Une Nuit, localizado na Nona Avenida no Upper West Side, não era o que James tinha esperado. Ele se informara sobre o restaurante antes de ir, portanto sabia que era conhecido por sua fusão de comida francesa e asiática, mas ainda ficou surpreso pelo ambiente. A decoração era sedutora, com iluminação parca e avermelhada. As mesas eram de cobre, cobertas por uma fina toalha branca, e seu centro adornado por um lindo arranjo de pequeninas flores amarelas.
Com a insistência de Lily, eles combinaram de se encontrar no Une Nuit em vez de James apanhá-la em casa. Ele percebeu e compreendeu que ela não queria chamar atenção desnecessária para os dois como um casal.
Após pegar um drinque no bar, ele observou a multidão que estava parada e conversando em círculos, e avistou Lily, rindo com algum sujeito de boa aparência, que, na verdade, parecia modelo masculino.
Franzindo o cenho, caminhou até ela, ciente dos olhares em sua direção. Estava acostumado a olhares e sussurros quando era reconhecido.
Quando Lily o viu, um sorriso ainda brilhando nos olhos, exclamou:
— James, você está aqui!
Aparentemente, atrasei demais, pensou ele, sentindo uma pontada de ciúme do companheiro dela. Inclinando-se, beijou-a no rosto, tocando-lhe o cantinho dos lábios de propósito. Lily estava vestida de preto, assim como ele, e parecia fantástica.
Quando ele se endireitou, deu a ela um sorriso íntimo.
— Olá.
— James, você conhece Anthony? — perguntou ela, gesticulando com a mão que segurava o cálice de vinho.
James olhou para o homem em questão e notou o semblante divertido no rosto dele. Por que Anthony não ia para qualquer outro lugar e os deixava sozinhos?
Em voz alta, murmurou:
— Não conheço. — Ele estendeu a mão. — James Potter.
O outro homem a apertou.
— Prazer James.
James quase fez uma careta. O homem tinha sotaque francês. Ele teria de competir com o charme de um estrangeiro?
— Anthony é gerente do Une Nuit — disse Lily. — James é...
— Eu sei quem é James Potter, chérie — interrompeu Anthony com um sorriso amplo nos lábios. Em seguida, voltou-se para James: — Lamento, mas o trabalho me chama agora, então terei de deixá-lo com sua amiga.
James observou quando Anthony beijou Lily no rosto, e então partiu, lançando a ele um outro olhar divertido antes de sair.
Anthony, pensou James com amargura, parecia o tipo de pessoa tão charmosa que podia tirar mel das abelhas. Voltando a cabeça para Lily, perguntou:
— Vocês dois se conhecem bem?
— Anthony é gerente daqui há muito tempo. ― Nada reconfortante, pensou James.
Lily o chamou, e, com olhos estreitos, ele a seguiu enquanto se misturavam com a multidão reunida em grupos.
Ela ia cumprimentando pessoas no caminho, até que foi parada por um homem que, na opinião de James, também tinha uma boa aparência, apesar de mais parecer um playboy. O sujeito era alto, aproximadamente 1,90m, como James, mas parecia uma década mais velho, talvez beirando os quarenta anos.
Ótimo. Estava destinado a passar a noite inteira despistando rivais em potencial?
Parada ao lado do homem de cabelos escuros, havia uma loira de olhos verdes com corpo curvilíneo. Ela olhava para o playboy com admiração, mas ele mal parecia notar, a atenção voltada diretamente para Lily.
Que coisa. James deu um passo à frente, aproximando-se de Lily.
Ela olhou para cima, parecendo perceber, de súbito, que ele ainda estava lá.
— James — disse ela — este é meu tio Benedict Evans, o editor-chefe da The Buzz, e sua assistente executiva, Rachel Adler. — Para Benedict e Rachel, acrescentou: — James Potter.
Os ombros de James relaxaram. Precisava se controlar. Sua atração por Lily estava começando a enlouquecê-lo, ainda que, logo após a entrevista, ele tivesse sido capaz de compor grande parte da melodia e da letra da música evasiva em sua cabeça.
Apertou a mão de Benedict e notou que o aperto do tio de Lily era tão firme quanto o seu.
— É um prazer conhecer você — disse Benedict com um sorriso simpático. — Lily me contou que a entrevista foi muito boa.
— A entrevistadora fez o seu trabalho. ― Benedict riu.
— De qualquer forma, apreciei o fato de você ter disposto de seu tempo — murmurou Lily com um sorriso. — Nós estamos numa corrida louca e cada coisinha ajuda.
A conversa então se voltou para uma discussão da indústria musical e quem estava no topo dos gráficos musicais, ou estaria, em breve, com novos CDs.
Quando a conversa finalmente terminou e Lily tinha continuado a andar com ele pelo salão, James perguntou:
— O que você quis dizer com "estamos numa corrida louca"?
— Eu lhe conto mais tarde.
— Conte-me agora.
Ela suspirou e concordou, resignada.
— Meu avô, que fundou a Editora Evans, recentemente anunciou que o diretor de qualquer revista da editora que trouxer mais lucros para a empresa até o final do ano vai sucedê-lo como diretor geral.
James assobiou.
— Então, basicamente, ele está deixando seus descendentes lutarem entre si para ver quem irá sucedê-lo?
— Infelizmente, sim.
— Então foi isso que a deixou tão desesperada para tentar enfrentar o leão em seu esconderijo — concluiu ele. — Você estava esperando que uma entrevista comigo a ajudaria a chegar lá.
James a observou dar de ombros.
— Fiz isso por mim mesma e pela The Buzz. Somente espero que o desafio de vovô não separe esta família.
Ele fez uma careta.
— É nessas horas que aprecio ter crescido como filho único. — Esboçando um sorriso cauteloso, acrescentou: — Independentemente de qualquer coisa, meus pais ainda têm somente a mim.
— E você ainda os tem.
O olhar no rosto de Lily o fez parar e pensar. Fizera uma pequena pesquisa sobre Lily Evans na Internet e, surpreendentemente, enquanto havia diversas menções sobre os avós dela e outros parentes Evans, não encontrara nada relacionado com os pais dela.
Antes que pudesse perguntar, todavia, ela murmurou:
— Meus pais morreram juntos em um acidente de avião quando eu tinha dez anos.
— Meu Deus, sinto muito — exclamou ele com sinceridade.
— Tive 15 anos para aprender a lidar com isso, a superar a perda, mas você sabe, a dor nunca vai embora completamente.
Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, a conversa dos dois foi interrompida por um homem que Lily apresentou como seu primo Bryan, o dono do Une Nuit.
— Anthony me mandou aqui — disse Bryan antes que Lily pudesse abrir a boca. — Ele me contou que encontrou vocês dois juntos perto da porta.
Da maneira que Bryan pronunciou a palavra juntos, e pela expressão curiosa nos olhos, James podia dizer que ele tinha ido lá ver as coisas pessoalmente.
Estudando o outro homem por um momento, James estimou que Bryan tinha aproximadamente a sua idade, 28 anos. Em contraste com Benedict, contudo, não parecia haver nada informal sobre aquele primo Evans. Se alguma coisa podia ser dita, Bryan parecia o tipo de pessoa que observava constantemente, absorvendo tudo que podia e não deixando transparecer nada. Ele era como uma pantera pronta para atacar.
James fitou Bryan nos olhos quando lhe apertou a mão, e um certo reconhecimento e respeito mútuo se passou entre os dois.
— Bryan tem a vida perfeita — brincou Lily.
— Verdade? — perguntou James, olhando de Lily para Bryan, então de volta para ela.
— Sim — confirmou Lily, dando um olhar provocador para o primo. — Ele tem um apartamento de solteiro fantástico em cima do restaurante, que lhe permite sair da cama e ir direto para o trabalho. Não apenas isso, mas tem um trabalho que o mantém longe da Editora Evans e de nós, os outros Evans. Ou, devo dizer, um Evans em particular, que é meu avô. E, acima de tudo, Bryan viaja para os lugares mais incríveis por causa do restaurante.
Interessante, pensou James. Não apenas a declaração que revelava coisas sobre Bryan, mas era intrigante que Lily achasse que o trabalho perfeito era longe da Editora Evans.
— Lily está exagerando — disse Bryan com modéstia.
— Não, não estou.
— Para onde você viaja por causa do restaurante? — perguntou James, puxando assunto.
Bryan deu de ombros.
— Europa. Principalmente Paris.
— Eu estive em Paris apenas um mês atrás. O que você acha de...
— Com licença, por favor — disse Bryan de repente. — Acabo de ver alguém que estou tentando encontrar a noite inteira.
Estranho, pensou James, observando a partida de Bryan. Teve a nítida impressão de que Bryan queria evitar falar sobre suas viagens.
James observou quando um outro homem, que também estivera assistindo a partida de Bryan, virou-se e disse:
— Vejo que você conheceu o Homem do Mistério Internacional do clã.
Voltando-se para Lily, o sujeito deu-lhe um leve beliscão no rosto e murmurou:
— Ei, querida, há quanto tempo não nos vemos.
— James, este é...
— Deixe-me adivinhar — interrompeu ele secamente. — Seu primo. — O homem tinha uma acentuada semelhança com Bryan. Eles tinham os mesmos cabelos pretos brilhantes e olhos azuis. Em personalidade, entretanto, este primo parecia tão gentil e informal como Benedict.
— Austin Evans — apresentou-se o homem diante dele, os olhos brilhando. — Sou o irmão mais novo de Bryan. — Erguendo o polegar e o indicador num gesto que indicava aproximadamente um centímetro, acrescentou: — Mas é só isso.
— Austin é o diretor de vendas da Snap — complementou Lily.
James fingiu que estava chocado.
— Você é do campo rival? O que está fazendo aqui?
Austin sorriu.
— Sou convidado para todos os lugares. — Em seguida, acrescentou: — Então Lily lhe contou que a família toda compete entre si, certo?
— Sim — disse James. Voltando-se para Lily e apontando um dedo para Austin, indagou: — Se ele está aqui, onde está Tess? Ela não trabalha para uma revista da Editora Evans também?
James observou Lily franzir o cenho de leve.
— Tess decidiu não vir. Ela foi esquiar com alguns amigos este fim de semana.
Austin se virou para ele e arqueou uma sobrancelha.
— Eu vi a reportagem sobre você e Tess no The Post — provocou. — Está se perguntando se saiu com a irmã certa?
Se Austin soubesse, pensou James. A seu lado, percebeu que Lily ficou tensa por um segundo, mas então, ela se recompôs e colocou um sorriso no rosto.
— Não ouça Austin — murmurou, dando um tapinha de brincadeira no primo. — Ele já despedaçou mais corações do que posso contar.
— Sim, este sou eu — concordou Austin, obviamente entrando na brincadeira, embora James tivesse notado uma sombra cruzar o semblante dele.
Eles conversaram com Austin por mais alguns minutos, então James sugeriu a Lily que fossem até o bar a fim de apanharem um drinque.
Depois de pedir ao garçom um uísque com gelo para si mesmo e mais uma taça de vinho branco para Lily, virou-se para ela e disse com humor seco:
— Fiquei exposto às críticas de seus parentes por sua causa esta noite.
— Eles estão apenas curiosos — respondeu Lily. — Todos sabem que rompi o noivado com Nathan, e agora, esta noite, eu apareço com você.
— Você contou a eles que não era Tess e sim você no Waldorf ?
— Não, mas eles estão curiosos do mesmo jeito.
— Eles têm algum motivo para estarem curiosos? — James não pôde resistir à pergunta.
Ela lhe deu uma longa olhada de lado.
— Não mais.
Ele notou, no entanto, que, quando os ombros dos dois acidentalmente se tocaram, Lily afastou-se com a consciência do toque. Certamente, não estava tão fria e composta quanto queria parecer.
Entregando-lhe a taça de vinho, tomou um gole do uísque.
— Gostei de seus primos. São pessoas interessantes.
— Interessantes?
— Mais do que parecem — elaborou ele.
Ela inclinou a cabeça de lado, com uma expressão interrogativa no rosto.
— O que você quer dizer com isso?
— Bryan e Austin parecem ter alguns segredos. Bryan em particular.
Lily pareceu confusa.
— Sabe, Austin estava brincando quando disse que Bryan era o Homem do Mistério Internacional. É apenas que, mais do que o restante dos Evans, Bryan leva uma vida separada da família.
James arqueou uma sobrancelha.
— Algo me diz que há mais coisas aí do que isso. ― Lily pareceu cética, mas então sorriu.
— Eu os conheço a vida inteira e, acredite-me, nunca houve nada misterioso sobre meus primos. Bryan é dono de restaurante e gosta do que faz, e Austin... Bem, Austin é exatamente o que alega ser: um imã para mulheres.
James decidiu não insistir mais naquele assunto, embora ainda não estivesse convencido de que Bryan e Austin fossem tão descomplicados quanto a priminha Lily achava que eram.
Ele a seguiu para um bufe que havia sido colocado nos fundos do restaurante, e se serviram de itens como kumamoto frito, ostras, caranguejos, suflê de abacate, e uma salada de lagosta com melão, com sobremesa de pêra asiática e manga tailandesa. Um jantar realmente exótico, pensou James.
Mais tarde, Austin se juntou a eles novamente, e James conheceu mais algumas pessoas que trabalhavam com Lily, e todos pareciam curiosos sobre ele.
Finalmente, ficaram sozinhos numa mesa de canto, e um silêncio estranho reinou... uma nova situação para James no que dizia respeito às mulheres.
Vagarosamente, porém, ele conseguiu iniciar uma conversa. Falaram sobre lugares para os quais James tinha viajado, e ele lhe contou histórias sobre fãs estranhas, e até mesmo manchetes de jornal mais estranhas ainda.
Descobriram que ambos sabiam falar bem o espanhol e mal o francês, que adoravam a ilha de Malta no verão, e que preferiam a comida mexicana realmente apimentada. Debateram sobre qual lugar era melhor para esquiar, no Vale ou nos Alpes, e quais eram os melhores lugares para freqüentar em St. Bart's.
— Então — brincou James finalmente — quais são seus gostos em relação à música? De quem você gosta?
— Eles estão todos mortos.
Ele riu. Mas supôs que não deveria ficar surpreso.
— Clássica?
Lily bebeu um gole de seu vinho.
— Sim, e cantores antigos. Sinatra. Nat King Cole.
— Você está somente sendo diplomática ou tentando não admitir que prefere minha concorrência? — provocou ele.
Ela o fitou com olhos semicerrados.
— Se eu admitisse, você se importaria? ― Percebendo que Lily estava flertando com ele, James respondeu:
—Eu ficaria arrasado, mas me consolaria com o pensamento de que nós dois somos fãs de Beethoven.
Um lindo sorriso brincou nos lábios dela.
— Eu gostei de seus shows. Você é muito bom.
— Apenas muito bom? — provocou ele de novo.
Ela o encarou com intensidade.
— Irresistível — disse de modo suave.
Enquanto continuava fitando-a nos olhos, James sentiu uma emoção muito forte. Meu Deus, Lily tinha um efeito devastador sobre ele.
Então decidiu salvá-la, e a si mesmo, de uma enrascada.
— Na verdade, as chances são de que deixarei de cantar mais rápido do que todos imaginam.
Ele pôde ver que a surpreendera.
— Verdade?
— Sim, vejo a mim mesmo me concentrando em compor músicas, em vez de cantar. — Ele olhou ao redor. A multidão tinha diminuído um pouco, mas a festa ainda continuava.
— Você está pronto para partir? — perguntou ela.
— Sim. — Ele a olhou. — Estou pronto, e você? ― Era uma pergunta carregada de significado, e ele sabia disso, mas queria Lily desesperadamente. Estar perto dela e conter-se ao mesmo tempo vinha sendo uma tortura quase insuportável.
— Sim, vamos — ela respondeu, mas não deu nenhuma indicação de que queria continuar em sua companhia por mais tempo.
Eles se dirigiram para a porta da frente, despedindo-se das pessoas no caminho, e James pegou o casaco dela e seu paletó com o atendente do guarda-volumes.
Felizmente, Benedict e Austin não estavam em nenhum lugar à vista. Bryan, por outro lado, apenas lançou a ele um olhar significativo, que dizia que James tinha um pouquinho de sua confiança e não deveria fazer nada para desperdiçar isso. James assentiu com um movimento de cabeça, que dizia que a mensagem tinha sido passada e notada.
Ele segurou a porta da frente aberta para Lily e quando eles saíram do restaurante, tirou um boné de beisebol no bolso do paletó e pôs na cabeça, abaixando-o na altura dos olhos.
Lily o olhou com uma expressão interrogativa.
— Isso evita que os paparazzi me reconheçam — explicou ele. — Posso chamar um táxi para você?
— Não, obrigada — disse ela. — Minha casa fica a poucos quarteirões daqui.
— Vou andar até lá com você, então. ― Lily hesitou por um segundo.
— Tudo bem.
Oiiie gente! Como prometido postei rapidinho (: muito obrigada as meninas que comentaram: Luu Higurashi Potter, Lina Prongs, Joana Patrícia e , adorei os comments de vocês ;D Beijinhos e até o próximo cap :*
