[Supernatural] Acredite
Disclaimer: Jared, Jensen e qualquer outro ator aqui citado não me pertencem. Eles são pessoas reais, e não é minha intenção ofender nenhum deles. Essa história é apenas uma fantasia louca criada por uma autora ainda mais louca que a história. Isso é apenas uma ficção criada de fã para fã e eu não ganho nada escrevendo isso. É uma fanfic Slash, dois homens numa relação amorosa, então, se não gosta, não leia.
Classificação: +18
Gênero: Angst / Drama / Tragédia / Romance / Yaoi / Lemon / UA (Universo Alternativo)
Avisos: Relação homossexual! Drama! Angst! E, dependendo de como você ver, altos níveis de açúcar em algumas cenas! Prosseguir com a leitura, ou não, os riscos são todos de vocês! ;)
Shipper: PadAckles (Jensen Ackles/Jared Padalecki)
Sinopse: Eles se conhecem há anos. Eles eram melhores amigos. Um, tímido e reservado. O outro, sorridente e amigável. Da amizade pode surgir um sentimento mais forte? "Acredite... Eu te amo." (PadAckles, UA)
Beta: RubensWTP (Rubens Murray Padalecki). Os erros são todos dele! :)
Então, gente... Novamente, aqui! Sinceramente, quando voltei a postar, achei que no final do mês já teria chegado ao capítulo em que estava, inclusive o outro que já tinha terminado pouco antes de as Fanfictions terem sido excluídas, mas não consegui manter esse ritmo!
Explicação? Vou dar uma mais por educação e respeito a vocês, mesmo, porque juro que hoje não estou com cabeça pra nada! Minhas provas oficiais começaram. As professoras estão enchendo a gente de tarefa e de trabalhos. Tem também um amigo meu passando por momentos difíceis na vida dele, brigas em casa, misturados a mais uns problemas pessoais... Enfim. Isso tem acabado com a minha paciência pra parar e calmamente digitar minhas Fanfictions, revisar, procurar um nome legal para o capítulo e enviar para meus betas. Peço desculpas por não ter respondido os reviews dessa vez. Respondo no próximo capítulo! (Que, se nada acontecer pra atrapalhar, será postado amanhã, sem falta)
No mais, espero também que ninguém tenha se ofendido, porque realmente não foi minha intenção.
Boa leitura.
Capítulo 7. Never had a voice to protest
(Nunca tive voz para protestar – Stone Sour) [Bother]
A expressão de Jensen mudou assim que o viu. De levemente curioso e hesitante foi pra uma careta de horror – e no mesmo instante Jared desejou nunca ter passado pela porta.
– Jen? – Misha interrompeu o silêncio, chamando-o delicadamente. – Jen, tudo bem?
Mas o louro não respondeu. Tão repentinamente que sobressaltou a todos, Jensen arrastou-se para fora da cama, o mais distante de Jared que conseguiu – o que significa que acabou encostado na parede.
– Ah, não. – gemeu, tateando suas costas, como se tentasse encontrar uma saída. – Por favor, não.
– Jen, eu não... – Jared caminhou em sua direção, hesitante.
– Não chega perto de mim! – as palavras lhe atingiram como um tapa, e ele parou de andar quando já estava quase frente a frente com o Ackles.
– Hey, Jen, calma. – Misha ergueu os braços, falando carinhosamente enquanto tentava fazer o louro ficar menos alterado. Mas a verdade era que até mesmo ele não sabia o que fazer, não sabia como devia reagir. – Só ouve o que ele tem pra dizer... Ou tenta ouvir. É só o que ele está te pedindo.
Jensen o ignorou completamente, e, embora tremesse e ainda parecesse assustado, deu um passo à frente.
Jared viu o soco chegando. Mas não se defendeu. Num segundo, eram só ele e Jensen se encarando – finalmente frente a frente depois de tantos anos. No outro, era ele caído, com o maxilar dolorido, e Jensen com o punho cerrado à sua frente, uma expressão surpresa no rosto.
– Jared! – Jake correu até ele, preocupado. – Jay, cara, tá tudo legal?
O Padalecki não respondeu. Apenas moveu o maxilar dolorido, enquanto encarava Jensen – que parecia confuso – e se perguntava mentalmente em que momento o louro aprendera a socar tão forte. Não esperava que pegasse leve com ele, mas, por Deus, seu maxilar estava doendo de verdade.
– Jensen...? – o sussurro acabou escapando de seus lábios um pouco inchados.
– Não é real. – Jensen cobriu os ouvidos com as mãos e fechou os olhos, afastando-se de Jared novamente. – Não é real, não é real, não é real...
– Jen. – Misha segurou o louro pelos ombros e balançou-o levemente. – Jen, me ouve! Ei, não é uma alucinação! Por favor, abra os olhos!
– Não é real, não é real, não é real... Não é real... Não é... Real...
– Jensen!
O louro finalmente abriu os olhos, e encarou os olhos azuis Misha. Para o espanto do Collins, Jensen o empurrou, parecendo assustado.
– Droga, droga, droga! – esfregou a testa de um jeito frenético, enquanto andava de um lado ao outro do cômodo. Jake, Jared e Misha o encaravam, atônitos, o segundo ainda testando a sensibilidade do maxilar. – Eu enlouqueci. É isso. Ou eu enlouqueci ou eu morri. O Misha vai me matar. Droga, droga, droga, não era pra nada disso estar acontecendo! – se virou para Jared, ainda esfregando a testa. – Droga! Você não é você, mas se fosse, eu juro por Deus que queria te dar outro soco! Cara, como assim você foi embora?! Você não, digo... O Jay... O Jared. – balançou a cabeça. – Não, não, não! Argh, isso não faz o mínimo sentido! – sentou-se na cama de Misha, e afundou o rosto nas mãos. – O Misha ainda vai me matar. – e então, eles puderam ouvir o som de soluços vindos da parte do garoto.
Jake e Jared se entreolharam, confusos, e Misha foi até Jensen.
– Jen... – colocou a mão sobre o ombro do louro. – Do que está falando...?
– Eu enlouqueci. – Jensen soluçou outra vez. – É disso que eu estou falando... Jared? Ele não voltou... Ele não é real. – apontou para Jared.
– Jen... Ele é, sim, real. Todos nós somos. Você não está tendo alucinações outra vez.
– Você está mentindo! – Jensen levantou-se repentinamente, batendo o pé com força, o rosto banhado em lágrimas. Apontou para Jared novamente. – Ele não é o Jared! Eu conheço o Jared! Ou pelo menos achava que conhecia! Ele foi embora! Ele foi embora e me deixou aqui! Ele não vai voltar! Eu esperei por muito mais tempo que os outros, eu esperei por sabe-se lá quantas horas, quantos dias, quantos meses eu esperei que o Jared voltasse! Mas ele não voltou você sabe? NÃO VOLTOU! Ele não vai voltar, ele não vai voltar nunca mais! Ele nunca volta! É sempre assim! Eu penso que o vi, eu vou atrás dele, ele fala comigo, mas aí ele desaparece! Você entende? Entende por que eu não posso fazer isso? Não importa o que eu faça, ele sempre desaparece no final, ele sempre some e eu fico sozinho! – o louro cobriu os ouvidos novamente e fechou os olhos. – Eu não aguento mais. Eu não quero mais saber. Minha cabeça já 'tá ferrada o suficiente sem isso, então, por favor, vai embora!
– Jen...
– Eu mandei ir embora! – Jensen se afastou de Misha quando o moreno tentou colocar a mão sobre seu ombro novamente.
Misha então olhou para Jared, como quem diz "Eu fiz tudo que podia. O resto é com você", e saiu do quarto, arrastando Jake consigo – embora o Abel tivesse lançado um olhar irritado em sua direção, pois queria ficar ao lado de Jared.
– Jensen. – assim que a porta bateu, Jared levantou-se, e caminhou em direção ao menor, tentando falar calmamente, embora sua vontade fosse chorar junto com o louro. Ele sabia que o havia ferido, e muito, mas não imaginava que fossem ferimentos tão profundos. – Sou eu. Jared. De verdade.
– Não é não. – o menor o encarou, as lágrimas ainda caindo pelo rosto. – Por favor, não faz isso comigo. Por favor, outra vez não.
Jensen não se afastou quando Jared caminhou em sua direção, embora seus instintos gritassem para que o louro corresse. Não estava mentindo quando disse que não aguentava mais, não estava brincando. Acreditara muitas vezes que Jared tinha voltado, repetidamente, e era sempre decepcionado. Saía sempre machucado, sempre ferido. Isso o enlouqueceu mais que a partida do amigo em si. Isso somado ao fato de Jared nunca sequer ter ligado para lhe dar sequer uma explicação foram o suficientes pra tirar toda sua vontade de viver.
– Eu não vou sumir de novo. Eu não vou te machucar. – Jared o abraçou delicadamente, sentindo as primeiras lágrimas começarem a cair. – Não mais, Jen. Por favor, me perdoa. Me perdoa por tudo que eu fiz pra você, me perdoa por todas as mentiras... Me perdoa por ter te machucado tanto... Por favor, Jen... Por favor...?
Droga, por que o cheiro dele tinha que ser igualzinho ao de Jared? O cheiro, a voz, o rosto... Por que tinha que parecer tanto com Jared? Jensen não podia lutar com aquilo. Não podia lutar com aqueles braços que o rodeavam, não podia lutar contra aquele aroma que se desprendia da pele do outro, não podia lutar contra o som dos soluços. Não podia lutar contra Jared, por mais que achasse que era uma alucinação. Não podia nem conter o impulso de rodear a cintura do maior com seus braços.
Estranhamente, se sentia em paz com isso.
– Mesmo que você não seja o Jared, e eu tenho certeza que não é... – fechou os olhos com força e apoiou a cabeça no peito do moreno, se concentrando no som das batidas do coração dele. – Não importa. Não importa mais nada. Você não precisa pedir perdão pra mim por causa disso, Jay. Doeu, sim, eu não posso dizer que não doeu. Doeu muito, doeu demais. Só que... Eu não sei por que, talvez seja idiota da minha parte, mas... Eu não te culpo por isso. Eu não te culpo por nada do que aconteceu. Se aconteceu, então é porque era pra acontecer, certo? – abriu os olhos e sorriu um tanto triste, antes de cutucar o peito de Jared, onde devia estar seu coração. – Eu só queria poder ouvir esse som de novo. Eu só queria poder ouvir sua voz de novo. Eu só queria poder ver você de novo. Eu só queria que isso fosse real.
– É real, Jen. – Jared o encarou infeliz.
– Não, não é. – o louro continuava a sorrir. Hesitante, como se esperasse que Jared desaparecesse a qualquer instante, secou as lágrimas do maior. – Quando eu acordar, você não vai mais estar aqui. Eu sei disso. Sabe quantas vezes eu já passei por isso? Muitas, Jay, mais do que eu posso contar. E em todas essas vezes, quando eu acordo, eu percebo que não passou de um sonho. Eu espero que seja falso, que eu volte à sua casa e encontre você sorrindo e acenando pra mim, do outro lado da rua. Por isso eu sempre volto lá. E sabe o que eu encontro?... Nada. A casa está sempre vazia. É sempre assim. Sempre. – o garoto suspirou, e encarou o chão, parecendo envergonhado, antes de encostar novamente a cabeça no peito de Jared.
Jared sabia que não havia o que pudesse dizer para o garoto mudar de idéia. O máximo que podia fazer era retribuir o abraço, e olhe lá. Qualquer coisa que fizesse ou dissesse podia fazer Jensen se virar contra ele. Não que ele não esperasse por essa reação – na verdade, ficara até surpreso quando o louro retribuíra seu abraço; ele pensara que o outro fosse socá-lo novamente –, mas não queria que Jensen estivesse irritado. Por mais que achasse que merecia, ele sabia que sofreria se o outro se irritasse com ele.
"Eu ainda vou me redimir por todos os meus erros, Jen." o moreno fechou os olhos, apoiando o queixo no ombro do amigo. "De alguma maneira. Eu prometo."
–- J2 -
– Como ele está? – Misha levantou os olhos para o moreno assim que ele desceu as escadas, parecendo cansado.
Jake, sentado no sofá à sua frente, permaneceu em silêncio, parecendo emburrado. Estava assim desde o momento em que Collins o arrastara do quarto. Droga era tão difícil entender que não queria que Jared ficasse sozinho com Jensen? Sem querer ofender o louro, mas ele já não estava meio paranóico? Até acertara um soco no ex-melhor amigo! – ou melhor amigo, agora ele já não sabia mais.
– Dormindo. – Jared suspirou, bagunçando os cabelos.
– Não foi isso que eu perguntei. – Misha ergueu as sobrancelhas, cruzando os braços. – E você entendeu minha pergunta.
–... – Jared o encarou, estreitando os olhos. Então, deu de ombros, como se não se importasse, mesmo que não quisesse responder. – No geral? Eu acho que ele está bem... Enfim, podia ter sido muito pior. – esfregou a testa com nervosismo. – O difícil foi convencê-lo a dormir. Ele acha que eu vou embora.
– Acha que ele está errado em pensar isso?
– ... Não, não acho que esteja. – Jared o encarou, sério.
O Padalecki tentava não demonstrar muito, mas a verdade era que estava é irritado com Misha. Com ciúmes, na verdade. Ora, tudo bem, ele tinha magoado Jensen, mas que raios Misha tinha a ver com aquilo? Ele podia até estar tentando proteger Jensen, mas Jared só estava tentando se desculpar, custava ser um pouco mais educado?
Respirou fundo, controlando-se. Ora, podia não ir muito com a cara do moreno, mas lhe devia essa, querendo ou não. Quem cuidara de Jensen depois que ele partira? Quem havia feito de tudo pra que o louro ficasse bem? Ah, é, havia sido Misha. Então, por mais que fosse contra sua vontade, ele devia aguentar as "alfinetadas" do Collins em silêncio. Ele merecia aquilo, sabia muito bem disso.
Talvez estivesse mesmo só com ciúmes de Jensen – que nunca tivera amigos antes dele, e agora tinha Misha, Não sabia por que, mas tinha a sensação que seria sempre assim quando o louro fizesse novas amizades. Não costumava ser uma pessoa possessiva, mas parecia que essa regra não se aplicava à Jensen.
O silêncio que se seguiu às palavras de Jared – enquanto o moreno refletia – foi constrangedor, e um tanto quanto desconfortável.
– Eu vou voltar lá. – Padalecki deu de ombros, quebrando enfim o silêncio. Não importava. Se Jensen gostava de Misha o suficiente pra que o moreno se tornasse seu amigo, o suficiente pra deixá-lo se aproximar... Então ele teria de conviver com o Collins, querendo ou não; suas opiniões não eram importantes, contanto que Jensen ficasse bem, e acima de tudo, feliz.
– Eu vou com você. – Misha levantou-se, escondendo as mãos nos bolsos de sua calça jeans.
– E eu vou pra minha casa. Jared, você me deve uma noite mal dormida. – Jake também se levantou, e encarou o amigo, emburrado. – Quando eu estiver decente, descansado e apresentável, eu explico pra sua mãe por que você dormiu fora de casa ontem. – o louro deu de ombros. – Eu invento uma desculpa.
– Valeu, cara. – Jared o encarou, agradecido.
– Tudo bem, tudo bem, chega de enrolação. – o louro foi até o moreno, e o empurrou em direção às escadas. – Agora vai lá e fica com o seu Jenny-boy, porque se ele acordar e você não estiver lá, ele vai ter um ataque, e aí o Misha te mata, e eu acredito que você não quer que ele faça isso. – acenou para Misha. – Tchau. – e sem esperar respostas, se virou e saiu, ainda parecendo emburrado.
–- J2 -
Jared encarou o louro, sentindo o olhar praticamente assassino de Misha sob suas costas. Sua vontade era de abraçar Jensen, niná-lo enquanto o garoto dormia, ou até mesmo acariciar seu rosto, seus cabelos. Mas como poderia fazê-lo na frente de Misha? Ele não sabia nem se Jensen gostaria que ele o abraçasse novamente; não sabia nem se ele aprovaria – principalmente pelo fato de ser na frente de outra pessoa, agora que as coisas entre eles estavam tão confusas.
Não, ele definitivamente não faria nada enquanto o louro não acordasse.
Além disso, só observá-lo dormir já valia. Jensen ficava lindo daquele jeito – não que já não fosse antes – apesar da aparência frágil. A pele clara quase translúcida, destacando as sardas levemente rosadas. Os cabelos louros numa desordem casual sobre sua testa, e os cílios longos ao redor dos olhos. As mãos graciosas e quase delicadas dele próximas ao seu rosto. E os lábios rechonchudos e avermelhados, ligeiramente entreabertos – era uma cena tão bonita, que chegava a ser obscena.
"Ele fica tão lindo desse jeito." pensou, mordendo o lábio inferior. "Até mesmo o jeito que sua boca se mexe quando ele respira... Será que seus lábios são tão macios quanto parecem?... Meu Deus..."
Jared balançou a cabeça, sentindo o rubor subir por seu rosto. No que estava pensando, afinal? Desviando os olhos dos lábios de Jensen, encarou as mãos pálidas do garoto, querendo apenas distrair a si mesmo – não queria nem admitir pra si mesmo que estava se perguntando se os lábios do louro eram macios –, quando algo ali chamou sua atenção. Sem pensar, pegou as mãos de Jensen delicadamente, colocando-as entre as suas.
"Estão geladas." percebeu, surpreso, observando-as.
– O que é isso? – indagou, confuso.
As duas mãos, ambas estavam marcadas, com pequenas e finas cicatrizes esbranquiçadas – quase invisíveis na pele branca do louro –, como se fossem arranhões. Ele já estaria preocupado se houvesse apenas uma. Como havia muitas, ele estava é mais que alarmado – afinal, que raios havia acontecido?
– Isso o quê? – Misha aproximou-se, parecendo preocupado.
– Isso. – Jared indicou as cicatrizes, acariciando as mãos de Jensen com delicadeza.
– Ah... Isso. – Misha suspirou, e ajeitou os cabelos, sentando-se na beirada da cama, aos pés de Jensen. – Sabia que o Jen sofre bullying na escola, Jared?
– Eu... – o Padalecki o encarou, confuso, franzindo a testa. – Sabia sim, mas... O que isso tem a ver?
– Tem tudo a ver, Jared. Tudo. – Collins suspirou novamente, cansado, esfregando a testa. – Ele tinha treze anos na época. Eu já era amigo dele há um ano e alguns meses, e já estava acostumado com suas... – ele hesitou, como se escolhesse as palavras com cuidado. – ... Eu já estava acostumado com suas "crises". E sabia que quando elas acabavam, ele sempre precisava de alguém para apoiá-lo. Não me entenda mal – sorriu, um tanto triste. – mas se eu tivesse te encontrado naquele tempo, eu teria te dado uma surra pelo que fez com ele. Não que essa vontade tenha desaparecido completamente, mas... Enfim. Eu acho que o Jen sofria mais naquela época do que estava sofrendo hoje em dia. Depois das "crises", ele ficava mais depressivo que o normal, mais carente. Ele precisava de mais atenção, e eu não me importava de passar à tarde só ouvindo-o falar de você, sobre como você era incrível. – outro suspiro. – Às vezes ele achava que ia me incomodar, e nesses momentos ele se escondia, mas eu sempre o encontrava. Eu sempre sabia aonde ele ia se esconder. Uma vez... Bem, uma vez ele teve uma "crise" na escola, durante uma aula. Não foi nada legal. Ele começou a delirar, e a falar sozinho, e pra falar a verdade, ficou assustador. A maioria dos alunos ficou com medo dele depois disso, e os que não ficaram... Bem, os que não ficaram estavam afirmando por aí que ele era um anormal, que era louco. Essas coisas. – Misha cerrou os punhos, irritado com a lembrança. – Típico de quem não tem mais o que fazer e fica se intrometendo na vida dos outros. E um dia... Bem, nesse dia em questão, no final das aulas, Jensen me esperaria perto dos nossos armários, perto da saída. A gente tinha combinado que ele ia jantar aqui em casa. Eu me atrasei um pouco – o moreno encolheu os ombros. – e a culpa foi toda minha. Eu esqueci meu livro na sala, e resolvi buscá-lo antes de me encontrar com Jensen. Afinal, alguns minutos não fariam diferença, certo?
Jared apenas o encarou, sem responder e sem entender. Por que as cicatrizes seriam culpa de Misha, se segundo ele, estava apenas indo buscar um livro esquecido, algo que não duraria nem 5 minutos?
– E o que aconteceu? – ele continuava encarando o outro moreno, a testa franzida.
–... – Misha o encarou, parecendo envergonhado, confuso, triste e se sentindo culpado, tudo ao mesmo tempo. – Eu o ouvi gritar: "Me tirem daqui!" e corri. Acabei deixando tudo na sala, só pra chegar até ele e saber o que estava acontecendo, se estava tudo bem. Sabe o que fizeram? Eles o trancaram num armário, Jared. Trancaram o Jensen num armário, e ele estava apavorado! A culpa foi toda minha! Se eu tivesse escolhido me encontrar com ele, se eu tivesse... Sido mais rápido!... Se eu tivesse sido mais rápido, eu podia impedir! Se eu...
– Ei, Misha, calma. – mesmo sem entender, Jared soltou as mãos de Jensen, colocando-as delicadamente sobre a cama, e foi até Misha, segurando os ombros do Collins. – Não foi culpa sua, tá legal? E mesmo que tenha sido, o Jen não te odeia e nem vai te odiar por causa disso. Sabe o que ele me disse quando eu pedi desculpas pra ele? Ele disse: se aconteceu, então é porque era pra acontecer.
– Jared – Misha afastou-se delicadamente do Padalecki, levantando-se também. – você realmente não entendeu onde eu quero chegar? As cicatrizes, Jared, as cicatrizes! Sabe como ele saiu do armário? Ele abriu um buraco no metal, Jared. Com as mãos. Estava desesperado o suficiente pra não ligar para as consequências e machucar a si mesmo só pra sair de um armário, pelo amor de Deus! Eu falhei com ele, Jared! Eu fiz com que ele machucasse a si mesmo! Foi um erro besta que eu cometi que só fez com que ele piorasse! Você entende o que é isso? Tudo que eu queria era protegê-lo, e tudo que eu fiz o machucou!
Jared balançou a cabeça, atônito. Estava confuso com tudo que Misha tinha lhe contado.
Principalmente com a parte do armário.
– Mas por que eles o trancaram num armário? Tipo... Pra quê? Qual foi a finalidade disso? – balançou a cabeça, confuso.
Misha o encarou, e sorriu, triste.
– Você é muito ingênuo, Jared. As pessoas fazem isso por quê? Por nada. É por pura diversão com a desgraça dos outros, é por pura maldade que eles fazem isso. As pessoas que você conheceu quando morava aqui já não existem mais. Era como se quando você estava aqui, você fosse uma bandeira branca, pelo que ouvi falar. Era amigo de todo mundo, ninguém queria implicar com você. Depois que você foi embora, meu amigo, começou. As briguinhas infantis, o bullying, as exclusões. As coisas mudaram muito. – Misha desviou os olhos para o chão. – Ou você é caçador, ou você é presa. Quem dita as regras não somos nós, são eles. E a regra agora é matar ou morrer.
