"Ikorose!" Heissen ouvia. "Ikorose!" Estava escuro. Nada mais lhe vinha a mente. "Ikorose!" Aquelas palavras ininteligíveis eram ouvidas, de novo e de novo. "Ikorose!" Na verdade... "Ikorose!" ele podia se lembrar... "Ikorose!" de algo mais... "IKOROSE!"...

"Sete e trinta e um..."

"Waaaaaa!" Ele acordou espantado. Estava em um quarto simples, do tipo que não imaginara existir em Night Metropolis. A cama era bastante confortável, e o quarto, apesar de simples, transmitia uma sensação de segurança.

Heissen tentou se levantar, mas percebeu que doía muito tentá-lo. Ele imaginou o que teria causado tal ferimento. Parecia bem profundo, mas estava fechado. Aparentemente, ele recebera cuidados básicos, a ferida foi limpa com uma mistura de água e ervas especiais, e costurada de modo rudimentar, mas eficaz. Ele finalmente decidiu se levantar, teria que se acostumar com a dor, de qualquer modo.

"Olá, meu nome é Ira." Heissen escutou alguém falando. Se virou para um jovem mais ou menos da sua idade, alto, magro, olhos vermelhos, com uma cicatriz em forma de I na bochecha esquerda, cabelos rebeldes de cor vermelha e duas mechas roxas. Usava uma camiseta verde abarrotada, um jeans normal e andava descalço. Suas roupas transmitiam uma imagem de revolta, como se estivesse tentando afastar alguém, mas sua atitude era bem simpática. "Onde estou? O Que aconteceu?" Perguntou Heissen.

O Jovem esclareceu que tinha o encontrado em Night Metropolis, e, com a ajuda de dois jovens turistas de Spira World, o mundo em que estavam, o levaram rapidamente para um Gummi Ship. O rapaz então apontou para alguma coisa que estava encostada na parede. "Encontramos aquela espada enterrada no seu ombro. Não sei o que fazia com algo daquele tamanho, mas o homem que te atacou largou a espada assim que nos viu. Deve ter achado que demoraria muito para arrancá-la e fugir, ou algo do tipo." Ele explicava. Heissen deu uma olhada melhor na espada. "O que é isso!!!" A arma tinha cinco metros de comprimento! "Não me pergunte. Ela parecia ainda maior quando a vi enfiada em seu braço. Mal conseguimos guardá-la aqui dentro."

Aquilo tudo era muito confuso. Como algo tão ridiculamente comprido podia ser usado por alguém? Ele tinha certeza de que era uma espada curta. Não fazia sentido. Não fazia o menor sentido. Nada fazia, afinal...

"Ah! Você acordou afinal. temos muito o que conversar." Um jovem de cabelos negros falava, dirigindo-se a ele. "Espere! ele certamente não está bem Talvez devesse-mos fazê-lo aqui mesmo." falou outro, um garoto com olhos verdes e cabelos castanhos. "Bobagem! Você já se sente bem melhor, não?" Replicou o jovem de cabelo preto. Heissen olhou para seu braço e para o rapaz. "Errr... Claro..."

Cyrus ficou impressionado como a Lady parecia alguém simples, e como ele deixava ele falar com ela como alguém comum, sua vizinha.

Olhou para Heissen. Parecia guerreiro. Não era um simples garoto riquinho, talvez tenha sido guardião de um templo em seu mundo, talvez aquela torre gigante, do tamanho de uma montanha, fosse um templo desse tal mundo chamado Night Metropolis. O ajudou ate a mesa, apesar de achar que ele estava fazendo um drama muito grande, para conseguir comer algo. -Tem sorte, garoto. Como conseguiu? Nunca vi uma reação tão rápida contra um ataque surpresa... você é algum tipo de super soldado? Se fosse eu já estaria morto com uma espada encravada em mim. Agora, que já comeu seu almoço, poderia nos dizer um pouco sobre esse mundo que você estava?

"Super... Soldado?" Heissen estranhou. Ele certamente não tenho o perfil de um soldado. Ele sequer sabia falar como um soldado. "Eu não sou nada disso. Sou menos que um garoto normal." Ele respondeu, intrigado com a pergunta. "Então como fez para desviar daquele golpe? Vi que você foi surpreso pelo ataque, então como desviou a ponto de sobreviver sem maiores complicações? Ele mirou o coração, tenho certeza."

Heissen pensou um instante. Ele não mirou meu coração. Pensou um instante. Quando a lâmina da espada aumentou, ele mirou no meu pulmão direito, esperando que eu tentasse desviar... mas não o fiz... ele pensou, tentando rir de si mesmo. O rapaz na sua frente esperava uma resposta, e, Ira, notando que poderia demorar para ouvir uma resposta mudou o assunto. "Que lugar é aquele afinal?"

Heissen levantou a cabeça. Percebeu a manobra do rapaz para aliviar seu desconforto, e sentiu-se meio que agradecido. "Night Metropolis. A maior cidade do universo. Um mundo vertiginoso, em que a noite foi transformada em dia, e que uma pessoa não faz a menor diferença." Ele respondeu de um modo apático. Estava acostumado à um mundo que não parecia se importar com ele. Pessoas conversando e se preocupando, era tudo muito novo...

Cyrus pediu licença e sentou se junto a Heissen, deixando a espada a sua direita. Heissen parecia não ligar muito para seu mundo, então Cyrus se virou para o garoto chamado Ira e perguntou: De onde vem? Sorte você também estar passando naquele momento...

Ira riu , se virou para Cyrus e sentou-se junto a eles. Venho de algum lugar, disse ele. É perto do outro, disse brincando. Na verdade, minha memória é um vazio, estou em procura do meu passado.
Sabe alguma arte de luta? Cyrus era interessado também em achar um rival.
Ira olhou para ele, e mostrou que estava desarmado, então Cyrus se voluntário em passar na casa dele mais tarde e pegar um presente para Ira.

Ira se levantou e falando para Cyrus comentou que nunca se lembrara d e ter pego em uma espada antes. Cyrus perguntou como era possível ter sobrevivido por tanto se, nunca ter lutado.

-Eu apenas tive sorte de estar no lugar certo e na gora certa.

-Lugar certo na hora certa? Isso é muito estranho Ira.

Ira concordou que realmente era estranho, mas suspeitava de que havia alguma força superior o guiando nessa jornada. Desde que fugira do laboratório em que haviam apagado suas memorias vagava por Night Metropolis em saber o que fazer, e parecia que agora encontrou um local para chamar de lar...
Então desculpando-se por ir embora voltou para o quarto em que estava e se deitou pra tirar um cochilo. Ter passado a noite inteira acordada acabou derrubando ele na cama.

Heissen esperou até Ira e Tak irem dormir. Sentou-se a mesa, na qual Cyrus estava sentado. "Você não sabe mesmo o que estava acontecendo lá?" Heissen perguntou. Cyrus não parecia muito interessado no assunto. "Não faço a menor ideia. Mas pra ele ter atacado você daquela maneira, deve ter algo muito importante a seu respeito."

Cyrus, que estava coçando o nariz, se virou e falou para Heissen. "Eu tenho certeza que você está nos escondendo algo, e eu juro que vou descobrir." Seus olhos estavam transmitindo uma impressionante mistura de desprezo, curiosidade e uma vontade de lutar. Heissen se sentiu desconfortável e resolveu ir dormir. No caminho para o quarto em que estava, ele olhou para um relógio, grudado na parede. "Que piada! Sete e trinta e um... Acho que o tempo não é o mesmo para todos os mundos..." Ele resmungou, antes de deitar-se na cama.