As personagens de Bakuten Shoot Beyblade pertencem a Aoki Takao.
Bem, o meu objectivo era ter publicado, no mínimo, três novos capítulos durante este mês de Março. No entanto, apenas consegui actualizar esta história duas vezes - o que, se formos a ver bem, não é mau em comparação com as minhas restantes actualizações. E o tempo passa tão depressa... parece que ainda ontem estávamos no início do mês e que eu tinha publicado o quinto capítulo! Já estamos praticamente em Abril... Bem, o que isto tem de positivo será, por um lado, a chegada mais rápida do calor - penso eu; isto como o mundo se encontra hoje, nunca se sabe.
Tenho a avisar que este capítulo vai ser muito virado para o passado de algumas personagens - para que as conheçam melhor - assim como terá uma cena de sexo implícito. Caso não estivessem à espera e tenham ficado espantados com esta novidade, não se admirem de outras cenas do mesmo género poderem aparecer mais à frente nesta fanfic. Esta história não se vai concentrar apenas no Beyblade e nos mistérios das personagens sendo que, ao longo da descrição dos mesmos, outros assuntos irão ser explorados. Espero que todos os meus leitores sejam donos de mentes abertas. :)
Deixo-vos, então, com este novo capítulo. Boa leitura!
New York City: Versão Editada: Capítulo 6.
Ela podia sentir os seus pés descalços a baterem naquele solo instável e gelado enquanto a mesma corria sem destino certo. As ruas daquela cidade tinham desaparecido e apenas as luzes dos grandes postes de luz a perseguiam, incessantemente. A sua respiração, tal como há uns minutos atrás, encontrava-se ofegante; contudo, naquele momento, toda aquela sua dificuldade em respirar não se tratava de um prazer exuberante, mas, sim, de um medo e paranóia constantes.
Ela vestia somente um bonito vestido de noite, de cetim cor-de-rosa claro, juntamente com o robe branco que ela havia achado por entre os pertences daquele quarto de hotel antes de dar por si mesma a fugir de um pesadelo demasiado surreal para ser verdade. E foi, então, que, de repente, ela teve de parar, a meio da estrada, para observar um carro a vir na sua direcção. O carro era de um tom muito escuro de azul, que facilmente seria confundido com preto, principalmente, durante a noite.
Mas, naquele instante, o seu corpo não conseguiu reagir a nada. Ela simplesmente limitou-se a ficar frente a frente com o carro, e, eventualmente, com o condutor do mesmo, à espera que este chegasse a ela e a tirasse de todo aquele sofrimento. Seria o fim. Contudo, algo de inesperado aconteceu quando, subitamente, o condutor desse mesmo carro, de grandes olhos verdes como esmeraldas, decidiu que não poderia ser o fim daquela bela mulher de longos cabelos castanhos-escuros, a dançarem ao sabor daquele amargo vento. Então, cometeu a sua maior loucura e aquele que seria o passo para um abismo sem fundo e sem regresso.
O condutor de olhos grandes e verdes, como duas esmeraldas, virou o volante na direcção oposta e, segundos depois, chocou contra um outro veículo que conduzia na faixa contrária. O choque fora mortal para esse mesmo condutor. E aterrorizador para aquela que seria, inevitável e secretamente, a culpada por todo aquele grande e terrível sucedido.
Ela pôde sentir pequenas lágrimas salgadas escorrerem-lhe do canto dos seus bonitos olhos castanhos. E as mesmas começaram a ofuscar tudo o que se estava a passar à sua volta - o acidente, o barulho, a confusão, as pessoas, os carros esmagados, o sangue, as ambulâncias, as sirenes... Quando tudo aquilo lhe parecia um sonho demasiado nítido capaz de lhe provocar um peso inexplicável no coração, as suas próprias lágrimas decidiram, também, ajudá-la transformando todo aquele aterrorizante cenário num retrato embaciado.
Mas as lágrimas, por sua vez, eram pesadas demais. E, embora quisessem ajudar, apenas conseguiam tornar o seu corpo mais pesado - os seus pés pesavam, a sua respiração pesava, os seus cabelos pesavam, o seu coração pesava e, naquela altura, já as suas salgadas e finas lágrimas também pesavam. Era peso a mais. Era culpa a mais. E uma imagem desfocada não era o que bastava para esquecer o que se tinha passado mesmo à sua frente. Ela precisava era de apagar tudo isso e mergulhar na sua própria escuridão.
Então, fechou os olhos.
"Jessica!"
Jessica Kelly abriu os seus olhos castanhos, uma vez mais, para se deparar com um par de grandes e belas esmeraldas verdes. A sua prima de dezoito anos, Kobato, encontrava-se vestida com um fato-de-banho em detalhes brancos e cor-de-rosa e os seus longos cabelos encontravam-se agora presos num elástico.
O sol bateu-lhe nos seus olhos e esta sentiu a necessidade de levar uma mão à testa para criar uma sombra que os protegesse de toda aquela luz. E isso permitiu-lhe, também, analisar o sítio onde estava - havia areia branca e fina, havia rochas grandes e médias, havia toalhas e chapéus de sol, havia o som das ondas e o cheiro do mar... Estavam na praia. Agora, sim, lembrava-se.
"O Berry pensa que estiveste a ter um pesadelo."
"Adormeci..." murmurou Jessica para si mesma, ainda deitada na sua toalha, enquanto pensava que ter acordado tão cedo para irem para a praia podia não ter sido a melhor das ideias.
Jessica olhou para o seu lado esquerdo. Numa toalha de praia cor-de-pêssego, a sua prima Kobato brincava com Berry e Garyuu enquanto desenhava sereias na areia e construía castelos de princesas. E tinha dezoito anos de idade. Não que isso a impedisse de agir como quisesse, mas toda aquela necessidade que a mesma possuía em proteger-se numa espécie de concha infantil preocupava Jessica.
"O Berry tem razão." começou Jessica por dizer enquanto se sentava na sua toalha de praia azul-clara. "Tive um sonho muito mau."
"Eu achei melhor acordar-te, Jess." disse Kobato. "Começaste a chorar."
"Obrigada, Kobi." agradeceu-lhe Jessica, com um simples e bonito sorriso. De facto, Jessica só tinha era de agradecer à sua prima por tê-la despertado de um sonho tão esmagador e cruel como aquele. Já não era a primeira vez que sonhava com toda aquela sucessão de acontecimentos, e sabia que não seria, com certeza, a última vez que teria aquele tipo de pesadelos. Contudo, precisava de manter a sua prima Kobato longe de toda aquela escuridão que envolvia grande parte das suas noites, quando esta dormia.
"Estavas a sonhar com o quê?" perguntou-lhe Kobato, interrompendo os seus pensamentos.
Novamente, o vento veio balançar os bonitos fios de cabelo de Jessica e preencher o pequeno silêncio que se criara entre as duas primas e amigas.
"Com uma cidade." respondeu Jessica, após uns minutos. "E essa mesma cidade estava..."
"Assustadora?"
Jessica analisou a sua prima durante uns minutos antes de responder à pequena, mas directa, pergunta. Sabia que a prima não era a definição de normalidade e sabia, também, que esta possuía uma grande capacidade de se aperceber das verdadeiras causas para os incómodos das outras pessoas; principalmente, quando essas outras pessoas se tratavam de alguém por quem a mesma tinha um carinho especial, como era o caso da Jessica. Mas como a rapariga de longos e lisos cabelos cor-de-rosa claros não demonstrava, naquele momento, sinais de perturbação relativamente ao sonho, ou antes pesadelo, de Jessica, esta última largou um suspiro. Estava mais descansada.
Era melhor que a Kobato não se apercebesse de nada. Seis longos anos já se haviam passado desde aquele trágico acidente e Jessica nunca encontrara as forças nem a coragem necessárias para revelar o seu grande segredo à sua prima. Pois o medo de que esta pudesse nunca vir a perdoá-la era demasiado para que as palavras, que revelavam a verdade, saíssem por entre os lábios da morena de longos cabelos castanhos-escuros.
"Sim." respondeu Jessica, por fim. "A cidade estava... escura e assustadora."
Jessica pôde notar um misto de confusão e preocupação contornarem as linhas do rosto da sua prima. Contudo, segundos depois, os lábios desta rasgaram-se num grande sorriso.
"Bem, agora estamos na praia." disse-lhe Kobato. "E o sol está radiante e o céu está limpo!"
"E a água deve estar óptima." concordou Jessica, feliz por ver a sua prima tão animada.
"Vamos nadar, então!" disse Kobato levantando-se da sua toalha. "O Garyuu e o Berry ficam a tomar conta das nossas coisas."
Antes que Jessica pudesse concordar e levantar-se, também ela, da sua toalha, Kobato já tinha ido a correr para a água. Jessica observou, durante um bocado, o esforço da sua prima para entrar na água. Aparentemente, a água estaria fria. E, quando Kobato, por fim, arranjou coragem para entrar, tropeçou numa pequena pedra que estava à beira-mar e caiu de chapa.
"¬¬" a sua prima, definitivamente, não mudava. E o melhor mesmo seria Jessica levantar-se e ir ajudá-la antes que esta se afogasse com cinquenta centímetros de profundidade de água salgada.
Jessica sorriu. O melhor era que nada mudasse e que tudo continuasse assim. Sem Kobato saber toda a verdade.
Não lhe saía da cabeça. Ele não sabia bem porquê, mas aquele anel caído no chão... Ele tinha a certeza de que era igual ao que tinha oferecido a Marina. Porque ele tinha memorizado cada imagem desse mesmo momento na sua cabeça. E tinha um idêntico ao da sua namorada. Aqueles anéis já faziam parte da família dos Branford há mais de vinte séculos e a sua avó, antes de falecer, oferecera-lhos com o propósito de que o seu neto pudesse vir a partilhar uma daquelas belas jóias com a mulher da sua vida. E ele já a tinha encontrado, portanto, foi isso que fez. Entregou um dos anéis a Marina e o outro permaneceria no seu dedo.
Mas, pouco tempo depois, Marina desapareceria. Sem deixar qualquer rasto. Desapareceria de uma maneira tão misteriosa e subtil que nem sete meses de longas e intensas buscas por parte da polícia conseguiriam achar um cabelo dela que fosse.
"Onde estás tu, Marina?" perguntou Alex, enquanto analisava o seu próprio anel e desenhava os contornos do mesmo com os seus dedos.
"A falar sozinho, filho?" era o seu avô, James Branford. Encontrava-se à porta do quarto onde Alex dormia desde que eles tinham chegado a Miami.
"Estava somente a pensar alto, avô." respondeu Alex. "E o avô? O que faz acordado tão cedo?"
"Não é nada cedo, meu rapaz!" exclamou o senhor Branford. "Já são onze e meia da manhã. Daqui a nada é hora de almoço."
"Eu acordei há pouco." confessou Alex, sorrindo para o seu avô que se encontrava vestido com um fato-de-treino azul-escuro. "O avô vai passear?"
"Vou, filho. Vou dar uma volta por aí." respondeu-lhe o seu avô. "O tempo está fantástico e eu gostava de conhecer um pouco melhor esta zona onde a tua tia vive."
"Acho que faz muito bem, avô." disse Alex, levantando-se da beira da sua cama. "Eu também vou dar um passeio, sendo assim. Preciso de arejar as ideias."
"Eu já tomei o pequeno-almoço, rapaz. E tu?" perguntou-lhe o senhor Branford.
"Eu ainda não tomei." respondeu Alex. "Mas como qualquer coisa pelo caminho. Isto é, se o avô não se importar, é claro!"
"Claro que não me importo, filho!" exclamou o senhor Branford rindo-se ao de leve. "Seria um disparate."
"Então vou só mudar de roupa, calçar os ténis e já vou ter consigo à sala para irmos dar o nosso passeio matinal." disse Alex, um pouco mais animado, o que deixou o senhor Branford mais descansado.
"Com certeza, meu filho." disse o senhor Branford. "Vou ficar à tua espera na sala-de-estar, então."
Por volta de dez minutos depois, Alex encontrava-se pronto para ir passear com o seu avô pelas ruas da cidade de Miami. Vestia umas frescas calças de fato-de-treino pretas, uma t-shirt azul-escura e calçava uns confortáveis ténis pretos da marca Adidas.
"Estou pronto, avô!" anunciou Alex quando chegou à sala-de-estar. A seguir, colocou um pé em cima da pequena mesa no centro daquela sala para apertar melhor os cordões de um dos sapatos. "Vamos lá?"
"Vamos embora!" riu-se o senhor Branford enquanto colocava um boné marrom na cabeça. "O teu velhote está pronto para as curvas, meu rapaz!"
"Estou a ver que sim!" exclamou Alex enquanto se dirigia com o seu avô para a porta principal. "Qualquer dia ainda me vence numa corrida qualquer!"
"Mas tu ainda duvidas?" perguntou-lhe o seu avô, na brincadeira.
"Claro que não, avô." respondeu-lhe Alex, sorrindo. "É verdade, então e a tia Rose?"
"A tua tia fica a descansar." disse-lhe o seu avô. "Ela bem que precisa! Andou a trabalhar demasiado, a meu ver!"
"Pois, também creio que sim."
"Olha, filho, certifica-te de que fechas bem a porta, sim?" disse-lhe o senhor Branford antes de sair para a rua.
"Claro, avô. Está bem fechada, não se preocupe." respondeu-lhe Alex logo após fechar e trancar a porta.
Ele não sabia bem porquê nem como explicar aquela sensação, mas algo lhe dizia que aquele passeio com o seu avô iria mudar aquela sua pequena estadia na cidade de Miami. Quem sabe, de forma inesperada.
O sol brilhava, mais uma vez, com uma força incrível logo pela manhã. De facto, aqueles dias de Verão, no que dizia respeito às temperaturas, estavam a ser um autêntico paraíso; só apetecia sair para passear ou ir à praia dar uns bons mergulhos naquela azul e refrescante água salgada presente em todo aquele imenso mar. Mas, para Hikari, aquelas supostas férias de Verão em família estavam a tornar-se tudo menos descontraídas.
Ela ainda se lembrava, detalhe por detalhe, do dia em que acolhera um estranho no hotel onde ela e a sua família se encontravam hospedados. Não conhecia o japonês de lado nenhum, contudo, não conseguiu deixá-lo sozinho na sua situação. Quando este acordou e se apercebeu de que não conseguia lembrar-se de absolutamente nada sobre si mesmo, Hikari não conseguiu ficar indiferente a essa situação e decidiu que o melhor a fazer seria ajudá-lo como pudesse. Nesse mesmo dia, ficou também a saber que esse mesmo rapaz tinha estado a ser perseguido por homens que lhe eram completamente desconhecidos e que, ainda por cima, carregavam armas consigo.
O que quereriam dele? E onde ficaria a tal mansão onde Takao afirmava ter acordado amnésico?
Contudo, a vida de Hikari voltou a sofrer outra reviravolta quando, ao ir comprar jornais após a sua discussão com o moreno de olhos castanhos, chocou, novamente, com um estranho. Mas, desta vez, foi esse estranho quem a segurou pelos pulsos e lhe implorou a sua colaboração, mesmo que este não pretendesse mostrar-se demasiado dependente da sua ajuda. Atitude essa que assustou Hikari a início, e ela ainda tentou fugir, mas ele conseguiu apanhá-la e convenceu-a a observar umas fotografias de pessoas amarradas e amordaçadas.
Com um frio arrepio a percorrer-lhe todo o corpo, Hikari recordou, vivamente, a sensação de terror que se apoderara dela mesma ao analisar cada fotografia que ela teve nas suas mãos. As caras assustadas e confusas daquelas vítimas, o seu aspecto sujo e mal-tratado, o cenário escuro e irreconhecível onde as mesmas se encontravam, os seus olhares vazios e, ao mesmo tempo, a gritar desesperadamente por socorro... Por fim, aquele rapaz, que lhe era completamente desconhecido, explicou-lhe que todas aquelas nove vítimas corriam perigo de vida e que, se ela reconhecesse alguma dessas mesmas pessoas, teria de adquirir a sua ajuda.
Hikari ainda não sabia bem o porquê dele se exaltar daquela maneira e lhe pedir, logo a ela, para olhar para aquelas nove fotografias. No entanto, por mais que ela não quisesse ter nada a ver com aquela pessoa, a jovem rapariga soube, de imediato, que não poderia responder que não ao pedido do rapaz de olhos cor-de-beringela quando, ao analisar todas aquelas horrendas imagens, reconheceu uma determinada pessoa entre elas. Essa mesma pessoa, na altura em que lhe fora tirada a fotografia, vestia um blusão vermelho já mal-tratado e usava, na sua cabeça, um boné vermelho, azul e amarelo. Era Takao.
Havia tantas perguntas que Hikari gostaria de ter colocado, naquele momento, ao estranho e desconhecido rapaz... No entanto, o mesmo apressou a conversa, após ela lhe dizer que havia reconhecido Takao por entre aquelas fotografias e que o mesmo estava a viver com ela, e disse-lhe que o melhor seria marcarem um novo encontro para falarem melhor sobre tudo o que se estava a passar. E ele prometeu-lhe ajudá-la a ela e ao seu novo amigo, Takao, portanto, ela não podia recusar.
Obviamente, a sua concordância apenas surgiu após uma profunda reflexão e alguma hesitação; ela não se tinha esquecido de que Takao lhe tinha contado acerca da perseguição de que este fora vítima, por três homens sem qualquer identificação e armados. Mas algo naquele rapaz, que Hikari não conhecia de lado nenhum, lhe despertou uma certa e estranha confiança. Ela não sabia porquê, mas sentia que se não depositasse a sua confiança naquele rapaz estaria a perder uma grande oportunidade de poder, realmente, ajudar Takao a recuperar a sua memória.
A mão da jovem rapariga de dezoito anos de idade, prestes a fazer os seus dezanove, pousou no bonito e transparente vidro da janela do seu luxuoso quarto de hotel. Os raios solares que incidiam no seu quarto eram quentes o suficiente para aquecerem o seu corpo que, naquela recente manhã, vestia apenas umas calças de ganga azul-escura e uma simples t-shirt branca. Desta vez, ia com o seu ondulado cabelo solto. No seu pulso esquerdo, usava um relógio de couro preto da marca Diesel e, no pulso direito, usava uma larga pulseira de couro castanha, enquanto que, ao seu pescoço, Hikari levava também o mesmo fio que sempre usara desde menina. Um fio de prata onde pendia um bonito e simples anel de ouro branco; esse mesmo fio tinha-lhe sido oferecido pelo seu pai, o senhor Daisuke Hamasaki, quando esta fizera doze anos.
Hikari levou, então, a sua mão direita ao pequeno e elegante anel de ouro branco que pendia no seu pescoço e se encontrava junto do seu peito. Ao tocá-lo, sorriu ligeiramente com a recordação do momento em que o seu pai lho havia oferecido. Nessa altura, eles ainda pareciam pai e filha, pois, nessa altura, eles ainda passavam muito tempo juntos. O seu pai costumava ler-lhe imensas histórias, cantar-lhe canções de embalar para que esta adormecesse sossegada durante a noite, levava-a a passear a um pequeno café onde vendiam os únicos gelados especiais de chocolate que existiam naquela zona da cidade... E comprava-lhe sempre dois. Mas, pouco tempo depois de lhe oferecer aquele fio, tudo mudou.
O seu pai passou a fechar-se horas inteiras dentro do seu escritório a trabalhar e, rapidamente, o seu negócio cresceu o suficiente para que este pudesse montar a sua própria cadeia de empresas comerciais. E, então, o tempo que o mesmo costumava dedicar a Hikari passou a ser dedicado ao trabalho. Somente ao trabalho.
A jovem rapariga soltou um leve, mas audível, suspiro. Como é que as pessoas podiam mudar tanto de um momento para o outro? Que tipo de coisas é que levariam uma pessoa a mudar daquela forma? Passar de doce e carinhoso a sério e estrito. E o que teria aquele anel a ver com todas aquelas nove vítimas capturadas? Porquê é que aquele estranho e desconhecido rapaz reagira daquela maneira ao observar o fio que Hikari levava consigo ao pescoço?
"Tenho a sensação de que hoje vai ser um longo dia..." comentou Hikari para si mesma enquanto ainda olhava a paisagem que se erguia por detrás da janela do seu quarto de hotel. Novamente, outro pequeno suspiro. E, por fim decidida a sair daquele hotel para se ir encontrar com o estranho rapaz que nem sequer lhe revelara o seu nome, pegou na sua simples bolsa preta e abandonou aquele quarto.
Já dentro de um dos elevadores, Hikari encostou as suas costas ao grande espelho que havia dentro daquele pequeno espaço. Foi-lhe inevitável soltar, juntamente com outro suspiro, uma pequena e fina lágrima. A sua vida, ultimamente, não lhe tinha andado a correr muito bem no que dizia respeito a relações; o seu pai estava cada vez mais distante, a sua mãe tornava-se numa pessoa cada vez mais fútil e desinteressada, o rapaz com quem tivera um namoro de quase quatro anos afinal já a andava a trair há mais de um ano... Contudo, ela não podia deixar de ver os seus problemas como meros obstáculos, que teria de ultrapassar naquela difícil fase da sua vida, ao pensar profundamente nos problemas que Takao tinha para enfrentar; fora vítima de rapto por parte de estranhos, não se lembrava de nada acerca da sua vida, nem mesmo da sua família, encontrava-se dependente de uma família que o acolhera naquele hotel... Hikari só podia admirar Takao pela força e esperança que este mantinha, todos os dias, ao acreditar que tudo aquilo teria uma solução e que, mais cedo ou mais tarde, tudo voltaria à normalidade.
Por fim, a porta daquele elevador abriu-se e Hikari reparou, de imediato, no rapaz que caminhava em direcção à saída daquele hotel. Era Manaka.
"Olá." cumprimentou ela com um sorriso ao aproximar-se do jovem rapaz de cabelos negros e olhos azuis-escuros. O mesmo ficou surpreendido ao vê-la.
"Ah, Hikari! Olá." cumprimentou ele. "Vais sair?"
"Sim, vou passear um bocado e pôr as ideias em ordem." mentiu-lhe Hikari. Infelizmente, não podia contar a verdade, ainda, a ninguém. Nem a Takao nem mesmo a Manaka, pois o desconhecido rapaz fizera-lhe jurar a pés juntos que não contaria nada sobre o seu encontro a mais ninguém sendo que isso poderia comprometer os planos de resgate que o mesmo estava a traçar para aquelas, agora, oito vítimas.
"Fazes bem." disse Manaka.
"E tu?" perguntou Hikari, curiosa. "Estás de folga?"
"Vou aproveitar agora que consegui autorização e enquanto ainda não há muito serviço a ser feito para ir às compras." respondeu-lhe Manaka, sorrindo. "E depois vou deixar as coisas num instante a casa para estarem prontas quando eu for almoçar e não me demorar muito."
"Ah, claro." respondeu Hikari sem saber que mais dizer. Não podia convidá-lo a almoçar com ela sendo que ia encontrar-se com o tal rapaz. Ela tinha esperanças de que Manaka não notasse nenhum nervosismo por parte dela nem desconfiasse de nada. Ela detestaria ter de lhe mentir outra vez caso o jovem rapaz começasse a fazer perguntas que poderiam pôr Hikari numa situação desconfortável.
Por fim, os dois abandonaram aquele luxuoso hotel. Contudo, nenhum dos dois se apercebeu que, algures num dos muitos quartos disponíveis naquele edifício, alguém os observava calmamente através da sua janela. Essa mesma pessoa sorria discreta e satisfatoriamente enquanto, digitando um número qualquer no seu moderno Blackberry preto, murmurava para si mesma: "Finalmente."
"Kenny, olha-me bem esta montra!" exclamou Hilary excitada enquanto observava atentamente a montra de uma loja de roupa. "Não é em todo o lado que tu vês tanta roupa de estilistas reconhecidos mundialmente junta!"
"Creio que tens razão." concordou Kenny. "Estou curioso para ir a uma loja oficial de Beyblade."
"Loja oficial? Isso existe?" perguntou Hilary desviando a sua atenção da montra daquela loja para olhar para o seu primo.
"Existe, pois." respondeu Kenny surpreendido com a reacção da prima. "Pensava que sabias disso. Tu que afirmas gostar tanto de Beyblade..."
"Pois, eu sei que há várias lojas com artigos relacionados com o Beyblade e coisas do género." começou Hilary por se justificar. "Só não sabia era que, entre todas essas lojas, havia as oficiais."
"As oficiais são as mais caras e importantes." começou Kenny por explicar. "E essas encontram-se apenas nas sedes oficiais de Beyblade."
"Bem, então nem toda a gente deve conseguir entrar nessas lojas." comentou Hilary, surpreendida.
"Não é bem esse o problema." explicou Kenny. "Toda a gente pode entrar sendo que a estrutura dos edifícios das sedes de Beyblade, espalhadas por todo o mundo, foi desenhada e construída de forma a que a loja ficasse separada da área onde se concentram os escritórios e os locais de treino das equipas profissionais."
"E o que é que uma coisa tem a ver com a outra?" perguntou Hilary sem perceber.
"Tem a ver que as lojas estão bem situadas, pois permitem que todo o tipo de pessoas entre nelas." disse Kenny.
"E porque é que tiveram tanto trabalho com a localização das lojas?" perguntou Hilary ainda sem perceber.
"Já te expliquei." respondeu-lhe Kenny enquanto uma pequena gota lhe aparecia no cimo da testa. "Para que não haja perturbações nos treinos nem nos negócios internos. Imagina, por exemplo, que as lojas oficiais tinham sido, todas elas, construídas perto do edifício dos escritórios."
"Sim..."
"Nesse caso, teria de haver um nível de controlo e de segurança mais elevados." começou Kenny por explicar. "E já nem toda a gente poderia entrar. Apenas as pessoas que estivessem identificadas numa espécie de guest list, que é o que acontece a todas as pessoas que tentam ir à direcção das sedes."
"Então, isso significa que as sedes oficiais de Beyblade são vários edifícios unificados?" perguntou Hilary, curiosa.
"Sim." respondeu Kenny. "O facto das lojas oficiais serem em separado permite, como já te tinha dito anteriormente, que todas as pessoas que queiram entrar, entrem. O que também vem a contribuir para um maior número de vendas e, consequentemente, maior lucro."
"Mas acabaste de dizer que essas lojas são as mais caras." relembrou Hilary.
"E são." afirmou Kenny. "Mas o ponto de estratégia, no que toca ao merchandise, foi muito bem concebido."
"Não consigo ver como." comentou Hilary.
"É fácil de entender." disse-lhe Kenny. "O Beyblade tem-se vindo a tornar num dos desportos mais reconhecidos mundialmente e com maior número de fãs e atletas. O que significa que isso aumenta, em consequência, o número de fãs convictos."
"Ah, já estou a acompanhar-te!" exclamou Hilary. "O facto de ter tantos fãs histéricos e viciados garante-lhes um número de vendas elevado não só nas pequenas lojas espalhadas pelas cidades como, também, nas lojas oficiais situadas junto das sedes!"
"Claro!" disse Kenny, contente que a sua prima estivesse, finalmente, a perceber. "Um autêntico e verdadeiro fã quererá passar pelos estádios e pelas sedes oficiais sempre que possível! Por isso mesmo é que eu digo que toda a planificação no que diz respeito à localização, neste caso, das lojas oficiais foi muito bem concebida."
"E o número de vendas, que já era elevado devido às pequenas lojas, passa a ser ainda maior com a contribuição das lojas oficiais." Hilary já conseguia ver onde o seu primo queria chegar com toda aquela explicação. "Mesmo que estas sejam mais caras."
"Para os verdadeiros fãs, os preços deixam de ser relevantes, a uma certa altura." comentou Kenny.
"E tu sabes onde fica a sede oficial de Beyblade, em Nova Iorque?" perguntou Hilary ao seu primo enquanto lhe ajeitava os seus óculos-de-sol.
"Claro que sei." respondeu Kenny pronta e calmamente. "Eu sei a localização de todas as sedes e lojas oficiais de Beyblade que existem espalhadas pelo mundo inteiro."
"Assim como os estádios." acrescentou Hilary.
"Obviamente."
"Então, vá. Vamos lá a essa tão falada sede." disse Hilary com um sorriso. "Com certeza que contigo por cá as vendas deles não irão baixar."
"Devo confessar que espero encontrar uma disquete especial que traz informações detalhadas sobre todos os concorrentes dos últimos campeonatos mundiais de Beyblade." disse-lhe Kenny demonstrando um certo entusiasmo. "E não apenas sobre os concorrentes, mas também sobre as suas bit-beasts!"
"Bem, mas isso é permitido vender?" perguntou Hilary estranhando o facto da venda de tal produto ser legal.
"É exclusivo. Só existem três disquetes destas espalhadas pelos três países-mãe do Beyblade." esclareceu-lhe Kenny.
"E esperas chegar a tempo de encontrar uma disquete na sede desta cidade? ¬¬" colocou Hilary.
"É possível." disse Kenny. "Cada disquete dessas vale uma fortuna."
"Uma fortuna?" perguntou Hilary. "Quanto?"
"Duzentos mil dólares." respondeu Kenny como se não fosse nada de outro mundo.
"Du-du... duzentos mil... dólares?" Hilary esperava que o valor fosse elevado, mas nada de tão exorbitante. "E tu esperas obter essa disquete com que dinheiro? Pretendes assaltar algum banco, por acaso?"
"Por alguma razão, tenho vindo a juntar a mesada que os meus pais me têm vindo a dar." explicou Kenny. "E ainda não gastei um único centavo."
"E estás à espera que eu acredite que conseguiste juntar duzentos mil dólares a partir da mesada que os tios te deram? ¬¬" perguntou-lhe Hilary num tom sarcástico.
"Não."
"¬¬" Hilary olhou para o seu primo e pensou em como o mesmo não tinha remédio. Era tão ingénuo. "Bem me parecia."
"Na verdade, com a ajuda da herança que recebi o ano passado, consegui juntar trezentos e quarenta e nove mil dólares."
Foi, então, que o rosto de Hilary ficou completamente pálido ao mesmo tempo em que a jovem rapariga sentia o seu corpo estremecer e ficar, subitamente, muito frágil; se ela se descuidasse, a pequena e suave brisa de Verão, que passeava pelos ares daquela enorme cidade, podia levá-la como se esta se tratasse, na verdade, de um furacão.
A seguir, acabou por desmaiar. O que levou Kenny a ficar super aflito. Contudo, e felizmente, alguém que ia a passar por eles apercebeu-se da condição de Hilary e agarrou-a de modo a que esta não batesse com a cabeça no chão.
"O que é que ela tem?" perguntou o rapaz loiro de olhos azuis que tinha ajudado Hilary. "Não será melhor levá-la para o hospital?"
"Não, isto já aconteceu antes." explicou Kenny tentando não parecer muito despreocupado. "Ela vai ficar bem."
"De certeza?" perguntou o jovem rapaz enquanto olhava para Hilary.
"Absoluta." assegurou-lhe Kenny.
"Idiota." murmurou a jovem rapariga de longos cabelos lisos e vermelhos.
Akane Ootsuka encontrava-se sozinha no seu quarto de hotel, deitada na confortável cama de solteiro que se encontrava disposta no centro daquele pequeno espaço. Tinha acabado de tomar um banho e, por isso mesmo, vestia somente uma larga e simples t-shirt azul-escura. Naquela tarde quente de Verão, não lhe importava como estava vestida; para além do mais, encontrava-se sozinha. Não lhe apetecia fazer absolutamente nada - nem vestir os seus compridos vestidos, nem trabalhar no seu cabelo, nem maquilhar-se... Nada. Na verdade, apetecia-lhe ficar um tempo sozinha, sem nada nem ninguém à sua volta para interromper os seus pensamentos.
"Idiota." murmurou ela, uma segunda vez. Contudo, ela não sabia dizer se estava a chamar idiota ao capitão da sua equipa ou se a si mesma, pois, de certa forma, ela sentia que não tinha tomado a atitude correcta ao abandonar o local da piscina quando a bonita rapariga dos Genius, Bella, se aproximou deles, interrompendo o diálogo entre a ruiva e Kevin, pedindo ao jovem e encantado rapaz que este lhe espalhasse creme protector nas costas, descaradamente.
Obviamente, Kevin aceitou, com ambas as mãos a tremer devido ao nervosismo e ao entusiasmo sistemáticos. E Akane não gostou do que viu, não gostou do que ouviu e limitou-se a sair daquela piscina sem sequer avisar o seu capitão e sem sequer cumprimentar Bella. De qualquer forma, ela tinha a certeza, quase absoluta, de que os dois não se importaram nem um pouco com a sua súbita ausência. E o mais provável era terem reparado que ela tinha saído uns minutos depois de muito engate entre ambos.
Akane sentiu uma fina lágrima percorrer o seu bonito rosto. Estava triste, mas não apenas devido ao que acontecera há meros momentos atrás com Kevin e Bella. Ela encontrava-se triste com tudo o que se estava a passar, no geral. Ultimamente, a sua vida não tinha vindo a ser muito satisfatória; aliás, bem pelo contrário - continuava caída de amores por um rapaz de olhos azul-celeste que nem sequer reparava que ela existia como pessoa sendo que apenas pensava nela como colega de equipa, mas o pior de tudo fora o desaparecimento inesperado do seu pai e, pouco depois, a morte súbita e trágica da sua mãe. Ainda por cima, a sua mãe encontrava-se grávida de quase oito meses daquele que poderia ter vindo a ser o seu irmão mais novo.
O seu pai já havia desaparecido há mais de sete meses e a morte da sua mãe tinha ocorrido somente há três meses. Sinceramente, nem ela sabia explicar como ainda se mantinha de pé. Tudo aquilo era demasiado para aguentar. Assim do nada a sua vida decidiu pregar-lhe uma partida e levar para longe de si os seus bens mais preciosos - se ela pensasse na possibilidade de tamanha atrocidade acontecer, há uns dois anos atrás, o mais provável seria ela rir ou então imediatamente afirmar que não conseguiria mais sair de casa; não conseguiria mais prosseguir com a sua vida em frente. No entanto, não foi isso que se sucedera. Ela ainda não sabia explicar porquê, mas havia um sentimento dentro de si que crescia, um pouco, a cada dia que passava e que lhe dizia para ela não desistir nem perder a esperança. Mas... não desistir do quê? Não perder a esperança acerca de quê?
Várias vezes se lembrava e agradecia mentalmente à sua grande amiga Anamatéia, pois ela sabia e tinha a noção de que sem o apoio e sem a ajuda da mesma Akane estaria muito mais perto de uma grave e profunda depressão do que naquele momento. Ana havia sido impecável com ela. Assim que ouvira as notícias acerca da mãe de Akane, sabendo que a amiga não teria mais ninguém, convidou-a (leia-se - obrigou-a) a ficar hospedada na sua casa, em Tóquio.
As duas já se conheciam há quase quatro anos. Akane era natural de Osaka enquanto que Anamatéia era natural da Finlândia. Ambas mudaram-se para a grande capital do Japão no dia do seu aniversário; ambas faziam anos no oitavo dia do primeiro mês do ano. Contudo, enquanto que Akane completava, somente, os seus treze anos, Anamatéia, nessa altura, já entrava na adolescência com a celebração do seu décimo-quarto aniversário. Como que destinado, ao tratarem da sua transferência, ambas se inscreveram e entraram na mesma escola. No entanto, Anamatéia estava um ano mais avançada do que Akane.
A jovem rapariga de longos e lisos cabelos vermelhos-vivos e grandes olhos castanhos-claros ainda se lembrava do dia em que tinha conhecido aquela que passaria a ser a sua melhor amiga. Estavam em Janeiro, a meio do Inverno. Os dias pareciam ficar cada vez mais frios e a neve que caía dos céus de Tóquio pareciam cobrir a cidade na perfeição, criando a sensação de que aquele era uma espécie de mundo mágico. Akane lembrava-se perfeitamente de que havia adorado Tóquio desde o primeiro segundo. Contudo, as boas-vindas não foram como esta havia imaginado - logo após a sua primeira semana em Tóquio, no dia em que esta se estrearia na sua nova escola, um pequeno grupo composto por dois rapazes e uma rapariga, por volta da mesma idade que ela nessa altura, acharam por bem meterem-se com ela, assustando-a e chantageando-a, e obrigaram-na a entregar-lhes o seu cachecol e o seu mais recente walkman, juntamente com o cd que esta ia a ouvir a caminho da escola.
Como é óbvio, a pequena Akane de treze anos encontrava-se aterrorizada e preparava-se para entregar tudo o que os outros lhe pediam quando, de repente, uma rapariga muito alta, mas apenas um ano mais velha que todos eles, apareceu por trás do trio e começou a gritar com eles, assustando-os e dizendo-lhes que deviam ter vergonha em atacar alguém daquela maneira. Ainda lhes ofereceu uns quantos pontapés e, por fim, conseguiu que devolvem-se tanto o cachecol como o walkman inteiros.
A partir daquele momento, diante dos olhos da pequena Akane, Anamatéia passara a ser uma verdadeira heroína. As duas retomaram o seu caminho juntas até à escola enquanto iam a conversar. Entretanto, puderam descobrir um monte de coisas que tinham em comum entre si, o que apenas as levou a aproximarem-se ainda mais. Faziam anos no mesmo dia e no mesmo mês, partilhavam não só o mesmo signo como também o mesmo tipo de sangue, ambas eram ruivas, partilhavam a mesma paixão por Beyblade e tinham gostos muitos parecidos no que tocava à música.
Akane sorriu ao lembrar-se de tudo aquilo, enquanto uma outra lágrima começou a percorrer o seu rosto apenas até à sua rosada bochecha para depois escorrer até aos lençóis brancos daquela cama de hotel. Mesmo após quatro anos, ela e Anamatéia continuavam a ser as melhores amigas e acompanhavam-se para todo o lado. E a alta rapariga de cabelos, agora, longos e da cor-do-fogo, permanecia no papel de heroína protectora da jovem adolescente um ano mais nova. E, então, quando a verdadeira tragédia começou a apoderar-se dos dias de Akane, Ana tornou-se imparável. Acompanhava-a fosse no que fosse, chutava quem quer que se metesse com ela - mesmo que na inocente brincadeira -, ouvia os lamentos e os desabafos da amiga sem dizer absolutamente nada e sempre com um ombro disponível para que esta chorasse... Ela era uma verdadeira amiga e uma pessoa muito boa. E Akane tinha pena que houvesse quem não a visse com bons olhos devido a toda a sua extravagância e mania de falar tudo o que lhe vinha à cabeça. Mas ela conhecia-a muito bem e sabia que, no fundo, Ana era uma rapariga como outra qualquer; tinha as mesmas preocupações e quereres que qualquer outra jovem adolescente na sua idade teria. No entanto, sabia ser muito discreta e disfarçar esse seu lado mais sensível com as suas piadas e com toda aquela sua maneira de ser alegre e extrovertida.
Subitamente, Akane sentiu o seu coração começar a pesar de tal forma que esta sentiu a necessidade de levar uma mão ao peito, próxima do coração, como que para o segurar; para que o mesmo não parasse de bater a qualquer instante devido à tamanha ansiedade que se encontrava a invadir cada centímetro do seu corpo através do ar que esta inspirava e expirava. Já há uns dias que ela, por vezes, sentia uma certa dificuldade em respirar. Contudo, sempre conseguira, no fim, controlar a sua respiração e parar a dor que lhe invadia pulmões, peito, coração e lágrimas. Felizmente, assim pensava ela, nada daquilo se tinha sucedido em frente aos seus amigos e colegas de equipa. Dessa forma, não havia porque preocupar ninguém em demasia. Naquela época, já muito próximos do Campeonato Mundial de Beyblade em Nova Iorque, não seria positivo o surgimento de quaisquer preocupações ou distracções e ela sentia que já tinha influenciado um pouco os restantes membros dos Firesharks com os seus problemas e não queria mais que isso acontecesse. Portanto, iria manter-se discreta relativamente àqueles seus pequenos ataques de hiperventilação.
Tentava, muitas vezes, abstrair-se e não pensar tanto no que se passara com os seus pais, pois sabia que a sua respiração iria começar a falhar novamente. Mas, na verdade, era-lhe impossível não pensar naquele assunto. A todo o momento, a cada segundo que passava, a sua mente levava-a a viajar até à altura em que recebera as notícias que viriam a destruir a vida como ela a conhecia. No nono dia do mês de Outubro, ela e a sua mãe haviam recebido a triste e chocante notícia acerca do desaparecimento do seu pai, o professor Ichiro Ootsuka, de quarenta e três anos, durante uma das suas escavações em território marroquino. O seu pai nunca chegara a ter a oportunidade de ver a sua mãe grávida, embora soubesse que esta esperava um segundo filho. Após aquela escavação, na qual o mesmo desaparecera, ele pretendia voltar para casa e matar saudades da sua filha mais velha, da sua maravilhosa esposa e conhecer, por fim, o seu novo bebé. Mas... nada disso se chegou a concretizar.
Durante os sete meses que se seguiram, Akane nunca perdera a esperança de se encontrar o paradeiro do seu pai. Contudo, quando a morte da sua mãe lhe bateu à porta, do nada, todas as suas forças e todas as suas crenças desvaneceram-se nas leves brisas de Primavera, assim como toda a sua esperança. Ela já não conseguia acreditar em mais nada. A seu ver, talvez a sua mãe lhe tivesse ocultado o facto do seu pai ter sido, na verdade, encontrado morto na tal escavação. Mas, se essa fosse, de facto, a verdade, ela conseguiria perdoar a sua mãe. Talvez ela não lhe conseguisse dar a notícia, na altura, de outra forma. Então, optou por começar por algo que não abalasse o mundo de Akane em demasia. Mas a senhora Sora Ootsuka não poderia adivinhar o que, dali a três meses, iria acontecer - um acidente rodoviário que deixaria a sua cara completamente desfeita, ficando somente reconhecível devido às roupas, ao cabelo, à sua identificação... e à sua gravidez de oito meses. Os médicos ainda puseram a possibilidade de, se se chegasse a tempo, salvar o bebé. Mas já era tarde de mais quando a ambulância alcançara o local do ocorrido.
Dois meses após a notícia da morte da sua mãe, Akane decidiu tentar convencer a sua equipa, os Firesharks, a participarem num pequeno torneio que iria haver na Rússia. Ela sabia que não havia problema em irem para lá; o Dimitri tinha herdado uma enorme e bela mansão no centro de São Petersburgo, portanto, podiam ficar por lá. E dinheiro também não seria problema - tanto Dimitri como Kevin eram jovens com grandes posses monetárias e não se importariam de ajudar a equipa fosse no que fosse, mesmo que financeiramente.
A início, os membros dos Firesharks estranharam e não conseguiram compreender a atitude de Akane. Aliás, Anamatéia até conseguia compreender, mas achava, contudo, que ela não deveria submeter-se a tamanha pressão após tudo o que se tinha passado até há pouco tempo na sua vida. Mas Akane foi teimosa e persistente e não aceitou um não como resposta. Já em lágrimas, ela explicou-lhes que se ficasse mais um dia que fosse parada de certeza que iria cair nas teias duma profunda depressão e que tinha de fazer alguma coisa para abstrair a sua cabeça de tudo o que a tinha vindo a rodear até ao momento. Por isso mesmo, nada melhor que o Beyblade para ajudar os dias a passarem mais depressa e as memórias a tornarem-se menos constantes.
Três meses se passaram entretanto e, felizmente, Akane sentira-se preparada para enfrentar um novo e ainda mais emocionante desafio de Beyblade - o novo campeonato mundial nos Estados Unidos da América.
Embora apaixonada por Kevin, desde o primeiro momento em que o conhecera, com os seus catorze anos, nunca tinha achado coragem suficiente para se confessar. E, principalmente nos últimos tempos, não tinha tido cabeça sequer para pensar em amores ou declarações. No entanto, admitia para si mesma o quão inoportuna e incómoda lhe era a presença daquela nova rapariga na vida de Kevin - a tal de Bella dos cabelos cor-de-rosa e macios como seda, lábios finos e sedutores, olhos grandes e da cor-do-mel... Mas o que ela não conseguia entender era o porquê da presença de Bella na piscina, há meia hora atrás, a ter deixado incomodada a ponto desta sentir necessidade de sair dali sem sequer proferir uma única palavra.
Seria essa a razão pela qual a sua respiração tinha voltado a falhar? Não queria aceitar isso, porque para ela nada poderia ser tão angustiante ou deprimente como a perda dos seus pais. Então, porque é que o seu peito ainda lhe doía? Porque é que ainda lhe custava respirar? E porque é que os seus olhos teimavam em derramar dolorosas e salgadas lágrimas? Porque é que ela não se conseguia levantar daquela cama vestida de brancos e macios lençóis? Porque é que ela não tinha coragem de retirar a sua mão da zona onde o seu coração palpitava, fraco?
Quando Akane deu por si a dor já havia aumentado para o dobro e as lágrimas que percorriam cada canto do seu bonito rosto eram muitas mais, assim como a dificuldade em soltar e procurar ar para alimentar o seu corpo. E, segundos depois da intensidade de todo aquele sofrimento ter aumentado, a jovem rapariga de longos cabelos vermelhos-vivos já chorava gemidos e murmúrios a pedir ajuda. Mas não conseguia elevar a sua voz de modo a que alguém a pudesse ouvir e, posteriormente, ajudar.
De repente, algumas batidas fizeram-se ouvir na porta do seu quarto de hotel e, de seguida, a voz de Anamatéia chamou o seu nome. A mesma dizia-lhe que Kevin queria ir à sede oficial de Beyblade, em Nova Iorque, tratar de uns assuntos relacionados com o campeonato e com a equipa. Mas a Akane não conseguia responder, por muito que quisesse e que necessitasse.
"Estás a dormir?" ela pôde ouvir Ana perguntar do outro lado da porta de madeira.
"Não..." sussurrou Akane enquanto as suas lágrimas caíam violentamente dos seus olhos.
Já em desespero, Akane tentou movimentar-se de modo a sair da cama, mas acabou por derrubar o telefone que repousava na pequena e elegante mesa-de-cabeceira e ela mesma acabou por cair no frio chão daquele quarto. O contraste entre o solo gelado e o calor tórrido que entrava pela janela do seu quarto, naquela tarde de Verão, apenas aumentara a sua ansiedade por que alguém a ajudasse.
"Akane, está tudo bem?" perguntou Anamatéia, novamente. Desta vez, o tom da sua voz demonstrava uma certa preocupação. "O que é que caiu? Estás a dormir?"
"Não..." foi tudo o que Akane conseguiu sussurrar. Então, começou a chorar em prantos e a soluçar bem alto enquanto procurava por algo no ambiente daquele solitário quarto que a ajudasse a respirar calmamente outra vez.
"Akane, o que se passa?" a voz de Anamatéia mudara novamente de tom; desta vez, esta estava desesperada por uma resposta de Akane. Mas a mesma não surgia. "Akane, não te preocupes! Eu vou chamar ajuda! Não te preocupes! Eu volto já!"
Enquanto Anamatéia tinha ido buscar ajuda, Akane podia sentir os seus dedos acompanharem o chão na sua baixa e incómoda temperatura ao mesmo tempo em que os seus cabelos vermelhos como o sangue e como o imparável fogo se espalhavam pela sua face e a acariciavam como que tentando, de alguma forma, acalmá-la.
Por fim, a porta do quarto onde Akane se encontrava hospedada foi aberto, rapidamente, e Anamatéia, juntamente com Kevin, Dimitri e dois funcionários do hotel, correu para junto do seu corpo que tremia como se esta estivesse a ser vítima de fortes compulsões.
"Akane! Akane, o que é que aconteceu?" naquele momento, Anamatéia já a segurava entre os seus braços e abraçava-a fortemente enquanto sentia, também, os seus olhos mergulhados em dor e preocupação ao ver a sua melhor amiga naquele estado. Depois, a mesma voltou-se para as restantes pessoas que a acompanhavam e gritou: "E vocês o que é que estão a fazer aí parados? Ajudem! Ajudem!"
"Chama o 112, Dimitri! Rápido!" Kevin também já gritava e o jovem loiro, desconcertado e apanhado de surpresa por toda aquela inesperada situação, pegou rápida e desajeitadamente no seu telemóvel e digitou o número de três digitos. "Akane... Mas o que é que aconteceu?" o jovem capitão dos Firesharks olhava para a sua colega naquele estado e não sabia sequer como reagir a toda aquela situação. Jamais pensara ver algum amigo seu a passar por uma situação daquelas.
Anamatéia, por sua vez, não largava Akane dos seus braços, embalando-a como se esta se tratasse de uma frágil e magoada criança.
"Vai ficar tudo bem..." sussurrava-lhe ao ouvido, tentando, desesperadamente, tranquilizá-la. "Vai ficar tudo bem..."
"Continua a dormir?"
Tom Hawkes voltou-se para observar o rapaz de curtos cabelos loiros e olhos cinzentos que lhe falava. Era Masato. Ele tinha saído daquele quarto há uns minutos, mas voltara com duas garrafas de água natural na mão. Uma delas, entregara ao jovem e bonito rapaz de longos cabelos roxos e olhos da mesma cor. Este sentava-se numa cadeira, não muito confortável, ao lado da cama de hospital onde se encontrava deitada a rapariga que ele tinha procurado, há uns anos atrás, por toda a parte. A sua irmã mais nova.
"Continua." respondeu Tom com um tom de voz sério. Sabia que muitas pessoas o viam como sendo uma pessoa um pouco fútil e insensível, mas, na verdade, toda essa sua maneira de ser apenas constituía uma máscara perfeita para disfarçar a sua doce e sensível personalidade. Contudo, ele já estava tão acostumado a essa sua máscara que já não conseguia separar-se da mesma, nem mesmo naquela situação. O tom que a sua voz adquiria cada vez que se tocava naquele assunto permanecia exactamente igual ao tom com este conversaria com qualquer pessoa sobre qualquer outra coisa. Mas ele estava preocupado; muito preocupado, aliás. Há já três dias que a jovem rapariga de longos cabelos verdes se encontrava a dormir naquela cama de hospital e ainda não tinha aberto sequer os olhos uma única vez.
"Estará a sonhar?" perguntou-se Tom a si mesmo. No entanto, Masato pôde ouvir o que este dissera, pois o mesmo falara alto.
"Gosto de pensar que ela está a ter um sonho bom e reconfortante." respondeu-lhe Masato, com um ligeiro e triste sorriso. "Se calhar por isso é que ela teima em não acordar."
"Hum." Tom começou a analisar, mais uma vez, o bonito rosto da sua adormecida irmã. Estava tudo a acontecer de repente; o agravamento da condição de Lucy, o desaparecimento de John e de Richard, juntamente com as outras duas raparigas, a separação surpresa dos The Fource devido aos desaparecimentos... A sua vida, de um dia para o outro, tinha sofrido uma reviravolta imensa e inexplicável. E, mesmo assim, ele somente sabia exibir, no seu rosto, aquela mesma séria e insensível expressão.
O bonito rapaz, de vinte e um anos de idade e longos cabelos roxos, sentiu a necessidade de se espreguiçar após tantas horas sentado naquela mesma cadeira sem sequer se levantar para ir comer qualquer coisa. Não conseguia sair de perto da sua irmã, pois sentia e tinha esperanças de que ela pudesse acordar a qualquer momento. No entanto, naquele instante, ele precisava de ir à casa-de-banho, por isso, levantou-se e avisou Masato de que este não deveria desviar nem um bocado a sua atenção de Lucy.
Masato concordou de imediato e Tom já ia a sair daquele quarto quando, subitamente, a voz de Lucy fez-se ouvir através de um pequeno gemido, como se esta estivesse a sofrer ou algo parecido. Em seguida, Tom esqueceu qualquer necessidade que este tivesse e voltou para ao pé da cama onde se encontrava deitada a sua irmã mais nova.
"Lucy?" tanto Tom como Masato chamaram o nome da bonita adolescente de longos cabelos verdes esperando, ansiosamente, por uma resposta.
Contudo, meros segundos depois, Lucy, sem ser capaz de dizer absolutamente nada, voltou a fechar os seus olhos e regressou, mais uma vez, aos seus misteriosos sonhos.
Os seus elegantes dedos dançavam furiosamente no preto teclado, com detalhes em branco, com o intuito de encontrar pistas, através daquele pequeno e portátil computador, que a pudessem levar a novas e actualizadas informações sobre o paradeiro daqueles que levavam consigo os anéis que encerravam, em si, tamanhas energias capazes de, juntas, dominar completamente o mundo.
O tão adorado e aclamado desporto que praticamente todas as pessoas praticavam e apoiavam, denominado de Beyblade, estava, na verdade, por detrás de todas as tragédias e mistérios que haviam começado a invadir aquele planeta, há uns anos atrás. Mal sabiam todos aqueles fãs, e até mesmo os que se achavam donos e sabedores da verdadeira essência daquele desporto mundialmente conhecido (e reconhecido), o que havia sucedido num passado bem remoto ou até mesmo o que estava para acontecer brevemente.
Todo aquele desporto fora um projecto estudado e delineado cuidadosa e astutamente; de uma forma tão perfeita que jamais alguém desconfiaria da verdadeira razão por detrás de todo o mal que sucedida desde há uns tempos e, assim, eles poderiam avançar com os seus planos e com as suas estratégias secretamente, sem que ninguém os ameaçasse ou incomodasse. Aquela seria já a sétima tentativa de dominar o mundo através da energia combinada das mais sete poderosas criaturas, chamadas de bit-beasts, algures guardadas nos piões de sete pessoas.
Contudo, ainda havia muito a fazer. Mas o tempo estava a esgotar-se e medidas ainda mais drásticas haviam começado, aos poucos, a ser tomadas. Papéis distribuídos, cargos designados, criaturas científica e cuidadosamente criadas em secretos laboratórios, simples piões desenhados e desenvolvidos de forma a manter os fãs interessados e desatentos ao que, de facto, se estava a passar, raptos e acidentes inesperados, assassínios brutais... O Beyblade era, na verdade, um esquema muito bem elaborado pelo mais recente grupo, formado por alguns dos mais poderosos e ambiciosos homens do mundo. Esse mesmo desporto já existia há mais de vinte anos, altura em que tal grupo se começou a formar e diabólicas ideias começaram a surgir e a tomar forma.
"Elizabeth."
A jovem rapariga de longos e lisos cabelos castanhos, sentada numa confortável cadeira vermelha, voltou-se para mirar aquele que chamava o seu nome. Era o seu chefe. Ele havia-lhe incumbido a tarefa de reunir todas as informações possíveis sobre as equipas que iriam participar no novo campeonato mundial de Beyblade assim como de outras equipas que ainda não se haviam inscrito.
"O que é que conseguiste reunir até agora?"
"Tenho informações completas e organizadas sobre todas as equipas que se inscreveram até agora no campeonato." informou-lhe Elizabeth.
"Já só falta um mês para o campeonato começar." começou o seu chefe por dizer, sério. "Quantas equipas se inscreveram até agora?"
"Hum..." Elizabeth pegou no seu bloco de apontamentos, os quais ela apenas escrevia com uma esferográfica de tinta vermelha, e procurou a informação que o seu chefe lhe pedia. "Até agora, duzentas e catorze equipas, chefe."
O mesmo sorriu satisfeito.
"São cada vez mais." disse ele. "O Beyblade não pára de crescer."
"Humhum." concordou Elizabeth, ainda sentada. "Mas conseguiremos reunir quatrocentas equipas até à primeira fase de eliminatórias?"
"Sim." respondeu-lhe o seu chefe. "Ainda faltam vinte e nove dias para que o campeonato comece."
"Em vinte e nove dias... mais cento e oitenta e seis equipas..." começou Elizabeth por dizer enquanto analisava algumas das informações que tinha recolhido e das anotações que tinha feito. "Vai ser difícil."
O seu chefe sorriu, mais uma vez. Desta vez, o seu sorriso era meio sarcástico e meio perverso.
"Conto contigo."
Elizabeth olhou um pouco espantada para o seu superior. Até ali, ele apenas lhe tinha dado missões muito simples que facilmente se resolviam com um computador, uns livros, muita pesquisa, muita paciência, muitos blocos de notas e uma esferográfica de tinta vermelha. Por fim, ela poderia sair e concentrar-se numa missão mais carnal e perigosa. Era por aquilo que ela havia estado há espera durante tanto tempo e, finalmente, o seu desejo seria concretizado.
Sorrindo, a bonita jovem de olhos castanhos-avermelhados sorriu e disse: "Pode contar comigo."
"Óptimo." disse o chefe, sorrindo satisfeito. O mesmo já se encontrava pronto para abandonar aquele pequeno e escuro escritório quando, subitamente, Elizabeth levantou-se e dirigiu-se a ele, captando a sua atenção devido, principalmente, à forma sedutora como ela caminhava na sua direcção.
"Sabe o que é que eu também consegui reunir, chefe?" começou ela por perguntar quando já estava bem perto do rosto do seu chefe que a olhava sério. Ao ver a expressão no rosto do mesmo e não ouvindo nenhuma resposta por parte dele, sabia que podia continuar a falar. "Consegui reunir..." continuou ela enquanto acariciava a zona do peito do homem de quarenta e quatro anos à sua frente. "...informações sobre aquela equipa que, supostamente, iria participar neste próximo campeonato mundial, mas que ainda não se inscreveu sequer." disse ela com um tom de voz sedutor. Por fim, aproximou os seus lábios do ouvido direito do seu chefe e sentiu as suas faces corarem, levemente, de luxúria enquanto lhe dizia: "Os Maengun."
Mal ela terminou de dizer o nome da equipa, o seu chefe empurrou-a de forma a que esta caísse sentada, novamente, na cadeira vermelha, o que deixou a rapariga surpresa, mas ainda mais entusiasmada. Ela mordeu ligeiramente o seu lábio inferior quando o seu chefe caminhou até ela e a segurou pelo pescoço, fazendo com que esta se levantasse. Seguidamente, encostou-a à secretária de madeira onde se encontravam empilhados livros, cadernos e folhas soltas - alguns caíram com a força com que Elizabeth fora contra a secretária -, e obrigou-a a sentar-se à beira da mesma. Depois disso, uma das suas mãos começou a percorrer a perna de Elizabeth até que se deparasse com o ponto mais sensível da rapariga, a qual não se conseguiu conter e deixou escapar um alto e breve gemido.
"Diz-me o que sabes, então." começou ele por dizer enquanto a sua mão trabalhava por debaixo do vestido da rapariga de longos cabelos castanhos que respirava pesadamente.
"Ka-Katsuo Matsuda é o capitão da equipa." começou ela por dizer enquanto sentia o seu corpo vibrar a cada toque que o seu chefe lhe proporcionava. "Ele tem vinte anos e cresceu num orfanato em Tó... quio. Juntamente com a sua colega de equipa Ka-... ah!" Elizabeth sentiu a sua cabeça tombar para trás com as sensações que percorriam cada centímetro do seu corpo. Ela havia desejado o seu chefe desde há muito tempo. Este, contudo, com a mão que tinha livre, pegou no seu bonito rosto e fê-la encará-lo novamente.
"Continua." disse-lhe ele, ainda com uma expressão séria desenhada na sua cara.
"Karen Yoshida, é o nome dela." disse ela, tentando concentrar-se na informação que tinha para dar embora o seu rosto cada vez esquentasse mais. "Ela é um ano mais nova... Tem dezanove anos. Os dois fugiram juntos do seu orfanato. Ela tinha apenas quinze anos e ele tinha dezasseis, na altura... Ah..." Elizabeth sentiu a necessidade de fechar os seus olhos para se conseguir controlar e concentrar melhor, contudo, não o fez, pois sabia que o seu chefe queria que ela o olhasse sempre nos olhos. "Tornaram-se sem abrigo durante dois anos até conhecerem Takeshi Wa-Wakashima, outro membro da equipa, de dezanove anos de idade." continuou ela a explicar, com uma certa dificuldade. "Pelos vistos, ele ajudou-os, oferecendo-lhes tecto sem o conhecimento da sua mãe, que já era viúva na altura. Por fim, Yuu Shina, de vinte e dois anos; eles conheceram-se em Osaka e foi lá que se aperceberam das qualidades de cada um e decidiram formar os Ma-Maengun..." o ritmo da sua quente respiração e da sua descompassada pulsação não parava de aumentar.
O homem, ainda de expressão séria, decidiu aumentar o ritmo a que a sua mão penetrava a jovem rapariga, fazendo com que esta gemesse novamente, desta vez, ainda mais alto.
"Só isso?" perguntou-lhe ele. "Durante oito meses infiltrada e só consegues obter esse tipo de informação?"
"Ma-Mas... a culpa não é minha..." tentou Elizabeth explicar enquanto o seu corpo tremia a um compasso incrível.
"Então, é de quem?" perguntou-lhe o seu chefe, aumentando novamente o ritmo a que a sua mão ia.
"Ah... é..." começou Elizabeth tentando explicar. Ela sentia que estava quase a atingir o climax. "É d-dela... é dela, é dela!" por fim, não aguentando mais, Elizabeth fechou os seus olhos e abraçou-se ao seu chefe enquanto atingia o orgasmo, agarrando-o pelos cabelos e arranhando-o ligeiramente na nuca com as suas unhas pintadas de vermelho-vivo.
Entretanto, o seu chefe afastou-se e pegou numa folha em branco para limpar a sua mão. Após deitar esse mesmo papel no pequeno e cinzento balde do lixo, que se encontrava ao lado da secretária, dirigiu-se para a porta daquele escritório e abriu-a.
"Faz então com que ela se apresse em reunir mais informações." disse ele sem virar o seu rosto para encarar Elizabeth, que se tentava recompor, ainda encostada na beira da mesa, enquanto respirava ofegante. "O tempo escasseia." e, dito isto, saiu daquele espaço e fechou a porta.
Os seus olhos grandes e verdes, como duas belas esmeraldas, abriram-se para observarem, um pouco mais, a paisagem simples e monótona que decorava as janelas daquele avião. Finalmente, Katsuo e a sua equipa estavam a dirigir-se para Nova Iorque e iriam inscrever-se no próximo campeonato mundial de Beyblade. Ele sabia que não tinham treinado muito devido aos acontecimentos inesperados e inexplicáveis que tinham começado a atormentar o dia-a-dia dos membros daquela equipa. Mas Katsuo estava disposto a mudar o seu comportamento, a voltar a ser como dantes e a dar força suficiente à sua equipa para triunfarem no novo torneio que se aproximava.
Inspirou e fechou novamente os olhos. Ele queria e sabia que tinha de tirar a limpo toda aquela história sobre a voz feminina que o perseguia e atormentava, por vezes, durante noites seguidas. Ele sabia que estava a acabar, aos poucos, com o equilíbrio de toda a equipa. Os Maengun já estavam formados há quatro anos. Inicialmente, a equipa era apenas constituída por três pessoas - por ele, por Karen e por Takeshi. Mas, inicialmente, a ideia de se formar a equipa nascera durante uma mera conversa e ocorrera tudo ao acaso e com um sentimento de descontracção. Não lhes importava, honestamente, participar em torneios ou coisas do género; apenas praticavam Beyblade pelo prazer que aquele desporto lhes proporcionava.
Contudo, dois anos depois, vieram a conhecer Yuu e este rapidamente se integrou na equipa. Naquela altura, já com quatro membros, novas ideias e objectivos começaram a desenvolver-se em torno da equipa formada, no início, durante uma brincadeira. Os Maengun passaram a treinar e a trabalhar ardua e vincadamente com o propósito de se tornarem numa das melhores equipas que o Japão alguma vez conhecera. E os quatro sabiam que tinham grandes possibilidades para isso.
Decididos a pesquisar e a aprender mais sobre a história e o passado das suas bit-beasts, durante meses, todos os membros da equipa fizeram uma completa pesquisa acerca de cada um e deram por si espantados com o poder que tinham em mãos - Katsuo era o portador e o guardião de Idris, espírito de um dos sete dragões da história do Beyblade. Yuu, por sua vez, era o portador e o guardião de Loex, um dos três espíritos existentes em forma de serpente. Takeshi era portador e guardião de Arion, um espírito com a enigmática e curiosa forma de um sagitário. Por fim, Karen era a portadora e a guardiã de Thanatos, o espírito mais misterioso e surpreendente de todos os que constituíam aquele grupo de Beyblade - um espírito em forma de sombra.
Com certeza, os quatro formavam uma equipa muito poderosa que poderia chegar a fazer história no mundo do desporto, mais concretamente, no mundo do Beyblade. Contudo, houve um momento que definiu, sem sombras para dúvida, os Maengun como uma das equipas de Beyblade que se revelaria como sendo uma das mais poderosas de todo o mundo; o momento em que apareceu o seu quinto membro, Samantha Taylor. A loira apareceu inesperadamente. No entanto, quando se conheceram deram-se todos bem bastante depressa e as coisas aconteceram naturalmente, como acontecera com Yuu. Dias depois de conhecerem a bonita e simpática loira de olhos azuis muito claros, Samantha já fazia parte dos Maengun.
E o que mais os tinha surpreendido tinha sido o facto de que Samantha era outra das portadoras e guardiãs de um dos sete espíritos de dragão que existiam, juntamente com Katsuo. A sua bit-beast era Baeshra e o poder que o seu espírito havia revelado, desde o primeiro combate em que puderam observar a jovem de vinte anos em acção, era incrível. Já para não falar que o espírito do seu dragão era enorme e, de certa forma, estonteantemente belo e assustador.
Decididamente, os Maengun estavam destinados a fazer história.
"Nova Iorque..." murmurou para si mesmo Katsuo enquanto observava, vagamente, o azul céu que se erguia durante aquela tarde de Junho.
"Já falta menos de uma hora para lá chegarmos." respondeu-lhe uma voz feminina ao seu lado, tirando-o dos seus pensamentos. Era Karen. Esta olhava-o e sorria-lhe ternamente enquanto segurava um pequeno livro de capa encarnada nas suas mãos.
Katsuo sorriu-lhe de volta.
"Não te preocupes tanto comigo." disse ele, voltando os seus olhos novamente na direcção da janela. Sabia que a bonita ruiva não parava de se encher de pensamentos e de preocupações sobre ele, mas ele não pretendia causar-lhe todo aquele transtorno. Transtorno esse que ele podia reparar cada vez que a olhava nos seus olhos azuis; esses, não conseguiam disfarçar o que a sua portadora se encontrava a sentir mesmo que ela estivesse a sorrir aberta e ternamente no mesmo momento.
"Sabes que..." começou Karen por lhe responder. Esta também tinha desviado o seu olhar de Katsuo e, naquele momento, fingia concentrá-lo nas palavras impressas naquelas duas páginas das cento e doze existentes no livro que levava consigo. "...isso não me é possível."
Ambos permaneceram em silêncio durante uns segundos até que o jovem moreno libertou um pesado suspiro. De culpa.
"Desculpa." disse ele, por fim.
"Não quero que me peças desculpa." explicou Karen, calmamente. "Eu preciso é que me expliques o que se está a passar contigo, Katsuo."
"Não consigo." respondeu-lhe Katsuo, ainda a olhar através da pequena janela no seu lado esquerdo.
"Porquê?" perguntou-lhe a jovem de dezanove anos, tristemente.
Uma vez mais, um pequeno e ensurdecedor silêncio cresceu entre eles até o jovem capitão decidir quebrá-lo.
"Não sei."
Ao ouvir a resposta dele, Karen levantou os seus olhos do livro que a acompanhava e fixou-os no rapaz que, há tempos atrás, havia sido seu namorado e precioso companheiro.
"Não sei o que está a acontecer." continuou Katsuo a explicar. "Comigo."
"Não percebo porque é que tinhas de ficar com o melhor lugar." os dois puderam ouvir a voz de Samantha a reclamar. "Eu queria ter ficado no meio."
"Eu sei porque é que querias ficar no meio, Sam." respondeu a voz de Takeshi. Mesmo sem olhar, sabiam que, logo a seguir, Takeshi tinha levado com as duas revistas femininas, que Samantha levava consigo, em cima, pois esse acto causou algum barulho e fez com que alguns passageiros olhassem para eles curiosos.
Samantha, Takeshi e Yuu iam sentados nos lugares que se localizavam no centro daquele avião. E, aparentemente, a jovem loira não estava muito satisfeita com o assento que lhe havia calhado e, enquanto esta discutia com Takeshi, Yuu ia de olhos fechados. Mas não dormia.
No entanto, toda aquela agitação, excitação, animação e entusiasmo dos seus colegas, por irem para Nova Iorque, não conseguia contagiar nem Katsuo nem Karen que permaneciam com expressões tristes gravadas nos seus rostos.
Entretanto, Karen não conseguiu mais segurar a pequena lágrima salgada que manchou uma das páginas do seu livro.
"Eu estou aqui." sussurrou a mesma, sabendo que apenas Katsuo a podia ouvir. "Contigo..."
"Bem, Manaka." começou Hikari por dizer quando estes pararam perto de um mini-mercado. "Eu vou continuar."
"Sim, eu fico por aqui." respondeu-lhe Manaka com um simpático sorriso. "Vou fazer as minhas compras num instante."
Por fim, após os dois amigos se terem despedido, Hikari seguiu o seu caminho pela mesma rua e Manaka entrou dentro daquele simples mini-mercado. Podia ter continuado a acompanhar Hikari durante um bocado sendo que havia um outro mini-mercado mais adiante. Contudo, o jovem rapaz já se havia familiarizado com os preços daquele lugar e sabia, com toda a certeza, de que ali os produtos eram vendidos a preços bem mais razoáveis.
Já na zona dos legumes, e com o carrinho das compras cheio de carnes e lacticínios, Manaka decidiu que iria comprar os ingredientes necessários para fazer uma boa e fresca salada. Foi então que, quando se preparava para retirar um saco de plástico onde colocar alguns tomates, uma mão masculina passou à sua frente.
"Desculpe." disse, de imediato, o rapaz dono dessa mesma mão. "Eu não reparei que também ia retirar sacos."
"Não há problema." respondeu Manaka. "Acontece a qualquer um."
Ele e esse rapaz voltaram a cruzar-se à saída do mini-mercado após terem estado na mesma fila para o pagamento. Manaka seguiu o rapaz com o seu olhar, curioso, e observou que o mesmo se dirigiu para ao pé de um senhor já de uma certa idade, que se encontrava razoavelmente perto da saída daquele edifício, oferecendo-lhe uma água e abrindo um dos pacotes de bolachas que tinha comprado.
"Avô e neto, quase que aposto." murmurou Manaka para si mesmo, sorrindo. Era engraçado observar as pessoas no seu dia-a-dia, a viver as suas vidas calma e tranquilamente. Ele sabia que também tinha tido sorte, até ali, por ter chegado até onde tinha chegado. Conseguir estudar e trabalhar ao mesmo tempo, tendo os horários que tinha, não era para qualquer um. Mas ele tinha de o fazer. Tinha de arranjar maneira de se sustentar, com a ajuda que o seu pai, solteiro, lhe podia oferecer.
"Sim." ouviu Manaka ao seu lado. Era a voz do mesmo rapaz de há uns momentos atrás. "O meu avô precisava de descansar então aproveitámos para parar por aqui e comprar uns suplementos." muito provavelmente, o rapaz de cabelo negros e olhos prateados ouvira Manaka quando este tentara adivinhar, para si mesmo, o grau de parentesco entre os dois.
"Ah, desculpa." começou Manaka por dizer, um bocado sem jeito. "Não queria soar mal."
"Não soaste mal." disse-lhe o jovem rapaz enquanto se preparava para comer umas bolachas. "És servido?"
"Ah, não obrigada." recusou Manaka, educadamente. "Eu já tomei o pequeno-almoço e apenas vim fazer umas compras de rotina."
"Não sejas tímido, meu rapaz." ouviu ele o senhor de idade dizer. "Se quiseres comer também estás à vontade."
"Obrigado." respondeu Manaka com um sorriso. "São de cá?"
"Não, viemos de Inglaterra passar uns dias." respondeu o rapaz de cabelos negros.
"Ah, bem me parecia." começou Manaka por dizer. "O vosso sotaque bem que me soava de forma diferente."
"Mas tu também não pareces ser de cá." disse-lhe o rapaz que aparentava ter mais ou menos a mesma idade que ele.
"Mas sou." respondeu Manaka. "Embora tenha características físicas japonesas, os meus pais vieram morar para os Estados Unidos, então eu nasci e fui criado aqui."
"Estou a ver." compreendeu o rapaz. "Sou o Alex. Alex Branford. Prazer." disse o mesmo enquanto estendia uma mão a Manaka.
Continua.
Este capítulo ficou bem curto em comparação com o anterior, mas acontece que eu não queria deixar-vos mal e, como prometido, aqui têm, ainda durante o mês de Março, uma nova actualização de New York City. Infelizmente, não conseguirei publicar mais um capítulo durante este mês, mas o mesmo ficará, brevemente, para Abril.
Devo dizer que este capítulo ficou um pouco aquém do que eu esperava de mim mesma... Eu estou a adorar escrever esta história e não digo o contrário; contudo, este parece-me ter sido o capítulo mais fraco, em termos de interacção entre personagens, que eu já escrevi de entre todos os seis. Sei que podia ter construído muitos mais diálogos, no entanto, se o fizesse estaria apenas a forçar o que não é necessário aparecer. Estaria a dar-vos parágrafos a mais para vocês lerem e sei que isso pode, por vezes, tornar-se um pouco aborrecido.
Outra coisa que mudou neste capítulo, e no anterior, foi a sua estrutura. Eu já tenho tudo pensado acerca da história e, por isso mesmo, vou construindo vários esquemas antes de iniciar a escrita seja de que capítulo for. Contudo, a actual estrutura deste capítulo não se aproximou muito da sua estrutura inicial - duas cenas foram cortadas e três cenas foram bastante modificadas. Isto, porque decidi usá-las apenas no próximo capítulo.
De qualquer dos modos, espero que este capítulo tenha sido do vosso agrado. E mesmo assim este capítulo ainda conseguiu focar-se um pouco mais em personagens a quem eu ainda não havia atribuído muita atenção - como é exemplo a Akane Ootsuka - assim como começar a introduzir os vilões um pouco mais na história - neste capítulo, já puderam perceber que tão cedo o Takao e os seus amigos não terão descanso. Ah, e devo também mencionar a cena da Lucy que deve ter-vos deixado a pensar "Pronto, é oficial: a Hikari passou-se."; mas não, nada disso. Tudo o que eu escrevo leva a alguma cena que, num futuro próximo desta história, terá a sua lógica e será essencial para o desfecho da mesma. Por isso, apenas vos resta, até novas notícias da Lucy, ficarem entregues à vossa curiosidade e à vossa imaginação. Mas afinal, o que se passou com os dragões?
Para quem quiser informações avançadas sobre o próximo capítulo, deixo-vos aqui registado quais as personagens que aparecerão no sétimo capítulo (99% de certezas; excepto, claro, as que forem surpresa - se as houver): Kai Hiwatari, Hikari Hamasaki, Sakura Priestov, os Dasphera, os Firesharks, Alex Branford, Manaka Tadashi, Jessica Kelly, Kobato Shirayuki, os Genius, Sr. Uzumi, Lucy Drubich, os Maengun, os The Fource, os All Starz, Srta. Elizabeth, Hilary Tachibana, Kenny Hood, os White Tigers - sim, vai um capítulo enorme! Por isso, não posso prometer um dia exacto para o publicar, mas posso prometer-vos que será em Abril e que me esforçarei para demorar o menos possível na sua actualização.
E já repararam, com certeza, que já temos algumas equipas e bandas (quase-)formadas nesta história. Portanto, para vos facilitar a vida, deixo-vos aqui os nomes das equipas e bandas que já apareceram e dos seus respectivos membros (por ordem de aparição):
All Starz: Judy Tate, Max Tate, Michael Parker, (restantes membros por aparecer).
Firesharks: Kevin Matheson, Akane Ootsuka, Anamatéia Haika, Dimitri Disniov.
Maengun: Katsuo Matsuda, Karen Yoshida, Samantha Taylor, Takeshi Wakashima, Yuu Shina.
White Tigers: Ray Kon, Mariah Wong, Tao Sensei, (restantes membros por aparecer).
Genius: Bella Verona, Ayane Hanasakuragi, Yamato Sakuramoto, Andrew Davies.
The Fource: John Williams, Richard Knogles, Josh Williams, Tom Hawkes, (restantes membros por aparecer).
Dasphera: Kaoru Mikazuki, Frederick Maddock, (restantes membros por nomear).
Na nota final do próximo capítulo, organizarei as personagens que apareceram até ao momento para vos ajudar um pouco na orientação. Por vezes, podem não se lembrar de certos e determinados pormenores que podem (ou não) ser importantes/essenciais numa personagem específica.
Não tenho disponibilidade para estar a agradecer às reviews uma por uma, como por vezes o faço, mas prometo fazê-lo para a próxima! As vossas reviews são sempre muito importantes e muito bem-vindas! Incentivam-me na continuação da escrita desta minha história. Quero agradecer imenso à Anamatéia Haika, à Xia Matsuyama, à Sakura Priestov, ao Firekai e à Bela pelos maravilhosos comentários e por terem entendido o porquê das minhas actualizações não ocorrerem de forma mais frequente. Muito obrigada! Espero que este capítulo tenha sido do vosso agrado! :)
Ficarei à espera de novas reviews! :)
Até ao próximo capítulo,
Hikari.
