Não possuo direitos sobre Naruto, de Masashi Kishimoto.
• Capítulo 7: Imai •
A decoração na residência Uzumaki estava impecável. O banquete posto à mesa parecia delicioso aos olhos. Os visitantes chegaram antes dos anfitriões à sala de jantar. Conversaram brevemente; Hashirama relembrou Toka sobre o pedido de desculpas que devia à princesa Uzumaki. Tobirama brincou dizendo que queria uma esposa Uzumaki também, se era para ser tão bem recebido. Poucos minutos depois Arashi chegou até o local, cumprimentando-os. Trazia consigo uma caixa de madeira, onde simbolicamente seriam depositadas moedas que comprariam o saquê para a comemoração. Arata chegara pouco depois, trazendo Mito. Dessa vez a princesa conseguira impressionar não somente o noivo com sua beleza e elegância, mas também Tobirama e Toka. Trazia consigo uma bolsa de tecido que possivelmente continha o presente para Hashirama. Hoshi chegara pouco tempo depois e enfim Arata convidou a todos para se sentarem.
Arashi entregou a caixinha de madeira ao pai, que depositou uma boa quantia de moedas, e em seguida para Hashirama, que fizera o mesmo. Mito entregou ao noivo um pacote de tecido branco com o símbolo dos Uzumaki e Senju bordados lado a lado. Nele continha uma saia, presente dado ao noivo como prova de fidelidade no casamento. Uma empregada tomou a caixa de madeira com moedas e em troca outras trouxeram garrafas de saque. O dia de sorte escolhido para o ritual cabia entre aquela semana e a próxima, por isso Hashirama decidira adiantar-se na sua visita. Para finalizar o rito, todos serviram-se, trocando entre si os alimentos. Mais uma noite animada para Hashirama, sendo acolhedora agora para os seus.
Após horas de comemoração, Arata chamou todos até a sala principal. Foi até um baú de madeira com o símbolo dos Uzumaki talhado e retirou dele um grande pergaminho. Entregou-o a Hashirama, explicando que nele havia maior parte dos selos da família e outros secretos, usados apenas pelo alto escalão Uzumaki. Hashirama agradeceu o presente, jurando fidelidade ao segredo e a confiança de Arata e todos os Uzumaki. Tobirama e Toka alegraram-se com a demostração de confiança por parte daquela família com Hashirama.
Depois do momento solene, a comemoração chegava ao fim. Arata aproximou-se de Hashirama informando-o que mais tarde a filha o esperaria no jardim para ser cortejada. O ainda líder convidou os demais para irem à casa da noiva de Arashi, enquanto Hashirama e Mito conversavam. Antes de sair, Toka aproximou-se de Mito, chamando-a para um canto da sala.
— Mito-hime, quero pedir-lhe desculpas pelo ocorrido na manhã.
— Ele pediu que o fizesse, não é? — perguntou Mito, olhando para o noivo que conversava com seu pai.
— Ah, sim. Na verdade, ordenou que o fizesse.
— Sei que não nos conhecemos, mas acredita mesmo que irei magoá-lo? — questionou Mito, séria.
— Não sei, mas não quero que aconteça. — Toka deu com os ombros.
— Você gosta bastante dele, como um irmão, então entendo sua preocupação.
— É que... Ele já se magoou muito uma vez. Não diga a ele que eu contei! — pediu Toka, com tom de voz muito baixo. — Faça-o feliz, é o suficiente para Tobirama e eu. — concluiu, saindo e juntando-se aos demais.
— Já se magoou uma vez, já amou antes outra mulher... — pensou Mito.
Será que o noivo havia conseguido superar a antiga paixão, ou ela teria que conviver com este fantasma? Tudo que sentia da parte do noivo era sincero, mas tinha medo que algo permanecesse omitido nele. Mais tarde quando fossem conversar, perguntaria.
• x •
Mito estava observando sua nova tulipa quando avistou o noivo. Ao chegar no jardim, Hashirama encostou suavemente sua mão à dela e aproximou-se de seu ouvido, sussurrando.
— Não sabe o quanto estava ansioso para vê-la, minha flor.
— Eu também, Hashirama... — Mito sorriu timidamente.
— Está bem? Ainda não tive a oportunidade de lhe perguntar desde que retornei.
— Estou ótima. Apenas nervosa com a ocasião. Mas deve ser normal, não é?
— É possível. Também estou me sentindo assim.
— Como vão as coisas em Konoha?
— Falta sua presença ao meu lado para atingir a perfeição...
— Hashirama, estou falando sério!
— Eu também estou, mas se quer saber de política, estamos todos em perfeita harmonia.
— Certo... E... — Mito pensou por alguns instantes sobre o que perguntar, tentando desviar de sua vontade de questionar sobre o que Toka lhe dissera mais cedo. — Você está feliz?
— Sim, muito. — Hashirama sentiu que Mito queria falar-lhe algo, mas estava evitando entrar no assunto. — Minha flor, algo lhe aflige?
Depois de breve pausa, Mito tomara coragem de perguntar.
— Quem é esta, que você amou ou ainda ama...? — perguntou em voz baixa, fitando o firmamento.
Hashirama engoliu seco diante o questionamento da noiva. Mordiscou os lábios algumas vezes antes de retomar o assunto.
— Minha prima lhe disse algo?
— Só me disse que não queria que você se magoasse novamente.
— Ela está morta. — o Senju virou-se, indo em direção da casa.
— Está fugindo de mim como foge do que ainda sente por ela, Hashirama? — disse Mito mais alto, para que o noivo escutasse.
Hashirama parou ao escutar as palavras de Mito. A muito tempo não falava diretamente sobre Saori e todo o ressentimento pelo acontecido retornara ao seu coração.
— Consigo sentir o que se passa com você agora. Provavelmente está ressentido porque não pode tê-la. Mas não irei atrapalhar-lhe. Falarei com meu pai agora mesmo. — concluiu, indo para a casa em passos mais rápidos.
Ao passar ao lado de Hashirama, este a pegou rapidamente pelo braço, trazendo-a pra si bruscamente. Mito sentiu todo ódio e angústia que haviam no coração do noivo. Soltou-se dele, e fora para dentro da casa, em silêncio. Hashirama permanecera no mesmo local. Aquela mulher, quem ele mesmo tirou a vida, depois de tantos anos não iria manchar sua vida com Mito.
Depois de algum tempo pensando, o Senju correu à procura da noiva. Caminhou pela casa, silenciosamente, procurando por ela. Hashirama pensou e veio-lhe a memória do monte onde Mito e ele haviam estado juntos da última vez. Correu até lá e não a encontrou. Andou até mais próximo do limite e avistou Mito caminhando calmamente pela areia. Pulou até a costa, e correu rapidamente até a noiva. Sentindo a presença do Senju, Mito parou a caminhada.
— Mito!
— O que quer agora? — questionou a noiva, quando Hashirama parou atrás dela.
— Por favor, escute o que tenho a dizer.
— Nada mais importa. Vá para casa repousar. — ordenou Mito, séria, retomando a caminhada.
— Por favor, me dê algum tempo e me ouça. — suplicou Hashirama.
Mito virou-se em silêncio. Olhou séria para o noivo como se dando-lhe permissão para falar.
— Mito, aconteceu a muitos anos. Nada mais existe em mim que me leve ao passado. Por favor, não... Não me deixe.
— Porque tanto ódio?
Hashirama respirou fundo, fechou os olhos por alguns instantes, escolhendo as palavras.
— Desde o acontecido, nunca mais pensei ou falei sobre. É uma lembrança extremamente desagradável. Talvez por isso senti todo o rancor vir até meu coração.
— Sinto muito por isso. Boa noite, Senju Hashirama. Shunshin no Jutsu! — Um redemoinho de areia se fez, e Mito desapareceu da presença do noivo.
Hashirama voltou para a casa em passos lentos, pensando sobre o ocorrido. Culpou mentalmente Toka por falar o que não devia, mas concluiu que a culpa era dele. Deixou que todo sentimento ruim em relação ao ocorrido tomasse o lugar da tranquilidade que sentia ao lado de Mito. Magoou a noiva, e tinha certeza agora que esta o amava realmente.
Chegando na casa, notou que a família de Mito e os seus não haviam retornado, e decidiu ir até o quarto da noiva para mais uma vez tentar falar-lhe. Entrou silenciosamente, e encontrou Mito dormindo. Sentou no chão ao seu lado, aproximando-se da mulher. A princesa abriu os olhos e no mesmo momento, Hashirama fora surpreendido por alguém que impunha uma kunai em suas costas.
— O que quer aqui, Senju Hashirama?
— Um clone... — Hashirama observou, ainda sentado, o clone da noiva desaparecer na sua frente.
Mito baixou a guarda. Hashirama levantou-se e pôs-se frente a mulher. Tentou tocar uma de suas mãos, mas a princesa negou.
— Sua prima tem razão. Tão pouco tempo e já diz estar apaixonado por mim.
— Ela não sabe o que diz, Mito. Por favor, me ouça!
— AAAAAAAHHHH! — Mito gritou, olhando para o teto. — Eu devo merecer isso! Diga logo, homem!
Hashirama deu uma pequena pausa antes de começar a dizer.
— Ela era uma gueixa da capital. Foi a primeira mulher que tive contato. Pouco tempo depois de conhecê-la me vi apaixonado por ela, e logicamente não fui correspondido. Depois de tantas noites e tantos presentes que dei a ela... Achei realmente que ela me amasse. Deveria ter aberto o véu da ingenuidade que cobria meus olhos, mas eu era muito jovem... — Hashirama deu uma pausa, olhando para o chão. — Eu a surpreendi com outros homens numa noite e então, vi tudo como se desfazendo aos meus olhos. Fiquei louco e no fim da noite... — Hashirama parou, respirando ofegante.
— E então o que? — Mito, impaciente.
— Eu a matei. — concluiu Hashirama, sentando-se numa cadeira.
— Você a matou? É o que veio fazer comigo agora?! — disse Mito, puxando de volta a kunai.
— Mito, se disser pra mim agora que não a terei jamais, lance suas palavras junto a sua arma. De nada mais me servirá viver... — Hashirama respondeu, com os olhos lacrimejando.
— Que ridículo, não precisa ser tão dramático! Querendo ou não, me casarei com você, não é? — Mito, irritada.
— De que me serve tê-la ao meu lado e não ter sua confiança? — Hashirama limpou os olhos, indo em direção da noiva. — Eu não sei o que está sentindo, mas jamais quis magoa-la.
Mito levou uma das mãos a boca, apertando os lábios, como se estivesse planejando algo.
— Quer saber como é ser traído pelo passado de quem ama? — perguntou Mito, baixando a voz.
Hashirama assentiu que sim, mesmo sem saber exatamente sobre o que a noiva dizia.
Mito imediatamente puxou-o pela mão em direção ao espaçoso futon. Pediu a Hashirama que se sentasse, e este a obedeceu, em silêncio. A mulher retirou os decalques de seu cabelo, soltando-o em seguida, e desfez as amarras do obi lentamente, olhando para o noivo. Hashirama parecia hipnotizado pelos movimentos surpreendentemente delicados da noiva. O Senju pareceu despertar quando a Uzumaki começou a retirar as camadas de seu quimono, e antes que começasse a livrar-se das faixas que cobriam os seios e o quadril, ele segurou suas mãos pedindo para parar com aquilo. Mito soltou-se bruscamente, e segundos depois revelou o corpo nu ao homem. Ele tentou não observar cada detalhe do corpo sinuoso, mas pareceu impossível. Mito aproximou-se do homem, erguendo-o e ajudando-o a retirar cada uma de suas peças de roupa, enquanto ele oferecia beijos em seu rosto e pescoço. Após corresponder um beijo lascivo do noivo, Mito sugeriu que Hashirama sentasse-se novamente, e em seguida ela se acomodou no colo do homem, cruzando as pernas firmemente nas costas do Senju. Ele movimentou-se rapidamente, mudando a posição, agora para cima da noiva. Perguntou em um sussurro o porque daquilo, e ela respondeu puxando-o pelos cabelos, beijando-o novamente. Ele correspondeu a princesa, que agora buscou as mãos do noivo para seu corpo, deixando-o completamente extasiado, e respirando forte, aceitou sem mais nenhum questionamento as ordens silenciosas da ruiva. Após alguns minutos entre beijos e carícias, Mito posicionou-se para que Hashirama enfim a tomasse. Ele ainda tentou recusar, mas já era tarde. Após cerca de uma hora com a noiva, Hashirama deitou-se ao lado dela, exausto com o clímax que haviam atingido.
— Porque isso, Mito?
— Pra você entender minha mágoa.— Mito levantou-se, passando a mão suavemente sobre o lado do lençol onde permaneceu deitada.
Hashirama observou o que Mito fazia até entender o que a princesa quis dizer. O lençol permaneceu limpo, mostrando que Mito já não era virgem.
— Ela já havia sido de outro antes... — pensou, enquanto sentia o coração amargurar-se aos poucos, seguindo os batimentos fortes.
Olhou para a princesa, que o fitava seriamente. Mito levantou-se e vestiu seu robe, e caminhou até a porta do quarto, abrindo-a.
— Agora estamos entendidos. Boa noite.
Hashirama vestiu suas roupas rapidamente e saiu sem dizer nada à noiva. Ao chegar em seu aposento, deitou-se e pôs-se a pensar sobre quem poderia ser o homem no passado de Mito. Concluiu que começara a sentir o mesmo que Mito em relação ao seu passado com Saori.
• • •
Quando Mito completou doze anos de idade, já conhecia todos os selos da família, inclusive os secretos. Por ordem do pai, a princesa dedicaria-se também, além do treinamento padrão, a praticar taijutsu, aproveitando de sua força física. Uzumaki Imai, mestre em taijutsu, treinaria a princesa.
Quatro anos depois, Mito tornara-se mestre na habilidade e, aos olhos do professor, a mais bela mulher da vila. Imai era um notável soldado de Arata e o esteriótipo perfeito do homem selvagem Uzumaki. Mito admirava-o não somente por ser um aluno prodigioso de seu pai, mas pela beleza rústica, a pintura perfeita do que imaginava ser o homem ideal.
Naturalmente algo além do respeito entre professor e aluna começou a surgir, e não demorou muito até que notassem que o sentimento que cultivavam era recíproco.
Em uma noite, depois de uma festa de recepção aos soldados que retornavam de uma batalha no oeste, Imai viu a aluna sair sozinha em direção da praia. Seguiu discretamente a garota até que a encontrou, caminhando pela areia. Foi até ela e, quando os dois se aproximaram, Mito sorriu para Imai, que retribuiu o gesto. Os dois, silenciosamente, aproximaram-se mais e trocaram um beijo. A partir dali estaria marcado o início do secreto romance entre Imai e Mito.
Poucos meses passaram-se até que Mito decidira entregar-se ao amado. Este inicialmente resistiu à oferta da princesa, pois ela era apenas dezesseis de idade e ele trinta, mas acabou cedendo devido sua insistência e ao amor que sentia pela garota, permitindo que todo desejo que sentiam tomasse forma, e assim tornaram-se eles completamente um do outro.
Para infelicidade de Mito, Imai mostrou-se com o tempo um homem possessivo e obcecado pela garota. Brigava sem motivo aparente, por ciúmes. Chegara a agredir alguns dos seus companheiros por terem, ao seu ver, observando de maneira pouco respeitosa a princesa. Repreendia constantemente a garota por não lhe oferecer mais atenção. As brigas e confusões causadas por Imai fizeram que Mito declarasse o fim do romance, pois não suportaria mais nenhum momento de constrangimento causado pelo comportamento dele, e a decepção era crescente a cada dia.
Imai, não aceitando a decisão da amada, procurou Arata, seu antigo professor, para propor casamento a Mito. Arata recusou de pronto.
— Cheguei a cogitar um matrimônio entre vocês, pois sempre fora prestativo e atencioso com minha filha, mas as coisas mudaram pelo que vejo. Você está desonrando o nome de Mito com toda essa arruaça infundada, desrespeitando-a duplamente, sendo você seu professor. Logo não posso permitir que se casem.
Com as palavras do líder, Imai revoltou-se por não ter o consentimento para o casamento, e por Mito ter seguido as ordens do pai de não mais continuar tendo-o como professor e por ela, por vontade própria, nunca mais tê-lo procurado.
Apesar da decepção com o antigo aluno, Arata não poderia deixar de reconhecer sua capacidade, e algum tempo depois, a fim de evitar mais problemas de Imai com outros alunos, concedeu a ele o cargo de receptor de missões, ordenando que se dedicasse totalmente ao trabalho, deixando de ensinar. Nomeou-o como um dos conselheiros da vila e comandante nas batalhas. Das raras vezes que Imai e Mito encontravam-se, ele aproveitava-se da oportunidade para elogiá-la e dizer o quanto ainda era apaixonado, mas era ignorado pela princesa, que retribuía com o silêncio.
Não fora fácil, mas Mito conseguira eliminar todo o sentimento pelo homem. Toda a decepção que tivera e as amargas lembranças de Imai deram forças para que ela deixasse o romance no passado. Quando Mito completou dezenove anos, Arata decidiu que encontraria um marido para a filha, pois esta já estava na idade de se casar. Algumas semanas depois, Senju Hashirama enviara um comunicado avisando sobre sua visita.
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Nota: Opa, outra interferência! haha. Mas do Imai eu gosto, hehe. Não deixem de comentar!
