentou ele, sorrindo, apontando para o pescoço.
Evans riu e se aproximou para aspirar o perfume dele.
- É verdade, e cheiroso.
- E, a partir de sábado, ótimo jogador novamente.
- Aposto que sim. – concordou ela.
- E – continuou James, fazendo uma pausa enfática – com ótimo gosto para garotas. Na verdade, isso nunca mudou. As pessoas logo vão perceber isso. – finalizou piscando para ela.
Notou que ela parou, processando a informação e, quando entendeu que ele se referia a ela, corou levemente.
- Boa noite, Evans. – disse ele, sorridente, e depois foi embora, deixando-a ainda sem palavras.
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Para a felicidade dos alunos, a aula de Defesa Contra a Arte das Trevas naquela terça-feira não foi uma leitura chata de teoria, foi uma das aulas práticas, na modalidade Campeonato de Duelo. O professor instruiu os alunos para que formassem duplas e para que o vencedor de uma dupla duelasse com o vencedor de outra e assim por diante. Os alunos, entusiasmados e já acostumados com esse tipo de aula, rapidamente formaram suas duplas e, ao sinal do professor, iniciaram seus duelos.
James estava duelando com Peter, enquanto Sirius e Remus duelavam ao seu lado. Logo James venceu Peter e passou a duelar com um corvinal. Alguns minutos de luta depois, o corvinal perdeu e James se juntou a Sirius quando este venceu Remus. Foi então que James percebeu que Lily Evans duelava ao seu lado com outra garota.
- Você vai perder. – cochichou ele para Sirius – Assim que ela vencer o duelo.
Sirius revirou os olhos, mas não negou o pedido do amigo, que mais parecia uma ordem em tom imperativo. E, agindo conforme o plano, no exato instante em que Evans derrotou sua dupla, James lançou um feitiço em Sirius e este se deixou atingir, perdendo o duelo.
Antes mesmo que Evans pudesse pensar em com quem lutar, James já estava a sua frente, com a varinha erguida e um sorriso no rosto.
- Posso? – perguntou apenas.
- Claro. – respondeu ela.
Entretanto, James somente se defendia, o único feitiço que usava era "Protego" e a garota, de testa franzida, estava começando a estranhar.
- Por que não está atacando, Potter?
- Não posso atacar você. – respondeu sorridente, em um tom de voz que sugere obviedade.
- Não é hora para cavalheirismos, Potter, essa aula é importante pra treinarmos nossas habilidades de luta. Pode salvar nossas vidas um dia! Petrificus Totalus!
- Protego! Não se preocupe, Evans, eu sou bom nisso. – James piscou para ela.
- Bom em quê? Em se envolver em brigas ou em quase morrer? Immobilus!
- Protego! Quase morrer? – ele não entendeu.
- Sim, como se jogar de uma vassoura a uma altura suicida, você podia ter quebrado o pescoço! Impedimenta!
- Protego! Há! Você ficou preocupada comigo!
- O castelo inteiro se preocupa se um de seus alunos se machuca. – respondeu ela em tom formal. Incarcerous!
- Protego! Você ficou preocupada sim!
O feitiço seguinte foi mais perigoso que os anteriores, mas James manteve apenas seu "Protego", o que a deixou extremamente irritada.
- POTTER!! – ela gritou, frustrada.
James sorriu.
- Ah, de volta aos velhos tempos! Estava com saudades de ouvir você gritando meu nome, Evans.
- Bombarda!!!
- Protego! Uau, Evans, – James mantinha sempre seu sorriso – você quer me explodir??
- Quero que você faça alguma coisa!!
- Eu estou fazendo! Me protegendo!
- Mas assim você não tem como ganhar um duelo!
- Isso é uma aula de defesa! Então, tecnicamente, eu estou certo!
- POTTER, você é irritante!
James riu.
- O que eu fiz, Evans?
A ruiva abaixou sua varinha e respirou fundo. Deu dois passos para frente e parou diante dele. Perguntou em voz baixa:
- Se você não pretendia lutar, por que veio duelar comigo?
James respondeu também em voz baixa, ao ouvido dela, de forma que as outras pessoas ao redor não pudessem ouvir:
- Porque só duelando ou brigando você me dá atenção.
A reação nela foi instantânea: rosto corado, olhos arregalados, boca entreaberta sem palavras. James pôde ver que finalmente ela entendeu o motivo dele estar sempre criando situações que a irritam, que a fazem brigar com ele. Ele abriu um sorriso tão feliz e sincero que a fez corar ainda mais. Então algo inimaginável aconteceu: Lily Evans abandonou uma aula. Simplesmente saiu de sala, sem nem se explicar ao professor.
James parou de duelar, mas não foi atrás dela. Juntou-se aos demais alunos que apenas assistiam os duelos remanescentes.
- O que você está fazendo? – perguntou Sirius.
- Deixando ela ir, ela precisa de um tempo.
- Prongs está certo, é melhor deixá-la sozinha. – concordou Remus.
- Acho que estamos evoluindo. – disse James, sorridente.
- Não estou falando disso!! E aquela estória de – Sirius mudou sua voz para um tom de deboche – "eu já superei ela, não estou mais interessado, aquelas loucuras me mostraram que não vale a pena!"????
- Isso foi antes dela mostrar que se importa comigo. – respondeu, ainda sorridente.
- Ela mostrou ou você deduziu daquele jeito simples de ver a vida do tipo: ela diz que te odeia e você diz que ela te ama? – zombou Sirius, porém num tom de voz um pouco mais sério que o normal.
- Ela mostrou sim, e dessa vez eu tenho até uma lista, Padfoot! Mostrou ontem quando fez o professor de Poções me dar uma segunda chance, hoje quando deixou escapar que ficou preocupada quando eu caí da vassoura e agora quando não ignorou o fato de eu gostar dela, muito pelo contrário, saiu correndo como uma garotinha confusa.
- Prongs! Acorda! Ela é Lily Evans! Se preocupa com as notas e a saúde de qualquer um! E saiu porque não suporta você!
James desfez o sorriso imediatamente. Seu primeiro impulso foi de brigar com Sirius, mas logo entendeu o motivo de seu amigo estar assim.
- Sirius, eu sei que você está preocupado comigo, mas fica tranqüilo, eu não vou fazer nenhuma outra burrada por causa dela. Agora pára de me detonar! Um pouco de apoio não faria mal!
- Eu já apoiei essa sua obsessão por tempo demais!
Para a sorte deles, o professor estava bastante entretido com os duelos para perceber aquela discussão ao fundo da sala.
- Padfoot – interveio Remus – nem sempre persistência é obsessão. E pela primeira vez estamos vendo uma reação por parte dela. Então se James acha que vale a pena insistir, não vamos tentar detê-lo.
- Certo. – disse Sirius, totalmente contrariado – Mas depois não venha choramingar comigo!
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Lily Evans compareceu à aula seguinte, porém apenas fisicamente, sua mente parecia não tê-la acompanhado. Não interagia com seus amigos, não parecia prestar atenção na aula, não esboçava emoção alguma. Parecia apenas pensativa.
Exceto por um momento em que notou o olhar de James sobre ela e corou instantaneamente.
A garota permaneceu nesse estado meio catatônico durante o almoço, as aulas da tarde e o jantar. Passou o resto da noite isolada em seu quarto.
O café da manhã de quarta-feira não foi muito diferente, exceto, mais uma vez, quando James a fez corar por estar olhando para ela. As aulas da manhã seguiram o ritmo catatônico.
Após o almoço, entretanto, algo a fez acordar.
James estava à mesa da Grifinória, apesar de já ter terminado seu almoço, conversando com seus amigos, quando uma garota parou atrás dele e o chamou.
- Precisamos conversar. – disse ela.
- Trelawney, eu já disse que não-
- Que tal um lugar mais reservado? – interrompeu ela, com seu tom etéreo.
O maroto se levantou, impaciente, e a seguiu até um lugar mais deserto, próximo à saída do salão principal.
- James Potter, querido, eu tenho mais uma previsão para você! – disse ela animadamente, como quem entrega um presente.
- Trelawney, eu já disse que não vou mais seguir suas predileções! Elas só me ferraram!
- Não se preocupe, querido, essa é apenas uma boa notícia. – ela sorria debilmente.
- E o que é? – perguntou impaciente.
- Você a beijará antes de a primeira lua cheia do mês refletir seu luar no lago.
Sem saber ao certo o que ela queria dizer com aquela frase sem sentido, James não disse nada, apenas a encarou de olhos estreitos e testa franzida.
- E depois eu vou querer meus créditos por tê-lo ajudado a conquistá-la através da divina arte da Adivinhação!
James riu. Como aquela louca poderia achar que tinha mesmo ajudado em algo? As coisas só tinham começado a dar certo a partir do momento em que ele parou de ouvir suas predileções lunáticas!
- Potter e Trelawney! – disse Evans, com um sorriso sarcástico, parando ao lado dos dois. Os braços cruzados sobre o abdômen.
O maroto estivera tão distraído que nem percebeu a ruiva se aproximar.
- Olá, Evans. – cumprimentou a outra, em seu tom suave e etéreo.
Surpreso, James não soube o que dizer.
- Alguma previsão divertida? – perguntou Evans, sarcástica.
- Oh, querida, não sabia que você se interessava pela divina arte da Adivinhação! – os olhos arregalados de Trelawney pareciam brilhar.
- Nem eu sabia que Potter se interessava.
O rapaz abriu a boca para responder, mas novamente não soube o que dizer. Um silêncio incômodo reinou por alguns segundos.
- Desculpem-me por interromper, vou deixá-los continuar a divertida conversa. Até mais. – disse Evans, com um tom de voz áspero, antes de se virar e ir embora.
James olhou para a outra, claramente sem entender o que tinha acabado de acontecer.
- Ela sentiu ciúmes. – explicou Trelawney.
- O quê?! De nós dois?! Da onde você tirou essa idéia? – James riu novamente – Vai dizer que intuição feminina também é uma divina arte de Adivinhação??
- Na verdade sim. – respondeu ela seriamente – E o fato de você estar rindo comigo de novo só está aumentando o ciúmes nela.
O riso cessou imediatamente. James franziu a testa mais uma vez e olhou para trás há tempo de ver a ruiva os observando com uma expressão nada feliz antes de disfarçar desviando o olhar.
- Lily Evans está com ciúmes de mim. – James pensou em voz alta, então segurou os braços de Sibila Trelawney e disse para ela – Lily Evans está com ciúmes de mim!
- Sim, James Potter querido, quer uma consulta para adivinhar qual deverá ser o seu próximo passo?? – sugeriu ela, com seu tom suave e etéreo.
- Não. – respondeu, soltando a outra – Acho que posso adivinhar esse sozinho.
E, abrindo um sorriso, gesticulou um "até mais" para a garota e foi embora.
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Na aula seguinte, após o almoço, James se sentou atrás de Lily Evans.
- Olá, Lily.
A garota olhou para trás e corou levemente.
- Olá, Potter. – respondeu, sem reclamar por ele tê-la chamado pelo primeiro nome, e voltou-se para frente de novo.
James se debruçou em sua mesa para falar ao ouvido dela.
- Só queria que você soubesse que eu não tenho nada com a Trelawney.
Notou que o tom de pele dela ficou mais avermelhado ainda. Ela ameaçou responder algo, mas o professor começou a aula e ela desistiu de responder. Notou, ainda, que a ruiva ficou tensa durante toda a aula.
James obviamente não conseguia prestar atenção alguma na aula, parecia estar totalmente hipnotizado pelos cabelos vermelhos a sua frente, que uma vez ou outra dançavam sobre sua mesa. Para sua infelicidade, toda vez que tentava tocá-los a garota inclinava-se para frente, debruçando-se sobre sua própria mesa.
Ao fim da aula James permaneceu sentado e esperou que ela se levantasse e se virasse para sair, quando inevitavelmente ficaria de frente para ele.
- Até mais, Lily. – disse somente.
Claramente envergonhada, ela apenas respondeu "Até mais, Potter" e saiu, sem reclamar, sem contestar, nada.
James estava tão feliz que até mesmo havia se esquecido de que dia era aquele. Foi apenas durante o jantar que notou a ausência de Remus.
- Fica mesmo sonhando com a sua princesa encantada e esquece os amigos! – dramatizou Sirius.
- Do que você está falando??
- Da lua cheia, eu acho. – respondeu Peter.
- Começa hoje?? – perguntou James, atordoado.
- Sim, seu cabeça-oca! – disse Sirius, dando um tapa na nuca do outro – E isso significa que assim que terminamos o jantar nós vamos você-sabe-pra-onde!
- Não. – disse James, encarando a mesa.
- Como não?? – Sirius estava ficando ainda mais irritado.
- "antes de a primeira lua cheia do mês refletir seu luar no lago"... – repetiu James, pensando em voz alta – É hoje!!
- O quê??? Você ficou lunático também? Eu sabia que era contagioso!
- Não! Hoje eu não vou pra Casa dos Gritos, sinto muito, pessoal.
Enquanto Peter tinha uma expressão de "Ah?", Sirius expressava um "Como não?" seguido de um xingamento.
- Preciso ir, vejo vocês ao amanhecer.
Rapidamente James chegou ao seu quarto, pegou o mapa do maroto e o abriu em sua cama. Não precisou procurar, pois sabia que ela ainda estava no salão principal. Precisava pensar no que faria, como a abordaria, onde falaria com ela, o que falaria. Putz, não estava preparado pra isso ainda naquele dia. Passou as mãos pelos cabelos desordenados. Começou a andar de um lado para o outro no quarto, tentando organizar os pensamentos, mas todos passavam a toda velocidade, alguns conexos, outros não, alguns apenas para descartar os anteriores.
Se ela ficasse no quarto após o jantar como havia feito na noite anterior ele teria um problema, precisaria pensar em algo para tirá-lo do quarto. Talvez um bilhete, pedindo para encontrá-lo. Mas e se ela não fosse?
Se ela ficasse na sala comunal poderia ir falar pessoalmente com ela, mas não lá, precisaria tirá-la de lá e provavelmente ela não gostaria nada de ser vista saindo da sala comunal acompanhada dele. Talvez se pedisse para ela encontrá-lo em outro lugar ela iria. Mas e se o ignorasse?
Se ela fosse para algum outro lugar do castelo ele a seguiria.
Olhou pela janela e ainda não havia lua, o sol ainda estava se pondo. Olhou ao seu redor, não sabia o que fazer. Iria enlouquecer se ficasse ali parado esperando. Resolveu tomar outro banho. Boa idéia, assim iria relaxar, arrumar o cabelo, trocar de roupa, se perfumar e depois iria atrás dela.
E assim fez. Tirou a roupa, jogando-a de qualquer jeito pelo chão, entrou de cabeça embaixo do chuveiro gelado pra amenizar a adrenalina e, em seguida, esquentou um pouco a água, deixando a água morna cair sobre seus ombros para relaxar.
Após, já lindamente arrumado e irresistivelmente perfumado, procurou por ela no mapa. Não estava no quarto. Ótimo, um problema a menos. Não estava na sala comunal. Bom também, fora da Torre seria mais fácil. Entretanto, procurou-a por um bom em todos os recintos do enorme castelo sem encontrá-la.
Olhou pela janela novamente e viu que a lua cheia começava a surgir na linha do horizonte. De repente a frase insana da lunática começou a fazer sentido para ele: Precisava estar com ela antes de a lua estar alta o suficiente para ter seu luar refletido no lago.
O lago.
Foi então que resolveu procurar por ela nos arredores do castelo. Abriu um enorme sorriso ao encontrá-la nos jardins. Parecia que os deuses estavam conspirando a seu favor.
Largou o mapa de qualquer jeito sobre sua cama e saiu, descendo aos pulos as escadas, atravessando a sala comunal como um furacão e correndo pelos corredores da escola. Logo atravessou as portas duplas de entrada e chegou aos jardins. Parou, respirou fundo, ajeitou seus óculos, arrumou sua roupa e desarrumou o cabelo. Caminhou até os balanços do Sirius e sentou-se ao lado dela. James não pôde ver a reação dela, pois ela não levantou o rosto, continuou a encarar a grama, pensativa.
- A previsão de hoje é uma bela noite de lua cheia. – disse ele somente.
- Previsão do tempo? Você está parecendo um noticiário trouxa. – ela respondeu, ainda encarando a grama, mas com a testa franzida.
- Não. Previsão da "divina arte da adivinhação". Foi isso que a Trelawney veio me dizer hoje no almoço.
Confusa, ela finalmente o encarou.
- Por que ela lhe chamaria pra dizer isso?
- Porque ela gosta de fazer previsões. – James sorriu.
A ruiva não contestou a resposta dele. Sem saberem o que dizer, ambos permaneceram em silêncio, que só foi quebrado alguns minutos depois por ela.
- É verdade mesmo? – perguntou Lily.
- O quê? – perguntou James, num tom suave.
- Que você fez tudo aquilo por mim?
- Sim. – ele sorriu novamente.
- Eu não entendo. Você se afundou nos estudos, no esporte, afundou sua reputação e fez tudo isso por uma garota que mal conhecia e que sempre te tratou muito mal. Por quê?
- Não precisa entender, eu também não entendo.
De repente ele saiu do balanço e se abaixou em frente a ela, com um joelho no chão, e segurou as mãos dela. Sabia que se tivesse dito há algum tempo atrás o que iria dizer agora ela teria rido, achando que era alguma brincadeira de mau gosto dele. Mas, com os últimos acontecimentos, ela havia percebido que tudo o que ele fazia era por gostar dela. Sabia que agora ela estava pronta para acreditar nele.
- Olha, Lily, eu entendo porquê você me tratava mal, eu era um babaca, eu sei disso. Mas quando a gente conhece alguém especial não quer mais ser um babaca, quer ser tudo o que essa pessoa precisa. E o que eu quero é ser tudo o que você precisa.
James percebeu que as mãos dela tremiam levemente entre as suas. Ela estava boquiaberta, totalmente deslumbrada.
Seus olhos arregalados mostravam um olhar profundo que o fez perceber que ele não levaria um fora daquela vez. Era como se a tivesse enfeitiçado. Notou que a respiração dela havia se intensificado, provavelmente o coração dela estava batendo tão rápido quanto o seu.
- James eu...
James sorriu. Ele não precisava ouvir o resto, mesmo que ela conseguisse dizer. Ela o havia chamado pelo nome pela primeira vez e isso era tudo o que ele precisava ouvir.
- Lily, você quer sair comigo?
A ruiva sorriu, encantada.
- Sim, eu quero.
Ele rapidamente se levantou e, ainda segurando a mão dela, disse:
- Então vem comigo.
- O quê? – Lily estranhou – Agora?! Você quer sair agora?!
- Sim, vem!
Ela se levantou e James a puxou pela mão correndo na direção de volta para o castelo, porém parou mais a frente, quando chegou à margem do lago. O maroto puxou sua varinha e conjurou velas acesas no ar, inclusive flutuando sobre a água. Em seguida conjurou um piano e o enfeitiçou para tocar suavemente. Enfeitiçou também a grama, para parecer que eles andavam sobre um piso liso. Guardou a varinha e ofereceu a mão a ela.
- Dança comigo?
Ainda meio extasiada, Lily se aproximou lentamente e pegou a mão dele. Os olhos verdes brilhante com o reflexo das velas. Ele a segurou pela cintura com a outra mão e os dois começaram a valsar, rodopiando pelos jardins ao som daquela suave melodia, à luz de velas.
James não sabia dizer quem estava mais fascinado com aquele momento: se era ela, por descobrir este lado romântico e apaixonado de James Potter, ou se era ele, por finalmente ter a garota dos seus sonhos nos seus braços.
Até que ele parou, olhando dentro dos olhos dela e segurando sua cintura com firmeza, como se tivesse medo de que ela fugisse. Apesar de receoso, aproximou seu rosto do dela e... ela o beijou.
Um beijo longo e profundo e ansioso e apaixonado.
Quando finalmente se afastou dos lábios dela, James sorriu. Ela finalmente queria aquilo e, melhor ainda, queria tanto quanto ele. Então James notou que a luz do luar começava a se refletir nas águas espelhadas do lago.
James riu.
FIM
N/A: Queridos leitores, apesar de pensar muito sobre o assunto, eu não consegui classificar a Sibila em uma das casas de Hogwarts. Nem mesmo quis colocá-la em nenhuma cena em aula para não apresentá-la como aluna, afinal Sibila é apenas um ser etéreo vagando pelo castelo e fazendo predileções sem sentido. Hahaha.
Foi mt gostoso escrever esta fic! Obrigada pelos reviews!
Agradeço tb aos que não deixam reviews, mas adicionam a mim e a minhas fics como favorites!
Deixem reviews sobre este final e até a próxima!
Beijos!
