As Cores do Inverno!

Por RubbyMoon

Cap 7 – Rubi – Passeando pelo Japão! (Que título estranho!)


Ruby: Esse capítulo ficou enorme! Mas não teve jeito... eu não queria dividi-lo. Bem... aqui teremos uma participação muito especial de uma certa autora de fan fics... quem será?

Boa Leitura...


Shinai espada de madeira ou bambu utilizada na prática e treino de kendô.


Tóquio – Logo cedo...

Eriol acordou com o alarme do despertador. Piscou algumas vezes para acostumar-se com a claridade da manhã que invadia o quarto e percebeu que estava sentindo um pouco de frio. Olhou para o lado e notou que Kaho já havia se levantado, e pelo barulho, ela deveria estar tomando banho. Ele não sentia vontade de levantar-se e voltou a se cobrir com o cobertor para espantar o frio. Começou a passar mentalmente todas as atividades que ainda teria que realizar naquele dia. Seria um dia cheio. Levantou-se um pouco a contragosto e vestiu sobre o corpo nu o roupão que estava em cima da cadeira de seu quarto. Resolveu que o melhor era tomar um café bem quente para espantar todo aquele frio.

Na cozinha, preparou rapidamente o café e encheu uma xícara. Sorveu um pouco da bebida e sentiu-se ligeiramente mais aquecido. Encostou-se à bancada da cozinha e abriu o jornal do dia anterior na coluna social para rever a nota que havia sobre o seu casamento. Com certeza casar-se com Sakura estava lhe rendendo uma propaganda bastante positiva para os negócios e sabia que em breve ele seria procurado por muitos investidores.

'Pelo menos para isso aquela desmiolada está me servindo!' – ele falou para si e bebeu mais um gole de café.

Começou a lembrar-se de Sakura. Uma bela garota, simpática e com um sorriso de derreter uma geleira. Porém, muito insegura, melancólica e até desastrada. Seu relacionamento com ela sempre havia sido bastante difícil. Sakura levantara uma muralha entre eles, como se sentisse medo dele, mas com o tempo ele concluiu com pesar de que ela não o amava. Eles eram amigos e companheiros. Tinham muitos gostos em comum, mas não passava disso. As intimidades com ela sempre eram difíceis, as trocas de carinho eram poucas e, por mais que ele tentasse chegar ao seu coração, ela não permitia. Com o tempo ele passou a adotar uma postura mais firme com ela, ignorando os seus receios, pois estava cheio de suas incertezas. Isso o deixava cansado, ferido e frustrado. Começou a traí-la com muitas mulheres e algumas vezes ele desejou que ela sentisse ciúmes, porém ela era tão ingênua que nem notava sua traição. Não podia negar que a amava de certo modo, mas o seu orgulho ferido era o que impulsionava sua obsessão por ela.

'Semana que vem será minha!' – ele falou alisando a foto de Sakura sobre a coluna social.

A campainha soou, ele fechou o jornal e arrumou o roupão, indo em seguida atender a porta. Era Nakuru, que entrou em seu apartamento com cara de quem havia chorado a noite inteira.

'Bom dia, querido! Que bom que te encontrei aqui, não gostaria de ir até o seu escritório, é muito longe!' – ela o cumprimentou com um sorriso fraco e passou a mão carinhosamente sobre sua face. – 'Como está? Espero que não esteja tristonho pelos cantos! Sakura logo vai voltar para casa! Ela te ama!'

'Confesso que estou muito triste e abalado, mas não vejo a hora de tê-la novamente em meus braços!' – ele falou se fazendo de sofrido.

'Oh querido... fique firme! Sei que quando sugeri que você e Sakura formassem um casal não errei! É lindo o amor de vocês!' – ela falou sonhadoramente.

'Claro! E na semana que vem seremos uma família!' – ele sorriu fracamente.

'Sakura está agindo como criança. Não entendo o que ela tem na cabeça para fugir dessa forma e ir atrás daquele desmiolado do irmão! Acho que ela foi convencê-lo a comparecer à cerimônia!'

'Se você e aquele punk não brigassem tanto ela não precisava ter fugido!'

'Touya não é punk!' – ela disse demonstrando mais irritação do que gostaria – 'Ele só está confuso! Quando ele passar a entender os seus sentimentos ele voltará para casa!'

'Ele jamais voltará para casa, minha irmã! Será que não entende? Ele jamais irá aceitar você como madrasta, nunca aceitou!'

'Você é cruel, Eriol! Não precisa jogar na minha cara que sou uma péssima mãe!' – ela sentou-se numa banqueta em frente à bancada da cozinha.

'Não seja estúpida! Você é uma mãe maravilhosa, mas Touya não te vê como madrasta e sim como mulher!'

'Não fale besteiras! Eu sou viúva do pai dele! Isso seria um absurdo!'

'Absurdo ou não, essa é a verdade!'

'Cale-se! Não diga mais isso! Vim aqui para ver se você estava bem e você me ataca sem piedade!' – ela disse exasperada.

'Desculpe-me! Estou com o ânimo exaltado! Você entende... é a falta que estou sentindo da Sakura!' – ele falou se fazendo de vítima.

Nesse momento Eriol sentiu o sangue gelar ao ver Nakuru olhando petrificada para o corredor do quarto. Havia esquecido de que não estava sozinho em casa. Ele foi até onde estava a irmã e pôde ter acesso à mesma visão. Kaho estava parada olhando para eles totalmente amedrontada, apenas enrolada numa toalha de banho.

'Seus...' – Nakuru cerrou os olhos exasperada.

'Calma, Nakuru... não é o que você está pensando!' – Eriol falou de maneira nervosa.

'Não? Então eu só posso estar louca! Minha melhor amiga tomando banho inocentemente na casa do meu irmãozinho! Totalmente normal! Ora Eriol, como você pôde? Como pôde trair a Sakura dessa forma? Como pôde me enganar? Eu aqui preocupada com você!' – Nakuru andava de um lado para o outro, gritando em voz alta o suficiente para acordar todos os vizinhos de Eriol.

'Calma... eu posso explicar!' – ele disse tentando conter a irmã.

'Não quero saber de ouvir os detalhes sórdidos! Poupe-me, por favor!' – ela se livrou dos braços do irmão.

Eriol tremeu com o olhar frio e de desprezo que a irmã lhe direcionava. Jamais em toda a vida ela o havia tratado daquela forma. Sempre o mimara e era a mais carinhosa das mulheres. Nunca havia conhecido a sua ira. Ele a viu se aproximando e em seguida sentiu um soco em sua face com uma força que ele nunca imaginou que ela possuía. A força do soco era tamanha que fez com que se desequilibrasse e caísse sob o sofá.

'E você...' – ela voltou-se para a ex-amiga.

'Não tenho nada a ver com os problemas de vocês!' - ela tentou argumentar.

'Sua vagabunda... oferecida! Como pôde fazer isso com a Sakura e com o seu marido? E comigo? Eu que sempre te recebi muito bem em minha casa! Nunca esperei algo tão baixo de você! Cachorra!' – Nakuru virou um tapa no rosto de Kaho.

Tanto Kaho quanto Eriol estavam sem ação. Era como se aquela ali não fosse a Nakuru, pois ela seria incapaz de matar uma mosca. Nakuru não se conformava com aquilo e sentia-se tão traída quanto Sakura. Nunca perdoaria o irmão e muito menos a ex-amiga. Não satisfeita, Nakuru avistou a shinai que Eriol usava para a prática de kendô e, com ela em punhos, começou a bater com toda a força que possuía na cabeça da mulher traidora, que estava tentando fugir.

'Isso é pela Sakura!' – ela deu um golpe contra Kaho – 'E isto é por mim! Nunca mais quero te ver, sua ordinária!' – voltou a bater com uma força descomunal na mulher, que fugiu e se trancou no banheiro.

'Agora é com você!' – Nakuru apontou a shinai para Eriol – 'Quando Sakura retornar você vai contar tudo para ela e pedir perdão! E depois irá desobrigá-la do casamento! Ela merece alguém que a ame, não um cafajeste como você!'

'Mas eu a amo!' – ele falou com um pouco de receio de apanhar.

'Você a ama e a trai dessa forma? Seu cachorro! Espero que ela não esteja grávida! Ou você acha que eu não notei os enjôos matinais dela?' – ela começou a bater nele com a shinai – 'Você não é digno de encostar um dedo na minha filha!'

'Calma, Nakuru... isso dói! Desde quando você é tão forte assim?' – ele tentava desviar dos golpes.

'Tem que doer mesmo! Você não imagina quantos sacrifícios eu fiz por você! Por você eu abri mão da minha vida, da minha felicidade, pra não ver seu nome envolvido em escândalos e como você me paga? Miserável! Não apareça mais em minha vida!' – ela disse jogando a shinai sobre ele com força e indo embora.


Nakuru andava apressadamente pelas calçadas tumultuadas de Tóquio. Em meio a tanta gente ela sentia-se totalmente solitária. Seu coração batia descompassado e sentia uma leve vertigem. Entrou no parque central da cidade e sentou-se num banco em frente ao lago. Tentava arrumar os pensamentos confusos que estavam lhe transbordando da mente. Pensava sobre o que o irmão havia sido capaz de fazer com Sakura e com ela. Recriminava-se por ter sido tão cega. Por Eriol ela fora capaz de tantos sacrifícios, até mesmo abrir mão de seu grande amor.

Nakuru fechou os olhos e respirou profundamente. Lembranças de alguns anos passados brotavam-lhe na memória, tão reais como se houvessem ocorrido no dia anterior.

Alguns anos atrás ela havia viajado pelo litoral e hospedou-se num agradável resort. Numa noite estrelada e quente de verão, ela andava solitariamente pela areia da praia quando avistou um jovem rapaz, aparentando ser apenas poucos anos mais jovem do que ela, sentado em frente a uma fogueira e tocando violão. Aproximou-se e ao terminar a melodia, ela bateu palmas e elogiou o desempenho. Fizeram amizade e se apaixonaram instantaneamente. Era um sentimento tão intenso, tão forte que em uma semana de envolvimento eles já não imaginavam a vida distante um do outro. Passavam todos os dias juntos e as noites também. Quando chegou a hora de ela retornar para casa, ele a pediu em casamento. Ela jamais havia sido tão feliz e aceitou.

O pai de Nakuru havia se encarregado pessoalmente de buscá-la no resort, e foi apresentado ao noivo da filha. Ele ficou escandalizado pelo pretendente da filha não passar de um rapaz que mal havia feito vinte anos e ainda por cima ser um músico sem eira nem beira. Desde o inicio foi completamente contra que ela se casasse com aquele jovem, alegando que ela seria alvo de fofocas na alta sociedade, sujaria o nome da família e comprometeria o futuro profissional do irmão. Diante de tanta pressão, Nakuru, completamente atordoada, decidiu abrir mão de sua felicidade e acabar o relacionamento com o jovem. Seu pai, preocupado que ela voltasse a encontrar o rapaz, afastou-a do país, enviando-a em uma viagem pela Europa.

Antes de embarcar, arrependida, Nakuru escreveu uma carta para o amor de sua vida e pediu em sigilo para que sua empregada a enviasse para o jovem. A carta pedia para que o rapaz a esperasse ou então viesse ao seu encontro, pois ela se casaria com ele com ou sem o consentimento de sua família. Entretanto, a empregada esperou que ela partisse e entregou a carta para seu pai, que armou um modo de fazê-la desiludir-se com o jovem. O pai escreveu uma carta se fazendo passar pelo rapaz, dizendo que ele já havia se esquecido dela e jamais a perdoaria por tê-lo rejeitado anteriormente. Nakuru encontrava-se na Grécia quando recebeu a carta forjada. Estava tão desesperada e não encontrava mais solução para sua vida. Saiu do hotel e começou a andar sem destino até finalmente perder-se na grande cidade de Atenas.

Foi quando encontrou um homem da mesma nacionalidade que a sua. Ele aproximou-se e perguntou o porquê dela estar chorando. Ela, sem entender como, desabafou com aquele estranho lhe contando toda sua triste história. Tornaram-se amigos e logo o homem afeiçoou-se a ela. Seu nome era Fujitaka Kinomoto e estava viajando sozinho a trabalho. Ela sabia que ele era viúvo e pai de três filhos. Logo desenvolveu afeto pelo homem maduro, mas não o amava com paixão. Porém, sentia-se segura ao seu lado e aceitou quando ele a pediu em casamento dois meses depois. Casou-se em uma simples cerimônia e sem presença de familiares, tendo como testemunhas apenas alguns amigos que haviam feito no hotel.

Alguns dias depois, Nakuru recebera um telegrama, dizendo que seu pai havia falecido devido ao desgosto causado pelo seu ato de rebeldia, ao casar-se em segredo com um homem que ele nem conhecera. Nakuru voltou para casa para estar presente no velório e após a cerimônia mudou-se para a cidade de Tomoeda, onde morava o marido.

O destino não poderia ser mais cruel com ela. Descobriu que o filho mais velho de seu esposo era ninguém menos que Touya Kinomoto. O rapaz que era seu único e verdadeiro amor. Os dois ficaram em choque com a descoberta, porém jamais revelaram a verdade a ninguém. Touya sempre tratou com respeito a esposa do pai e, mesmo que sentisse o coração sendo dilacerado todas as vezes que presenciava troca de afeto entre o casal, manteve-se neutro. Nakuru sempre fora fiel e boa esposa para Fujitaka, até o dia de seu precoce falecimento.

Ela entregou-se à tarefa de ser boa mãe para Sakura e Tomoyo, tendo um carinho especial para com elas. Eram meninas carentes, lindas e maravilhosas. Descobriu que havia encontrado um novo sentido em sua vida com a maternidade. Logo as mimava de todas as formas e se ocupava na tarefa de educá-las e administrar o lar.

Em certa ocasião, Sakura e Tomoyo haviam sido convidadas para passar alguns dias na casa de uma amiga no litoral e Nakuru ficou sozinha em casa, até ela lembrar-se que ainda havia outro ocupante naquele lar. Por mais que tentasse, era impossível evitar a presença de Touya. Numa tarde, o rapaz tomou a iniciativa de um diálogo. Nakuru acabou descobrindo que a carta que havia escrito para Touya jamais havia chegado a suas mãos e que a carta que recebera na Grécia era falsa. Tomada por tristeza, chorou ao descobrir o quão cruel havia sido o seu pai e o destino. Touya a consolou abraçando-a com carinho. Então todos os sentimentos reprimidos foram liberados da profundeza de sua alma. Nakuru descobriu que o amor que sentia por ele estava mais forte do que nunca, assim como o dele por ela. Sem pensar em mais nada, entregaram-se ao amor até saciar o desejo de seus corpos e de seus corações.

Touya voltou a insistir para que se casassem, mas ela tinha medo do que todos pensariam quando soubessem que ela havia se casado com seu jovem enteado. Sabia que seria alvo das piores fofocas e escândalos. Nakuru estava confusa e foi buscar o conselho de sua mãe em Tóquio. Nessa época, Eriol, seu irmão mais novo, estava iniciando a carreira de economista e se formando na faculdade. A mãe de Nakuru pediu para que ela fosse sensata e esquecesse de vez o amor impossível pelo jovem enteado, pelo bem da carreira do irmão e pelo bem do bom nome da família, que seria mergulhado em escândalos.

Mais uma vez, covardemente, ela sacrificou seu coração, desistindo de sua felicidade ao lado de Touya. Dessa vez, o rapaz não aceitou a rejeição e após uma dura discussão, arrumou as malas e saiu de casa. Nakuru, triste e desiludida, mergulhou de cabeça na tarefa de ser mãe de Sakura e Tomoyo. Quando a mãe de Nakuru faleceu, ela herdou metade da fortuna da família e a casa em Tóquio. Foi quando se mudou para a cidade grande novamente levando junto as enteadas. Conheceu e ficou noiva de John Berg, um banqueiro da alta sociedade. Quando Touya soube da notícia do seu futuro casamento, ainda a procurou e implorou o seu amor, mas ela continuou firme em sua resolução pensando no futuro do irmão. Nakuru jamais voltou a ver Touya e nem teve notícias a seu respeito.

Nakuru abriu os olhos e contemplou o lago a sua frente. Sentia uma angústia tão grande em seu peito e, sem se importar em ser vista por alguém conhecido, começou a chorar feito uma criança. Chorou desesperadamente. Sentia sua vida e seu amor roubados. Havia feito tantos sacrifícios e as pessoas ao seu redor só a manipulavam. Começou a medir o tamanho de sua estupidez e não encontrava mais limites.

'Touya...' – ela disse tristemente e voltou a chorar copiosamente.

Ela não tinha o direito de dizer seu nome. Ela não tinha sequer o direito de pensar nele. Ela havia desprezado seu amor sincero e jogado fora a sua felicidade.

Levantou-se e enxugou as lágrimas. Começou a caminhar lentamente voltando para casa. Estava sentindo-se a pior das criaturas por ter jogado Sakura nos braços de Eriol. Jamais imaginaria que ele fosse capaz de ser tão baixo. Mas talvez não fosse tarde, pois Sakura não precisava se casar com Eriol e ser infeliz para o resto de sua vida. Jamais permitiria que Sakura tivesse um destino tão triste quanto o que ela e Touya tiveram. Estava na hora de Sakura decidir por si própria o que desejava para sua vida.


Sakura estava deitada sobre um cobertor que Syaoran havia esticado sobre a grama. Os dois estavam sozinhos e distantes do casarão, abraçados e deitados tomando o sol da manhã. Sakura permanecia de olhos fechados, sentindo o sol acariciar sua face e ouvia com clareza o barulho do rio passando ali próximo. Syaoran estava ao seu lado, brincando com uma mecha de seu cabelo. Os dois estavam em silêncio, cada um em seu mundo de sonhos. Ele deu um suspiro profundo, o que despertou a curiosidade de Sakura.

'No que está pensando?' – ela sentou-se ao seu lado e observou sua face.

'Em nada especial! Apenas lembrei que me esqueci de pedir para minha vizinha alimentar o gato em Tóquio!'

'Coitadinho! Já deve ter morrido de fome!' – ela disse bastante preocupada.

'Duvido! Aquela bola de pêlo deve ter ficado na casa dela todos esses dias que eu não estou lá! Ele adora fugir e ficar com ela! Também... ela o deixou mal acostumado, pois sempre o entope de guloseimas!'

'Que bom! Acho que você nem deve se preocupar com esse detalhe então! E qual é o nome do seu gatinho?'

'Kerberus!'

'Que nome lindo! Ele deve ser muito fofo!' – ela disse empolgada e imaginando como ele deveria ser.

'Ele é um gordo preguiçoso!' – ele disse rindo como se lembrasse de algo muito engraçado – 'Deixe-me contar como ele chegou até mim. Um dia eu estava voltando para casa a pé do escritório e encontrei o vira-lata remexendo uma lata de lixo a procura de sobras. Naquele dia eu estava com fome e havia comprado no caminho um lanche, e não sei por que inventei de dar um pedaço para o pulguento. De onde eu estava eu comecei a chamá-lo e o preguiçoso nem se mexeu, mesmo eu mostrando o lanche. Daí eu fui até ele e dei um pedaço. Ele comeu como se não visse comida a mais de um ano!'

'Pobrezinho!' – ela falou imaginando a cena.

'Todos os dias ele passou a me esperar no mesmo lugar para que eu levasse algo para ele! Era muito engraçado, pois o bicho era muito preguiçoso, menos para comer. Um dia, por milagre, ele me seguiu até minha casa por vontade própria. Entrou sem ser convidado e começou a viver lá sem permissão.

'Deve ter sido muito engraçado!' – Sakura ria ao imaginar.

'Engraçado? Foi um pesadelo, isso sim!' – ele riu – 'Eu não conseguia botar o bicho pra fora! E como o ditado diz: se não pode vencê-lo, junte-se a ele, tratei de dar um banho na bola de pêlo! Depois que eu o esfreguei, descobri que embaixo de todo aquele cinza encardido havia pêlo amarelo. Então usei o secador no folgado e ele ficou menos feio. Mas ele não gostou nem um pouco do fato de eu ter dado banho nele e aí começou o desastre!'

'Desastre?' – Sakura perguntou curiosa.

'Ele se vingou! Primeiro me arranhou, depois arranhou o meu sofá. Não satisfeito me arranhou novamente e depois as cadeiras da sala! Arranhou-me de novo e depois as cortinas! Nessa altura eu já estava todo coberto de arranhões e minha casa uma bagunça. Peguei o bicho pela orelha e disse que se ele me arranhasse novamente eu o morderia!'

'E sua ameaça funcionou?'

'Não! Ele voltou a me arranhar e eu o mordi!'

'Eu não acredito!' – ela disse impressionada.

'Pois eu mordi! Ele miou reclamando, mas depois ficou mais mansinho! Mesmo assim, ainda temos uma estranha relação de dono e bicho de estimação!'

'Não estou te entendendo! Como assim?'

'Eu acho que aquele bicho não sabe muito bem o seu lugar! Ele pensa que minha cama é a dele e chega a me empurrar pra eu sair de lá. Acho que ele pensa que a comida que sirvo para mim é dele e se eu virar as costas por apenas um segundo ele abocanha tudo! Mas o pior... se eu levo alguma garota lá em casa ele já pula no colo dela e pensa que é namorada dele!'

'E você costuma levar muitas garotas na sua casa?'

Syaoran foi pego de surpresa pela pergunta de Sakura. Sem querer havia dado liberdade para que ela o questionasse. Como explicar para ela que antes de conhecê-la ele apresentava um comportamento um tanto boêmio? Olhou para seu rosto sereno e percebeu que aquele não era o momento de usar a sinceridade. Afinal, agora era tudo diferente e ele nunca mais voltaria a ser o mesmo, pois ela havia trazido um novo sentido a sua vida.

'Não! Eu não costumo levar garotas pra casa e agora só existe uma pessoa que eu quero que me visite! Apenas você!' – aproximou-a para beijar-lhe os lábios brevemente.

'Tenho vontade de conhecer o Kerberus!' – ela disse voltando a sorrir.

'Já vi que eu terei que matar aquele folgado! Se eu tiver que disputar a sua atenção com ele, vejo que ele está com os dias contados!'

'Desde quando você é ciumento?' – ela perguntou sorrindo.

'Desde quando descobri que te amo!' – ele acariciou a face da garota.

'Eu também te amo!' – ela curvou-se sobre ele e voltaram a se beijar longamente.


Por volta das onze e meia da manhã, um Subaru esporte prateado estacionou em frente a um restaurante localizado na saída norte da cidade de Osaka. No interior do veículo, os dois ocupantes preparavam-se para descer para o almoço.

'Você vai levar a máquina fotográfica até no restaurante?' – o rapaz perguntou. – 'Turistas!' – ele disse com ar de gozação.

'Claro! Pode haver algo interessante para se registrar!' – a moça respondeu, guardando a máquina digital numa bolsa. – 'Mas não é muito cedo para almoçarmos agora?' – ela olhou para o relógio.

'Não! Acho que esse é o último restaurante que existe antes de chegarmos a Quioto! Não sei quanto tempo poderemos levar pra encontrarmos outro! Além disso, eu sei que daqui a pouco você vai reclamar de fome!'

'Que bonitinho! Você está preocupado comigo! Você é muito... como é que vocês japoneses falam mesmo? Ah... Kawaii! Touya é kawaii!'

'Pára com isso, Ruby! Alguém pode te ouvir!' – Touya tenta disfarçar a timidez.

'Olha pra mim! Deixe-me tirar uma foto enquanto está vermelhinho assim! Touya kawaii!' – Ruby disse preparando a câmera para a foto.

'Boba! Mas até que não é má idéia! Venha comigo!'

Touya desceu do carro e esperou que Ruby fizesse o mesmo. Ela não estava entendendo o que ele planejava, mas estava ansiosa. Quando se tratava das idéias espontâneas do rapaz, ela poderia esperar algo agradável. Touya pegou a máquina e entregou a um pedestre que passava por ali, pedindo que ele tirasse uma foto do casal. O homem se preparou e esperou que o casal fizesse pose. Touya abraçou Ruby e ela com uma das mãos fazia um "V", sorrindo alegremente. Após retirar a foto, o homem devolveu a máquina para Touya, que o agradeceu pela gentileza.

'O que ele te disse? É que eu não entendo bem o japonês quando as pessoas falam rápido dessa forma!' – Ruby perguntou a Touya a respeito do que o homem havia falado tão alegremente antes de seguir o seu caminho.

'Ele me perguntou de onde você era ao notar que você não era japonesa! Quando eu disse que você era brasileira ele me perguntou se você não tinha alguma irmã para eu apresentar a ele!'

'Veja só que assanhado!' – Ruby riu com gosto. – 'E o que você disse?'

'A verdade! Que só eu tive a sorte de arranjar uma brasileira como você! Ele disse que estava com inveja e foi embora!' – Touya disse em tom de brincadeira, beijando carinhosamente a garota em seguida.

'Você é uma figura, Touya! Nunca me diverti tanto numa viagem! Você vai voltar comigo para o Brasil, não é? Já não posso viver sem você!' – ela deu um abraço apertado no rapaz.

'Será que eu faria sucesso musical por lá?'

'Claro! Eu seria a primeira a comprar um CD seu e seria a sua fã número um!'

'Vou pensar no seu caso então!' – ele falou cheio de pose.

'Metido!' – ela deu um tapinha leve em seu braço – 'Vamos almoçar?'

'Sim! Estou faminto! Depois iremos para Quioto e no final de semana estaremos de volta a Tomoeda!'

'Como o tempo voa! Mas será que antes de irmos para Quioto, você poderia me levar naquele castelo famoso daqui de Osaka? Aquele cercado por um jardim de prímulas?'

'Fica no caminho! Não vejo problema algum!'

'O Japão tem uma arquitetura maravilhosa! E o que mais me fascina são as flores em pleno inverno!'

'Acho que em Quioto você irá se decepcionar um pouco! A flor tradicional da cidade é a de cerejeira e infelizmente não é época de florir!'

'Que pena!' – ela falou decepcionada – 'Justo a minha favorita!'

'É a flor de minha irmã! Sakura significa flor de cerejeira!' – ele falou suspirando profundamente.

'Deve sentir muita falta de suas irmãs! Se desejar, podemos ir para Tóquio vê-las ao invés de irmos para Quioto!'

'Realmente sinto falta delas! Sei que elas adorariam te conhecer, mas não devo ir pra casa apesar da saudade!'

'Por casa da Nakuru?'

'Sim!'

'Você ainda a ama muito, não é?'

Touya calou-se e ficou com o olhar perdido. Ruby entendeu perfeitamente o que ele sentia, pois ela passava também por uma desilusão amorosa. Ela havia vindo ao Japão justamente para distrair-se um pouco em suas férias do trabalho e tentar se afastar de sua tristeza. Ao conhecer Touya na pousada de Tomoeda, fizeram amizade rapidamente e perceberam vários pontos em comum. A afinidade crescia a cada dia e logo se tornaram mais do que amigos. Touya era um jovem muito atraente. Alto, atlético, bronzeado, com um ar humilde e despojado, com cabelos castanhos repicados, típico de um roqueiro, mas o que mais fascinava Ruby eram seus olhos castanhos expressivos.

O músico resolveu acompanha-la em sua viagem pelo Japão devido à baixa estação do seu local de trabalho. A companhia de Touya era a melhor coisa que poderia ter acontecido a Ruby naquela viagem, assim como ela percebia que sua presença também transmitia a mesma sensação ao rapaz. Eram dois jovens desfrutando momentos agradáveis e visitando as cidades mais belas no país do sol nascente, até que Ruby tivesse que retornar ao seu país e a sua vida.

'Vamos almoçar!' – Ruby o retirou de seus tristes pensamentos, puxando-o pela mão para dentro do restaurante.


Meiling estranhou bastante quando chegou de carro à fazenda de Syaoran e ninguém havia vindo recebê-la. O motor do seu carro havia feito barulho suficiente para chamar a atenção de qualquer pessoa que estivesse no casarão. Como se sentia à vontade para entrar e sair quando bem quisesse naquela casa, foi entrando sem fazer cerimônia. No hall principal chamou bem alto o nome de Syaoran, mas não obteve resposta. Imaginou que pelo menos Maki deveria estar em casa naquele horário providenciando o almoço e foi até a cozinha.

Maki levou um susto com a visita inesperada e desligou o liquidificador que fazia um barulho alto e terrível.

'Meiling! Que surpresa! Veio almoçar conosco?' – Maki falou cordialmente com a garota que conhecia desde que era apenas um bebê de colo.

'Não! Só passei rapidamente para visitar o Syaoran! Mas parece que ele não está...'

'Depois do café da manhã ele foi dar uma volta pela fazenda! Daqui a pouco estará de volta para o almoço!'

'Foi junto com as garotas que estão hospedadas aqui?' – perguntou com cautela, como se não perguntasse nada demais.

'Então você já sabe das garotas? Foi uma sorte terem sobrevivido ao acidente e encontrado refúgio aqui!' – Maki falou com certo alivio ao lembrar do perigo que haviam passado.

'De onde elas vieram? Quais são os seus nomes?'

'Elas vieram de Tóquio. Sakura e Tomoyo Kinomoto! Tomoyo é a mais nova e está lá em cima no quarto de brinquedos! Sakura foi junto com Syaoran passear pela fazenda! Daqui a pouco estarão voltando com certeza!' – Maki respondeu sem notar as segundas intenções de Meiling.

'Vou esperar só mais um pouco! Só vim para saber como Syaoran está!'

'Ele está ótimo!' – Maki falou espontaneamente – 'De certa forma a presença dessas jovens está fazendo muito bem a ele nesse momento tão terrível!'

'Que maravilha!' – Meiling falou disfarçando a falsidade – 'Então quer dizer que elas vieram de Tóquio e de carro? Mas onde as duas estavam indo afinal?' – Meiling foi conduzindo a conversa discretamente.

'As duas estavam indo ao encontro do irmão mais velho que trabalha numa pousada de Tomoeda! Elas vieram em um carro sem aquecedor. Meu marido disse que o carro estava em péssimo estado e após o acidente congelou o motor! Mas hoje mesmo o conserto ficou pronto e Wei já foi buscar o carro na oficina!'

'Agora que o carro está pronto elas poderão seguir viagem e ir encontrar o irmão!' – Meiling quase não conseguiu disfarçar a satisfação com a possibilidade.

'Parece que não! O rapaz, que se não me engano chama-se Touya, viajou e só volta no final de semana. Pelo o que ouvi de Syaoran, ele faz questão de que elas esperem o irmão aqui!'

'Eles estão demorando!' – Meiling começou a se irritar com a espera.

'Parece que eles iriam até o lago! Se estiver disposta vá procura-los!'

'Talvez eu faça isso! Até logo, Maki! Foi muito bom vê-la novamente!'

Meiling saiu do casarão, mas não estava nem um pouco disposta a fazer uma longa caminhada até o lago. Também não dava pra ir ao local de carro, então resolveu esperar mais um pouco sentada num banco de pedra que havia ao lado da entrada. Colocou os óculos escuros e relaxou diante do grande silêncio que estava na fazenda. Fechou os olhos e deixou os raios do sol aquecer sua face.

Tudo estava quieto e silencioso demais. Tanto que ela logo escutou o som de pessoas rindo ao longe, antes mesmo de aparecerem. Logo reconheceu a voz de Syaoran. Um momento depois ela o viu surgir junto com a jovem que ela havia visto na margem do rio no dia anterior. Ambos vinham tão entretidos em uma espécie de brincadeira que nem notaram que ela estava ali. Syaoran vinha na frente, puxando a mão da jovem que parecia exausta pela caminhada. Meiling sentiu o sangue ferver diante de tal visão.

Meiling conseguia ouvir a voz de Syaoran, mas não conseguia entender o que ele falava tão animadamente. Sakura reparou que o cadarço de seu tênis estava desamarrado e abaixou para amarrá-lo. Foi nesse momento que Syaoran finalmente avistou a presença de Meiling e foi ao seu encontro sem ao menos esperar por Sakura.

'Você por aqui? Veio para o almoço?' – Syaoran a abraçou cordialmente.

'Oh querido... é como o ditado diz: "Se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé!", aqui estou!' – Meiling retribuiu o abraço sem desviar o olhar da garota que vinha ao encontro dela e de Syaoran.

'Imagino que veio me dar bronca por causa de ontem!' – ele falou em tom de brincadeira.

'Não, tolinho! Eu disse que viria investigar pessoalmente suas visitantes inesperadas!' – ela falou sem ao menos disfarçar o tom de desprezo pelas estranhas.

'Aquela é a Sakura! Estamos vindo do lago!' – Syaoran disse fazendo um gesto com a cabeça na direção de Sakura.

Finalmente Sakura alcançou Syaoran e reconheceu Meiling como a garota que havia visto na margem do rio no dia anterior. Novamente a estranha sensação de calafrio passou por toda a sua coluna e sentiu todos os pêlos do corpo arrepiarem de uma só vez. Syaoran tratou de apresentá-las devidamente.

'Muito prazer!' – Meiling disse ao cumprimentar Sakura.

Sakura retribuiu timidamente o cumprimento, sem entender o que havia no intenso olhar de Meiling que a deixava sem ação. Era uma expressão forte e indecifrável, porém a deixava intimidada.

'Meiling mora aqui ao lado! É para o pai dela que irei vender a fazenda!' – Syaoran explicou para Sakura. - 'Está esperando há muito tempo?' – Syaoran perguntou para Meiling.

'Não! Praticamente acabei de chegar! A senhora Maki gentilmente me convidou para o almoço, mas devo recusar. Já vou voltar para casa!'

'Fique pelo menos para um drinque!' – Syaoran insistiu.

'Não, querido! Só passei mesmo para dizer olá rapidinho!' – ela tornou a encarar Sakura – 'Maki me contou alguns detalhes ao seu respeito! Então você tem um irmão que mora em Tomoeda? Será que é alguém que eu conheço?' – Meiling perguntou a Sakura.

'Na verdade ele só está lá trabalhando! Bem... nem está lá no momento! Saiu em viagem!'

'Mas qual o nome de seu irmão?' – Meiling insistiu.

Sakura hesitou em responder. Algo a alertava que não deveria contar nada a Meiling. Syaoran, notando que ela hesitava em responder, tomou a iniciativa.

'Touya Kinomoto! Não acredito que o conheça!' – ele respondeu finalmente.

'Realmente! Não me recordo, mas de certa forma... esse nome não me é estranho! Agora devo voltar para casa! Foi um prazer conhecê-la, Sakura! Até logo!' – e novamente Sakura percebeu algo estranho naquele olhar.

'Eu a acompanho até seu carro!' – Syaoran seguiu com Meiling até o automóvel da vizinha.

Sakura observou o modo que Syaoran sorria ao lado de Meiling. Tudo que ela dizia fazia com que ele risse alegremente. Também notou que ela sempre que podia o tocava de modo terno, quase apaixonadamente. Por fim, observou-os no momento em que se despediram com um grande abraço e um beijo no rosto. Syaoran ainda acenou até o carro ganhar distância, antes de voltar finalmente a sua presença.

'Vamos entrar? Preciso falar com Wei!' – Syaoran falou abrindo a porta para Sakura passar primeiro.

'Vou ver o que Tomoyo está aprontando!' – ela disse ao entrar.


Assim que entraram, Syaoran logo avistou Wei e o chamou para a biblioteca, para lhe falar em particular. Observou Sakura subir ao quarto de brinquedos à procura de Tomoyo.

'Conseguiu o que eu lhe pedi?' – Syaoran perguntou ao Wei.

'Aqui está!' – Wei estendeu uma sacola com algo no interior a Syaoran – 'Está interessado em algo especial nesse jornal? Não entendi por que tinha que ser o de ontem...'

'Só preciso matar uma grande curiosidade! Aqui estará a resposta!'

'Eu também trouxe o carro da senhorita Sakura e o guardei na garagem!' – Wei disse, vendo que Syaoran abria o jornal – 'Então boa leitura! Vou ver se Maki precisa de mim para alguma coisa!'

'Wei... só mais um favor! Não diga nada a ninguém sobre esse jornal!' – Syaoran disse antes de começar a folheá-lo.

'Está certo! Com licença!'

Assim que Wei saiu da biblioteca, Syaoran começou a vasculhar o jornal em busca do motivo das preocupações de Sakura. Olhou as primeiras páginas atentamente, mas não havia nada significativo. Entretanto, toda sua atenção foi desviada por causa de um grito que havia vindo do andar de cima. Ele fechou o jornal e o guardou rapidamente em uma das gavetas da velha escrivaninha. Saiu da biblioteca e encontrou Maki e Wei, que também haviam ouvido o grito e corrido para descobrir o que estava acontecendo. Syaoran correu na frente e subiu a escada de dois em dois degraus até chegar ao quarto de brinquedos, onde Tomoyo chorava ao lado de Sakura, que estava caída no chão desacordada.

'O que houve?' – Syaoran perguntou a Tomoyo, tomando Sakura em seus braços.

'Nós estávamos conversando e ela começou a passar mal! De repente ela caiu no chão com tudo!' – Tomoyo contava em meio ao choro – 'Ela não vai morrer, não é?' – ela perguntou assustada.

'Claro que não!' – Syaoran a tranqüilizou – 'Ela só desmaiou! Vou levá-la para o quarto e ela já vai acordar!'

Syaoran colocou Sakura na cama e Maki começou a ajudá-lo a acordá-la. Wei observava distante consolando a pequena Tomoyo, tentando acalma-la.

'Ela está toda molhada de suor!' – Maki disse passando um lenço no pescoço de Sakura. – 'Ela está tão pálida! O que será que essa menina tem?'

'Eu não sei! Acho que ela está com febre, está tão quente!'

'Vou buscar um termômetro!' – Maki retirou-se rapidamente.

Os lábios de Sakura tremiam como se ela sentisse muito frio e Syaoran a cobriu com o edredom. Sua expressão era de sofrimento e isso deixava Syaoran cada vez mais angustiado. Maki retornou e colocou o termômetro embaixo do braço de Sakura, e começou a esperar o devido tempo de ação.

'Não aceito... Eriol... não aceito...' – Sakura falava em momento de delírio.

Syaoran arregalou os olhos ao ouvir Sakura dizer aquele nome. Quem era Eriol? O que estava acontecendo com Sakura?

'Ela está com a temperatura muito alta!' – Maki falou observando o termômetro que havia acabado de retirar de Sakura.

'Devemos levá-la a um hospital?' – Syaoran perguntou a Maki.

'Deixe-a comigo! Eu vou cuidar dela! Já cuidei diversas vezes de você com o mesmo problema!'

'Posso fazer alguma coisa?' – Syaoran perguntou.

'Leve aquela mocinha pra distrair-se!' – Maki referiu-se a Tomoyo. – 'Sakura já vai melhorar!'

Todos deixaram Sakura aos cuidados de Maki e seguiram para a sala. Wei foi cuidar da cozinha, onde Maki havia abandonado o preparo do almoço, enquanto Syaoran tentava distrair Tomoyo e a si próprio.

'Diga-me Tomoyo... quem é Eriol?' – Syaoran perguntou a menina.

Tomoyo hesitou por um instante em responder. Sabia que Sakura não queria que ela falasse nada particular a Syaoran. Não sabia se deveria responder.

'Eriol... é o irmão da Nakuru!' – por fim ela respondeu.

'Ele e Sakura se dão bem?'

'Acho que sim!' – Tomoyo respondeu ainda incerta.

'Sakura já te contou se tem algum tipo de doença?'

'Não! Ela só não consegue comer! Ela emagreceu tanto nos últimos dias que dá até pra ver os ossos da costela! Além disso, ela sempre tem enjôos e fica com medo de comer!'

'Ela estava tão bem... o que conversavam quando ela desmaiou?'

'Ela me contava que estava com um mau pressentimento! Sabe... a Sakura é muito sensível a essas coisas! Ela vê coisas que nós não podemos ver e sente coisas que nós não podemos sentir!' – Tomoyo sussurrou como se contasse um segredo.

'Ela falou sobre o que era o pressentimento?'

'Parece que ela percebeu uma grande maldade vindo de alguém! Por acaso veio aqui alguém diferente hoje?'

'Só a minha vizinha! A Meiling...' – Syaoran respondeu intrigado.

'Isso é mal!' – Tomoyo respondeu balançando a cabeça negativamente. – 'A última vez que uma pessoa se aproximou dela com sentimentos negativos foi a mesma coisa! Ela desmaiou, ficou com febre alta, coitadinha!'

'Você acredita nessas coisas?' – Syaoran perguntou com incredulidade.

'Claro que sim! Sakura pode ver até fantasmas! Você não acredita?' – ela disse indignada com as dúvidas de Syaoran.

'É que eu nunca conheci alguém tão sensível antes...'

'Uma vez me contaram que nossa mãe também possuía essa sensibilidade! Os sentimentos de Sakura devem estar em harmonia com as pessoas e com o ambiente! Por isso eu quero ficar ao lado dela! Não posso deixar a Nakuru me levar para tão longe dela! A Sakura precisa estar cercada pelas pessoas que a amam!' – Tomoyo falava com um tom de tristeza e preocupação na voz.

'Você é uma boa irmã! Vocês merecem ficar sempre próximas!' – Syaoran falou, afagando os cabelos de Tomoyo.

'Mas agora eu fico mais aliviada! Sei que ela vai ficar boa logo! É só o tempo de a energia ruim ir embora!'

'Você acha que pode ter sido a Meiling?' – Syaoran perguntou, ainda sem acreditar muito.

'Eu não posso dizer com certeza, pois não a conheci! Mas se só ela veio aqui de diferente hoje...'

'Então não é necessário chamar um médico para examinar a Sakura?'

'Jamais nenhum médico conseguiu ajudar nesses casos! O que ela precisa é de pessoas ao seu redor que lhe façam bem! Como você, Syaoran!'

'Como eu? Por que você diz isso?' – ele estava espantado.

'Porque desde que chegamos a sua fazenda minha irmã voltou a sorrir! Sua presença faz muito bem a ela!'

Syaoran estava impressionado com aquela conversa. Tomoyo lhe contava coisas inacreditáveis sobre Sakura. Teria mesmo algum fundamento aquele relato? Mas algo em seu coração dizia que ela falava a verdade. O fato de Tomoyo dizer que ele fazia bem a Sakura encheu o seu interior de conforto. Outra coisa o deixava intrigado. Se fosse realmente verdade o que Tomoyo dizia, significava que Meiling havia direcionado algum tipo de pensamento maldoso contra Sakura. Não sabia no que acreditar, mas se sua presença pudesse ajudar Sakura, ele ficaria ao seu lado. Maki surgiu na sala e Tomoyo correu até ela dando-lhe um abraço.

'Calma, menina... sua irmã já está muito bem! Nem parece que passou mal! Foi só um susto! Pode ir vê-la!'

'Acho melhor Syaoran ir vê-la primeiro!' – Tomoyo falou olhando para Syaoran, dando-lhe uma piscada.

'Claro!' – Syaoran piscou de volta para Tomoyo e foi para o quarto de Sakura.

'Senhora Maki... estou com fome!' – Tomoyo resmungou ainda agarrada a ela.

'Então vamos já para a cozinha, pois o almoço deve estar prontinho, se Wei não deixou nada queimar!'


Sakura ainda sentia o corpo pesar devido à queda que sofrera. Não entendia o motivo pelo qual o olhar de Meiling havia feito tão mal para ela. Elas haviam acabado de se conhecer, então aquela jovem não poderia ter nada contra ela. Lembrava-se perfeitamente da expressão de Meiling. Semblante calmo, gentil, mas os olhos eram poços de maldade e ira.

'Os olhos realmente são as janelas da alma!' – ela sussurrou para si mesma.

Ainda estava assustada com a intensidade daquele olhar. Começou a analisar e tentar descobrir o motivo pelo qual sentiu-se tão ameaçada com presença de Meiling. Não havia um bom motivo para tudo aquilo. Era uma situação perfeitamente normal. Obviamente Meiling era uma amiga de Syaoran.

Afundou-se ainda mais na cama e no travesseiro fofo. Sentiu a fragrância do perfume de Syaoran. Aquilo era suficiente para sentir-se melhor ou então se ele estivesse pessoalmente ao seu lado. Mal havia pensado nisso e ele surgiu, abrindo a porta do quarto após bater.

'Sente-se melhor?' – ele perguntou ao aproximar-se.

'Estou bem! Na verdade estou constrangida por ter dado esse susto bobo em todos! Eu sou mesmo um incômodo!' – ela disse abaixando a cabeça.

'Oras... não diga bobagens! Se falar mais asneiras como essa... mandarei você se calar novamente!' – Syaoran disse duramente.

'Não são bobagens! Eu assumo que sou uma pessoa complicada. Não sei por que eu sou assim, mas é assim que sou e não posso fazer nada!'

Syaoran sentou-se ao lado de Sakura e colocou o dedo indicador sobre os lábios dela, de modo que ela se calasse. Sakura assustou-se, pois não havia percebido a aproximação do rapaz. Seus olhos arregalaram-se e encontraram com os de Syaoran, que a observava ternamente. Sentiu o coração acelerar e as maçãs do rosto aquecerem-se.

'Eu me apaixonei por você do jeito que você é! Não há razão para se desculpar!' – ele falou e a abraçou em seguida.

'Syaoran... eu preciso te contar uma coisa e...' – ela começou a abrir o seu coração.

'Agora não diga mais nada! Apenas descanse!' – ele a interrompeu.

'Mas Syaoran... preciso te dizer que eu...'

'Será que vou ser obrigado a fazê-la se calar?' – ele a interrompeu novamente. – 'Agora se deite novamente! Descanse! Vou pedir para Maki trazer algo para você comer aqui mesmo! Vou deixar a pequena Tomoyo de vigia e ela vai me dizer se você comeu tudo ou não!'

'Sim senhor! Seu desejo é uma ordem!' – ela disse com ar derrotado.

'Vou sair um instante! Não vou demorar, estarei de volta para o jantar!'

'Sentirei sua falta!'

'E eu a sua!' – ele disse beijando-lhe os lábios e saindo do quarto em seguida.


'Você já não tirou fotos demais por hoje?' – o rapaz reclamou e roubou a câmera fotográfica das mãos da garota que o acompanhava.

'Devolva! Isso é meu! Você é tão cruel quando está com fome, Touya!' – a garota pulava para alcançar a câmera que o rapaz colocava bem alto.

'Já está na hora do jantar, Ruby! Chega de fotos! Turistas...' – ele divertia-se ao notar que ela jamais alcançaria a câmera.

'Onde vamos jantar?' – Ruby perguntou.

'Que tal a gente voltar para o hotel? Podemos pedir serviço de quarto!'

'Boa idéia! Estou mesmo querendo tomar um bom banho! Agora você vai me devolver a minha câmera?' – ela pediu sutilmente.

'Não!' – ele respondeu friamente.

'Por favor!' – ela insistiu.

'Não!' – ele continuava impassível.

'Você é mal!' – ela irritou-se e cruzou os braços.

'Talvez eu devolva, mas só se você...' – ele começou.

'Se eu o que?' – ela perguntou desconfiada, arqueando uma das sombracelhas.

'Não... você não vai querer!' – ele deu as costas e deixou a garota morta de curiosidade.

'Agora fala!' – ela colocou-se de frente a ele e notou o olhar desafiador dele.

'Se você fizesse...' – ele então curvou-se e sussurrou algo no ouvido dela. – 'E então, Ruby? O que acha?' – ele perguntou com um sorriso peralta nos lábios.

'Você está me dizendo que só vai me devolver a câmera se eu fizer isso?' – ela perguntou com o rosto corado.

'Isso mesmo!'

'Você não presta, Touya!'

'Eu sei!' – ele disse com a pior cara de cínico que ela já havia visto. – 'E então?'

'Só se for agora!'

'Boa menina!' – ele disse vitoriosamente.

'Tolinho! Se você não fizesse tal proposta eu mesma teria feito!'

'E sou eu que não presto?'

'Vamos embora!' – ela seguiu o arrastando junto.


Sakura acordou após dormir boa parte da tarde. Espreguiçou-se e finalmente saltou da cama com grande disposição. O quarto estava com o aquecedor ligado e ela sentiu-se muito confortável, como se estivesse sendo abraçado por Syaoran. Todo aquele quarto fazia com que ela o sentisse ao seu lado. Seus objetos, pertences, aroma, Syaoran estava por toda a parte. Caminhou até o espelho e penteou os cabelos. Foi quando notou a expressão em seu rosto. Havia um sorriso em seus lábios e um brilho em seu olhar que ela nunca imaginou ter um dia. Estava feliz.

Jogou-se na cama como se fosse uma criança festejando algo de muito bom. Pegou o travesseiro e o abraçou, respirando fundo para sentir o gostoso perfume de Syaoran que estava impregnado nele. Ela estava muito feliz e tudo graças a ele. O rapaz que havia lhe acolhido após o acidente, havia a irritado de tal forma e até a mandado calar a boca grosseiramente, mas agora o enxergava de forma bastante diferente. Atencioso, gentil e muito carinhoso. Ele havia invadido o seu coração e sua alma sem ao menos pedir permissão, mas ela não estava aborrecida com esse fato nem um pouco.

Fechou os olhos e começou a se lembrar do momento em que se beijaram pela primeira vez quando estavam na estufa. Ele apenas havia encostado os lábios sobre os dela levemente, mas ela sentiu todo o seu corpo reagir e clamar por mais. Syaoran com certeza havia percebido, pois ele voltou a beijá-la com grande vontade. Ainda podia sentir o sabor daqueles lábios, o toque delicado de sua língua e suas mãos a acariciarem firmemente. Sakura rolou na cama e ficou de bruços, deu um longo suspiro e voltou a recordar de outros momentos felizes com Syaoran. Lembrou-se de quando ficaram presos na cabana da adega por causa da chuva. Foi quando assumiu que estava perdidamente apaixonada por ele e descobriu que ele sentia o mesmo por ela. Ela não tinha palavras para expressar o tamanho da felicidade que havia sentido naquele momento e não poderia, pois após aquela descoberta a sua felicidade era infinita quando ele a fez sua naquela tarde. Ainda podia lembrar de seu olhar que parecia enxergar sua alma, de seus toques, de seu corpo.

'Syaoran...' – ela sussurrou, na esperança que ele a ouvisse seja lá onde estivesse.

Sentou-se na cama e ainda podia sentir o seu coração acelerado diante de tantas recordações maravilhosas. Tudo que ela queria naquele momento era que ele retornasse para a fazenda e para os seus braços. Imaginou que jamais poderia ser tão feliz na vida daquela forma. Entretanto, tanta felicidade a fazia lembrar que a realidade era bem diferente.

Sentiu seu sorriso se extinguir quando se lembrou de suas obrigações que se aproximavam cada vez mais. Não sabia mais o que fazer. Ela só sabia que queria ficar com Syaoran por toda a sua vida, mas ainda não sabia as intenções do rapaz. Sabia que essa decisão traria muita dor para aqueles que ela mais amava. Nakuru, sua segunda mãe, ficaria arrasada e seria alvo de um terrível escândalo social. Seu noivo, Eriol, perderia prestigio entre seus contatos financeiros, seu nome seria alvo de comentários maldosos e fofocas constantes. Sabia que por muito tempo as pessoas a apontariam como se fosse um monstro por ter desfeito um casamento na porta do altar e por isso também temia que Syaoran fosse prejudicado por toda essa rede de agressões sociais. Mas no fundo de seu coração sentia que nada disso mais importava, pois se Syaoran estivesse ao seu lado ela encontraria forças para passar por tudo isso.

Suspirou fundo e sentiu-se mais encorajada para terminar de uma vez por todas com aquela situação. Esticou o braço e apanhou o aparelho de telefone que havia sobre a mesa de cabeceira. Estava na hora de enfrentar os seus problemas e o primeiro a ser comunicado de sua decisão seria Eriol. Colocou o fone no ouvido para verificar se havia sinal e para sua surpresa o telefone estava sendo utilizado por alguém em alguma extensão da casa. Percebeu que era a voz de Syaoran e ficou espantada, pois não sabia que ele já havia retornado a fazenda. Já ia desligar antes que ele percebesse que ela estava com a extensão, quando notou que ele conversava com uma mulher. A curiosidade falou mais alto que o bom senso e ela resolveu escutar um pouco mais antes de desligar.

'Querida! Não se zangue comigo, Meiling! Prometo que vou te dar mais atenção, mas entenda...' – ele falou com um tom de voz simpático e forçado que Sakura nem acreditava que ele tinha.

'Entendo sim! É que você está com essas visitantes inconvenientes! Quando é que essas duas vão embora?' – Meiling falou ainda zangada.

'Amanhã ou depois! Você sabe... elas estão aguardando o irmão retornar de viagem!' – ele justificou com tom de voz amável.

'Por que elas têm que aguardar justamente na sua fazenda? Que aborrecimento e incômodo para você!'

'Meiling... não seja ciumenta! Você está dizendo coisas horríveis por puro ciúme!' – ele a repreendeu em tom provocativo e brincalhão.

'Eu com ciúmes dessas crianças! Você deve estar louco! Eu sou mais eu!'

'Você não é tão mais velha que a Sakura e com esse comportamento você é que parece criança!'

'Oh Syaoran! Está sendo cruel comigo!' – ela falou fingindo tom de tristeza.

'Não! Você sabe que não é assim...' – ele tentava acalma-la.

'Tudo bem, querido! Estarei aqui esperando sempre por você! Sempre! – ela falou com tom de voz malicioso – 'Beijos! Até logo!'

'Até logo!'

Sakura não conseguia raciocinar sobre o que havia acabado de ouvir. Aquele não poderia ser o Syaoran por quem ela estava apaixonada, ou talvez esse fosse o verdadeiro e ela não o conhecia. Tudo parecia girar em sua mente e em seu mundo. Estaria enganada em relação a Syaoran? Será que ele nunca tivera intenções sérias com ela? Seria Meiling a namorada dele? Afinal, naquela manhã, Syaoran parecia devotado a ela em alguns sentidos. Além disso, achava Meiling muito mais bonita do que ela. A garota com certeza tinha muito mais atributos físicos, enquanto ela tinha apenas uma aparência frágil e doente. Tantas perguntas se formavam em sua mente e a confusão era impossível de medir.

Ela ainda mantinha o aparelho telefônico em mãos e estava prestes a ligar para seu noivo para revelar suas decisões, mas agora não estava bem certa em relação ao que fazer. Sentiu um peso em seu peito e a sombra da dúvida cair sobre ela. Tudo parecia desmoronar e ela não sabia onde se abrigar. Guardou o aparelho novamente em seu devido lugar e caminhou até a janela. Abriu o vidro na esperança de buscar ar fresco e mandar embora a sensação de asfixia que a acometera. Assustou-se ao sentir duas mãos a agarrar firmemente pela cintura.

'Syaoran! Que susto!' – ela disse ao perceber que era ele. – 'Nem percebi você entrar no quarto!'

'Eu a chamei duas vezes! Mas você parecia estar nas nuvens, pois nem me escutou!' – ele disse sorrindo e a beijando.

Sakura sentia verdade naquele beijo. Sentia verdade nos toques de Syaoran. Sentia no fundo de seu coração que ele a amava tanto quanto ela a ele. Respondeu ao beijo de Syaoran com tamanha paixão que ele surpreendeu-se.

'Eu também senti sua falta!' – ele disse sorrindo – 'Descansou bem essa tarde? Sente-se melhor?'

'Estou muito bem! Dormi bastante e sonhei com você!' – ela disse sorrindo e voltando a beijá-lo.

'Minha Sakura...' – ele disse num sussurro próximo ao ouvido da garota.

Foi então que ele percebeu uma leve perturbação naqueles olhos que ele tanto amava. Sakura ainda estava preocupada com algo e após ouvir as revelações de Tomoyo naquela tarde, ele estava duplamente preocupado.

'Tem alguma coisa te incomodando?' – ele perguntou.

'Não é nada!' – ela disse com voz falha.

'Pode me dizer qualquer coisa! Não tema!'

'Eu...' – ela começou timidamente. – 'Eu não consigo deixar de pensar que eu e minha irmã estamos atrapalhando você! Tem certeza que não estamos incomodando?'

'Isso é uma grande bobagem! Não há razão para esse tipo de preocupação!'

'Eu preciso te dizer que eu...'

'Pare com essa bobagem, Sakura!' – ele falou a abraçando forte – 'Ter você aqui é a melhor coisa que poderia ter me acontecido!'

'Syaoran...' – ela disse segurando a emoção. – 'Você é maravilhoso!'

Eles se entregaram a um grande abraço, onde podiam ouvir a melodia de amor de seus corações. Beijaram-se com paixão e sentiram a chama de seus corpos acenderem-se. Syaoran a levou até a cama e a deitou, beijando-lhe o pescoço enquanto Sakura retirava o seu suéter.

'Eu vim te chamar para o jantar!' – ele falou quando sentiu Sakura soltar o cinto e o botão de sua calça.

'Quem disse que eu quero jantar agora?' – ela disse sorrindo.

'Minha Sakura...' – ele voltou a beijá-la, enquanto retirava-lhe a blusa.

'Adoro quando você me chama assim!' – ela disse beijando-lhe o peito nu, causando uma onda de arrepio no rapaz.

'Diga-me, Sakura... será minha para sempre?' – ele disse fazendo uma trilha de beijos a partir do seu pescoço até o vale dos seios.

'Sempre serei sua!' – ela disse com dificuldade, pois o ar faltava-lhe nos pulmões naquele instante.

'Então seja minha agora!' – ele a posicionou sobre seu colo.

'Syaoran...' – foi tudo que ela conseguiu dizer ao entregar-se a ele.


'A sua comida está deliciosa, senhora Maki!' – Tomoyo disse, quase de boca cheia.

'Assim dá até gosto cozinhar! Com uma pequena faminta como você!' – Maki falou servindo suco para Tomoyo.

'Ué! O Syaoran não foi chamar a Sakura para o jantar? Por que eles estão demorando tanto?' – ela perguntou olhando para a direção da escada.

'Eles devem estar conversando!' – Wei disse, sorrindo discretamente para a esposa.

'Eu não entendo o que gente grande tem tanto para conversar! O azar é deles! Vou comer tudinho se eles não vierem logo!'

'Faça isso, pequena! Faça isso!' – Maki disse de forma divertida.

'Vamos comer tudo nós três! Eu como a parte do Syaoran!' – Wei disse entrando na brincadeira.

'E eu comerei a da Sakura!' – Tomoyo disse levantando os braços em comemoração.

'E eu vou comer a parte de quem?' – Maki questionou.

'Eu divido com a senhora!' – Tomoyo respondeu imediatamente.

'Ora... obrigada!' – ela agradeceu sorrindo docemente.

Tomoyo identificou no sorriso de Maki uma grande semelhança com o de Nakuru e isso a deixou por um momento triste, o que foi percebido de imediato pelo casal que estava com ela à mesa.

'O que aconteceu? Para onde foi o seu sorriso?' – Maki perguntou, indo até Tomoyo segurando-lhe pelo queixo.

'Sinto falta da Nakuru!' – ela disse chorando sentida. – 'Eu não quero ficar longe dos meus irmãos, mas também não quero ficar longe dela! Por que não podemos ficar todos juntos, senhora Maki?'

'Existem perguntas que infelizmente não têm respostas! Mas se você desejar algo com grande vontade... tudo pode acontecer!' – Maki disse, enxugando o rosto de Tomoyo com o guardanapo.

'Desejo do fundo do meu coração estar junto com meus irmãos e com a Nakuru!' – Tomoyo disse emocionada.

'Então seu desejo se realizará, pequena Tomoyo! Tenha sempre fé!' – Maki disse abraçando a menina – 'Agora termine o seu jantar!'

'Sim senhora!'


'Não vai jantar, filha?' – o velho coronel Kono perguntou para Meiling.

'Perdi o apetite, papai!' – Meiling disse com cara de desânimo. – 'Vou para o meu quarto! Boa noite!' – ela retirou-se.

Meiling sentia que havia algo muito estranho em tudo que estava acontecendo ao seu redor e na casa de seu vizinho. Tinha a impressão de que conhecia Sakura há muito tempo, mas não conseguia recordar-se de onde. Talvez fosse de nome, mas o que havia ouvido sobre ela? Jogou-se na cama sentindo-se derrotada e resolveu ligar para a sua mãe. Pegou o aparelho e começou a discar o número, mas então, como se um raio caísse sobre sua cabeça, as peças do quebra-cabeça começavam a se encaixar.

'Sakura e Tomoyo Kinomoto! Esses são os nomes das enteadas da Nakuru! As que fugiram para se encontrarem com o irmão, Touya Kinomoto! Como não percebi isso antes?' – Meiling estava perplexa.

Começou a rir como louca diante de tal descoberta. Sakura era a tal noiva fujona do economista Eriol Hiiragizawa. Estava a poucos dias do enlace nupcial. Meiling tentava lembrar rapidamente de tudo que sua mãe já havia lhe contado sobre Sakura. Agora ela não tinha mais nenhuma dúvida de que ela era a enteada da Nakuru. O mundo poderia ser ainda menor?

'Amanhã! Sim... amanhã, Sakura! Você ganhará uma passagem apenas de ida para Tóquio!' – Meiling disse decidida, dando uma gargalhada exagerada em comemoração.


Continua...
Ruby: Uau... quantas emoções num só capítulo! Eu estou até agora me recuperando da emoção de passear com o Touya pelo Japão! Nossa... hehehehehehe! Esse é lado bom de ser a autora da história! Cof... cof... voltando a fic... Vocês repararam que eu dei um papel para o Kero nessa fic? Tá que ele não gostou muito de ser o gato do Syaoran, mas fazer o quê, né?

O capitulo ficou bem maior do que o normal, mas eu não consegui encontrar uma boa harmonia entre esse e o próximo capitulo que será o último! Por isso ele teve que ficar desse tamanho. Espero que não tenha ficado cansativo para ler. Para todos aqueles que me pediram uma cena romântica mais "sensual", foi o máximo que eu consegui fazer. Eu ainda não consigo escrever algo mais forte. Sinto muito, não é meu estilo, apesar de eu também adorar tais cenas!

Aqui vocês descobriram os detalhes do passado da Nakuru e do Touya! Que destino mais triste, não? Também descobriram um dos motivos da Sakura ser tão frágil, um dom de percepção extremamente forte. Mas isso ainda não explica por completo o que causa os enjôos e crises que a Sakura tem. Outra coisa importante... a Sakura tentou duas vezes confessar para o Li que é noiva e que está prestes a se casar. Mas ele a impediu devido às circunstâncias. Mas e agora? Como será que ele vai descobrir? Sakura contará? Meiling contará? Ele descobrirá pelo jornal? Como será que ele vai reagir? Ai que nervoso... mesmo eu sabendo como será eu já estou nervosa! Doida é assim mesmo!

O título desse capitulo é quase um mistério! Ninguém vai acertar o enigma! Hehehe! Mas quero ler os palpites assim mesmo! Vamos lá pessoal! Comentem sobre o capítulo que essa humilde escritora amadora tanto sofreu pra escrever, digam se pelo menos valeu o esforço!

Quem gostou do corretivo que a Nakuru aplicou no Eriol e na Kaho levanta a mão! Eu me senti a Nakuru naquela cena! Como eu queria quebrar a cara daquela perua falsa.

'Eu também, Ruby-chan! Queria quebrar não só a cara, mas a perua todinha!' – Cris aparece imitando uma lutadora de taekwon-do, vestida com um dobok (uniforme de luta) e uma faixa na cabeça, quase acertando sem querer a autora da fic.

'Eu entendo a sua raiva, Cris! Ainda mais você sendo fã do Eriol, claro que não o dessa história! Mas eu não sou um saco de pancadas pra você treinar!'

'Eu sei! Vou tomar mais cuidado! Mas eu estou triste que a história está acabando! Vai ter final feliz?'

'Não adianta perguntar! Você me conhece e sabe muito bem que eu não revelo nada até seu devido momento!'

'Mas não custa nada tentar... vai que você fala algo por distração!' – Cris sorri debochadamente.

'Vamos logo para o show da Pety! Só quero ver quem será a vítima de hoje!'

'Nem te conto!' – Cris disse, com um jeito como se soubesse de algo. – 'Acho que esse será um dos shows mais interessantes!'

'Então vamos logo! Estou curiosa!'

'Mas antes conte-me o que o Touya disse no seu ouvido naquela cena!'

'Segredo!'


Yukito do além: Boa noite a todos! Estamos de volta com mais um bloco do "Talk Show da Pety Oprah!"

"Platéia bate palmas enquanto Pety vai até o centro do palco"

Pety acenando: Boa noite, meu querido auditório! Boa noite, mundo! Esse bloco está cheio de surpresas e...

Kero entra voando no palco, gritando e dando piruetas no ar interrompendo o programa: Eu consegui! Estou no fic! Eu sou mesmo um astro! Uhuu! Hollywood que me aguarde!

Pety olhando feio para o Kero: Ei, Kero! Será que todas às vezes tu tem que fazer isso? Interromper o programa?

Kero não dando bola: Eu com todo o meu charme, com certeza serei o personagem preferido do fic... demorei, mas apareci. Depois eu distribuirei autógrafos para todos!

Pety pegando o Kero pelas asinhas: Kero querido... se você não percebeu, nesse fic você é um gato gordo, preguiçoso, manhoso e violento também. Onde se viu ficar arranhando o Syaoran!

Pety para de falar e começa a pensar com ela: Apesar que eu também não ligaria de arranhar aquelas costas.. aquele peito...

Kero abanando as patinhas em frente a face da Pety: Oi, você está me ouvindo? Acorda! Está sonhando acordada? Que doida!

Pety voltando ao mundo real: Ahn? Como?

Kero se soltando das mãos da Pety e fica flutuando em frete dela: Tu foi pra La La Land aí e até começou a babar. Tava pensando em quê?

Pety ficando vermelha e limpando discretamente a baba: Tava pensando em nada, não!

Kero não se dando por vencido: Era pudim, não era? Aposto que você estava sonhando com um pudim de chocolate!

Pety: É Kero, eu realmente estava sonhando com um pudim, mas era de leite condensado! E vai lá pro colo do seu dono. Aposto que o Syaoran não vai ligar de te dar mais uma mordida na orelha!

Kero voando até o Syaoran: E quem você acha que é pra ficar me mordendo seu projeto de guerreiro?

Syaoran se exaltando: Ora seu...

Pety interrompendo a briga: Depois você morde o Kero Li! Mas agora vamos começar com as entrevistas! O primeiro entrevistado nesse bloco apareceu na fic apenas a partir desse capítulo! Finalmente ele deu as caras e cá entre nós... que cara! Agora com vocês, o belo Touya!

"Câmera mostra um lindo homem subindo no palco e indo dar um abraço na Pety. Enquanto a platéia feminina ia a loucura!"

Touya dando um abraço e um beijo na orelha da Pety: Senti sua falta, Pety!

Pety arrepiando-se e retribuindo o abraço: Também estava com saudade de você... mas é melhor nós nos separarmos, porque a Ruby está olhando feio pra cá!

"Na platéia Ruby olha com olhos assassinos pra Pety"

Touya sem jeito: Err... tô ferrado!

Pety seguindo até o sofá, acompanhada de Touya: Vamos no sentar! Conte-me, Touya... como anda a vida?

Touya sentindo-se bastante confortável no sofá: Melhor impossível, Pety! Estou fazendo sucesso com a minha carreira como músico e ganhando uma grana que me satisfaz! Tu sabes que eu nunca liguei muito pra dinheiro! Gosto do meu trabalho e agora estou viajando pelo Japão com uma pessoa maravilhosa, que está me ajudando muito. E acho que finalmente estou me apaixonando de novo!

"Ruby na platéia parece um tomate maduro de tão acanhada, enquanto diversas pessoas olham para ela"

Pety emocionada com as palavras do amigo: Isso é muito bom, Touya! Você merece ser muito feliz! Você já sofreu muito nessa vida e ainda me lembro de tudo aquilo que aconteceu com você e a Nakuru.

Touya ficando muito sério: Foi mesmo uma barra, Pety! Ainda bem que eu pude contar com a sua amizade naquela época. Tenho até que te agradecer por ter me agüentado!

Pety enrubescida: Não há necessidade de agradecer-me! Você era meu amigo e eu não poderia deixar você na pior! Apesar de que eu não fiz muita coisa, só passei algumas noites em claro te escutando, te consolando, mas amigos são pra essas coisas mesmo...

"Touya dá um abraço apertado na Pety" 'Obs da Ruby: Acho que eles estão com muita frescura, não?'

Pety contendo as lágrimas, ficando séria em seguida e pegando uma carta que está no bolso: Touya, essa carta a minha produção conseguiu não sei como! Mas é aquela que a Nakuru te enviou e acabou sendo interceptada pelo pai dela. Acho que você deve lê-la!

Touya pegando a carta e guardando no bolso: Também acho, mas uma pessoa vai lê-la comigo e tenho certeza que nada o que estiver aqui irá mudar o passado! Agora estou em outra... o que passou, passou!

Pety: Atualmente você vive viajando pelo Japão. Está vivendo novas experiências, conhecendo vários lugares e fazendo novos amigos, mas como fica a família?

Touya olhando com ternura pra Sakura e Tomoyo que estão na platéia: Eu trocaria tudo isso que eu conheci pra ficar do lado das minhas irmãs! Eu as amo demais, mas não teria como eu continuar naquela casa depois de tudo que aconteceu. Agora elas sabem o motivo por eu ter ido embora e espero que elas me desculpem!

"Na platéia Sakura e Tomoyo choram emocionadas e falam que também amam o irmão e sentem saudade"

Pety vendo a cena, não consegue se conter e grita: KAWAII!

Touya cutucando o ouvido pra ver se voltava a escutar direito: Esses seus kawaiis estão cada vez mais altos, Pety!

Pety um pouco constrangida: Hehehe... Tudo indica que você vai encontrar as suas irmãs em Tomoeda... Mas agora a Sakura está bastante envolvida com o Syaoran! O que você acha dessa situação, ainda mais ela ainda sendo noiva do Eriol?

Touya com um olhar de fuzilamento para Syaoran: Eu te pego lá fora... aguarde-me!

Pety se preocupando: Touya... pára com isso! Isso é infantilidade... parece aluno falando para outro que o pegará depois dá aula e desce pancada no infeliz.

Touya agora atirando o olhar pra Eriol: Você também! Pode esperar que eu vou te bater muito mais do que a Nakuru bateu! Espere e sinta a minha ira!

Pety tentando mudar de assunto: Touya... Dá uma canjinha aqui para nós! Toque alguma coisa e cante também!

"A platéia feminina vai ao delírio com a idéia da apresentadora"

Touya pedindo a produção do programa o seu violão: Vai ser só uma palhinha mesmo! Ando meio resfriado! A minha voz está até meio rouca!

Pety vendo o Yukito do além flutuando até o Touya com o violão: Claro! Faça o que você quiser, além disso... adoro homens com voz rouca.

"Ruby manda outro olhar assassino para Pety que disfarça puxando Kero pra dançar"

"Touya pega o violão e começa a tocar Lost Heaven do L'ArcenCiel e a platéia vai ao delírio, principalmente a apresentadora"

Touya, Pety e a platéia toda junta no refrão:

"We'll say goodbye, lost heaven

How we longed for heaven

We're letting go of something we never had

Time goes so fast, heaven is lost"

"Touya termina a música e toda a platéia aplaude de pé"

Pety ainda empolgada com a música e aplaudindo o músico: Touya, isso foi demais!Excelente desempenho!

Touya encabulado com todos os aplausos: Agradeço a todos! Mas essa música eu toquei principalmente para a pessoa que mora em meu coração agora. Que me faz sentir especial! Ruby, essa foi pra você! Eu sei que você adora essa música!

"Câmera mostra Ruby na platéia vertendo muitas lágrimas de tanta emoção"

Pety toda feliz: Aê mana... está podendo!

"Ruby sorrindo, mostra a língua pra Pety"

Touya meio que sem entender: Vocês duas são irmãs?

Pety: Pode-se dizer que sim e irmãs gêmeas ainda! Hehehehe... Touya, eu te agradeço por ter participado do programa.

"Platéia em peso faz aaahhhhhhh"

Pety pra platéia: Eu sei, gente! A entrevista estava ótima! Estamos todos muito felizes porque o Touya apareceu na fic, mas... tenho mais uma pessoa muito querida pra entrevistar!

Pety abraçando o Touya: Muito obrigada! Espero que com esse novo amor você seja muito feliz, se bem que só a Ruby conhece o seu futuro!

Touya retribuindo o abraço e dando um beijo no pescoço da Pety: Eu que agradeço a você, Pety! Você sempre foi e sempre será a minha melhor amiga!

Pety: E quem sabe futuramente, até cunhada também... hehehehe

Touya enrubescido: Quem sabe...

"Touya sai do palco sendo aplaudido por muitas mulheres ali presente e até por Yukito das Trevas que correu atrás do cantor para pedir um autógrafo"

Ruby na platéia cutucando a revisora Cris ao seu lado: Ele não estava lindo?

Pety fica de pé em frente à platéia e fica toda sorridente: Muito bem, gente! Agora eu tenho a grande honra de entrevistar a minha amiga, mana e grande escritora: RubbyMoon!

"Platéia aplaude de pé a escritora Ruby que vai toda cheia de vergonha até a Pety, tropeçando vergonhosamente no tapete do palco"

Pety segurando e abraçando bem apertado a Ruby: Ah, finalmente estou te entrevistando! Só espero que você não desconte todas as vezes que eu te enchi via internet perguntando pelos seus fics! Não ficaria bem aqui em rede mundial!

Ruby retribuindo o abraço e escondendo uma bomba na mão direita: Vou pensar no teu caso... E o que foram aqueles beijos do Touya no teu pescoço e na tua orelha, hein? Eu sou muito ciumenta!

Pety sem jeito e passando óleo de peróba na cara de pau: Err... bem... é o nosso jeito de se cumprimentar! Mas vamos nos sentar.

Pety sentando com Ruby no sofá: Conte-nos como é ser uma escritora de fics?

Ruby pensativa: Nem sei o que dizer... acho que todo escritor de fic é meio doido... não bate bem das idéias...

Pety concordando: E como foi que você se interessou em começar a escrever?

Ruby: Interessante essa pergunta... eu nem sabia que existiam as famosas fanfictions e já tinha um caderno onde comecei a escrever "Na Magia e No Amor!"... mas foi depois de ler uma famosa fic do ffnet que tomei vergonha e digitei. As minhas amigonas (Pety, Cris e Thata!) me deram apoio e aqui estou, enlouquecendo todo mundo com minhas loucuras!

Pety: Desde que você se lançou nessa jornada, acredito que tem um pouco mais de um ano e meio! Eu me lembro que você passou por alguns estresses! Conte-nos um pouco a respeito! Qual foi o pior deles? O que você sentiu? Pensou em parar de escrever?

Ruby sentindo-se desconfortável com as tristes lembranças: Passei por um episódio terrível. Esse querido site deletou a minha fic "Na Magia e No Amor!" quando eu tinha acabado de postar o capitulo 13. Deletou sem nenhum motivo ou justificativa... a fic já tinha uns 225 reviews... Mandei e-mails para que eles se retratassem e colocassem no ar novamente, mas eles nem responderam... pra mim era o fim.. não queria mais saber de fics... eu não queria nem mais escrever, mas com o apoio de muitos leitores que me mandavam e-mails e o carinho dos amigos... voltei três meses depois e agora já tenho outras fics no site, inclusive "Na Magia" desde o inicio novamente.

Pety irritada: Disso eu me lembro bem! Que coisa feia por parte deste site! Na época havia outros escritores passando pelo mesmo drama! Houve outra situação como essa? Algo que te deixou com a pulga atrás da orelha...

Ruby lembrando: Outro caso desagradável foi um plágio de "As Cores do Inverno!", uma garota plagiou a fic e só mudou o nome dos personagens para os personagens de outro anime! Um leitor identificou e reportou o plágio ao site que nem era o ffnet, e a administradora do site deletou o plágio. O engraçado é que eles cuidaram de tudo isso tão rápido que nem deu tempo de me estressar... realmente estou cercada por pessoas maravilhosas! Amo meus leitores!

Pety abismada: Nossa! Que coisa! Tem cada um!... mas dando continuação a entrevista... nós vemos que você recebe vários elogios nos reviews! Mas e por e-mail? Também chegam muitos elogios?

Ruby sorrindo lembrando com carinho de todos que sempre comentam: Recebo sim muitos e-mails! E-mails enormes! Adoro recebê-los tanto quanto adoro receber os reviews... tem gente que implora para que eu conte o que vai acontecer. Tem ainda quem manda suas próprias teorias do que vai acontecer! Têm outros que mandam sugestões e até paródias das minhas histórias! Recebo também fanarts lindos, dá até vontade de chorar de emoção quando recebo um lindo desenho da fic!

Pety feliz ao ver a autora tão alegre com a lembrança: E já teve alguém falando que não gosta do teu trabalho?

Ruby: Claro que também recebo críticas... algumas pessoas sabem ser cruéis, mas ainda bem que é mínimo. Teve uma menina que enviou um e-mail agressivo, me atacando mesmo... fiquei até com medo. Até hoje não entendi por que ela fez aquilo e o engraçado é que ela continua lendo a fic com certeza... se não gostou que não leia poxa... eu não obrigo ninguém a ler e nem a gostar! Eu sempre digo: Se apenas uma pessoa ler e gostar... eu já fico feliz!

Pety mais abismada ainda: Credo! Espero que ela não tenha mais voltado a te agredir assim!... Agora nos conte sobre seus novos trabalhos! Quais são os próximos fics que você vai postar? Eu sei de alguns que estão no freezer, como "DC", mas será que em breve teremos fics novos seu?

Ruby: Realmente tenho alguns na geladeira, mas você me conhece... eu não revelo nada até o devido momento. Às vezes eu até mostro algo, mas é raro. Prefiro manter o mistério e fazer surpresa! Só posso prometer algo novo até o Natal... um one-shot romântico, onde eu transformei em personagens "cinco" leitoras assíduas das minhas histórias!

Pety feliz da vida sabendo da novidade: Em "As Cores do Inverno", esse maravilhoso fic... você se baseou em alguém nos acontecimentos? No jeito reprimido da Sakura? No kawaii da Tomoyo? Qual foi a sua inspiração pra escrever esse fic?

Ruby sonhando acordada: Essa fic é muito especial! Primeiro porque ela envolve lembranças de um livro que li há muito tempo, há mais de uma década eu acho... e segundo porque aqui eu coloquei muito de mim. Fatos reais que eu experimentei há muito tempo, outros recentes. Tem tanta coisa na história que retirei da minha vida. A fragilidade da Sakura e o seu problema, foi um episódio de minha vida bastante doloroso, mas dei a volta por cima. Em relação ao jeitinho da Tomoyo... Muitas pessoas que trabalham comigo e acompanham a fic... dizem que eu sou todinha a Tomoyo, eu tenho a péssima mania de me fazer de ingênua e fazer perguntas que deixam muita gente de saia justa! Mas a Tomoyo é realmente ingênua e eu só me faço! Hehehe... tem outras coisas que crio do nada e ainda tem outras que tiro do cotidiano. A vilã Meiling... ela realmente existiu em minha vida, mas a situação era bem diferente da história que criei.

Pety fazendo cara de sapeca: Diga se é difícil aturar eu, a Thatinha e a revisora Cris, já que adoramos te atormentar pra descobrir o que vai acontecer futuramente em cada fic que você escreveu! Aproveitando a deixa... conte-nos o que vai acontecer quando o Syaoran descobrir que a Sakura está de casamento marcado para dali alguns dias...

Ruby: Boa tentativa, mas não revelarei nada! Agüentar vocês é um verdadeiro calvário... hehehehe... brincadeira! No inicio era mais divertido, pois eu era mais dura na queda e não revelava nadinha! Agora até prefiro mostrar algo para ter uma opinião, mas no final vocês nem opinam muito, só dizem que está bom daquele jeito mesmo e nem me dão uma idéia... acho que vou voltar a fazer mistério!

"Pety olha feio pra Ruby sentindo-se ofendida com aquele comentário, mas principalmente irritada com a idéia da Ruby voltar a fazer mistério"

Pety emocionada: Ruby, eu pessoalmente quero te agradecer, primeiramente por ser minha amiga, por ter me viciado em animes e por ter me dado esse espaço aqui do Talk! E é com grande pesar que eu tenho que terminar essa entrevista.

"Platéia faz aaaahh novamente"

Ruby: Eu que sou a pessoa mais afortunada desse mundo por ter uma amiga como você! Alguém que me entende e compartilha de muita coisa em comum. Eu que quero agradecer por você me convidar para essa entrevista e também agradecer por você criar esse talk divertido! Sou sua fã! Quero aproveitar para agradecer a todos que colaboram comigo! A amiga Cris, que sempre ajuda com a revisão e me dá muitos toques! A amiga Thata que sempre levanta nosso astral com sua alegria contagiante e ajudando com minhas pesquisas de opinião! Ela é minha cobaia favorita! Enfim... agradeço todos os leitores, pois eles são muito importantes nessa jornada! É por todos eles que tento ser uma escritora melhor! Quero um dia ser digna de todas as palavras de carinho que eles dedicam a mim. Obrigada a todos vocês!

"Pety totalmente vermelha levanta e dá um grande abraço na Ruby e elas vão saindo pra fofocar mais sobre o Touya"

Yukito do além enxugando disfarçadamente uma lágrima no canto do olho: E não percam o nosso último bloco. A tão esperada entrevista com Sakura Kinomoto e Syaoran Li! E eu vou indo assombrar ainda mais a Meiling. Ela que não perde por esperar, pois eu tenho muito guardado para ela! Uhhhhahahaha! (analogia a risada sinistra)


Ruby: Estou totalmente sem palavras... a Pety é uma fofa! Obrigada por fazer esse talk divertido e emocionante! Cris-chan... obrigada pelo carinho e pela divertida revisão! Amei seus comentários! Obrigada a todos que acompanham a fic e dedicam alguns minutos comentando! Meu carinho é de vocês!

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Aguardem um presente muito especial nesse natal!

PS: Não adianta perguntar o que o Touya me disse no ouvido naquela cena... fica na imaginação de cada um...