Capítulo 07 – Recepção
A biblioteca estava escura. Já era tarde e Rodolphus simplesmente não conseguia dormir. Talvez precisasse daquela escuridão, da luz fria da lua entrando fraca pelos caixilhos, ou da luz avermelhada das brasas na lareira fazendo o calor subir calmo, vindo do chão. Precisava do silêncio total e da paz daquele lugar vazio.
Mas não estava vazio.
Sozinho, sentado encolhido em uma das poltronas próximas à lareira quase apagada, Rodolphus poderia jurar que o menino dormia recostado meio torto ao encosto, mas sua cabeça se moveu quando percebeu sua presença e o homem acompanhou os olhos verdes piscarem, escuros, para ele por um momento antes de se voltarem para as brasas.
- Se incomoda? – perguntou, apontando a poltrona ao lado.
Harry não o olhou, somente balançou a cabeça de leve em negativa, ao que Rodolphus se acomodou, apoiando um dos braços no braço da poltrona, a mão sustentando o queixo de forma automática enquanto ele se permitia voltar a observar o menino.
Estava preocupado, e agora que o olhava de perto, via que tinha motivos para estar, não importa o quanto Rabastan dissesse que Harry estava bem, que alguém que já passou pelo que ele passou não iria sucumbir ao frio da casa. Rodolphus sabia que não era a casa que se tornava fria, era a própria alma do garoto.
Ele não conseguia entender o que levara Harry a se casar com um desconhecido, mas isso o induzia a acreditar que, qualquer que fosse a razão que fazia Harry comer menos a cada dia e perambular pelos corredores da mansão sem objetivo nas últimas semanas, ela havia chegado ali com ele no dia que Rabastan apareceu com o garoto inconsciente vindo do hotel da vila.
Mas esse não era motivo para fingir que não via o que estava acontecendo. O silêncio de Harry passara a incomodá-lo desde que o próprio garoto começara a demonstrar interesse em saber sobre eles, sobre as razões e a história deles. E mais do que interesse, Harry demonstrou compreensão. Algo que Rodolphus se habituara a simplesmente não esperar, e que o surpreendeu, especialmente vinda de alguém tão jovem.
E se Harry Potter podia compreender um homem como ele, ele gostaria de compreender o garoto. Sua tristeza, sua passividade, sua história e seus motivos para estar ali. Sabia que o interesse que Rabastan despertara em Harry não era correspondido na mesma intensidade, e supunha, por saber das ações de seu próprio irmão, que esse fosse um dos motivos que levavam o menino a se encolher daquela forma ali, fitando o nada. Mas queria acreditar que não era o único, e que não dependia somente da vontade de Rabastan devolver o brilho àquele verde.
- Você tem estado quieto demais. – comentou, tentando chamar a atenção do outro.
Harry sorriu de forma quase doce e o olhou por um instante, mas não mais que isso.
- Não é como se vocês falassem muito.
- Mas mesmo Cristine tem perguntado se aconteceu algo com você. Ela disse que comprou algumas coisas para o bebê, mas ademais tem estado arredio.
Ele não respondeu por algum tempo.
- Onde está Rabastan? – perguntou, baixo.
- Dormindo, suponho. – Rodolphus respondeu, atento ao outro.
- E por que você não está com ele? – o garoto se sentou mais na ponta da poltrona, pegando um espeto para mexer nas brasas, como quem procura algo para fazer.
- Eu não consegui dormir.
- Eu também não tenho dormido muito bem. – Harry suspirou.
- Você precisa de alguma coisa? – o homem o olhou avaliativo quando o garoto somente balançou a cabeça em negação, ainda focado em revirar as brasas.
Harry soltou o instrumento de lado, se sentando reto na poltrona, de frente a Rodolphus, o olhando firmemente pela primeira vez na noite.
- Você acha que eu preciso de alguma coisa? – perguntou, claramente buscando ler cada gesto do homem.
- Você tem sua vida, sua juventude, tem dinheiro o suficiente para não ter problemas. Tem a paz que tanto lutou para ter. – fez uma pausa, observando os olhos verdes se fecharem em quase decepção – Mas já faz quase um mês que está aqui e não chegou nem uma coruja.
- Eu não preciso que ninguém se preocupe comigo. – a voz do garoto era leve, como quem constata algo, cansado.
- Pelo contrário. É exatamente disso que você precisa.
Os olhos se abriram e Rodolphus quase pôde sentir o verde sobre ele.
- Talvez eu esteja esperando isso das pessoas erradas, então.
- Talvez você não espere, realmente, por duvidar que venha um dia, e esse pode ser o motivo para você estar trancado nessa casa há tanto tempo, cada vez mais fechado em você mesmo.
- Você não sabe nada sobre mim! – Harry respondeu com alguma agressividade.
- Talvez. – Rodolphus se inclinou, apoiando os braços nos próprios joelhos em uma tentativa de se aproximar de alguma forma do outro - Mas você já sabe que eu não sei viver sozinho.
Harry o olhou atento por alguns segundos, antes de voltar a encolher as pernas sobre o acento, em um gesto quase de proteção.
- Eu não vou tirar ele de você, não se preocupe.
- É disso que você tem medo? – Rodolphus o olhou, descrente – Eu sequer cogito isso. Rabastan não é meu, Harry, para que outra pessoa possa vir e roubá-lo. Somos parte um do outro.
Para sua surpresa, o rosto do menino se contorceu como se falasse algo extremamente doloroso, e ele se encolheu mais na poltrona, voltando a fitar a brasa.
- Isso existe? Quero dizer... essa... integridade. – Harry engoliu em seco, não concluindo o pensamento, os olhos perdidos mais uma vez.
O toque em seu braço o arrancou de seus pensamentos, fazendo-o olhar para o homem que o fitava em quase angústia.
- Você nunca teve nada parecido?
- Eu já convivi com casais antes, eu sei como é. É meio... meio... – a voz de Harry falhou e seus olhos caíram sobre a mão que ainda segurava seu pulso, fazendo-o relaxar a postura e se aproximar do outro de forma quase automática.
- É o que você gostaria de ter. – os dedos agora contornavam seu rosto de forma suave, e Harry quase se surpreendeu por eles não serem frios.
Ele abaixou os olhos, se sentindo quase nu frente à observação dos olhos do homem, mas havia conforto em seu toque e ele não conseguiu deixar de pensar que era daquele tipo de toque de que ele precisava. Algo real, descompromissado, espontâneo. Ergueu os olhos e sorriu, calmo.
E então eles estavam próximos demais, e não havia nada que impedisse os dedos de Rodolphus correrem para sua nuca e o puxarem o suficiente para unir seus lábios. E Harry fechou os olhos e aceitou o toque, sentindo uma lágrima correr pelo seu rosto quando os movimentos dos dois não levaram a nada além do beijo suave, as respirações quentes, conjuntas, o encontro das línguas, o sabor doce e macio.
Harry rompeu o beijo devagar, só então percebendo que sua mão também pousava contra a face do homem. Sorriu, mesmo sentindo a seriedade no rosto do outro, quando ele retomou o beijo em um impulso, puxando o garoto pelos joelhos para a ponta da poltrona, de forma a ficarem mais próximos, aprofundando o contato.
Rodolphus rompeu o beijo na segunda vez, seus dedos correndo de leve o rastro que a lágrima havia deixado no rosto de Harry. Mas então algo chamou sua atenção, fazendo-o olhar em direção a porta, e os olhos verdes acompanharam os seus para que ambos vissem o homem alto parado junto ao batente, observando a cena. Os olhos quase negros brilhando na escuridão, os braços cruzados contra o peito e a expressão ilegível.
- Rabastan... – a voz de Harry falhou quando ele começou a se levantar, mas Rodolphus o segurou pelo pulso mais uma vez, seus olhos ainda fixos no irmão.
Rabastan somente se afastou da porta, sumindo na escuridão do corredor.
Rodolphus fez Harry se sentar a sua frente novamente.
- Está tudo bem, Harry. – garantiu, percebendo a preocupação no rosto do garoto ainda.
- Mas...
- Depois nós conversamos. Tenho certeza que não haverá problemas nem para mim nem para você com relação a ele.
Os olhos verdes esquadrinharam atentos o rosto do homem, absorvendo as implicações daquela frase. Não haveria problemas. Não haveria problemas se Harry continuasse casado com Rabastan e se relacionasse com Rodolphus. Não haveria problemas se Rodolphus e Rabastan continuassem juntos, ambos estando com Harry.
Seriam um todo.
Harry balançou a cabeça em negação por um momento, mas as mãos do homem impediram o movimento, erguendo seu rosto para ele, se inclinando para sussurrar em seu ouvido.
- Você é livre para fazer o que quiser, Harry.
Livre.
Harry fechou os olhos, sentindo um beijo leve pousar em sua face, e se pegou saboreando aquela frase. Há quanto tempo não se sentia realmente livre? Podendo fazer... qualquer coisa. Sem obrigações, sem compromissos, sem leis, sem guerras. Daria muito para poder saborear aquilo: a sensação de ser, acima de tudo, livre.
E então ele abriu os olhos e sorriu, assustado com seus próprios desejos.
- Rodolphus, acho que você pode fazer uma coisa por mim. – disse sorrindo para o homem.
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Rodolphus entrou no quarto com cuidado, procurando por qualquer indício do irmão em meio à escuridão.
- Eu estou aqui. – a voz veio do canto, da poltrona virada de costas para a porta, e ao ouvi-la, Rodolphus conseguiu discernir a ponta do cigarro brilhando entre os dedos apoiados para fora do móvel.
- Pensei que estivesse dormindo. – disse, fechando a porta e indo até o irmão.
Silêncio.
O som do cigarro tragado, o som da fumaça subindo, o som dos dedos correndo em meio aos cabelos castanhos.
- Como ele está? – a voz fria. Uma pergunta técnica.
Rodolphus deu a volta na poltrona em que o irmão estava sentado, se sentando a sua frente.
- Você nunca se incomodou com quem eu me relaciono.
Os olhos de Rabastan brilhavam fracos como a ponta do cigarro que ele fumava em sua falsa calma.
- Ele é diferente. – constatou.
- Por quê? – a voz de Rodolphus tinha a mesma frieza da do irmão – Porque ele é seu marido?
- Isso não vai mudar. – Rabastan constatou, amassando o cigarro no cinzeiro ao lado, soltando o último fio de fumaça entre os lábios – Mas ele precisa de você. – ele olhou para o outro, sério – Tanto quanto eu.
- Não sou eu quem ele deseja.
- Mas é a você que ele procura.
Rodolphus se levantou, ficando de pé em frente ao irmão. Seus dedos voltando a correr por entre as mechas castanhas em um carinho conhecido, fazendo Rabastan fechar os olhos em consentimento.
- Talvez porque eu tenha o que ele tanto quer. Talvez porque eu saiba atendê-lo e entendê-lo, como eu entendo você.
O homem se levantou em um gesto rápido, seu corpo rente ao do irmão, encarando seus olhos na mesma altura de forma quase desesperada.
- Aceite-o, Rabastan. – Rodolphus sussurrou contra os lábios do irmão – Ele está quebrado. Precisa de você tanto quanto de mim.
Os dedos frios puxaram sua nuca de forma repentina, unindo os lábios dos dois, e Rodolphus não deu resistência alguma para a concretização do beijo, familiarizado demais com aquele gosto, com o próprio gesto, com o corpo de Rabastan se encaixando contra o seu, como se voltando ao seu lugar de origem.
Suas mãos correram seu corpo vestido, puxando-o contra o próprio peito, os pés se movendo automaticamente, vagando pelo quarto até o beijo ser quebrado quando Rabastan caiu sobre a cama, puxando o irmão sobre seu corpo.
Os olhos de Rabastan brilhavam de uma forma estranha, havia emoção demais neles, algo que deixou de ser prudente em Azkaban e a que Rodolphus se habituara a não ter tocando diretamente em sua alma.
Era um brilho quase infantil. O mesmo brilho do medo do escuro ou das confidências de alguma traquinagem. Era o brilho da intimidade que só dois irmãos possuem e que nunca se perde, nem mesmo quando tantos outros sentimentos se interpõem a ele.
Mesmo quando tantos outros sentimentos surgem entre eles.
E foi naquele brilho que Rodolphus aprendera a identificar quando Rabastan precisava dele. E era naquele brilho que ele conseguia ver agora o quanto ele ainda era necessário e o quanto o irmão o queria.
- Eu sou seu. – sussurrou contra os lábios do outro, sendo puxando para um beijo agressivo.
Os dedos frios corriam seus cabelos, fazendo-o se arrepiar enquanto se movia devagar em cima do irmão, sentindo seu corpo, procurando saber o que ele queria em seus gestos, em seus pequenos sinais. E quando Rabastan abriu suas vestes em toques rápidos, desnudando seu peito, Rodolphus já não tinha mais dúvidas.
Nunca houve palavras entre eles nesse momento, desde a primeira vez, e eles acreditavam que seria sempre assim. Elas não eram necessárias. Palavras não tinham sentido o suficiente para explicar o que sentiam. Era somente eles ali.
Os olhos fechados, permitindo o toque frio que afastava as roupas o suficiente para que se tocassem. Os corpos conhecidos, que cresceram juntos, na mesma casa, no mesmo quarto, na mesma vida. O carinho que existia desde sempre e que nunca se perderia. A busca. A certeza. A serenidade.
O calor e o equilíbrio que somente um conseguia dar ao outro.
Os olhos de Rabastan nos seus enquanto seu corpo se movia sobre o dele, em uma dança secreta que os fazia esquecer qualquer coisa além dos dois. A união que permitia serem o que já sentiam: um. Seu rosto sereno como podia ver poucas vezes, mesmo marcado pela dor no início ou imerso em prazer. O prazer que era de ambos, os invadindo e crescendo, marcado pelo ritmo dos corpos. As bocas unidas, as respirações conjuntas, a força nas mãos que buscam o outro, e os corpos trêmulos em um mesmo impulso, até que, entre sons confusos, eles se encontram em um mesmo sentir.
E se tornavam nada mais que sombras nuas perdidas entre toques em meio aos lençóis. A luz fraca da lua beijando os corpos entrelaçados e os rostos sérios. Os dedos que corriam suaves pela face do outro, em contornos conhecidos, os olhos presos ao do outro pela própria consciência do que sentiam, do que sabiam e do que eram.
E a paz que os permite dormir abraçados.
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- Ele vai cair. – Rabastan constatou, baixo, para o irmão parado ao seu lado, sem tirar os olhos do menino no ar.
- Vai. – Rodolphus respondeu, tendo a mesma certeza, mas sem saber se deveria realmente interferir.
Ele saíra cedo naquela manhã, deixando Rabastan ainda adormecido na cama dos dois, para atender ao pedido de Harry: ir até Londres comprar uma vassoura de corrida. O garoto oferecera dinheiro, dizendo que somente não queria fazer a viagem, e por isso pedira a Rodolphus, mas o homem achou que poderia lhe dar esse presente.
Agora não tinha mais certeza se fora uma boa idéia.
Os olhos verdes brilharam de uma forma quase obscena quando o garoto pegou o último modelo da Firebolt 3.0 em suas mãos, tocando o cabo com reverência e girando-a entre os dedos antes de sair correndo para os fundos da casa, onde havia uma grande área quase sem árvores entre a mansão e a floresta que cercava a propriedade.
Harry não voava. Ele conversava com o vento a cada gesto.
Os primeiros movimentos pareciam experimentais. O garoto voou baixo, circundando o espaço, como se reconhecendo seu lugar no ar. Mas logo já arriscava ações mais elaboradas, fazendo curvas mais fechadas, fintas e desvios contra adversários imaginários, além de loops cada vez mais fechados. Consecutivos.
Mas foi no primeiro mergulho que Rabastan se permitiu impressionar. E parecia que Harry realmente apreciava voar a altíssima velocidade com a cabeça apontada para o chão, para endireitar a vassoura somente segundos antes de se estatelar contra o gramado, empinando a vassoura na direção contrária, apostando corrida contra os picos dos pinheiros ao longo da floresta e indo cada vez mais alto, para em seguida mergulhar de novo.
Em um desses mergulhos, Harry simplesmente aterrissou, desmontando da vassoura para em seguida se deixar cair de costas no gramado, com os braços abertos. Mesmo de longe, os irmãos podiam ver que ele sorria, apesar da respiração alterada pelo esforço, das vestes sujas e dos cabelos mais bagunçados do que nunca, apesar da vassoura ainda planar ao seu lado como um convite a continuarem naquela atividade em que pareciam ser tão íntimos.
- Acho – começou Rabastan, chamando a atenção do irmão – que essa casa precisa se acostumar a ter um moleque novamente.
E Rodolphus sorriu ao ver que o outro também sorria, antes de entrar na mansão, deixando Harry em paz.
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Dois toques na porta grossa. Nada.
- Harry? – Rodolphus chamou, batendo mais uma vez antes de testar para ver se a porta do quarto estava destrancada.
Empurrou devagar a folha de madeira, olhando o ambiente fracamente iluminado pela luz dos archotes. Estava preocupado. Depois de deixarem Harry no jardim, ele e Rabastan se refugiaram na biblioteca, aproveitando o conforto da presença um do outro depois do momento de tensão na noite anterior. Acabaram indo jantar muito tarde, e ele ficou surpreso quando o elfo informou que Cristine já havia se recolhido, mas Harry não havia aparecido para comer nem pedido nada.
Agora, quando seus olhos focaram a cama do garoto, não lhe pareceu difícil supor o porquê: Harry estava deitado de bruços, ainda sobre as cobertas, as vestes fechadas somente até a altura da cintura e os cabelos negros molhados espalhados sobre o travesseiro. Provavelmente deitara depois do banho para descansar um pouco antes do jantar e acabara adormecendo.
Rodolphus se sentou na beira da cama, olhando o outro dormir. Com cuidado, tirou seus óculos, colocando-os sobre a mesa ao lado, puxou as cobertas até que cobrissem seus ombros nus, e sorriu ao ver o garoto se aconchegar automaticamente, virando de lado em direção ao calor. O homem hesitou por um momento, observando como os traços do garoto pareciam infantis enquanto ele dormia, algo que, apesar de óbvio, não era tão evidente quando conversavam. Harry era uma criança ainda, ele sabia, mas suas palavras, suas atitudes e, principalmente, suas feições já não mostravam mais isso. E isso o fazia pensar pelo que aquela criança passou para ficar assim.
Hesitando por somente um momento, Rodolphus deixou que seus dedos tocassem os cabelos úmidos, se entrelaçando nos fios escuros em um carinho ameno. Ele sabia o que tinha feito aquele menino ficar assim. Ele ajudara a construir isso e não havia como mudar os fatos agora. Ele, Rabastan, Harry Potter, eram homens marcados por uma história.
Como que em resposta aos seus pensamentos, Harry se encolheu em um gemido baixo de dor, o que fez Rodolphus afastar o toque de forma automática.
- Não... – Harry resmungou, sua respiração se alterando, os dedos se fechando com força contra o travesseiro.
Lágrimas corriam dos olhos fechados, molhando o rosto do garoto enquanto ele chamava por nomes que Rodolphus não conhecia, entre lamúrias e gemidos de dor. O homem se debruçou sobre o corpo menor, o puxando contra o próprio peito e sussurrando em seu ouvido.
- Harry! Harry, acorda! Acorda! – ao sentir o garoto se movendo, assustado, em seus braços, afrouxou o aperto, olhando os olhos verdes brilhantes de lágrimas – Tudo bem, foi só um pesadelo.
Harry fechou os olhos com força, como quem ainda tenta diferenciar o sonho da realidade. Respirou fundo, balançando a cabeça em negação por um momento, depois passou as mãos no rosto, afastando de vez as lágrimas e se virando para encarar melhor o homem.
- O que faz aqui? – perguntou, confuso.
- Você não desceu para comer, achei melhor vir ver se estava bem.
O garoto concordou com a cabeça, lhe dando um pequeno sorriso.
- Fiquei cansado, acho que dormi e não percebi.
Rodolphus assentiu, ainda o observando.
- Precisa de alguma coisa?
- Não... Tudo bem. – Harry voltou a se acomodar, puxando as cobertas mais para cima, mas continuou a olhar o homem ainda sentado na beirada da sua cama – Obrigado. – disse, baixinho.
Rodolphus sorriu, erguendo um pouco as cobertas.
- Posso?
Harry o olhou com espanto, mas concordou com a cabeça, abrindo espaço para que o homem se deitasse ao seu lado. Seu rosto continuava sério, mas havia algo de condescendente e um pouco de cansaço em sua expressão.
Tirando a varinha das vestes, Rodolphus diminuiu a luz do quarto antes de pousá-la sobre a mesa de cabeceira. Ele sorriu de leve quando sentiu o corpo de Harry se aproximar do dele, e um pequeno beijo pousar em seus lábios, mas o garoto somente fechou os olhos, deitando a cabeça ao lado da sua no travesseiro, indicando claramente que ele poderia ficar ali, para dormirem. Ele passou os braços em volta do corpo pequeno e pousou um pequeno beijo sobre a cicatriz enquanto seus dedos voltavam a correr em meio ao cabelo do outro, que já dormia.
- Você não é o único a ter pesadelos aqui, Harry. – sussurrou, olhando a face calma e infantil do rapaz em seus braços.
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NA: Oi, pessoas.
Eu sei, esse demorou, mas veio bonitenho ^ ^
Alguns leitores comentaram nas reviews de um pequeno erro temporal acerca da gravidez da Cristine. A beta – twin – pediu desculpas e isso foi remediado com uma pequena correção no capítulo 3, mas eu precisei reler toda a fic com atenção pra ver se ele não mudava nada mais pra frente, e por isso demorei. A correção pode ainda não parecer muito exata, mas levem em consideração a coloquialidade da conversa.
Ademais, espero que estejam gostando, e aviso que no próximo capítulo a fic começa a fazer jus ao aviso de treesome XD
Até quarta – é, quarta, eu não vou ser ruim de demorar mais de uma semana, e eu viajo na quinta. Espero ter colocado as respostas às reviews em ordem até lá.
Beijos
