Agradecimentos:

Estrela Lunar: Muito obrigado por tares a gostar da história…. Desculpa não ter postado mais rápido…. beijo

Ana Christie: Bem quanto ao Mamoru ter ou não dado uma mãozinha no novo emprego da Usagi bem só vais descobrir se continuares lendo néeee…….eheheh….. Realmente tens razão o Motoki soube ser realment adulto…. Mas terá ou não uma razão para isso……..beijo

: sim tens razão realmente ah muito desejo entre eles…. Agora se se irá transformar em amor…. Só o tempo o dirá …. Beijo

Fico muito agradecida por tarem a ler a minha fanfic e também agradeço áqueles que lêem e não mandam reviews…..

CAPÍTULO VI

Ele fazia com que tudo parecesse perfeito. Duas pessoas, ambas de siludidas com as suas relações anteriores, sem que pudessem evitar a atração recíproca, mas cientes da inconveniência de se apaixonarem.

Gato escaldado tem medo de água fria, pensava Usagi agora. Ti nha o raciocínio movido a provérbios.

Motoki e ela deveriam ter constituído o casal ideal. Evoluíram de amiguinhos de infância para namorados da adolescência. Tinham que terminar, logicamente, como adultos felizes e realizados, mas acaba ram mais enrolados do que um novelo de lã.

E Mamoru nem precisava lhe revelar o que ela já havia deduzido por conta própria. Rei pertencia ao mesmo meio social que ele, e mesmo assim a relação ruiu sob o peso das incompatibilidades.

E aí estavam Mamoru e Usagi agora, sem almejar nada além do presente.

E meu Deus, como ela o queria, cada músculo do corpo dela o queria.

Usagi recusou a oferta de uma bebida. Encarou-o. Estremeceu e delirou diante do calor intenso da olhada dele.

— Não quer mesmo um drinque para criar coragem? — perguntou Mamoru, enfim, cedendo ao anseio de tocá-la. Acariciou o rosto de Usagi com suas mãos largas.

— Eu só preciso de álcool para fazer o que eu não quero fazer — respondeu Usagi. Ela espalmou as duas mãos no peito de Mamoru e começou a desabotoar a camisa dele com os dedos trêmulos. A cada botão fora da sua casa, Usagi contemplava um pouco mais do tórax bronzeado, firme, e dos ombros musculosos.

— Melhor você parar por aí — aconselhou Mamoru, com a voz rouca. — Ou não vai dar tempo de a gente chegar até o quarto.

Ele a pegou no colo e a levou para um dos quartos do apartamento, chutando a porta para abrir a passagem.

Gentilmente, Mamoru a acomodou na sua cama. Em silêncio, ele a observou deitada por uns poucos segundos, nos quais Usagi sentiu que o coração dela desacelerou. Mamoru, então, acendeu um dos aba jures da cômoda que tomava uma parede inteira do aposento.

Usagi tinha vontade de se esticar na cama como um gato, para que o calor do olhar dele a aquecesse por inteiro. Ela se contorceu um pouco, suspirou e assistiu fascinada a Mamoru tirar a roupa.

A um desavisado, Usagi passaria a ideia de ser uma virgem mara vilhada com as primeiras imagens do corpo masculino em toda a sua glória. Não que todos os corpos masculinos fossem gloriosos como o de Mamoru. Se é que havia um tão glorioso.

Ele livrou-se da camisa social e expôs os ombros largos, a barriga dura, de músculos definidos, mamilos planos e escuros. Lentamente, desafivelou o cinto. O olhar de Usagi seguia as mãos de Mamoru e se fixava agora no ponto onde ele abria o zíper da calça, a cintura perfei ta dele.

— Prepare-se — afirmou Mamoru, sorrindo. — Quando eu acabar, vai ser a sua vez...

— Eu posso ter usado vestidinhos apertados em boates, mas strip-tease não é a minha especialidade. — Usagi ficou com a boca seca, ao acompanhar Mamoru deslizar os dedos por entre o elástico da cueca boxer. E então os lábios dela curvaram-se num sorriso malicioso, de pura satisfação, ao avistarem e constatarem o tamanho da masculinidade dele.

— Bem, vamos ter que aprimorar esse seu lado. — Mamoru debru çou-se sobre Usagi e começou a despi-la, saboreando cada segundo da exposição gradual do corpo dela.

A pele de Usagi tinha textura de cetim. Primeiro, os ombros. Depois o resto, exceto o sutiã de renda que mal lhe escondia os seios. Um toque no fecho e pronto. Mamoru abriu o sutiã e gemeu ao libertar as duas elevações brancas, generosas, e ao revelar os botões de rosa, que ele sonhara acariciar.

Usagi permanecia deitada, sem se mover, trocando olhares com ele. Uma onda de desejo, de tão poderosa, a obrigou a fechar os olhos e a fez suspirar.

Ela queria que Mamoru a tocasse. Seus seios ansiavam pelo toque dele.

Em vez disso, ele terminou o que iniciara. Tirou toda a roupa dela até que Usagi ficasse inteiramente nua.

— Feliz? — perguntou ele, com uma voz trêmula. Deitou-se então sobre ela e, por alguns momentos, somente a olhou. Mais do que tudo, queria vê-la feliz, saber que Usagi se entregava a ele de corpo e alma, sem dúvidas, sem culpas.

— Feliz — reconheceu Usagi, tão trêmula quanto ele. Ela levan tou os braços para colocar as mãos em volta da cabeça de Mamoru e trazê-lo para beijá-la. O beijo pareceu sem fim, devagar, estimulante. O beijo explorador, sem pressa, de um casal para o qual o tempo finalmente parará.

— Eu me sinto como uma adolescente. — Usagi sorriu, sem fôlego.

— Nós deveríamos ter nos encontrado quando você era uma.

— Ah, aos 16, eu estava encantada por Motoki. — Usagi espi chou o pescoço para dar uma série de beijos rápidos na sua boca, movendo o corpo sinuosamente debaixo de Mamoru, adorando sentir seu membro duro contra ela.

— Porque você não tinha ainda me conhecido. — Mamoru moveu-se para baixo, trilhando com a língua o pescoço dela, descendo até o vão entre os seios. Usagi prendeu a respiração e curvou a espinha para facilitar o trabalho dele. Soltou um gemido longo de absoluto prazer, quando por fim Mamoru envolveu com a boca um dos mamilos dela e se pôs a sugá-lo, acariciá-lo com a língua.

Mamoru segurou as mãos inquietas de Usagii e as prendeu uma em cada lado dos seus corpos, enquanto continuava a brincar com os seios dela, provocá-los com a boca. Primeiro um, depois o outro, até que os dois mamilos latejassem.

Quando ela gritou, parecia a voz de uma outra pessoa, vinda de um outro lugar.

À mercê do ritual lento e cuidadoso de Mamoru, Usagi nunca expe rimentara tamanha sensualidade. Ela tinha consciência de como se remexia embaixo dele. Queria mais. E queria agora.

No entanto, Mamoru seguia sem pressa.

Ele havia esperado por aquela mulher. Ao tocá-la, sentir o movi mento dela, ouvi-la gemer por ele, Mamoru tinha a impressão de que a esperara por toda a vida. Não correria com as coisas agora, embora soubesse que bastaria Usagi tomar a iniciativa para que ele corresse o sério risco de não se segurar. Ele não era mais o mestre do amor. O amor o comandava agora.

Mamoru soltou as mãos de Usagi e moveu-se ainda mais para bai xo, sentindo com a boca a carne tensa do ventre dela. Passou para o umbigo. O corpo de Usagi respondeu aos carinhos instintivamente, afastando as pernas para acomodar a língua dele.

Usagi buscou ar, sem folego, no momento em que as mãos de Mamoru gentilmente pressionaram o interior suave das suas coxas, permitindo a ele acesso irrestrito à feminilidade úmida dela.

A partir daí, a ponta da língua dele começou a jogar com aquele pequeno botão, para lá e para cá, até Usagi estar a ponto de gritar de maravilhosa agonia. Sempre que a levava até o limite, Mamoru retroce dia, deixando a emoção dela vazar, para voltar a saboreá-la, a lambê-la, a enviando para outro planeta, um que Usagi nunca visitara antes.

Será que ele se sentia excitado de maneira tão selvagem e descon trolada pelo fato de ter ele esperado por ela, e não vice-versa? Mamoru não saberia responder. Admirá-la deitada passiva na cama, nua e glo riosa, o eletrizava tanto, que ele havia sido momentaneamente priva do de pensamentos.

E agora, enfim, sentindo o movimento dela sob ele...

Mamoru afastou-se um pouco e girou com ela para que agora fosse a vez de Usagi estar por cima. Os seios, tentadores, se bateram no ar sobre o rosto dele, e Mamoru capturou um dos mamilos com a boca. Sugou-o com força, mesmo já tendo a mulher colada no seu corpo. Usagi encaixara Mamoru nela de forma justa, aconchegante. Ela me xia-se em um ritmo perfeito, dançando junto com ele.

Os corpos de ambos estavam sintonizados. Unidos como se fos sem um só. Finalmente, os dois atingiram o clímax. Chegaram lá juntos.

Demorou até que o corpo agitado e trêmulo de Mamoru se restabe lecesse do impacto do orgasmo. Usagi então se esparramou sobre ele com um pequeno suspiro. Minutos se passaram até que ela rolasse para se deitar ao lado dele. Com o cotovelo sobre o colchão, Usagi apoiou o rosto na mão para observá-lo de cima.

Ela poderia contemplá-lo ali para sempre. Mamoru virou-se, e eles se examinaram. Delicadamente, ele tirou o cabelo que cobria o rosto dela e a trouxe de volta para cima dele. Posicionou a cabeça de Usagi debaixo do seu queixo e beijou os cabelos finos e louros.

— Eu acho que devo começar a pensar em voltar para casa — disse Usagi, após um tempo. Ela traçara pequenos círculos imaginá rios com o dedo no peito dele e se divertia naquele momento em percorrer o contorno de um dos mamilos de Mamoru.

— Por quê?

— Por que é lá frequentemente que eu passo as noites.

— Frequentemente?

— Satisfazer as nossas vontades, você quer dizer. — Em vez de ligar o motor, Mamoru enfiou a chave na ignição e se pôs a observá-la.

Ele poderia partir para o ataque neste momento e fazer amor com Usagi mais uma vez. Neste exato instante, neste exato lugar, como um adolescente aflito, sem a privacidade de um quarto para abrigar-se. Ela o excitava. Não apenas pelo corpo, mas também pela maneira como o olhava, uma olhada contemplativa.

Não, era mais do que isso, era a maneira como ela agia. Direta, engraçada, discreta, com um raciocínio ágil, nunca visto por Mamoru antes.

— Ah, é? — Usagi riu. — Então você está pensando nas nossas vontades! Bem, talvez numa outra vez. Agora eu acho que você deve ria se mexer. Não quero que você vá dormir muito tarde por minha causa. Os donos de impérios precisam de um sono tranqüilo.

Mamoru ligou o carro e deixou o estacionamento. Ele não se impor taria em tirar um dia de folga, se a contrapartida fosse passar o tempo inteiro na cama com ela.

— Pro seu governo, eu só preciso de umas poucas horas de sono para funcionar bem. Eu geralmente durmo pouco. Você vai fazer alguma coisa amanhã?

— Amanhã? — Ela se virou para a paisagem na janela e franziu a testa. — Eu preciso comprar umas roupas decentes para trabalhar e devo tentar me encontrar com Motoki, para combinar quando ele vai voltar para debaixo do próprio teto. Eu não faço a menor idéia de onde ele esteja, mas aposto que dormindo no chão da casa de alguém. — A voz de Usagi suavizou-se. — Ele tem sido fantástico durante todo esse tempo de separação.

As mãos de Mamoru espremeram o volante.

— Que herói — murmurou ele sarcástico, e Usagi o olhou de cara feia.

Se Usagi não tivesse a cabeça bem no lugar, ela poderia até detec tar uma ponta de ciúme no comentário quase inaudível.

A idéia de um Mamoru ciumento, porém, provocaria gargalhadas, principalmente se a razão para tal sentimento fosse ela, uma mulher com quem ele mantinha uma relação adulta, sem compromissos, se é que o que eles tinham poderia ser chamado de uma relação.

— Eu por acaso penso que é heróico, sim, me deixar morar na própria casa, quando a gente não está mais junto. Você teria feito o mesmo?

— Eu não lido com hipóteses.

— Ah, me parece que a sua imaginação deixou você na mão. — Apesar da ofensiva, Usagi não encontrava nela disposição para um confronto com Mamoru. Os olhos de ambos se cruzaram por um segun do, e a sintonia entre os dois provocou em Usagi um arrepio, que a amedrontou.

— Disso eu nunca fui acusado antes.

O tom de voz de Mamoru levou Usagi a suspeitar que ele se referia à imaginação dele na cama e ela não queria pensar nele entre lençóis com outra mulher.

— Bem, se você gasta as suas noites com bonequinhas de papel...

Mamoru riu, estendeu o braço e espalmou a mão sobre a coxa dela.

Usagi se excitou.

— Dirigir com uma das mãos não é seguro — disse ela, um pouco ofegante.

— Que pena. — Ele tirou a mão, deixando a perna dela fria e carente. — Há sempre a possibilidade de remediarmos a situação quando chegarmos à sua casa...

Usagi dividia-se entre a tentação de se entregar mais uma vez a ele e a voz da consciência que lhe dizia que não, que ela deveria se preservar, e isso significava traçar e explicitar os limites. Usagi ba lançou a cabeça negativamente e com firmeza para ele.

— Então quando vou vê-la de novo? — Mamoru estacionava em frente à porta da casa dela. — Se você está ocupada amanhã, então eu pego você na sexta-feira, às 19h30. A gente pode jantar em algum lugar.

Usagi abriu a porta do carro, prevendo que ele a acompanharia até a entrada de casa. Ele assim procedeu. Mas Mamoru não poderia de jeito nenhum entrar na casa. Não quando parecia que bastaria ele se aproximar um pouco para ela perder o controle sobre si mesma.

— Não sei — despistou ela.

Não sei? Que diabos aquela mulher queria dizer com aquilo! Mamoru tomou a frente dela e obstruiu a porta da casa com os braços cruzados. Logo ele! O homem que abominava qualquer pessoa pos sessiva! Ele que nunca, em toda a vida, mostrou o menor sinal de tal inconveniente emoção! Flagrava-se agora submisso, exigindo saber cada passo que ela planejava.

— Eu começo no emprego na segunda-feira — afirmou Usagi. — Você se importaria em sair da frente? Eu não posso entrar em casa se você ficar aí.

— Até aí estou entendendo. O que não compreendo é o que isso tem a ver com o fato de não poder ver você. — Autocontrole, Mamoru repetia para si. Ele era o mestre do autocontrole. Pelo menos assim ele pensava. Não se sentia tão controlado neste momento e permane ceu, convicto, no mesmo lugar.

— Eu tenho um monte de coisas para fazer antes de começar no trabalho. Motoki vai querer voltar para casa o quanto antes. Logo, vou ter que me mudar no fim de semana. Eu vou ver a gerente de Recursos Humanos na sexta de manhã para assinar o que tiver para ser assinado.

— Você disse que o seu novo apartamento é... onde exatamente?

Usagi levantou as sobrancelhas, desconfiada, mas deu a ele o endereço.

— Tudo bem. — Ele desimpediu o caminho até a porta da casa e a olhou ainda um pouco contrariado. — Você pode precisar de uma ajuda com a mudança... Eu posso arrumar um caminhão ou uma ca minhonete de qualquer tamanho.

Desta vez, Usagi riu com vontade.

— Eu não acho que isso tudo vai ser necessário. Os meus perten ces cabem no banco de trás de um carro desportivo. — Antes que Usagi pudesse esboçar qualquer reação, Mamoru segurou uma das suas mãos, a virou e a beijou na palma. Em seguida, beijou Usagi na boca.

Como ele a fazia tão... tão feliz! Será que por ter agüentado tanto tempo uma relação falida com ela agora se lambuzava com esse pouquinho de atenção?

— Sábado — murmurou Mamoru, descolando-se dela, mas próximo o suficiente para que Usagi sentisse o hálito quente dele. — Nove horas em ponto. Eu estarei aqui para ajudá-la com a mudança.

— Não seja ridículo. Eu sou totalmente...

— Eu sei. Totalmente capaz de fazer isso sozinha. Por que você não aceita uma ajudazinha pelo menos uma vez, quando essa ajuda é oferecida com a melhor das boas intenções?

O problema era saber qual era a intenção.

Obviamente, ela deveria ter batido o pé e recusado calmamente. Ele acabaria sendo mais um impedimento do que uma ajuda. No entanto, não foi assim que Usagi agiu. Como resultado, Mamoru teve a chance de se mostrar extremamente pontual, chegando à casa dela no sábado na hora marcada, a bordo de uma Ferrari prata rebaixada, que caía como uma luva nele.

De queixo caído, Usagi o viu descer do carro. Fechou a boca, pois não queria dar a impressão de ser uma daquelas que se impressiona vam com carros. Estava disposta a lhe dizer isso, tão logo ela abrisse a porta de casa para ele.

— Cheguei — anunciou-se, rindo. — E vim vestido para a oca sião.

Usagi espantou-se ao vê-lo de perto em jeans desbotado, tênis e um agasalho verde-escuro. Ela aprovou. Nele, o tradicional jeans desbotado ganhava um charme novo.

— E também trouxe o carro desportivo solicitado. — Mamoru estalou um beijo na ponta do nariz dela.

— O que passou pela sua cabeça para achar que as minhas coisas caberiam num carro desportivo! — Usagi riu e mostrou com o braço a pilha de coisas pacientemente trazidas escada abaixo.

Mamoru passeou pela casa, examinando a coleção de pertences dela, com uma expressão de quem aceitara a brincadeira.

— E quem disse que acreditei na historinha da mulher com pouca bagagem? O meu motorista está estacionado lá fora com um muito mais sensato Range Rover. Podemos segui-lo na Ferrari.

Usagi titubeou, mas cedeu. Por que se incomodar com aquilo? Mamoru estava certo ao opinar que ela precisava aprender a ignorar o orgulho e aceitar ajuda. E era uma grande ajuda tê-lo ali para auxiliar na mudança. Motoki se ofereceu, mas Usagi achou importante não aceitar. Mudar-se da casa dele representava o início de uma nova vida. Motoki não insistiu. Na verdade, aparentou alívio e disse algo sobre arrumar as próprias coisas, mas não entrou em detalhes.

Usagi sorriu:

— Tudo bem.

— Você vai e espera no carro. Eu e George vamos levar as coisas para a caminhonete. Há algo que você queira levar com você?

— Apenas a minha mochila. — Ela afastou-se, enquanto Mamoru media com os olhos tudo que teria de ser transportado. Usagi tentou conter o prazer de passar para ele o controle das ações. Receber cui dados, em vez de cuidar de alguém o tempo inteiro, representava uma mudança enorme.

Obediente, ela foi para a Ferrari e observou Mamoru e o motorista descarregaram a bagagem no jipe 4x4. Depois, seguiram devagar, devido ao tráfego intenso no centro de Londres, rumo ao novo lar.

O empreendimento seria o maior no gênero, e a campanha publi citária orgulhosamente anunciava as vantagens de morar ao sul do rio Tamisa. O projeto englobava suítes privadas, escritórios, um andar inteiro de academias de ginástica, vários salões de beleza, espaços para conferência, estacionamento no subsolo e uma sala de cinema para uso exclusivo dos residentes. Tudo isso construído em volta de uma área central aberta e gramada.

Usagi descrevia tudo em detalhes, até perceber que ela conduzia um monólogo, e não uma conversa.

— Você não precisava vir e me ajudar — disse ela, colocando o orgulho de volta no lugar.

— Eu sei. — Mamoru sabia exatamente no que Usagi estava pen sando. Entusiasmada, ela detalhara a grande oportunidade que tinha, só para esbarrar no muro de silêncio dele.

Mais cedo ou mais tarde, Mamoru teria que lhe contar. Ele se con traía de preocupação diante desta perspectiva. Não era a hora ainda de falar. Esperaria ela se sentir segura no emprego, capaz de aceitar a verdade com moderação, talvez com bom humor.

Mamoru não dava corda para que Usagi prolongasse a conversa. Como alternativa, ele puxava papo sobre as atualidades de Londres, perguntava-lhe sobre os colegas do antigo trabalho na boate, se ela sentia falta de alguém, se mantinha contato com o pessoal. Em alguns minutos, a tensão evaporava do corpo dele.

Eles já podiam avistar do carro o empreendimento, de modernida de suntuosa e irreverente, dominando o horizonte.

Mamoru passou com a Ferrari por um arco direto para a área central, contornada com vagas para os carros dos visitantes.

— Qual é o apartamento? — indagou ele, admirando o edifício com satisfação profissional. — Certo. Você sobe, e eu e Nicholas a seguimos com as coisas.

Usagi ainda fazia, extasiada, o reconhecimento dos seus novos domínios, quando a última mala surrada bateu contra o piso do apar tamento.

— Não é fantástico? — Ela caminhou até a janela para contemplar a vista incrível da cidade: rio, pontes, carros e pessoas aglomerados como brinquedos em movimento.

— Onde você vai dormir, meu Deus?

Usagi reagiu com uma cara de perplexa, como se Mamoru estivesse fora de si.

— No chão, é claro. Como você vê, não há um só móvel, e eu não tinha nenhum para trazer comigo.

— No chão? — A expressão de Mamoru transbordava de increduli dade.

— Num saco de dormir. — Usagi reformulou a resposta. — Ve lho, mas ainda útil. E trouxe um travesseiro. Não há por que ficar parado aí como se estivesse atuando num filme de terror. Você pode achar a idéia de um saco de dormir inconcebível, mas eu, não.

— Quem sabe ao se ajeitar nele você não descubra que o chão é mais duro do que você pensa? — Não havia nem passado pela cabeça de Mamoru que o apartamento não era mobiliado. Ele deveria ter insis tido que Usagi morasse com ele até que eles pudessem equipar a casa com pelo menos os utensílios mais rudimentares. Imediatamente, ele se questionou. Que diabos estava pensando? Morar com ele? Ele quase riu em alto e bom som do absurdo da hipótese que brotou do nada nas suas idéias.

— Eu conheço sacos de dormir, Mamomu. — Usagi, de braços cru zados, recostava-se no parapeito da impressionante janela de três fa ces, que avançava para além da parede. — Eu já acampei diversas vezes, coisa que acredito você nunca fez. — Por mais que estivessem próximos, era difícil acomodar as diferenças entre dois. A cada con traste banal que surgia, Usagi se dava conta de quão diferentes eram os dois.

— Nós vamos ter que arrumar alguns móveis para você — reagiu Mamoru. — Ninguém pode esperar que você viva assim. Por que você não trouxe mais algumas coisas da casa? — perguntou ele.

— Porque elas não me pertenciam. Porque eu poderia ter sido acusada de roubo.

— E ele nunca ofereceu nada a você? Apesar do fato de você ter passado anos pagando as contas? Nós podemos ir à Harrods e com prar algumas coisas. Umas cadeiras, uma mesa, um tel...

— Espere aí! — Será que ele pensava que poderia de certa forma comprá-la? Desejo sexual era uma coisa. Equipar a casa para ela estava fora de questão. A conversa invadia um mundo totalmente diferente do qual eles haviam concordado em dividir. Usagi ficou zonza ao especular como seria receber presentes por amor, com a força que poderia ter tal gesto. Ela piscou os olhos uma ou duas vezes para recobrar-se.

— Você não vai comprar nada para mim. Se quiser algumacoisa, eu vou economizar para comprar.

— Pelo amor de Deus, Usagi. Eu posso...

— Esqueça. Eu não aceitarei nada de você, não vou viver com a idéia de que você de alguma maneira conseguiu me comprar.

Ficou mais do que claro para Mamoru o brilho de determinação nos olhos dela, e ele recuou. Preferiu não pensar no caos que a sua própria criação poderia resultar. Não. Organizaria a situação quando chegas se o momento propício, pois nunca tivera problemas em consertar qualquer coisa antes.

— Tudo bem — concordou ele, mais sensual. — Um almoço pas saria no seu teste de orgulho?

Usagi exibiu um meio sorriso, involuntário.

— Seguida por uma festinha para dois no novo apartamento?

Como ela resistiria? Usagi havia sido tão forte quando o conhece ra. Tinha consciência de que ele era um homem de um planeta dife rente. Quando Darius desenvolveu o talento para vencer a resistência dela? E quanto tempo levaria, Usagi se perguntava, alarmada, para que ela perdesse toda a imunidade a ele?