Um anjo em Paris
Capítulo VII
Ikki e Shaka tiveram que deixar o avião e o aeroporto correndo. Tudo porque, assim que a criança abriu os olhos, a mãe reparou que seus olhos estavam claros e normais, e a mulher começou a fazer um escândalo de que havia um santo a bordo e que seu filho estava curado. Logo a tripulação e os passageiros cercaram o loiro, a notícia se espalhou pelo aeroporto e os dois tiveram que entrar correndo num táxi e fugir dali.
Chegaram era mais ou menos duas horas da tarde ao Plazza; Ikki queria tomar um banho; depois de duas escalas, estava exausto, contudo, não descansaria, queria seguir logo para o hospital onde estava Shun. Hyoga passara o endereço e ele estava ansioso demais para ver o irmão.
Correu para o imenso banheiro da suíte e já estava tirando a roupa, quando percebeu o loiro atrás de si, fazendo a mesma coisa. Imediatamente parou, pegou o anjo pelo braço e arremessou porta a fora, batendo a mesma com força.
Alguns minutos de silêncio, até ouvir batidas fracas e a voz de Shaka.
- Ikki! Abre, dessa vez, só tem um banheiro aqui.
- Ah, merda, eu deveria ter reservado dois quartos! - gritou abrindo a porta, parou de respirar, porque o anjo já estava completamente nu e sem nenhuma cerimônia ele entrou no banheiro, encheu a banheira e entrou na água morna cantarolando, enquanto o moreno permanecia parado estupefato.
- Você não vem tomar banho? Temos que ir para o hospital! -reclamou o anjo tirando o moreno dos seus devaneios.
Ele se aproximou sentando na borda da banheira.
- Shaka, escuta aqui! – começou sério – Eu não sei como são as coisas lá no céu, mas aqui não é normal as pessoas ficarem tirando a roupa na frente das outras, e isso pode te trazer problemas, sabia?
- Que problemas? - perguntou inocentemente, olhando profundamente para o moreno – Eu só tiro a roupa pra você.
Ikki corou olhando aquele rosto lindo e aquele corpo perfeito, não havia como negar que estava e muito atraído por ele; mas, aquilo não era certo, não podia; se sentia como um pedófilo, porque o anjo para ele era uma criança, sim, uma criança super desenvolvida e deliciosa, mas, ainda assim, inocente demais.
- Ikki, entra! Temos que ir para o hospital – pediu ele novamente.
Ikki terminou de se despir em silêncio, tenso; entrou na banheira, ficando de frente ao anjo que começou a se lavar com uma esponja, naturalmente, enchendo a água de espuma, parecia maravilhado.
- Nossa! É tão branquinha parece às nuvens, mas... evapora-se quando tentamos pegar! – disse pegando a espuma nas mãos.
- Tão branquinha quanto a sua pele, loiro, lá em cima não tem sol não? - perguntou sem conseguir desviar os olhos dele.
- O sol lá é sempre ameno, nunca o suficiente para queimar a pele como aqui.
"Lista de compras: bloqueador solar fator mil e cem..." Pensou o moreno, já se preocupando ao imaginar aquela pele de pêssego queimada.
- Ikki, lava minhas costas, eu ainda não sei como vocês conseguem fazer isso! - disse se virando e se colocando perigosamente entre as pernas do moreno que prendeu a respiração e tentou a todo custo afastar os pensamentos obscenos que tinha.
- Lá em cima vocês não tomam banho?- perguntou só pra dizer alguma coisa e tentar quebrar a tensão que sentia.
- Não, não precisamos, o corpo etéreo não se suja, não transpira, está bem acima de tudo isso... – volveu Shaka estranhando a sensação que seu corpo sentia ao ser acariciado pelas mãos do protegido; se arrepiava completamente, enquanto recebia uma suave massagem.
Ikki, por sua vez, sentia o coração acelerado, enquanto esfregava o sabonete líquido com as mãos nas costas do loiro; não resistiu, deslizando as mãos por seu peito, até acariciar um dos mamilos que enrijeceu imediatamente, enquanto seu hálito roçava pelo pescoço do anjo, tão próximos eles estavam.
Mais aí, Shaka deu um pulo se afastando dele, totalmente ruborizado o que o deixou ainda mais desconfortável, com aquela estranha sensação de ser um aproveitador.
- Shaka...
- Que é isso que estou sentindo, Ikki? - perguntou assustado olhando a própria pele – Estou todo arrepiado e...
- E? - perguntou entre constrangido e curioso vendo os olhos do anjo se voltarem para baixo.
- Tem... alguma coisa, muito estranha aqui... – falou e apontou para o baixo ventre submerso na espuma.
Ikki não conseguiu se controlar acabou rindo, a cara do anjo era hilária demais.
- Ikki, me explica, por que você está rindo? - indagava Shaka zangado.
- Ah, Shaka, eu não sei explicar isso! – tornou tentando controlar o riso – Daqui a pouco passa, certo?
- Você pode sair primeiro da água? - pediu o anjo corando mais.
Ikki sorriu com ironia, era a primeira vez que via o anjo constrangido.
- Ah, Shaka, você está se tornando humano demais, está com vergonha é isso?
- Sim, estou, ou acho que estou, você pode sair?
Ikki ficou indeciso, a verdade é que também estava bastante excitado e seria difícil sair da água sem o anjo perceber.
- Certo, eu saio, mas... você tem que fechar os olhos...
- Fechar os olhos, por quê? Eu já te vi nu várias vezes, então...
- Se não fechar os olhos eu não saio, o humano aqui sou eu, eu que tenho que sentir vergonha, tá legal?
- Tá bom, tá bom, eu fecho! - disse o anjo fechando os olhos, então rapidamente, Ikki pulou da banheira e se enrolou num roupão.
- Pode abrir os olhos... – disse, mas, o anjo permanecia de olhos fechados. – Shaka, Shaka?
- Hã, ah, oi! – disse o anjo despertando seja lá onde estivesse.
- Pode sair da banheira. - disse Ikki lhe entregando uma toalha e virando de costa, para que ele se enrolasse.
- Sabe, Ikki, eu me lembrei de uma coisa... – disse já enrolado na toalha indo para o quarto – O que senti há pouco...
- Shaka, podemos não falar disso? - pediu o moreno desconfortável.
- Mas, é que foi o mesmo que senti quando você me beijou, se bem, que não foi tão forte como agora, mas...
Ikki ruborizou aturdido enquanto ouvia o anjo dar explicações detalhada de suas sensações, inclusiva gesticulando, apontando para o próprio sexo.
-"Então a sensação começa aqui, vai se espalhando, subindo, arrepiando o corpo, e quando você tocou aqui aí sim, ficou mais forte, começou a endurecer aqui..."
- CHEGA, SHAKA! - Ikki ficou desesperado, porque na verdade ele já estava ficando excitado, olhando aquele homem de toalhas a sua frente, falando daquelas sensações e daquela forma.
- Ah, tá bom, eu só queria explicar! - disse o anjo magoado – Vamos nos vestir, temos que ir pro hospital.
- Certo, você se veste aqui, eu vou me vestir no banheiro. – disse pegando as roupas e correndo para o banheiro fechando a porta e se apoiando atrás dela. Seria demais, depois de tudo aquilo ainda ver o loiro se vestindo, ou melhor, nu...
***Olimpo***
Reunião dos Doze ou melhor Onze com Zeus e Shion:
- Vocês viram, não? - disse o Deus supremo apontando para uma grande tela onde aparecia a cena do hotel.
Começou um burburinho entre os arcanjos.
- Silêncio! - pediu Shion – Zeus está falando, mais respeito.
- Não podemos deixar o Shaka, o Arcanjo da Paz se perder, isso seria uma tragédia! - Continuou o Deus – Ele precisa de ajuda, preciso mandar ajuda para ele.
- Ajuda, senhor, que tipo de ajuda? - perguntou Shura o arcanjo das armas e atual arcanjo da guerra no lugar de Milo, suspenso.
- Mandaremos outros para que Shaka não seja seduzido pela vida mortal! - disse o Deus.
- De novo?
- Cala a boca, Milo!
- Tá bom, desculpa...
- Isso mesmo, como estava falando, não podemos perdê-lo, entre todos vocês ele é o mais perfeito... – disse Zeus e os arcanjos cruzaram os braços enciumados – O mais puro, por isso é a missão dele garantir a paz no mundo.
- Irrrr, acho que ele não tem tido muito sucesso não, hein? - falou Aiolia o arcanjo da ordem, sendo fuzilado com os olhos pelo Deus – Certo, desculpa Senhor...
- Mais uma gracinha, Aiolia deus da ordem, e será você a descer! – disse Zeus – Então, quem se oferece?
Logo os arcanjos começaram a reclamar, a implorar para que não fosse nenhum deles, todos tinham medo da terra, claro, excerto os que já haviam descido. No meio dessa confusão toda, Milo ergueu o dedo e todos pararam para olhá-lo.
- Eu vou, senhor, tenho grande experiência com humanos. – disse com fingido desinteresse, olhando os olhos azuis de Camus – Além do mais, estou sem muito que fazer, desde que Ares me tirou de minhas funções.
- Ótimo, Milo, então vai você! – disse Zeus se deixando cair pesadamente no trono. Não confiava em nada no arcanjo e desde que ele voltou da última missão, havia piorado bastante. Sabia que todos os anjos que desciam voltava contaminados pelos vícios mundanos, mas, naquele caso, preferia se fingir de cego.
- Mas, senhor o Milo não pode ir sozinho! - gritou Camus olhando o Arcanjo, zangado, imaginava o que Milo não faria com sua mortalidade e sozinho.
- Posso sim! - disse Milo.
- Não pode não! - Tornou Camus, segurando forte o braço do outro.
- Então vai você com ele, Camus, afinal de uma forma ou outra o seu protegido também está envolvido nessa história.
- Sim, irei. – disse o arcanjo das águas, deixando escapulir um sorriso vitorioso para o arcanjo de cabelos violeta.
- Sim, vocês partem agora e informo que não terão mais ligação com o Olimpo, quando eu quiser... Ah, mas, vocês já tiveram lá antes, já sabem de tudo, então...
E lá estavam Milo e Camus caindo em alguma estrada de Paris.
- Ai, eu odeio isso! - reclamou Camus massageando o glúteo – Bem, Milo, temos que conseguir agora, uma carona e...
Camus não terminou a frase, porque Milo o empurrava para fora da estrada em direção a um bosque, o empurrando contra uma árvore e começando a beijá-lo.
- Milo, para com isso, nós temos que ajudar o... Ahhh, Shaka...
- Ah, Camus, você acha que me ofereci pra vim pra cá por causa do Shaka? - disse o moreno beijando o pescoço branco do outro anjo – Eu quero é que o Shaka descubra tudo que descobrimos aqui isso sim... Quero ver o santinho do Zeus... ficar igualzinho a nós dois...
- Nós dois não, seu tarado, fala por você! - dizia Camus tentando afastar o companheiro, porque Milo já estava com as mãos por baixo de sua toga, segurando sua bunda.
- Ah, Camus, relaxa vem... você não estava com saudade de ficar assim comigo... Hã... Sem ninguém pra ficar nos vigiando... Hein?
- Ah, Milo... Ah, não é certo... Ah... Por Zeus!
Camus gemia vencido, sentindo a língua de o outro passear por seu pescoço, se rendeu, se amaram ali mesmo na beira daquela estrada, estavam com tantas saudades um do corpo do outro e eram tão vigiados no Olimpo. E além do mais, tinham que esconder aquele segredo, se os deuses desconfiassem, nunca mais um anjo desceria a terra.
- Camie, por que você não quis me deixar vir sozinho? - perguntou Milo que estava encostado no peito do outro.
- Que pergunta, Milo! Do jeito que você é tarado, sairia fazendo isso com todos os mortais que aparecessem!
- Como você pode pensar isso de mim?! - Indignou-se o arcanjo – Se bem que não seria uma má idéia...
-Ah, Milo, eu não acredito que você disse isso! - indignou-se Camus empurrando o outro que caiu na grama.
- Ah, Camus, você se tornou muito egoísta desde que se tornou mortal, o que é que tem dividir?
- Então, eu vou fazer o mesmo, vou fazer sexo com todo mortal que aparecer!
- Epa! Você não, você não pode! - zangou-se Milo.
- E por que não, se você pode?
O arcanjo emudeceu e depois disse com malícia.
- Se você fizer isso, eu conto para todos os deuses que os anjos continuam com os aspectos mortais quando voltam para o Olimpo!
- Ah, é mesmo? - riu o Arcanjo das águas – Aí eles nos trancam em algum lugar ou nos jogam de vez na terra, se-pa-ra-dos!
- Eles nos separariam, Camie? - Milo abraçou o outro anjo com medo – Não, eu amo você, eles não podem nos separar.
- Então, mantenha sua boca fechada e vamos ajudar o Shaka, certo?
- Certo... – disse Milo e sorriu, malicioso;" vou ajudar o loiro sim, mas, vou ajudá-lo a se perder ainda mais.."
- Do que você está rindo, Milo?
- Nada, vamos! – disse indo para a beira da estrada.
- Milo, se você não acenar, nenhum deles vai parar! - reclamou Camus cruzando os braços, aborrecido, estava zangado pelo amante celestial, pensar em traí-lo com humanos.
- Ah ,Camus, dessa vez, vamos no tradicional, teletransporte!
Dizendo isso os dois anjos evaporaram dali, em direção a alguma parte de Paris.
oooOOOoooOOOooo
Ikki e Shaka se vestiram rápido, o loiro com um jeans e uma camiseta azul escura, e Ikki com uma camisa social com as mangas dobradas e uma calça jeans um pouco justa; não demoraram muito para chegar ao Hospital St-Louis. Onde Shun estava internado, logo na recepção, descobriram que ele já havia acordado. Então, Ikki correu até o quarto do irmão e o encontrou com Hyoga, conversando; ele estava muito abatido e muito machucado, com hematomas e cortes pelo rosto.
Quando seus olhos se encontraram com os do irmão mais velho, ao contrário do olhar doce e terno de sempre, só se viu ironia e mágoa.
- Shun! – Ikki se aproximou ignorando aquele olhar – Você está bem, meu irmão?
- Isso realmente importa a você, Ikki? - perguntou o rapaz com frieza e segurando mais forte a mão de Hyoga – O Hyoga está aqui comigo, ele estava viajando, mas, veio assim que o chamei, sabe? Conhecemos as pessoas que se importam com a gente.
- Shun, eu não vim, porque os aeroportos estavam fechados, estava caindo uma tempestade em Tóquio, Shun, eu não tinha...
- Não estou cobrando nada, Ikki, você já viu que estou bem, pode ir embora! – falou o mais jovem magoado e irritado, tentando aparentar uma frieza que não tinha.
- Shun...
- Ikki, ele não pode se emocionar, certo? - disse Hyoga olhando o moreno ameaçadoramente – Acho melhor vocês conversarem quando ele sair daqui.
Ikki resignou-se irritado por ter que receber conselhos de Hyoga, mas concordou. Então, Shaka se aproximou da cama e parecia que todos só agora se davam conta da sua presença ali.
- Oi, Shun... – ele disse com naturalidade se inclinando e beijando a testa do Amamiya mais jovem, gesto que Hyoga não gostou nem um pouco.
- Quem é você? - perguntou Shun confuso, mas, seus olhos não conseguiam abandonar os olhos do anjo.
- Eu sou o Shaka, e estou feliz que esteja bem.
O rapaz sorriu, mesmo sem saber por que, se sentiu estranhamente melhor, depois daquele beijo, até as dores que estava sentindo diminuíram.
- E... Ele é um amigo meu, Shun... – falou Ikki totalmente desconfortável com o olhar dos dois que não se desgrudavam, desconfortável e enciumado.
- Nem sabia que você era capaz de ter amigos, Ikki! – retorquiu o mais jovem, áspero – De qualquer forma, você pode ir embora.
- Shun , seu irmão ficou muito preocupado com você... – disse Shaka sorrindo para o rapaz – Ele diz a verdade, não podemos vir antes.
- Você veio com ele do Japão? - estranhou Hyoga olhando do loiro para o moreno.
- Fica fora disso, Pato! - disse Ikki e se voltou para o irmão – De uma maneira ou outra, Shun, você voltará comigo para o Japão, até se recuperar completamente.
- Eu não vou a lugar nenhum com você! - gritou o rapaz de cabelos castanhos e gemeu, sentindo o corpo doer.
- Vai sim, você ainda não é maior e eu mando em você, você só tem dezessete anos!
- Ikki, eu fiz dezoito anos há duas semanas... – tornou o rapaz com tristeza e Ikki se sentiu pequeno feito um inseto.
- Shun, eu...
- Vai embora, Ikki! - gritou o rapaz – Hyoga tira ele daqui!
Hyoga pediu para que Ikki saísse porque a situação de Shun ainda exigia cuidados e ele não podia se aborrecer. Ikki concordou e estava saindo, quando ouviu Shaka perguntar.
- Eu posso ficar, Shun?
O garoto piscou, mas, depois olhando aqueles olhos azuis tão intensos, sorriu e disse.
- Pode sim.
Ikki e Hyoga olharam para os dois aturdidos, mas, então o loiro russo resolveu arrastar o moreno para fora dali antes que ele e o irmão recomeçassem a brigar; foram andando pelo corredor.
- Quem é ele, Ikki? - perguntou o loiro, chegando perto de uma máquina de café.
- Se eu dissesse você não acreditaria, Pato. – tornou Ikki cansado – Afinal o que aconteceu?
- E...ele... bateu o carro – disse Hyoga sem jeito.
- Bateu o carro? Eu nem sabia que o Shun tinha um carro!
- É, nos últimos tempos você não sabe muita coisa dele, mesmo... – falou o russo zangado – Você não sabe o que seu irmão tem passado nesses últimos meses, e quanto ao carro, foi você quem comprou pra ele.
- Eu? - indignou-se Ikki – Eu jamais daria um carro ao Shun, ele ainda não fez... Ah, esquece, ele já fez dezoito anos, não é isso?
- Sim, pelo segundo ano consecutivo você esqueceu o aniversário dele, Ikki, você tem idéia de como ele estava se sentindo? E quanto ao carro, claro que você não comprou e o presenteou, acho que há anos você não presenteia seu irmão!
- Presenteio Shun todos os anos, Pato, como pode dizer isso?
- Você só deposita o dinheiro, Ikki! Foi exatamente o que você fez com o carro, você estava tão ocupado que nem mesmo quis saber pra quê Shun queria uma quantia tão alta, você simplesmente deu o dinheiro a ele!
A cada segundo Ikki se sentia menor e mais angustiado.
- C-como ele bateu o carro?
Hyoga baixou a cabeça pegando um copo e enchendo com café.
- Hyoga?
- Ele não bateu o carro, Ikki... ele... jogou o carro contra um muro, ele tentou se matar.
Ikki sentiu um abismo se abrir aos seus pés. Lembranças de sua vida com Shun vieram a sua mente, o irmão pequeno correndo para seus braços sempre que alguma coisa errada acontecia, sempre procurando sua ajuda e depois ele se lembrou do último telefonema, Shun queria que ele fosse para Paris, mais uma vez o irmão estava correndo para seus braços, mas, dessa vez, ele o repeliu, ele o abandonou quando ele mais precisava.
- Ikki, o Shun está muito estranho... – Continuou Hyoga – Pra começo de conversa, ele terminou comigo já tem mais ou menos um mês e sem mais nem menos, dizendo apenas que não queria me fazer sofrer, depois começou a andar com pessoas... digamos... estranha e por último...
Ikki se deixou cair numa cadeira no corredor, desolado, não sabia o que fazer, Shun parecia odiá-lo agora ,o que faria?
- Hyoga, levarei o Shun de volta para o Japão...
-Acho que ele...
- Não importa, Hyoga, sou seu responsável legal e não vou deixá-lo aqui nesse estado!
- Bem, Ikki, faça o que você quiser, porém acho que está agindo errado.
- Não me importa o que você acha, Pato, sou o responsável legal do Shun e ele vai comigo!
- Ikki, você só vai complicar mais as coisas entre vocês sendo tão intransigente!- reclamou o russo.
- Dispenso os conselhos, Pato, vou informar isso a ele agora! Os dois marcharam de volta ao quarto e estancaram a porta ao verificar a cena que acontecia lá dentro, Shun e Shaka gargalhavam a ponto de perder o fôlego.
Shun também parecia bem melhor e isso enciumou Hyoga que sentou ao lado dele, segurando sua mão.
- O que é tão engraçado? - perguntou fuzilando o anjo com os olhos.
- Ah, estava contando algumas histórias antigas para ele... – falou Shaka.
- Hyoga, você não tem noção de como ele é divertido! – Shun continuava a rir – Ele está aqui contando detalhes da história que ninguém nunca poderia imaginar, mas, ele faz isso de uma forma incrível, como se ele estivesse lá!
- Mas, eu estava! - riu Shaka e Ikki segurou seu braço sussurrando em seu ouvido:
- Nem mais uma palavra.
-Mas...
- Calado ou quebro seu braço. – disse o moreno entre dentes e o loiro se calou, já sentindo mesmo o braço doer.
Shun e Hyoga trocaram um olhar confuso, vendo a forma que o moreno segurava o braço do amigo.
- Solta ele, Ikki. – pediu o irmão sério – O que há entre vocês?
Agora era a vez de Ikki e Shaka se entreolharem, Shun os olhava seriamente.
- Somos... Somos... – Ikki pensava em alguma coisa – Somos colega de escritório, o Shaka é um dos novos... publicitários da agência, é isso!
- E por que ele veio pra cá com você?
- É... porque ele é... meu amigo.
- Corta essa, Ikki! - tornou Shun com um sorriso irônico – Tem tanta vergonha assim de assumir um relacionamento?
- Não há relacionamento nenhum, Shun! – Ikki regougou irritado vendo que Shaka apenas sorria.
- Certo, e eu vou sair dessa cama pra seguir o coelho branco! – riu o mais jovem e se virou para Hyoga – Você passa a noite aqui comigo, parece que meu irmão tem coisas melhores para fazer da noite dele.
- Shun, pare com essas insinuações! – reclamou Ikki ruborizando – Não é nada disso, o Shaka só é... meu amigo...
- Sei. – continuou Shun, irônico e olhou para o loiro maliciosamente – De qualquer forma, ele é ótimo!
- Shun, que diabos está acontecendo com você? - esbravejou Ikki,vendo o irmão despir o anjo com os olhos.
- Estou cansado, Ikki, por favor, quero dormir...– disse o Amamiya mais jovem com frieza.
Ikki suspirou; queria chegar perto da cama do irmão, beijar sua testa, mas, hesitou, Shun demonstrava tanta raiva dele que era melhor evitar qualquer contato. Esperava que com o tempo as coisas melhorassem. Deixou o hospital junto com Shaka, não sem antes pedir a Hyoga que telefonasse caso alguma coisa acontecesse. Voltaram para o hotel, já era noite e desceriam para jantar no restaurante, já que Shaka não fazia outra coisa a não ser reclamar de fome.
- Você parece mesmo um bebê, só faz chorar o tempo todo! -reclamou o moreno vestindo o terno e passando as mãos nos cabelos ainda molhados pelo banho.
- Ikki, eu não comi nada, desde que cheguei aqui! - queixou-se o anjo – Estou muito, mas, muito mesmo, morrendo de fome! E eu não gosto dessas roupas!
- Olha só, você pediu para que eu comprasse roupas que coubessem em você, eu comprei, agora não reclama!
Shaka terminou de fechar o elegante terno preto, deixando a gravata azul escura pendurada e torta, Ikki riu e foi consertá-la.
- Você nunca conseguiria ser um mortal, mesmo! – caçoou ajeitando o nó da gravata.
- Conseguiria sim, se você me ajudasse... – disse o anjo beijando suavemente seus lábios.
Ikki ficou aturdido por um tempo sem reação, depois sorriu, por mais que não quisesse admitir, se sentia muito bem na companhia do anjo.
- Shaka, você sabe o que está fazendo? - perguntou olhando fundo naqueles olhos inocentes, os lábios ainda contra os dele.
- Sei, eu estou beijando você.
- E você sabe aonde isso vai nos levar?
- Ah, Ikki, deixa de ser bobo! - riu o anjo se afastando e colocando as mãos na cintura com uma expressão divertida. Ikki continuou parado sem entender nada e Shaka continuou:
- Você quer me pregar uma peça, não é?
- É? - perguntou Ikki confuso.
- Você sabe que isso aqui não vai nos levar a lugar nenhum!
- Hã?
- Ah, você gosta de me fazer de bobo mesmo, acha que eu não sei o que significa a palavra levar?
- Eu... sinceramente...
- Um beijo não pode nos levar a lugar nenhum! O que nos leva a algum lugar é carro, é avião, é moto, é bicicleta...
- Eu mereço... – disse Ikki desanimado, enquanto o anjo continuava dizendo o nome de todos os meios de transporte que ele conhecia.
Continua...
Notas Finais: Gente, essa história está muito sem pé e nem cabeça hahahahaha, o Shaka é o anjo mais surrealista de todos, nem sei defini-lo, mas... Está sendo divertido escrever e embora esteja cheia de absurdos.
PENSEM: A Fic toda já é um absurdo, acho que misturei todas as comédias românticas que já assisti, li ou ouvi nessa fic, todas as piadas sem noção e sem graça etc.
Espero que gostem.
Beijos antecipados a todos que leram e deixaram review
Sion Neblina
