Precisei dividir o capt em duas partes por causa do tamanho. (:
Capítulo 07 - Graduation
Parte I
Dino retornou à Itália após quatro dias.
O italiano pretendia permanecer por muito mais tempo, mas um telefonema de um de seus tios o fez adiantar sua volta, mesmo a contra gosto. Os dias que ainda permaneceu em Namimori passaram rápidos, porém, foram muito bem aproveitados.
Depois da estranha, mas esclarecedora tarde na nova casa de Dino, as coisas tornaram-se um pouco diferentes. Os dois rapazes só se despediram naquele dia quando Romário apareceu para buscar seu Chefe, ralhando com praticamente todos os subordinados que estavam presentes e que não se deram ao trabalho de avisá-lo de que seu precioso Chefe estava bem, entretanto, só retornaria ao anoitecer para o Hotel. O humor do braço direito dos Cavallone só melhorou quando ele olhou pelo retrovisor e viu Dino sorrindo enquanto encarava a paisagem pela janela do carro. Os homens que ficaram do lado de fora da casa o avisaram sobre a visita de Hibari, mas quando Romário entrou na casa o moreno já havia ido embora, provavelmente pela porta dos fundos.
Não foi preciso adivinhar que o Guardião da Nuvem era responsável por aquele sorriso.
Porém, o sonho do italiano durou pouco, mais especificamente uma noite. Na manhã seguinte, Dino não perdeu tempo e pediu que o dirigissem para o Colégio Namimori após o almoço (ele teve duas reuniões pela manhã e Romário deixou bem claro que não importasse qual fosse o assunto de seu Chefe, ele só seria resolvido depois do trabalho). O louro sabia que Hibari tinha as tardes de quarta-feira livres, e ao chegar em frente a sala, o italiano simplesmente abriu a porta e cometeu o mortal erro de se anunciar. Um dos tonfas do moreno acertou-o em cheio na testa, fazendo-o cair para trás e do lado de fora da sala.
- Feche a porta enquanto fica estatelado no chão, estou ocupado - O Guardião da Nuvem voltou calmamente ao seu trabalho, como se nada tivesse acontecido.
Dino jamais se daria por vencido. Aquela não era a primeira vez que ele era recebido com aquela gentileza, embora tivesse um pouco de esperança de ser tratado com um pouco mais de tato após o dia anterior; no fundo o italiano sabia que nada mudaria naquele quesito. O louro entrou e fechou a porta, sentando-se pacientemente no sofá, avisando que esperaria Hibari terminar seu trabalho.
O moreno o mandou embora várias vezes, mas o Chefe dos Cavallone permaneceu no mesmo lugar até vê-lo espreguiçar-se e levantar-se da cadeira. O Guardião da Nuvem caminhou até o sofá, parando em frente ao italiano. Os dois se entreolharam e as bochechas de Dino tornaram-se rosadas. Por mais contente que estivesse, o clima ainda continuava sendo constrangedor. Era difícil saber o que poderia ou não fazer. Ao ver Hibari tão próximo, suas mãos formigaram para tocá-lo, receando brevemente o contato, pouco antes de finalmente aproximarem-se das mãos do moreno. Não houve relutância por parte do Guardião da Nuvem, que apenas desviou os olhos.
A timidez do primeiro dia não se repetiu. Enquanto permaneceu em Namimori, o louro visitou o Colégio todas as tardes, esperando o tempo necessário para poderem estar juntos, fosse por conta do trabalho do Comitê que estivesse prendendo Hibari, ou porque milagrosamente o Guardião da Nuvem decidiu assistir aula. O tempo que passavam juntos nem sempre era longo, limitando-se muitas vezes a cerca de meia hora. Porém, quando estavam sozinhos era como se não existisse mais ninguém no prédio a não ser os dois.
O italiano tornou-se mais confortável em se aproximar de seu companheiro, e o moreno pareceu não se importar tanto com os beijos e abraços. O único problema era que com o tempo o louro começou a querer mais.
No dia que recebeu a ligação da Itália e percebeu que teria de ir embora, Dino estava deitado no quarto de Hotel, decidindo qual seria a melhor abordagem para tocar no assunto sexo com Hibari. O retorno para sua primeira casa tirou essa responsabilidade de suas costas, mas ele sabia que estava apenas adiando a conversa.
Como a viagem para a Itália aconteceria na manhã do dia seguinte, o Chefe dos Cavallone não pôde avisar pessoalmente sobre sua partida. Por mais que quisesse ver o moreno, ele ainda precisava revisar alguns papéis e arrumar as malas, limitando-se a entrar em contato por telefone.
As palavras que utilizou para comunicar sua volta ao Ocidente já foram ditas anteriormente. Dino sempre deixava o Guardião da Nuvem ciente de sua ausência caso acontecesse algo e eles precisassem treinar. Entretanto, daquela vez seria diferente. Por mais conhecido que fosse seu discurso, imaginar-se longe de Hibari fez seu peito doer durante toda a ligação. O moreno mais ouviu do que falou, apenas concordando e fazendo um ou outro comentário. A única parte que o Guardião da Nuvem disse mais do que "sim" ou "não" foi quando questionou o motivo do retorno repentino. O italiano explicou que resolveria o assunto do casamento e que retornaria a Namimori o quanto antes.
Ao desligar o telefone, Dino arrastou-se até o outro lado do quarto, sentando-se na cadeira e apoiando a cabeça na mesa, completamente desolado. Romário e alguns subordinados tentaram animá-lo, mas ele estava inconsolável, piorando quando deixou o Hotel na manhã seguinte a caminho do aeroporto.
Hibari não achou que a ausência do louro o afetaria como o afetou. Quando os dois se despediram por telefone, o moreno tinha quase certeza de que Dino voltaria em dois ou três dias, e que sua vida seria a mesma com ou sem ele. Bem, as coisas foram um pouco diferentes...
A ausência do Chefe dos Cavallone durou pouco mais de uma semana. No segundo dia, o Guardião da Nuvem já olhava para a porta de sua sala toda vez que a maçaneta girava, esperando ver um italiano idiota entrando sem bater, apenas para incomodá-lo com sua presença inconveniente. No terceiro, sua impaciência começou a aumentar, pois além de não aparecer, Dino não havia ligado ou dado sinal de vida - ou de morte - ou algum sinal de que ainda existia nesse mundo. No quarto dia, quando o celular do moreno tocou e o nome do italiano piscou no visor, Hibari ignorou a chamada propositalmente. Seu telefone tocou a tarde inteira, mas ele só foi atender quando estava em casa, antes de ir para cama.
- Kyouya, onde você estava!
A voz do Chefe dos Cavallone arrancou um meio sorriso dos lábios do Guardião da Nuvem. Seu coração batia mais rápido, e ele não sabia explicar o quão aliviado estava em poder ter algum tipo de contato com o italiano. O louro lhe deu uma bronca por não ter atendido ao telefone, alegando que Hibari deveria ter mais consideração por seus sentimentos e lembrar que ambos estavam em fusos horários diferentes. Quando a voz de Dino pareceu mais calma, ele perguntou como o moreno estava e o que tinha feito naquele dia, afirmando várias vezes que estava com saudades. O Guardião da Nuvem pouco falou, não somente por não ter o que dizer, mas porque queria ouvir o máximo possível à voz do outro lado da linha.
O louro afirmou que estaria voltando à Namimori em poucos dias e que os dois definitivamente tinham de se encontrar, e que ele não ficaria mais em Hotéis, já que a reforma em sua casa estava praticamente terminada.
- Eu vou ligar todos os dias nesse horário, por favor, atenda Kyouya. Eu ligaria mais vezes, mas não quero te atrapalhar com seu trabalho.
O Guardião da Nuvem corou, sentando-se na cama e agradecendo mentalmente por aquela conversa não estar acontecendo pessoalmente.
- Você pode deixar uma mensagem gravada, eu a ouvirei quando tiver tempo. - A frase pareceu ter sido dita com indiferença, mas não era verdade. Por trás da voz tranquila e séria escondiam-se tímidos sentimentos.
O louro pareceu feliz em ouvir tal coisa, e nos dias que ainda permaneceu na Itália, sempre que conseguia um tempo livre, Dino procurava um lugar calmo para poder deixar algum recado.
Ao chegar em casa, Hibari deitava-se na cama e ouvia as mensagens, sentindo o rosto corar todas as vezes que escutava o termo "Eu te amo".
Após oito dias afastados, o líder do Comitê Disciplinar compreendeu que as coisas não seriam como antes. A ausência de Dino o afetaria mais do que ele gostaria, criando uma forte ansiedade e vontade de revê-lo.
A última ligação do Chefe dos Cavallone aconteceu na noite do décimo dia, e foi com muita animação que ele anunciou que estava se dirigindo ao aeroporto e estaria em Namimori no dia seguinte. O Guardião da Nuvem tentou manter-se impassível ao ouvir aquela notícia, mas não foi possível. Suas mãos seguravam firmes o aparelho celular e seus lábios tremiam com a ansiedade.
- Eu estarei esperando. - As palavras saíram baixas, e foram mais ditas para si mesmo.
- Mal posso esperar para vê-lo, Kyouya - Dino estava em seu quarto na Itália, esperando Romário chamá-lo para irem para o aeroporto. Mesmo estando sozinho, o louro escondeu-se atrás da cortina, sentindo o rosto corar - Não sabe o quanto quero abraçá-lo e tocá-lo e fazer mil coisas...
O moreno sentiu um arrepio na nuca ao ouvir aquelas palavras, passando um dos pés no tapete que ficava em baixo de sua cama. A chegada do braço direito dos Cavallone encerrou a ligação, que terminou com um caloroso desejo de boa noite por parte do louro.
Ao desligar o telefone, Hibari deitou na cama, virou-se para um dos lados e fechou os olhos disposto a dormir, esperando que aquela noite passasse rápido. Entretanto, por mais que tentasse se tranquilizar e deixar o corpo relaxar, sua mente não permitia. Ao fechar os olhos, tudo o que o moreno viu foi a imagem do italiano e seus ouvidos repetiam a parte dos abraços, dos toques e das mil coisas. A respiração do Guardião da Nuvem tornou-se descompassada e pesada. Seu rosto estava vermelho e seu corpo parecia estar com febre.
Por longos minutos o líder do Comitê Disciplinar permaneceu na mesma posição, sentindo cada centímetro de seu ser tremer. Suas mãos apertavam firmemente a roupa de cama, procurando uma maneira de fazer seu corpo obedecer.
Hibari Kyouya não estava acostumado a perder, mas sua derrota naquela batalha era iminente.
As mãos que apertavam o lençol desceram lentamente, encontrando caminho fácil dentro da calça do pijama. O contato com sua própria ereção fizeram os lábios do moreno se entreabrir, soltando um gemido contido. O toque que se iniciou tímido, logo se tornou ritmado quando Hibari abaixou um pouco mais a calça, tendo mais facilidade em mover suas mãos. Seu rosto estava afundado no travesseiro, escondendo não somente sua vergonha, mas seus gemidos.
Enquanto se tocava, o Guardião da Nuvem não se imaginava sozinho. As suas mãos não eram suas. Aquelas sensações não eram individuais, e não havia somente ele deitado naquela cama. De olhos fechados ele podia sentir Dino atrás dele, tocando-o de uma maneira tão intima, sem pudor e em lugares que ele normalmente não teria coragem de se tocar, fazendo-o emitir sons que jamais achou que pudessem sair por seus lábios.
Quando o clímax chegou, foi o nome do italiano que Hibari pronunciou baixo e quase inaudível. Seu rosto ainda estava escondido no travesseiro, e enquanto esperava seu corpo acalmar-se, o moreno sentiu vontade de morder-se até a morte, tamanha a vergonha.
Aquela não era a primeira vez que ele se masturbava pensando no louro. Há três dias aquele era seu ritual antes de dormir, e por mais aliviado que se sentisse ao término, todas as vezes que caminhada em direção ao banheiro para tomar outro banho, a vergonha o fazia corar.
Naquela noite não foi diferente. Ao retornar ao quarto, o Guardião da Nuvem trocou a roupa de cama e sentou-se no colchão, olhando sério para o telefone. Ele era um saudável rapaz de quase dezoito anos, e sabia que aquelas sensações eram normais. O que lhe incomodava era a possibilidade de Dino conhecer esse seu lado.
Hibari nunca esteve em um relacionamento, mas sabia o que sexo significava. Ele nunca se importou com distinções entre homens e mulheres, e sabia que ambos eram dois homens e que o sexo seria diferente. Porém, o moreno não sabia quando as coisas aconteceriam. Talvez ele fosse o único que estivesse pensando naquelas coisas, e se aquilo nem passasse pela cabeça do italiano, então ele ficaria em silêncio.
Deitando na cama e dessa vez pronto para dormir, o Guardião da Nuvem se odiou por estar pensando coisas que anteriormente nem passavam pela sua cabeça, colocando toda a culpa nas costas do Chefe dos Cavallone.
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O céu ainda estava claro quando Dino desembarcou no Japão. O caminho do aeroporto para Namimori foi longo, e ele dormiu praticamente todo o tempo.
Ao descer do carro e colocar o pé na calçada, o louro suspirou, encarando a entrada do Hotel. Sua bela e adorável casa ainda não estava pronta para recebê-lo, e por decisão de Romário ele passaria pelo menos mais alguns dias no Hotel. O teto de um dos quartos precisou de uma segunda reforma, e para a segurança de seu Chefe, o braço direito dos Cavallone decidiu que era melhor só liberar a casa quando não houvesse nem um prego fora do lugar.
- Eu vou tomar banho e quero que me leve até o Colégio Namimori.
Dino deixou Romário cuidando do check-in, subindo direto para o quarto, correndo na direção do banheiro, e sentindo-se revigorado ao pensar que em poucos minutos estaria na companhia de Hibari. A ausência dessa vez pareceu totalmente diferente. Anteriormente, o italiano pensava vez ou outra pensava no moreno, imaginando o que ele fazia, se estaria se alimentando e coisas do tipo. Entretanto, aquelas pequenas dúvidas ficavam somente em sua mente, e quando retornava a Namimori, o máximo que conseguia ouvir como resposta eram "sims" e "nãos" indiferentes.
Dessa vez tudo estava melhor. O Guardião da Nuvem preencheu sua mente e coração todos os dias. Quando os dois passaram a conversar por telefone, a saudade parecia aumentar, ao mesmo tempo em que criava um aconchegante sentimento em seu peito. O moreno ainda não falava muito e suas respostas eram limitadas, mas ele estava ali, presente.
O Chefe dos Cavallone deixou o banheiro minutos depois, encontrando suas malas dentro do quarto. A escolha da roupa foi rápida e simples: a primeira mala, a primeira calça, a primeira camisa e o primeiro casaco. Por sorte tudo acabou combinando e Dino deixou o Hotel trajando um belo conjunto de jeans e casaco negro por cima de uma camisa branca.
O Colégio Namimori estava vazio, com exceção de alguns jogadores que utilizavam o campo para treinar, e a peculiar sala do Comitê Disciplinar. Ao sair do carro, o louro agradeceu o subordinado que o trouxe, avisando que Romário o buscaria depois de ir pessoalmente a futura casa de Dino para fiscalizar o trabalho.
O italiano cruzou o pátio e adentrou ao Colégio, subindo as escadas com pressa, chegando até a pular os degraus de dois em dois. A porta do Comitê Disciplinar logo apareceu em seu campo de visão, e seus lábios esticaram-se em um largo sorriso antes que ele batesse na porta e entrasse.
Hibari estava sentado em sua mesa quando ouviu o barulho vindo da porta. Seus olhos ergueram-se como era seu novo costume, e após todos aqueles dias, dessa vez ele não ficou decepcionado ao ver quem era. Dino caminhava na direção de sua mesa e a cada passo o coração do moreno batia mais forte.
Ao chegar à metade do caminho, o italiano voltou um passo e coçou a cabeça, sorrindo sem graça.
- Yo, Kyouya~ - A voz do Chefe dos Cavallone fez o Guardião da Nuvem se arrepiar. Pessoalmente ela era ainda mais poderosa. - E-Eu vou esperar você terminar.
Dino apontou para as folhas sobre a mesa do moreno, referindo-se ao fato de que todas as vezes que vinha visitá-lo Hibari dizia que o trabalho vinha em primeiro lugar, e que se o louro quisesse vê-lo, então teria de esperar... E em silêncio.
Os olhos negros do Guardião da Nuvem seguiram a figura atravessando sua sala, vendo-o sentar-se no sofá. Suas mãos apertaram-se em forma de punho, e ele puniu-se mentalmente por ter tido aquela ideia anteriormente.
Não havia nada que ele quisesse mais naquele momento do que ser importunado pelo louro. Dino virou-se e olhou na direção do moreno, esperando sua chance de se aproximar. Suas sobrancelhas se juntaram, e sua cabeça pendeu para o lado ao ver o Guardião da Nuvem deixar sua mesa e caminhar na direção do sofá.
- Achei que tivesse trabalho – O Chefe dos Cavallone tinha um largo sorriso nos lábios, observando Hibari sentar-se ao seu lado.
O moreno tinha os olhos baixos, e sentia-se extremamente ridículo por estar ali. Tudo o que ele via era real. Os cabelos louros, a pele clara, os olhos cor de mel e o sorriso idiota que sempre tinha nos lábios. Aquele era definitivamente a pessoa que ele tanto esperou nos últimos dias, e por mais indiferente e insensível que fosse, não haveria possibilidade de ignorar o que sentia naquele momento. Tanto havia mudado em seu coração na ausência do italiano. Novos sentimentos, novas sensações, novas descobertas. O Guardião da Nuvem sentia como se houvesse amadurecido naquele tempo, e que se não fosse a timidez e o mau hábito, ele provavelmente se inclinaria e passaria os braços ao redor do pescoço de Dino, abraçando-o forte. Porque aquilo era exatamente o que ele queria fazer.
As mãos do Chefe dos Cavallone tocaram delicadamente as de Hibari. O toque chamou a atenção do moreno, que sentiu as pernas tremerem pela proximidade. Ele se lembrava da primeira tarde que passaram juntos em Namimori, e na maneira como cada toque o fez sentir. Dino inclinou-se em sua direção e foi impossível controlar-se. Em qualquer outro momento o moreno teria virado o braço e derrubado o louro do sofá, mordendo-o até a morte pela ousadia de beijá-lo daquela forma, que lembrava em muito a cena do elevador. Entretanto, o Guardião da Nuvem compreendeu perfeitamente o que o italiano quis dizer com "falta de controle". Assim que o beijo começou, ao contrário das outras vezes, os lábios de Hibari se entreabriram automaticamente, abrindo espaço para receber a língua do de Dino. Se o Chefe dos Cavallone sentiu-se dessa forma quando o atacou no Hotel, então intimamente o moreno o perdoaria.
É muito difícil manter-se racional quando a pessoa que você tanto deseja está ao seu lado, e aquele beijo era a prova que o Guardião da Nuvem precisava para confirmar sua teoria de que não importasse o que o louro tivesse feito, ou que magias tivesse usado naquela declaração, os dois nunca mais se encontrariam após uma ausência de tantos dias sem que seus corpos não implorassem um pelo outro.
Quando os lábios se afastaram, o Chefe dos Cavallone abriu lentamente os olhos, ficando surpreso por ver a situação em que estava. Ele não percebeu que durante o beijo os dois haviam se inclinado, e que agora estava sobre o moreno, praticamente deitado no sofá.
A posição o fez corar, mas ele não se moveu. Uma de suas mãos tocou as bochechas rosadas do Guardião da Nuvem, e seus lábios formaram um meio sorriso.
- Eu realmente senti sua falta, Kyouya, você não faz ideia do quanto.
Hibari sabia que estava deitado no sofá com Dino praticamente em cima dele, porém, assim como o italiano, ele não fez nada.
Ao ouvir o comentário, a expressão do Guardião da Nuvem permaneceu a mesma, mas sua mente e coração denunciavam sua resposta contida. Ele sabia muito bem a saudade que havia sentido, principalmente durante a noite.
- Você ficará por quanto tempo? - A pergunta escapou pelos lábios de Hibari e ele temeu a resposta. Se o louro falasse que voltaria no dia seguinte para a Itália, então o que aconteceria com eles?
- Um bom tempo - O italiano sorriu - Você se forma semana que vem, não? Eu ficarei até alguns dias depois da sua formatura.
- E então?
A pergunta surpreendeu Dino, que não esperava por isso.
Aquela era a primeira vez que Hibari demonstrava o mínimo de interesse por sua agenda, principalmente a parte que envolvia seu retorno à sua preciosa Namimori. O sorriso do Chefe dos Cavallone aumentou e seu peito tornou-se mais aquecido. O moreno estava realmente se esforçando para demonstrar seus sentimentos.
- Eu terei de retornar a Itália, mas sempre que for possível eu voltarei para cá - O louro engoliu seco, sentindo mais vontade de beijar o rapaz em seus braços conforme encarava seus lábios rosados - Se eu demorar muito você pode ir me visitar~
- Jamais deixarei Namimori.
- Tão cruel~
A conversa não terminou com outro longo e úmido beijo como Dino esperava. O Guardião da Nuvem voltou a si em segundos, empurrando-o para fora do sofá e só não o enxotou da sala porque havia aguardado muito para revê-lo.
Os dois rapazes conversaram de uma certa distância. Hibari de sua mesa e o italiano do sofá, até o telefone tocar e lembrá-lo de que já escurecera e que ele deveria retornar ao Hotel para jantar.
- Romário está me esperando lá embaixo, quer uma carona? - O Chefe dos Cavallone parou em frente à mesa do moreno, guardando o celular no bolso.
- Eu ainda tenho trabalho a fazer - Os olhos do Guardião da Nuvem estavam fixos nos papéis. Ele não estava necessariamente feliz com a rápida partida de Dino.
- Nee, Kyouya - O italiano abaixou-se e apoiou as mãos e o queixo na mesa, olhando diretamente na direção do moreno - Eu sei que você está ocupado por causa da formatura, e eu mesmo tenho trabalho para fazer nos próximos dias, mas vamos tentar nos ver, ok? Nem que for por alguns minutos. Eu posso vir todos os dias para almoçamos juntos. Eu sinceramente não me importo se comermos aqui, desde que seja com você.
Foi impossível para Hibari manter os olhos em seu trabalho. Dino o olhava como se implorasse, e o Guardião da Nuvem percebeu que o louro não tinha notado seus sentimentos. Ele não sabia dos dias solitários que o moreno passara e da forma como aquela distância cresceu em seu coração.
Assim como a declaração, era como se aquilo tudo fosse apenas por parte do italiano, e Hibari estivesse participando por ter tempo livre.
O Guardião da Nuvem não queria aquele tipo de relacionamento. Bem, ele nunca esteve em um, mas sabia bem o que sua indiferença poderia causar. Palavras bonitas, frases românticas, declarações exageradas... Nada disso lhe pertencia, então ele teria de encontrar o seu próprio jeito de mostrar que se importava, nem que tivesse que praticar diariamente.
Não havia nada de errado em começar naquele dia.
- Ou você pode vir um dia e eu o visito no Hotel no outro. Podemos revezar almoços aqui e jantares no seu Hotel. Aliás, quando você sairá de lá? É sempre tão cheio - Hibari fingia escrever algo enquanto falava. Sua determinação ainda não envolvia contatos diretos - Achei que sua casa já estava pronta. Quatro paredes e uma porta são suficientes.
O Chefe dos Cavallone riu com o último comentário, mas concordou encantado com a ideia. Os dois combinaram que almoçariam juntos no dia seguinte, e que se precisasse ser adiado, entrariam em contato. Dino deixou a sala do Comitê Disciplinar, depositando um beijo na testa do moreno, desejando uma boa noite e que ele não ficasse até tarde no Colégio.
Hibari observou a porta ser fechada, apoiando a testa na mesa e respirando fundo. O local que recebera o beijo parecia queimar de tão quente, mas seu peito sentia-se incrivelmente leve. A ansiedade dos últimos dias desaparecera por completo, sendo substituída pela ideia de como seriam os próximos dias. Ele se esforçaria para que os dois pudessem se ver com frequencia, mesmo sabendo que estaria ocupado com a formatura.
Dino lançou um último olhar na direção do Colégio antes de entrar no carro, perguntando-se porque não convidou o moreno para acompanhá-lo até o Hotel naquela mesma noite. Ele poderia tranquilamente pedir a um de seus subordinados para dirigir o Guardião da Nuvem no dia seguinte. A menção daquele pensamento fez o italiano corar. Não, ainda era cedo demais para ter aquele tipo de relação. Uma noite juntos era muito perigoso. Uma coisa levaria a outra e o Chefe dos Cavallone achava que Hibari ainda não pensava nessas coisas.
Ele obviamente era o único a ter aqueles pensamentos.
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Quando o fatídico dia da formatura chegou, Hibari não foi ao Colégio. O diretor em pessoa o convidou, mas o líder do Comitê Disciplinar recusou, alegando que jamais pisaria em um local tão cheio.
Por causa de suas conexões, embora não participasse da cerimônia, o diploma do Guardião da Nuvem estava garantido. E mesmo não sendo de seu feitio não ir ao Colégio, naquela manhã o moreno seguiu para a bela casa de número 18, localizada a alguns quarteirões do templo Namimori.
O Chefe dos Cavallone estava esperando no escritório de sua nova casa quando o Guardião da Nuvem chegou. Romário o anunciou, e o louro pediu para que Hibari entrasse, pois ele já havia terminado o relatório. O moreno vestia o uniforme do Colégio mesmo não tendo ido à formatura.
- O que achou? - Dino referia-se a casa, provavelmente o caminho que seu convidado fizera até chegar ali.
- Muitos corredores - Hibari olhava ao redor, encarando as estantes cheias de livros. A maioria estava em japonês, o que o fez pensar que o italiano estava tentando aprimorar seus conhecimentos na língua.
- Você logo se acostuma - O Chefe dos Cavallone ficou de pé, fechando o laptop. - Venha, vou lhe mostrar o segundo andar.
Os dois rapazes deixaram o escritório, atravessaram a larga sala para chegarem à escadaria que levaria ao segundo andar, que estava reservado exclusivamente para os quartos.
Dino falava enquanto andava, dizendo que ao todo a casa comportava oito quartos, mas apenas dois ou três seriam usados.
- A maioria dos homens prefere ficar no Hotel, então quando estou sozinho Romário e mais alguns me fazem companhia. Eles dizem que não devo ficar sozinho - O louro parou em frente ao último quarto do corredor e sorriu antes de abrir a porta - La mia stanza¹~
O quarto reservado para o italiano era maior que os outros, mas a decoração era basicamente a mesma. Não havia extravagâncias como lareiras, tapetes persas e cortinas caríssimas. Ele gostava muito de seus pertences, mas isso na Itália. Em Namimori não haveria utilidade para essas coisas.
A única coisa que Dino fez questão de comprar foi a enorme cama de casal. Ele reconhecia que era um pouco espaçoso.
Hibari adentrou ao quarto, prestando atenção em todos os detalhes. O moreno podia imaginar que a versão italiana do quarto era totalmente diferente, mas mesmo sem muitos luxos, era possível ver o Chefe dos Cavallone em cada detalhe da decoração. A colcha da cama era vermelha, bordada com um enorme cavalo dourado. As mãos do moreno tocaram o desenho por mera curiosidade, sentindo a maciez do relevo.
Após mostrar toda a casa, o louro arrastou o Guardião da Nuvem novamente para o escritório, alegando que aquele dia merecia uma comemoração. Os dois almoçariam fora, mas o italiano praticamente implorou que Hibari concordasse em deixá-lo tirar uma foto. A desculpa utilizada foi a formatura e a conversa de que "Era um momento único e especial". E mesmo reclamando e ameaçando, no final, como sempre, o Chefe dos Cavallone conseguiu a sua foto, saindo ao lado do moreno.
- Se você mostrar isso para alguém eu vou mordê-lo até a morte - Hibari tinha os olhos apertados, recusando-se a olhar como a foto havia ficado no visor da caríssima câmera.
Dino apenas riu, agradecendo pelo presente.
Sem mais nenhum motivo que os prendesse na residência, os dois rapazes deixaram a casa.
Ambos foram dirigidos por Romário até um restaurante, que para surpresa do Guardião da Nuvem, era o mesmo com aquela atendente encantada.
A moça os recebeu com o sorriso costumeiro, e seus olhos pesaram sobre o Chefe dos Cavallone no mesmo instante. Porém, ao contrário das outras vezes, o moreno não se sentiu incomodado em momento algum. Os sorrisos, os olhares, as constantes gentilezas por parte da mulher não o afetaram, e nem mesmo quando ela derrubou o menu ao tocar sem querer a mão do louro, fizeram com que Hibari tivesse algum tipo de reação. Seus olhos apenas observaram a cena, notando coisas que ele não percebera antes.
Dino era uma pessoa naturalmente gentil. Sua beleza ajudava, mas sua personalidade era provavelmente o que cativava as pessoas e as encantava. Enquanto observava o italiano desculpar-se com a atendente, o Guardião da Nuvem lembrou-se das vezes em que sentiu vontade de mordê-los até a morte, e o quão desnecessário aquilo teria sido. Não havia sinal de que o Chefe dos Cavallone tinha conhecimento da admiração da moça, então a maneira como ele a tratava era apenas resultado de sua personalidade; pois quando ela saia, era para Hibari que os olhos e sorrisos eram direcionados, como se não houvesse mais ninguém que os merecesse tanto.
Tamanha dedicação e exclusividade o lisonjeavam. Ele acabaria mal acostumado com toda aquela atenção e dedicação, não que se importasse em recebê-las.
O almoço decorreu tranquilamente, e depois da sobremesa, os dois rapazes retornaram a casa do italiano. O braço direito dos Cavallone lembrou seu Chefe do trabalho que ainda precisava ser feito, e por mais que adorasse seu cargo e suas responsabilidades, naquele dia Dino só queria ser apenas um homem que passaria o dia acompanhado de seu amante. Entretanto, poder estar ao lado do Guardião da Nuvem era mais do que sua sorte poderia ser testada.
- Você pode ficar, mas eu terei de resolver algumas coisas - O louro retirou o sobretudo ao entrar na casa. Romário os deixara as sós, mas avisou que ligaria para saber se o trabalho estava em andamento.
Hibari cogitou a ideia de ir embora, mas nada disse. Dino ofereceu praticamente a casa inteira à sua disposição, dizendo que estaria no escritório e que se o Guardião da Nuvem precisasse de alguma coisa, que não hesitasse em procurá-lo.
Dando um tímido beijo na bochecha de seu amante, o italiano seguiu para o seu trabalho, deixando Hibari a sós na sala. A enorme tv possuía mais canais do que ele podia contar, e mesmo passando por todos, não havia nada interessante que pudesse prender sua atenção. A mente do Guardião da Nuvem estava em outro lugar. Em outra pessoa...
Continua...
¹ Meu quarto
