Autora: Blanxe
Revisada por: Andréia Kennen
Casal: SasuNaru / Itachi + Naruto
Gênero: Yaoi, Canon, Romance, Angst, MPREG, Violência, TimeTravel.
Aviso: Bate-papo interno entre Kyuubi e Naruto está sempre em negrito e itálico
Capítulo dedicado à aniversariante Keiko Maxwell!
oOo
Tic-tac ouço o relógio contando
Espero que os minutos possam ser refeitos à mão
Tanto para fazer e tanto que preciso dizer
Amanhã será tarde demais?...
Skillet — One Day Too Late
oOo
Naruto não era muito perspicaz. Podia ser desligado, desastrado e demorar a entender certas coisas. Só que não o suficiente para deixar de perceber que Itachi Uchiha estava silencioso e distante. Era uma redundância alegar aquilo já que o conhecia bem pouco, mas enquanto seguiam juntos para o templo, ele parecera mais receptivo — à maneira dele.
Estava espionando o nukenin à distância, enquanto caminhavam para Konoha. Sasuke e Itachi não trocavam palavra alguma, mas andavam próximos: o mais velho um pouco mais à frente e o mais novo a um passo atrás como se a desconfiança o mantivesse resguardado e pronto para alguma situação inusitada. Naruto tinha certeza que Sasuke acreditava no que o irmão contara, mas orgulhoso do jeito que era seria incapaz de se aproximar como no fundo desejava. Itachi fora o herói — a figura na qual Sasuke se espelhara para querer ser o melhor dos ninjas — antes de tudo desabar cruelmente sobre seus ombros, quando ainda era uma criança. O brilho de admiração poderia ter se extinguido por completo, mas isso não queria dizer que o elo que os unia anteriormente não pudesse ser reerguido.
Era o que Naruto esperava acontecer. Acima das diferenças e do passado trágico, ficaria contente de ver Sasuke se reconciliar com o irmão mais velho. Assim como havia sido consigo… Bem, não exatamente como ocorrera consigo, mas a lógica era basicamente essa — Naruto pensava.
Sasuke demonstrara corresponder parte de seus anseios e, por isso, Naruto sentia-se mais do que feliz, principalmente pelo Uchiha estar aceitando o bebê que agora esperava. Refletir sobre a situação acabava fazendo-o notar como tudo soava como uma grande loucura: como a rivalidade se transformara, sem que percebesse, em amizade que fluiu para os sentimentos que nutria tão fortes por Sasuke, agora — e como realmente fora insano aceitar algo da magnitude que Kyuubi propusera. De todo modo, Naruto não se arrependia, principalmente por aquela vida que crescia letargicamente dentro dele.
Uma vida que Itachi e Sasuke concordavam e afirmavam que seria ameaçada pelo Conselho de Konoha. Depois de saber como o mesmo esquematizara e ordenara a execução do clã Uchiha tão friamente, forçando Itachi a tomar decisões e escolher entre a Vila ou a família, Naruto sentira-se temeroso. Jamais permitiria que alguém intencionasse mal ao seu filho e o protegeria de qualquer um, mesmo do Conselho. Só que o assassinato covarde que os Uchiha arquitetavam não agradava em nada o jinchuuriki. Gostava de crer que existiam outros meios, possibilidades de evitar golpes covardes, principalmente. Mas houvera argumento de Sasuke, dizendo que sendo um ninja de Konoha, Naruto estava preso a obrigações e suscetível às artimanhas do Conselho; preso pelo bijuu que continha e que para os grandes ditadores da Vila da Folha, jamais sairia do controle deles. Uma arma de guerra a disposição acaso houvesse necessidade de ser usada. Naruto nunca parara para pensar em si por aquela perspectiva e, por motivos óbvios, o magoava saber que ainda não era reconhecido por seus atos e sim pelo demônio que habitava seu íntimo.
Não decidira qual atitude tomar em relação à intenção dos Uchiha — se os deteria ou fecharia os olhos — e quanto mais perto chegavam de Konoha, mais indeciso ficava. Por isso, passara a observar Itachi e notar esses detalhes que normalmente passariam despercebidos por si.
Vindo consideravelmente mais atrás, Naruto estreitou os olhos azuis e foi confidenciar-se com o nove caudas.
— Kyuu, acha que ele está se arrependendo?
Itachi poderia sim ter segundos pensamentos, apesar de Naruto fortemente pressentir que esse não era o caso. Assim como Sasuke, o loiro gostaria de entender o que motivara o Uchiha mais velho àquela "mudança de planos". O moreno estava sendo calculista, entretanto, com qual objetivo? Até o presente momento, Itachi não confidenciara a razão principal, embora a desconfiança que ficava mais exposta era o arrependimento — antes tarde do que nunca — e a gravidez de Naruto.
Achara que a raposa lhe daria uma direção de raciocínio, mas, ao contrário do que esperava — especulação e deboche —, o demônio grunhiu, demonstrando um extremo mau-humor por ter sido abordado.
— Moleque, por que não caminha silenciosamente como todo mundo?
Já estava acostumado com as "patadas" de Kyyubi e também se encontrava muito focado em seus próprios questionamentos, por isso, sequer deu-se ao trabalho de responder, viajando em suas divagações:
— Se ele der pra trás, pode voltar pra Akatsuki ou matar o Sasuke durante o sono, ou armar uma emboscada…
— Ou você podia calar a boca e me deixar quieto. — a raposa interrompeu, frustrado.
— Por que 'ttebayo? — Narutoquis entender. — Não é como se você estivesse ocupado.
— Apenas fique quieto. — ordenou o outro.
— Raposa idiota. — resmungou o loiro.
Para sua surpresa, foi abordado pelo misterioso ANBU que vinha os acompanhando desde muito antes de encontrarem Sasuke. A identidade daquele ninja permanecia secreta e Naruto respeitava a posição do jovem pertencente à elite da Vila da Folha.
— O que 'tá fazendo? — indagara o rapaz mascarado o qual Naruto só conseguia distinguir os longos cabelos negros mesclados com fios loiros.
— Shiiiiiu, ANBU-san! — pediu baixo, dando ênfase ao levar o indicador aos lábios, querendo que não atraíssem atenção. Meneou a cabeça na direção de Itachi assim que teve certeza que ninguém percebera e falou: — Tá vendo? Ele não parece… estranho?
O ANBU fez uma curta pausa, olhando na direção de Itachi.
— Isso é uma pergunta redundante. — respondeu, sincero.
Naruto franziu o cenho, inclinando a cabeça quase imperceptivelmente para o lado e concordou:
— 'Tá, ele é estranho por natureza, mas… — meneou a mão na direção do Uchiha mais velho. — Olha, ele está quieto e pálido e… estranho.
— Talvez ele seja assim o tempo todo. — ponderou o ANBU. — A gente não o conhece direito.
— Se antes ele tivesse agido do mesmo modo, dattebayo, — Naruto deu de ombros. — até levaria em conta.
O silêncio entre ambos durou apenas alguns segundos.
— Isso não deveria importar tanto assim. — o ANBU concluiu. — Não era seu intento trazer o Sasuke de volta para Konoha?
— Sim. — Naruto respondeu sorridente, olhando para as costas do adolescente que seguia mais adiante. — Eu nem acredito que… finalmente ele está voltando.
— Então, por que esse interesse todo em Itachi?
— Sasuke. — meneou a cabeça na direção do Uchiha. — Esse teme pode não demonstrar, mas ele ama esse irmão dele.
— Você só fez esse trato com o nove caudas pelo Sasuke, não foi?
— Foi… o que eu pensava no início. — Naruto confessou, com o olhar pesando para o chão. — Sabe como é: o fardo ser um jinchuuriki e ter o mundo desprezando o fato de eu ter nascido… Então o Sasuke foi o primeiro que me reconheceu como pessoa, como alguém à altura de considerar um rival e… como amigo. — elevando os olhos para fitar as costas do Uchiha por quem era apaixonado, Naruto prosseguiu, convicto: — Por ele, eu faria qualquer coisa. Sem o Sasuke a minha existência teria sido… vazia. — finalmente retomando o sorriso aberto, o loiro rematou: — Eu nunca tive família, nem ninguém assim. E, por mais que eu tenha resolvido gerar um filho por ele, eu decidi por mim também; decidi pela minha própria família, algo que eu nunca tive.
Pensando ter deixando o ANBU enfadado com seu falatório, Naruto sentiu-se constrangido e coçou a nuca, rindo um pouco.
— Gomen, ANBU-san. Falei demais.
E, sem esperar uma réplica, Naruto se afastou, apertando os passos e adiantando-se até os Uchiha propositalmente, indo implicar para ganhar a atenção deles.
O assunto que previamente havia iniciado a conversa, fora completamente esquecido, principalmente por Hoshi, que foi deixado para trás, com um sorriso ameno escondido por trás da máscara que usava.
...
Sasuke relembrava das palavras ditas para seu time. Por causa delas, não havia verdadeiramente dispensado-os e sim lhes dado uma missão. Logicamente, não avisara ao irmão ou a Naruto; não confiava cem por cento em nenhum dos dois, embora seu ódio houvesse se revertido para outros focos distintos: Konoha e Madara Uchiha.
Fora isso que pedira a Karin, Juugo e Suigetsu. Queria que eles procurassem Madara, que de alguma forma conseguissem se infiltrar na Akatsuki e assim estaria à frente dos passos daquele homem. Saber que existia mais um Uchiha vivo e uma lenda como era Madara, fora uma surpresa para Sasuke, mas isso não o faria hesitar. Madara poderia ser imortal perante o decorrer dos anos, mas duvidava que seria imune à morte em uma batalha.
À medida que se aproximavam de Konoha, Sasuke repensava sobre seu retorno. Definitivamente não queria ficar na Vila da Folha, sequer queria colocar os pés lá. Aquele lugar era somente uma mancha escura em sua vida e nada tinha a oferecer-lhe, a não ser o jinchuuriki que viajava consigo.
Seu desejo de destruir Konoha ainda pulsava no fundo de sua mente, mas aquilo que Kyuubi disse, trouxera um severo resguardo em suas atitudes. Naruto jamais abandonaria Konoha, jamais se voltaria contra ou deixaria de proteger aquele lugar. Isso dificultava muito seu intento. Se Naruto enxergasse as coisas à sua maneira, poderia fazer o que quisesse, poderia se vingar sem machucá-lo e, por conseguinte, seu filho.
Ainda que continuasse soando surreal, Sasuke já se adaptara a ideia de que o garoto loiro estava guardando uma parte sua dentro do ventre. Sua mudança de atitude — seu refrear — devia-se principalmente por seu filho. Ele — ou ela — seria uma extensão de seu clã, uma continuidade de sua própria existência.
Não podia negar que esse fato lhe dava uma perspectiva mais amena do futuro: Naruto, um filho deles e Itachi…
Sua vida fora baseada em odiar Itachi e em ressentir por ele ter traído o elo tão forte que imaginava que compartilhavam. Estar interagindo sem animosidade com o irmão mais velho, novamente, era inacreditável, mas Sasuke sentia como se o vazio que ele infligira em sua alma estivesse sendo preenchido, embora tivesse certeza que as coisas jamais voltariam a ser exatamente como antes, quando eram crianças.
Aquela seria a última parada antes de colocarem os pés em Konoha e, como toda a viagem vinha sendo, acreditou que a noite transcorreria tranquilamente. Havia se distanciado da clareira onde pernoitariam para pegar um pouco de água em um córrego e teve a companhia dos dois misteriosos ANBUs que seguiam Naruto e Itachi desde o início. Achava bem estranho a presença daqueles dois; falavam pouquíssimo e pareciam sempre estar prestando atenção. Sabia ser o trabalho deles e que desconfiança nunca seria demais, entretanto, a presença deles incomodava Sasuke.
— Por que vai voltar pra Konoha? — o ANBU lhe questionou, com uma nuance de resguardo. — Pra que hesitar quando pode ir diretamente à principal fonte dos problemas?
Sasuke também já havia pensado nisso, mas conversara com Itachi antes de saírem do templo depois de extinguir a influência que Orochimaru ainda mantinha em si.
— Porque seria burrice. — explicou, secamente. — Não posso arriscar uma mudança tão drástica. Com Itachi, eu conseguiria, mas Naruto viria logo atrás do jeito que é teimoso. Ele é o ponto mais vulnerável e o melhor a fazer é protegê-lo onde ele tem chance de ser protegido.
— Ele sabe se proteger sozinho. — contestou a jovem mascarada. — Ele é um ninja, pelo amor de Kami.
— Você está subestimando o inimigo. — Sasuke repetiu as palavras que o irmão lhe dissera quando, por incrível que pareça, lhe atestara a mesma coisa. — Nesse caso, o descuido pode custar muito caro.
— Para alguém que há algum tempo atrás mataria o Naruto sem pestanejar, até que você é bem bipolar. — Kiseki desdenhou, aproveitando para lavar as mãos e os braços na água limpa que corria pela margem.
Sasuke estreitou os olhos para a morena, mas o outro ANBU tentou apaziguar.
— Err… não dê ouvidos ao que ela ta dizendo. Você se importa com a segurança do Naruto e quer protegê-lo, né?
Sasuke não respondeu. Já tendo terminado de pegar a água, simplesmente dedicou um olhar arrogante a ambos e começou o caminho de volta à clareira.
— Delicado como uma pluma, otousan. — Hoshi ironizou resmungando e emburrado.
— Vamos. — Kiseki motivou para que retornassem também.
...
Mesmo depois da conversa com aquele ANBU, Naruto não dispersara sua curiosidade pela forma como Itachi estava mais retraído. Durante todo o tempo levara em consideração a possibilidade de ser a companhia de Sasuke com eles, pois o único fator diferente ali era o Uchiha mais novo. Bem, havia uma chance de esse ser o motivo que vinha deixando o nukenin daquele jeito.
— Itachi-bastardo? — chamou, querendo iniciar a conversa com o mais velho. — Você ainda 'tá com cara de cansado.
O moreno o olhou de um jeito indiferente e nada respondeu, fazendo com que Naruto se incomodasse ainda mais. Não gostava nada quando ele agia daquele jeito, odiava ser ignorado, pois já vivera muitos anos de sua vida com aquele tipo de atitude. Parecia que os malditos Uchiha se achavam no direito de serem assim — altivos —, mas Naruto não permitiria que aquele homem o deixasse falando sozinho.
Mas, antes que pudesse implicar com o Uchiha ou obrigá-lo a lhe dar atenção, a chegada repentina de um intruso deteve o loiro, colocando-o imediatamente em alerta, juntamente com Itachi.
— Eu pensaria que esse jinchuuriki seria um belo presente seu para mim, se você não estivesse indo na direção completamente oposta ao nosso quartel, Itachi-chan.
O homem mascarado era um completo desconhecido para Naruto, mas o manto da Akatsuki já se tornava indicativo o suficiente para que erguesse completamente sua guarda.
— Quem é esse? — direcionou a pergunta para Itachi, que sustentava o semblante inalterado, olhando atentamente o recém-chegado.
— Madara Uchiha. — Itachi nomeou, monotonamente.
Os olhos azuis mostraram a surpresa de Naruto.
— Estou magoado, Ita-chan. — reclamou o moreno, mantendo os trejeitos personagem que ele próprio criara e o qual denominava de Tobi. — Sabe, essa foi uma punhalada que eu não esperava. Mas… por outro lado, aplacaria meu desgosto se me contasse o motivo real de sua deserção.
— O que mais quer saber que Zetsu não tenha mostrado? — inquiriu Itachi, raciocinando que o espião furtivo da Akatsuki teria sido o delator de sua traição.
— Ah, ele me contou da façanha do hospedeiro da Kyuubi. Meus parabéns, Naruto-kun, pela gravidez. — debochou Tobi, fazendo o loiro se contrair tanto por vergonha, quanto por raiva. — Zetsu-san mostrou tudo o que se passou naquele templo, só que em nenhum momento você confessou o seu motivo.
— O que viu, é o meu motivo. — Itachi definiu.
— Não acredito. — Tobi disse serenamente. — Mas, sabe, Itachi-chan… Sei que não vai me contar e acho que no final das contas isso não importa muito porque você não vai viver tempo suficiente e seria covardia de minha parte lutar contra você agora.
Um vinco se formou entre as sobrancelhas loiras e os olhos azuis oscilaram de Madara para Itachi em total incompreensão. Tal expressão não passou despercebida pelo líder da Akatsuki.
— Confuso, Naruto-kun? Acho que Ita-chan não foi completamente sincero com vocês.
Naruto procurou no rosto de Itachi alguma reação que indicasse contrariedade, esperou uma ação em que o nukenin viesse a opor a insinuação de Madara, mas tudo o que viu foi a já conhecida passividade.
— Ita-chan não quer que ninguém saiba que ele está doente. Ele planejava uma grande "despedida" na luta contra o irmãozinho, mas… — fez uma breve pausa teatral, para só então continuar: — a situação mudou e ele resolveu arrastar um pouco mais a aposentadoria.
— Já terminou? — Itachi indagou, indolente.
— Sempre tão chato… — Tobi resmungou. — Creio que vá se arrepender no futuro por essa decisão, Itachi… ou quem sabe mude de ideia.
— Quem sabe você não mude de ideia quando eu estiver a ponto de te matar?
A voz de Sasuke levou Madara a virar-se e encará-lo.
— Sasuke-kun! Finalmente podemos nos conhecer. — o mais velho dos Uchiha exclamou, mostrando-se empolgado, mas quando seu olho que era visto com o sharingan ativado por trás daquela máscara analisou os ANBUs que o acompanhavam, todo um estranhamento e postura mais defensiva foi escondido por trás da ironia: — E… sabia que pra quem tem um sharingan de tempo-espaço, como eu, não é difícil de…
— Madara. — Itachi o interrompeu antes que falasse demais, sabendo que daria margem para que seu ex-sensei desconfiasse, mas no momento era isso, ou arriscar a verdadeira identidade dos garotos.
Imediatamente, o Uchiha se voltou para o aprendiz e seu olho carregava um brilho vitorioso e porque não dizer, fascinado?
— Ohhhh, será que… é isso, Itachi-chan? — indagou sardonicamente. — Eu adivinhei?
O rapaz permaneceu silencioso, apenas fitando impassivelmente o líder da Akatsuki.
Era tarde demais.
— É um segredo, Ita-chan? — Madara indagou e Itachi pressentiu que ele agiria.
— Kiseki!
Entendendo o pedido de Itachi, a Hyuuga correu, puxando Hoshi consigo. No mesmo instante, Madara adiantou-se para se interpor na fuga dos dois, mas Sasuke viu nesse o melhor momento para deixar claro que via o familiar como inimigo.
Naruto ainda buscava compreender toda aquela interação entre os Uchiha, enquanto absorvia o pouco que entendera sobre Itachi estar doente e morrendo. Mas não demorou a entrar em ação, querendo ajudar Sasuke.
— Não se intrometa, usuratonkachi! — o Uchiha mais novo vociferou, ainda atacando Madara.
— Não me dê ordens, teme! — Naruto rebateu, enfezado, usando seu bushin para criar um Rasengan.
Itachi certificou-se que os dois adolescentes haviam desaparecido de seu campo de visão na floresta. Quando finalmente focou-se totalmente na luta, estancou, bem como Sasuke que deteve imediatamente um dos ataques do Chidori que ainda faiscava em sua mão.
O vingador dos Uchiha ficara confuso quando o homem de máscara laranja do nada sumira em um buraco no espaço e ressurgira da mesma forma, atrás de Naruto, detendo o Rasengan e colocando o loiro cativo junto a si.
— Não deveria estar entrando na linha de batalha assim, jinchuuriki. — Madara, com a voz séria e densa, diferente da aguda que o identificava como Tobi, falou para Naruto, que se manteve imóvel ante a ameaça de um objeto pontiagudo encostando à sua nuca. Os olhos azuis imediatamente conectaram-se com os de Sasuke, enquanto media mentalmente o que poderia fazer para sair daquele predicamento. — Corre um risco muito grande de se machucar e sabe que se você se ferir, fere também o nosso bebê Uchiha. — satisfeito, Madara sentiu a tensão total do loiro quando esgueirou sua mão por baixo da veste alaranjada e tocou sua barriga. Sasuke trincou os dentes e estava pronto para investir contra, mas Itachi o impediu, segurando firme e forte seu pulso, enquanto o mesmo fitava de um jeito desinteressado a cena diante de si. — E você não vai querer prejudicar essa vida indefesa, não é, Naruto?
...
Hoshi titubeou, tropeçando em seus próprios pés, quase indo ao chão, se não fosse pelo pronto auxílio de Kiseki. Uma náusea intensa o dominou repentinamente, como se algo fluísse de maneira desenfreada por seu corpo causando um aquecimento além do normal.
A Hyuuga percebeu a sua palidez quando ele levantou a máscara ANBU como se precisasse de mais ar para respirar. Dando apoio para que Hoshi se encostasse a uma árvore, ela decidiu que bastava. Tirou a mochila das costas e dela arrancou o pergaminho que um dia pertencera a Orochimaru.
— O que está fazendo? — Hoshi perguntou, levemente desorientado.
— Será que você não percebeu? — ela ironizou. — Fomos descobertos!
— Isso é impossível. — Hoshi alegou, fechando os olhos e desejando que o mal-estar desaparecesse.
— Olha pra você! — Kiseki se estressou, estendendo o pergaminho no chão. — Seu tio-conservado-em-formol vai arrancar essas nossas máscaras e imagine que legal seu pai Naruto e seu pai Sasuke vendo essa sua carinha. Eu ainda tenho como disfarçar e dizer que sou apenas uma Hyuuga, mas você… você é cuspido demais o Itachi. Precisamos executar o kinjutsu e sair daqui.
— Não! Eu não vou voltar agora. — Hoshi se negou. — É cedo demais.
— Hoshi, me escuta! — Kiseki mandou, segurando o garoto pelos ombros e chamando sua atenção ao chamado pelo primeiro nome. — Já bagunçamos demais o passado. A história está mudando por nossa culpa e você vai sofrer às consequências, não está vendo? Já chega… Fizemos o que podíamos. Itachi dará conta do resto.
Como poderia retorquir aquela afirmação quando sentia na pele a verdade das palavras da Hyuuga? Por dentro, estava com medo: medo do calafrio que percorria seu corpo, medo da fina camada de suor que começava cobrir a sua testa, medo de simplesmente desaparecer no próximo minuto…
— Mas… — teimou, ainda inconformado com a súbita ideia de partirem.
Kiseki soltou o rapaz e negou com a cabeça, pegando uma kunai em seu coldre e deixando uma mensagem no tronco da árvore mais próxima.
— Se nosso presente foi alterado, você ainda tem chance de ver o Naruto e o Sasuke. — argumentou, enquanto terminava de desenhar os caracteres.
— Mas, e o Itachi? — indagou, umedecendo os lábios que haviam ressecado.
— Hoshi, a gente tem que ir. — ela afirmou, guardando a arma e abaixando-se.
Ela posicionou-se na frente do pergaminho, sabendo que novamente não seria fácil reunir todo aquele chakra e executar o kinjutsu, mas definitivamente, ficar no passado não era mais uma opção.
— Eu preciso saber quem é o meu pai… — Hoshi confessou, desolado, escorregando pelo tronco da árvore até estar sentado no chão.
— Deixa de ser egoísta, baka! — ela esbravejou. — Eu não to a fim de morrer aqui nas mãos do seu parente psicopata. Se seu pai Naruto viver, o meu vai estar me esperando quando sairmos daqui e isso é só o que me importa! — os olhos perolados dela exibiam o desejo de somente reencontrar vivo o pai; um desejo palpável que ela pretendia realizar apesar dos caprichos de Hoshi. — Tudo o que deveria importar pra você era aquele seu pai depressivo que ficou no nosso presente! Não foi por isso que voltamos?
Hoshi engoliu em seco.
Voltara para o passado por causa de Sasuke.
Seu Sasuke…
Para findar-lhe o sofrimento, trazer-lhe de volta a vontade de viver, para tê-lo próximo de si novamente.
Mas isso fora antes de ver aquela realidade e de descobrir que existia tanto que não sabia sobre seus pais.
Sasuke.
Itachi.
Naruto…
Sua equação estaria mortalmente afetada se acaso sua vinda ao passado não salvasse o jinchuuriki.
Tanto queria saber sobre eles, mas também precisava preservar o que restava da sua pessoa mais amada... Independente de qualquer coisa, tinha que voltar para ele.
E era capaz de admitir em voz alta se perguntasse: sentia falta de seu otousan. Aquele que estava em Konoha, aquele que o fazia sorrir e que aquecia seu coração das formas mais inimagináveis.
Saudades imensas de Sasuke Uchiha que o invadiram naquele curto momento de reflexão, determinaram a sua desistência.
— Vamos embora…
...
Madara achava muito interessante tudo o que descobria ali. Como via a grande fraqueza de Sasuke através do medo espelhado em seus olhos ônix. Como Itachi se refreava, sem perder a serenidade, mas ainda assim, se refreava. O terror que o jinchuuriki emanava por cada poro do corpo, enquanto ele — Madara — acariciava sua barriga e invadia com seu próprio chakra ofensivo, aquele santuário em busca de mais confirmações.
Era incrivelmente fascinante a capacidade de Kyuubi e a ousadia de seu hospedeiro, juntos gerando uma vida, fazendo-a crescer… Um Uchiha, sem sombra de dúvidas se desenvolvia e estava sendo muito bem protegido pelo demônio.
As intenções de Kyuubi intrigavam Madara, ao mesmo tempo em que se mostravam claras por tamanho cuidado que o nove caudas tinha em resguardar aquela criança.
O pequeno era, definitivamente, especial.
A habilidade que poderia o filho do jinchuuriki de Kyuubi abrigar com a herança do clã Uchiha…
Madara queria averiguar isso.
Ele queria aquela criança.
Posicionou os dedos em tríade ao redor do umbigo do loiro e por eles o chakra fluiu, queimando a pele e fazendo, imediatamente, Naruto reagir, bem como os irmãos Uchiha.
O loiro não queria se mexer por temer que o homem atrás de si machucasse seu filho, mas diante da dor que lhe foi impelida, seu instinto de autopreservação falou mais alto. Girou o corpo depois de desarmar agilmente a kunai que estivera pressionando sua nuca e avançou contra Madara.
O moreno sorriu atrás da máscara ao ver as pupilas dilatadas e verticais dos olhos já não mais azuis do jinchuuriki. Desviando sem dificuldade das tentativas de ataque, teve que evadir o golpe vindo da espada de Sasuke, e uma sequência de ataque do Chidori. Não foi muito difícil, pois o nível do Uchiha mais novo ainda era muito baixo se comparado com o seu. A queda de Naruto de joelhos só ajudou a distrair Sasuke e tirá-lo do foco principal.
Porém, antes que pudesse investir contra o moreno mais novo, previu o ataque de Itachi que lançou o Amaterasu para detê-lo.
O fogo atingiu a vegetação rasteira quando Madara adentrou em um de seus vórtex. Era seu meio de escapar de uma luta desnecessária. Sua intenção ali não era um embate, principalmente depois de descobrir que o filho do jinchuuriki era valioso. Como Zetsu mesmo dissera, teria que esperar um tempo, mas acreditava que ao final, valeria à pena retardar suas investidas contra o mundo ninja.
Novamente, o que era o tempo para alguém que tinha toda eternidade a seu favor?
...
Continua...
Notas:
Keiko! Feliz Aniversário!
Como te disse por email, estou postando esse capítulo dedicado a ti, mas espere que ainda vou fazer uma outra fic para comemorar, ok?
Tudo de bom pra ti! Espero que tenha curtido o capítulo!
Aviso: Infelizmente a The Sacred Line vai atrasar a postagem. Houve problemas e provavelmente só daqui a umas duas semanas... Peço desculpas, mas estou trabalhando para que logo isso seja remediado!
