CAPÍTULO 7
Brad cumpriu com a parte dele do trato. E eu também. Na verdade, eu tinha muito mais a perder do que ele. Ele, no máximo, ficaria de castigo. Já eu, além de ficar de castigo ainda teria que olhar para a minha mãe sabendo que a magoara por ter feito o que fiz. E eu não digo só pelo fato de ter feito sexo. Mas também por ter feito ela pensar que eu era alguém totalmente diferente de quem eu sou realmente. Mas eu só fazia isso porque eu não teria como explicar o porque de agir assim. Ela nunca acreditaria nessa história de ver fantasmas.
Outra coisa que me fez cumprir minha parte do trato foi o fato de eu nunca poder apresentar Jesse para minha mãe, nem para ninguém. Que relação sem futuro essa que eu fui me meter, meu Deus! Pára com isso, Suzannah! Eu não tinha porque ficar me lamuriando pelos cantos. E daí que a gente não tinha um longo futuro pela frente? Eu tinha mesmo era que aproveitar enquanto estava bom. E como estava! Só de lembrar da noite passada eu já ficava excitada novamente.
Quando cheguei em casa o sol já estava se pondo. Andy estava na cozinha preparando alguma coisa com cheiro forte. Era bom, mas ardia.
- O jantar fica pronto em uma hora.
Jake subiu pra tomar um banho. Brad tinha ficado na praia de agarração com uma garota do colégio.
- Onde está minha mãe? – perguntei me aproximando tentando não respirar muito fundo. Meus olhos estavam começando a lacrimejar.
- Foi com Dave ao mercado comprar uns ingredientes que estavam faltando. – ele viu o meu olhar indo em direção à panela cheia de coisas coloridas dentro. – Enchiladas. Gosta?
- Nunca comi.
- É muito bom. Tenho certeza que você vai gostar.
Eu não tinha tanta certeza assim, mas não falei nada. Subi as escadas para tomar um banho. Meu quarto já estava quase todo às escuras, mas ainda consegui ver o contorno de um corpo forte sentado no banco ao lado da janela, graças aos últimos raios de sol. Acendi a luz para vê-lo melhor.
Lá estava ele sentado em toda sua formosura... epa, isso é meio gay. Corrigindo: lá estava ele sentado em toda sua masculidade e gostosura – agora sim –, com um sorriso perfeito que me deixou bamba. Fechei a porta rapidamente.
- Hola, hermosa. Se divertiu?
- Sim.
Ele bateu com a mão ao seu lado me convidando para sentar ali. O quarto era meu e ele que me convidava? Mas nem me importei. Sentei do seu lado e ele me abraçou pela cintura. Então eu tive uma idéia.
- Jesse.
- Sim?
- Eu já notei que você é muito bom nessa coisa de assombrar e tudo mais – ele riu. – E eu queria te pedir um favor.
- Um favor? – ele recuou um pouco para me encarar arqueando uma sombracelha que tinha uma cicatriz pequena.
- É. – ele continuou me olhando do mesmo jeito e eu prossegui. – Sabe, é que tem uma pessoa que tá merecendo levar um susto dos grandes pra ver se aprende a me respeitar!
- Quem faltou com respeito com você, Suzannah? – ele levantou me encarando sério.
- Calma, Jesse – falei, puxando-o de volta. – Não é desse tipo de respeito que eu tô falando. É só que tem uma pessoa que está me chantageando e eu não gosto disso.
- E eu posso saber quem é essa pessoa?
- Brad.
- Seu irmão?
- Meio-irmão. – corrigi.
- Por que seu irm... meio-irmão está te chantageando?
Não pude evitar de corar. Baixei o rosto para esconder esse fato dele.
- Suzannah – ele tocou meu queixo, erguendo meu rosto delicadamente. – O que houve?
- Você vai fazer?
- Depende. Me diga o que aconteceu e eu vejo o que posso fazer.
Respirei fundo, tentando acalmar meus batimentos que dispararam ao seu toque.
- É que ele... bem, ele ouviu tudo.
- Tudo o quê?
- Tudo, tudo. – ele franziu o cenho, confuso. – Tudo que aconteceu aqui ontem à noite.
- Ah.
Ah? Só isso?
- E então? Vai me ajudar?
- Com o que foi que ele te chantageou?
- Ele disse que não contava nada se eu não dissesse que peguei ele vandalizando o carro de um professor.
- Parece justo.
- Justo? Como assim, Jesse? – agora foi a minha vez de levantar. – Você deveria ficar do meu lado.
- Não tem lado nessa história, hermosa. Vocês já resolveram a questão sozinhos. Você não fala, ele não fala.
Virei o rosto fazendo birra. Ele tinha que ter falado igual ao Brad? Saco!
- Hermosa... – sua mão segurou meu pulso me puxando de volta para seu lado – Estava com saudades.
Ele sabia bem como me desarmar. Meu coração disparou de novo e eu pensei que ele fosse sair pela boca quando seus lábios encontraram meu pescoço.
- Você está salgada – ele falou, sua respiração contra a minha pele fazendo cócegas.
- Ah, é da água do mar. Vou tomar um banho. – fiz menção de levantar, mas ele me deteve.
- Gosto assim. – então voltou a beijar minha pele, a língua ajudando na carícia.
- Ah...
O mundo pareceu girar quando senti suas mãos tocando meus seios gentilmente. Seus lábios buscaram os meus e eu retribuí. Ele passou os braços em torno do meu corpo, me puxando para seu colo, aumentando o contato dos nossos corpos. Fiquei ali, com um joelho de cada lado do seu corpo, minhas mãos agarrando seus cabelos, beijando e sendo beijada com urgência até que alguém bateu na porta.
- Suzannah – era minha mãe. Jesse desapareceu na mesma hora e tive que me segurar para não cair, quando minha mãe entrou. – O que aconteceu? – perguntou quando me viu numa posição um tanto quanto estranha.
Continuava com os joelhos no banco, minhas mãos segurando as laterais da janela impedindo que eu caísse.
- Escorreguei.
Ela se aproximou e depositou duas sacolas na minha cama, sentando na beirada.
- Você ainda nem tomou banho, filha.
- Tô indo, mãe. – saí do banco desajeitada, mas minha mãe me segurou pelo pulso quando eu passei por ela.
- Você está vermelha – ai meu Deus! Além de vermelha eu ainda estava arfando.
- Foi o sol. – desconversei.
- Ah! – minha mãe realmente acreditava em tudo que eu falava. – Comprei umas coisinhas para você.
As coisinhas eram blusas de babadinhos e florzinhas. Minha mãe não cansava de me vestir como uma princesinha. Mas até que tinha uma certa serventia. Ficava mais fácil bancar a inocente com aquelas roupas.
- Obrigada, mãe. Eu adorei.
Quando ela saiu eu corri para o banheiro e tomei um banho rápido, lavando os cabelos apressada. Andy era bem rigoroso nessa coisa de pontualiadade na hora do jantar. Nem ia dar tempo de secar os cabelos. Vesti uma blusa azul escuro com botões frontais e um short branco e desci.
Surpreendentemente eu adorei as enchiladas embora não tenha conseguido comer muito já que os dois brutamontes que atendiam pelo nome de Jake e Brad devoraram quase tudo em questão de segundos.
Hoje era meu dia de lavar os pratos e como ali não tinha lava-louças, o processo demorou mais de meia hora. Brad entrou na cozinha quando eu estava sozinha e se encostou ao meu lado no balcão cruzando os braços no peito.
- O que você quer? – perguntei de uma vez. Ainda estava com raiva dele.
- Baixa a crista, Suze. Você não quer que sua mãe escute você falando assim, quer?
Preferi não responder nada.
- Então... seu namorado vem aqui hoje? Quer dizer... ele é seu namorado, né?
Ele gostava de me deixar irritada. Coloquei o prato no escorredor antes que ele espatifasse na minha mão, tamanha a força com que eu o segurava.
- Fica na sua, Brad!
- Olha, eu não me importo com esses relacionamentos modernos de hoje em dia. É só que... – essa foi demais.
- Quem é você pra falar esse tipo de coisa? – falei baixo por entre os dentes para que só ele ouvisse – Com quantas garotas você já ficou? Me poupe do seu discurso, Sr. Poço de Pureza!
- Então ele não é seu namorado. – não foi uma pergunta.
Pra falar a verdade eu não sabia o que nós tinhamos. Quer dizer, nós nos conhecemos a pouco mais de uma semana, embora parecesse bem mais. Mas em momento algum ficou definido que tipo de relação era essa. Mas eu sabia que não era namoro.
- Minha vida não é da sua conta!
- Talvez não, mas o barulho que vocês fazem é. – fiquei roxa de vergonha na mesma hora. – Olha que bonitinho, ela tá vermelha.
- Sai daqui antes que eu te bata de novo!
- Ui, que medo! – ele ironizou fingindo um tremor. – Sua mãe iria adorar saber que você é do tipo que parte pra porrada por qualquer coisa.
- Eu poderia muito bem dizer que você escorregou – ergui uma sombrancelha, maliciosa – Em quem você acha que ela acreditaria?
Ele ficou sério, sabendo que eu estava certa. Ponto para mim!
- Eu só quero dormir direito essa noite. Então, por favor, controle seus impulsos selvagens, Suzinha! – e saiu correndo quando eu fiz menção de atirar uma panela naquela cabeça de porco.
Subi as escadas pisando firme. Por que eu tinha que ter um meio-irmão tão imbecil? Por que ele não podia ser igual ao David? Ele era tão bonzinho comigo, tão na dele.
Cheguei no quarto a ponto de bala para matar um. Talvez tenha sido sorte Jesse não estar ali ou ele poderia ter levado uma bronca sem merecer. Ou talvez merecesse por não ter concordado em assombrar o Brad.
Aproveitei que estava com aquele tempo livre e resolvi colocar os deveres da escola em dia. Mas como essa foi a primeira semana de aula depois das férias de verão, os professores não tinham passado muita coisa num gesto de boas vindas e eu terminei tudo em menos de uma hora. Guardei os livros e deitei na cama fitando o teto. Ouvi o espelho tremer e em seguida Jesse apareceu ao lado da penteadeira. Que fofo. Ele me avisou que estava chegando. Levantei da cama correndo para os braços dele, a raiva já tendo evaporado completamente. No meio do caminho e estanquei e ele me olhou confuso. Corri para a porta e girei a chave, trancando.
- Agora sim. – não ia arriscar ser interrompida pela minha mãe novamente.
Ele riu exibindo seus dentes perfeitos e abriu os braços para me receber.
- Desculpa ter saido daquela forma, hermosa.
- Cala a boca e me beija.
- A senhorita está muito mandona hoje, não acha?
- Jesse... – implorei.
E ele me beijou.
Eu suspirei e correspondi, relaxando imediatamente. Minha confiança nele era implícita, evidente.
- Sabe de uma coisa? – perguntei separando nossos lábios por um instante.
- O que, hermosa?
- Acho que estou começando a gostar de ter você aqui dentro do meu quarto.
- Pode ir se acostumando porque eu não pretendo sair mais.
Então me virou num movimento ágil e repentino, me erguendo e me levando até a cama, fazendo com que eu deitasse de costas.
- Você é tão pequenina, e tão perfeita! Suave e cheia de curvas, suculenta e saborosa. – e me beijou, primeiro no pescoço, depois foi descendo, seus lábios no meu ventre, nas coxas expostas pelo short curto...
Eu arqueei meu corpo num espasmo de prazer e protestei quando ele subiu novamente me tomando em seus braços e beijando meus lábios com ardor.
Os dedos ágeis buscaram os botões da minha blusa para então deslizar a boca pela minha pele nua e beijar os mamilos mesmo através da renda do sutiã. Eu o ajudei a retirar a peça, necessitando sentir um toque mais profundo.
Minhas mãos tremiam enquanto tentava retirar sua camisa para admirar seu corpo. Afoito, ele mesmo terminou de tirá-la. Num gesto sensual que me levou a loucura, ele abriu o botão do short deslizando-o devagar pelas minhas pernas e se inclinou novamente sobre mim, gemendo quando meu seio roçou no seu peito.
Dessa vez eu estava me policiando para não fazer muito barulho.
Quando as mãos fortes deslizaram por meu corpo, eu me contrai ao senti-lo tomar minhas nádegas e apertá-las. Os dedos seguiram ávidos até encontrar minha calcinha. Ali, ele começou a me acariciar com movimentos circulares me deixando ainda mais excitada e úmida. A urgência por continuar sendo tocada com mais intensidade me fez abrir um pouco mais as pernas, permitindo que ele erguesse o elástico da calcinha e escorregasse o dedo para dentro de mim que já estava pronta para recebê-lo.
Para meu desespero ele se afastou erguendo-se, saindo da cama. Mas foi apenas para se livrar da calça. Tornou a se inclinar sobre meu corpo e me beijou ternamente. Ousada eu deslizei minha mão pela sua barriga até chegar ao seu membro para senti-lo rijo e pulsante.
Jesse gemeu alto e certamente toda casa teria escutado se eles pudessem ouvir fantasmas. Ele arfava como se faltasse ar nos seus pulmões.
- Um toque, Suzannah, e você me vira do avesso. – falou com a voz entrecortada pelo prazer.
Com leveza, ele se apoiou para me penetrar.
- Não pare... – insisti, circundando as pernas ao redor do torso musculoso, em um convite irrecusável.
Ele me beijou novamente para abafar outro gemido que escapou pela minha garganta quando ele me preencheu por completo.
Não demorou muito para que um maremoto de emoções tomasse conta do meu corpo suado, enquanto o dele permanecia frio aumentando a sensibilidade na minha pele. As novas sensações iam ganhando força em meu corpo. Esse prazer... era parecido com o que já havia sentido, mas diferente. Mais urgente. Na noite passada ele fora cuidadoso com medo de me machucar e isso já não era necessário hoje. A euforia dentro de mim era como um felino preparando o bote. Eu tinha vontade de gritar pedindo mais e mais.
Me sentia selvagem sob aquelas mãos. Meu corpo todo se contorcia. Jesse controlava o ritmo que acelerava a cada instante, seu rosto tomado por uma expressão de puro prazer.
- Suzannah – seus olhos estavam negros de excitação e eu fiquei presa naquele olhar. – Suzannah... – ele continuava a murmurar aumentando o ritmo ainda mais.
Arqueei minhas costas sentindo um espasmo, o orgasmo chegando. Meu grito foi abafado novamente pelos seus beijos que só fez aumentar o prazer. Atingimos o ápice juntos, minhas unhas cravadas em suas costas, suas mãos nos meus quadris aumentando a pressão.
Quando finalmente os corpos relaxaram, ele me puxou para cima do seu corpo, me aninhando em seus braços.
Senti Jesse tentando se desvencilhar quando estava quase dormindo.
- O que foi – perguntei sonolenta.
- Espera aqui. Eu já volto.
- Aonde você vai? – eu me recusava a deixá-lo sair agora.
- Eu não demoro. – ele saiu da cama com a leveza de um felino e vestiu a calça. Deixou a blusa e sumiu.
Sentei na cama irritada. Como ele ousava me deixar sozinha agora? Levantei e vesti um roupão de algodão. Já estava pensando em jogar a camisa de Jesse pela janela quando ouvi um grito vindo do quarto ao lado. Brad.
Corri para fora a tempo de ver Brad saindo do quarto tropeçando nos próprios pés, só com a parte de baixo do pijama e os cabelos desgrenhados.
- T... tem... tem...
- O que? – perguntei alarmada ouvindo os passos de Andy subindo as escadas.
- Tem alguma coisa no meu quarto.
Não! Ele não fez isso! Segurei um riso.
- Brad, você não está muito velho para ter medo do escuro não? – ironizei.
- Vá se ferrar!
- Brad! – Andy repreendeu. – Isso é jeito de falar com ela? E que gritaria é essa?
- Ele disse que tem alguma coisa no quarto. Deve ser o bicho papão. – eu não ia perder essa oportunidade jamais!
Entrei no quarto para ver o que Jesse tinha feito, mas não vi nada de anormal. Brad entrou também, receoso.
- Então? – perguntei encarando-o com uma sobrancelha erguida.
- O... o lençol – apontou para um lençol que estava no chão. – Tava flutuando.
Não consegui me conter e ri, ou melhor, gargalhei até me dobrar. Andy também ria apoiado na porta.
- Meu filho, depois de velho vai ter medo de fantasmas?
- Mas eu vi!
- Certo, Brad. – falei tentado parar de rir – A gente acredita.
- Ah, que saco! Saiam daqui vocês dois.
Eu saí apressada passando por Andy que continuou parado ali.
- Durma bem, Brad. E, ah, você está de castigo.
Parei a caminho do quarto. Seria bom demais para ser verdade.
- Quê? – Brad gritou dentro do quarto. – Por quê?
- Por ter gritado com a Suzannah.
Ai meu Deus. Eu não sou tão boa assim para merecer isso tudo.
- Mas ela...
- Nada de "mas". Você vai lavar os pratos durante sete dias. E sem reclamar. – e saiu fechando a porta atrás de si. – Boa noite, Suze. – Passou por mim e desceu as escadas.
Entrei no quarto e dei de cara com Jesse que me esperava com um sorriso satisfeito. Tranquei a porta e corri para os seus braços. Beijei cada parte daquele rosto perfeito e ele me abraçou.
- Se soubesse que seria retribuído assim já teria feito isso há muito mais tempo.
- Bobo. – ri e me afastei só o suficiente para ver seu rosto – Obrigada.
Fomos até a cama e ele retirou meu roupão me deixando exposta. Mas ele apenas me aconchegou no seu peito novamente.
- Jesse.
- Hum?
- Só por curiosidade...
- Sim?
- O que te fez mudar de idéia sobre assombrar o Brad?
- Eu vi ouvi a conversa de vocês na cozinha e não gostei da forma como ele te tratou.
- Tava me espiando?
- Sim.
Tão sincero. Me aninhei mais no seu peito.
- Obrigada.
- Disponha, hermosa.
Depois de mais alguns minutos com ele acariciando meus cabelos e adormeci com um sorriso no rosto. E sonhei. Com Jesse.
