Capítulo 6 – Um tempo para pensar.
Bella
Morri. Essa era a palavra certa, porque meus sentidos não me obedeciam mais, meu coração parecia que tinha parado de bater, meu pulmão não respirava mais, meu cérebro não conseguia raciocinar, meu corpo não recebia meus comandos, e eu não conseguia pensar com clareza.
Como que tão de repente ele vem se declarando para mim? Ele nunca sequer olhou para a minha cara, e de repentinamente ele vem me dizendo que ele se interessou por mim...? E alguma coisa na maneira como ele me olhava dizia que o sentimento abordava muito mais coisas.
- É... É... Eu tenho que ir... – Tentei abrir a porta do carro, mas estava fechada, além do que estávamos no meio de alguma rua movimentada, mas eu não me importava. Eu precisava sair daquele carro.
Ele segurou meu braço com força mais não machucando e eu o olhei com reprovação ele soltou, mas se aproximou de mim me encarando com aqueles incríveis olhos verdes esmeraldas.
- Não fuja de mim, de novo, Bella...
- Não estou fugindo... – Falei desviando o olhar.
- Está sim... Quando eu perguntei o que você sentia por mim você fugiu, eu aceitei, mas agora eu não vou deixar você fugir simplesmente, eu quero uma resposta.
Já não agüentava mais aquilo era pressão demais. E eu sabia o que aquilo era. Ele não gostava de mim, ele não me amava. Ele não se interessou por mim pelo o que eu sou... Ele... Era um cafajeste... Isso sim que ele era. Mas eu não sabia como colocar aquilo em palavras.
- Eu não tenho resposta, mais eu tenho uma opinião, uma opinião não uma conclusão...
- E que conclusão é essa?
- Que você não gosta de mim porcaria nenhuma. Que você nunca olhou para mim antes. Que você se 'interessou' por mim porque me viu com um homem que assume a mesma posição que a sua, ou seja, meu patrão, porque me viu vestida com um vestido e sapatos bonitos, porque o cara que você teme, e que você faz tudo que ele quiser se interessou por mim, me achou atraente e quis até me dar nome de evento, é por isso que você está dizendo esse monte de bobagem. Eu conheço tipos como você, Dr. Cullen, você pode achar que eu sou uma facilzinha, que se você sair comigo talvez você marque 'território', ou mesmo você mostre ao seu 'amigo' Mike Newton mais uma vez que você o supera. Porque eu percebi o que é vocês dois. Amigos de fachada, mas vocês sempre disputaram as coisas, e pra você eu sou mais um objeto.
Ele me olhava transtornado, e eu pouco me importei. Já sabia que meu emprego estava perdido mesmo então eu não teria mais papas na língua.
- E o que a faz pensar todas essas bobagens? – Ele perguntou depois de um tempo.
Ri debochada.
- Essa é fácil. Durante dois anos eu trabalhei em sua casa, dois anos. E você nunca sequer olhou para mim, ou me lançou uma palavra afetiva, nem profissional. Só porque me viu bem vestida hoje, me viu com Mike, e Tal de Tom gostou de mim, você resolveu se interessar também. Por influência não por verdadeira vontade! Você é um cretino...
- Eu cretino? Você só vê o lado superficial... Eu confesso que só te analisei como mulher hoje... Mas eu sempre admirei você, seu... Trabalho, sempre! Eu não tenho culpa se eu sou burro em não ter te notado antes...
- Lógico, a Tanya ofusca tudo e todos não é mesmo? Faz um favor para mim Sr. Cullen, não me amole mais, me deixe quieto, e não precisa acertar minhas contas, eu já acertei tudo hoje mesmo com essas palavras...
- Bella, o que a faz pensar que eu quero disputar você por simples rivalidade com Mike? Eu me interessei por você, porque eu abri meus olhos para a mulher maravilhosa que você é, a trabalhadora que luta pelo seu sonho que não tem medo de errar, que ama e respeita a família, que é sincera e sabe dos seus limites, e cuja oportunidade não sobe a cabeça... Eu não tenho culpa de ter visto tudo hoje!
- Pare, por favor...
- Hoje rolou uma química muito grande entre nós, tenho certeza que não foi só eu que senti... qual é o problema?
- O problema é que você é meu patrão, você tem uma noiva, e você é um galinha aproveitador...
- Se o problema é eu ser seu patrão, eu te despeço, se é o problema é a Tanya eu termino com ela, se o problema é eu ser um galinha aproveitador eu juro diante Deus e o Mundo que eu vou ser fiel a você...
- Falar é fácil... Mas quem disse que eu quero algo por você? Quem disse...?
Ele parou o carro em algum lugar e me fitou.
- Deixa para responder depois disso...
- Disso o quê...?
- Disso... – Ele disse se aproximando de mim me amarrando junto á ele, me impedindo de fugir. E me beijou.
Edward
Eu não conseguia me controlar. Eu não tinha mais poder sobre meu corpo. Minha mente vagava somente em uma direção, minha alma e todo meu ser se dirigiam á uma pessoa... Bella.
Não agüentei e a beijei sentindo seus lábios carnudos e vermelhos grudarem-se aos meus. Ela não mostrou reação, mas eu não me importei. Beijei como eu sempre fazia.
As palavras que ela havia me dito poderiam fazer sentido com qualquer outro cara, mas não comigo. Eu não tenho culpa que eu tivesse aberto meus olhos só hoje. Eu não tenho culpa que tenha mil argumentos contra mim e esse meu novo sentimento.
Eu havia percebido, eu realmente me interessei por ela. E hoje foi a confirmação, pois foi a primeira vez que eu a vi falar, a vi expressar um pouco de suas idéias e opiniões.
Era uma mulher simples, bonita, inteligente, trabalhadora, luta pelo seu sonho, não deixa que nada nem ninguém a faça mudarem de rumo, resoluta em suas crenças, sabe de seus limites, dificuldades... Uma mulher encantadora, como não existe muita por aí.
Ela por um momento começou a corresponder á meu beijo, mas logo ela parou, mas eu não conseguia me separar. Ela era um imã e eu era o metal.
Eu a apertei fortemente, e ela não conseguia se separar de mim. Ela tentou em vão, mas logo ela correspondeu ao meu beijo. Depois de um tempo eu senti uma dor enorme nos meus lábios, ela havia me mordido.
Eu automaticamente me afastei levando as mãos aos lábios para ver o sangue descendo.
- Por que você fez isso?
- Essa era para ser a minha pergunta! – Ela dizia um tanto corada mais seus olhos estavam com raiva. – Que parte do 'eu –não- quero – você', você não entendeu?
- Eu quis fazer, eu senti desejo, eu quero você! E sei que você me quer...
- Não quero... Mas eu não vou expressar minha opinião aqui de novo, porque eu sei que você ouviu muito bem. – Ela falou com ar de deboche. Se tornando mais linda ainda.
Eu havia ouvido, e achei tudo um absurdo.
- Lógico que eu ouvi, e tudo era um tremendo absurdo!
- Não, não é... E eu e o mundo inteiro sabemos disso... Sabe o que você faz, volta lá para a Tanya ela é doida por você, e vocês dois se merecem...
- Eu queria merecer você...
Ela hesitou um pouco virada de costas para mim, então se voltou com determinação nos olhos. Mas ela estava triste, estava chorando.
- Você não sabe o que quer... Aproveite o que você tem, ela!
Ela abriu a porta do carro e desceu...
- Ei a onde você vai? Estamos no meio da cidade! No encostamento de uma rua!
- E daí? Qualquer lugar é melhor do que estar aqui com você!
- Não vá... – Desci do carro indo atrás dela, ignorando meus lábios sangrando. Alcancei-a e puxei-a pelos braços.
- Deixe eu te levar para casa!
- Não! – Ela gritou, e deu o golpe que nenhuma mulher deveria ser permitida dar em um homem. O ataque ás bolas. Eu gemi de dor e cai no asfalto. – Saí de perto de mim! - Ela gritou correndo atravessando a rua, chorando.
Eu queria ir atrás dela, mas simplesmente não conseguia.
Ela havia mordido meus lábios, dado o ataque fatal e eu não conseguia sentir raiva dela. Porque eu não estava arrependido das minhas palavras, e nem dos meus novos sentimentos, porque eu estava começando á me apaixonar por Isabella Swan, minha empregada.
Bella
Meu mundo rodou de cabeça para baixo. A sensação dos lábios dele nos meus, a boca dele na minha, a língua dele forçando entrada pela minha boca, as mãos dele me agarrando com força, era indescritível... Mas ao mesmo tempo improvável.
Eu não queria mais ver ele, nunca mais! Quem ele pensava que era? Ele achava que qualquer um que tivesse dinheiro poderia vir me dizer que gostava de mim e conseguir um dia comigo e depois me jogar como se fosse descartável?
Eu sabia de muitas histórias, de empregadas abusadas pelos patrões, que depois eram despedidas, e jogadas na rua, simplesmente. E eu sabia que ele não era diferente.
O sentimento que antes era de admiração pelo homem que era meu patrão, se tornou raiva, ódio... Maldito jantar, maldito Mike, maldito Tom, maldita Tanya, maldito Edward Cullen! Por que ele fez aquilo comigo?
Ainda bem que eu não era apaixonado por ele, que o que eu sentia era estritamente profissional, porque senão depois daquelas palavras eu estaria já submersa nos olhos verdes dele, e já estaria entregue aos seus braços.
Eu corria pelas ruas, sem rumo... Eu estava no centro de Chicago, o que me facilitava me localizar. Minha casa era um pouco longe dali, mas dava para ir a pé com um pouco de esforço.
Me acalmei um pouco e comecei a andar em passos largos pela calçada. As pessoas me olhavam nas ruas, mas eu nem ligava. Há muito tempo eu havia aprendido que o que os outros pensam não vale nada. Olhei para uma vitrine de uma loja e vi minha imagem refletida. Eu estava horrível, meus cabelos estavam desgrenhados, meu vestido amarrotado, e minha sandália havia quebrado o salto e eu tinha alguns arranhões nas pernas e nos joelhos devido á algumas quedas pelo caminho. Meu estado por fora estava que nem meu estado por dentro: podre, sujo.
Já estava me aproximando de casa, mas não era para lá que eu queria ir ou onde eu deveria estar. Eu precisava de apoio, de um ombro para chorar, e não seria minha mãe e meu pai e sua culpa no cartório que iriam me ajudar. Peguei minha bolsinha de mão e vi que tinha algum dinheiro lá dentro, o suficiente para uma passagem de metrô. Desci as escadas com pressa, e peguei o primeiro metrô que vi. Eu iria encontrar alguém que sempre me ajudava na hora que eu precisava que sempre me dava um ombro amigo.
Meu irmão e amigo, Jacob Swan Black.
