Cap. 7 – Guerra

Shina estava simplesmente rendida...presa nos braços de Milo que a beijava com luxuria... lassidão... ela não pensava... por puro instinto o abraçara, segurando-lhe os longos cabelos azuis, deslizando as unhas compridas e afiadas pelas costas musculosas do Cavaleiro, que se arrepiava quando ela lhe arranhava de leve... ele lhe mordiscava o lábio... arrancando dela um suspiro... agora não mais a segurava... não precisava, ela não iria mais fugir... cambaleantes... enroscados em meio a beijos e caricias ousadas procuravam as cegas a cama... Milo se impunha por sobre ela fazendo-a deitar-se... mas quando Shina inclinara-se para traz sentiu uma dor aguda que lhe tirou um gemido abafado... Milo parou imediatamente...

- Por Athena! Onde estou com a cabeça! Você está ferida ainda! – Milo recriminou-se em voz alta, acabara de se dar conta do disparate que cometera! Shina estava com o semblante dolorido... como ele ficava embevecido com a visão daqueles olhos verdes! A amazona ficou estática por uns instantes... depois se endireitou lentamente, sentando-se na cama... Milo estava preocupado... mas não via sangue... os pontos não haviam se aberto novamente... súbito Milo sentiu sua face arder... o tapa prometido de Shina viera!

- Está louca mulher? Me beija e me bate? – Milo estava novamente irritado! Como aquela mulher era inconstante!

- Você se aproveitou da situação! – Shina estava com a raiva estampada na cara... e Milo percebera que sem a Mascara ela ainda podia ser assustadora... mesmo com aquele rosto delicado...

- ME APROVEITEI? Sozinho? Vai me dizer que não me beijou agora também? Que não estava tão envolvida quanto eu?

- Claro que não estava! Tem noção do que fez? Milo! Minha Máscara! Você a tirou de mim! – a ultima frase saíra com visível ira... a voz era rasgada...- Sabe o que significa isso seu Lascivo Inconseqüente?

- Significa que por mais que fuja você vai acabar vindo ao meu encontro!Admita sua Cobra Arisca! Queria tanto quanto eu!

- Oras seu... stupido, cretino, imbecille, grossolano, pretenzioso, maledetto, petulante, figlio di una puttana – Shina se quer havia de dado conta que deixou de falar grego... mas não importava Milo entendia perfeitamente o teor da cada uma das palavras... ela procurava desesperadamente algo que pudesse atirar-lhe... não teve sucesso...- FUORI!!!! Fuori de qui prima che io te uccidere!

Milo saiu contrariado do quarto... era o fim! Ela lhe beijara, lhe batera e agora o expulsava do próprio quarto! Encontrou um sorridente Mascara da Morte lhe esperando do lado de fora da Casa...

- Qual a graça fedido?

Bem, em Áries é possível ouvir em alto e bom som o que a nossa Dama enfurecida ali fala... hum...não sei o que fez... mas ela vai querer te matar assim que estiver em condições...

- Entende o que ela fala? – Shina ainda repetia em alto e bom som no quarto os "elogios" que falara para Milo...

- Entendo... claro como água...é minha língua nativa também – O Canceriano trazia aquele sorriso maldoso... cínico!

- Hunf... e o que diz... está tão irritada quanto parece? – Milo arqueava a sobrancelha esperando a resposta...

- "Estúpido, Cretino, imbecil, grosso, arrogante, maldito petulante, filho da puta...Saia daqui, Saia daqui antes que eu te mate!" – O cavaleiro de Câncer remendava o acesso de raiva de Shina... imitando os trejeitos debilmente femininos - Acho que ela te ama! Hahahahahaha, veja o talho que lhe tirou do ombro!

Milo não havia se dado conta... Shina lhe enterrara as garras em seu ombro esquerdo, na tentativa de fugir dele... a camisa além de rasgada no ombro estava suja de sangue... Mulherzinha Irascível!

- Vai ficar aqui parado admirando minha beleza ou vai lá cumprir sua missão de impedir aquela Cobra traiçoeira de destruir minha Casa e abrir aqueles pontos malditos novamente?

- Hunf... não pensei que seria tão divertido bancar a babá...

Aldebaran e Cássius estavam aguardando no belo jardim Grego que Athena tanto apreciava... ficava na parte baixa de forma que não era necessário subir as escadarias... Athena estava á caminho... Saga se juntara á eles... servindo-se de pasta de figos com mel passada em fatias finas de pão ainda quente... o Kerubin se mostrava bem sociável... conversando com Aldebaran sobre o Brasil... país de origem do gigante de Touro... Athena fez-se presente logo... e sentando-se á mesa com eles cumprimentou o visitante... depois se dirigiu á Aldebaran...

- Aldebaran, poderia por gentileza até a Casa de Escorpião? – Silenciosamente porém lhe mandara a mensagem "por favor... Milo e Shina estão causando problemas, Mascara da Morte não consegue conte-los... poderia verificar? Apenas por precaução..."

- Claro minha Senhora...Com licença...

- Então... - Athena agora olhava para o visitante – O que Aphrodite tem para mim?

- Ela pede desculpas pelo ocorrido com Pan... Mas deseja que lhe entregue o Pomo Dourado...

A Maçã dourada que Éris trazia consigo... Athena a havia pego durante uma recente Guerra Santa com a Deusa da Intriga... filha de Ares por sinal... nos tempos Mitológicos ficara tão ofendida com o fato de ter ficado de fora da disputa pelo título de Protetora da Humanidade, e assim uma das Divindades principais do Panteão Grego que resolvera se vingar causando uma guerra entre as candidatas... Ártemis, Aphrodite e Athena...Entregando para o conselho dos Deuses um Pomo Dourado retirado do Jardim das Espérides...com a seguinte inscrição "Para a candidata mais bela!"...como juiz da disputa escolheram um príncipe Troiano...Paris...Mortal! Aphrodite acabara por compra-lo prometendo-lhe em troca da vitória que a mais bela dentre as mortais seria completamente apaixonada por ele...E assim lhe deu Helena! Causando a Famosa Guerra de Tróia...o Pomo trazia em si a soma das forças de todos os troianos mortos nesta guerra e além! Éris aprisionou nele o Cosmo de diversos deuses menores, e criaturas afim de que o objeto se tornasse poderoso...mesmo que não tivesse tendências Belicosas se estivesse de posse da Maçã Dourada seria um guerreiro nato! Uma ótima chance para a Deusa da Paixão e da Luxúria poder fazer frente a sua rival ... Athena!

- Analise bem a situação Kerubin... Aphrodite vem á mim fazendo-me exigências sem nada me oferecer em troca, e ainda por cima exige coisas que pode usar contra mim e meus Cavaleiros... Acaso minha tia perdeu o pouco discernimento que tinha?

- Hun... na realidade Senhora Palas Athenea, Minha Vênus está lhe dando uma oportunidade de sair pacificamente desta contenda... os termos são claros... ou cede o que Minha Senhora deseja, ou ela irá tomar á força, e tem seus filhos á seu lado... pode lidar com todos os Filhos de Ares renascidos nesta época?

- Tenho meus Cavaleiros para isso e...- Athena se distraia... Perdeu o foco de seu olhar por instantes... voltando logo em seguida para o fio da meada...- Ares foi derrotado miseravelmente...

- Mas Hades cedeu-nos um reforço que lhe é muito familiar...

- Fale claro Kerubin... Vênus não está apenas fazendo pirraça... algo ela quer... algo que eu possuo e não me refiro ao Pomo, a Maçã é mera distração do verdadeiro intento!

- Sua perspicácia é brilhante...

- Então você ir...- Athena sorriu de repente...

- Interrompo algo? – Seiya chegava trajando sua Armadura sagrada... coçando a nuca e com a boca aberta de quem acabara de acordar... - Senti o Cosmo de Athena levemente irritado...

Saori não podia evitar o sorriso nos lábios... esquecera o que estava a falar... Cássius porém olhou de forma analítica o Pégasus...

- Tem razão Palas – Falava olhando para Athena com um sorriso no rosto – Neste Santuário há muito mais que apenas uma Maçã Dourada que interessa á Minha Senhora... Como Mensageiro e Porta-Estandarte de Vênus Aphrodite a Desafio á responder pelo título de Guardiã da Humanidade e arcar com todas as ofensas cometidas á Minha Senhora e os Seus, tais como a Humilhação de Ares, seu Consorte e a posse do Pomo Dourado...

- Palavras corajosas...- Saga agora se punha de pé entre Athena e Cássius seguido por Seiya que o imitara... Porém Athena tocou-lhes o ombro com delicadeza abrindo caminho para fitar os olhos de Cássius...

- Está declarando uma Guerra Santa? Vênus Aphrodite não tem poderes de invadir Meu Santuário e subir as Escadarias das 12 Casas Zodiacais!

- Ela já está presente aqui ao que vejo minha cara...- Cássius olhava para Seiya de modo arrogante – e pelo visto já penetrou até o 14º Templo... que é Sua Morada...

- Pois diga a Vênus Aphrodite que Palas Athena aceita seu Desafio... e será deplorável ver alguém que foi uma das 12 Divindades mais altas do Panteão perder esta Guerra...

- Quem tiver a Humanidade sob seu jugo terá imensa vantagem quando os outros Deuses ressurgirem... mesmo Zeus ...

- Zeus não ressurgirá tão cedo... e Meu Pai me encarregou desta função... Vênus não há de me tirar dela! Agora retire-se de meu Santuário!

- Sim claro, não irei me deter mais neste lugar... aliás Athena... poderia ao menos tentar disfarçar seus Sentimentos... a Paixão é área de Minha Senhora... Atenha-se na Guerra...- e com olhar displicente Cássius colocou a mão no ombro de Seiya, aproximando-se do ouvido do rapaz para lhe dizer baixinho

- Pergunte a sua Amada Deusa o que aconteceu da última vez que ela acolheu um consorte, garoto...

E pegando uma última fatia de pão da mesa, virou-se e saiu... sem se despedir... a Guerra Santa havia sido Declarada... uma Guerra contra Vênus Aphrodite nunca era como as outras... era como jogar xadrez... apostando os corações das peças...

Marin e Aioria estavam em meio a beijos e caricias sob os lençóis da cama do Templo de Leão quanto ouviram Lithos chegar...

Lithos entrava como um furacão na Casa de Leão...

- Mestre Aioria! Mestre Aioria rápido!

Aioria sobressaltou- se levantando apressado... deixando Marin com o olhar de reprovação...

- Não me olhe assim! Sabe que gosto disso tanto quando você! – Aioria então berrou irritado – Maldição Lithos! Já vou!

Entrando debaixo da água fria do chuveiro e saindo rapidamente sob o olhar atento da ruiva...

- Até quando será assim Aioria?

- Só até você decidir nos assumir para o Santuário todo oras! Fala como se eu fosse o culpado!

- Refiro-me á Lithos!

- O que ela tem a ver com isso?

- Será que não vê? – ela continuaria falando se ele não a calasse com um beijo, apenas para logo em seguida vestir a camisa de linho que usava pra treinar ...

Vou ver o que aconteceu volto o mais rápido que puder...me espere por favor...

Marin não teve tempo de protestar... ele saíra apressado... descabelado... molhado... e ela vestiu-se... não iria ficar ali... queria saber qual o motivo da urgência... desconfiava de que talvez... não... não poderia... Lithos era uma menina... fizera sem querer afinal... como saberia que estavam juntos?

Lithos estava com cara inocente... quando Aioria a interpelou com pouca polidez...

- Afinal que raios está acontecendo para você entrar em Casa aos gritos menina!

- Hun...estava no jardim de rosas, descia as escadarias para voltar para casa quando vi seu amigo Milo sangrando... estava ferido no braço e muito nervoso... e a Amazona estava a gritar coisas que não entendo... parecia sério... achei que gostaria de saber...- ao ver Marin despontando atraz de Aioria Lithos fez uma cara de falsa surpresa...- Interrompi algo?

- Não de forma alguma Lithos... - Marin respondera serena...Aioria simplesmente bufara.

- Claro... afinal vocês são amigos não é...- Lithos se esforçava para parecer o mas infantil que pudera...- Meu querido Mestre... vai ver Milo?

- Hunf... vou... vou... mas...- Aioria saiu resmungando desistindo de falar com Lithos...aquela menina estava muito mal educada... e cada vez mais rebelde... o que o irritara mais foi o "vocês são só amigos não é?" desde quando Lithos passou a ser tão irônica? Não... ele estava irritado por ser interrompido num momento tão delicado... só isso... estava procurando motivos inexistentes para brigar com a jovem...

Lithos não pode evitar olhar para Marin com um sorriso no rosto... Sabia que tinha estragado a tarde deles... adorava fazer isso!

- Meu Mestre poderia ter qualquer mulher... sabia que as oficiantes daqui simplesmente o adoram?

- Sim... sei disso... - Marin respondia sem muito interesse...

- Bem... não sei o que o Mestre vê em você...-a expressão infantil de Lithos mudara para uma cara fechada que encarava os olhos da Mascara de Marin com despeito...- tem as mãos calejadas, e cicatrizes no corpo, vive escondida debaixo dessa máscara idiota ... não pode competir com uma mulher de verdade... não poderá competir comigo!

- Não preciso competir... ele já me ama... e você é só uma menina! – Marin levou a mão ao rosto retirando a mascara e encarando Lithos com olhar altivo...- O que pensa fazer? Acha-se á altura de competir com alguém menina?

- Ele pode achar que te ama... mas veremos por quanto tempo! Vai enjoar da bonequinha guerreira e procurar uma mulher de verdade... uma mulher que possa lhe dar uma família... você jamais poderá ter filhos enquanto for Amazona... como poderia cumprir seus deveres grávida? Vestir sua preciosa Armadura e lutar esperando um filho? Admita... seu casinho com ele não sobreviveria... não é uma mulher que possa dar á ele o que ele mais quer...

Lithos saiu com um sorriso de soberba nos lábios... a conversa agora não seria mais produtiva... estava declarando guerra... iria tirar Aioria dela não importava como...

Marin recolocou a mascara e subira as escadarias... Lithos era apenas uma menina arrogante e confusa... mas tinha razão... suas mãos eram calejadas dos exaustivos treinos que tivera sua vida inteira... seu corpo tinha cicatrizes de batalhas diversas e jamais poderia dar á Aioria um filho... sabia que um dia ele iria querer isso... mas não poderia dar-lhe... não enquanto fosse Amazona...

Lithos caminhava satisfeita pela casa de Leão... Fortuna sentada em seu ombro ...

- Não acha cruel a forma como fala com a ruiva?

- Porque?

- Por que sabia que um filho de Aioria era o maior desejo que ela tinha em seu inconsciente e acabou de usar isso para feri-la...

- Sim eu sei... idéia brilhante não é? Agora preciso que descubra mais uma coisa...

Aldebaran não subira até Escorpião... falou silenciosamente com Aioria e decidiu deixar o Leão agir, já que era mais intimo de Milo do que ele... Aioria chegara um pouco antes de Marin... Milo estava sem camisa, limpando o ferimento no ombro... quando o Leão e a Águia chegaram...

- Ótimo! Como se não me bastasse aquele Siri fedido agora o Santuário inteiro vem me visitar!

- Milo...- Aioria não pode deixar de rir, Marin também não continha o riso discreto... – Milo você... por Athena essa mulher vai te matar!

- Oras seu bichano... deixe de ser exagerado! – mas quando Milo lhe deu as costas às gargalhadas de Aioria se tornavam ainda mais histéricas...

- Milo...- Marin tentava conter o riso, ao contrario de Aioria que já nem disfarçava seu divertimento – essas marcas vermelhas nas costas? São arranhões?

Aioria chorava de rir enquanto Milo socava uma pilastra de sua Casa contrariado...

- Não acredito que ela me marcou as costas também!

- Também? – Marin perguntou visivelmente divertida

- Hunf... bem... tem a cicatriz no peito... depois aquele pequeno furo aqui no pescoço...- Milo falava sem jeito...- agora o ferimento no ombro ...

- Não esquece o chute no saco Milo! – Aioria não conseguia parar de rir...

- Não foi um chute!

- Não... foi uma joelhada... isso faz toda a diferença! – Aioria se encostava à parede, escorrendo por ela e sentando-se no chão com as pernas abertas...a mão na testa e o riso gostoso... Marin não pode deixar de sentir uma pontada... como ele era belo quando estava feliz... por quanto tempo ela poderia faze-lo assim?

- Quando terminarem de rir de minha desgraça me avisem... para que eu possa contar o que realmente houve! – Milo respondia com pirraça...

- Aioria, por favor contenha-se...- dizia isso embora ela mesma fizesse um grande esforço para não rir do Arrogante e Orgulhoso Escorpião naquela situação...

Miro contava de forma bastante irritada o que se desenrolara...

- Não devia ter falado nele... é uma ferida muito recente...

- Nele? Você diz Seiya, Marin?

- Sim... ela não está completamente recuperada dele... não devia enfiar o dedo na ferida dos outros...

- Ah claaaaaaro, ela que enfie as garras dela em mim! Devo ser gentil e Cortez enquanto ela me agride!

- Marin tem toda a razão... você não tem idéia de o que ela passou por causa de Seiya e agora que está se reerguendo e você á faz lembrar... foi cruel... baixo demais até pra você "Sedutor" – Aioria não pode conter um risinho...

Shina estava horrível... sentia-se mal consigo... não conseguia entender... repassava mentalmente todas as palavras de Milo... as suas palavras... o beijo... a lembrança do beijo lhe eriçava a pele... sentia o arrepio lhe subir pela coluna ao recordar... Afinal de contas que raio de arrepio era esse! Não podia se dar ao luxo de sentir isso! Aquele era Milo! Sentir qualquer coisa por ele era condenar-se a passar novamente por tudo o que passara por Seiya e ainda mais! Isso era ridículo...ela jamais se sentiria atraída por alguém como ele... era tudo que detestava em um homem... arrogante (como diziam que ela era?), orgulhoso (diziam isso dela também?), arrogante (não era disso que ele á chamara?) venenoso como só um escorpião poderia ser! (ou uma cobra?)... Shina cerrava os dentes... que ódio! Como pode se comparar com aquele ser baixo! Ele a beijara á força! Por duas vezes! "...aposto que o Pégasus nunca a beijou assim não é?" que pergunta fora aquela? É verdade que por mais que quisesse nunca havia de fato beijado Seiya... alias... nunca tinha beijado homem algum! Shina pensou no beijo novamente... tinha de parar de pensar! Queria sair dali mas não queria ver Milo lá fora... tinha de sair dali... sair da casa dele...

Uma batida na porta lhe tirou dos pensamentos e um rosnado irado lhe veio a garganta

- Não quero vê-lo!- aquela voz rasgada... rosnada... com raiva! Como olharia para ele agora? Ele havia visto seu rosto!

Marin entrava...

- Venha, vou te levar pra casa...

Milo estava deitado em sua cama... virava-se de um lado para o outro... não conseguia dormir... o cheiro dela estava espalhado por seus travesseiros... o lençol... sentia-se um adolescente inseguro...

Você deslizou até meu quarto, lábios revestidos de veneno
E seu beijo me derretendo todo, corpo e mente
Não posso me agüentar, 19 anos de idade
Não posso me agüentar, 19 anos de idade
Você é tão boa, tão bela, que me deixa doente
Eu nunca faço nada certo. Por que beijar alguém como eu?
Não posso agüentar isso, dia após dia, 19 anos de idade
Não posso agüentar meu próprio rosto, 19 anos de idade
Como, como, como, como uma borboleta negra, com asas que me servem, eu quero voar
Então não, não, não, não me diga que é idiota se eu tentar
Se eu puder viver desse jeito
Eu posso viver desse jeito?
E se eu não puder me desvencilhar dessa alma que eu tenho, tão suja?
Bem, não importa. Qualquer caminho que eu siga, eu vou simplesmente acabar chegando no futuro de qualquer forma, não vou?
Como, como, como, como uma borboleta negra, com asas que me servem, eu quero voar
Então não, não, não, não me diga que é idiota se eu tentar
Se eu puder viver desse jeito
Eu posso viver desse jeito?
Quero, quero, quero, quero ser uma borboleta negra, quero me sentir amado por alguém
Mesmo se isso só acontecer uma vez em dez
Tudo que preciso é daquele único instante
Posso ter aquele único instante?
Não posso me agüentar, 19 anos de idade...
Não posso me agüentar, 19 anos de idade...
Como, como, como, como uma borboleta negra, com asas, orgulhosa, eu quero voar
Então não, não, não, não me diga que é idiota se eu tentar
Se eu puder viver desse jeito
Quero, quero, quero, quero ser uma borboleta negra, quero me sentir amado por alguém,
Mesmo se isso só acontecer uma vez em dez
Tudo que preciso é daquele único instante
Posso ter esse único instante?