Amigas
Capitulo 7
Alice
Ela olhou com uma completa falta de interesse para o prédio de três andares que seria a sua nova moradia nos próximos quatro anos, e se perguntou se realmente agüentaria viver ali por tanto tempo. Ela se aproximou sem vontade da porta de vidro do prédio, com sua mala rosa de rodinhas. Todo o campus estava uma verdadeira confusão, com muito barulho, estudantes espalhados pelos gramados, alguns inclusive se pegando, parecia cena de sexo explicito e, Alice se perguntou : Cadê a organização estudantil desta universidade? Pois desde que pusera seus pés no campus, ninguém veio lhe desejar boas vindas ou lhe orientar na locomoção pelo campus. Ela se orientava pelo mapa e algumas placas, ante aquele mar de estudantes barulhentos.
Alice já começava a vislumbrar suas atividades extra-curriculares naquela universidade, a primeira seria virar a líder de seu bloco, a abelha rainha! Em seu bloquinho de anotações haviam nomes que ela desejava colocar em votação com as outras moradoras daquele prédio horrível, para a nova fraternidade que ela mesma criaria. Depois, seria levantar a verba necessária para efetuar mudanças necessárias naquele prédio, a começar pela pintura. Alice se arrepiou somente de imaginar as acomodações dentro do prédio, sem dúvidas ela teria muito trabalho!
Depois, de organizar sua vida doméstica dentro do campus, ela iria se inscrever para o grêmio estudantil ou na organização mais próxima que houvesse dentro daquele campus, desde que lhe proporcionasse a projeção necessária para a realização de seus objetivos. Mas, sem dúvidas a promoção da festa inaugural para os alunos do inicio do ano letivo era a sua principal atividade. Ela sorriu, pois sabia que muitos prédios e fraternidades, estavam realizando suas festas hoje, no dia de chegada dos novos estudantes.
_Precipitados! – ela daria uma festa que ficaria na história de todo o campus ou não se chamava Alice Cullen, com muita garra e suor!
Ao abriu a porta de vidro, ela se surpreendeu com uma moça loira, normal em seu ponto de vista, distribuindo um batom para as novas moradoras e desejando as boas vindas:
_Olá, meu nome é Lauren Mallory, desejo-lhe as boas vindas ao nosso prédio! Estou aqui para ajudá-la no que for necessário, pegue meu cartão, tenho certeza que seremos boas amigas!
_Olá Lauren! Nossa você fala isto para todas que entram aqui?
_Sim! Você deve ser Alice Cullen, recebi a lista das novas moradoras e posso lhe dizer que todas seremos grandes amigas! Neste prédio a disciplina e boa convivência é nossa regra básica, já fomos premiadas quatro vezes e sempre somos alvo de referências e, das melhores pelas nossas atividades internas. Queremos poder contar com a sua ajuda querida!
Alice sorriu diante de todo aquele discurso! Sim, ela tinha ótimos planos par auxiliar no bom convívio daquele prédio.
A porta tornou-se a abrir e Alice, viu entrando uma garota alta e loira, ela tinha uma beleza, que poderia incomodar e muito as meninas mais fracas e desprovidas, o que não era o seu caso!
_Lauren, tudo bem por aqui? –
_Sim Rose, acabamos de receber Alice Cullen, faltava somente ela! – a recém-chegada olhou para Alice com cordialidade e um lindo sorriso em seus lábios, o que fez Alice pensar que ela daria uma excelente Miss Universo, pela beleza e simpatia!
_Olá Alice, sejam muito bem vinda em nossa casa! Teremos uma festa de confraternização, somente para as moradoras deste prédio, logo mais a noite, venha! Será uma excelente oportunidade para todas nos conhecermos melhor!
Alice subiu os degraus da escada estreita que a levou até o seu andar, o terceiro, ela procurou ignorar o ambiente escuro do corredor, que definitivamente estava fora de seus padrões e gosto. O corredor estava com uma movimentação intensa de meninas que iam e vinham dos quartos ou dos andares, uma inclusive a auxiliou, trazendo sua pesada mala e outra o resto de suas coisas que ficaram do lado de fora. Todas muito simpáticas e cordiais e, isto Alice viu com bons olhos, pois não seria assim tão difícil dar inicio aos seus planos de reforma imediata daquele prédio deprimente.
Assim que ela se viu de frente para a porta de seu apartamento o sorriso de satisfação que ela sustentava em seu rosto perdeu-se no infinito! Alice não podia acreditar no que seus olhos arregalados viam!
_Oh Meu Deus! – ela pronunciou cada palavra lentamente, mas muito mais lento foi a reação de seus pés que a conduziram para dentro de seu novo lar.
_Mas isto é um cubículo! - sua indignação com o tamanho do apartamento foi aumento conforme ela foi olhando "superficialmente" para tudo a sua volta. Para seu completo horror, ela viu perto da porta o balcão escuro de alvenaria da minúscula cozinha. Com cara de quem levava um choque elétrico ela viu o fogão com abas, um verdadeiro museu, e os armários de parede e do lado interno do balcão. Alice se sentiu posta em um daqueles filmes quadrados dos anos sessenta. Quando ela se vira, o que exigiu muito de sua pequena figura, pela falta de espaço, ela por pouco não grita de susto e de espanto ao se deparar com um sofá de dois acentos posto abaixo da janela com uma cortina amarela de rendinhas, que continha buraquinhos indecentes.
Ele, o sofá, era detentor de uma estampa xadrez, que Alice se esforçou e, muito, para imaginar a época e circunstância de sua criação. Um verdadeiro show de mal gosto, mas ainda tinha o toque final, o sofá era encardido! Seu nariz franziu para cima, como se ela estivesse sentindo arrepios e mal cheiro por todo o lado. E seus passos dentro do apartamento ainda eram temerosos. Quando ela, sem precisar andar muito, se vê de frente para seu terror mais profundo e bestial!
Não teve jeito, não houve controle, seu grito saiu, bem lá do fundo de seu âmago! Ela sentiu todo o seu corpo tremer e suas mãos foram parar em suas bochechas como se quisessem segura-las para não caírem diante daquela cena aviltante!
O grito de Alice talvez tenha sido ouvido nos prédios mais distantes, as meninas apareceram em frente a sua porta, que ela não fechou por puro medo, se acotovelando. Era um emaranhado de cabeças com cabelos curtos, médios, longos, presos e soltos e das mais variadas cores. Os olhos delas apresentavam medo e curiosidade quando viram o corpinho de Alice encostado na parede tremendo, ela com os olhos arregalados e a boca escancarada, parecia que ficara congelada naquela posse, catatônica? Talvez!
As meninas entraram juntas, parecia que haviam sido grudadas com cola! Umas traziam em suas mãos, tamancos e saltos finos, para tascar na face de algum mal feitor. Outras portavam pequenos frascos de perfumes, imaginando que um esguicho bem certeiro no olho poderia resolver! Olhavam para o chão, para a parede e para o teto e não viram nada de anormal. Quando chegaram, grudadas, junto de Alice vieram as perguntas em uma única explosão:
_O que foi?
_Está bem?
_Porque o grito?
_Ela não fala?
_Mas ela gritou!
_Está em choque, vejam!
_Mas por que?
E o falatório se alternava e repetia, até que uma voz autoritária irrompeu da porta de entrada do apartamento, era Rosalie Hale!
_Mas o que está acontecendo aqui? – do alto de seus mais de um metro e setenta e cinco, ela empurrou o aglomerado de meninas e chegou até a pequena e trêmula Alice.
_Alice? O que houve? – dizendo isto ela a pega pelos ombros a sacudindo. A pequena moveu seus olhos e depois fechou a sua boca engolindo sua saliva antes de dizer:
_Como assim o que está acontecendo? Vocês viram isto? Olhem, olhem lá dentro – seu dedinho apontou para dentro da porta aberta do pequeno cômodo que era o banheiro. Novamente várias cabeças foram tiradas da frente por uma Rosalie determinada, que invadiu o pequenino banheiro em busca sabe se lá do quê! Ela olhou o chão e nada, o mesmo piso verde dos outros dormitórios, olhou as paredes e normal! Olhou para a privada com a tampa abaixada e a ergueu em um único impulso, nadinha! Então ela se voltou para a cortina de plástico com estampas de peixinhos, a área destinada ao chuveiro e a puxou de uma única vez, a única coisa além do chuveiro que ela viu, foi o tapete amarelo, em formato de dois enormes pés.
Rosalie saiu do banheiro e perguntou novamente o que havia acontecido para Alice gritar daquele jeito?
_Isto aconteceu! Esta caixa de sapatos onde vamos morar é ultrajante! Mas este banheiro, este banheiro é, é demais para mim! É minúsculo, não cabe uma banheira, não cabe a minha escova de dentes!
A balburdia foi geral, umas diziam que foi mesmo um choque quando viram o espaço da moradia, outras diziam que entendiam o desespero da pequena Alice, pois tiveram um igual, e o falatório cresceu tanto que Rosalie Hale praticamente teve que gritar também!
_Você gritou daquele jeito por causa do apartamento? Alice você está aqui para estudar, não é uma colônia de férias!
_Sim, e precisamos perder nosso estilo de vida por causa dos estudos? Esta é uma das melhores universidades de toda a Gran Bretanha, freqüentada pela nata da sociedade, é inadmissível que nos ofereçam aposentos medíocres como estes! Não somos filhas de proletariados...e...!
Rosalie deu as costas ao discurso de Alice e saiu do apartamento irritada! Ela pensou que a pequena lhe daria trabalho e agora podia imaginar o motivo da outra menina fugir dali assim que viu que seria a companheira de quarto daquela dondoquinha.
