Era dourada
Aiko Hosokawa
Capitulo 6 - Memórias
Saga estava na floresta, camuflado pela negra noite e pela vegetação, os olhos brilhavam de maneira reflexiva. Olhava para Milo que estava sentado em um rochedo e distraidamente contemplava o luar.
Aquela cena lhe trazia lembranças de tempos atrás, tempos recentes, mas que pareciam remotos, tamanhas as mudanças que ocorreram desde então...
Tempos atrás...
Tudo começou com a condecoração dos elfos dourados...
Mais um dia raiava na bela cidade elfíca de Rhovanion.
Em meio a uma pequena clareira um elfo de longas madeixas verdes, vestido com uma larga calça branca e uma bata de igual tonalidade lutava ferozmente, em movimentos ágeis e firmes, com um elfo de aparecia mais jovem vestido da mesma forma e com o longo cabelo lavanda preso em um rabo de cavalo baixo deixando assim as exóticas orelhas e duas belas pintinhas na testa à mostra. Ao redor da dupla havia um pequeno grupo que esperava aflito pelo desfecho da batalha.
A luta seguia, aparentemente equilibrada, porém os corpos cansados e suados pelas horas que a batalha já durava não suportariam muito mais.
Após mais algum tempo, Shion, o elfo de cabelos verdes mestre do jovem Mú, começou a demonstrar mais cansaço e seus movimentos começavam a ficar mais lentos. O mais jovem, percebendo a situação do outro, reuniu toda sua energia, desferindo um último e desesperado golpe, atingindo em cheio a face de seu mestre que vôou longe de encontro a algumas árvores que se quebraram com a violência do choque.
Mú olhou sorrindo, já ciente de sua vitória e, no segundo seguinte, caiu sentado e exausto no chão.
O círculo se desfez, os dez mais jovens foram de encontro a Mú. Com sorrisos e congratulações o mais novo representante da primeira casa Háryes, o último do grupo a receber um título, foi festejado.
A alguns metros dali Shion levantava-se, quando um elfo moreno, que também acompanhou o confronto, aproximou-se. Já estava de pé olhando para o alegre grupo, os mais novos elfos dourados da história, uma geração precoce e já muito marcada pela guerra.
"Sabe o que mais me preocupa, Dohko?". Falou, agora encarando o elfo moreno de lindos olhos verdes que usava uma longa túnica de um amarelo bem claro e com cabelos em belo castanho, também um dourado.
"Diga". Disse Dohko sorrindo ternamente.
"São jovens demais. Saga e Kanon são os mais velhos e mesmo assim são imaturos para receber tal responsabilidade, quem dirá Mú e os outros!".
"Não os subestime. Acabamos de presenciar a força dessa geração!". Dohko tentou ponderar.
"Mais um fato a temer: é poder demais... Veja Milo, mal foi condecorado e já pretende partir, ou então Saga, teoricamente o mais maduro, ele é mimado e um tanto quanto egocêntrico, não sabe ouvir um não, está sofrendo por alguém que nunca amou e nunca irá amar. Isso não deveria acontecer com um elfo...". Falou inconformado, balançado negativamente a cabeça.
"Eles ainda são jovens e irão aprender. Milo, sabemos bem o motivo para sua partida, e Saga, ele tem um grande destino e um coração ainda maior, irá amadurecer". Disse o moreno calmamente.
"É, naquela ocasião Aldebaran ficou assustado e acabou por nos contar o que havia ocorrido com o jovem Milo... Tens razão, a hora da mudança se aproxima e Saga terá diante seus olhos um destino que jamais imaginou. Falando nisso, ela logo chegará". Disse, agora com uma tranqüilidade que somente seu amado conseguia lhe proporcionar.
"Sim, é verdade, ela estará aqui em dois dias". Concordou Dohko olhando para o grupo. Agora Kanon, Milo e Aiolia estavam fazendo um 'montinho' em cima do coitado do Mú, que já estava cansado e dolorido, agora então, se podia supor, ia gastar um tempo ainda maior para recuperar suas energias.
"Kanon também é uma criança...". Shion disse olhando incrédulo para o que faziam com seu discípulo.
"Por Gaia, esses são os meus companheiros de batalha!". Dohko não conseguiu conter o ar divertido e logo em seguida começou a rir sendo seguido por seu amado.
Dois dias se passaram...
"Kanon e Saga, tenho uma missão para vocês...". Shion falou sentado em seu trono, vestido com sua habitual túnica longa, azul escuro, com os longos cabelos verde-oliva soltos e maravilhosamente revoltos.
"Hilda, a representante de Gaia, virá de Avalon após todo esse tempo de isolamento, e cabe a vocês dois trazê-la em segurança para nossa cidade".
"Mas Mestre, somos dourados... Quero dizer... O serviço de escolta é para as outras classes". Kanon falou sem graça, mas aquilo não era obrigação de um dourado!
"Pretende me contrariar?". Shion falou impondo ainda mais sua presença.
"De forma alguma, Grande Mestre, só que...". O gêmeo tentou justificar.
"Só que... nada! Nós vamos!". Saga falou olhando de canto de olho para o irmão em gesto recriminador.
"Melhor assim. Vão, agora". Agora o elfo de cabelos verdes abrandou a voz e o olhar, deixando o corpo relaxar ligeiramente por sobre o trono.
"Sim". Falaram juntos, reverenciando o Mestre e saindo do salão.
"Está louco, Kanon?". Saga perguntou com cara de poucos amigos.
"Nem vem! Você gostou tanto quanto eu!...". Disse com cara emburrada. "... Era só o que me faltava: um dourado tendo que ser sentinela de uma bruxa fria só porque ela é a representante da deusa".
"É, tenho que admitir, não é de modo algum o que eu esperava como primeira missão mas, pelo menos vamos sair um pouco da cidade. Lembro-me de Hilda quando ela era apenas um bebê. Nós a vimos antes dela ir para Avalon, lembra?". Saga falou tentando acalmar seu irmão.
"Como poderia esquecer? Ela era a coisa mais pura que meus olhos já haviam visto. Nós éramos apenas crianças, mas já notamos naquela época que ela era um ser diferente, tamanha sua força... Será que ela virou algo tão feio quanto um orc como a maioria das elfas de Avalon? Elas raspam os cabelos e fazem coisas estranhas...". Kanon fez uma careta e começou a rir.
"Só você mesmo... Vamos embora". Saga falou tentando segurar o riso.
Em Avalon viviam apenas elfas e poucos elfos que tinham mais aspirações à magia e ao misticismo, era uma pequena parcela do povo élfico, mas detentor de grande poder, do qual Hilda era a mais poderosa por ter sido a escolhida de Gaia.
Os gêmeos montaram em seus ocigams, ambos os animais de cor acinzentada mais escura nas patas clareando até o dorso que era cinza claríssimo, e as crinas estendiam-se pelos pescoços em belo tom gris. Levavam um animal, completamente branco, extra, já que somente Hilda viria à cidade, os outros que viessem, escoltando-a, retornariam a sua cidade de origem.
Em pouco tempo o lago coberto por densa névoa foi alcançado pelos dourados, eles desmontaram e ficaram na espera. Um tempo, que pareceu exageradamente longo para os gêmeos, se passou e finalmente o que tanto desejavam ver surgiu.
A cortina de névoa se abriu, revelando uma pequena canoa. À proa desta havia uma figura coberta por um manto negro, somente a silhueta se via, nem a face, nem mesmo os olhos apareciam. Em poucos instantes a canoa aportou, de trás da imponente figura saíram dois belos elfos, ambos loiros, sendo que um tinha os cabelos longos indo até o meio das costas, e, escuros, e belas orbes azuis. O outro tinha os cabelos repicados não chegando aos ombros, em amarelo ouro, os olhos eram negros de intensidade singular. Ambos ajudaram aquela que os gêmeos já sabiam ser Hilda a descer da canoa.
"Misty e Orfeu, foram muito úteis, agradeço por terem me trazido até aqui". Disse ela ainda sem revelar sua face, mas mostrando a força e a beleza de sua voz.
"Não fizemos nada além da nossa obrigação". Respondeu Orfeu, o elfo de olhos negros.
"Mesmo assim fico grata". Disse com doçura.
"Foi um prazer". Disse o outro elfo.
Os dois cumprimentaram os que ali já estavam e logo em seguida entraram novamente na canoa, com o objetivo de voltar a Avalon.
"Por aqui, senhora". Disse Kanon estendendo a mão direita no intuito de guiá-la até o cavalo.
Hilda olhou para a mão estendida logo depois olhou nos olhos do elfo.
Kanon engoliu em seco, o olhar gris era intenso, cheio de vida e poder. Sentiu o chão fugir a seus pés, o coração acelerou de maneira avassaladora, todo o som, tudo o que era externo, pareceu desaparecer ficando apenas as batidas de seu coração e o cálido som da suave respiração daquela criatura misteriosa, ainda oculta pela túnica, mas que agora revelava a ele sua face, mostrando sua beleza fria e desconcertante.
Ouviu o próprio coração bater em ritmo agora mais calmo, porém ao invés de sangue este parecia bombear chamas por todo seu corpo e uma agradável sensação foi tomando conta de seu ser, até que a elfa finalmente se moveu retirando o capuz que lhe escondia a bonita face.
Saga apareceu nas costas do irmão, só agora se ateve à elfa, pois antes prendia sua atenção nos elfos que partiam para Avalon. O gêmeo sentiu algo remexer dentro do si, uma estranha sensação de que havia nascido para aquele ser se fez presente em seu interior. Tinha a nítida certeza de que seria capaz de matar, morrer ou viver por aquela que seus olhos contemplavam e que agora o encarava parecendo desvendar todos os mistérios de sua alma.
Hilda via aqueles que há tempos esperava, os gêmeos que moravam em seus sonhos, eles estavam ali ante seus olhos, não mais eram fruto de suas visões e de seus poderes, ali estavam os seres a quem estava destinada, os elfos aos quais amara quando do primeiro sonho em sua infância... Teria-os! Arrebataria seus corações e se uniriam em um ser mais forte e poderoso do que poderiam supor, pois seriam completos!
Uma alma dividia em três agora se reencontrava para, mais uma vez, se unir em um ser único... Essa era a sina que compartilhavam desde a criação.
"É melhor irmos". Saga chamou, quebrando todo o encanto da cena.
"Sim...". Concordou o outro gêmeo. "... Senhora Hilda, venha, eu a ajudo a montar". Kanon falou em tom estranhamente calmo e cortês.
Ela sorriu timidamente. "Não é necessário". Falou aproximando-se do ocigam branco, acariciando o pescoço do animal e em seguida subindo habilmente, colocando uma perna de cada lado da cela, espalhando a túnica pelo corpo do animal e revelando parte do vestido que, agora se via, era tão negro quanto à peça que o cobria.
Usando de toda a velocidade que aqueles animais poderiam oferecer logo chegaram à cidade, e Hilda foi levada imediatamente ao Salão do Grande Mestre.
"Minha jovem, é bom tê-la conosco!". Falou Shion amistoso, dando um beijo na testa da elfa como se fosse uma criança.
Hilda corou ligeiramente, não esperava aquele gesto. "É uma honra estar aqui". Disse fazendo ligeira reverência.
"Não precisa fazer isso! O correto seria eu reverenciá-la, já que és a escolhida da deusa". Falou, fazendo menção de se curvar.
Os gêmeos olharam incrédulos: o Grande Mestre se curvando!
A elfa segurou-o pelos ombros, impedido que ele se abaixasse. "De modo algum! Fui escolhida pela deusa, não sou a deusa, além do mais, o senhor foi eleito por Zeus para guiar nosso povo...". Terminou abrindo um grande e encantador sorriso.
"Podemos ir?". Saga perguntou impaciente, aquela situação estava chata!
"Por hoje sim, mas amanhã quero que mostrem a cidade a Hilda". Shion disse olhando para eles, depois para ela e por fim abrindo um grande sorriso sendo retribuído por um singelo e delicado sorriso que surgiu na face na jovem. Poderia jurar que via malícia em meio àquela pureza.
Saga abriu a boca para retrucar, porém Kanon foi mais rápido. "Será um prazer!". Falou, sorrindo abertamente.
"Então venham pela manhã, agora podem se retirar. Tenho muito que conversar com Hilda". Falou Shion segurando para não rir da cara que ambos os gêmeos faziam: Kanon parecia uma criança empolgada e Saga uma criança contrariada. Enquanto Hilda sorria internamente, mas não conseguia segurar o pequeno sorriso que se desenhou em seus lábios.
Com esses sentimentos os gêmeos abandonaram o salão.
"Um você já conquistou, porém Saga será mais difícil...". Shion falou dando as costas para a jovem caminhando em direção a seu trono e sorrindo maliciosamente.
"Não entendi o que o senhor quis dizer". Tentou fazer-se de tola, porém não conseguiu conter um pequeno sorriso de satisfação.
"Posso te esclarecer algumas coisas com relação a eles, porém há uma condição". Agora o sorriso do elfo ficou ainda maior.
A curiosidade de Hilda ficou aguçada, tanto para saber mais a respeito de seus anjos quanto para saber o que Shion poderia querer dela. "Que condição, meu senhor?".
"Que você pare de me chamar de 'senhor', me sinto muito velho! E não precisa ser tão formal". Falou sentando-se, só que não no trono, mas no degrau antes dele.
Hilda gostou daquilo, sentiu-se mais à vontade, agora parecia estar em casa, talvez com um pai que nunca teve, já que o seu morrer na batalha contra Hades. Mais uma vez sorriu, caminhou até ele e sentou-se a seu lado. "Tudo bem, então. O que tem a me contar sobre os gêmeos?".
"Kanon não tem problemas, a não ser a pouca maturidade, com ele vai ser fácil lidar, agora Saga... Esse é complicado demais, se envolveu com um companheiro, um elfo dourado que é incapaz de oferecer o que o gêmeo quer, até porque Saga não oferece nada, logo nada terá em troca. Mesmo assim ele insiste, não suporta o fato de alguém 'não morrer de amores' por ele... Esse é o ponto: orgulho! Isso dificulta muito". Falou olhando nos olhos da jovem, que ficou impassível ante a narrativa.
"Existe outra pessoa...". Falou baixando o olhar. "... Isso eu não esperava, porém se Saga não o ama poderá ser mais fácil". Concluiu, recuperando a confiança.
"A outra pessoa é Milo, o representante da oitava família, Scorpyrun, um ser de beleza muito grande até mesmo para um elfo. Ele tem cabelos cacheados, exuberantes e longos, sabes que elfos sempre têm cabelos lisos, por isso Milo chama muito a atenção onde quer que vá, é um jovem encantador, com sua simpatia conquista a amizade de todos, porém é selvagem como um ocigam, não pode ser domado como Saga deseja, mas essa se tornou a obsessão do gêmeo".
"Obsessão?...". Hilda pensou um instante. "... Coitado desse elfo, ele deve sofrer... Saga também deve estar sofrendo, mas vou mostrar para ele o que é o verdadeiro amor". Concluiu com ternura e confiança.
"Sim, espero que sim". Shion disse com carinho percebendo a imensidão da alma e do coração da jovem.
Manhã do dia seguinte...
Saga e Kanon já estavam à entrada do templo sagrado do Grande Mestre. Nas faces os mesmos sentimentos do dia anterior: um feliz e o outro furioso.
Segundos após a chegada dos gêmeos, Hilda saiu do templo com seu típico caminhar, solene e calmo.
Os olhos de Kanon pareciam duas brilhantes estrelas que se ascendiam ante ao divino. Via a elfa, agora podia contemplá-la completamente, vinha com um longo vestido azul piscina justo na parte superior e, aos poucos se abria em formosa roda; as mangas também eram compridas justas no ombro e no início do braço, mas se abriam largamente até chegarem às mãos delicadas que se ocultavam no tecido; no pescoço, uma gargantilha de ouro cravejada com algumas pedras azuis escuras e uma mais clara no meio. Os longos cabelos gris lindamente livres balançavam pelo movimento que o bonito corpo fazia, os olhos pareciam mais azuis que o dia anterior, pois ganharam um brilho diferente que o gêmeo não sabia definir o que era.
Hilda vinha, linda, perfeita! Enquanto Saga só observava com admiração igual à do irmão. "Linda...". Deixou escapar um pequeno murmúrio de admiração.
Do outro lado a sacerdotisa-mor de Avalon sentia o coração bater forte e aceleradamente, as veias queimavam com o fogo flamejante que circulava por cada centímetro de seu corpo. Seus lindos gêmeos, tão iguais aparentemente, mas distintos em alma. Kanon sorrindo com se fosse a pessoa mais feliz do mundo, usando uma calça bege e larga, a camisa era uma bata bem larga de mesmo tom, um cordão claro preso à cintura delineava sutilmente a bonita cintura e caindo suavemente até o meio da coxa direita, os longos fios azuis, ligeiramente ondulados no comprimento, estavam soltos, lindos como o elfo que os possuía. Saga estava com um semblante calmo, porém sério, difícil definir o que estava pensando ou sentindo, vestido completamente de preto, com uma calça larga e uma camisa sem mangas e quase justa ao corpo, os cabelos iguais aos do irmão, estavam presos em um rabo de cavalo baixo e firme de modo que apenas a franja estava por sobre o rosto perfeito.
Hilda sentiu um frio relâmpago passar por seu corpo: a visão era simplesmente magnífica! A grande porta emoldurava a cena que tinha como plano de fundo alguns pequenos e distantes templos e flores rosáceas e brancas, mas nada disso parecia ter importância, os gêmeos eram o que realmente chamava a atenção, era o que realmente era belo!
"Perfeitos!". Sorriu internamente com o pensamento e finalmente chegou até seus amados elfos.
"Bom dia, senhora!". Kanon falou com um enorme sorriso e fazendo respeitosa reverência.
"Senhora". Saga falou modulando a voz em tom sem emoção alguma e também reverenciando a sacerdotisa.
"Me chamem simplesmente de Hilda...". Sorriu discretamente, mas demostrando carinho. "... Aonde iremos primeiro?".
"Vamos passar pelas casas da cidade e depois vamos conhecer os bosques e campinas mais próximas". Saga falou, impassível.
"Ótimo!". Afirmou ela muito contente.
O passeio começou e permaneceu calmo por quase toda a manhã. O dia claro e a temperatura amena eram grandes aliados contribuindo para a agradável sensação que surgiu em meio ao trio. Saga, até então sério e quieto, começou a participar da animada conversa que se desenvolvia entre Kanon e Hilda. Tinha que admitir: aquela união parecia pré-destinada há milênios, a sincronia era perfeita!
O sol já estava em seu auge quando a tríade encontrou-se com um pequeno grupo de jovens aprendizes que se aglomeravam ao redor de algo que os mais velhos não conseguiam visualizar. Chegando mais perto, agora se podia ver o belo animal branco, sua bela crina branca balançava, pois tentava em vão se levantar.
"Um ocigam ferido?". Hilda disse espantada.
Os jovens olharam assustados: eram os dourados! Os mais fortes e a quem viam como ídolos, mas a situação não era boa! Estavam brincando com o animal e houve um acidente... Inevitável conter o medo, ferir um ocigam é um crime!
"Não foi culpa nossa... Foi sem querer...". Falou um dos jovens, os olhos de verde igual ao dos cabelos, estavam repletos de lágrimas e a voz chorosa.
"Calma, minha criança...". Hilda disse abaixando-se e acariciando a face do pequeno elfo. "... Eu cuido dele, pode ter certeza de que tudo ficará bem!". Falou meiga olhando nos olhos do pequeno.
"Promete?". Disse ele, ainda com medo.
"Prometo!".
Dito isso, ela deixou o pequeno e foi até o animal que ainda se debatia. Abaixou-se ficando ajoelhada, sob os olhares curiosos dos presentes, em seguida acariciou o pescoço do animal que se acalmou, guiou a mão até a pata dianteira esquerda, uma brilhante energia branca começou a ser emanada, primeiro das mãos da elfa, logo depois tomou conta de todo o corpo bonito expandindo-se também ao redor de onde estavam.
Saga olhava boquiaberto para aquela magnífica demonstração de poder, uma quente e agradável sensação começou a nascer em seu coração, uma paz nunca sentida, um sentimento maior do que tudo já experimentado! A brancura se tornou mais intensa, parecia transportá-lo para outro lugar, tudo o que era externo desapareceu e Saga viu-se só em meio ao clarão, a sua frente um vulto azulado emergiu do chão moldando-se nas curvas da bela elfa. O jogo de luzes a deixava ainda mais linda, um ser celestial... Divino! Os pés pareciam não tocar o solo iluminado, caminhava como se estivesse flutuando, até que chegou a ele, e com ambas as mãos tocou-lhe a face. Saga pensou em esquivar-se, porém seus pés não eram capazes, seu corpo parecia não querer sair dali e o coração começou a bater mais rápido, o toque suave era como a brisa da primavera que ainda trás o sopro do inverno... Bom demais para negar! Os lábios rosados se aproximaram roçando levemente nos lábios do gêmeo que não conseguia resistir; enlaçou então o corpo menor, aprofundando a carícia. O tempo parou, o universo deixou de existir e logo em seguida ressurgiu mais esplêndido do que um dia já fora.
Em degradê suave as luzes foram desaparecendo. Saga surpreendeu-se ao ver a elfa ainda no chão junto ao filhote de ocigam que agora se levantava sem ferida alguma. Ela então o encarou com um lindo sorriso e olhar brilhante como se dissesse: "Não, não foi um sonho, tampouco uma ilusão".
Saga ficou mudo; ainda sentia o gosto em sua boca, mas sua mente corrompia-se em dúvidas... A figura loira também lhe veio a mente, um aperto no peito, o sentimento estranho... O que estaria acontecendo? "Melhor resolver isso de uma vez!". Afirmou em pensamento.
"Ah! Ele está bem!". Afirmou alegre o pequeno elfo saltitante de felicidade e sentindo o pequeno e puro coração mais leve do que nunca.
Não demorou para que um lindo elfo se aproximasse afoito e muito preocupado.
"O que está acontecendo aqui? Senti uma grande energia e...". Parou ao notar a presença da imponente elfa que o encarava com firmeza.
Saga sentiu o coração acelerar, parecendo saltar do peito, ao ver Hilda olhando fundo nos olhos do loiro elfo recém-chegado.
Era Milo de Scorpyrun.
A sacerdotisa o olhava no fundo das belas íris azuis. Reparou então na beleza rara do rapaz: sim, ele era raro! Ele vestia uma bela túnica comprida em escarlate forte, os pés em sandálias de tiras em couro que subiam ocultas por parte da perna, parte do belo peitoral se via já que a veste era de único ombro, a face era de beleza pura, os traços másculos e fortes, mas ao mesmo tempo suaves, parecia esculpido pelas mãos de Afrodite, inspirada talvez pela beleza de Narciso... Os cabelos... Diferentes de todos os elfos que já havia visto, eram longos e cacheados formando uma bela cascata que lhe caía por todo o dorso e ombros, emoldurando com perfeição a exótica face.
Hilda queria descobrir qual a origem daquela peculiaridade, um elfo puro não poderia possuir tais ondas, tampouco pele bronzeada... Olhou mais fundo, nas raízes do jovem, então uma humana, de longos e cacheados cabelos negros, moldou-se à face do elfo. A semelhança era grande, porém os traços eram femininos e delicados, logo em seguida uma outra forma feminina se fez presente, os cabelos de um vermelho intenso da mesma forma ondulados, olhos da mesma cor, era uma mestiça, meio humana meio elfa, em seus braços um bebê apareceu, e ao seu lado um elfo de longos cabelos loiros quase brancos e profundo olhar azul-céu.
"Filho de uma mestiça...". Murmurou Hilda.
"Como?". Milo perguntou intrigado, havia acabado de chegar, porém parecia já ter visto aquela encantadora figura e aquele pequeno instante pareceu ser muito longo e mágico.
"Nada. Olá, eu sou de Hilda de Avalon". Apresentou-se abrindo um grande e simpático sorriso.
"A Sacerdotisa... É uma honra, senhora. Eu sou Milo, elfo dourado de Scorpyrun". Disse respeitosamente, fazendo pequena reverência.
"Igualmente, Milo". Disse gentilmente.
Kanon explicou a Milo o que havia acontecido, e este se uniu ao trio para conversar por mais algum tempo. Saga, antes descontraído, agora mantinha a expressão séria enquanto os outros três riam e conversavam juntos. Até que a tarde chegou ao fim e Hilda foi novamente deixada no Salão do Grande Mestre.
"Precisamos conversar!". Saga disse sério a Milo, assim que o trio de elfos foi deixado do lado de fora.
"Já vi tudo... Eu vou embora". Kanon falou com pouco caso, aquela história de Saga e Milo já havia acabado há tempos, só o irmão parecia não perceber.
"Boa noite então, Kanon". Falou o loiro sorrindo.
"Boa noite e boa sorte". Disse brincando, seu sorriso aumentou quando viu o olhar irritado do irmão.
"Vamos caminhar". Saga falou ainda sério.
Após algum tempo de caminhada finalmente o mais velho quebrou o silêncio.
"Você já resolveu ficar?". Perguntou autoritário.
"Pelos deuses... Você não muda mesmo! Não adianta querer me controlar, pois nunca haverá alguém capaz de fazê-lo!". Milo ficou arredio, odiava ser tratado com um ser sem opinião ou vontade própria.
"Não quero te dominar...". Tentou ponderar o outro.
"Me responda apenas uma pergunta...". Milo interrompeu o outro falando sério, parando de caminhar e passando à frente do outro, olhando-lhe nos olhos. "Você me ama?". Perguntou seco e direto.
Saga olhou naqueles profundos azuis, incrível como ele parecia ficar mais belo a cada vez que se olhava, cada vez mais perfeito, mais instigante, mais... Excitante!
"Eu te quero... Agora!". Falou sério, logo tomando os lábios carnudos em um beijo quente e afobado que foi correspondido com mesmo fervor.
A carícia era carregada de desejo e luxúria, as línguas se tocavam e invadiam a boca oposta com devassidão lasciva, os corpos se uniram, Saga puxando Milo com desejo pela cintura e pela nuca, até que a mão esquerda do elfo mais alto, antes na cintura do outro, escorregou para dento da túnica vermelha acariciando as costas bem trabalhadas.
Como que trazido à realidade, Milo parou o beijo, mas não se afastou, ficou encarando a bela figura que lhe retribuía com uma incógnita no olhar.
"O que foi?". Saga perguntou confuso.
"Você me ama?". Falou direto, olhando no fundo da alma do elfo.
"...". Saga abriu a boca para falar, porém a frase ficou presa em um nó, e não queria sair de modo algum.
"Milo, olha... Eu...". Tentava articular algo, mas não conseguia.
O loiro o soltou, afastando os corpos e ainda encarando a bonita face, sorriu ao ver o olhar confuso.
"'Não', sua resposta é um simples 'não', mas não fique constrangido, pois também não tenho esse sentimento por você, pelo menos não desse modo. Somos companheiros, e quando a hora chegar lutaremos juntos; somos irmãos, a única família que possuímos é um ao outro, claro, incluindo os outros dourados, mas acho que entre eu e você esse vínculo é mais forte e confundimos as coisas. É melhor parar agora, afinal creio que você já encontrou o que realmente deseja". Disse Milo com estranha naturalidade e um belo sorriso desenhado nos lábios.
"Não é bem assim...". Saga parecia tentar convencer mais a si mesmo do que ao outro.
"Não se preocupe comigo, ficarei bem. Agora tenho que ir...". Não deu tempo para que obtivesse um resposta, simplesmente virou-se de costas e começou a caminhar. Quando já estava a uns três metros no elfo, virou-se para esse abrindo um sorriso malicioso.
"Já estava esquecendo de comentar... Três é um ótimo número!". Afirmou satisfeito, virando-se novamente e voltando a caminhar.
"Como assim 'três é um bom número'?". Falou alto o belo elfo que foi deixado só, porém resposta alguma veio, e em poucos instantes o loiro desapareceu de seu campo de visão adentrando uma das curvas da cidade élfica.
Uma estranha paz tomou conta do coração de Saga, parecia ter tirado um grande peso dos ombros, mas não sabia bem o motivo... Bom, talvez soubesse e começasse a admitir só agora. Resolveu voltar para casa, e só nesse momento percebeu que Milo caminhava no sentido contrário ao seu, porém com um mesmo rumo...
O dia seguinte amanheceu, no céu grandes e pesadas nuvens se formaram logo nas primeiras horas do dia, porém todos os Elfos Dourados deveriam ir ao grande salão para serem apresentados formalmente à representante de Gaia. Não demorou muito para que todo o grupo chegasse.
"Só um momento...". Afrodite chamou a atenção para si em meio à animada conversa que existia entre ele, os irmãos Aiolos e Aiolia, Shura, Carlos e Kanon. "... Cadê o Milo?". A pergunta também foi ouvida pelos demais do grupo, todos então voltaram o olhar para Saga.
"Hunnn... Milo se foi e não sei se volta". Falou sério encarando seus companheiros.
"O QUÊ?". Disse Aiolia surpreso.
"Como assim 'se foi'? Para onde?". Mú se pronunciou mais calmo que o anterior, porém não menos surpreso.
"Perguntar para quê? Vamos atrás dele!". Afirmou Shura fazendo os olhos se voltarem para ele mesmo.
"Boa idéia!". Afirmou Aldebaran, já virando-se para a porta.
"De modo algum!". Saga falou alto, parando à retirada que se iniciava.
"Pensei que você fosse o primeiro a querer ir". Shaka falou, estranhando a postura do amigo.
"É a decisão dele...". Falou o elfo, com expressão conformada.
"Saga está certo!". A forte e imponente voz de Shion chegou aos aguçados ouvidos élficos ali presentes. "Milo é sábio o suficiente para escolher seu próprio caminho, se ele escolheu segui-lo distante de nós nada podemos fazer, a não ser pedir aos deuses que o protejam". Concluiu singelamente sem alterar o tom de sua voz.
Foi necessário aceitar o fato: Milo, o alegre elfo da casa de Scorpyrun, havia deixado Rhovanion... O resto da manhã se passou tranqüila. A pequena cerimônia, que não passava de um chá matinal que se estendeu até o almoço, correu tranqüila e agradável a todos os presentes, apenas o fantasma da partida incomodava...
Pouco tempo após o dia ter chegado ao meio, os dourados partiram de volta a suas casas, porém um deles ficou parado à entrada da mansão do Grande Mestre. Esperava por quem, sabia, logo chegaria. A chuva começou a cair na forma de grossas gotas que encharcavam o solo fértil do reino. Logo a suave presença foi notada, não precisava olhar para saber quem era, apenas uma pessoa lhe acometia com tamanha... Paz.
"Por que ainda está aqui, Saga?". A suave voz de Hilda chamou pelo elfo. No momento em que ele a encarou, ela admirou mais uma vez a beleza de seu amado elfo. Saga vestia uma calça larga de um azul quase branco como a camisa de mangas longas, também larga que cobria outra camisa branca, evitando que o tecido superior, semitransparente, deixasse o peitoral à mostra; por cima do ombro esquerdo existia uma túnica do mesmo tom da calça que se envolvia em todo o braço esquerdo, porém o ombro direito não se cobria devido a ela estar passando pelo dorso e sendo segura pelo braço direito, a peça trazia detalhes em azul forte formando um bonito bordado que ornava todas as laterais do tecido.
"Estava te esperando". Falou ele sério, porém sua face demonstrava calma quase surreal. Ele então reparou na jovem a sua frente, mais uma vez usava um longo vestido, simples, dessa vez em um roxo claríssimo quase chegando ao rosa, sendo esse mais justo ao corpo, deixando-o ainda mais tentador em suas curvas; os cabelos sempre soltos em maravilhosa cascata gris; os olhos, esses pareciam brilhar cada vez mais e enchiam de luz a face alva de aparência delicada e suave; tudo parecia contribuir para valorizar a beleza natural da elfa, a ausência de colares ou outros adornos a deixava ainda mais bela, tal como um ser divino deve ser: belo por si só.
"Me esperando? Para quê?". Falou ela interrogativa abraçando a si mesma tentando afastar o frio que sentia.
Em movimento ágil, Saga retirou a túnica com a qual se cobria, passando-a ao redor do corpo da elfa, por cima dos ombros, segurando ambos os lados da peça à frente do peito da jovem, que agora ia e vinha acelerado, puxou-a delicadamente para mais perto.
"Para dizer que te amo!". Afirmou, já tomando os lábios macios em um beijo calmo, porém apaixonado.
As mãos de Hilda foram para a cintura do corpo bem maior enquanto era puxada para mais perto pela nuca e pela cintura, deixando a peça azul que a cobria ir ao chão. De repente, outro par de mãos a enlaçou por trás, beijando o lado esquerdo do pescoço alvo, já que o outro estava ocupado pela mão de Saga. Não era necessário parar, ambos os que ali já estavam sabiam se tratar de Kanon. O beijo cessou, os irmão se encararam com cumplicidade e carinho trocando um leve roçar de lábios; logo em seguida um forte abraço se formou no trio, sendo que a posição não mudou, Hilda entre os gêmeos e esses abraçando, cada um, as duas únicas pessoas que amavam daquela maneira em toda a Terra-Média...
Fim das lembranças...
Ainda encarava o loiro, ao caminhar até parar a seu lado direito. Estavam à beira de um pequeno desfiladeiro, Milo sentado olhando o horizonte coberto pelo manto negro da noite e vendo as constelações brilhando forte, tal qual a lua quase plena em seu formato.
"Não te compreendo. Mesmo após anos, mesmo tendo encontrado o que queria, ainda assim insiste em fugir!". Falou Saga em tom confuso, olhando para frente vendo a mesma paisagem que o loiro via.
Milo olho para o elfo a seu lado, quase um metro e noventa de beleza exótica vestida de calça marrom envolta em uma coberta cinza para se proteger do frio.
"Sou eu que não compreendo. Não sei o que você quer dizer". Falou, voltando-se novamente para o horizonte.
"Não se faça de tolo, pois sei que não és!". Saga irritou-se ligeiramente, então se ajoelhou ficando um pouco acima dos olhos azuis de seu amigo, passou a encarar a bela face que há tempos não via. Ainda o amava, mas agora como a um irmão, queria que Milo fosse feliz...
"O medo pode dar duas tristes opções: uma é quando se escolhe fugir, e essa é a menos ruim, pelo menos se faz algo... A outra é quando se escolhe ficar no mesmo lugar sem ser capaz de reagir. Independente de qual forma ela é prejudicial a qualquer ser vivo, o correto é lutar pelo seu desejo custe o que custar! Não quero te ver cair nesse vale de melancolia na qual sua alma ameaçar cair, lute, Milo! Essa é a sua natureza!". Confiante, falou um sincero Saga, levando a mão direita ao rosto do loiro para acariciá-lo suavemente.
"O problema é quando essa luta envolve, e pode ferir, pessoas inocentes que não têm nada a ver com a história". Milo disse triste fechando os olhos, sentindo o toque quente e familiar, mas não conseguiu conter as lágrimas que antes não deixou rolar dos olhos azuis que se abriram; elas não deixavam de brotar, demonstrando todo o medo, tristeza e agonia que envolvia aquela alma.
"Esse é seu medo?". Perguntou ternamente Saga, não recebendo resposta verbal, e sim um temeroso olhar afirmativo.
"Ele é um guerreiro, algo me diz que mais forte do que aparenta, logo, sabe o que faz; não demonstra medo, apenas amor... Não se permita perder essa chance, aproveite, pois ela pode ser única!". Mais uma vez sorriu, aproximando-se da face bronzeada e depositando um carinhoso beijo na testa no elfo menor.
"Espero que seja feliz". Falou levantando-se retirando a coberta que o aquecia e colocando-a envolta no corpo de Milo, acariciou a cabeça como se fosse uma criança e nada mais disse ou ouviu, voltando para o acampamento. Não conseguia tirar aquela situação da cabeça, no meio do caminho encontrou com Kamus que parecia estar indo para o local onde antes Saga estava.
"Ele está te esperando!". Falou o gêmeo com um enorme sorriso nos lábios.
Kamus não soube o que responder, apenas fez um sim com a cabeça, ainda muito surpreso com a situação. Porém o encontro durou apenas alguns instantes e logo voltou a caminhar, alguns minutos depois encontrou o elfo de cabelos ondulados sentado à beira do penhasco, envolto em uma coberta cinza, que distraído olhava o luar. Aproximou-se calmamente até chegar às costas do loiro.
"Sente-se, podemos conversar agora". Antes que Kamus pudesse se pronunciar, Milo tomou a palavra em forma de convite.
Kamus o fez, sentou-se à esquerda do elfo, enfim chegou o momento decisivo!
Continua...
N/A Andei, andei e não saí do lugar! Vocês devem estar me odiando agora, mas, por favor, não atirem pedras! Só para matar todas de raiva, o próximo capitulo não é continuação desse, vou falar da guerra entre os reinos humanos que citei em um dos capítulos anteriores.
Dois meses sem atualizar a fic? Sim, tem todo esse tempo, mas considerem, passei por um logo período "travada" sem idéia alguma (por isso não reparem se o capítulo ficou ruim) e logo depois vieram as provas na escola... Precisa de mais motivos?
Descobri que não se pode responder aos comentários no "corpo" da fic (tá nas regras de uso do Fanfction) por isso o agradecimento vai ser breve: galera valeu mesmo o apoio, é bom saber que o tamanho da fic não está incomodando e que vocês estão gostando da estória! Muito obrigada mesmo! Fico muito feliz! A única maneira de me deixar ainda mais feliz é deixar um comentário! (... risos...).
