7) Uma pitada de ciúmes

- Nossa... Deve ser uma mulher e tanto – Harry brincou para descontrair a situação. Paul sorriu.

- E é... – nesse momento a porta do elevador se abriu – Olha só... Ela acabou de aparecer.

- Verdad... – Harry ficou boquiaberto ao ver Hermione se aproximar. Era ela a ex-noiva do amigo?

- Paul? Por Merlim, o que está fazendo aqui? – a mulher sorriu imensamente e correu até o antigo noivo, abraçando-o.

- Achou que quem seria a primeira pessoa que eu visitaria ao chegar à Inglaterra? – ele sussurrou perto do ouvido dela enquanto abraçavam-se.

- Que legal... Será que a Mione ainda gosta dele, papai? – Sara questionou com um sorriso nos lábios. Harry ergueu a sobrancelha, por alguma razão não estava mais contente em rever Paul...

- Deixe-me adivinhar... Veio a um Congresso de Medicina Bruxa! – Hermione estava tão contente que sequer se importava com a presença de Harry; não iria permitir que o moreno estragasse aquele momento.

- Exato – Paul sorriu – Trouxe para você – e entregou o buquê para Hermione.

- Obrigada – ela corou de leve. Talvez pelo velho costume, Paul entrelaçou uma de suas mãos a da mulher.

- Tinha seu endereço e resolvi passar aqui. Acabei encontrando um grande amigo...

- Bom dia, Granger – Harry cumprimentou de mau-humor.

- Bom dia.

- Vocês se conhecem? – Paul perguntou. Hermione corou de leve, jamais comentara com o ex-noivo que um dia fora amigo de Harry. Quando mudou para os EUA, resolveu que deixaria todo seu passado para trás.

- Sim, trabalhamos juntos – a mulher respondeu.

- Ah... Mas que sorte – Paul sorriu para os dois adultos, que não concordavam que serem colegas de trabalho era questão de sorte – Harry é um ótimo auror, e Hermione... É brilhante! Aposto que se estiverem juntos em uma missão, serão uma dupla imbatível!

- Há muito mais envolvido numa missão que brilhantismo – Harry comentou, fazendo Hermione revirar os olhos.

- Como assim? – o ex-noivo de Hermione quis saber.

- Qualidades que não estou certo se Granger possível!

- Oh... Então, você não a conhece ainda, Harry – um sorriso orgulhoso se esboçou nos lábios de Paul – Posso afirmar que Hermione possui qualidades suficientes para qualquer missão! Convivi cinco anos com esta mulher, nos quais ela participou de diversas missões, e devo acrescentar que por várias vezes ela quase me matou de preocupação... E olhe que ela nem é uma auror!

- Paul... – Hermione estava corada, e não se atrevia a olhar para Harry.

- E apesar de geralmente estar no campo das pesquisas, sempre que fora solicitada, Hermione nunca declinou uma missão – o homem completou.

- Não sabia que a senhorita costumava participar de combates – Harry disse.

- Não costumo, batalhas não são minha especialidade – ela finalmente o encarou – O que não me impediria de ajudar em uma, caso fosse necessário.

- Tens razão, Paul... Pelo visto, não conheço muito bem a senhorita Granger – Hermione cerrou os olhos e sentiu a raiva tomar-lhe o corpo.

- Não faz muito tempo que Hermione chegou, mas acredito que logo a admirará tanto quanto eu! – mais uma vez, ela sentiu suas bochechas queimarem.

- Está indo para a escola, Sara? – Hermione perguntou sorrindo para a menina, tentando mudar de assunto.

- Sim, papai está me levando – a garotinha respondeu – E é melhor irmos, papai, antes que eu me atrase!

- Claro – Harry concordou. Então, estendeu a mão para Paul – Foi um enorme prazer revê-lo!

- Igualmente.

- Passe em minha casa antes de voltar para os EUA – Harry convidou.

- Claro. Será um prazer – Paul sorriu.

- Até logo, Paul, Mi... – Sara se despediu e saiu ao lado de Harry.

- Não precisa ficar assim... – Paul a olhou bem nos olhos – Harry é uma boa pessoa, tenho certeza que está apenas tenso por ter uma nova companheira de trabalho!

- Está tudo bem – ela deu um sorriso, antes de abraçá-lo – Senti sua falta.

- Eu também, Mione – sussurrou perto do ouvido dela.

- Onde vai ficar?

- No Plazza, juntamente com os outros que vieram – Paul explicou – O Congresso ocorrerá num salão do próprio hotel.

- Bom... Agora eu preciso ir trabalhar, mas podemos almoçar juntos, o que acha? – Hermione sugeriu.

- Tenho apenas uma hora de almoço – ele contou – O que acha de jantarmos juntos?

- Perfeito – ela esboçou um sorriso – Às oito horas está bom?

- Combinado. Passo aqui para te buscar – ele encostou a testa à de Hermione – Eu ainda te amo tanto, Hermione.

- Ah, Paul... – a mulher acariciou a face dele – Eu sinto muito.

- Shh... – Paul a silenciou – Está tudo bem – e beijou-lhe a testa carinhosamente.

Hermione chegou ao Ministério antes de Harry. Estava em sua sala quando alguém bateu na porta. Imediatamente, deu permissão à pessoa; Harry entrou com alguns pergaminhos em mãos.

- São os relatórios das últimas ocorrências – o homem falou, entregando os pergaminhos – Rufus pediu que lhe entregasse.

- Obrigada – respondeu polidamente.

- Precisamos encontrar logo esse maníaco que deseja seguir os passos de Voldemort.

- Não se preocupe. Vamos encontrá-lo muito em breve – a confiança dela o irritou.

- Como pode estar tão certa?

- Diferente de Voldemort, este homem não é tão cuidadoso – a mulher o encarou – Suas ações são facilmente interceptadas pelo Ministério.

- Então, não temos por que temê-lo? – Harry questionou.

- O descuido desse bruxo pode ser interpretado de duas maneiras. Ele pode ser um péssimo estrategista, e não representar um perigo real para o mundo o bruxo...

- Ou?

- Ou ele tem algo grande planejado, e suas últimas ofensivas sejam apenas um alerta sutil – ela pausou por algum tempo – Ambas as hipóteses apontam para um encontro não muito distante com esse homem.

- Em qual das hipóteses acredita? – ele quis saber.

- Gostaria de dizer que acredito na otimista; gostaria de dizer que esse é apenas um louco que breve estará no St. Mungus, e não vamos enfrentar uma batalha novamente... – Hermione desviou o olhar. Ele preferia continuar olhando-a nos olhos, gostou de ouvir aquilo, soava quase como se ela estivesse preocupada com ele.

- Já entendi – por fim, ele deu um suspiro cansado. Não era necessário que Hermione confessasse que acreditava na segunda hipótese – Você... Tem alguma idéia do que ele pode estar planejando?

- Não exatamente... – ela o viu erguer a sobrancelha – Mas, acredito que tenha a ver com você.

- Diga-me uma novidade... – disse ironicamente, fazendo-a dar um pequeno sorriso.

- Esse homem mostrou que é um fanático pelas ações de Voldemort... O que te torna um alvo óbvio – Hermione mordeu o lábio inferior – Destruir o inimigo e assassino de seu "mestre" deve estar no topo da lista dele.

- Reconfortante!

- Desculpe, estou apenas contando-lhe minhas últimas deduções – o homem suspirou – Tenha cuidado.

- Não precisa se preocupar comigo – ele disse. Seu olhar recaiu sobre as flores que Paul dera a Hermione. Estavam enfeitando o escritório da mulher – Por quanto tempo Paul ficará em Londres? – perguntou mudando de assunto completamente.

- Não sei. Não pudemos conversar muito; vou encontrá-lo à noite, jantaremos juntos.

- Ah... – ele caminhou displicentemente pela sala. Queria saber sobre o relacionamento de Hermione com Paul, por que terminaram, se ela ainda sentia algo por ele – Ele parecia muito contente em vê-la.

- Também me alegro bastante com a chegada dele – ele percebeu que as bochechas dela estavam rosadas.

- Provavelmente Paul não agüentou a saudade e veio na esperança de persuadi-la a voltar para os EUA.

- C-como?

- Ele me contou que foram noivos – Harry estava estudando-a, buscando algum sinal de reciprocidade do sentimento de Paul, em Hermione.

- Ah... Sim, fomos noivos – ela não queria olhar para Harry. Sentia-se estranhamente desconfortável.

- Talvez ele tenha esperanças de reatar o noivado.

- Não, Paul sabe que... – a mulher hesitou, questionando-se por que razão estava se abrindo para Harry.

- O quê? – perguntou, curioso.

- Eu não sei explicar, apenas... Não me sentia segura de que ele era o homem da minha vida – um sorriso quase imperceptível se esboçou nos lábios de Harry – Eu o amava muito, mas com o passar do tempo, encontrava nele apenas um grande amigo...

- Se você se sente desta maneira, não deveria iludi-lo – comentou apenas para provocá-la.

- Do que está falando? Não estou iludindo ninguém! – Hermione protestou, irritada.

- Sua reação ao encontrá-lo poderia ter sido interpretada incorretamente.

- Somos apenas amigos agora, e amigos se cumprimentam, se abraçam...

- Amigos não ficam de mãos dadas – ela abriu a boca duas vezes, mas não conseguiu achar uma resposta. Seque havia notado que ficara de mãos dadas com Paul, como Harry pôde notar?

- Quer saber, Potter... Eu não lhe devo satisfações – estava furiosa agora – O que acontece em minha vida não é da sua conta!

- Não precisa ficar nervosa, Granger. Não está mais aqui quem falou – o sorriso irônico nos lábios dele estava deixando-a louca.

- Tem razão! – ela levantou e caminhou até a porta e a abriu violentamente – Fora!

- Até logo, Granger – Harry acenou antes deixá-la sozinha.

Hermione bufou de raiva; claro que ela não iludia Paul, o homem certamente estava ciente de que ela não o amava, pelo menos não como uma esposa deve amar um marido. Fechou a porta com força, e após respirar fundo, resolveu que deveria esquecer as insinuações de Harry, e voltar ao trabalho.

Do outro lado, Harry sorria para si mesmo. A explicação para essa sensação de felicidade era por ter conseguido irritar Hermione, algo que o moreno começara a apreciar nesses últimos dias; pelo menos, essa era a razão que sua mente queria acreditar. O fato de Hermione não amar Paul, não tinha nada a ver com isso.

Paul a esperava na recepção do prédio. Hermione trancou o apartamente e seguiu até o elevador. Estava contente como nunca estivera desde que retornara a Londres. Talvez a presença de Paul a confortasse; os últimos dias ao lado de Harry haviam sido extremamente cansativos. Além disso, o jeito que o moreno a olhava deixava-a, muitas vezes, encabulada. Balançou a cabeça lentamente, a fim de afastar Harry de seus pensamentos. O elevador parou, mas ainda não era o térreo. Hermione surpreendeu-se ao deparar-se com Harry, Sara e Gina.

- Mi! – Sara a cumprimentou animada.

- Boa noite, querida – Hermione sorriu para a menina, depois, cumprimentou friamente os pais dela. Gina parecia desconfortável. Harry estava numa inútil luta interior; queria convencer-se de que não achara Hermione atraente naquele vestido azul-marinho de seda que delineava as curvas de seu corpo.

- Nós vamos jantar fora, Mi... Quer ir conosco? – os três adultos arregalaram os olhos, identicamente contra a idéia de Sara.

- Infelizmente, eu não posso, Sara – Hermione deu um pequeno sorriso. As portas do elevador se abriram – Eu tenho um compromisso.

- Ah... – eles saíram do elevador e avistaram Paul na entrada do prédio – Vai sair com o Paul, não é? – Sara piscou para Hermione, deixando-a ligeiramente corada.

- Olá – Paul se apriximou com um sorriso – Boa noite – todos se cumprimentaram – Ah... Há quanto tempo não vejo a senhora Potter?

- Prazer revê-lo, Paul – Gina sorri para o homem – Não sabia que estava em Londres!

- Vim para um Congresso, e aproveitei para vir ver uma grande amiga – ele olhou bem para Hermione, uma de suas mãos tocou as costas da mulher, aproximando os corpos – E encontrei Harry aqui... Não sabia que moravam no prédio.

- Já o convidei para uma visita, antes que deixe Londres... – Harry deu um sorriso, mas era quase forçado – A proposito... Por quanto tempo ficará?

- Uma semana. O Congresso é até sexta-feira, mas penso ficar até o domingo à noite – ele sorriu.

- Esperaremos sua visita, Paul – Gina falou – Mas é melhor irmos agora, querido.

- Sim, claro – Harry concordou – Boa noite! - Harry olhou uma última vez para o casal, antes de finalmente seguir com Gina e a filha.

- Devemos ir também – Paul disse.

- Vamos – eles começaram a andar, mas então ele parou repentinamente – O que foi?

- Esqueci uma coisa... – ele tocou carinhosamente o rosto dela – Você está linda, Mione.

- Obrigada – ela ruborizou e sorriu.

N/A: Bom... Mais um cap no ar, não sei se ta muito legalz não, mas... Espero que estejam gostando! D Ainda terá mais umas coisinhas, antes do Paul ir embora! D Ah... Gente... Sei que vocês devem ter ficado meio chateados com o Harry, pois ele acreditou na Gina e talz, mas lembrem-se que ele estava apaixonado, e a namorada também havia enchido a cabeça dele com minhocas... D E a Gina... Foi golpe baixo o dela, mas o amor que ela sente por Harry é quase uma obssssão... D Breve volto com mais! \o/ Agradeço a todos que leram, comentaram e votaram! Grande beijo! PinkPotter : )