N/A: Quando a nota é no começo você já devem imaginar quem vem NC por aí né?! Pois acertaram...hahahah esse dois parecem coelhos!Sintam-se avisados então! Esse cap TEM NC17! Ah nem demorei pra postar essa vez né? Bom vou responder as reviews de vocês...me desculpem algumas pessoas é que no cap passado eu acabei clicando em coisa errada e a reply foi antes de eu terminar de escrever, dai eu fiquei com preguiça e talz! Bom tem outra nota no final...Bom Cap pra vocês!

CAPÍTULO VIII

O barulho ensurdecedor do helicóptero impossibili­tou qualquer chance de diálogo. Lily se acomodou no confortável assento para recompor as energias.

Não tinha a menor idéia de para onde estava indo, mas também não se importava com isso. Acreditava ter ouvido a palavra Southampton, mas não tinha cer­teza. No seu descontrole emocional, não registrou tudo que ele dissera. Porém, vindo de James, tudo era possível.

O destino daquele helicóptero não era o que a preocupava, mas sim a possibilidade de que estava voltando a se envolver intensamente com James. Não! Sexo era a única coisa que a ligava a ele, disse para si com veemência. Era algo repulsivo, mas pelo menos não era amor. Apenas se fosse uma completa imbecil se apaixonaria novamente por ele, naquelas circunstâncias, mas não era o caso.

James deixou o porta-jóias que ela havia aban­donado na limusine sobre o colo dela.

Lily o colocou de lado, como se fosse uma batata-quente. De rabo de olho, viu que ele abria o estojo e retirava o bracelete. Pegou o pulso de Lily e pôs o bracelete. Irritada, ela virou a cara. Ele acariciou os fios de cabelo que caíam sobre seu rosto e lhe deu um beijo selvagem.

- Por que tem de ser tão teimosa? - perguntou ele, com ar repreensivo.

Os lábios estavam dormentes em razão do beijo inesperado e provocante. Virou-se novamente. Se não se rebelasse contra o poder que ele exercia sobre ela, estaria perdida, pensou.

Quando o helicóptero desceu, Lily não conse­guiu descobrir onde estava. Via algumas torres de ferro e, mais adiante, armazéns gigantes. Talvez James estivesse indo lá a negócios, refletiu, visto que ele estava impaciente para sair do helicóptero. Um cheiro vagamente familiar a fez lembrar da in­fância, até que identificou o aroma do mar. Ficou alarmada.

James a guiou por uma porta que estava aberta. Mas ela estava hesitante, tentando se achar. Cami­nhava por um piso de metal e ficou apavorada ao se lembrar do filme Titanic.

- Lily...? - James perguntou quando ela pa­rou.

- Isso... Isso é um barco - ela balbuciou com a voz falha.

- Um barco... Meu iate Lestara. - Pela primeira vez, James estava orgulhoso de seu palácio flutuante. Iriam navegar em paz e com privacidade. Es­colheria lugares exóticos que ela iria gostar de conhe­cer. Não iria predeterminar um itinerário. Os paparazzi nunca os encontrariam. Ela iria adorar. Iria rela­xar e se divertir e esquecer daquela idéia absurda de que o odiava. A expressão de James era de pura satisfação.

Começaram a descer umas escadas, e Lily mos­trava-se petrificada. Estava revivendo um de seus piores pesadelos: cercada de água por todos os lados, em constante movimento. E nas profundezas daque­las águas estavam as vidas que o mar havia tirado de seu pai e sua mãe. Ficou pálida e começou a suar frio.

- Não gosto de barcos - ela disse com falta de ar.

James riu.

- Mas esse é um barco muito grande, Lily. Nem vai sentir que está longe de terra firme.

- Me dá enjôo...

- É impossível, nós nem embarcamos ainda.

Enquanto James a olhava incredulamente, Lily não agüentou e vomitou. Ele foi, imediatamente, ajudá-la com um lenço nas mãos.

- Vamos entrar. Vai se sentir melhor lá dentro.

Porém, Lily não queria entrar. Ao contrário, que­ria estar em terra firme novamente. Teve o ímpeto de sair correndo de volta para o helicóptero de James, mas estava enjoada demais para correr.

- Não gosto do mar - disse com dificuldade.

- É só não olhar para ele - aconselhou James, como se falasse com uma criança. - Deve ter sido alguma coisa que comeu e não caiu bem. Vou pedir para o médico examiná-la.

- Não preciso de médico. - Quando ele não a es­tava olhando, Lily enxugou rapidamente as lágri­mas que já lhe saíam dos olhos.

Os dois chegaram a um salão enorme e suntuoso, mas Lily só queria saber onde era o banheiro. De uma das muitas janelas, viu o mar. Parecia tão calmo, iluminado pelo pôr-do-sol, mas ela voltou a ficar en­joada.

Pôs as mãos na boca e forçou o maxilar, pois não queria passar aquela vergonha novamente.

James a pegou no colo e a levou para o banhei­ro, todo de mármore, que ficava numa suíte. Pegou uma toalha, umedeceu-a, e colocou-a na testa de Lily.

- O médico está chegando, cara mia.

- Será que não entende? Vou ficar bem só depois que me tirar deste barco!

- Quando foi a última vez que comeu? Você dor­miu no avião, quando serviram o café-da-manhã. Al­moçou?

- Estou enjoada por causa do medo!

- Mas não há motivo para você ter medo...

Lily não agüentou mais e começou a chorar desesperadamente, molhando o rosto vermelho pelo nervosismo. Foi até a cama e escondeu o rosto, enquanto convulsionava de tanto chorar. Ele a envol­veu nos braços, apertando-a contra si. Não entendia o que estava acontecendo, mas ela sabia exatamente o que estava se passando. Não podia compreender o terror irracional que a acometia. Tentou lutar contra a nuvem negra que invadia seus pensamentos e final­mente conseguiu falar.

- Meus pais morreram afogados...

James empalideceu, olhando-a com ternura e pena.

- Não gosto de barcos... Não gosto do mar.

O médico bateu à porta, avisando o casal de sua chegada. James trocou algumas palavras com ele.

- Vai aceitar tomar uma injeção para melhorar o enjôo?

- E aí, nós saímos desse barco... Imediatamente? - ela perguntou em tom de súplica.

- Prometo. - Ele apertou as mãos frias e trêmulas de Lily.

A injeção surtiu efeito imediato. Em poucos minu­tos, Lily ficou grogue e os pensamentos ruins foram se tornando turvos até desaparecerem. Apertou o ros­to contra o peito de James e adormeceu em seus braços.


Lily sonhou que estava encurralada no fundo do mar. Os pulmões ardiam, debatia-se desesperadamente para conseguir chegar à superfície, até que en­controu a mãe. Gritava seu nome, mas apenas bolhas de ar saíam da boca.

- Lily...

Os olhos aterrorizados se arregalaram. Respirava ofegante em busca de oxigênio. Estava molhada pela transpiração.

- Deve ter sido um pesadelo daqueles - ele dis­se, deitado ao lado dela, como os olhos na altura dos dela. - Pude ouvir seus gritos do outro quarto.

- É sempre o mesmo pesadelo - ela sussurrou. - Horrível.

- Precisa comer alguma coisa. - James pe­gou o telefone e pediu comida.

Lily se sentou e abraçou as pernas. Só então no­tou que estava nua. Agarrou o lençol e se cobriu toda. Os olhos se adaptaram à fraca luz do ambiente, e logo reconheceu a suíte do apartamento de Londres. Alcançou o pulso de James e checou as horas no re­lógio.

- Nossa! - exclamou ao ver que era uma da ma­nhã.

- A injeção te nocauteou. Foi bom para você.

- Não me lembro da viagem de volta.

- Viajamos de limusine. Tinha medo de que acor­dasse com o barulho do helicóptero.

- Desculpa... Deve ter achado que sou uma doida. - ela murmurou, envergonhada. - Mas não entrava num barco desde que... Bem, desde o acidente.

- Estava com seus pais, quando eles morreram? - ele perguntou surpreso. - Quantos anos tinha?

- Dez. Estávamos de fé­rias em Mallorca, na Espanha. Papai levou a gente para ver os barcos na praia. Pedi para ele nos levar para passear num deles e fomos no último dia. Ele alugou um e demos uma volta pela baía. Não estáva­mos com coletes salva-vidas...

- O que aconteceu?

- Alguns barcos maiores passaram a toda a veloci­dade e formaram umas ondas enormes. Foi muito rápi­do. A água invadiu o barco e ele virou. Mamãe come­çou a gritar e papai ficou em pânico. Acho que ele ba­teu com a cabeça, porque vi que estava inconsciente. Só lembro que nunca mais vi meu pai com vida.

James envolveu as mãos de Lily.

- Você...? Sua mãe...?

- Eu fui atirada ao mar... Ela ficou presa no bar­co. Eu nadava muito bem... Mergulhei procurando por ela, mas não o encontrei. A correnteza estava muito forte. Um barco pesqueiro apareceu e conse­guiu tirar mamãe... Mas era tarde demais.

- Foi um milagre você ter sobrevivido.

Lily cobriu o rosto com as mãos e deixou escapar um soluço.

- Foi culpa minha... Se não tivesse insistido tanto, nunca teríamos saído naquele barco. Minha irmã ficou tomando sol na praia, devíamos ter ficado com ela.

- Isso é absurdo. Você era apenas uma criança. Foi um acidente. Devia ser proibido navegar sem co­lete salva-vidas. Como é esse pesadelo?

Ela contou. Havia muito tempo não falava do dia do acidente e ele se mostrava um ótimo ouvinte. En­tão, contou como a irmã entrou em pânico ao saber do acidente e do negócio do pai, que faliu poucos meses depois. Sentiu um alívio enorme depois de haver descrito toda sua tragédia pessoal a James. Pôs as mãos em seus cabelos e pensou que, depois de tantas horas de sono, devia estar com a cara bem amassada.

- Acho que um banho me faria bem. - Esque­cendo-se que estava nua em pêlo, saiu de baixo do lençol e da cama. Ao se lembrar, soltou um gritinho e saiu correndo para o banheiro, enquanto James ria com vontade.

- Você tem cinco minutos. O jantar já está espe­rando - ele a avisou, com bom humor.

Embrulhada em uma toalha branca e felpuda, Lily tinha os cabelos molhados e sentia-se revigorada. James assistia ao noticiário pela televisão. No quarto ao lado, havia uma mesinha sobre rodas reple­ta de comida.

- Vou me vestir e já comemos - disse ajustando a toalha que ameaçava cair.

- Eu proíbo - ele disse puxando uma cadeira para que ela se sentasse. - Para que se vestir se vou despi-la em seguida?

Lily corou, enquanto o coração se agitava pela antecipação. Bastava que ele a olhasse com aqueles olhos para que ficasse febril e ardente de desejo. E ele sabia disso. Desviou o olhar para a comida, tentando disfarçar o nervosismo e comeu com apetite.

- Não vai comer nada?

- Já jantei. - Encheu uma taça de vinho e tomou um gole. - Fico feliz de ver você comendo com von­tade.

- Os últimos meses foram muito estressantes. Mas não vamos falar disso. - Não queria estragar aquele momento agradável tocando em assuntos es­pinhosos. - Agora, sabe tudo sobre mim. É hora de falar um pouco de você.

- De mim...? - James franziu a testa.

- Dos seus pais, por exemplo. - Lily afastou o prato vazio. - O que fazem?

James soltou um resmungo e se levantou.

- Os dois morreram. Na época, saiu publicado em todos os jornais.

- Não sabia... O que houve? - perguntou, levantando-se também.

James a pegou pela mão e os dois voltaram para o quarto.

- Quer que comece com Era uma vez?

- Por quê? Sua infância foi um conto de fadas?

James a deitou na cama e se afastou para admi­rar o lindo corpo de Lily.

- Nem um pouco. Apesar de morar num palácio e do dinheiro sobrando. Minha mãe era muito rica e muito mimada.

Os olhos de Lily brilhavam de curiosidade.

- Ela se parecia com você? Como ela era?

- Era bem bonita. - Ele tirou a camisa e se dei­tou ao lado dela. - Não era muito maternal. Eu fui um acidente e as babás me conheciam melhor que ela. Ela gostava de diversão e eu não era uma criança muito divertida.

- E seu pai?

- Era um intérprete brilhante e muito respeitado, mas um verdadeiro escravo da minha mãe. - James não conseguiu disfarçar o desgosto. - Ela tinha vários amantes. Deixou o nome do meu pai na lama, dormia fora de casa e ria na cara dele. Quando eu tinha dezoito anos, ele a flagrou na cama com um dos meus amigos. Naquela noite, ele se ma­tou... Ela nem foi ao funeral.

Lily estava perplexa com a narrativa dos fatos horrendos que haviam assombrado a juven­tude de James. Ela se inclinou sobre ele, com os olhos verdes brilhando de pena.

- Não sei o que dizer...

Ele emaranhou os dedos entre o cabelo macio e ainda úmido de Lily e trouxe o rosto angelical para mais perto do seu.

- Não diga nada, então, me mostra, gioia mia.

Os olhos se fecharam quando ela o beijou e o cora­ção acelerou. O desejo corria pelas veias como um rio de lava.

- James... - suspirou, enquanto os mamilos rijos roçavam a toalha, em busca de liberdade.

Soltou um gemido sensual quando ele arrancou a toalha fora.

- Amo seu corpo... Amo os efeitos que ele causa no meu.

Ela agarrou as coxas musculosas dele, com as unhas gentilmente apertadas sobre a pele morena e macia de James. Ele brincou com os seios excita­dos de Lily, com uma habilidade invejável, apertan­do e atiçando-os com os dedos.

Lily parou de respirar e estremeceu. Ele parou por um instante.

- O que foi? - ela perguntou ansiosa.

- Você me deseja tanto que não consegue disfar­çar. Gosto disso - ele ronronou. - Você me excita.

Ela o olhava com sofreguidão.

- Sexo nunca foi tão quente e estimulante. Se ten­tasse fugir de mim agora, eu a trancaria a sete chaves - ele jurou.

- Não vou a lugar algum.

Ele a com doçura.

- Nenhum lugar em que eu não esteja também - completou, sem parar de beijá-la.

- Que romântico...- disse ela irônica.

Ele ficou tenso.

- Tenho mais dos genes da minha mãe do que gos­taria. Não vou ser infiel, mas não espere romantismo.

- Não se preocupe, a única coisa que gosto em você é seu dom de me fazer sentir bem na cama - ela revidou.

James soltou um riso delicioso, apertou o quei­xo de Lily e deitou por cima dela para beijá-la com mais intensidade.

- Você é uma mentirosa... Uma mentirosa linda e sexy. Tem tanto que aprender ainda. E eu terei um prazer enorme em ensinar tudo.

Lily ficou constrangida, curiosa, sem entender por que ele tinha dado aquela resposta tão presunçosa.

- Me ensinar o quê?

- Como me dominar por debaixo das cobertas - ele a provocou, sentando-se na cama, apenas para ti­rar as calças e o chinelo. - Métodos, técnicas, rit­mos.

- Não preciso aprender essas coisas, nem quero. - Olhava-o com fome, a boca seca e o coração sufo­cado.

- Sei que quer, gioia mia. - Nu, voltou a se deitar sobre ela, acariciando os ombros estreitos e alvos de Lily. - Vai exigir muita paciência e disciplina da minha parte e confesso que, nesse momento, essas qualidades estão escassas no meu estoque.

Os olhos estavam fixos nos seios brancos, que contrastavam com os mamilos róseos. Ela respirava com dificuldade. Não conseguia suprimir o desejo. Ele a colocou de joelhos e chupou cada bico, demoradamente, mordiscando-os e lambendo-os. Enquanto se entretinha com a boca, com as mãos foi explorar o púbis de Lily, passeando com os dedos entre as pernas dela. O corpo feminino agitou-se e Lily gemeu de prazer. A pele parecia que ia derreter pelo fogo que a consumia. Quando James encontrou o pequeno clitóris e o provocou, Lily começou a ver estrelas e ficou em transe.

- Não agüento mais... - ela gemeu, subindo por cima dele, encaixando-se com as pernas abertas, ávi­da por ser possuída. Respondendo aos impulsos dela, James penetrou-a sem rodeios, com firmeza. Ela gemeu de prazer.

Não estava preparada para o movimento que ele fez em seguida, saindo novamente de dentro dela e colocando-a de joelhos novamente. Excitada e frus­trada, ela pronunciou o nome dele.

- Confie em mim - James respondeu, ofegante.

Voltou a penetrá-la, agora ajoelhados na cama, e cada milímetro do sexo de James entrando dentro dela, como um choque elétrico. Chegou ao clímax na mesma hora, convulsionando-se toda, dos pés à cabe­ça, com um gemido sufocado e sôfrego.

James a deitou e a abraçou. Suspirou.

- Você é sensacional, bella mia.

Ela acariciou as costas molhadas de suor de James.

- Não entendo por que demorou tanto a se entre­gar aos prazeres do sexo - ele comentou, enquanto beijava-a no pescoço.

- Sempre fui mais infantil que as garotas da mi­nha idade... - lembrou-se do incidente desagradável que aconteceu durante a adolescência e hesitou em contar, mas acabou revelando. - Minha irmã é dez anos mais velha que eu, tinha um namorado que tentou me levar para a cama. Não aconteceu nada porque comecei a gritar, mas fiquei traumatizada. Sentia-me culpada e suja... Petunia dis­se que eu devia ter provocado seu namorado...

James ergueu a cabeça e a olhou com doçura.

- Está brincando? Quantos anos você tinha?

- Treze. Ele estava morando com a gente já fazia alguns meses - ela franziu a testa. - Tinha algo nele que me dava medo. Até que uma noite, quando minha irmã não estava em casa, ele tentou me agarrar, mas consegui sair correndo para o meu quarto. Se ela não tivesse chegado mais cedo e o pego no meu quarto, não sei o que teria acontecido.

- Eu sei. E se você tivesse sido estuprada, tenho certeza de que a sua irmã arranjaria um jeito de culpar você também!

Lily ficou apreensiva.

- Não diz isso! Tem que entender que ela estava muito magoada. Eles iam se casar.

- Você é irmã e devia ser a coisa mais valiosa para ela. - James acariciou o rosto delicado de Lily e a olhou de um jeito diferente, muito meigo. - Com razão, levou tanto tempo para perder a vir­gindade. Eu também fui um insensível. Estava com tanto tesão que não tive nenhum cuidado.

- Mas foi bom... - Não sabia muito bem como descrever suas sensações. Era tudo tão novo para ela. - Com você, tudo fica diferente...

- Continua, gioia mia - ele disse com uma voz vibrante que arrepiou os pêlos de Lily.

Enquanto sorria encabulada pelo convite indecoroso de inflar o ego de um homem acostumado a elo­gios e paparicos, James se levantou bruscamente e soltou um palavrão.

- O que foi? - ela perguntou, ansiosa.

Ele a encarou com cara de desespero.

- Esqueci da camisinha! Pela primeira vez na vida, não usei camisinha!

Lily mordeu os lábios.

- Eu não tomo nada... Nunca precisei antes...

Com um suspiro de resignação, James o relaxou o ombro.

- Para quando é sua menstruação?

- Daqui a duas semanas.

Ele ficou pensativo.

- Isso quer dizer que você está no período mais fértil... Alguma vez já quis ter filhos?

- Nunca pensei nisso.

- Nem eu - admitiu ele. - Mas, se tivermos, azar...

- Não é engraçado como uma única palavra pode significar tantas coisas? Azar... - Lily empalideceu.

- Quis dizer que vou cuidar de você... E do bebê - ele disse com a voz hesitante. - Por isso, não pre­cisa se preocupar.

- Não estou preocupada - mentiu, apavorada com a idéia de engravidar de um homem cujo único interesse nela era a habilidade que tinha de diverti-lo na cama. - Mas posso ir ao ginecologista e pedir para tomar a pílula do dia seguinte.

- Não - rejeitou James na mesma hora, o que surpreendeu a ambos. - Não gosto da idéia. Vamos esperar para ver no que dá.

James voltou a se deitar, apoiando o rosto tencionado sobre o travesseiro. Depois a envolveu com o braço e a apertou contra si.

- Durma um pouco e tente não se preocupar... Amanhã de manhã, voltamos para a Itália.

- Seria ótimo se pudesse acumular milhas com todos esses vôos - ela brincou.

Ele riu, deliciando-se com o comentário bem-hu­morado, e apagou as luzes.

Ela se encolheu nos braços dele e pensou na proba­bilidade de ter um filho. Para sua surpresa, a idéia lhe agradava. Consternada, repreendeu-se e repetiu men­talmente que seria um desastre. Não podia se com­portar como uma adolescente que idealiza a materni­dade, esquecendo-se da real situação na qual se en­contrava. Que diabos estava acontecendo com ela? Onde estava o ódio que sentia por ele? Descobriu que a mágoa e o rancor já não habitavam sua alma. No en­tanto, o medo de se machucar outra vez persistia, reconheceu com pesar. Estava se apaixonando nova­mente?

James acariciou a cintura curvilínea de Lily.

- Está muito cansada?

- Não muito - sussurrou.

A simples pergunta de James desencadeou uma nova onda de excitação, apagando qualquer vestígio de razão e seriedade em sua mente, deixando tudo em suspenso.


Os brincos com diamantes brilhavam tanto que chegavam a cegar Lily.

- Não posso aceitar... Não posso!

- Qual é o problema? É um presente... Não pode recusar um presente.

- Você já me deu um colar, um bracelete, um re­lógio... Agora, isso. Aposto que custaram uma fortu­na.

- O dinheiro não é problema, bella mia. Sou um homem generoso, e daí? Devia ser um ponto a mais para mim. - James a pegou pelos punhos e arras­tou-a para si.

Lily não disse nada, mas pensou que ele não pre­cisava de mais pontos. Sentia-se extremamente des­confortável com tantos presentes extravagantes e ca­ros. Será que ele achava que precisava pagar a ela pe­los serviços prestados? A quantia que tinha dado à instituição de caridade não deveria ter sido suficien­te? Enfim, sua caixa de jóias já estava repleta, com diamantes e safiras estonteantes.

- Você me deixa constrangida - ela murmurou. - Me faz sentir uma mercenária.

James soltou um resmungo.

- Às vezes você fica tão melodramática.

- Quem foi que me fez assinar aquele contrato horroroso?

James não queria ser lembrado daquele contra­to. Emoldurou com as mãos o rosto dela e a beijou com intensidade, como se não a visse há muito tem­po, apesar de já estarem juntos havia semanas, sem desgrudar um do outro.

- Gosto de regras e limites. Eu me enganei com você. O que está rolando entre nós é muito mais do que um simples acordo jurídico.

Lily queria muito acreditar nele.

O telefone tocou e ele a soltou para atender à cha­mada. Ela foi até o terraço e se sentou numa das ca­deiras. O calor do sol estava delicioso. A vista glorio­sa do vale verdejante salpicado de casinhas e viníco­las a saldava todas as manhãs já havia três semanas. Mal podia crer que estava em Toscana tanto tempo com James. Os dias voaram e ela desejava que nunca acabassem, pois passava por um momento úni­co de extrema felicidade.

Tinha desistido de se convencer de que o odiava. Ao contrário, havia aceitado o amor que sentia por ele e não mais se envergonhava de seus sentimentos. A presença de James lhe enchia de luz e alegria. Os toques de James causavam sensações tão ma­ravilhosas e poderosas que, mais de uma vez, os seus olhos verdes se encheram de lágrimas.

Durante aqueles dias, ele havia sido tão atencioso, carinhoso... e romântico. Oferecia jantares à luz de velas, passeios ao luar pelos jardins floridos, piqueniques no bosque. Caminhavam de mãos dadas pelos vilarejos medievais, comiam em restaurantes pitores­cos e conversavam horas a fio.

James a levou a um nutricionista e aos poucos ela estava engordando, de forma saudável. Lily continuava com as aulas de italiano e James a aju­dava nos deveres, com extrema paciência. Certo dia, viajaram a Paris só para assistir ao show de um dos cantores favoritos de Lily. Em outra ocasião, ele a levou para conhecer um dos jardins mais famosos das redondezas.

Ele parecia uma pessoa totalmente diferente da que ela havia conhecido. Durante o rápido namoro que tiveram, ele era um viciado em trabalho e nunca tinha tempo para conhecê-la melhor. No entanto, agora, ele fazia de tudo para arranjar mais tempo para ficar com ela. As mudanças no comportamento de James mexeram muito com Lily. Havia decidido que estava feliz, algo raro, e que iria viver o momento e esquecer de como aquela história havia começado.

Apenas duas coisas nublavam seu contentamento. O medo de que a única noite em que se haviam des­cuidado pudesse ter conseqüências irreversíveis era uma delas. Estava convencida de que uma gravidez iria destruir a relação, visto que nenhum outro ho­mem apreciava tanto a liberdade quanto James.

A maior preocupação, no entanto, dizia respeito à irmã, que ainda não tinha entrado em contato com ela. Lily havia ligado para todos os conhecidos de Petunia, mas ninguém sabia dela há meses, em alguns casos até há anos. Começava a pensar que conhecia a irmã menos do que imaginava. Por que desaparecer de sua vida tão completamente, como se não existisse?

- Qual é o problema? - James interrompeu as divagações de Lily. - Me conta.

Ela soltou um suspiro.

- Estou preocupada com minha irmã. Parece que ela desapareceu da face da Terra.

- Desde quando?

- Pouco antes de eu ser presa. Teve medo de ser acusada como cúmplice e entrou em pânico.

- Por quê? Ela também estava envolvida no show beneficente?

Ela fez que sim e contou a história.

- Quer que ajude a encontrá-la?

- Adoraria, mas não sei como pode fazer isso...

- Tenho muitos contatos. - James pensou que as informações levantadas pelo detetive que havia contratado poderiam ajudar a encontrar algumas pistas. Tinha deixado o relatório em Londres. Tinha mudado de idéia e achou que seria antiético investi­gar a vida de Lily sem que ela soubesse.

- Agradeceria muito. Estou muito preocupada com ela. O marido dela a largou pouco antes de ela desaparecer. Sabe-se lá em que estado de nervos ela deve estar - respondeu com certa aflição.

- Vou achar sua irmã para você, cara mia. - Olhou o relógio. - Mas agora temos um compromis­so.

- Que compromisso? - perguntou desconfiada. Ele deu de ombros.

- Acho que já era hora de você fazer um teste de gravidez. Então marquei uma consulta com um médi­co de confiança.

Ela ficou surpresa.

- Não precisa, posso muito bem comprar um tes­te de farmácia.

- Esses testes nunca são cem por cento confiá­veis.

Lily baixou a cabeça. Obviamente ele estava muito preocupado com aquela possibilidade. Havia disfarçado a inquietação para não deixá-la nervosa, mas via que ele não agüentava mais esperar pelo re­sultado.

Foram a uma clínica particular. O ginecologista era muito atencioso e arranhava no inglês.

- Seu teste deu negativo. Você não está grávida, senhorita Evans.

Lily não estava preparada para a reação que teve com a notícia: ficou claramente desapontada.

James estava surpreso. Acreditava piamente que ela estivesse grávida. Ambos eram jovens e sau­dáveis. Nunca havia pensado em ter filhos e por isso sempre foi cuidadoso para não engravidar ninguém. Deveria estar aliviado com a notícia de que não seria pai.

Lily esforçou-se para sentir alívio. Nas semanas seguintes ao incidente, a mãe natureza chegou a pre­gar algumas peças, fazendo-a acreditar que seu corpo estava mudando. Estava se acostumando, inconscien­temente, com a idéia de ser mãe.

- Você deve estar satisfeito, agora. Não temos mais nada com o que nos preocuparmos - ela mur­murou, quando já estavam na limusine. James não respondeu, estava absorto em seus pensamentos.

Lily tinha medo de que ele descobrisse que ela havia ficado decepcionada. Sentiu um nó na garganta e uma grande vontade de chorar.

- Talvez seja próprio do ser humano desejar o que lhe foi negado - divagou James. - Você ficou chateada com a notícia, não ficou?

- Claro que não - mentiu. Ela procurou um len­ço nos bolsos do casaco de James e ao encontrar um, escondeu o rosto. - É a tensão, só isso... Estou meio sensível.

- Gostaria de ter um filho com você, gioia mia.


N/A: Tchatcharam!hahahahaha O que acharam dessa ultima frase do nosso amado e odiado James? . Deixem reviews Babies!