"Lights go down, it's dark
The jungle is your head
Can't rule your heart
A feeling is so much stronger than
A thought
Your eyes are wide
And though your soul
It can't be bought
Your mind can wander'' (Vertigo-U2)
"As luzes se apagam, está escuro/A selva é a sua cabeça/Não pode mandar no seu coração/Um sentimento é muito mais forte que um pensamento
Seus olhos estão abertos/E mesmo que sua alma/Não possa ser comprada
A sua mente pode perder-se" ("Vertigem")
Rachel foi até sua bolsa e pegou seu celular. Mais uma vez, a chamada caiu na caixa de mensagens de Finn.
A vida dos dois estava mudando vertiginosamente, e o tempo juntos ficava cada vez mais curto. Ele, com a faculdade exigindo montes de trabalho e a carreira de modelo; Rachel, com todas as obrigações normais com os estudos também adicionado o fato de que ela e seus colegas estavam montando um musical, que se chamaria "Flashback".
A jovem artista suspirou e pôs de novo o aparelho dentro da bolsa. Sabia que ele estava numa sessão de fotos, mas havia três dias que eles simplesmente não conseguiam se ver, e a garota achava que, pelo menos o som da voz de Finn ela poderia ter o privilégio de ouvir.
Sim, ela se achava tão apaixonada por ele quanto no tempo em que eram os líderes do Glee Club. Muita água tinha rolado pelas suas vidas, mas, como dizia a letra de "Faithfully", "Em todos os sentidos/ Tem sido eu e você".
- Ainda aqui, Rachel ? - perguntou Patrick, surgindo dos bastidores do auditório.
Ela sobressaltou-se:
- Patrick! Eu pensei que estivesse sozinha! Todo mundo já foi.
Ele aproximou-se dela, caminhando rumo ao lado que ela estava no palco.
- Bom, eu tive que ajeitar uns detalhes técnicos ali dentro. Pensei que você tivesse ido com Kurt.
- Não...eu quis ficar mais um pouco para ensaiar mais umas canções e uns passos de balé.- ela informou, séria e esquiva.
- Já tá tarde. Eu posso te dar uma carona, se você quiser.
- Vou de metrô, obrigada.
- Rachel... pode ser perigoso.- ele insistiu.
Rachel sabia quer podia estar bancando a indelicada, mas também sabia aonde Patrick queria chegar com tanta gentileza. Quando ela e Finn estavam brigados, dar uma chancezinha para o colega do curso de Artes Dramáticas não parecia ser mal negócio; mas o Finchel já tinha voltado há tempos, ele, porém, continuava rondando, insistindo, jogando alto para conquistá-la, e isso já estava lhe dando nos nervos:
- Patrick, já estou indo, ok? - ela pegou suas coisas.- Não precisa se incomodar.
Então, sentiu que ele a segurava firme pelo pulso.
- O quê foi ? - ela perguntou, ríspida e alto.
- Queria conversar um pouco contigo. - seu tom de voz era firme e desafiador, indicando que ela não se livraria dele tão facilmente.
Rachel bufou:
- Eu acho que minhas ações já deixam bem claro que não quero conversar com você.
- Você está com medo de mim?- ele debochou.
- Medo? Háháhá. Você é quem devia estar com medo. Meu namorado é bem mais alto e forte que você, e essas características ficam mais acentuadas quando ele fica com ciúmes de mim.
Patrick arqueou uma sobrancelha:
- Então, você tá tentando me intimidar com esse papo de "meu namorado vai quebrar a tua cara"? - ele riu. - Nós somos adultos, querida. Eu só, realmente...queria muito retomar a nossa relação de onde nós paramos antes de você viajar para Ohio nas férias.
- Nossa o quê ? - a garota berrou.
Rachel podia senti-lo segurando-a mais firmemente ainda, sentia o seu perfume e a sua respiração próximos a ela, e não estava à vontade com nada disso.
- Por favor, Patrick... não quero ser rude, mas você já tá incomodando de verdade. Meu namorado é realmente grande, forte, impulsivo e ciumento o bastante para quebrar a sua cara se você não parar de dar em cima de mim.
Ela tentou se desvencilhar dele, mas, em um segundo, viu Patrick totalmente disposto a avançar sobre qualquer tipo de aviso ou alerta e sentiu os lábios ávidos dele beijando-a com obstinação, enquanto ela trincava os dentes para ele não ter acesso ao interior da sua boca.
- NÃO!- ela gritou e afastou-se dele quando percebeu a mão dele afrouxando ao redor do seu pulso.- Você enlouqueceu?- ela colocou a mão sobre a boca, ainda sentindo a pressão dos lábios dele sobre os seus.
Ele pareceu enxergar seu nível de ousadia e descontrole e tentou acalmá-la:
- Rachel, me desculpe, eu...
- NUNCA MAIS TOQUE EM MIM, ENTENDEU?- ela falou com ira. Rachel tinha a voz carregada de raiva, nojo e revolta, porque nunca alguém tinha feito aquilo com ela.
-Eu...- ele abriu a boca para balbuciar qualquer coisa, que Rachel não ouviu porque já saía correndo do auditório soltando fumaça.
{...}
Rachel estava desnorteada; sentia-se tão mal que acabou pegando um trem no metrô e quase inconscientemente foi parar no apartamento de Finn.
- Rachel?- uma voz masculina ecoou no apartamento assim que ela abriu a porta (porque era a namorada do dono e tinha as chaves,ok?), mas não era a de Finn.
- Noah ? Você não tinha que tocar em nenhum lugar ou coisa parecida?- ela estranhou.
Na verdade, ainda estava se acostumando ao fato de que Puck tinha se mudado há algumas semanas de mala e cuia para New York e estava morando com Finn.
- Finn ainda não chegou?
- Não... s abe, acho que hoje ele tinha um lance lá de sessão de fotos ou algo assim.-ele respondeu voltando-se para seu violão, que estava tocando quando a amiga chegou.
Rachel deixou-se ficar no sofá ouvindo a música de Puck. Sorriu para si mesma ao constatar o quanto gostava dele e o que tinham em comum: além de serem judeus, ambos tinham aquela enorme tenacidade em viverem seus sonhos, ela de ser uma diva dos musicais, ele de se tornar um rockstar.
- Linda canção.- Rachel murmurou.
- Fiz para Beth. Minha filha.- ele disse, olhando enternecido para ela.
{...}
Puck tinha tomado algumas resoluções importantes. Decidira largar a vida mais ou menos que estava levando em Lima e ir morar em New York com Finn; estava disposto a ser responsável, a manter contato pleno com a sua filha, Beth, fruto de sua aventura adolescente com Quinn, e tentar se tornar em um cara como Bruce Springsteen, por exemplo, um dos artistas que ele mais quebra, ele esperava, de uma vez por todas, se apaixonar de segunda vez na sua vida.
{...}
- Você nem imagina o quanto essa garota é especial pra mim, Rachel. Ela é uma princesinha... bonita, mãe tá fazendo um ótimo trabalho.
A garota estremeceu um pouco ao ouvir referências a sua mãe, na verdade, gostava de pensar em Shelby mais como uma amiga com quem tinha laços fortes genéticos do que como "mãe", em todos os sentidos que essa palavra possa ter.
Contudo, ela colocou a mão no ombro de Puck:
- Você vai ser um pai incrível.
Ele sorriu com ternura para Rachel:
- Essa é a coisa mais louca e fascinante que pode acontecer a um pai.
Então, a garota começou a pensar em como Finn se comportaria quando ele fosse pai. Ela nunca tivera mãe, no fim das contas; ele cresceu sem pai. Ambos não tinham essas bases em que se espelhar. Mas, só de imaginar-se carregando um bebê de Finn na barriga, seu humor melhorou e ela esqueceu-se um pouco do incidente que acontecera mais cedo com Patrick.
.Pais de uma linda criança...ninguém ficaria no meio da felicidade menos, era o que ela realmente achava.
# K2: Gente do céu, capítulo Puckleberry, Rachel sendo beijada por outro cara...eita!Fortes emoções!
