Capítulo 7
Por sorte, naquela viagem não tinha feito nenhum ferimento mais sério, mas os responsáveis pela brincadeira de mau gosto receberam uma bela bronca da diretoria. O pior machucado que tinha ficado foi dentro de si. Alfred estava estranho: sempre que chegava perto, ele se afastava; quando tentava falar com ele, uma desculpa era inventada para que saísse de perto... Isso o entristecia. E fazia questão de todo dia levar o embrulho do presente que comprara tão discretamente na loja para tentar entregar ao americano. Até agora, sem sucesso.
Estremeceu, ajeitando o casaco contra o corpo. O tempo ficava cada vez mais frio; quando o inverno chegasse ficaria difícil ir ao telhado. Mas não fazia mais diferença, tinha tomado um gosto diferente pelo local devido à companhia do estadunidense. Sem ele, parecia que... perdia o sentido.
Arthur estava acompanhando o japonês a todo momento e temia que aquela tristeza se tornasse incurável. Chegou a tentar mandar fazê-los alguma tarefa juntos, só que Alfred não contribuía. Ficou tratando Kiku de modo frio e distante, quase como se... estivesse sem graça. Mas ele era idiota. Idiotas não sentiam vergonha. Não tinha alternativa a não ser pressioná-lo.
- Alfred.
- Oh, professor! – Olhou para os lados, já procurando o oriental. Estava se sentindo um inútil, não conseguia nem protegê-lo e, agora, nem mesmo olhá-lo nos olhos. – Posso ajudar?
- Quero conversar contigo.
Como os períodos das aulas tinham terminado, Arthur voltou para dentro da sala da qual o americano saíra anteriormente, fazendo-o dar meia volta. Fechando a porta, assustou-se com a mão que fora colocada fortemente ao lado de sua cabeça, batendo na pobre entrada como se ela tivesse culpa de algo.
- O-o que foi?
Franziu o cenho, sem entender o motivo daquela violência. Se fosse algum problema, bastava falar!
- Você não ouviu mesmo o que eu disse, não é? – Estreitou os olhos, com certa raiva. – "Você é a pessoa mais próxima a ele. Fique atento para não deixá-lo se machucar. E não o machuque."
O mais novo relaxou a expressão e lembrou-se. É, tinha recebido um pedido para cuidar do nipônico... E só fez com que o menor se machucasse. Recordava-se bem do clube de baseball e da excursão escolar. Fazendo bico, emburrado, Alfred cruzou os braços e ficou em silêncio. Era um péssimo "herói" – não conseguia nem mesmo proteger a pessoa mais próxima de si.
- Ah… – afastou-se, utilizando-se de uma pose arrogante e altiva. – Se você não acordar, eu vou roubar ele de você.
Soltou naturalmente, empurrando-o do caminho e seguindo pelo corredor. Só à medida que ia andando que a ficha do que fizera caiu. Arthur ficou com o rosto tão quente que podia sentir a fumacinha saindo de sua cabeça, precisando se apoiar em uma das paredes para não cair.
Do que estava falando?
Ele e... Kiku?
Colocou ambas as mãos espalmadas no concreto, batendo de leve a testa ali uma única vez. Riu repentinamente. Até parecia. Ideia absurda! Não desagradável, porém, absurda.
Só esperava que eles não tivessem ouvido. Mas isso era querer se enganar. Eles sempre ouviam.
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Alfred estava realmente irritado, andando de um lado para o outro dentro da sala de aula, buscando assim se acalmar. Quem aquele professorzinho pensava que era para falar daquele jeito? Bagunçou os cabelos loiros, após largar a mochila no chão, agachando-se de cócoras.
Suspirou, deixando os braços apoiados nos joelhos. O pior era que, passado a irritação, não tinha mais ânimo de lutar. Até agora só tinha machucado o nipônico e, mesmo com toda solidão que sentia e que ele fosse seu único amigo — amigo de verdade – achava que seria melhor Arthur roubá-lo. Essa imagem era nojenta, mas o britânico ao menos o protegia direito. Algo que Alfred, como herói auto-declarado, não conseguia.
- Kiku...
Murmurou, mesmo que ninguém viesse a ouvi-lo. Escondeu o rosto; sabia que o que estava fazendo era egoísmo... Por enquanto o japonês ainda gostava de si. Porém, só por enquanto. Quando ele se cansaria? Quando iria deixá-lo sozinho?
- I'm afraid...
E realmente estava assustado, com medo e receoso, enterrando a cabeça entre as mãos. Todavia... se fosse para ser abandonado mais tarde, preferia se afastar agora. Pouparia a dor e o sofrimento.
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O anjo estava se controlando, mas ficar preso naquele corpo carnal não fazia bem para sua alma. Sujeito a todos os sentimentos humanos, ficava cada dia mais complicado olhar para Kiku e reprimir aquela vontade de consolá-lo e fazê-lo esquecer todos os problemas. Alfred continuou a evitá-lo e ver o japonês com uma expressão tão triste partia-lhe o coração. Com as provas se aproximando, as aulas terminavam mais cedo, então, Arthur aproveitou um desses dias para se aproximar de seu protegido.
- Kiku, tem um tempo?
No início, ficava incomodado com aquele jeito tão íntimo de ser tratado, mas a essa altura já tinha se conformado que Arthur era um dos únicos "amigos" que lhe restara. Desde que dentro da sala de aula ele não lhe chamasse daquele modo, ficaria tudo bem; logo, se forçou a abrir um sorriso leve para o inglês, fazendo uma breve reverência ao mesmo.
- Olá, Arthur-sensei. Tenho sim... Precisa de ajuda em algo? - indagou sem se preocupar com o tempo, visto que as saídas para as lojas de revistas ou jogos nunca mais aconteceram após a excursão. Ajeitou o cachecol contra o pescoço; o inverno já havia chegado e praticamente todas as árvores estavam desfolhadas. Isso era um tanto quanto... solitário.
- Hn, não exatamente. Queria que viesse comigo a alguns lugares... Tem problema?
- Creio que não.
Em algum momento, poderia ter desconfiado de Arthur, mas passou. Sentia que ele não lhe faria mal; confiava nele, por mais suspeito parecesse certas vezes. Talvez fosse o choque cultural que lhe desse aquela impressão. Sem hesitar, não muito preocupado com suas notas – que se mantinham altas, já que era uma das coisas que mais se esforçava – seguiu o mais velho. Já entrara naquele carro diversas vezes e estava até mais à vontade, sem se forçar a falar algo para quebrar aquele silêncio. Não via necessidade: era confortável estar ali. O carro estava quente – embora não tivesse retirado os agasalhos – e Arthur colocara uma música em inglês para tocar no aparelho de som. Cada qual com seus pensamentos, sem precisar manifestá-los.
A primeira parada do britânico foi uma cafeteria. O ambiente era simples, pequeno e aconchegante, com mesas redondas de madeira disposta pelo local e um balcão com vários doces e salgados expostos atrás do vidro e alguns bancos. Além de café, também serviam chás variados, o que estava mais dentro do gosto do nipônico – e de alguém que deveria ser um inglês.
- Anno... – Virou-se para o maior após ver onde estavam. - Sensei?
- Peça o que quiser. É por minha conta.
Dito isso, o loiro se sentou em um dos bancos, esperando o nipônico fazer o mesmo. Ainda que sem graça, imitou-o e pediu chá de morango e um pedaço de pudim, os quais logo foram postos à frente do oriental pela atendente. Arthur optou somente por um chá preto para aquecer o corpo.
- Não vai pedir nada para comer, sensei?
- Fora da escola, me chame pelo nome, Kiku – suspirou, apoiando o rosto em uma das mãos. – Não estou com fome. Mas vou pedir algo para te acompanhar.
E assim o fez, logo recebendo um pedaço de bolo de morango. Sabendo que o japonês gostava dessa fruta, retirou a que ficava em cima da cobertura, colocando no prato dele. Os olhos castanhos fitaram-no interrogativamente, mas apenas sorriu e, em silêncio, passou a aproveitar sua refeição. Kiku murmurou um "obrigado" e, constrangido, fez o mesmo.
Após tomarem o chá, voltaram ao carro já que o loiro prometera levar o japonês em casa depois de passar em um último local. Por ser inverno, a noite cairia mais rápido, então, teria de ser rápido – apesar de não ver problema, já que protegeria o moreno a todo custo. O lugar em que Arthur queria ir não era tão longe, na verdade, uma praça mais erma. Descendo do carro, guiou o menor pela mão pela trilha que havia entre as árvores, seguindo até uma espécie de mirante que dava vista para o outro lado da cidade.
As luzes brilhavam, iluminando a noite fria que caíra, dando à paisagem uma magia sem igual. Mesmo com as bochechas coradas pela baixa temperatura e a respiração quente visível ao se mesclar com o ar gelado, por um momento Kiku esqueceu-se disso tudo. Era realmente bonito, nem reparou nos olhos marejando ao pensar que gostaria que Alfred também visse aquilo. O nipônico aproximou-se da grade de segurança, pousando as mãos ali, assustando-se quando uma lágrima caiu no dorso da mão enluvada.
- E então, Kiku? O que ach...
Virou-se para o outro. Tinha ficado a observar a paisagem até então, sentindo um aperto no coração ao vê-lo tentando enxugar as lágrimas. Estava tentando animá-lo e acontece aquilo? Sem dizer nada – tinha conhecimento de que o menor não queria demonstrar estar triste – apenas caminhou silenciosamente para perto dele, envolvendo-o pelos ombros e trazendo o corpo frágil para perto de si. Sentiu o aroma inebriante dos cabelos escuros e isso foi sua perdição.
Há dias estava se controlando. Controlando para não bater em Alfred, para não cumprir o que dissera sobre roubar o japonês para si, porém, estava difícil. Suspirou pesadamente, inclinando-se de modo que seus lábios ficassem ao pé do ouvido do outro.
- Desculpe-me...
Kiku tentou se voltar para trás e ver pelo que ele pedia desculpas, mas os braços o seguravam forte, impedindo-o. O tom de Arthur então mudou, tornou-se envolvente e parecia ressoar à distância, por mais que o hálito quente batesse em seu pescoço.
- Com os poderes a mim delegados, digo que irá se apaixonar pelo primeiro que seus olhos virem passar.
O loiro arfou. Era extremamente desgastante usar seus poderes preso naquele corpo, mas necessário. Carinhosamente cobriu os olhos do oriental, virando-o para si.
- Arthur-san? P-pelo quê pediu desculpas? O que é isso...?
Quando Kiku assustou, suas mãos estavam apoiadas no tórax do maior; e, sendo-lhe permitido enxergar, arregalou os olhos castanhos quando o viu perto demais. O loiro cobria-lhe os lábios com os próprios, só que estranhamente não estava com raiva e nem vontade de se soltar. Gostou de ser beijado, o que arrastou toda e qualquer preocupação de outrora para um recanto sombrio de sua mente.
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Alfred tinha passado a observar Kiku de longe e agora estranhava o comportamento do oriental. Se antes ele sempre vinha a sua procura, toda essa atenção foi descartada e voltada para outro alvo: Arthur Kirkland. Essa mudança era no mínimo estranha, ainda mais pelo japonês estar parecendo um idiota toda vez que conversava com o inglês. Não era assim. Ficara desse modo desde aquele dia em que vira o colega saindo com o mais velho após um dia de aula, então tinha certeza de que Arthur aprontara algo. A questão era: o quê?
O americano riu, não era como se Arthur tivesse poderes ou coisa assim... Era absurdo cogitar essa possibilidade! Só restava perguntar. Não queria se intrometer na vida do nipônico – por mais que sentisse falta de conversar com ele, de lancharem e voltar para casa juntos – mas estava realmente preocupado.
Adentrando a sala 1-A, no final do período de aulas, não demorou muito para achar quem queria. Seguiu até a carteira em que o japonês se sentava, ficando parado em frente a mesma, pensando em como indagar o que queria.
- Kiku... – coçou a bochecha, sorrindo sem graça. – Será que poderíamos conversar?
Os olhos castanhos demoraram a fitá-lo, mas logo seu dono esboçou um sorriso tão constrangido quanto o de Alfred.
- Desculpe. Tenho um compromisso agora... Depois, certo?
O mais alto tentou falar algo, porém não conseguiu, pois o oriental já tinha se levantado e estava na porta. Franzindo o cenho, foi atrás, com os punhos cerrados ao lado do corpo, apesar de manter-se a certa distância. Quando o rapaz adentrou a área do estacionamento, o loiro parou, ficando a encarar boquiaberto a cena que vira. Arthur realmente roubara Kiku! Aquilo era pedofilia!
Oh, não, espera. Kiku não era tão pirralho assim, apesar da carinha de criança enganar. Escondeu-se atrás da porta, ficando a observar com um olhar de poucos amigos, tentando ouvir sobre o que os dois falavam – sem sucesso devido à distância.
- Amanhã não tem aula. Quer fazer algo, Kiku?
- Seria divertido... P-podíamos ver um filme. Baixei um ontem! Aquela versão de Orgulho e Preconceito que você comentou outro dia...
Arthur riu baixo, pousando uma das mãos no topo da cabeça do menor e afagando-lhe os cabelos. Era tão fofo! Alfred podia não ouvir, mas rangeu os dentes quando viu aquilo, pensando que eles estavam perto demais! E, ei! O que era aquilo? Antes que pudesse fazer algo, o carro partiu carregando ambos para a casa do oriental.
- Seus pais não vão se incomodar?
- Ah, esse final de semana vou estar sozinho... Creio que não tem problema. Só vão voltar domingo à noite, eles fizeram uma viagem.
O britânico concordou, prestando atenção na estrada. A casa do aluno nem era tão longe, não demoraram muito a chegar. Após estacionar, ambos saíram do carro, então, Arthur o trancou. Kiku caminhou na frente, abrindo a porta e deixando o maior passar, retirando os sapatos e esperando que Arthur o imitasse.
Como dentro da construção era bem mais quente, retiraram os agasalhos e deixaram no cabideiro. O anfitrião mandou o mais velho ir subindo enquanto preparava um lanche: chá e bolinhos com geleia. Mais tarde, caso sentissem fome, poderia fazer o jantar. Dispondo tudo sobre uma bandeja de madeira, subiu as escadas e adentrou o quarto, local onde o inglês estava parado no centro, observando tudo.
O quarto em si era simples e a cara de um adolescente. Abrindo a porta corrida, logo à frente uma janela e em uma das paredes laterais estava encostada uma cama e, adiante desta, o guarda-roupa embutido. Próximo a janela ficava a escrivaninha em formato de L, com um espaço livre para estudar e muitos mangás, figuras de personagens e um computador. E Arthur tinha certeza de que o nipônico tinha mais daqueles quadrinhos guardados em caixas.
Kiku adentrou o local, abaixando-se perto da pequena mesa de centro, fechando os livros que estavam sobre a mesma e colocar o lanche.
- Se preferir, podemos ver o filme lá na sala... Eu o coloco em um pendrive que passará no aparelho de DVD.
- Vamos lanchar primeiro. Depois decidimos.
O moreno concordou, esperando que o outro se acomodasse para que se servisse. Ficou um pouco nervoso ao se dar conta da situação em que estava: Arthur não era um simples amigo. Era seu professor e, ainda por cima, tinham uma relação mais íntima do que deveriam. Agora estavam sozinhos em um ambiente fechado, parecia até cenas de mangás românticos. Suspirou, ouvindo um riso em seguida.
- O que foi? – Franziu de leve as sobrancelhas.
- Nada – ainda com uma expressão divertida, apoiou a mão próxima ao corpo do oriental, inclinando-se em sua direção. – Deveria tomar mais cuidado, Kiku. Seu rosto está sujo.
Sussurrou, usando as pontas dos dedos para segurar-lhe o queixo, lambendo o canto dos lábios do outro para retirar a geleia de morango que ficara impregnada no local. A face do nipônico ficou extremamente rubra e, deixando devidamente o copo de porcelana sobre a mesa, afastou-se, colocando uma das mãos sobre o local.
- M-mas o quê...?
Arthur deu de ombros.
- Estava te limpando.
Kiku abaixou os olhos e colocou as mãos sobre o peito, sentindo o coração bater acelerado. Os olhos verdes se fixaram nele e foi inevitável o próprio Arthur ficar sem graça, pois aquela expressão era irresistível – e tinha se controlado bem até agora, mas naquela forma, cada vez mais perto, mais difícil fazê-lo. Os minutos correram naquele mesmo silêncio e escurecia lá fora, o que despertou o oriental para a iluminação precária. Se ficasse escuro com os dois daquele jeito, não mentiria: sabia o que poderia acontecer.
- Hahah... – riu nervoso. – Está ficando escuro, não? Vou ligar a luz.
Levantou-se, porém, o loiro o segurou pelo pulso, puxando-o a si. O anjo sempre tentou fazer tudo corretamente, queria ignorar isso ao menos uma vez, mesmo que se arrependesse depois. Mesmo sabendo que aquele amor era tudo uma mentira sustentada por ninguém além dele... Só queria ter Kiku para si. Somente para si, nem que fosse uma única vez.
Com as pernas bambas, o menor caiu ajoelhado próximo ao mais velho, abraçando-o pelo pescoço. Arthur nunca avançara demais, poucos beijos, poucos toques; sentia certa falta de receber amor, estava carente e queria aquela atenção, por mais errado que lhe parecesse. Agora o loiro parecia quase que agressivo, beijando demoradamente enquanto prendia o oriental contra a beirada da cama. As mãos passeavam apressadas por seu corpo, retirando-lhe a gravata e abrindo os botões da blusa social, os lábios logo descendo pela pele exposta, marcando-a de modo atrevido.
Kiku apenas se deixava levar. Nem se lembrava ao certo quando foi posto sobre o colchão e o mais velho se colocou entre suas pernas. Não conseguia raciocinar, seu corpo parecia levado por uma força maior, atraindo-se ao de Arthur sem pensar no amanhã.
Mas algo parecia errado, faltando.
Se estava se entregando a quem amava, não deveria se sentir tão vazio... Deveria?
Agarrando-se aos ombros de Arthur, apertou-o contra o peito, querendo ocultar suas lágrimas. Arthur logo percebeu, erguendo-se o suficiente para fitá-lo e beijar as pálpebras fechadas do menor.
- Desculpe... Está doendo?
Não conseguiu responder. Apenas soluçou, afundando a face contra a curva do pescoço do inglês e aspirando seu aroma como se tudo dependesse daquilo. Arthur apenas o abraçou com carinho, acreditando que finalmente se tornavam um só.
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Acabaram dormindo sobre a mesma cama estreita de solteiro, passando a noite juntos. Foi Arthur quem acordou primeiro, sabendo que estava encrencado, terminando de se vestir quando o oriental despertou. Coçando os olhos, apoiou-se no braço livre, sonolento.
- Arthur-san...? – Sussurrou, sentindo a garganta arranhar.
- Desculpe! Te acordei?
Balançou a cabeça negativamente, sentando-se e puxando a coberta para esconder o próprio corpo.
- Eu... preciso dar uma saída. Desculpe, realmente me desculpe por não ficar aqui – suspirou, aproximando-se do nipônico e segurando-lhe a nuca em um toque firme. – Eu... amo você, Kiku.
Com um beijo rápido, despediu-se, saindo sem esperar resposta pela porta. O japonês se encolheu, abraçando desolado as próprias pernas – não era aquilo que esperava. Bem, não podia ficar deprimido: Arthur era um adulto, deveria ter outros assuntos a resolver. Pensando nisso, ficou de pé, lavando-se e colocando uma muda limpa de roupa para preparar o café da manhã. Enquanto limpava a bagunça da noite anterior, ouviu o celular tocar, rapidamente indo ver o que era. Raridade, aquilo!
Ficou surpreso ao se deparar com uma mensagem de Alfred. Sentiu-se um pouco culpado, já fazia um tempo que não conversavam... Mas, se ele o chamava para ir na casa dele, não custaria nada. Talvez pudessem se acertar de vez.
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Penúltimo capítulo~ Sim, o próximo é o último.
Beijos.
