Marcavam os encontros de acordo com suas vontades, na casa de um, na casa do outro, mas nunca dormiam juntos, nunca trocavam carinhos, evitavam sentimentos. Tudo estava tão diferente da outra vez, quando eram mais jovens e corajosos. Era como se precisassem um do outro, mas não tivessem coragem para admitir agora que queriam um ao outro. E Draco, que nunca tivera intenção de viver desse jeito, se cansou. Nunca se acostumara a ouvir nãos e estava cansado das recusas dela.
Então um dia ele não apareceu, nem deu explicações e foi tentar esquecê-la.
Tentou encontrar algum conforto nos braços das francesas, só para descobrir que não gostava de perfume. Preferia cheiro de flores.
Na Alemanha decidiu-se mesmo a embarcar em qualquer tipo de relacionamento saudável em que fosse permitido falar ao outro eu te amo, trocar carinhos e ser visto em público, mas tudo que conseguiu foi ficar bêbado com a cerveja de lá.
Na Espanha tentou se acostumar ao tempero local, mas sentiu saudade dos chocolates caseiros que ela lhe dera de natal naquele último ano em Hogwarts. E aquela foi a gota d'água.
Ele não conseguia esquecê-la, não ia seguir em frente e ainda vivia pela memória do começo de sua paixão por ela. Voltou para a Inglaterra, procurou-a e deparou-se com notícias de que ela estava com muita raiva dele. A notícia deu a ele ainda mais forças para fazer o que havia se decidido a fazer porque indicava que ela se importara com ele. E, embora uma certa insegurança o fizesse questionar se ela estaria disposta a ouvi-lo, comprou flores e esperou que ela saísse do treino.
Ginny o viu e descarregou a raiva sobre ele:
-E sua viagem pela Europa não foi boa o suficiente?
-Não, não foi. Foi um pouco solitária.
-Aposto que arrumou por lá muitas companhias para curar a solidão, não é?
-Só uma.
-Que bom, então já pode se ajoelhar aos pés dela, dizer que a ama e viver feliz para sempre com ela. Não foi procurando por isso que você fugiu?
Draco se ajoelhou. Ela estava com raiva, mas agora não conseguia reagir.
-Minha única companhia nessa viagem foi a solidão, Ginny. Eu não consegui me divertir pensando em você, e também não conseguiria viver feliz para sempre com outra pessoa que não fosse você. Eu fugi porque me cansei de esperar que você dissesse que me amava, mas agora você não precisa mais fazer isso, porque eu mesmo posso dizer...
-O que você está fazendo, Malfoy? Está louco?
Mas ele via a esperança nos olhos dela crescer ainda mais quando ele revelou as flores em suas mãos.
-Eu disse que só faria isso se estivesse louco ou se perdesse minha capacidade mental, então é... Eu devo estar louco.
Outros jogadores começavam a sair, e, embora tentassem ser educados ignorando a cena, não podiam deixar de parar por alguns segundos para observar a cena inusitada. Ginny ficou escarlate de vergonha.
-Realmente, está muito louco. - Ela tomou o buquê das mãos dele e tentava puxá-lo para sair do chão, mas ele se recusava.
-Estou, Weasley. E é a coisa mais babaca que eu vou dizer, mas eu estou louco por você. E...
-Não, Malfoy, não diga isso, eu disse que não queria ouvir isso de você, nem dizer, nem sentir... Eu sei o que você quer fazer, mas por favor não faça.
-Eu te amo, Ginevra Weasley.
Ginny começou a despedaçar as flores, golpeando-lhe no rosto e só então ele ficou de pé.
-Eu te disse que não quero isso, Malfoy!
Ele segurou-a nos braços, impedindo-a de alcançá-lo com as mãos.
-Quer sim. Eu te amo e você me ama também, eu sempre soube. Se você não me amasse de verdade não teria ficado chateada porque eu sumi, não teria inventado essa história de sexo sem compromisso que não tem nada a ver com você e nem teria insistido tanto em negar qualquer coisa legal que eu fizesse pra você.
-Bobagem!
Ela o olhava nos olhos e aquela palavra não negava nada do que ele havia dito. Sua postura somente reforçava tudo que ele dissera.
-Você tinha medo de me amar e estragar tudo de novo como você fez da outra vez.
-Eu amava o Harry.
-Mas não tanto quanto você me amava.
-Não... - Ela tentava se esquivar dos braços dele, mas não conseguia.
-Eu já me humilhei, Weasley, já fiquei de joelhos, já disse que te amava, você já pode dizer também, e eu não vou te julgar por nada e vou esquecer tudo que passou. Você quer ouvir de novo? Eu te amo.
Um leve sorriso apareceu no rosto dela. E ele soltou-a levemente para tentar beijá-la, tomando aquele pequeno sorriso como uma resposta à altura de sua declaração. Mas ela fugiu de novo.
