A/N: Reviews rápidos, atualizações rápidas. Agora como prometido POV Papai.

Bem vinda janda

"Grande Decepção"

Epílogo

Não é o Bastante

POV Carlisle

Entrei no hospital atordoado, nem tinha tido tempo de passar em casa e dar um abraço nos meus filhos, não que estivéssemos afastados a tanto tempo, mas o simples fato de fazer as malas pegar um avião para outro país fazia com que a distância e fizesse querê-los por perto.

Bobagem de pai, eu tenho certeza que eles não estão felizes por terem sua semana sem supervisão, reduzida a um único dia.

Eu fui direto para meu consultório e vesti o Jaleco, haviam familiares em desespero por toda parte, polícia, paramédicos, bombeiros, curiosos e o cheiro de sangue estava insuportável, se fosse nos meus primeiros anos nem eu seria capaz de permanecer ali.

Eu vi uma criança passou por mim numa maca, era uma menina loira com cabelos e rosto tão parecidos com os Rosalie, que fez minha alma se mover dentro de mim, o pai ao lado com um ferimento leve no braço, era a imagen do desespero.

Fez-me lembrar da noite horrível em que encontrei minha filha nua e violentada, quase sem vida.

Assim que entrei na sala de emergência dei de cara com o verdadeiro caos, mulheres, crianças, idosos, casais, muita gente ferida, eu já tinha recebido alguns dados da emergência por telefone, mas parecia muito pior assim de perto, ao todo eram 28 pessoas e 7 delas estavam feridas gravemente, mas nenhuma morte... ainda.

Antes que eu me aproximasse o suficiente a voz ecoou no corredor.

"Dr. Cullen por favor, comparecer a sala de neurocirurgia com urgência. Dr. Cullen por favor, comparecer a sala de neurocirurgia com urgência."

Agradeci a deus os meus dons que estavam indo pra salvar mais uma vida.

A cirurgia foi delicada, mas deu tudo certo, eu pensei em ligar pra minha esposa, quando uma enfermeira apareceu me pedindo ajuda.

"Dr. Cullen, o Dr. Welndel, perguntou se o senhor pode dar uma mão no ER, tem dois pacientes precisando de atendimento psiquiátrico estão muito alterados, ele precisa de alguém pra cobri-lo enquanto os atente, e o senhor é o único que está disponível, é só enquanto preparam o seu próximo paciente para a cirurgia."

Olhei para o nome de Esme no visor do telefone e fechei com um suspiro.

"Pode dizer a ele que estou indo, e peça pra prepararem o tomógrafo pra mim, por favor, preciso examinar a garotinha que está passando pela triagem."

Ela olhou pra mim com um ponto de interrogação estampado no rosto.

"Como o senhor sabe? Ela ainda está na triagem..."

Eu dei de ombros.

"Intuição, apenas faça o que pedi, sim?"

Eu disse com um sorriso deixando-a ainda mais confusa, o que ela não sabia é que enquanto ela tagarelava, meus ouvidos estavam atentos à sala de emergência.

Eu passei pelo corredor da ala psiquiátrica e ouvi toda alteração que estava sendo causada pelos tais pacientes.

"NÃO ESTAMOS LOUCOS!...NOS TIREM DAQUI!...NÃO DEVIAMOS TER SIDO TRAZIDOS PRA CÁ, E SIM PRA DELEGACIA!...TEMOS UMA QUEIXA PARA REGISTRAR! ME SOLTA!"

Os enfermeiros os seguravam, a enfermeira tinha uma tranqüilizante na seringa esperando a oportunidade para aplicar.

Eu continuava com a cabeça na linda garotinha loira com o mesmo nome da minha filha, Alice, Alice Sullivan, eu podia perceber a luta das enfermeiras.

"Alice, você pode me ouvir?... Você sabe onde está?... Aperte minha mão se estiver me entendendo..."

Eu realmente não conseguia tirar o rosto lindo da garota da minha mente, a semelhança dela com minha mais velha era perturbadora, cheguei até imaginar se não seria descendente da antiga família dela, e pra piorar a minha angustia o nome da garota me lembrava minha mais nova.

Ainda preocupada com a paciente, ouvi algo que me trouxe de volta ao corredor da psiquiatria.

"Eu estou dizendo, os cães correram deles, eles jogaram os carros por cima do muro, por isso não há evidências, não estamos loucos."

Eu reconheci o assunto, no momento em que eles afirmaram que os cães correram 'deles', 'eles' só podiam ser meus filhos, eu queria muito mesmo pensar que não, talvez algum vampiro nômade, mas de um jeito ou de outro eu precisava saber.

Eu retornei à toda alteração, e usei um voz autoritária igual a que uso em casa quando meus filhos estão discutindo.

"Eu assumo daqui. Digam ao Dr. Wendel que não precisa se deslocar do ER."

"Qual é o quadro?"

Eu estendi a mão para a enfermeira que segurava a prancheta com os dados.

Ele me entregou e ditou o acontecido com eficiência, meu filho Edward comentara comigo que ela estava apaixonada por mim, então evitei dar-lhe muita atenção.

"Eles foram encontrados presos na cabine do pátio de automóveis apreendidos onde trabalham, e alegaram ter sido presos por um menino de 18 a 19 anos, depois começaram a dizer coisas sem nexo, então a polícia se negou a registrar a queixa sem um laudo médico, devido ao acidente na estrada, eles tiveram que esperar por um médico disponível pra fazer o serviço, mas eles começaram a perturbar a ordem, então o Dr. Wendel pediu pra que o senhor assumisse o ER pra ele poder fazer o laudo."

Ela falava mexendo no cabelo.

"Peça à recepcionista pra ligar na minha casa e pedir a minha esposa pra mandar um dos meus filhos aqui, de preferência a mais velha, e quando ela chegar mande-a direto para o meu consultório, obrigado isso é tudo."

Eu pedi que mandasse Rose, porque era a única que nunca provara sangue humano, e o esforço que ela fez, ao levar nos braços o companheiro com o sangue mais apelativo do mundo pra ela, sem matá-lo, definitivamente provava que poderia até ser médica, mas ela insistia na profissão de mecânica, ela e Edward eram loucos por carros, eu reprimi um sorriso ao lembrar o único momento em que eles se davam bem.

O motivo de reprimi o sorriso, foi pra não causar a impressão errada para a enfermeira, ela jogou um charme vulgar, e insistiu em impor sua presença.

"Eu volto já, o senhor vai precisar de ajuda."

Eu tentei ser o mais sério possível.

"Não será necessário, na verdade eu prefiro privacidade pra falar com eles."

Ela saiu desapontada, agradeci a Deus por não ter o dom do meu filho pra ouvir o que ela estava pensando, apesar de que seria útil ver na mente dos pacientes sonolentos que eu esperava voltarem a si.

Eles já estavam despertando, eu não pude deixar de notar que eles estavam de batom e com dizeres escritos no rosto, pela caligrafia e o humor do que estava escrito, eu não precisava mais do dom de Edward pra saber quem era o autor de tamanha travessura. Emmett...

"Onde estou? AHHHH! OS OLHOS!"

Um acordou despertando o outro, que também gritou ao ver meus olhos.

"Você é um deles, deixe-me sair!"

Eu tranquei a porta, mas eles caíram quando tentaram fugir, ainda sobre o efeito dos sedativos.

"Fiquem calmos, precisamos conversar, eu sou o Dr. Cullen, e quero ajudá-los, eu acredito em vocês, me contem a história."

Eles se entreolharam desconfiados, mas não tinham nada a perder estava na ala psiquiátrica de um hospital, o mínimo que eles poderiam esperar de bom, seria alguém para ouvi-los e, quem sabe, acreditar neles.

"Vamos começar do começo está bem? O que tem os meus olhos?"

Eu disse puxando cadeiras para eles e para mim.

"Seus olhos tem uma cor estranha, não é exatamente castanho parecem amarelos ou dourados, tem um brilho intimidador, iguais ao do menino que nos atacou."

Eu segurei o arfar, para que não percebessem, mas eles não teriam percebido já que começaram a discutir descrevendo meu filho mais velho pra mim.

"Menino? Ele mais parecia um monstro de tão grande?"

"Não estou falando de tamanho idiota! Por maior e intimidador que fosse, era um moleque de 18, se tiver feito 19 é muito."

"Mas você, viu os dentes dele? Ouviu aquele rosnado? Ele definitivamente não era um menino! Parecia uma assombração de tão pálido!"

"Definitivamente não era um fantasma eu senti quando ele me acertou."

"Ah! você é que é um covarde, eu o vi, ele deu só um peteleco na sua testa, você desmaiou foi de medo, em mim sim ele bateu para desmaiar eu não sei com o quê, foi por trás enquanto eu te socorria, mas pareceu uma tijolada."

"Agora você quer bancar o herói? Nem temos tijolos no pátio, no rosto de quem ele escreveu "EU GRITEI COMO UMA GAROTINHA? Aposto que nem levou um peteleco."

"Arrãm!"

Eu raspei a garganta, chamando a atenção dos dois patetas pra mim, eles pareciam umas daquelas duplas de humor que discutem o tempo todo, pareciam até terem esquecido de que eu estava ali.

"Escutem vocês dois, eu tenho uma pergunta, parece simples, mas seria uma boa explicação do estado mental de vocês."

Eles se entreolharam descrentes até que um deles reclamou.

"Ele não vai acreditar no roubo se nem no cara ele acredita."

Eu tremi por dentro com a palavra roubo, eu ia matar o Emmett se ele tivesse roubado um carro, com a garagem cheia deles, no mínimo era aquele inferno de jogo, verdade ou desafio, de novo, eu odeio quando os meus filhos jogam isso, os desafios ficam cada vez piores.

"Vamos com calma, primeiro eu quero saber quando ocorreu tudo isso e por que estão com os rostos vandalizados até agora?"

Eles voltaram atenção pra mim novamente com caras indignadas.

"Você não vê cara? Dr., Quero dizer Dr., É a única prova que temos de que fomos roubados na madrugada, de que não roubamos os carros, não há evidências no local, deve ter alguma perícia que indique que não fizemos isso em nós mesmos."

Tentei não demonstrar a minha ira quando percebi o uso do plural na palavra carro, virei-me pra pegar lenços umedecidos e entreguei a eles.

"Não existe perícia alguma, a menos que vasculhem todos os colégios e obriguem todos os adolescentes de 18 a 19 anos a escrever nos rostos de vocês, para reconhecer a caligrafia, como isso não vai acontecer, acho melhor se limparem."

Eles limparam primeiro a boca e depois começaram uma nova discussão.

"Eu falei que isso só iria nos expor ao ridículo!"

"Disse nada, quem disse fui eu, você que veio com aquele discurso de provas!"

"O que você queria? Eles jogaram os carros pelo muro, e até os cães fugiram deles! Ninguém vai acreditar na gente, quando derem falta dos carros, pensarão que nós os entregamos pelo portão da frente pra algum receptador."

Mais uma vez o uso do plural revirou dentro de mim, agora não era mais apenas Emmett quem estava encrencado, a discussão continuava sob minha intensa observação dos fatos.

"É sim, mas mostrar a cara lambrecada de batom não serviu mais do que pra fazer surgirem especulações do que estávamos fazendo presos e maquiados, já ouvi até que somos um casal gay praticando BDSM, e que estamos inventado o roubo só pra disfarçar."

Eu interrompi pra saber quem era o comparsa.

"Esperem, vocês me descreveram um agressor e agora estão falando de dois, eu quero muito ajudá-los, mas a história faz cada vez menos sentido, não poupem detalhes, e por favor, parem de discutir e se dirijam a mim pra que eu possa estudar seus reflexos faciais e pupilas enquanto falam."

Eu queria me inteirar de todos os por menores, algo me dizia que nosso segredo poderia estar sendo ameaçado.

"Então Dr..."

"Cullen"

"Isso, Dr. Cullen, Fomos atingidos na cabeça, ou pelo menos eu fui-"

"Como assim? Pelo menos eu fui? Você viu quando-"

"Hey! Foco! Sem discussão, ou atestarei agora mesmo que os dois estão loucos!"

Eu estralei uma palma, como fazia com as minhas meninas quando estavam histéricas.

"Sim Dr. Cullen, não com tanta presa, temos coisas a dizer que explicarão totalmente nosso estado de histeria."

Eles disseram totalmente tranqüilos, mas seu rosto denunciava o medo do diagnostico.

"Então... depois que o grandalhão desmaiou agente, ele nos prendeu na cabine de vigia, nos amarrou e fez aquilo nos nossos rostos."

Finalmente eu tinha conseguido que falassem sem interrupções.

"Quando acordamos estávamos com as mãos atadas, nas grades janela, longe do botão de alarme, o que nos impediu de provocar o flagrante, pois ele ainda estava lá e com um ajudante."

Eles arregalaram os olhos ao falar do ajudante, como se algo grande fosse vir, eu queria saber se era Jasper ou Edward então interrompi.

"Como era esse ajudante?"

"Eram tão pálido quanto o outro mais era menor e menos robusto, e também mais novo, tinha jeito de uns 16 anos quem sabe uns 17, tinha um cabelo espetado e escuro, mas na luz parecia cor de cobre."

"Edward, só podia ser."

Pensei comigo mesmo então o falante deu oportunidade pra o outro contar a outra parte.

"Quando os vimos ficamos quietos, estávamos assustados não sabíamos o que eram, vimos à coisa mais estranha de toda as nossa vidas."

"Eles pegaram os carros e jogaram por cima do muro sem o menor esforço, e quando encolhemos os ombros esperando o impacto do outro lado, adivinha, não houve nenhum."

Eles arregalaram os olhos, e eu fiz o mesmo, eles pensaram que foi pela estranheza do que disseram, mas foi pela conclusão de que Jasper estava do outro lado, quem sabe até as meninas.

Eu estava ansioso para que Rose finalmente chegasse para esclarecer tudo, o cinto na minha cintura já estava coçando de vontade de trabalhar.

Eu não queria ouvir mais nada, mas eu precisava saber.

"Não iríamos gritar e chamar a atenção daqueles monstros pra nós, então eu tive uma idéia."

"Arrãm!"

O outro raspou a garganta.

"Tá bom, ele teve uma idéia, mas fui eu que executei, eu estava mais próximo da alavanca que abre o portão do canil e empurrei com o pé."

Eu me lembrei na hora dos latidos pelo telefone, não haviam dúvidas de que todos eles estavam envolvidos, e posso dizer, bem encrencados.

"Foi aí que aconteceu a outra parte que ninguém acredita, os cães latiram e correram em direção a eles, mas ao se aproximarem foram encarados por eles, eles rosnaram e os cães saíram correndo de volta e ganindo como filhotes assustados."

Eu realmente estava bravo, eu os faria devolver os carros arrastados pelas orelhas, provavelmente isso foi depois que eu os proibi de saírem desfilando os carros mais caros da garagem, só esperava que não tivesse roubado veículos tão caros quanto, se objetivo é não ficar chamando a atenção, roubar e sair por aí, chamaram mais do que a atenção, expuseram nosso segredo pra dois idiotas que estavam dispostos a mostrar a verdade.

Eu comecei a escrever o laudo com rapidez, eu precisava averiguar mais informações antes que fosse tarde demais.

Eles quiseram saber o que eu estava escrevendo.

"Olha vocês precisam entender o quão impossível é toda essa história, vocês trabalham em período noturno, distúrbios de sono podem causar alucinações se unidos a estresse, vocês provavelmente devem ter imaginado tudo de forma tão intensa que pareceu realidade."

Eles pareciam intimidados pela linguagem usada por mim.

"Mas somos dois, não poderíamos ter a mesma alucinação."

Eu evitei de olhar pra eles e continuei escrevendo enquanto falava.

"Na verdade sim, pessoas podem começar um assunto e criar histórias, que se verbalizadas podem influenciar na construção de imagens na mente de uma outra pessoa, principalmente se estiver sob efeito de algum entorpecente."

A indignação permanecia na face deles.

"Não usamos drogas! E quanto ao batom nos nossos rostos?"

Eu dei de ombros.

"Acreditem, não há nada de mal na opção sexual de vocês, mas precisam ter cuidado em como quando e onde realizam suas fantasias, e é claro, usem sempre proteção, e quanto ao uso de qualquer substância alucinógena, eu peço que vão até aquele banheiro ali e colham uma amostra de urina pra que possamos examiná-las."

Eu entreguei os recipientes como se nada demais estivesse acontecendo.

Os dois deixaram os queixos caírem, como se traídos por mim, mas eu precisava seguir a linha de pensamento das pessoas em volta.

Eu só precisei colocar uma pequena quantidade de qualquer droga lícita utilizada em tratamentos daquele consultório e tudo estava arranjado.

Eu já ia mandar pedir notícias da ligação que pedi à recepção, quando a enfermeira oferecida apareceu na sala.

"Com licença Carlisle."

Eu dei a ela um olhar duro como quando estou prestes a mandar um filho meu pro escritório, e ela reparou o erro.

"Quero dizer, Dr. Cullen, é... que ainda não conseguimos falar na sua casa, não parece haver alguém lá."

"Obrigada, mande vir o policial que está aguardando o laudo e isso é tudo."

Eu encaminhei os dois para a sala de medicamentos e apliquei um sedativo que os manteriam desacordados pelo menos por 24h.

O policial apareceu e eu entreguei as anotações que comprovariam as alucinações dos dois, e aproveitei pra saber um pouco mais.

"Então, o que disseram sobre os carros?"

Ele deu de ombros.

"Não há carro algum, não há rastro, não há nada além de dois malucos imaginando coisas, há coisas maiores pra preocupar a polícia agora."

"É eu sei, estou indo agora mesmo verificar o estado do motorista bêbado parece que está muito ferido."

Eu disse terminando de prescrever a receita.

"O pior é que parece que os cinco filhos do Dr. Cullen estão na delegacia desde o período manhã, se alguém não aparecer o delegado terá que prendê-los por fazer um racha e participar do acidente, mas o pai deles salvou a vida da filha dele. Então está tudo tenso na delegacia, policiais foram deslocados pra cá, e eu tenho que ficar longe de toda ação servido de babá pra esses dois babacas, dá pra acreditar nisso Dr. Wendel?"

Eu acabara de receber uma informação bombástica, eu não podia mais disfarçar.

"Como é?"

Ele deu um salto com o tom urgente e ríspido da minha voz, enquanto eu me virava na direção dele, ele engoliu seco ao ler no meu jaleco que eu não era o Dr. Wendel.

"Ooh! Dr. Cullen, me desculpe, eu não sei o que dizer, me disseram que o Dr. Wendel faria o laudo, eu realmente sinto muito."

"Você não tem culpa de nada, pode entregar o laudo e se dirija a sala de medicação, seus vigiados estão lá, a menos que mandem outro policial responsável, não podem ficar sem supervisão."

Eu já ia tirar o jaleco quando meu nome ecoou no corredor novamente.

"Dr. Cullen por favor, comparecer à sala de emergência. Dr. Cullen por favor, comparecer à sala de emergência."

Eu perdi todo o raciocínio lógico enquanto eu obrigava meus passos no corredor do hospital ter um ritmo humano, minha mente montava tudo numa velocidade vampiresca.

"A ligação na madrugada, o nervosismo de Jasper, a ausência de minha esposa e filhos em casa, a grandeza da tragédia os carros roubados, no mesmo tempo em que a decepção tomava conta de mim, a preocupação me deixava maluco, meus filhos estiveram perto de todo esse sangue, ele estavam presos em uma delegacia desde o período da manhã, e nosso segredo tinha sido escancarado para dois tagarelas."

Eu entrei na sala de emergência e entubei uma jovem mulher mandei encaminharem para UTI, atendi o motorista embriagado que estava em uma situação crítica e fui para verificar a tomografia da pequena Alice, a situação não era boa, mas não havia mais nada que eu pudesse fazer ali.

Pedi que me mantivessem informado do quadro da menininha e me ligasse em qualquer emergência, , todas as mais graves já tinham sido atendidas e todo o trabalho agora estava controlado pela quantidade de médicos enfermeiros e ainda paramédicos no local. O Dr. Wendel assumiu a cirurgia que e deveria fazer.

Perguntei a um dos policiais sobre a situação dos meus filhos e um deles me comunicou que minha esposa ainda estava lá com eles.

Eu quis ficar chateado com Esme por não me ligar de imediato.

Mas o que ela fez foi não me incomodar no trabalho, ter responsabilidade com as vidas humanas, a responsabilidade que ensinei a ela, infelizmente meus filhos não pareciam ter aprendido, mas eu estava indo para ensiná-los nem que fosse a última coisa.

Eu nem conseguia pensar direito eu só queria dar uma surra neles, não tinha explicação, pela primeira vez eu iria bater primeiro e perguntar depois, eles mentiram pra mim, eles roubaram, eles dirigiram sem responsabilidade, e foram parte de um acidente, quantas vezes eu disse que não importa o fato de serem bons no volante, e imortais, pois estão cercados de pessoas que não são? Pelo visto falar não adiantava mais.

Eu mal estacionei o carro e ouvi o delegado falando com a minha esposa, as declarações deles só me deixaram mais determinado a fazer o que eu pretendia.

Ela estava assinando os papeis da fiança, quando eu entrei porta dentro sem cumprimentar ninguém e pedi pelos meus filhos, antes de poder me desculpar pela falta de modos ou mesmo perceber que tinha sido rude.

O delegado era pai também e sabia como estava me sentido e saiu para que eu pudesse falar com a minha esposa.

Trocamos informações valiosas e falamos sobre a mudança que teríamos que fazer, ela já estava implorando por eles quando suas cabeças baixas apontaram.

Eu olhei através da janela e meu veneno borbulhou nas veias.

Edward ouviu minha decisão e chegou a dar um passo pra trás Alice também deve ter visto por que ambos já entraram chorando e esquivando na parede.

Eu tirei o cinto, fechei as cortinas e dei a cada um uma cintada na frente do delegado obrigando-os a se desculpar, Rose e Jasper como sempre apresentaram resistência, eu já estava no meu limite, e Jasper teve a audácia de segurar o cinto pra eu não bater nela, a insolente saiu de nariz empinado e eu tive que tomar todo meu esforço a e auto controle pra não dar uma surra no meu filho ali mesmo.

Eles nem podiam considerar as cintadas como punição, somente o constrangimento, mas por mais constrangedor que fosse, foi para o bem deles, mostrei a todos que não eram marginais, e sim crianças de família que tinham pai e mãe, e que por pior que fosse o motivo de estarem ali, fora somente uma desobediência.

Eu, no entanto, nem sabia o que pensar, eu sempre faço o mesmo discurso quando chegam as multas por excesso de velocidade.

Eles são muito confiantes, nas suas habilidades, nas visões de Alice na audição especial de Edward, mas se esquecem que carros são veículos para humanos, e que o bom motorista tem que dirigir pra si e para os outros.

Quanto a roubar, isso era realmente um caso sério, eu sempre tento estabelecer o limite entre a mentira ou denostidade permitida pra proteger o segredo e o voluntário desnecessário.

Se fossemos olhar pelos olhos da lei, estaríamos todos presos a muito tempo.

Todos portamos documentos falsificados, e nos mudamos sempre com uma história totalmente inverídica, ainda hoje eu alterei o resultado de um exame, prescrevi remédios desnecessários e emiti um laudo falso.

Mas eu sempre explico que nada desonesto ou contra a lei pode ser feito sem uma justificativa.

Eles sabem que não devem fazer nada disso apenas por diversão, eu ia acabar com eles, eu não queria nem ouvir nem falar, eu não queria caçar primeiro, eu só queria mostrar pra eles com o cinto o quão inaceitável era o que eles fizeram.

Mas é lógico que como um bom pai eu não podia simplesmente ir batendo sem falar nada, eu precisava concentrar no fato de que isso era pra a correção deles e não para descarregar minha ira com o fato de terem feito algo que não gostei.

Mas eu realmente estava além de mim.

As meninas no banco de trás eram minha maior tristeza, Alice já tinha visto que ia ter seu primeiro encontro com o cinto da disciplina e estava apavorada, Rose ainda com um ar emburrado, mas ela sabia bem que a pior parte foi que ela e Jasper deviam ter evitado isso tudo e não participado.

Eu odiava bater nos meus filhos, mas ter que bater nas minhas meninas era mais que odiar...era...

Eu era um misto, aborrecimento, tristeza, impotência paterna e raiva, muita raiva.

Chegamos em casa eu nem olhei pra nenhum deles apenas dei uma ordem.

"Os cinco para o escritório!"

Eu fui na frente Esme andava a minha volta tentando me convecer a parar pra falar com ela mas eu se quer diminuía ritmo dos meus passos.

"Amor, Carlisle, espera vamos conversar...Espera Carlisle, não é assim também... Eles só estavam se divertindo... Vamos colocá-los de castigo, depois agente vê o que faz... Você está muito nervoso..."

Ela ficava falando atravessando no meu caminho pondo a mão no meu peito, mas não se atrevia realmente me parar a força.

Eu podia ouvir Alice e Edward chorando de medo, os passos vagarosos de cada um dos cinco, e permaneci calado.

Entrei no escritório e já fui logo tirando o cinto do gancho atrás da porta, numa última tentativa ela segurou o cinto na minha mão.

"Ei escuta! Eles são meus filhos também, você vai machucá-los se fizer isso assim, e eu não vou deixar, você vai ter que bater em mim também se quiser fazer isso."

Os passos deles, sabiamente pararam no corredor, apesar de estarem ouvindo tudo, sabiam que não deviam estar presentes em nossas discussões.

"Esme não seja ridícula, eu não vou bater em você, eu não vou machucá-los, sabe que eu os amo tanto quanto você, mas eles realmente não merecem o direito de falar, O eles tem a falar sobre isso?"

Ela desistiu finalmente as lágrimas começaram a rolar nos seus olhos.

"Prometa-me que não vai machucá-los."

Ela pediu entre lágrimas enquanto eu beijava sua testa.

Guiei-a até a porta e lá estavam eles amontoados no final do corredor eu nem podia ver Alice escondida atrás de Emmett.

Esperei que Esme entrasse no nosso quarto e fechasse a porta pra começar.

"Alice! Porque você está se escondendo? Dessa vez você não viu como escapar? Você tem ideia da besteira que você fez?"

Ela saiu lentamente de trás dos irmão depois que eu olhei com aquele olhar de aviso.

"Papaizinho, eu sinto muuuuito!"

"Você vai sentir Mary Alice, acredite você vai sentir, passa pra dentro desse escritório agora!"

Ela tremia e parou na metade do caminho.

"Não me faça ter que pegar você mocinha!"

Ela começou a chorar de novo pra tentar me convencer.

Eu quase me desfiz, mas foi só pensar no tamanho da tragédia, que eu dei três passos largos e já estava com o bracinho fino dela na minha mão.

Jasper tremia com a mão no rosto, Emmett segurava seus ombros por precaução

SHLAP!***** !

Eu dei uma cintada tão forte que eu mesmo não pude acreditar, ela gritou de dor e correu para o escritório em pranto com uma mão no traseiro e a outra nos olhos.

Eu não podia ser injusto, agora que eu batera nela tinha que fazer o mesmo com os outros.

"Andem logo! Eu não tenho a noite toda tenho que voltar ao hospital, pra tentar concertar o que vocês fizeram."

"Não fomos nós, foi aquele bêbado ridículo!"

Rosalie cuspiu uma resposta mal criada, tentando passar longe do cinto.

SHLAP!**** umr!

Dei a ela uma cintada compatível a que dera em Alice.

Ela não gritou, apenas gemeu

"Se eu fosse você fechava essa boca!"

Eu disse mostrando cinto, ela baixou o olhar altivo que me dera por causa da cintada.

Jasper se apresentou, pareceu até que queria apanhar, mas eu sabia bem que o que ele queria mesmo era juntar-se a Alice.

SHLAP!**** umr!

Eu dei uma cintada tão forte nas pernas dele que até Edward e Emmett pularam, assim como a irmã ele apenas gemeu.

"Então, os dois monstros assustadores não me parecem tão assustadores agora."

Eu disse com o sarcasmo escorrendo no canto da boca.

"Sabem o trabalho que deu para convencer aqueles dois de que vocês eram apenas alucinações?"

Os dois se agarravam tentando passar por mim, mas sabiam que não seria possível evitar o cinto, já que eu estava bem no meio do corredor.

SHLAP!**** AAAAARRaaaiii!

Eu acertei o Emmett, ele gritou tão alto quanto estralo do cinto, Edward aproveitou pra passar correndo.

"Volta aqui Edward."

"Não papai, por favor."

Ele implorou quando viu meu pensamento.

"É por correr, agora desça logo essas calças antes que eu te pegue, ou vai ser pior."

Ele se aproximou desabotoando o cinto e puxou a calça eu mirei bem o seu traseiro e dei uma cintada daquelas de estralar, o estralo veio acompanhado de um grito estridente.

SHLAP!**** AAAAAAAAAAARRaaaaaaaiiiiii!

Ele vestiu a calça gemendo e chorando.

"Você já está chorando Edward? Eu ainda nem comecei com vocês! Anda, escritório, JÁ!"

Ele piscou os olhos freneticamente quando eu gritei, na certa achou que iria levar outra cintada.

Mas eu não dei, seria injusto, eu estava disposto a dar a todos o mesmo castigo, embora Rose e Jasper merecessem mais, por terem sido deixados no comando, Edward e Emmett assustaram e pintaram os guardas, e Alice com certeza orquestrou absolutamente tudo com suas visões.

De que outra forma Jasper sabia exatamente quando ligar? Ou Emmett e Edward saberiam da necessidade de amarrar os dois, mesmo estando desmaiados?

Todos tinham sido responsáveis, ou irresponsáveis, por tudo, então decidi. Nenhuma cintada a mais ou a menos pra nenhum deles, incluindo Alice.

Eu entrei no escritório atrás de Edward esfregando o traseiro.

Bati a porta atrás de mim, eles escolheram os ombros, assustados com meu comportamento.

Eu caminhei pra trás da minha mesa, tentando encontrar forças pra me segurar e falar um pouco.

Controlei minha voz pra não gritar e perder o respeito.

"Em linha reta!"

Eles desfizeram o bolo desordenado e organizaram uma linha em ordem de tamanho diante de mim.

Da esquerda pra direita, Alice Edward, Rosalie, Jasper e Emmett.

Todos com as mãos pra trás e cabeças baixas.

"Olhem pra mim."

Eles ergueram a cabeça com dificuldade.

"Eu não quero nenhuma palavra de vocês, não há o que explicar, não importa, nada que tenham a dizer, ou ouvir, que os impeça de levar a surra de suas vidas."

Eu disse evidenciando o cito da disciplina na minha mão.

As lágrimas de Alice e Edward rolaram nas bochechas silenciosas, o cenho de Rosalie e Jasper franziram e os olhos de Emmett arregalaram, mas todos permaneceram em silêncio.

Eles sabiam bem como não piorar as coisas.

"Eu nem posso começar a dizer como estou desapontado com vocês, saímos por um dia e vocês se transformaram em completos arruaceiros."

Os olhos deles lentamente começaram a baixar, mas eu não me importei.

"Mentindo, roubando, fazendo racha e sabe-se lá mais o que, eu sei que não provocaram o acidente de propósito, e tenho certeza que tomaram todas a pré-calções para que não acontecesse."

Eu olhei na direção de Alice e Edward, eles se entreolharam, pois sabiam do que eu estava falando.

"Mas é disso que estou falando, quantas vezes eu já disse a vocês que não importa o quanto habilidosos sejam, acidentes podem acontecer?"

Eu apertei a ponte do nariz tentando conter a ira que subia pelo corpo.

"É por isso que eu sempre proíbo que vocês façam esse tipo coisa próximo aos humanos."

"Sempre os humanos!"

Rosalie sussurrou desdenhosa por baixo da cortina dourada de cabelos.

"Rosalie Lilian Hale Cullen, eu juro por Deus, que se eu ouvir qualquer coisa da sua boca que não sejam os gritos da surra que eu vou te dar,você vai se arrepender amargamente."

Eu disse tentando permanecer calmo, mas o cinto tremia na minha mão.

"Eu levo vocês pra jogar basebol, pra caçar em lugares incríveis, sempre moramos em casas afastadas, pra que possam extravasar suas habilidades com segurança, Porque diabos vocês tinham que fazer isso? O Hospital está lotado de pessoas feridas, eu nem sei o que faria se alguma delas morressem por isso."

Só faz um ano que estamos aqui, e teremos que mudar, e como castigo, vocês vão mudar com um ano a menos em suas idades, isso significa um ano a mais na escola.

Eles gemeram, mas não eram loucos de reclamar.

Apontei o dedo pra cada um deles ditando as idades.

15, 15, 16, 16 e 17.

Eles normalmente começam com 16, 16, 17,17 e 18, assim Alice e Edward já começam no 1° ano do colegial, e os mais velhos no 2° ano, Alice e Edward sempre faziam todo o colegial, mas os mais velhos sempre pulavam a parte horrível dos calouros, dessa vez eu os colocaria pra fazer todo o colegial de ponta a ponta e os caçulas teriam que voltar no último ano do fundamental.

Eles detestavam as roupas que os faziam aparentar novos demais, as roupas de 16 já eram uma tortura, as de 15 seriam o pior dos castigos.

Eu fiz um discurso enorme sobre carros, segurança, consideração, obediência, polícia, discrição, respeito à vida, a diferença entre ser um vampiro comum e ser um Cullen.

Se eles fossem humanos teriam ficado com as pernas cansadas de tanto permanecer naquela posição enquanto eu andava de um lado para o outro, até que eu finalmente disse:

"Então, não há mais o que fazer a não ser pagar o preço dessa travessura."

Eles ergueram a cabeça como se fosse uma surpresa.

"Ok! O mais velho primeiro, na mesa Emmett, e os outros, cada um para um dos cantos do escritório com o nariz na parede."

Eles ficaram nervosos sabiam que não tinha mais volta, as conseqüências chegaram.

Mas antes que cada um se deslocasse para o local ordenado, o telefone do escritório tocou, eu mesmo quis atender, podia ser do hospital.

"Esme pode deixar!"

"Residência dos Cullen, Carlisle falando."

Eu atendi olhando pra eles pelo canto dos olhos.

"Dr. Cullen, é do hospital, o senhor pediu pra ficar informado sobre o quadro da paciente Alice Sullivam."

"Sim, alguma alteração?"

"Infelizmente ela veio a óbito Dr."

A lágrima rolou no meu rosto, olhei para meus filhos e a dor que eu senti foi muito maior que toda aquela alteração, a decepção era grande demais pra eu suportar.

"Dr. Cullen? O senhor ainda está aí?"

"Sim, desculpe-me, gostaria de arcar com as dispensas do funeral, mandem preparar tudo."

"Isso é muito generoso, ainda mais agora que o motorista que deveria ser responsabilizado por tudo veio a óbito também."

Era como mil facas sendo enfiadas no meu peito.

"Como estão os pais? Estão prestando a assistência necessária a eles?"

"O pai está em estado de choque, o Dr. Wendel está cuidando de tudo, e a mãe é a jovem senhora, Ângela Sullivan, que o senhor entubou antes de partir, infelizmente já foi decretada morte cerebral, estamos esperando o marido voltar a si pra que possamos desligar os aparelhos."

"Eu cuido do funeral dela também, se houver mais algum óbito resultado desse acidente, por favor, mantenham-me informado."

Desliguei sem me despedi, passei a mão no rosto limpando as lágrimas que insistiam, olhei para o cinto na minha mão e depois para os meus filhos.

A decepção em cada fibra do meu ser, estava visivelmente estampada no meu rosto.

"Vocês estão com sorte, o preço da travessura de vocês já foi pago."

Eu joguei o cinto no chão aos pés deles.

"O preço foi a vida de três pessoas e a destruição de uma família, espero que isso possa ensiná-los o que esse cinto e eu não fomos capazes de ensinar durante todos esses anos."

Esme apareceu na porta no momento em que eu estava prestes a sair.

"Mas pai..."

Eu nem se quer olhei, mas era a voz de Jasper, ele sabia mais do que ninguém como eu me sentia.

Eu pus a mão na maçaneta e parei ao ouvir a voz de Esme se dirigindo a eles.

"Para os quartos de vocês, Jasper e Emmett nos quartos de hóspedes até segunda ordem."

Eu interrompi ainda de costas.

"Não Esme, não ponha ninguém de castigo, não vai resolver coisa alguma, se ao virarmos as costas, eles farão o que quiserem, deixe-os como quiserem, onde quiserem, não tenho mais nada a dizer."

Saí sem olhar pra trás e fui chorar no meu quarto a decepção maior de todas, eu não podia acreditar que ela estava sendo provocada por meus próprios filhos.

Continua...

A/N: Eu sei que estão surpresos, mas foi justamente essa a intenção, talvez você se sinta um pouco "decepcionado", mas quem leu PPF sabia bem onde chegaria essa história, e o preview esclarece qual é o ponto alto da fic. Ainda temos coisas acertar, a história não termina aqui, continue com agente pra saber como será a reaproximação de Carlisle e seus filhos.

Pra quem realmente esperava uma surra fique ligado ainda teremos muitas histórias pra apresentar, e teremos uma surpresa no último capítulo.