You Belong With Me

Capítulo 6

A vida é uma bosta. Uma grande bosta, onde todos se ferram.

Um conselho? Não se apaixonem. Você vai apenas se iludir.

Depois de travar uma batalha mental, com os prós e contras de levantar, me arrastei para fora da cama e me tranquei no banheiro. Tomei um longo banho desejando a cada segundo poder descer pelo ralo e pensando no que seria da minha vida.

Apesar de eu ter terminado tudo com Fred ontem, não significava que eu havia deixado de amá-lo. Ou me impedia de ficar triste.

- Sunny, por tudo que é sagrado, saia desse banheiro! – Lys gritou do quarto, batendo na porta.

- É, Sunny, vai faltar águ... Ai, Lys!

- Ela está deprimida, e você vem falar de água? Quem se importa com a água? – ouvi a voz dela, abafada e senti vontade de bater minha cabeça na parede.

- Eu me importo! Tá bem, ô Sunny, se você não sair desse banheiro, não vai ter mais comida e eu vou ficar muito put... Ai, Lys!

- Modos! Saia daí, Sun, ou seremos obrigadas a arrombar a porta!

- Tentem, então – provoquei, desanimada.

- Ah, Sun! Por favor...

Não respondi e as duas caíram quando abri a porta. Isso quase me fez sorrir. Quase.

- É... Bom dia?

- Maravilhoso, não é? – ironizei, revirando os olhos.

- Desculpa – pediram elas em uníssono.

- Tudo bem... – suspirei. – E me desculpem também, estou tão...

- Nós entendemos.

- Completamente.

Elas me lançaram meios sorrisos idênticos, e eu retribui.

- Vamos descer? – perguntei.

- É, vamos.

Descemos as escadas do dormitório, e fomos caminhando calmamente para o Salão Principal.

- Finalmente! – exclamou Selly, quando chegamos.

- Elle estava começando a achar que vocés havian se perrdido. - disse Erik.

- É... Eu vou voltar para o dormitório, tá? – falei, me levantando, quando percebi que os mais próximos estavam nos encarando.

- Negativo, senhorita. – disse Lola me puxando de volta.

- Você precisa comer – Lys afirmou.

- Mas eu não estou com fome – resmunguei, como uma criança.

- Você não comeu nada ontem no jantar.

Fechei os olhos e suspirei.

- De qualquer maneira, onde está a Ness, Selly?

- Olhe para a mesa da Sonserina e sua pergunta terá uma resposta. – ela respondeu, voltando a tomar seu leite.

E lá estava ela, como Selly disse, ao lado do búlgaro-melhor-amigo-do-destruidor-de-relacionamentos, e eles pareciam tão felizes.

- Que foi, eles estão namorando agora?

- Estão. – respondeu Selly, sorrindo. – Ele pediu a ela ontem. Fofos, não?

- Sim. – falei, e suspirei pela milésima fez hoje.

- Que isso, Selly, é totalmente nojento – Lola bufou, tentando ficar do meu lado. – Né, Lys?

- Não, são fofos. – ela disse, distraidamente.

Todos nós passamos a encará-la.

- Que foi?

- Nada. – disse Lola, revirando os olhos.

Me desliguei da conversa a partir deste ponto e me concentrei em tirar a casca do pão. O resto do café-da-manhã passou-se desta maneira, e acabou que minha comida permaneceu intacta.

- Que feio, Sunny, não pode brincar com a comida – falou Ness, chegando de mãos dadas com Tom.

Fulminei-a com o olhar.

- Me poupe.

- Ok... O que eu perdi?

- Hã... Está nevando! – exclamou Lola.

- Vamos lá fora fazer um boneco de neve? – perguntou Lys, e Lola assentiu, feliz.

As duas se levantaram e saíram saltitando porta a fora.

- Merlin! O que deu nelas hoje? – perguntou Selly, olhando para o lugar onde elas haviam desaparecido.

Dei de ombros, e voltei ao meu torpor.


POV Lys

Estávamos nós, Nick e eu, nos jardins cobertos da mais fofa, branca e gelada neve, fazendo um boneco.

- Aw, que bonitinho – falei, encarando o boneco meio deformado.

- Arrume a cabeça dele assim – ele disse, passando os braços por cima dos meus e deixando a cabeça mais redonda.

- Você tem um dom artístico e nunca me contou? – indaguei, virando o corpo e encarando-o.

- Não achei que fosse importante – ele deu de ombros.

- Brincadeira. – falei, sorrindo.

Ele retribui o sorriso e se aproximou, beijando-me levemente.

- Acho que acabamos, então. – ele falou e eu me virei para olhar o resultado final da nossa obra.

- Ficou engraçado. – disse, rindo, enquanto ele me abraçava pela cintura.

- Devíamos ter usado magia.

- Definitivamente.

Ficamos em silêncio, apenas apreciando o momento, quando vi ao longe Sunny caminhando sozinha.

- O que aconteceu com ela? – perguntou Nick, vendo-a também.

- Ela e Fred brigaram ontem. – respondi, pesarosa. – E ela resolveu dar um tempo na relação deles, que já estava meio... tensa, digamos.

- Ah... Não parecia.

- Fred estava praticamente colocando uma coleira nela por causa da presença dos franceses lá no Salão Comunal... Um dia Sunny se cansaria de toda essa 'proteção'.

- Ele não confiava nela?

- Sinceramente? Não sei. Mas, talvez não seja uma questão de confiança, talvez ele estivesse com ciúmes por medo de perdê-la.

- "O ciúme, o medo de ser deixado, são as dores inseparáveis do declínio do amor" François de La Rochefoucauld, 1664.

- Agora além de ter um inegável dom artístico também é poeta?

Ele riu, e apoiou a cabeça no meu ombro.

- Achei uns livros trouxas da minha mãe nas férias... O que o tédio não faz com uma pessoa...

- Eu que o diga, te falei que eu estudei nas férias?

Ele riu novamente e nós continuamos a conversar até o frio nos forçar a entrar no castelo.


POV Sunny

A neve caia delicadamente por cada canto do jardim. Era um dia bonito, não podia negar. Mas estava frio, assim como eu me sentia por dentro. Congelada. Caminhei sem rumo por um bom tempo, pensando em tudo o que havia dito para Fred, e lembrando as razões pela qual ele não está ao meu lado agora, e a cada vez que eu o fazia tinha mais certeza de que 'dar um tempo' fora a pior coisa que eu pudesse ter sugerido.

Parei em frente ao lago por um momento, me deitei sob a neve, e fechei os olhos, deixando minha mente vagar.

Você está magnífica sob a luz do luar. O que é gozado, não? Sunny combina com sol e você fica bem até na lua... – a voz de Fred ecoava em minha cabeça.

Abri os olhos, sobressaltada. Olhei em volta e constatei que estava sozinha, e as lágrimas começaram a invadir meus olhos mais uma vez.

- Essa foi a cantada mais podre do século! – eu digo para ele.

- Ah é? Hum, não sou bom com cantadas, mas e essa: Se entre duas pedras nascer uma flor, entre nós pode nascer um amor.

Fred sorri.

- Sabia que iria gostar, usei com uma morena há alguns dias.

Dou um tapa nele.

- Hey! É brincadeira! Não tiro os olhos de você desde o começo do ano.

- É mesmo?

- Mesmo.

Sorrio sem graça.

- E o que acha dessa "Oi, meu nome é Arlindo. Mas pode me chamar de Lindo, porque perdi o Ar quando te vi".

Gargalho, e jogo os cabelos por cima do ombro.

- É, costumo causar esse tipo de impressão. – digo.

- Metida.