Capítulo 7 para compensar a demora, certo? Obrigada a todos que vem acompanhando minha pequena história água com açúcar. Espero que gostem desse capítulo ^^


Estar em pé em pleno sábado de manhã não estava nos planos de Quinn para o final de semana, mas sabia ser necessário para acabar de vez com todo esse drama que a acompanhava desde que Rachel Berry retornou a sua vida.

Depois de ser largada no meio da pista de dança no final de semana passado e levar uma bronca gigantesca de Santana por ser uma "tonta", Quinn passou o resto da semana pensativa. Diferente de seus amigos que estavam agitados – Robert e Santana mais precisamente – perguntando e formulando planos mirabolantes para uma nova reaproximação, a loira estava relativamente tranquila. Os dias que tirou para reorganizar suas ideias e definir até onde podia e queria chegar com Rachel foram de extrema importância. Mesmo tendo ficado chateada com o abandono, assim que esfriou a cabeça soube que tinha sido o certo a se fazer. Estava agindo fora de seus padrões nos últimos tempos e precisava retornar ao seu antigo "eu".

Mesmo que tenha amadurecido, sempre foi atrás de seus objetivos e Rachel era um deles agora. Sabia que a morena era famosa e um relacionamento com ela provocaria uma perseguição de paparazzi que Quinn nunca imaginou que sofreria. Também sabia que um envolvimento com Rachel Berry não poderia ser passageiro, nem ela gostaria que fosse. Querendo ou não, já havia colocado a morena em um lugar especial em seu coração e não pretendia deixa-la escapar.

Pensando nisso, voltou a situação atual. Não acreditava que estaria parada em frente a porta de carvalho do apartamento de luxo antes da ligação que receberá de Santana ontem.

Estava em sua mesa no escritório totalmente imersa em um novo projeto. Aparentemente havia ganhado a confiança de seu chefe com a conquista da conta anterior e mal teve tempo para respirar e já estava com outra conta de grande porte. Quando o telefone tocou atendeu ainda no primeiro toque, queria dispensar a pessoa o mais rápido possível.

– Então Fabray, ainda curtindo a fossa? – perguntou a latina debochada.

A loira suspirou sabendo que a conversa não seria tão rápida quanto gostaria.

– O que você quer Lopez? – perguntou Quinn um tanto aborrecida. Estava quase terminando de avaliar o projeto.

– Anote um endereço, sim? – disse Santana já ditando a informação. – Amanhã as 7:30 da manhã você pegará a cesta de café da manhã que já encomendei.

– Mas que cesta...

– Só escuta Q. Como é perto da casa da Berry dará tempo para você chegar às 8 horas na casa dela, que é o horário que ela acorda aos sábados. – continuou a latina ignorando as exclamações indignadas da amiga.

– E como você sabe o horário que ela acorda? – perguntou Quinn intrigada, esquecendo-se de protestar sobre todo aquele absurdo.

A risada de Santana preencheu o aparelho fazendo com que a loira segurasse uma reprimenda. Não gostava quando as pessoas gracejavam as suas custas, um dos resquícios da antiga Lucy que ficaram gravados em si.

– Parece que a amiga ruiva da Berry é tão impaciente quanto eu. – disse Santana. – Vê se dessa vez dá um jeito Fabray. – e com isso desligou a chamada deixando Quinn confusa.

Pensou em recusar a ideia de Santana por puro orgulho, mas estava totalmente sem ideias para sua investida. Além disso, foi a ideia mais viável que a latina teve durante a semana, mesmo desconfiando que Jeny estivesse por trás daquilo. Por falar na ruiva, tinha certeza que sua entrada no prédio foi providenciada pela ruiva. A surpresa foi grande quando o porteiro parrudo deixou que ela entrasse no prédio sem fazer muitas perguntas.

Mas ficar parada no local não fará com que Rachel se materialize a sua frente, então olhou no relógio constatando que estava dentro do horário e apertou a campainha e aguardo do lado de fora. Depois de poucos minutos escutou o trinco da porta sendo destravado e endireitou o corpo em expectativa. A voz melodiosamente sonolenta de Rachel saiu por atrás da fresta aberta reclamando:

– Jeny, esqueceu sua chave? Da próxima vez... – viu a morena parar a frase pela metade assim que seus olhos se encontraram.

Quinn teve uma visão inesperada. Rachel estava levemente descabelada – o que não a deixava menos bonita – face meio inchada pelo sono, um roupão bege que ia até acima do joelho e estava descalça. A morena olhava para Quinn como se ela fosse um ser de outro espaço ou algo semelhante. A boca estava entreaberta em choque e os olhos arregalados eram a marca de sua surpresa. Sem duvida uma expressão muito cômica, o que fez com que Quinn abrisse um sorriso divertido ainda que contido. A ação fez Rachel se recompor e relaxar a expressão um tanto intrigada.

Demorou alguns instantes para que Rachel percebesse o objeto cuidadosamente embrulhado e seguramente enlaçado por Quinn. Acompanhando o olhar da diva, a loira apertou um pouco mais o embrulho em seus braços e sentiu-se um tanto nervosa. Tinha ciência de que seria difícil conversar com Rachel, mas não imaginou que fosse tanto. Repentinamente começou a sentir suas mãos úmidas a medida que o silencio progredia. Quando o olhar da mulher a sua frente encontrou o seu, Quinn soube que era hora de falar.

– Er... Bom dia Rachel. – disse baixo, mas aquela hora da manhã era bem audível. Como a resposta não veio, voltou a falar. – Bem, eu trouxe isso para você, espero não estar atrapalhando.

Percebendo só nesse momento que estavam no corredor, Rachel abriu completamente a porta com um sorriso convidativo no rosto, o que deu mais confiança a Quinn.

– Claro que não atrapalha Quinn! – exclamou ela e pegando a mão da loira e enlaçando os dedos com os seus, puxando-a delicadamente para dentro. – Vamos entrando, sim? Que falta de educação a minha.

Não pode evitar tremer diante do contato espontâneo de Rachel. Só depois da reação animada da morena, Quinn se sentiu mais segura. A visão do apartamento de Rachel a fascinou assim como da primeira vez que estivera lá. Agora com a luz solar entrando pelas janelas, a decoração ficava mais evidente.

Sendo conduzida pela mulher menor, rapidamente chegou a sala de jantar.

– Você pode colocar a cesta em cima da mesa, ok? Eu vou me trocar. – disse Rachel apertando a mão de Quinn levemente entre a sua antes de seguir corredor adentro.

Resolveu focar nas suas próximas ações. Deixou a cesta em cima da mesa e começou a desembrulhá-la. Dispondo a refeição o mais organizadamente possível, foi até a cozinha procurar os pratos, xícaras e talheres. Necessitou de uma pequena expedição para se achar, mas conseguiu a louça a tempo de visualizar Rachel caminhando em sua direção no corredor. Sim, ela estava linda. Os cabelos escovados caindo sobre os ombros e o rosto ao natural dava o toque a mais para a imagem da garota. As roupas esportivas e confortáveis vestiam o seu corpo. Tanto tênis, como o short e a blusa eram da Nike e por um momento sua mente publicitária pensou que talvez a diva pudesse ser a garota propaganda da marca sem problema algum. Alias, se a empresa viesse procurá-la em algum momento, certamente seria na morena a sua frente que ela pensaria para a propaganda.

Despertou de seu devaneio quando a morena pegou os pratos de sua mão.

– Deixa que eu te ajude com isso Fabray. – disse ela com um sorriso tranquilo no rosto enquanto se encaminhava para até a mesa.

A loira teve uma visão privilegiada da silhueta da morena, os movimentos dos quadris chamando sua total atenção. Pensou que aquela seria sua visão preferida de Rachel, reprimindo o pensamento machista logo em seguida. Sorriu de lado e acompanhou sua, até então, amiga até a mesa. Depois de colocarem todos os utensílios na mesa, ambas se sentaram para degustar o café da manhã.

Comendo seu primeiro pedaço de pão, Quinn se segurou para não exclamar em desgosto. Estava sendo injusta, pois o alimento não era de todo ruim, simplesmente não tinham todos os elementos necessários para se tornar uma refeição apetitosa. Olhou para Rachel esperando ver a reação da outra. Degustando a primeira fatia, a morena suspirou satisfeita. Ok, a probabilidade da loja ter enviado um alimento de qualidade inferior foi descartada. Conformou-se com seu possível futuro, deveria comer esse tipo de alimento a partir do momento que seu relacionamento com Rachel fosse para frente.

– Não sabia que gostava de comida vegan. – disse Rachel. Pelo modo que a morena a olhava, tinha certeza que ela identificou seus pensamentos anteriores.

– Nem eu. – foi a resposta sincera, arrancando uma risada da diva. – Mas tem essa loja na 5ª com...

– A 37ª street. Vi na embalagem é minha loja favorita em Nova York. – disse a morena. – Eles tem produtos ótimos e com um preço bom.

Quinn sentiu um frio na espinha diante do comentário. Preços bons? Certamente teria que fazer mais horas extras para comprar comida vegan. Em três meses certamente acabariam com a sua economia.

– Menos mal, fiquei com medo de não corresponder as expectativas da nova diva da Broadway. – brincou Quinn.

– Para com isso Quinn. – disse ela. – Você corresponde a todas as minhas expectativas.

A loira sentiu seu rosto esquentar instantaneamente quase se engasgando com o que estava ingerindo. Seu coração batia acelerado enquanto os possíveis significados por trás dessa afirmação ainda martelavam em sua mente. Rachel rapidamente mudou o foco da conversa, falando sobre a nova peça e como estava sendo a reação do público.

Após as conversas divertidas e arrumarem as louças na maquina, Rachel novamente pegou a mão de Quinn e a conduziu até a sala de estar. A loira realmente apreciava esse contato, colocando-o na lista das "maneiras preferidas de estar com Rachel Berry". Foi conduzida até o sofá de dois lugares onde Rachel sentou ao seu lado. A proximidade deixando Quinn bastante a vontade para começar o dialogo que sabia ser seu.

– Já que estou aqui você deve imaginar que tenho algumas coisas para dizer, certo? – afirmou a loira um pouco encabulada.

Rachel apenas acenou com a cabeça em concordância e Quinn agradeceu internamente por isso. As palavras já eram difíceis de serem proferidas e uma série de perguntas e respostas com Rachel não iria ajudar em nada.

– Bem, não posso dizer precisamente o que eu quero com você, porque acho que o sentimento é mais importante que isso. E eu sinto essa necessidade quase insana de ficar perto de você. – disse Quinn numa tacada só olhando para a morena. Essa deixava seu sorriso característico aflorar enquanto observava Quinn fascinada.

– Sabe, desde que nos reencontramos não consigo parar de pensar em você. – confessou Quinn agora ruborizada.

– Sei como se sente Quinn porque eu também não parei de pensar em você. – disse Rachel sentando de frente para Quinn com as pernas cruzadas por cima do sofá desviando o foco da loira por um instante.

– Acho que devemos ir com calma. – continuou a morena. – Nos conhecermos novamente e dessa vez da maneira certa.

– Esta dizendo que começamos da maneira errada Berry? – perguntou Quinn com as sobrancelhas arqueadas em divertimento. – Certamente eu chamaria de "divertida". – concluiu a Fabray provocante.

– Simplesmente que começamos ao contrário. Sou uma mulher de família Fabray. – disse Rachel sorrindo.

– Bom, então eu tenho uma pergunta importante. – disse Quinn apoiando o braço no encosto do sofá e se aproximando lentamente de Rachel. – Moças de família podem ser beijadas? – perguntou roucamente próximo a face da morena que tragou o ar em expectativa com a mudança de atmosfera.

Rachel nem se deu ao trabalho de responder a questão, colou seus lábios aos de Quinn selando a reconciliação.