Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Isadora, Eurin e Alister são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 7:
Ainda se não estás comigo
(Anche se non sei com me)
I – Reconhecimento.
-Agora sim eu me lembro; Eurin falou animada. –Isadora, sabia que esse nome me era familiar, ela só pode ser a filha da Isabel;
-Quem? –Afrodite perguntou voltando-se para ela, interessado.
- Condessa Isabel Bergman, residente em Estolcomo. Bergman era uma família tradicional, cujas gerações sagravam cavaleiros e amazonas, mas não sabia que ela havia tido uma filha; Eurin completou num sussurro.
-"Uhn! interessante"; Afrodite pensou, para no momento seguinte virar-se surpreso para a arena, vendo o que acontecia a seguir.
Como era possível que alguém aparentemente frágil tivesse um poder daqueles, sentiu um calafrio correr pela espinha, os olhos dela, completamente vermelhos, as mechas verdes pareciam mais escuras como se tomassem todos os fios claros aos poucos.
Definitivamente não a conhecia, mas agora, o que mais desejava era conhece-la, conhecer todas as faces daquela jovem tão misteriosa.
-Ela é uma amazona; Afrodite concluiu, surpreso.
-Não; Yuuri respondeu, chamando a atenção dos demais. –Mas explicar isso para você só diz respeito a ela, se ela confiar o suficiente em você para tanto; ela completou.
-Amor, o que aconteceu? –Alister perguntou, aproximando-se correndo com Aioros.
-Àquela aprendiz da Astéria, pensei que aquela praga já houvesse sido exterminada; Eurin vociferou, com os punhos serrados.
-Estava me referindo a Isadora; ele falou, com uma gotinha escorrendo na testa. Eurin era de dar medo quando estava irritada e ele sem duvidas sabia que não era seguro estar perto dela, quando isso acontecia.
-Ela é filha da Isabel; a amazona respondeu, sem notar que Shion e Saori já estavam ali.
-Como? –o Grande Mestre perguntou, surpreso.
-Vai dizer que não reparou, mestre? Ta ficando esclerosado por acaso? –Eurin perguntou, em tom de provocação.
-Eurin; Shion falou, bufando irritado.
-Oras; ela murmurou, dando de ombros.
-Sabe, eu ia perguntar algo parecido; Alister falou, tentando apartar a situação.
-O que? –Aioros perguntou, curioso.
-Ela se parece com o Eliot, não sei como, mas ela me lembra muito ele; o pisciano completou pensativo.
-Seu mestre? –Eurin perguntou, parando por um momento ao vê-lo assentir. Franziu o cenho, há alguns minutos atrás acharia isso um completo absurdo, mas agora, não parecia tanto assim, pelo menos era a única explicação. –Mestre, o senhor sabe se por acaso Eliot e Isabel se casaram depois que deixaram o santuário?
-Claro que sim; Shion respondeu, como se fosse a coisa mais obvia do mundo. Lembrando-se que pela manhã conversava exatamente sobre isso com Ilyria. –Acho até que é sina do signo; ele completou, com um sorriso maroto ao ver Eurin e Alister corarem furiosamente.
-Então, muitas coisas ficaram claras agora; Aioros comentou, com ar pensativo.
-Do que esta falando? –Afrodite perguntou, confuso.
-É melhor dar tempo ao tempo, logo você entendera; Aishi falou, dando o assunto por encerrado, ao ver um amontoado de pessoas se formando para ouvir a conversa. –E aqui esta;
-O que é isso? –ele perguntou, vendo-a lhe entregar uma sacola.
-A Isadora tinha vindo trazer seu sobretudo, mas a sacola acabou caindo; Aishi avisou, entregando a ele a sacola, antes de se despedir e ir encontrar com Kamus do outro lado da arena.
Sentia sua cabeça dar voltas. Eliot. Isabel. Isadora. Condessa. Que raios de história maluca estava vivendo? –ele se perguntou, confuso.
Mal começara a investigar os acontecimentos chamativos da noite passada e uma nova torrente de informações caia como um raio em sua cabeça, mas agora sua maior preocupação era ir até Escorpião e saber como ela estava.
II – Amigos.
Subiu as escadas quase correndo, tentando encontrar o Escorpião no meio do caminho e saber como a jovem estava. Ouvira os amigos lhe chamando lá atrás, mas simplesmente ignorara.
Chegou a Escorpião, ofegando, vendo a porta do templo aberta, provavelmente Milo já deveria ter chegado. Com passos hesitantes, entrou no mesmo, tentando encontra-lo.
-o-o-o-o-
Colocou-a delicadamente sobre a cama, ouvindo-a resmungar algo em protesto. Deu um sorriso cansado, muitas coisas mudariam depois que ela acordasse... De novo; ele pensou, sentando-se em uma poltrona no canto do quarto.
Já imaginava que alguém daquela época iria reconhece-la e usar isso para provocar. Quando Isadora partira há 18 anos atrás para o Brasil, algumas semanas se passaram e em meio aos treinos na arena, ouviu comentários entre as amazonas.
Muitas preocupadas com seu sumiço repentino, outras debochando, chamando-a de covarde por ter fugido. O mistério da Rosa Vermelha aos poucos foi se dissolvendo e ninguém nunca questionou Afrodite para saber se aquela rosa era realmente dele, ou não.
O que de certa forma foi um alivio para si, pois até mesmo Shaka não tocara no assunto novamente, deixando que aos poucos as indagações morressem. Por sorte isso não chegara no ouvido de Ares, que por sinal, logo ficou entretido em buscar por um novo guardião para a armadura de Carina, já que duas das amazonas em potencial que lutariam por ela, haviam desistido.
Chegava a ser irônico, o que só fora ficar sabendo há pouco tempo atrás, enquanto conversava com Shaka. Aimê, irmã mais nova de Eurin, fora treinada pela amazona para ser sua sucessora, porém desistira disso por Aaliah. E Isadora também era uma concorrente a armadura, pela mãe, que havia sido mestra de Eurin, mas também havia desistido.
Sem duvidas isso era uma grande ironia, porque definitivamente não acreditava em coincidência. Depois dos longos anos que já vivera em meio a tantas guerras, deixara de acreditar em coincidência e principalmente, em sortudos e azarados.
Ergueu parcialmente a cabeça, vendo a expressão serena com que a jovem dormia. Só esperava que o Grande Mestre não pegasse tão pesado com ela, afinal, Isadora não tinha culpa do que acontecera no passado que a obrigara a tomar a decisão de ir embora.
Só esperava que isso não a influenciasse a tomar qualquer atitude drástica, movida pelo desespero, agora.
Deu um baixo suspiro, ouvindo-a murmurar algo acordando. Levantou-se rapidamente, indo sentar-se na beira da cama.
-Milo; ela sussurrou, abrindo os orbes, deparando-se com o cavaleiro.
-Estou aqui com você, não se preocupe; ele sussurrou, afagando-lhe as melenas esverdeadas.
-Mas...;
-Xiiiiii, vai ficar tudo bem, agora descanse; o cavaleiro falou, arrumando melhor a colcha sobre ela.
-...; Assentiu silenciosa, tentando não pensar no que estava acontecendo, mas sentiu as lágrimas correrem por sua face.
Havia prometido a si mesma que jamais aquela cena voltaria a se repetir, fora fraca ao se permitir perder o controle, mas o que estava feito, não poderia ser mudado.
-Acho melhor eu ir para a casa, já te causei problemas demais; Isadora falou, tentando se levantar.
-De maneira alguma mocinha, você não sai daqui; Milo falou, fitando-a com um meio sorriso. –Estamos juntos nisso e vamos resolver isso juntos; ele completou, fazendo-a voltar a deitar-se. –Deixa que com a fera eu me entenda;
-Mas...;
-Descanse, vou fazer um chá pra você; Milo falou.
-Obrigada; Isadora falou, num fraco sussurro.
-Amigos são pra isso; o cavaleiro falou, dando-lhe um beijo suave no alto da testa, antes de se levantar e deixar o quarto.
-o-o-o-o-
-Amigos são pra isso; ele ouviu o cavaleiro dizer.
Afastou-se da porta, voltando para a sala, aquele não seria um bom momento para fazer perguntas, mesmo porque se sentia impotente diante de tudo aquilo. Em seu intimo buscava uma forma de ajudar, mesmo que não soubesse o que estava acontecendo e também, temesse perguntar.
Suspirou cansado, chegando ao salão principal do templo, até estancar ao ouvir a voz do Escorpião lhe deter.
-Afrodite;
Virou-se cauteloso, vendo o cavaleiro parando, encostando no batente da porta, como se soubesse precisamente que iria encontra-lo ali. Engoliu em seco, ainda não sabia o que era pior, Milo falando besteira bancando o Escorpião pervertido e inconseqüente, ou aquele cara que via agora, sério, cujos objetivos jamais seriam abalados.
-Se quiser vê-la pode entrar, apenas não a acorde; o cavaleiro falou, com ar impassível. –Vou fazer um chá para ela; ele completou, passando por ele, indo até a cozinha.
Acompanhou-o com um olhar confuso, isso era de dar medo; Afrodite pensou, dando alguns passos incertos e trêmulos até a porta que ele deixara entreaberta. Abriu-a lentamente, tentando não fazer barulho.
Viu-a deitada na cama, dormindo com uma expressão serena. Bem diferente da que a vira a momentos atrás. Aqueles olhos vermelhos, o ar frio e porque não dizer com um 'Q' a mais de crueldade. Um arrepio correu pelo meio de suas costas, porque ela lhe lembrava tanto a si mesmo?
Muitas vezes já se pegara perguntando, como contaria a Aaliah que não era metade do anjo que Aimê pintara para a garota desde que nascera. Poderia dividir sua vida em três fases.
O passado que vivera com Aimê, aquela vida que sempre desejara, apesar dos treinamentos e incertezas sobre o que viria depois, aquele romance inesquecível que gerara o mais precioso dos frutos.
Depois, o período das guerras, aquele que marcara sua vida por vários pontos, entre os quais, jamais se esqueceria do desespero da saudade e depois, o conformismo de que as coisas não mudariam tão cedo, quando passou a se transformar naquilo que Eurin sempre desejara. Um demônio com rosto de anjo.
Por ultimo, aquilo que vivia agora, algo que simplesmente não sabia como definir. Sua vida mudara muito nos últimos cinco anos, desde que voltara. Não que reclamasse, mas jamais pensou que fosse ver em outra pessoa, uma fase que desejava enterrar, de sua própria vida.
Ouviu um baixo murmúrio, fazendo com que acordasse de seus devaneios e pisasse com mais cautela no chão de tacos. Aproximou-se até a beira da cama, perguntando-se se deveria ou não sentar-se naquele pequeno espaço? Até desistir de lutar contra sua própria razão.
Sentou-se, ouvindo um baixo murmurou vindo da jovem, quando a colcha caiu parcialmente de sobre seu ombro, revelando algo que passara completamente despercebido diante de seus olhos na noite passada.
Franziu o cenho, vendo as duas rosas. Azul e Vermelha. Iguais aquelas que Marin e Aiolia receberam de alguém, que negaram-se a revelar. Instintivamente tocou a tatuagem com a ponta dos dedos, sentindo-a estremecer.
Recuou, pensando tê-la acordado, mas Isadora parecia finalmente estar calma o suficiente, para cair num sono profundo.
Deu um baixo suspiro, enquanto intimamente se questionava, sobre quantos segredos mais ela ocultava, que mesmo com aquela expressão serena, lhe atraia tanto a atenção. Ou seria apenas isso?
Balançou a cabeça levemente para os lados, tentando acreditar que tudo aquilo estava acontecendo apenas para mudar a opinião da jovem. Tudo bem, que já ouvira outros comentários do tipo e nunca se importara, mas porque, quando ela tirara tal conclusão sobre si, simplesmente entrou em pânico?
Não, provavelmente deveria ser alguma outra coisa; ele concluiu, temendo admitir para si mesmo, que já tinha as respostas, para as perguntas que fazia desde o dia que a vira cair na floricultura e ser amparada pelos braços do Escorpião, fato que ainda martelava em sua cabeça e lhe incomodava, deveras.
Um novo suspiro saiu de seus lábios, elevou parcialmente seu cosmo, fazendo surgir entre seus dedos uma delicada rosa vermelha sem espinhos, colocou-a sobre a cama, próxima a jovem e levantou-se em seguida.
Por algum motivo, não desejava estar ali quando a jovem acordasse. Isso só tornaria as coisas mais difíceis para ela. Como Yuuri dissera, quando fosse o momento, ela lhe contaria tudo, se confiasse em si para tanto.
Deixou o quarto, a passos silenciosos. Encontrou com Milo no corredor, despedindo-se dele apenas com um breve aceno, enquanto encaminhava-se para Peixes.
III – A Viagem.
Passou a mão nervosamente pelos cabelos, enquanto subia os templos com a namorada. Havia conversa com o amigo sobre algumas coisas e prometera viajar com ele, mas como contar a ela? –ele se perguntou.
-Saga, o que esta me escondendo? –Litus perguntou, séria.
Sentia a tensão e nervosismo do namorado mesmo a distancia, quando estavam na arena mal haviam tido tempo de conversar, pois assim que chegara, fora logo ter com as outras garotas a conversa que haviam adiado na noite passada, mas agora ele não escapava.
-Nada amor; Saga respondeu, com um sorriso nervoso, estreitado os braços em torno da cintura dela, enquanto subiam os templos.
-Saga; ela falou, em tom de aviso.
Respirou fundo, era melhor dizer logo; ele concluiu, conhecendo bem o gênio da namorada quando contrariada.
-Estive conversando com Aioros...; Ele começou, enquanto entravam em Gêmeos.
-Sei; Litus falou, gesticulando de forma que o mandasse ser mais objetivo.
-Bem... Ele me pediu q-...;
-Fosse com ele para o Brasil; ela o cortou, sentando-se confortavelmente no sofá.
-Ahn? Como sabe? –Saga perguntou, surpreso.
-Querido, aprenda uma coisa. Enquanto você vai com a farinha, estou voltando com o bolo; Litus falou com um largo sorriso, cruzando as pernas e apoiando as mãos sobre o colo. –Alem do mais, o Leo me contou o que esta acontecendo; ela completou, voltando-se para o namorado, vendo-o com um olhar chocado.
-Mas...; Ele balbuciou. Estava passando todo aquele martírio para contar a ela, algo que ela já sabia? Isso era frustrante; o geminiano concluiu.
-Bem, como vocês vão com o Aioros, eu deixo você ir; Litus falou, com um sorriso maroto.
-Ahn! –Saga murmurou, piscando os olhos seguidas vezes. –Bem, e se não fosse com Aioros? –ele perguntou curioso.
-Você acredita mesmo que iria viajar sozinho? –ela perguntou, arqueando a sobrancelha.
-...; Abriu e fechou a boca varias vezes, sem conseguir uma resposta.
-É melhor ir fazer as malas, o Leo me disse que vocês vão hoje a noite, não é? –Litus perguntou.
-É, mas voltamos no máximo em três dias; Saga respondeu, abraçando-a pela cintura, fazendo-a sentar-se em seu colo.
-Vou sentir saudades; ela sussurrou, aconchegando-se entre seus braços.
-Eu também; ele sussurrou, tocando-lhe a face carinhosamente, vendo-a erguer a cabeça.
Serrou os orbes lentamente, sentindo a respiração dele chocando-se contra sua face, para no momento seguinte, seus lábios se encontrarem em um beijo terno.
IV – Entre amigos.
Abriu os olhos lentamente, sentindo o cheiro de rosas invadir-lhe as narinas. Um arrepio de medo correu suas costas, fazendo seu coração acelerar. Abriu os olhos, surpreendendo-se ao ver uma rosa vermelha na beira da cama, bem próxima de sua face.
Será que Afrodite estava ali? –Isadora se perguntou, engolindo em seco.
-Ele passou aqui para te ver agora de pouco; a voz de Milo soou atrás de si.
Virou-se com calma agora e porque não dizer aliviada ao saber que apenas o Escorpião estava ali.
-Trouxe o chá; Milo avisou, aproximando-se e colocando a xícara sobre o criado, enquanto sentava-se na beira da mesma.
-Obrigada; Isadora agradeceu, com um sorriso triste.
-O Afrodite veio te ver; o Escorpião começou, mudando de assunto, enquanto indicava para ela tomar o chá. –Ele estava preocupado com você;
-Preocupado ou curioso? –Isadora perguntou, abaixando os olhos para a xícara e soprando-a.
-Preocupado; Milo respondeu, achando estranho a colocação dela.
-Isso me confunde; a jovem sussurrou.
-Porque? –o cavaleiro perguntou.
-Porque ele esta afim de você; ela respondeu, dando um baixo suspiro.
-Isadora, não é bem assim; Milo começou, amaldiçoando mentalmente o pisciano por ainda não ter mudado a opinião dela.
-Milo, veja bem... Para ele eu sou só a 'amiga da Aaliah' ou o possível ' novo troféuzinho do Escorpião'; Isadora falou, fazendo o sinal de aspas com uma das mãos. –Então, se ele está preocupado com alguém, é com você; ela completou em tom de sentença.
Agora foi a vez do Escorpião suspirar frustrado, passou a mão nervosamente pelos cabelos, tentando encontrar uma forma de explicar a jovem, que as coisas não eram bem como ela imaginava.
-Isa; Milo chamou-lhe a atenção. –Somos amigos há muito tempo, não? –ele perguntou.
-Dezoito anos; Isadora respondeu, com ar pensativo, como se sua mente voltasse no tempo.
-Então, depois de dezoito anos de amizade, você acredita quando eu digo que para o Afrodite, você não é nenhuma das duas opções? –o Escorpião perguntou, fitando-a seriamente.
-Do que esta falando? –Isadora perguntou, confusa.
-Acredite, o Afrodite não é gay, muito menos bissexual. E as ações dele nos últimos dias, não são por ciúmes de mim e sim de outra pessoa; ele completou, com um olhar sugestivo.
-Besteira; Isadora balbuciou, levando a xícara aos lábios.
-Acha que estou mentindo? –Milo perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Confio em você, Milo. Mas acho que isso é coisa da sua imaginação; a jovem falou, veemente. –Alem do mais, não temos nada a ver um com o outro; ela completou.
-Como não? –o Escorpião perguntou, indignado.
-Isso mesmo, você sabe. Ele é todo fresquinho e delicado, não é o tipo de pessoa que se interessaria por mim; Isadora falou, ignorando o olhar chocado dele.
-Isa-...;
-Quer apostar que se eu fosse um tipo de 'patinho feio', ele não só, não olharia para mim, como ainda lhe chamaria de louco, por ficar perto de mim; ela continuou.
-Isa, tudo bem que o Afrodite tem um gênio meio complicado, mas as coisas não são assim; Milo começou, vendo que a situação era mais critica do que imaginava.
-Milo, ele só falta andar com uma plaquinha pendurada no pescoço dizendo 'I love me' e depois esses 'pitis'. Quer que eu pense o que? –ela exasperou.
-Que é melhor você descansar e esfriar a cabeça; Milo falou, respirando fundo. –Depois vamos falar com o mestre e resolver as coisas;
-...; Ela assentiu, meio amuada.
-Não se preocupe, vai dar tudo certo; ele falou, lhe passando confiança.
-Tomara; Isadora sussurrou, enquanto se despediam e ele deixava o quarto.
V – Rosa.
Entrou em seu templo indo diretamente para o quarto. Precisava colocar a mente em ordem.
Agora entendia porque Apolo a chamara de Ermond, de Eliot Ermond. Um dos últimos condes da Áustria que residiam na Baviera.
Aquelas rosas eram azuis; Filipe pensou jogando-se na cama. Ela criava rosas azuis, como será que desenvolvera aquela técnica? Ou melhor, quando e onde ela treinara, para não tê-la conhecido antes? –ele se perguntou.
Instintivamente tocou os lábios com a ponta dos dedos. Era difícil de acreditar que aquela garota tão doce que beijara na noite passada, era a mesma que vira lutar na arena com tal indiferença, que lhe lembrava a si mesmo. Isso definitivamente não podia ignorar.
Ainda conseguia sentir o calor do corpo frágil entre seus braços, ambos movendo-se com suavidade, embalados pela doce melodia, na Toca do Baco. Como as coisas podem mudar tão radicalmente em menos de vinte e quatro horas; o cavaleiro pensou.
-Isadora; ele sussurrou, estranhamente sentindo o coração se aquecer ao lembrar-se dela.
Desde que Aimê partir, acreditou que alguns sentimentos jamais iriam despertar novamente em seu coração, mas o que mais lhe surpreendeu foi que eles não só estavam despertos, como alguns que pensou não existirem, também se manifestarem com grande freqüência agora.
Ciúme... Sem duvidas esse era um deles, que parecia seu companheiro fiel nos últimos dias e que pensou que jamais sentiria isso, que não fosse por suas rosas.
Mas poderia compara-la com uma também, uma rosa delicada que embora tenha uma aparência frágil, possui os fortes espinhos para se proteger e cuja fragrância suave é tão encantadora, que o faria ir até a beira de um abismo, apenas para sentir-la por alguns segundos.
Um baixo suspiro saiu de seus lábios e antes que pudesse perceber, já havia adormecido.
Continua...
