NOTAS INICIAIS: Como vão, leitores lindos? E aí vai um capítulo dedicado à páscoa! (Ainda que com atraso.) *Pequeno-spoiler-e-incentivo-à-leitura*


GAROTAS TAMBÉM SÃO PERVERTIDAS

Capítulo VII - Cacau


Que merda é essa?,praguejou Misaki mentalmente.

Ao abrir a porta de casa, deparou-se com Usui. Haviam marcado um encontro no cinema para o respectivo dia, mas uma tempestade imprevisível e violenta fez com que cancelassem o programa. E agora o alien estava em sua varanda, carregando uma sacola onde provavelmente estavam alguns DVD's alugados, e completamente encharcado da cabeça aos pés.

― O que pensa que está fazendo? ― indagou, incrédula.

― Substituindo o cinema por algo equivalente ― explicou ele, com indiferença.―- Ei, Misa-chan, posso entrar? Está frio aqui fora.

Indignada, ela o puxou para o vestíbulo pela gola da blusa e fechou a porta com rudeza. ― Por que é tão inconsequente? ― exclamou, possessa. Ele tentou acalmá-la, mas ela o ignorou. ― Poderia ter pego um resfriado! ― Sem palavras, ela simplesmente rosnou, irritada. ― Fique aí enquanto busco uma toalha.

Takumi segurou o riso. Ela estava ainda mais furiosa que a chuva torrencial que destruíra o guarda-chuva com que ele pretendia visitá-la. Suas reações sempre o entretinham, assim como o seu entusiasmo. Era impressionante vê-la dedicar-se tanto até mesmo às pequenas coisas. Ela voltou rapidamente, e estendeu-lhe uma toalha branca, um tanto desgastada pelo tempo.

― Suzuna acabou de entrar no banho - comentou ela, mais branda. ― Me dê sua blusa e se seque na sala, se quiser. - Prosseguiu, num tom de desculpas: ― Não temos roupas masculinas aqui em casa para te emprestar.

É claro, a ausência do pai. O motivo pelo qual ela anteriormente sentia ódio por todos os homens, até que ele lhe provasse que esta repulsa era injustificada ― ela não devia julgar ruins pessoas que nem ao menos conhecia, e muito menos generalizar todo um gênero pelo erro cometido por um único homem.

Sabia, porém, que mesmo que ela não se comportasse mais daquela maneira, o vazio deixado pela presença paterna nunca seria preenchido. Ela tinha o direito de entristecer-se, e ele poderia apenas consolá-la - e foi isto que fez ao abraçá-la.

― Obrigado por se preocupar comigo, Ayuzawa ― sussurrou contra o cabelo castanho. Tinha um cheiro cítrico - como shampoo de laranja.

― E-ei. ― Ela desvencilhou-se para encará-lo, um pouco surpresa. ― Você é meu namorado ― murmurou ela, num tom que deixava implícito que era óbvio que se importava com ele. ― E tire logo essas roupas; você está gelado!

― Tudo bem, presidente ― ele assentiu, complacente. Rapidamente livrou-se do suéter e da blusa molhados e entregou-os à ela. Em seguida, abaixou-se para aspirar novamente o topo da cabeça de Misaki, e comentou, descontraída e gentilmente: ― Você cheira muito bem.

Ela foi ao pequeno espaço acoplado à cozinha (nomeado erroneamente como 'lavanderia'), feliz pelo gesto carinhoso dele, e agradecida pela ausência de alguma provocação de conotação sexual envolvendo sua falta de roupas. Talvez ele finalmente reconhecera a capacidade dela, já que ela conseguira provocá-lo quatro vezes.

A terceira vitória foi simples - ainda que não tenha sido tão fácil: apenas fora honesta. No Maid Latte, ele lhe perguntara se ela queria dormir em sua casa, mas, para atormentá-la, não se satisfez com a resposta monossilábica. Então, ao reunir toda a ousadia que imaginava possuir, ela o abordou após o fim do expediente, quando ambos estavam sozinhos no vestiário.

Beijou-lhe de maneira a despertar nele uma ânsia desmedida e, antes que as carícias se aprofundassem, o interrompeu ― um pouquinho corada, admitiu ― e lhe disse que queria que terminassem aquilo em seu apartamento. E foi sobre o sofá dele, naquela mesma noite, que ela conseguiu seduzi-lo pela quarta vez.

Com investidas lentas, ele pretendia excitá-la até o ápice para então penetrar-lhe com veemência. Necessitada e um tanto impaciente, ela novamente transpassou algumas barreiras da timidez: ainda que de olhos fechados (pois não conseguiria encará-lo), gemeu que queria mais rápido, mais forte; que queria mais, simplesmente. Suas palavras foram o estopim para ele que, mais tarde, até mesmo a parabenizou pelas duas conquistas consecutivas.

Num gesto simples, jogou as roupas dele na secadora; ligou o aparelho e rumou à sala. A toalha estava displicentemente jogada sobre os ombros dele, secos assim como seu tronco ― apenas os fios loiros permaneciam molhados. Takumi, ajoelhado sobre o assoalho de madeira, distribuía sobre a pequena mesa de centro pequenas embalagens plásticas com doces - provavelmente feitos por ele mesmo. Não trouxera apenas filmes, afinal.

― Para que tanta comida? ― indagou ela, assustada com a quantidade.

― São sobras, Ayuzawa ― explicou ele. ― Pratico algumas receitas em casa para o Maid Latte, então cozinho bem mais do que consigo comer.

― Bem ― começou ela, impressionada com a dedicação dele à culinária. Abaixou-se para ajudá-lo. ― Se não conseguirmos terminar com isto, Suzuna e Shintani vão conseguir, com certeza.

― Ela e Sanshita* já...? ― perguntou ele, sugestivamente.

― Eles começaram a namorar ― esclareceu ela, sorrindo ternamente. Porém, logo enrubesceu. ― No mesmo dia em que começamos a nossa... hã... competição.

― Faltam duas semanas, Misa-chan. ― Sua voz era propositalmente irritante.

― Eu tenho um calendário, imbecil ― murmurou ela, enquanto ocupava-se com o último recipiente: este era bem menor que os outros, e o creme de chocolate contido nele aparentava ser mais sofisticado que os anteriores. ― Este aqui parece muito bom ― ela comentou, enquanto lhe mostrava o pote.

― Prove - pediu ele, um tanto atrevido. ― Preparei este pensando no sabor da Mis-

― Poupe-me dos detalhes ― interrompeu ela, enquanto tentava abrir a embalagem. Era uma tarefa difícil ― a tampa parecia presa. Misaki então puxou de maneira rude; apelou para a força.

― Ayuzawa, cuid -

Tardio, o aviso de Usui foi inútil ― a morena conseguira abrir o recipiente, mas o doce espirrou para fora devido à força aplicada. De maneira instintiva, ela olhou para o chão e para a mesa, procurando por máculas açucaradas. Aliviada ao vê-las limpas, ela enfim olhou para a frente, e descobriu o destino final do chocolate: parte do pescoço e do peito do namorado.

― M-me desculpe. ― Atordoada, ela obrigou sua mente à pensar em uma solução rápida. Novamente, Takumi tentou tranquilizá-la, e, num ímpeto, ela o empurrou contra o chão ao ver que o creme castanho deslizava por sua pele. ― Fique deitado para não escorrer!

― Não foi nada, Ayuzawa ― ele repetiu, calmo, ainda que um pouco incomodado com o desperdício. ― Apenas me traga algo com que eu possa me limpar ― instruiu, ainda estendido sobre o assoalho - para onde escorregara a toalha (felizmente incólume) antes depositada sobre seu ombro.

No entanto, os pensamentos dela não seguiram esta direção. Ao vê-lo coberto de chocolate, ela encontrou uma oportunidade para surpreendê-lo, assim como a única chance de provar daquele doce que tanto lhe chamara a atenção. E, ainda mais predominante foi a vontade de fazê-lo: ela queria - queria muito - encostar sua boca sobre a pele do loiro.

― Fique quieto - murmurou ela, um tanto constrangida, mas firme. ― Eu posso te limpar.

Abaixou-se antes de observar-lhe a reação; talvez porque a coragem lhe sumisse se o fizesse. Enfim, roçou a língua sobre o chocolate sobre o peito, para em seguida sugá-lo com avidez. Sentiu o corpo dele arrepiar-se, e prosseguiu, lambendo e sugando tudo o que estava em seu caminho. Percebeu o que ele queria dizer quando assumiu que inspirara-se nela para prepará-lo: o doce tinha um sabor afrodisíaco; lhe esquentava o interior da boca; descia quente por sua garganta. Acrescido ao cacau, ao leite e à avelã, havia mais um ingrediente ― licor.

Ao limpar o peito, avançou sobre o pescoço, chupando o pouco que respigara na área. Suas carícias não eram suaves - movia a língua e os lábios com voracidade, para saborear o doce delicioso, e a pele quente de Takumi tornava a experiência mais sensual. O rapaz respirava com alguma dificuldade, e ofegou nitidamente quando ela desceu à região do umbigo, muito próxima dos cós de sua calça, para livrá-lo dos últimos resquícios de chocolate.

Dando-lhe um último e intenso chupão na barriga, ela afastou-se, para fitá-lo, triunfante. Tentou limpar com a ponta da língua resíduos de chocolate nos cantos do lábio; foi, impedida, porém, porque as mãos de Usui cobriram-lhe a nuca e a trouxeram novamente até ele ― na direção de sua boca, no entanto.

Sedento, ele lambeu o doce enquanto a pressionava contra seu corpo, no chão. Mordeu-lhe o lábio inferior ao terminar, beijando-a com veemência ― e ela lhe respondeu no mesmo tom. Explorou a pequena boca da morena; entrelaçou sua língua na dela; provou do misto de sabores: chocolate, licor e paixão, mesclados na cavidade quente e úmida. Excitado, procurou sua garganta com a boca ― pretendia beijá-la por inteiro...

― Onee-chan ― chamou Suzuna do topo da escada.

Num gesto brusco, Misaki desvencilhou-se, um tanto corada. Levantou-se rapidamente e foi ao vestíbulo, para atendê-la. O loiro, apesar de frustrado pela interrupção, aproveitou-se do momento a sós para acalmar-se ― sentou-se, consciente do volume pronunciado em suas calças. Não pensou que ela seria capaz de fazer aquilo ― mais que isso, que seria tão bom senti-la tão próxima de sua área mais sensível.

― Usui - chamou ela, acordando-lhe de seus pensamentos. Ainda estava um pouco corada. ― O banheiro está livre. ― Ela desviou os olhos; voltou a encará-lo e continuou num sussurro: ― Pode... se limpar melhor. ― E estendeu-lhe a blusa e o suéter, já secos.

― Obrigado, presidente. ― E ela corou, ao perceber a malícia implícita naquelas palavras. Não agradecia somente pelas roupas. Ele apanhou a toalha, pôs-se de pé e foi até ela ― tão próximo que somente a namorada ouviu o murmúrio seguinte: - E então, Misa-chan, eu sou gostoso?

Ela arquejou antes de responder, e ele riu baixo. ― Seu convencido. ― E, sabendo que a irmã estava em seu quarto, no 2º andar, prosseguiu, evasiva e um tanto petulante: ― Gostoso foi o chocolate.

― Que pena. ― Sua voz e seus olhos eram intensos. Desta vez sussurrou-lhe ao pé do ouvido: ― Porque Ayuzawa não precisa de nada para ser gostosa.

E ele subiu as escadas com naturalidade. Ele era mesmo muito bom, pensou Misaki enquanto tentava abrandar o coração palpitante. Ao menos alcançara a quinta vitória ― restavam apenas cinco. Iria vencer, e isto não era apenas um pensamento, mas um desejo fervoroso.

― Não demore, Usui - avisou ela; quase que como um desafio ― Suzuna e Shintani vão assistir ao filme com a gente e não vou te esperar ― ela assegurou, sublimando a vergonha que sentira. Não deixaria que ninguém a flagrasse num estado comprometedor.

― Ah, que cruel ― ele disse, alto o suficiente para que ela o ouvisse. Sorriu contra a porta, curioso de descobrir as conquistas futuras da namorada.


NOTAS FINAIS: Usui + chocolate = todas piram (?) Este capítulo foi extremamente gostoso *nada de trocadilhos* de escrever, tanto que nem demorei uma noite para terminá-lo. Não há nenhuma cena "escandalosa" mas, por favor, isso não é necessário quando um ~hot guy~ já está coberto de doce para você lamber xD Mas: e aí, gostaram?

Só para esclarecer: estou escrevendo estes avisos com muito atraso, porque notei que quase ninguém comenta T.T Espero que sirva de incentivo ^^