Peamaps - Capítulo 7
Na manhã seguinte Haldir despertou com sua cabeça à ponto de estourar. Conforme foi se lembrando do que ocorrera na véspera, ele amaldiçoou sua memória. Ele faria qualquer coisa para não se lembrar que fora capaz de fazer Legolas chorar, ao mesmo tempo que ele mesmo sofria imensamente por achar que o amado príncipe de Mirkwood e arqueiro mais famoso entre os elfos sentia apenas dó dele. Era tão humilhante quanto doloroso, quase insuportável. Seu rosto se contorceu, assim como seu corpo que se encolheu como uma bola e ele chorou copiosamente. Como queria poder fazer as pazes com Legolas e descobrir que estava enganado, e o elfo o amava de verdade.
Ele sempre soube. Não era preciso ser um gênio para perceber que se ele fizesse um enlace desses com Legolas, ele o desejaria ainda mais. Desde a noite em que Faramir lhe dera o afrodisíaco, Haldir, que sempre pensava no príncipe, passara então à viver por ele.
Temia agora que fosse morrer de coração partido, sem ter tempo de salvar seus irmãos antes.
Ele pensou em Galadriel, se ele deveria reagir e fazer a coisa certa, mas Haldir estava deprimido. Não, ele precisava cuidar de sua família, mesmo que virar as costas custasse o destino de toda a Terra-Média. Haldir simplesmente não tinha energia o suficiente para heroísmo agora.
Isso mesmo, ele iria reunir seus irmãos e partir.
Não foi difícil encontrá-los. Rúmil e Orophin ficaram com o turno da noite, e ele teria estado com eles não fosse Galadriel querer ele para aquela noite.
Ele aguardou um pouco até que seus irmãos mais novos retornassem. Quando o fizeram, Haldir mandou que entrassem depressa e fechou a porta.
-Nós vamos partir. -Ele começou.
Os irmãos sabiam do que acontecia entre ele e Galadriel, de toda a chantagem e que era apenas uma questão de tempo para que Haldir se cansasse. E antigamente, Galadriel mantinha os dois irmãos longe de Haldir para impedir qualquer fuga, com o tempo, Haldir pareceu se rebelar menos e baixou sua guarda. Eles então começaram à planejar a fuga quando Haldir foi capturado por Gondor. Na esperança de que o irmão fosse encontrado e preferindo contar com o grande exército que residia em Lothlórien, Rúmil e Orophin decidiram ficar. Em dez anos, embora caíssem em desespero de quando em quando, eles jamais abandonavam a crença de que o irmão estava vivo.
Eles saíam em missões secretas, sem que sua senhora soubesse e procuravam o irmão. Jamais imaginaram que Gondor agora pegasse elfos homens, e por isso nunca se aproximaram tanto de Minas Tirith, mas Haldir lhes contou que mesmo que o tivessem feito eles jamais o veriam pois ele viveu mais da metade do tempo no calabouço.
Sem perderem tempo e com metade das mochilas já prontas, cada um dos três irmãos loiros terminou de preparar suas bagagens para a partida.
-Desta vez iremos até o fim. -Haldir disse decidido. Seu olhar frio de uma forma que seus irmãos jamais viram antes. -Se alguém entrar em nosso caminho...
Rúmil consentiu com a cabeça:
-Nós o matamos.
-Não importa se estudamos com ele, se brincamos juntos. -Orophin concordou.
-Somos só nós três. -Haldir abriu os braços para que eles se aproximassem.
Eles colaram as testas uns nos outros, querendo dar e ao mesmo tempo ganhar coragem com o ato. Suspiraram fundo, deliciados por estarem reunidos e por se amarem tanto. Rúmil e Orophin fariam qualquer coisa para que seu irmão mais velho finalmente tivesse alguma paz na vida. Pela maior parte de sua vida, Haldir viveu por eles, como um pai, mais do que um irmão mais velho. Dali em diante ele precisava ser cuidado.
Ninguém ali sabia que Legolas pensara o mesmo, há muito tempo atrás.
-Lembrem-se que qualquer elfo que tente nos impedir, embora não o faça por mal, nem imagina o que Galadriel tem feito. -Haldir continuou. -Eles irão defendê-la até o fim, assim como nós três mesmos fizemos, há muito tempo atrás antes dela...dela encontrar aquilo.
Os três saíram resolutos. Haldir era o chefe de toda a guarda, hoje substituída por outro. Galadriel prometera que ele retornaria à seu posto. E como aquele que estava acima de todos e guerreiro mais capaz de toda Lórien, Haldir conhecia muito bem os atalhos, assim como seus irmãos sabiam dos horários e lugares onde grupos de elfos montavam guarda, e assim eles evitaram serem vistos.
A caminhada foi tranquila e eles não pretendiam parar, ao menos enquanto estavam em Lórien e continuaram seguindo mesmo quando cansaram-se.
Por três dias e três noites eles caminharam sem parar, sem comer, usando e abusando de toda a força inerente à raça élfica.
Quando puderam ficar um pouco para trás, Rúmil e Orophin cochicharam que o irmão parecia terrivelmente quebrado, que ele estava deprimido e imaginaram se Legolas tinha algo à ver com isso.
A resposta os esperava no dia seguinte.
Eles chegavam ao limite daquele reino que um dia fora chamado de lar, um lugar onde podiam descansar e viver, mas que há muito tempo havia se tornado uma terra de suspeitas contra sua própria senhora e eles viveram na defensiva até então. Orphin e Rúmil chegaram até questionar se Galadriel não tivera algo à ver com o desaparecimento de seu irmão mais velho, chegando um dia à invadir seu quarto quando ela estava ausente, esperando encontrá-lo amarrado à cama ou algo parecido.
Os três belos irmãos haviam se sentado numa clareira. As armas foram deixadas bem ao lado de seus corpos para que pudessem reagir depressa, mas suas mentes estavam concentradas na comida que finalmente iriam saborear. Nenhum dos três reclamara mas cada qual já começara à tremer por falta de alimento e era com gosto que eles se preparavam para a refeição e quem sabe, algum descanso.
A expectativa foi confirmada por Haldir, que disse:
-Vocês irão dormir enquanto eu monto guarda. Apenas uma hora e durmam de olhos abertos.
-Nem pensar, -Rúmil e Orophin disseram quase juntos. -Você irá dormir.
E então os dois elfos mais novos começaram a discutir qual dos dois ficaria de guarda, comandando para que o outro dormisse.
-Fiquem quietos! -Haldir resmungou. Sua cabeça doendo mais do que nunca. -Rúmil, você é o mais novo e o mais fracote. -Ele entortou o canto da boca num meio sorriso. - Durma por uma hora. Nós vamos descansar duas hora aqui. Então Orophin ficará de guarda e mais tarde vocês dormirão novamente enquanto eu monto guarda, mas isso será longe daqui.
Rúmil e Orophin se entreolharam sorrindo. Como sentiram falta da praticidade de Haldir. Quando eram somente os dois, eles discutiam pelas coisas mais estúpidas. Haldir era a voz da sanidade, da racionalidade, aquele que sempre tinha a resposta mais simples para os problemas.
Rúmil já estava de guarda quando ele ouviu o farfalhar de folhas, próximo a ele. Imediatamente uma flecha estava preparada e mirando sua arma, ele começou à caminhar lentamente em direção ao barulho.
As folhas se moveram novamente e certificando-se que ele tinha a figura atrás da moita à mercê dele, ele disse, em voz alta o suficiente para também acordar seus irmãos:
-Saia daí, calmamente.
Haldir já estava em pé, embora tenha cambaleado e seu irmão o ajudou, levantando-se logo em seguida. Os três elfos começaram à fechar um círculo em volta do estranho, que saiu de trás da moita com as mãos para cima.
-Calma amigos, -disse uma voz em sindar.
-Saia já daí de trás! -Gritou Haldir, erguendo sua espada.
O estranho era um elfo, e por um momento os três não imaginara de onde ele seria. Mas Haldir esteve em Mirkwood, nem que somente por um dia mas ele gravou em sua mente os desenhos e as cores usadas nas vestimentas deles.
-O que está fazendo aqui e quem é você? -Indagou ele agressivo, mas sem perceber já baixava a espada.
-Eu sou Morcugu (pomba negra), um dos soldados da guarda que trouxe o príncipe Legolas, Haldir.
Haldir franziu a testa.
-E o que você está fazendo aqui? Tão longe de Lothlórien?
-Bem... nós viemos aqui por sua causa, mas então o príncipe decidiu encurtar suas férias e tomou outro rumo. Mas eu...eu me sinto embaraçado por isso, mas parece que eu me perdi deles.
-Mas como você se perdeu? -Haldir perguntou intrigado. Sua espada já de volta à bainha. -Com certeza você sabe voltar para casa. É só seguir direto por aqui mesmo.
Toda vez que o guarda olhava para Haldir, um brilho cheio de ódio aparecia em seus olhos e os irmãos de Haldir continuaram alertas, mas sem entender porque o elfo agia dessa forma.
-Não é para casa que o príncipe voltou... -Ele murmurou. Seus lábios entortando como à um cão com raiva.
-Pode me dizer para onde ele foi? -Haldir indagou.
-Irmão... -Orophin colocou sua mão sobre o ombro do irmão. -Chega... Esqueça Legolas. Ele só tem lhe feito mal. -Ele percebera como o irmão ficara abalado pelo encontro com o príncipe, e Haldir lhe contara como fora ignorado em Mirkwood pelo príncipe. Mesmo sem saber o que abalara a amizade deles, ele só sabia uma coisa: seu irmão tinha o direito de ser feliz agora.
-O problema é Príncipe Legolas? -O guarda de Mirkwood bufou. -Que tal então Haldir ser o responsável pelo Príncipe não mais retornar à seu lar... Nunca mais!
Houve um momento de silêncio. Haldir sentiu seu estômago pesado. Uma sensação horrível cobriu sua mente pelas sombras. Ele respirou fundo para perguntar:
-O que aconteceu com ele?
-Você que nos diga! Ele foi encontrar você e voltou...voltou de coração partido!
-O que?
-Ele foi para uma casa, em algum lugar não muito longe daqui onde elfos vão para perecer longe da família, pela vergonha e para não fazerem os que os amam sofrerem!
-Não! -Haldir gritou, avançando contra o guarda. Ele o apertou pelos ombros dolorosamente. -Onde ele está?
-Eu não sei! Eu me perdi! Eu... eu caí do cavalo! Como estúpido que sou. Eu logo montei mas eles estavam correndo tanto que não consegui alcançá-los.
-Em que direção eles foram?
-Por ali, mas eu fui para lá e voltei pois após algumas horas não encontrei nada, e novamente, eles disseram que não era tão longe de Lórien. Depois fui por ali e ali, -ele apontava para as mais diferentes direções. - Então finalmente só me resta esta direção. Uma coisa eu não vou fazer, que é voltar para Mirkwood. Além da vergonha, eu não deixarei o Príncipe para trás. Não enquanto ele ainda estiver vivo.
-Vamos! -Haldir o largou e eles seguiram na última opção à seguir, indicado pelo guarda.
Lembrando-se do cavalo, Haldir exigiu que ele seguisse cavalgando e que os outros seguissem à pé. É claro que seus irmãos concordaram mas é claro que Morcugu reclamou.
-Ele está morrendo porque pensa que eu rejeitei seu amor! -Haldir gritou em sua face. -Mas eu não rejeito. Agora descubro que ele realmente me ama, de outra forma não iria perecer. Então somente eu poderei salvá-lo!
-O que? -Os irmãos mais novos exclamaram em uníssono.
Morcugu já cedera seu cavalo, que estava escondido, mais do que depressa. Haldir montou e então voltou-se para seus irmãos:
-Eu amo Legolas, irmãos. Se ele morrer... eu irei logo depois.
-Vá! - Exigiu Orophin. Ele estava confuso mas não iria perder seu irmão novamente, nunca mais.
Os três seguiram caminhando rápido, mas logo Haldir se distanciou deles.
Haldir cavalgou como louco. Seus cabelos esvoaçando ao sabor do vento, seus olhos ardendo e semicerrados. Ele não poderia perder Legolas. Ainda mais agora que ele sabia que era retribuído.
Como ele pudera ser tão estúpido? Suas últimas palavras para Legolas foram para que ele sumisse, como ele teria se sentido já que realmente amava Haldir?
Ele mal podia acreditar em sua descoberta. Ninguém, acreditava ele, o amava naquele mundo à não ser seus irmãos.
Galadriel o desejava e era assim que ele via suas declarações de amor. Se ela realmente o amasse, deixaria ele livre. Faramir...ele tivera a certeza de que Faramir não conhecia muitas damas, pois não tinha uma vida social; sua dedicação e lealdade por Haldir o fizera confundir tudo.
Agora Legolas...
Legolas sempre fora o sol, a luz que chegava à ofuscar sua vida infeliz e negra.
Haldir jamais superara a morte dos pais e durante muito tempo fora feliz ao ser adotado por Galadriel pois assim sabia que seus irmãos sobreviveriam. Eles eram apenas crianças quando ela e Celeborn os encontraram. Por anos à fio ele se dedicou de corpo e alma à Senhora da Luz. Até que ela mudou. Um encontro é tudo o que foi preciso para que ela se transformasse, e se uma mulher com tamanho poder fosse deturpada então tudo estaria perdido. Por séculos infinitos ele foi obrigado à servir Galadriel de uma outra forma. Ele se tornou o escravo sexual dela, e como ele não conseguia fazer o que era proposto ela o drogava.
Galadriel se afastara de Celeborn e Haldir tornara-se mais marido dela do que ele.
Da primeira vez que Galadriel o tomou toda sua alegria de viver se foi embora. Ele nunca mais foi o mesmo. Sabendo que se ele fosse forçado Haldir pereceria, ela lhe deu o afrodisíaco poderoso, tornando assim o ato prazeroso e assim prendendo seu espírito à seu corpo. Como Haldir desejou, por milhares de vezes que ela tivesse mesmo matado-o. Seus irmãos ficariam bem sem ele já que a maldade de Galadriel apenas atingia Haldir, e mais ninguém. Aliás Haldir era tudo em que Galadriel parecia pensar. Ela vivia por ele, procurando saber onde ele estava e perseguindo-o, assim torturando Haldir emocional e psicologicamente.
Ser escravo em Gondor era como estar no paraíso comparando ao que passaram em Lothlórien nos últimos séculos.
Mas ver Legolas fizera tudo mudar. Embora tudo continuasse o mesmo, Haldir então aguardava ansioso pela volta do príncipe, arriscando observá-lo às escondidas toda vez que o arqueiro estava em Lothórien.
Não era só a beleza intoxicante de Legolas que o fizera se apaixonar quase que imediatamente, mas sua humildade, simpatia, compaixão...
Ele lembrou-se de como se desfizera de Legolas quando ele dissera que tinha compaixão por Haldir... O que mais ele queria?Legolas era compassivo. Na noite em que Legolas o viu na cama com Galadriel, Haldir temeu ser apenas um ser patético, digno de pena para o amado Príncipe. Ele sempre se sentiu tão pequeno comparando-se à Legolas, por isso mesmo jamais demonstrara o que sentia ou sequer tentara se aproximar de Thrandulion. E ouvir que Legolas sentia compaixão por ele fizera todos seus medos virem à tona.
Como ele fora idiota!
Parecia que ele cavalgara por uma eternidade quando ele viu uma cabana humilde, parecendo estar próxima à desmoronar por si mesma.
Ele saltou do cavalo perigosamente, com a pressa que tinha, e correu para a porta.
Haldir esmurrou com vigor em seu desespero. A trava também deveria ser tão velha que a porta se destrancou sozinha e abriu.
Inúmeros elfos olhavam-no assustado e Haldir foi entrando.
Em meio a eles ele pode ver uma cabeça loira de alguém deitado, e o pouco da pele do rosto que ele vislumbrou tinha uma cor terrivelmente cinzenta. Ele engoliu seco.
Alguns elfos se aproximaram agressivos:
-Saia daqui Haldir!
-Me escutem.
-Suma daqui! É sua culpa! -Disse outro.
-Eu sei... Mas ele não tem porque perecer, já que eu amo ele.
Eles ficaram em silêncio por um momento.
O dono da cabana os interrompeu:
-Deem uma chance para o amor. Deixe ele passar.
-Ele pode estar mentindo. Legolas não aguentaria tudo isso uma segunda vez. -Um guarda de Mirkwood disse preocupado.
-Ele não irá passar por isso uma segunda vez. Se ele morrer, eu morro. -Haldir garantiu.
Os guardas abriram passagem para ele, hesitantes. Haldir caminhou sem prestar atenção neles. Seus grandes olhos fixos na cabeça frágil que jazia sobre o travesseiro.
Ele se jogou de joelhos no chão, enfiou a mão por debaixo dos lençóis e pegou a mão de Legolas.
Ela estava fria...e dura!
Ele olhou em volta, procurando uma resposta.
Um dos guardas agitou a cabeça tristemente.
-Não! -Haldir gritou.
-Nós não sabemos se ele já partiu. Mas faz muitas horas que ele não se move mais.
Haldir deitou sua cabeça no peito de Legolas. Não havia nada ali para ser ouvido e ele começou à chorar.
-Eu te amo meu Príncipe... Eu te amo tanto! Por favor...
Em quase quatro dias de espera longa, daquelas que matam qualquer esperança, os elfos e meio-elfo ali dentro já haviam começado à aceitar o destino de Legolas. Mas a cena à frente deles os comoveu novamente. Agora temiam por aquele que permaneceu vivo.
-Legolas... -Haldir chorava copiosamente, como não fizera desde que seus pais morreram. -Quando eu te vi pela primeira vez pensei que o tempo tivesse parado, que o próprio sol ficaria no alto sem jamais se pôr novamente. Você iluminou minha alma, penetrou a escuridão mais profunda de todo o meu ser e sem perceber... sem saber, eu tenho vivido por você... para vê-lo novamente!
Ele soluçou, derramando suas lágrimas sobre a túnica de fino tecido no peito do Príncipe. Então recobrando o ar dos pulmões, continuou:
-Quando eu o vi em Gondor... eu fiquei desesperado, jamais desejaria aquela vida para você, mas ao mesmo tempo eu fiquei feliz, exultante! Nem em meus sonhos mais ousados eu jamais consegui imaginar que algum dia teria a chance de estar tão próximo ao grande Príncipe de Mirkwood.
Eu tenho amado-o em silêncio, por milênios o tenho feito. E sei que o amarei para sempre. Perder você será grande demais. Eu não vou conseguir mais seguir em frente... Nem pelos meus irmãos. Eles estão livres agora, e por isso mesmo eu não sei se consigo mais seguir em frente... Não há mais nada...Se você se for...
De repente, o peito de Legolas subiu tanto que Haldir foi erguido.
De olhos arregalados, Haldir levantou-se para encarar o rosto de seu amado.
Ele ouviu a respiração de Legolas sair por seus lábios, agora quase roxos e aguardou ansiosamente. Os outros se aproximaram ainda mais da cama, todos em grande expectativa.
Haldir viu os globos oculares se moverem por baixo da pálpebra, e então seu coração se encheu de felicidade quando os olhos de Legolas se abriram.
Os dois sorriram um para o outro. Novamente Haldir viu o tempo parar.
Ele não conseguiu pensar que talvez o príncipe estivesse muito fraco, ele deitou-se na cama e tomou o rosto mais lindo que ele já vira em sua vida nas mãos. Então aproximou seus lábios aos de Legolas e encostou-os.
Este, ele sabia era o primeiro beijo dele com o arqueiro. Desta vez Legolas estava completamente consciente e dono de suas ações, e a resposta daqueles lábios quentes, daquela língua que se movia pedindo mais e molhada mostrava que ele era correspondido. Que seu amor por Legolas era tão grande quanto o amor dele por Haldir.
Os dois se beijaram com paixão, ofegantes. Legolas mal conseguia mover qualquer outra parte de seu corpo, mas sua boca mostrava sua avidez. Haldir pelo contrário, agarrara Legolas pela nuca, pressionando sua pequena cabeça contra seu próprio rosto, sem conseguir parar de beber daquele vinho e ainda querendo mais. Legolas gemeu e Haldir o imitou sem querer.
Haldir passou seu outro braço por baixo de Legolas, envolvendo-o pelas costas e então cessou o beijo, encaixando sua cabeça entre o pescoço e ombro do príncipe, apertando-o num abraço esmagador.
Ele ouviu Legolas soluçar e notou que ele mesmo não conseguia enxergar nada pois seus olhos estavam cobertos de lágrimas.
-Eu te amo Legolas... E tanto que dói.
-Oh Haldir... -Legolas lentamente envolveu o guarda com seus braços.
Não havia força ali mas ser abraçado por Legolas era fez Haldir ir para o céu e voltar.
-Eu também te amo. Para sempre. -Legolas sussurrou. E então deu uma mordiscada na orelha de Haldir, fazendo-o dar um tranco.
Os dois riram baixinho.
Um pouco satisfeito com o contato, e anestesiado por causa do beijo, Haldir finalmente ficou ao lado de Legolas, saindo de cima dele já que o príncipe estava tão fraco. Legolas se esforçou para virar-se em sua direção e os dois ficaram ali, deitados e se olhando nos olhos. Eles alternavam entre as lágrimas, que desta vez só expressavam a felicidade que ia naqueles corações e o sorriso. Eles se alimentavam da imagem do outro, achando que jamais se veriam o bastante.
Haldir afastou uma longa mecha que caía na face de Legolas e ficou acariciando sua cabeça.
-Você é tão lindo... -Haldir murmurou, emocionado.
-Olha quem fala. -Legolas sorriu.
-Eu? Eu sou feio!
-Haldir! -Legolas ralhou. -Jamais diga isso novamente.
Haldir não insistiu mas jamais se acharia atraente. Ele nunca quisera e quando atraiu a atenção de Galadriel ele desejou até se deformar. Naquele momento ele gostaria de ser tão bonito quanto Legolas parecia achar que ele era. Ele queria ser olhado assim, algo que ele jamais desejara antes.
-Se for o bastante para que você me olhe assim, então eu não quero mais nada. -O guarda sorriu.
Legolas se aproximou, obviamente com bastante esforço e pousou seus lábios sobre os de Haldir novamente. Haldir gemeu e fechou os olhos, apertando Legolas contra ele.
Quando se afastaram novamente estavam ofegantes, e embora aquele lugar fosse tão frio, eles estavam com calor.
Algumas horas depois Rúmil e Orophin chegaram com o guarda de Mirkwood, que foi zombado pelos amigos quando descobriram o porque ele havia sumido.
Rúmil e Orophin se aproximaram timidamente da cama. Eles tinham os olhos estranhamente arregalados, como se vissem uma criatura de outro planeta e Haldir imaginou que deveria ser difícil para seus irmãos o verem com outro homem.
-Que bom que está bem Legolas, -Orophin sorriu.
-Eu estava às portas de Mandos quando ouvi como seu irmão sabe ser poético. -Legolas riu, trocando um olhar com Haldir.
-É mesmo? Nem eu. -Rúmil cruzou os braços divertido. -E o que foi que ele disse?
-Pare Legolas, não fale uma palavra ou eles jamais me deixarão em paz. -Haldir escondeu a face no pescoço do príncipe.
Legolas abriu um enorme sorriso para os irmãos de seu amor, e ergueu os ombros, como se dissesse que não havia jeito, ele não poderia contar.
Legolas beijou a cabeça de Haldir e os guardas de Lothlórien ficaram observando o casal, aceitando-os incondicionalmente. Rúmil até pensou que em muito breve ele nem acharia aquilo estranho.
Orophin viu algo mais, um brilho, uma alegria que ele não se lembrava de ver em Haldir, nunca em suas longas vidas. Ele passou o braço por sobre o ombro de Rúmil emocionado. Talvez finalmente fossem ver Haldir feliz, nem que fosse por causa de um estranho romance que ele teria com um homem. Não importava.
Todos se preparam para a noite, sem incomodar o belo casal que dormia em uma cama que mal cabia um só. Haldir dera o maior espaço o quanto pode para Legolas e uma boa parte de suas costas estava para fora. Os dois dormiam profundamente, seus dedos entrelaçados.
Rúmil e Orophin colocaram uma cama colada à do irmão e de Legolas, apoiando assim a parte em que Haldir ameaçava cair da cama e Rúmil ficou com ela já que era mais magro que Orophin.
Havia cama o suficiente para todos que iriam passar a noite ali já que metade dos guardas de Mirkwood se prontificaram à montar guarda aquela noite. Rúmil e Orophin insistiram em ajudar mas os elfos do outro reino perceberam as olheiras profundas e descobriram que os irmãos não dormiam à muitos dias. Mas eles revezaram com os próprios elfos de Mirkwood, que dormiram metade da madrugada e montaram guarda até o amanhecer.
Pela manhã todos acordaram e não deixaram o dono da cabana preparar o dejejum. Agradecidos, todos queria paparicá-lo um pouco. Hoje não seria mais um dia que ele se sacrificaria por outros, mas ao invés disso seria servido.
Haldir levantou-se para pegar a comida preparada. Tanto ele quanto seus irmãos estavam recebendo cuidados especiais dos guardas de Mirkwood, e ficaram agradecidos. Haldir voltou para a cama com pães, chá quente e diversas frutas e ele viu como eles comiam bem no reino de Thranduil. Ajeitando os travesseiros ele chamou Legolas, tocando-lhe de leve pelo braço.
Os olhos de Legolas se abriram e Haldir parou de respirar. Vendo os olhos impossivelmente azuis de Legolas lhe lembrou que sua pele estava quase da cor normal e que o príncipe não mais pereceria, e além disso sua beleza o chocou. Haldir abriu um grande sorriso, e beijou-o. Legolas respondeu avidamente e quando finalmente se saciaram, Haldir mandou-lhe sentar-se. O príncipe obedeceu e um prato com pão foi colocado em seu colo.
Legolas quebrou um pedaço do pão e alimentou Haldir que ruborizou com o gesto. Ele não se lembrava de ter ninguém dando-lhe de comer na boca e se sentiu como uma criança. Legolas observou a reação do guarda e seu coração se encheu de ternura. Haldir era tão doce, tão tímido às vezes.
Haldir pegou uma uva e prendeu-a entre os dentes, então se aproximou da boca de Legolas, oferecendo a fruta. Ele não só aceitou como também não largava mais seus lábios num beijo ardente.
Finalmente os dois perceberam que todos comiam de costas para eles, provavelmente envergonhados e se entreolharam. Entenderam-se silenciosamente que deveriam parar com isso, ao menos por enquanto. Afinal, Legolas pensou, eles pareciam recém-casados em lua-de-mel, e ninguém queria estar junto de um casal nessa fase.
-Há algum lugar para se banhar aqui?-Haldir perguntou quando terminaram de comer.
-Sim, - o dono do lugar respondeu. -É só seguir pela trilha em que vieram, um rio corre ao leste.
Haldir ajudou Legolas à se levantar. As roupas de Legolas estavam com um odor de suor, ele deveria estar com febre e suando por todos aqueles dias. Às vezes o corpo sofria na partida do espírito. Legolas estava muito fraco para ficar em pé e Haldir decidiu tomá-lo nos braços.
Ele o levou para fora e pelo caminho indicado.
Legolas estava terrivelmente leve.
Haldir encontrou as margens do rio sem dificuldades. Ele colocou o arqueiro no chão com carinho e cuidado.
Desta vez e pela primeira vez, os dois poderiam tomar banho juntos, como evitaram tanto fazerem na fuga de Gondor.
Ele se despiu primeiro, terrivelmente envergonhado mas ficou aliviado quando notou que Legolas olhava para outro lado. Então começou à ajudar o príncipe à sair de suas roupas.
Aquela manhã estava morna e ele aproveitaria para lavar as roupas de Legolas também.
Os dois ficaram nus e Haldir tomou Legolas nos braços novamente, completamente consciente do calor do corpo do outro.
Legolas sentiu a pele de Haldir e engoliu seco. Ele não sabia o que estava acontecendo com ele mas a última coisa que ele queria agora era um banho. Ele desejou ficar ali na parte seca e que Haldir deitasse sobre ele novamente, como fizera na noite anterior.
Haldir e ele mantiveram contato visual até chegarem na água, e foram submersos.
-Deixe-me ficar em pé sozinho, -Legolas pediu.
Suas pernas mal o obedeciam e ele se apoiou passando os braços em volta do pescoço de Haldir.
Seus corpos então se colaram e Legolas jamais sentira tamanho desejo em sua vida. Haldir estava ereto e encostava-se nele. Legolas respirava forte, e com olhos semicerrados ele beijou o guarda.
O beijo deles nunca fora tão faminto. Perdidos na boca um do outro eles se deliciavam, suas mãos percorrendo o peito, as costas do outro e o desejo aumentando a cada instante. Haldir baixou sua cabeça e beijou o pescoço de Legolas, que não conseguiu conter um gemido de surpresa e prazer.
Legolas sentiu-se mais encorajado para então fazer o que ele desejava, e seus lábios seguiram para a orelha pontuda de Haldir. Lá ele se aventurou por toda extensão com sua língua, chupando a parte pontuda. As unhas de Haldir se fincaram nas costas de Legolas, que sentiu prazer na leve dor que aquilo causou e os dois gemeram juntos.
Haldir se afastou um pouco e começou à passar a mão por sobre o corpo de Legolas.
-Precisamos lavar você, -ele disse quase sem fôlego.
-Se vamos suar novamente, eu vou precisar de outro banho. Porque não fazer tudo agora? -Ele disse ansioso.
Haldir soltou o ar dos pulmões, e Legolas até ouviu o som. Estava claro que Haldir ficou excitado com o que ouviu pois no segundo seguinte ele puxou Legolas pela nuca e o arrebatou num beijo de tirar o fôlego.
-Você me deixa louco, -Haldir gemeu.
-É mesmo? Que bom. Agora eu quero que a gente faça exatamente como da primeira vez. Eu quero relembrar.
Haldir o afastou um pouco, um olhar preocupado sobre seu amante.
-Legolas... Aquilo não foi fazer amor, foi uma necessidade.
-Não importa, foi com você. Eu quero que você me ajude à relembrar.
Relutante, Haldir terminou por sorrir e o ergueu para levar Legolas de volta à margem.
O príncipe foi colocado por sobre a grama e então o guarda deitou-se à seu lado. Ele jamais tirou os olhos do outro, sentindo-se apaixonado e sonhador.
Ele aceitou o beijo ardente de Haldir novamente, que se deitou sobre ele. Seus órgãos se encostaram, parecendo com um relâmpago que cortou o céu mas trazendo-lhes prazer e eles gemeram com o contato. Inconscientemente eles moveram seus quadris, procurando fricção um com o outro. Eles respiravam rápido, forte e sem ritmo agora. Ambos à beira da loucura.
-Eu... -Haldir respirou. -Eu tentei fazer com que você me tomasse. -Ele relembrou.
Legolas ouvia-o com atenção.
-Era sua primeira vez e eu queria que fosse especial. Além do mais eu era experiente somente por causa de Galadriel, e isso jamais foi gostoso para mim pois antes ela era algo como uma mãe ou uma tia para mim, portanto eu era virgem para o que era prazer de verdade. E queria experimentar algo que nunca tive a sorte de ter antes, algo que seria novo para mim também.
Os olhos de Legolas o observavam com brilho.
-Você é uma grande pessoa Haldir... Você poderia ter feito o que quisesse de mim com uma droga daquelas.
-Eu nunca faria isso. Você já era tudo para mim.
-E eu nem imaginava. Eu ouvi o que você dizia, mesmo já passando para a morte. Fiquei lisonjeado ao saber que você aguardava minha volta à Lothlórien, nunca imaginei que eu pudesse ser tão importante para alguém.
-Você não é importante, mas tudo para mim. O último elo entre a sanidade e a loucura. Você me conteve, me deu forças para lutar pelos meus irmãos.
-Mas eu nunca fiz nada, -Legolas sorriu.
-Você... existiu... era tudo o que eu precisava.
-Oh Haldir... -Legolas ergueu a cabeça e beijou-o. Depois de um tempo observando-o, ele continuou. -Eu também o admirava desde a primeira vez que o vi. Mas eu pensava que era porque eu queria me tornar um guerreiro como você era. Às vezes, em Mirkwood e em especial quando treinava eu me lembrava daquele Haldir de Lothlórien e o quanto eu queria ser forte como ele.
Haldir riu.
-Eu não sou forte, sou sensível e chorão como uma criança.
-Ser forte não é ser frio.
Haldir voltou a tocar Legolas sensualmente. Logo a respiração do Príncipe mudou.
-Naquele dia, -disse ele voltando à primeira noite deles. - Você ficou louco com o afrodisíaco. Eu pensei que talvez tivesse lhe dado demais, mas depois imaginei que era proque era sua primeira vez. Após aquela noite, eu nunca mais parei de pensar no que aconteceu. -Haldir riu.
-Então você conhecia como era meu corpo esse tempo todo, mas eu nunca tive chance de ver o seu... -Legolas fingiu-se de zangado.
-Você viu meu corpo naquele dia...
-Mas eu não me lembro.
Trêmulo, Haldir levantou-se lentamente para ser observado por Legolas. Novamente ele se sentiu como um súdito para sua majestade. Os olhos do arqueiro percorreram toda sua carne e ele sentia que o olhar queimava-lhe, que aquele ato o tocava fisicamente.
-Venha aqui, -Legolas comandou.
Haldir deitou-se novamente.
Legolas segurou o rosto de Haldir bem próximo à sua própria face:
-Você é lindo, está bem? Perfeito! Jamais pensei que não é.
-Eu só... só quero que você me olhe.
-Para sempre, pode ter certeza. Mas veja até Galadriel e o quanto ela o desejou, isso porque você possui uma beleza extraordinária, Haldir.
-Eu não acho que seja por isso, ela está dominada.
-Dominada?
Haldir agitou a cabeça como que para espantar aquela conversa:
-Vamos voltar à aquela noite. Temos toda a eternidade para falar de todo o resto.
Legolas sorriu, um gesto que fez Haldir sentir um frio na espinha. Seu queixo caiu ante tanta beleza. Ele mal podia esperar para que os dois vivessem pelo resto da eternidade juntos, pois em um desses dias ele iria passar a noite inteira observando Legolas. Mas não naquele momento... Agora ele iria mostrar à Legolas como fora sua primeira vez.
-Eu aproximei minha boca daqui... -Haldir continuou. Seus lábios foram descendo até estarem flutuando por sobre a ereção de Legolas.
Legolas prendeu a respiração.
-Você dizia coisas sem sentido, e agora que sei que você não se lembra de nada, eu tenho certeza que a maior parte de seu desejo vinha por causa do afrodisíaco.
-O que eu dizia?
-Coisas em élfico antigo que eu não faço a mínima ideia do que significam.
Os dois riram.
-Você estava louco Legolas. Me agarrava, me beijava e garantia que me queria.
-O que?
-É isso mesmo.
-Eu não! Não minta! -Legolas gargalhou.
Haldir voltou para perto de Legolas, pousando sua mão em seu rosto.
-Estou falando sério.
Legolas soltou uma gargalhada, imaginando como ele deveria ter agido como um idiota. O som era como uma canção para o coração de Haldir, que apenas o observou com um olhar sonhador.
Finalmente Legolas silenciou-se. Ansioso por ouvir e... reviver, o restante da história.
-Então para obedecê-lo, eu vim aqui. -Haldir novamente aproximou sua boca do pênis de Legolas.
O príncipe ergueu sua cabeça e recomeçou à respirar forte.
Haldir deu uma lambida e Legolas deu um pulo, apertando os olhos. Haldir ficou provocando-o assim por um tempo, deliciado com os trancos e o tremor que isso causava à Legolas.
Então sem aviso ou sinal, ele abriu sua boca e cobriu Legolas, que se endureceu todo e gemeu alto. A sensação era algo que ele jamais sentira na vida. Os olhos de Legolas se reviraram e ele fechou-os com força, mordendo os lábios. Sua mão instintivamente pousou-se por sobre a cabeça de Haldir que então tentou tomar-lhe mais afundo.
-Ah...-Legolas gemia.
Haldir queria tanto ver como era a expressão de prazer de Legolas mas só via seu queixo. Legolas tombara sua cabeça para trás, suas costas arqueadas e seu corpo inteiro completamente contraído.
Haldir o chupou com vontade durante muito tempo, Legolas agora movia o quadril para frente sem perceber e seu corpo tremia ainda mais. Percebendo que ele estava próximo do fim, Haldir ergueu-se. Legolas o olhou com súplica. Não importava o que estivessem fazendo, a inocência jamais deixava seu olhar.
-Perdão, -Haldir disse. -Mas muito antes de chegarmos aqui, você tinha desmaiado.
-Nossa, porque será?
-Talvez a dose tenha sido muito forte e você não tenha aguentado o prazer. Bem, mas mesmo assim eu tinha começado aquilo, primeiro pedindo que Faramir encontrasse as tais ervas, e ali estávamos finalmente terminando aquilo então eu não poderia parar. -Haldir tomou o rosto de Legolas em ambas as suas mãos. -Eu não poderia permitir que Boromir tirasse-lhe a vida, que arrancasse você de mim, de Thranduil, de seu povo...do mundo.
Legolas o beijou, apaixonado.
-Eu sempre soube que você faria grandes coisas. Se você morresse o mundo perderia muito, meu Príncipe. -Haldir disse com devoção. -Então eu continuei. -Então ele desceu sua mão, envolvendo o órgão de Legolas em sua mão, fazendo com que ele parasse de respirar. -Eu tentei de tudo mas não havia mais reação de sua parte, e em especial desta delícia que estou segurando. -Haldir disse e passou seus lábios de leve na orelha de Legolas. -Então eu vi que não realizaria meu desejo, e que eu mesmo precisava lhe tomar.
Legolas engoliu seco.
-Mas nós podemos parar por aqui. -Haldir disse.
-Não, eu não estou com medo. Só um pouco nervoso, que é tudo novo para mim.
-Mas você vê, não precisamos fazer como naquele dia. Hoje você está bem e pode realizar o meu desejo, eu quero que você me tome.
-Ah Haldir, por favor. Logo após repetirmos como foi aquele dia, eu prometo que faço o que você quer. Vamos só terminar isto.
-Não sei quanto esse "logo depois"...Não é bem assim que funciona.
-Então?
-Está bem. -Haldir disse por fim. -Deite-se de barriga para o chão.
Legolas virou-se, tentando esconder o quanto estava nervoso. Mas mesmo a tensão o excitava. Ele confiava que seja lá o que Haldir fosse fazer, ele jamais seria machucado.
Sem avisar nada, ele sentiu Haldir se posicionar entre suas pernas e até abri-las mais um pouco. Então de repente, algo quente e molhado encostou em sua entrada e ele se contraiu. Haldir não parou e Legolas entendeu que ele o lambia. A respiração de Legolas ficou alucinada e ele revirava seus olhos de prazer. Tão diferente do prazer que ele sentira antes, não melhor, não pior, mas incrível. Ele ouvia seu próprio gemido de longe, a única coisa que existia era o prazer que aquilo lhe causava. Sua ereção já estava dolorosamente dura embaixo dele.
Então Haldir se afastou e a essa altura Legolas estava louco de desejo. Ele mal podia esperar para o que fosse que viria à seguir, então sentiu algo duro e morno novamente à sua entrada, mas desta vez não era a língua de Haldir.
O guarda começou à forçar entrada no príncipe e quando ultrapassou a primeira barreira apertada, ele foi deslizando lentamente para dentro. Legolas sentia alguma dor mas pouco depois ela era substituída por prazer e até alguma ansiedade. Eles foram seguindo assim até que Haldir tinha penetrado completamente a cavidade de Legolas. Então Haldir se deitou por cima de Legolas, e ele regojizou-se com aquele peso por cima dele. Aquilo era certo, e eles foram feitos um para o outro.
-Logo depois, você irá realizar o meu desejo. -Haldir disse com dificudades.
-E o que você deseja, meu amor? -Legolas ofegou.
-Que você faça o mesmo que eu vou fazer com você agora.
-Ah... -Legolas gemeu.
E Haldir começou à se mover. Ele estocava dentro de Legolas, movando seus quadris e mal contendo seus gemidos. Aquilo algo como ele nunca experimentara. Havia uma grande diferença em se fazer amor com quem ele não se sentia atraído, por alguém inconsciente e por alguém que ele amava com todas as forças de seu coração e que correspondia-lhe com a mesma intensidade. Mesmo querendo ser infinitamente gentil, ele não conseguiu impedir sua urgência e a cada estocada ele acrescentava mais velocidade e força.
Ele ouviu Legolas gritar cada vez que seu quadril batia nas nádegas do príncipe, mas ele não conseguia parar mais. Os gritos pareciam ser de prazer mas ele precisava ter certeza, e embora parecesse impossível ele conseguiu diminuir a velocidade.
-O que foi? -Legolas mal pode articular a palavra.
-Está doendo?
-Não! Não pare!
Era a última coisa que Haldir precisava.
Desta vez ele voltou com toda sua força, fazendo Legolas até se mover no chão para cima e para baixo. A violência agora era incrível. Ele mal podia se conter, conforme sentia que o clímax já estava bem ali mas tentava o quanto podia. Seus olhos nem podiam mais se abrir, tamanho prazer, era como se as pálpebras tivessem sido coladas e ele aguardava por seu amante.
Depois do que pareceu uma eternidade insuportável, Haldir não conseguia mais aguentar:
-Legolas...
Mas ele não conseguiu falar, sem mais suportar o prazer que ele jamais sentira antes o orgasmo lhe tomou e ele caiu por sobre as costas de Legolas e mordeu-lhe o ombro, gemendo abafado pois de outra forma teria gritado para a floresta inteira ouvir. Legolas gemeu com a noção de que seu amante sentia tanto prazer e com a mordida.
Lentamente a paz começou sobrecair por sobre Haldir e a tempestade passou. Legolas tentou sair debaixo dele e foi difícil pois Haldir mal tinha forças para se mover, mas tentou se remover de cima. Legolas mais do que depressa beijou-o, o desejo cobrindo seu olhar que Haldir notou, não havia mais um pingo de inocência.
Legolas se posicionou por entre as pernas de Haldir e ele viu o príncipe sumir lá embaixo. Então sua gloriosa língua começou à lubrificar sua passagem e ele fechou os olhos, emocionado que finalmente teria a experiência que ele mais queria compartilhar com Legolas. Neste ato ele era o inexperiente.
Após molhar-lhe e dar-lhe prazer, Legolas ergueu-se e encaixou sua ereção que estava bem próximo à se explodir e lentamente, imitando Haldir, foi abrindo caminho para dentro dele. Quando finalmente entrou tudo, Legolas e Haldir se beijaram durante um longo tempo, bêbados de amor.
Então Legolas começou à se mover.
O príncipe se deliciava com o prazer físico que aquilo lhe trouxe, com a visão à sua frente de um Haldir completamente perdido, de olhos fechados, lábios entreabertos e sentindo pleno êxtase. Legolas logo não possuía mais controle de seus atos e começou à estocar mais rápido e com força, Haldir sendo movido com sua violência. Os dois gemiam alto e o rosto de Haldir se contorcia:
-Você está bem? -Legolas perguntou mas sem conseguir parar.
-Mais forte.
-Oh...-Legolas gemeu.
Nada mais conseguia pará-lo, nem que o céu caísse sobre suas cabeças e Legolas não teria mais como cessar. Ele se movia bruscamente e com muita paixão. Em breve seu prazer estava aumentando, anestesiando todo seu corpo, parecia começar do fim dos pés e percorrer o corpo até chegar à ponta de sua cabeça. Seus olhos se apertaram, ele mesmo agora gritava e finalmente ele gozou.
Haldir havia aberto seus olhos para ver a imagem magnífica em cima dele. Os cabelos de Legolas voavam para frente e para trás, à um dado momento seus olhos se fecharam com força, sua boca se abriu, primeiro em silêncio para depois ser tomado por gemidos que não paravam mais. Agora a expressão que tomou-lhe o rosto quando ele atingiu o clímax... isso Haldir jamais esqueceria.
Nunca, em quatro mil anos de vida ele jamais vira algo tão belo. E jamais veria.
Ele sabia.
Legolas tombou por cima dele, exausto e impossibilitado de se mover.
Haldir o envolveu com os braços, enquanto Legolas respirava forte. Haldir percebia que Legolas queria fazer algo, como acariciá-lo ou algo assim mas sua energia chegara ao limite. Legolas ainda estava dentro dele e se ele pudesse Haldir jamais queria se mover.
Os dois corações descobriram finalmente o que era estar em plenitude total. A paz tomou seus corpos. Suas mentes estavam vazias e leves.
Naquele momento não havia passado ou futuro, eles só existiam um pelo o outro e nada mais importava. Jamais amaram antes como que o faziam agora.
Ambos Haldir e Legolas perceberam que agora era certeza de que um jamais poderia existir sem o outro.
Eles haviam acabado de se tornar um só.
Estou me apaixonando por Legolas novamente, ou ainda mais!
Espero que tenham viajado comigo e que as estrelas tenham sido boas para vocês como foram para mim. Foi mágico escrever este capítulo e eu não podia deixar de postar exatamente no momento em que terminei.
E acreditem, ainda não acabou. Pois é, há ainda mais uma trama nesta história onde tudo será revelado. Eu acredito que só falte mais um capítulo, o oitavo, mas veremos.
Por favor deixem review, obrigada.
Não sei se posso falar o nome aqui mas vou dedicar este capítulo à Sar ~, que me inspirou à continuar.
Beijinhos à todos ~ ^_^
Legolas 4 ~ever!
