VISÕES DO CORAÇÃO
Luenoir e Nina Neviani
Capítulo VII
Dentro da pequena cabana, Shiryu olhava ternamente Shunrei descansar na cama. Ela, algumas horas depois da luta entre Shiryu e Shura, ainda estava desacordada. O lutador ainda não sabia exatamente o que ela tinha feito, mas o fato de sua visão retornar justamente quando ela tinha cortado o pulso lhe dava uma idéia. "Será que ela foi tão longe por minha causa?".
Ela se mexeu, contudo não acordou. Shiryu tinha pensado em levá-la para um hospital, mas como a pulsação dela estava normal, e ela tinha perdido pouco sangue, ele decidira deixá-la ali, em Rozan. Rozan, o lugar que ela tanto amava, e que ele tinha aprendido a amar também.
Shunrei começou a se agitar, e Shiryu segurou a mão dela, o gesto fez com que ela se acalmasse. O pulso que ela tinha cortado já estava enfaixado. Shiryu ainda não tinha cuidado dos seus próprios ferimentos, mas isso não o preocupava. Ele não queria sair de perto de Shunrei enquanto ela não acordasse. E minutos depois, ela o fez. Shiryu sentiu um alívio imenso ao vê-la abrir os olhos.
A chinesa não conseguiria expressar a sua felicidade ao acordar e ver Shiryu. Vivo. Bem ali na sua frente.
– Shiryu, você está vivo!
Ele sorriu e disse:
– Sim. E tudo está bem. E você, como se sente?
– Um pouco estranha. Mas estou bem também.
– Certo, agora descanse.
A princípio, Shunrei não tivera a certeza de que tinha feito tudo corretamente, porém quando perdeu as forças e começou a rever todas as visões que tivera durante toda a sua vida, ela entendeu que tinha conseguido. Contudo, não sabia que Shiryu tinha vencido até o momento que acordou e o viu vivo. Então ela sentiu-se como se tivesse cumprido o seu dever e voltou a descansar.
Na manhã seguinte...
Shunrei acordou totalmente revigorada. Nem parecia que tinha passada por tantas dificuldades no dia anterior. Quando, depois do banho, olhou-se no espelho, viu que de certa forma estava diferente. Talvez fosse o olhar, que agora era igual ao das outras pessoas, e assim só podia ver o que estava a sua frente naquele exato momento. E tal constatação a fez se sentir bem. O que restava saber era como Shiryu sentia-se a respeito do atual momento que ela e ele viviam.
Shiryu despertou e foi ver como Shunrei estava. Assustou-se ao ver a cama vazia.
– Shunrei?
– Estou aqui.
Ela disse entrando no quarto. Só então percebeu os machucados nele que não tinha percebido no dia anterior.
– Como você está?
– Vivo. E feliz por estar vivo.
– Eu estou orgulhosa de você.
– Deveria estar orgulhosa de si mesma. Afinal, se não fosse você, Shura teria vencido.
Ele então olhou para o pulso dela, que ainda tinha o curativo.
– Tudo foi como deveria ser, Shiryu.
– Eu sei. – E depois de uma longa pausa, perguntou – E o futuro, Shunrei?
– Eu não sei. Como você deve saber, eu abdiquei do meu dom...
– Sim. Eu deduzi que você tinha trocado o seu dom pela minha vista. E lhe sou eternamente grato. Porém, eu não perguntei o que você via no nosso futuro, e sim o que você queria construir no nosso futuro.
– Eu... você quer mesmo passar o futuro ao meu lado?
– É o que eu mais quero.
– Eu também, só que eu não queria abandonar Rozan. Ela precisa ser reconstruída, depois de anos de atraso...
– E quem falou em abandonar Rozan?
– Você... trocaria a sua vida no Japão para viver aqui?
– Claro. Rozan é um ótimo lugar para criar nossos filhos. Obviamente, teremos que fazer uma ou outra viagem para o Japão. Mas Rozan será o nosso lar.
– Eu prometo que te farei feliz, Shiryu.
– E eu a você, Shunrei.
FIM
Acabou...
Esperamos que vocês tenham gostado.
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