Autor: Davesmom
Nome Original: Beyond Redemption
Tradução: Celly M.
Betagem: Anna Malfoy
Capítulo 6:
Manhã de domingo, manhã de Natal. Draco fitou soturnamente o fogo baixo da lareira. 'Feliz Natal, seu bastardo', ele zombou de si mesmo. Quando finalmente acordou, na sexta-feira pela manhã, estava desorientado e tonto. Aquele feitiço estupefaça havia sido forte. Ou Weasley era uma bruxa mais forte do que ele imaginava ou ela estava no limite do pânico quando o enfeitiçou. Era possível que ela fosse um pouco de ambos. Não que aquilo importasse. Ela, de alguma maneira, havia conseguido entrar naquela cela, aonde quer que fosse, e o trancou. Após recuperar a consciência, ele havia ido por cada centímetro da cela, procurando por uma saída. No entanto, ela era solidamente construída. Não havia barras frouxas, nem passagens secretas escondidas nas pedras e, sem sua varinha, sem nenhuma maneira de escapar.
Ele não conseguia acreditar que Weasley o tinha trancado! Como ela ousava? Era humilhante! Primeiro, ela agiu como se ele não existisse. Depois, ela quase o intimidara com joguinhos sujos. Finalmente, ela, inesperadamente, o enfeitiçara quando ele – bem – não esperava. Ultimamente ela estava cheia de surpresas. Ele odiava admitir que a havia subestimado por completo e a odiava por fazê-lo admitir aquilo. Ele se sentia idiota por ter permitido um erro de uma garota que ele considerava inferior em todas as maneiras que tentava ser melhor que ele. Seu estômago revirou e ele suspirou novamente.
Ele olhou de esgueira para a comida que Weasley havia trazido na tarde anterior. Ele ainda não a havia provado, mas lhe parecia cada vez melhor. Não que tivesse algo errado com aquilo; Weasley parecia ter escolhido propositalmente comidas apetitosas para que ele tivesse dificuldade de resistir. Seus olhos estreitaram quando ele olhou em outra direção. Ele desejou bloquear seus pensamentos, mas não havia nada para fazer a não ser pensar. Weasley também parecia escolher roupas apetitosas, que eram difíceis de resistir. Meu Deus, ele pensou, enojado. Era só o que lhe faltava, achar Virginia Weasley irresistível! Apesar de sua auto-aversão, ele claramente se lembrava de tudo o que ela usava desde o dia em que ela o trancafiara. Ela estava usando a blusa de gola alta creme e, estando úmida, havia marcado perfeitamente suas formas. Quando havia retornado, no meio do dia, ela havia trocado por um moletom azul-safira. Draco imaginou que ela evitaria os tons de azul devido à cor de seus cabelos, mas ficavam deliciosos nela. Ele estava irritado que a aparência dela o distraía, então ele puxou uma briga. Ela saiu rapidamente, levando seu almoço junto, mas retornara mais uma vez, durante a tarde. Ela ainda usava o moletom, mas havia prendido os cabelos com uma fita na cor do mesmo. Apenas um ou dois fios delicados escapavam para provocar suas têmporas. Ela lhe parecia ainda mais tentadora, mas a fita o lembrava de uma que ele carregava nos bolsos.
'O que diabos havia acontecido com aquela outra', ele ainda se perguntava. Ela deveria tê-la achado. Ele não pôde evitar em pensar o que ela havia feito com aquilo. Ela não havia mencionado, então talvez não tivesse reconhecido. Mas com a sua sorte, ela provavelmente deveria achar que ele o havia pego por gostar dela. Bem, ele ficaria feliz em desfazer aquele mal entendido imediatamente. Embora ela lhe parecesse deliciosa, não havia como ele sentir algo a não ser nojo, desprezo e ridículo por Weasley e qualquer membro de sua família.
O estômago de Draco revirou novamente, interrompendo seus pensamentos. Ele olhou mais uma vez para a comida, antes de desviar o olhar. Ela sempre trouxera suco de abóbora com suas refeições, mas ele estava ficando cansado daquilo. Havia sido somente aquilo desde sexta-feira pela manhã. Na noite anterior, porém, ela lhe trouxera costeletas grelhadas, molho de maçã e enroladinhos amanteigados. Quando ela entrou, a fumaça ainda estava saindo das costeletas e a manteiga nos enroladinhos, derretendo. Era de salivar. E mostrava que ela estava, deliberadamente, incitando-o a comer. Ela ficava tagarelando sobre ele morrer de má nutrição e de como teria que dar fim ao corpo, então ela estava propositalmente tentando-o. Porém, ele não queria comer o que ela trazia. Fazer aquilo seria admitir que ela estava no comando. Pelo menos fora aquilo o que ele dissera a si mesmo na sexta e no sábado. Hoje, porém, os enroladinhos duros e as costeletas frias lhe pareciam bons. Para tirar o pensamento de seu estômago, ele repensou o que acontecera no dia anterior. Weasley havia saído abruptamente novamente, mas um pouco depois, ficara por mais tempo.
Draco bufou para si mesmo. Sim, ela sempre ficava mais tempo, e o forçava a ouvir suas tagarelices ridículas. Quando ela não estava se lamuriando sobre ele não comer, ela falava um monte de besteiras sobre como Bruxos e Trouxas deveriam se dar bem, como ser sangue-puro não era tão especial, entre outras coisas. E algumas das coisas que Weasley falava o incomodavam, então eles brigaram. Draco fechou os olhos, lembrando-se.
Weasley havia entrado, cuidadosamente, como sempre, mas não tão cuidadosamente como das primeiras vezes. Ela estava carregando uma bandeja daquela vez, junto com sua bolsa com os livros. Ele imaginou como ela conseguia passar por Filch e seu gato. Então Draco notara a fita em seu cabelo. Parecia que ela propositalmente havia mexido nos cachos instáveis para que eles balançassem tentadoramente em volta do rosto dela. Ele duvidou. Ela não fazia aquele tipo. Ele especialmente pensou que ela não se importaria em arrumar-se para ele. Weasley colocou a bandeja no chão e virou para ele, sorrindo.
— Com fome? –ela perguntou.
A boca de Draco estava salivando pelo aroma das costeletas grelhadas, mas ele afastou-se das barras para encostar-se na parede no final da cela. Para tirar sua mente da comida novamente, ele decidiu tentar perturbá-la de novo. Talvez provocando-a, ela poderia aproximar-se novamente. Ele estava certo de que a varinha dela estava dentro de suas vestes. Ele poderia conseguir segurá-la a tempo de pegar a varinha. Se não desse certo, pelo menos faria passar o tempo.
Com um pequeno crispar de lábios, ele falou arrastadamente.
— Eu te disse, Weasley. Não estou faminto por comida. Mas se você vier aqui perto... –ele deixou a frase pender no ar, enquanto seus olhos moviam de cima a baixo, na direção dela.
Desta vez, porém, ela não mordeu a isca. Ela meramente estalou a língua e balançou negativamente a cabeça.
— Se você quer morrer de fome, acho que é problema seu. –ela disse, com uma pequena gargalhada. — Mas acho que é estranhamente injusto que você espere que eu suma com seu corpo quando você desaparecer. Deus sabe quão magro você já está. – Isso foi dito em uma voz estrangulada.
Ele olhou-a curiosamente, reparando que ela desviara-se de seu olhar. Mas então ela dirigiu-se até a parede oposta e sentou no chão, dobrando as pernas. O robe dela ficou aberto, revelando o moletom largo e uma deliciosa expansão de pernas em leggings¹ preta. Os olhos dele pairaram nas pernas, mas vagaram para o cós de sua saia. Deixou os olhos viajarem por ali, parando no moletom. Ele não havia reparado como ela era tão atraente. Ele costumava pensar nela como uma garotinha irritante, às vezes enlouquecidamente irritante, mas ainda assim, uma garotinha. Ele pôde perceber que ela havia crescido. Seu olhar finalmente moveu-se para o rosto dela e os cachos claros presos pela fita. O cabelo dela era sempre limpo e brilhante. Ela parecia tão fresca quanto a primavera, ele pensou, com uma dose extra de repulsa pelo sentimento que havia naquilo. Do lado oposto, ele se sentia sujo com a camisa emprestada, as mesmas calças dos últimos dias e os dentes não escovados. O fato de que ela parecia tão calma diante do desconforto dele, o enfurecia. De repente, os ombros dela enrijeceram. Ela provavelmente sentira seu exame minucioso. Ela parecia corar ligeiramente, mas talvez fosse a lareira que desse essa impressão.
Ela não o olhou. Ao invés disso, pegou a bolsa que estava em seus ombros, tirou um livro e começou a ler. Ler! Enquanto ele estava preso, sujo, faminto e impossibilitado de usar confortavelmente o banheiro, a vadiazinha estava estudando! Era o suficiente para que ele tivesse vontade de estrangulá-la novamente. Ele poderia fazer isso, se ele não estivesse preso ali! Procurou algo para atirar nela, mas só havia o pote da câmera, seu fino cobertor e a bandeja de comida. Ele não estava preparado para atirar seus próprios dejetos em QUALQUER pessoa ainda, especialmente na única que sabia que ele estava ali. E, mesmo que ele não planejasse comer, ele não estava disposto a jogar a comida também. Ele olhou para o cobertor sem muito entusiasmo. AQUILO não iria tão longe, para atrair a atenção dela.
Ele decidiu que deveria gritar com ela, ou qualquer coisa, quando ela o olhou. Ele estava surpreso (e aquilo era costumeiro ultimamente, já que ela sempre parecia fazer aquilo com ele) com a expressão no rosto dela. Era uma de súplica fervorosa. Ele franziu a testa, imaginando o que poderia estar passando pela cabeça dela, para que ela lhe olhasse daquela maneira. Não teve que esperar muito.
— Me diga, Malfoy. –ela disse, quieta, os olhos nunca deixando os dele. — O que faz uma pessoa como você achar que é melhor que qualquer outro? Que dons especiais você possui que poderiam possivelmente contar para a sua arrogância? Tem que haver algo que infle tanto o seu ego para você achar que pode tratar as pessoas da maneira que o faz.
Draco abriu a boca para responder, mas não conseguia encontrar palavras naquele momento. Assim como ela o embasbacava, forjando sua caligrafia, encharcando-o com água, e curando seu tornozelo tão eficientemente, suas perguntas eram uma completa surpresa. Seu sentimento de superioridade estava tão incrustado em si, que ele nunca o questionou e certamente nunca imaginou alguém como Weasley o fazendo. Será que ela não conseguia perceber isso, só de olhar para ele? Não estava evidente para ela? Com outro choque desconfortável, ele percebeu que não estava. Novamente, ele tentou criar uma resposta, mas agora que ele tinha que colocar motivos, ele descobriu que não podia. Ele fechou a boca, percebendo que parecia um idiota, ficando boquiaberto daquele jeito.
Weasley o olhou com expectativas, esperando por uma resposta. Ela pareceu desapontada quando ele não respondeu e baixou os olhos.
— Eu sei que não posso FAZER você responder. – Ela disse, baixinho. — Mas se você conseguisse explicar pra mim, talvez eu conseguisse entender o que faz você ser um monstro tão odioso. E talvez eu consiga entender o que faz você perseguir alguém que obviamente não é páreo para você. E, com o tempo, eu talvez até entenda como alguém duas vezes meu tamanho e força, dignou-se a tentar bater em mim quando eu não fiz nada a ele!
Ela levantou-se e aproximou-se. Não tão perto para o toque, mas mais perto do que quando aproximou-se para o propósito anterior.
— E enquanto você está nessa, Malfoy, - Ela continuou, a voz suave ficando firme. — Me diga porque ter sangue puro faz você ser especial? Há muitos Abortos sangues-puros. E muitos bruxos e bruxas maravilhosos cujos pais eram Trouxas. O que faz você ser melhor que eles?
Ele disse a si mesmo para rir dela, para ignorar a irritante confusão na voz dela. Então ele descruzou os braços e aproximou-se das barras novamente. Envolvendo as mãos nas mesmas, ele lançou a ela um olhar severo. Ela parecia confusa e magoada, mas era apenas uma farsa. Era ela quem o confundia. Ele a odiava, assim como odiava seus irmãos e família, assim como odiava todos os estúpidos adoradores de Trouxas! Trouxas e Sangues-Ruins estavam infestando o mundo da magia, sua influência estava em todo lugar! Mas essa garotinha estúpida o estava fazendo considerar suas próprias ações e sentimentos. Estimulado pela raiva e perplexidade, ele finalmente respondeu.
— Eu não tenho que lhe explicar porque eu sou melhor, pequena Weasel. Eu apenas sei que sou. Se sua família não fosse um lote de sujos, pobres e patéticos adoradores de Trouxas, você saberia disso também.
Mesmo enquanto falava, Draco tinha a vontade de tomar aquelas palavras de volta. Ele não estava falando com Ron, que tinha Potter e Granger para ficar ao seu lado. Ele estava falando com Gina, a menor Weasley, que não tinha nem ao menos sua amiga alta com ela. Seu estômago revirou ao observá-la baixando os olhos. Infernos, ele pensou, ela vai começar a chorar! Mas ela olhou para baixo por apenas alguns minutos. Então ela levantou os olhos e olhou-o com uma expressão triste.
— Sim, nós somos pobres. – Ela respondeu, finalmente. — E talvez somos um pouco patéticos. Se ser patético é gostar das outras pessoas e não tirar vantagem de suas fraquezas, então somos patéticos. E nós gostamos de alguns Trouxas gentis que conhecemos, como os pais de Hermione. Mas nós somos muito felizes também.
Draco começou a fazer um comentário desagradável, mas Weasley o interrompeu.
— Eu não sei porque você odeia tanto os Trouxas ou porque acha que os Sangues-Puros são tão especiais. Porque se você seguir a sua árvore genealógica, você vai achar Trouxas, sabia? Nós todos viemos de algum lugar. Lembre-se de uma coisa, Malfoy. – Ela adicionou, com um pouco de pena. — Você tem pais sangue-puro e que odeiam Trouxas. Você é feliz?
Ela virou de costas antes que ele pudesse responder.
— Você é um Malfoy, exatamente como seu pai e toda sua família e você é rico. Você tem dezenas de robes, você disse isso meses atrás, mas não tem um verdadeiro amigo sequer. Não existe alguém que se importa com o que possa acontecer com você. Eu acho isso terrivelmente triste.
Ela sentou-se novamente, pegou livro e preparou-se para ler.
Draco estava chocado. Ela sentia pena dele? Ela usava vestes velhas, a maioria de seus livros era se segunda mão e seus pais raramente tinham dois sicles para juntar. E ela tinha a coragem de sentir pena dele! Gargalhe, seu cérebro lhe ordenou novamente. Gargalhe e deixe-a ver que as palavras dela não surtem nenhum efeito em você. Mas ele não conseguia. Ela queria dizer o que havia dito. Ela era pobre, mas feliz. Ela tinha orgulho de sua família e não pedia desculpas por eles. E ela tinha amigos.
Mas aquilo era impressionante. Ele não podia simplesmente ficar ali de boca aberta. Ele deu a ela seu maior sorriso de escárnio e falou arrastadamente.
— É claro que eu sou feliz, Weasleyzinha. Eu posso ter tudo o que quero, tanto comprando ou conjurando. Você acha que eu me importo com amigos? Você acha que eu me importo com o que os outros pensam? O quê te dá o direito de me questionar sobre isso?
Weasley estava de pé no segundo seguinte e no limite de seu alcance. Ele não alcançou-a, porém. Ele estava observando seu rosto, fascinado. Os olhos dela estavam brilhando e os lábios sorrindo, com escárnio digno de – bem – de um Malfoy!
— Você quer saber o quê me dá esse direito? Eu vou te mostrar!
Ante ao olhar surpreso de Draco, ela arremessou seu robe longe e tirou o moletom. Ela estava usando uma blusa escolar branca, simples. Ela desabotoou os dois primeiros botões e desfez a gola. Na base de seu pescoço, normalmente escondida por sua roupa, estavam duas marcas arroxeadas e pretas. Elas pareciam marcas de pontas de cigarro, mas Draco imediatamente soube o que elas eram. Eram as marcas de seus dedos de quando ele tentara enforcá-la. Ele sentiu o sangue escapar de seu rosto, e suas mãos seguraram as barras da cela com mais força. Ele não fazia idéia de que havia apertando tanto o pescoço dela, a ponto de deixar marcas.
Ele finalmente esticou uma das mãos por entre as barras e tentou tocá-la. Ele fez uma careta quando ela retesou e retraiu alguns passos.
— Olha, Weasley, eu... –ele começou, mas ela interrompeu-o.
— Esqueça, Malfoy. Não sei porquê eu me importo. Tal pai, tal filho, não é mesmo?
Weasley, irritada, abotoou os botões da blusa novamente e pegou o moletom e o robe do chão, caminhando, enquanto falava.
— Seu pai era um bastardo homicida e mentiroso. Ele era hipócrita e traidor. Você deveria se orgulhar. Você é igual a ele.
Agora havia lágrimas nos olhos dela. Draco estava impossibilitado de fazer ou falar qualquer coisa. Aquela explosão acalorada era a última coisa que ele esperava. Então as palavras o atingiram. 'Tal pai, tal filho'. 'Bastardo homicida'. 'Hipócrita'. Com quem diabos ela pensava que estava falando?
— Do que você está falando, Weasley? – Ele ordenou, sua voz sussurrando por entre os dentes trincados. — O quê você sabe sobre meu pai?
Ela, surpreendentemente colocou uma das mãos sobre a boca, fitando-o com olhos abertos e culpados.
— Você chamou meu pai de bastardo homicida e mentiroso, Weasley. – Ele rosnou. — Você já havia dito algo parecido com isso antes. Você não pode dizer coisas como essas e deixar no ar. O quê diabos você sabe?
Weasley abaixou a mão lentamente e voltou para a parede oposta à cela, vestindo o moletom novamente. Quando terminou, virou-se para ele, parecendo disposta.
— Eu não ia... eu não estava querendo falar nada. – Ela disse, por fim. — Mas como comecei, não vejo porquê não terminar.
O rosto dela estava tão soturno que Draco preparou-se. Ele sabia que havia coisas sobre seu pai que ele, francamente, não gostaria de saber ou acreditar, e ele tinha a certeza de que as coisas que a Weasleyzinha tinha a dizer eram exatamente sobre aquilo. Mas ele estava absolutamente despreparado para o que ela lhe contou. Pura besteira sobre seu pai ter querido casar com a mãe dela! Mesmo por razões políticas, ele não podia acreditar. E que aquele magricela, inútil e fracote Arthur Weasley resgatando Molly Weasley e ser mais esperto que Lucius Malfoy? Não podia ser. Mas algo estava consumindo-o no fundo de sua mente; uma vozinha fraca e irritante dizendo que ele havia ouvido de outros, os supostos amigos de seu pai, dizer algo como aquilo antes. Gargalhando por detrás das mãos para que Lucius não os pudesse ouvir.
Não, ele não podia acreditar. A Weasleyzinha devia estar mentindo. Ela estava querendo confundi-lo. Ele percebeu que aquela era a vingança dela. Ela o havia feito prisioneiro e como ele não havia conseguido calá-la, ela sentava ali e fabricava mentiras que ele não podia provar que eram mentiras. Tinha que ser isso.
Bem, Draco pensou, não se ele pudesse evitar. Ele olhou novamente dentro dos olhos de Weasley e sorriu com escárnio.
— Eu vi sua mãe, Weasley. Você consegue olhar para ela e depois olhar para a minha mãe e honestamente dizer se meu pai olharia duas vezes para aquela vaca gorda?
Aquilo funcionou. Weasley lançou a ele um olhar chocado e magoado, que ela encobriu imediatamente. Então ela vestiu seu robe, pegou a sacola com os livros e saiu da câmara sem mais nenhuma palavra.
Draco finalmente abriu os olhos. Ele queria esquecer o que ela havia dito, mas descobriu ser impossível. Durante longas horas durante a tarde e durante a noite anterior, ele revisou as palavras dela. Draco percebera então que pensar que ela inventaria histórias para desacreditar seus pais era absurdo. Ele sabia que ela não mentia, e se houvesse uma coisa vingativa nela, ele se sentiria ainda mais miserável. Mas a história dela parecia impossível. Se, então, o que ela contara fosse verdade, explicaria o motivo pelo qual seu pai abominava tanto os Weasley. Eles certamente não eram a única família de bruxos puro-sangue que estavam próximos dos sangues ruins. E Arthur Weasley não havia sido o único bruxo que tentara proteger os Trouxas de magias malignas. Mas ele ainda não conseguia imaginar seu pai cortejando alguém como Molly Weasley. Draco tentou imaginar que tipo de mulher ela deveria ter sido alguns anos antes, mas não conseguiu.
Mesmo que ele conseguisse, não conseguia imaginar seu pai com uma mulher baixinha como a mãe de Weasley. Não quando ele a comparava com sua mãe. A não ser que tivesse sido como Weasley havia dito. Ele podia imaginar seu pai fazendo quase tudo para conseguir ganhar apoio para Voldemort, aterrorizador como ele era, mesmo que significasse matar ou casar com uma mulherzinha comum de uma tão comum quanto proeminente família de bruxos.
Draco deixou a cabeça pender em suas mãos. Ele estava cansado de pensar. Estava cansado daquele tédio. E estava tão cansado de estar trancado naquela cela idiota. Se o que Weasley o disse na noite anterior era verdade, ele não a culpava. Ela provavelmente achava que ele seria capaz de assassinato naquele momento. Draco tentou reconciliar seqüestro, ameaça de estupro e brutalidade com o homem que ele conhecia como sendo seu pai. Ele lembrou-se das surras que recebera quando criança, e podia acreditar naquela parte. Mas, tentativa de estupro da mãe de Weasley? E usar uma arma Trouxa? Ele esfregou as têmporas, tentando fazer aquilo ter sentido. Ele desejou poder confrontar seu pai; perguntar se aquilo era verdade.
— Merda! –ele murmurou, finalmente, deitando-se e tentando dormir. Era manhã de natal e ele não esperava a Weasleyzinha correr com presentes e um café da manhã, junto com sua visita. Especialmente depois que ele insultara a mãe dela na noite anterior. E ele ficou, então, surpreso, quando ela entrou na câmara, alguns minutos depois.
Continua...
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