Disclaimer: O anime/mangá "Naruto" não me pertence, ele é de propriedade exclusiva do Masashi Kishimoto.
Warning: Descreve a relação entre duas pessoas do mesmo sexo (MaleXMale).
(Reestruturação dedicada à fran_silva)
Atração – Parte 7/9
Inclinação (substantivo feminino):
1. Ato ou efeito de inclinar;
2. Estado do que não é vertical;
3. [Figurado] Tendência, propensão;
4. Simpatia;
5. Coisa ou pessoa de que se gosta.
Sakura estava parada, estarrecida, enquanto encarava os dois homens diante dela com confusão e choque. Seus olhos arregalados e surpresos derivavam de um para o outro, procurando formar uma linha de raciocínio coerente e concisa, sem saber ao certo como ligar a cena que tinha acabado de presenciar com a imagem que tinha do ex-namorado. "Será que a decepção de me perder foi tão grande, que ele decidiu jogar no meu time?!", perguntou-se mentalmente, tentando justificar a situação em sua cabeça e sentindo o princípio de uma dor de cabeça.
- Eu... – ela começou, sem saber como continuar.
Sua atenção se desviou para Ino, querendo pedir ajuda sem precisar abrir a boca e rezando para que a outra mulher entendesse o seu conflito.
- Sakura-chan... – ela ouviu a voz grave de Naruto chamar e, por algum motivo que desconhecia, não conseguia encará-lo sem sentir uma dor aguda no peito e uma raiva esmagadora.
- Há quanto tempo isso tem acontecido? – ela perguntou, olhando para sua melhor amiga como se os outros dois não estivessem presentes. – Por que não me contou? – indagou novamente em tom acusatório. Sabia que estava desviando a culpa do seu interior pra alguém que não tinha nada a ver com a história, mas ela não conseguia lidar sozinha com aquele sentimento queimando o estômago.
- Eu acho que não era algo que eu deveria interferir, testuda. – a loira respondeu com um encolher de ombros. – Esse é um assunto do Naruto e ele deve decidir para quem contar ou não, e quando contar. O coitado já não teve muita escolha no final de semana passado, quando todos os outros os viram juntos na pista do festival! – explicou, tentando soar calma e lambendo os lábios secos.
- Então, todos sabiam e ninguém se preocupou em me dizer?! Ele é nosso amigo e o meu ex-namorado, Ino! – sibilou ainda mais irada. – Preciso saber dessas coisas!
A outra franziu o cenho, enquanto considerava Sakura, e Naruto sentiu como se as duas estivessem tento uma conversa paralela e particular em que ele era o assunto principal, mas não podia fazer parte dela. Ou melhor, não sabia se deveria, porque temia dizer algo errado e deixar a Haruno ainda mais chateada e irritada. Não é como se ele não compreendesse o ponto de vista da sua ex-namorada, mas tudo era tão novo, de certo modo assustador e duvidoso, que ele preferiu esperar para ver o que acontecia, antes de sair por aí, espalhando para todo mundo que se descobriu bissexual.
- Não. – a Yamanaka chamou a atenção pelo tom que não aceitava debates. – Você não precisa saber sobre a vida dele, justamente porque você é só uma amiga e a ex-namorada. A partir do momento em que vocês dois terminaram, ele não te deve mais satisfações sobre o que faz da vida, com quem dorme ou deixa de dormir!
Sasuke encarava a discussão com um misto de curiosidade, tédio e irritação. Sua vontade era se levantar daquela cadeira e sair do restaurante para que os três tivessem a DR que precisavam, sem a sua desnecessária presença. Ele não esperava romantismo durante esse final de semana, visto como o Uzumaki parecia desconhecer o real significado da palavra, chamando-o para jantar em um estabelecimento comum para estudantes universitários. Contudo, esperava que ambos pudessem curtir o tempo juntos, uma vez que os dois moravam em cidades diferentes e tinham uma vida atribulada, dividida entre a faculdade e o trabalho nas empresas de suas famílias.
Seus pensamentos foram calados, quando o som forte de um punho fechado bateu com tudo na superfície da mesa onde estavam sentados.
- Você acha que eu não deveria saber que o meu ex-namorado virou gay?! – Sakura não chegou a gritar, mas seu tom agressivo falou volumes.
Naquele momento, Sasuke quase interferiu na discussão, ofendido com o tom cheio de aversão no timbre feminino, mas Naruto decidiu interromper a briga.
- Sakura. – chamou suavemente, quase com receio, mas com intensidade o suficiente para demandar a atenção, interrompendo a discussão das duas e as fazendo desviar o foco para olhá-lo. – Eu não "virei gay". – contestou, fazendo aspas com as mãos para enfatizar o seu ponto. – O fato de eu estar com Sasuke agora, não me faz necessariamente gay.
- Então, o quê?! – ela rebateu com raiva, sentindo uma vontade irracional de bater no seu ex-namorado. – Você, repentinamente, aparece se agarrando com outro cara e não é gay? Me poupe, Naruto! – debochou.
O porquê de estar tão irada, ela mesma não sabia, só sabia que tinha algo extremamente errado consigo, porque seu interior continuava queimando.
- Sakura, eu nunca menti para você, enquanto estávamos juntos. – franziu a testa, sentindo-se um pouco (para não dizer muito) ultrajado com a situação. – Eu senti paixão e desejo por você, em todas as vezes que estivemos juntos. Eu não ficaria com você por quase três anos, se eu não te quisesse! Me insulta saber que você pensa que nosso relacionamento não significou nada! Se estou com Sasuke agora, é porque ele me atrai também. Muito. Simples assim.
Ela engoliu em seco, sem palavras, tentando empurrar o bolo de choro que ameaçava explodir em sua garganta. Ela não queria chorar naquele momento, na frente de tantas pessoas, porque seria humilhante demais, mas estava quase impossível evitar. Como Naruto conseguia discernir o que se passava em seu coração, antes mesmo que ela entendesse, era um mistério que mexia com seus nervos. Sempre mexeu.
- Feliz agora, testuda? – a voz de Ino quebrou o encantamento que sentia, enquanto encarava os olhos cerúleos do Uzumaki.
Ela evitou enfrentar qualquer um deles diretamente, encarando, com certo quê de desespero e saudosismo, a saída do restaurante que um dia pertenceu a ela e Naruto como um casal. Onde eles sempre se encontravam depois das aulas para conversar sobre tudo e nada da vida.
- Sua mãe já sabe? – indagou secamente, fazendo o loiro arregalar os olhos.
- NÃO! – rebateu com urgência. – E nem se atreva a dizer para ela, Sakura! – pediu angustiado. – Eu e Sasuke decidimos nos conhecer melhor primeiro, antes de tomarmos qualquer decisão. Me deixa conversar com ela no meu tempo, por favor! – ele sabia que estava praticamente implorando, mas precisava fazer a mulher ouvir.
Ino viu as mãos da sua amiga se fecharem com tanta força, que os nós dos dedos ficaram brancos. A garota de cabelos cor-de-rosa estava em conflito, porque fora a única a acabar com o namoro, mas ainda se sentia ciumenta com a possibilidade de Naruto começar um novo envolvimento, tão logo ambos terminaram. Ela podia ver as engrenagens girando naquela cabecinha, enquanto tentava controlar a vontade que tinha de mostrar a possessividade tão comum de quando namorava.
- Não é algo que eu deva interferir. – finalmente respondeu, em um tom frio e seco, repetindo as mesmas palavras que a Yamanaka tinha usado há alguns instantes. – Só não se alongue demais, porque quanto mais demora, será pior. Ocultar também é mentir e, pelo que eu conheço da Kushina-san, ela não vai gostar de saber sobre a sua falta de confiança na própria família. – aconselhou, apertando o jaleco branco em seus braços e saindo de supetão, sem um olhar ou uma palavra sequer de despedida.
Naruto tentou se levantar, mas Sasuke agarrou o seu braço, sabendo que a mulher precisava de um tempo, para colocar os pensamentos em ordem. Podia não gostar da moça, mas podia se sentir compadecido com o conflito, mesmo que parte disso fosse porque a outra estava com ciúme.
- Ir atrás dela agora só vai piorar as coisas. – o Uchiha avisou, erguendo dos olhos para encarar os orbes azuis do homem ao seu lado.
- Mas... – tentou.
- Não se preocupe, Naruto-kun. – Ino interrompeu, ajeitando a bolsa no ombro. – Eu vou conversar com ela. – disse com um encolher de ombros. – A gente ainda se vê essa semana? – indagou com um sorriso apologético.
Ele tentou sorrir de volta.
- Acho que vou levá-lo para Nagano comigo, Yamanaka-san. Vou monopolizá-lo nesse final de semana. – respondeu pelo loiro com um tom divertido para amenizar o clima pesado.
- Que inveja de vocês dois! – retrucou com um beicinho, sem estar realmente chateada. – Então, vejo vocês por aí! – ela se despediu com um aceno alegre, antes de sair correndo para alcançar a melhor amiga.
Naruto soltou o fôlego que não sabia estar segurando, expulsando toda a tensão que tinha se acumulado em seus ombros, pescoço e costas.
- Isso foi tão fodido! – exclamou cansado, empurrando a sua tigela de lámen ainda cheia para o lado e encostando a testa na superfície da mesa. – Eu estou tão fodido!
(***)
- Vai ficar tudo bem, dobe... – Sasuke tentou consolá-lo novamente.
Ele tinha perdido a conta de quantas vezes tinha dito aquilo em meia hora. Naruto estava com uma cara de velório desde que Sakura tinha ido embora e a expressão perdida, distante e preocupada não combinava nada com o olhar determinado que o loiro sempre ostentava.
Definitivamente, seu jantar romântico não tinha sido nada romântico. E a situação ficava ainda pior à medida que o tempo passava. As circunstâncias não estavam do lado deles e tudo começou com as piadinhas de Mikoto e Itachi naquele começo de tarde, quando o Uzumaki foi buscá-lo na casa dos seus pais.
- Eu não sei, bastardo. – coçou o topo da cabeça, como fazia quando pensava muito sobre alguma coisa. – Eu não queria me desentender com ela, sabe?
O moreno estalou a língua, enquanto se apoiava na cerca de madeira que circulava a área externa da lanchonete e cruzava os tornozelos em uma pose relaxada.
- Posso ser sincero? – perguntou, já dando a entender que seria sincero se Naruto quisesse ou não. – Ela procurou isso para si mesma. Ino tem razão, ela não tem mais nada com a sua vida, a partir do momento que decidiu terminar com você. – disse calmamente, pescando o maço de cigarros no bolso dianteiro do jeans.
Naruto fez um bico amuado e se aproximou para se apoiar no Uchiha.
- Eu sei disso. – lambeu os lábios secos. – Eu só não queria que ela ficasse chateada.
Sasuke bufou, passando o braço esquerdo para abraçar a cintura delgada.
- Você nunca quer que as pessoas fiquem chateadas, essa é a verdade. Pelo pouco que te conheço, posso dizer que você é muito conivente com as outras pessoas. Mesmo com aquelas que te machucam. É demais pra minha cabeça! – observou com um tom divertido. – Se fosse eu no seu lugar, estaria feliz em saber que ela entendeu que eu segui com a minha vida!
Naruto bufou também, imitando-o.
- E desde quando ser bom é algo ruim? – franziu o cenho. – Não é que eu sou bom, é que me importo com a Sakura e não gostaria que ela se magoasse por nada nesse mundo. – deu de ombros. – E você é excessivamente vingativo. – rebateu, vendo-o acender o cigarro como se não tivesse ouvido a última parte.
O moreno só deu de ombros.
- É algo ruim, quando as pessoas se aproveitam da sua bondade. – pontuou depois de um tempo em silêncio, tragando o fumo. – Ela claramente esperava que você chorasse a ausência dela e ficou louca da vida, quando percebeu que você foi o primeiro a seguir em frente, sendo que quem terminou foi ela. – soltou o resto de fumaça que ainda estava presa em seus pulmões. – Sua ex-namorada estava irada de ciúme, se você não percebeu.
Naruto mordeu o lábio inferior com dúvida.
- Você acha isso? – indagou com uma sobrancelha erguida, fazendo o moreno parar com o cigarro a meio caminho da boca e o olhar com desconfiança.
- Se você gostou da sugestão sobre ela estar com ciúme, eu vou te bater. – ele avisou, arrancando uma gargalhada do outro. – Isso não é engraçado, dobe!
- Awn, você também está com ciúme? – questionou com um tom falsamente meigo, enlaçando os braços do pescoço pálido.
Sasuke lhe deu um forte tapa na bunda como resposta e o loiro balançou as sobrancelhas sugestivamente, ostentando um sorriso e olhar sardônico, que fez o moreno sentir vontade de bater nele por outros motivos.
- Não seja engraçadinho. – advertiu, estreitando os olhos.
- Quando eu não sou engraçadinho? – Naruto perguntou, ainda mantendo o timbre falsamente suave. – Você sabe... – seu rosto descontraído ganhou um ar mais sério. – Eu não tenho mais perspectivas românticas com relação à Sakura-chan. Se ela está com ciúme, é porque ainda está acostumada com a ideia de que éramos um casal. – deu de ombros. – Mas, ela não gosta de mim dessa maneira e deixou isso bem claro da última vez. Eu posso ser lerdo para algumas coisas, mas entendo os sentimentos das pessoas e já compreendi que eu e ela acabamos. Definitivamente. – explicou.
Sasuke olhou para ele e ambos se encararam para o que pareceram minutos.
- Hn. – grunhiu em aceitação, porque não sabia ao certo o que dizer.
- Não tenho esperanças de voltar com ela, bastardo. – continuou, pegando o cigarro preso entre os dedos longos para dar um trago. – Dói saber que ela não gostava de mim da mesma forma que gostei dela? Muito. – balançou a cabeça afirmativamente para si mesmo. – No entanto, se tem algo que concordo bastante nessa vida é que a gente não precisa se prender a quem não ama. Seria triste pra ela e, em longo prazo, começaria a me afetar também. É melhor terminar agora, enquanto não envolve o ódio, porque, quando a gente começa a odiar, o relacionamento se torna tóxico para ambos os lados. – divagou com um tom distraído, balançando o tabaco para desprender as cinzas que se acumularam na ponta, antes de devolvê-lo para o homem.
O moreno ficou em silêncio, ao mesmo tempo em que considerava as palavras e a aparência do Uzumaki com um novo tipo de admiração florescendo em seu peito. Ele tentou manter a expressão neutra, mas os cantos dos seus lábios se ergueram em um sorriso involuntário.
- Você é impressionante. – o Uchiha murmurou, puxando o loiro para um beijo, sem se importar com as pessoas que estavam em volta.
Seus lábios se encontraram com intensidade. No começo, Naruto pareceu surpreso com a urgência e a força do ósculo, mas logo respondeu com o mesmo ardor. Eles se abraçaram, os braços seguravam o corpo do outro com um apego fundamentado e sem hesitação. A respiração deles soava como um aviso sobre o tipo de emoção e intenção que gostariam de compartilhar; alta, necessitada e ofegante.
Quando se separaram, Sasuke apertou a curva das costas do mais novo, querendo trazê-lo para mais perto, o que era fisicamente impossível, uma vez que ambos já estavam colados. Ele olhou em volta, tardiamente consciente sobre a demonstração pública de afeto e encontrou um casal de velhos os encarando com repreensão.
- Você me faz esquecer que não estamos sozinhos às vezes. – reclamou, erguendo o rosto para admirar o céu estrelado por um tempo, antes de jogar o cigarro em um cinzeiro próximo. O fumo tinha queimado sozinho, enquanto eles se beijavam.
Naruto olhou em volta, procurando o motivo da declaração do Uchiha. Ele assistiu os dois velhos saírem, resmungando entre si, e ergueu uma sobrancelha.
- Me pergunto qual é o problema dessa gente. – rosnou com irritação.
- Os japoneses não são muito acostumados com demonstrações públicas de afeto. – o moreno pontuou com um simples encolher de ombros.
- Não se faça de ignorante, porque você sabe muito bem que não é só isso. – objetou. – Eles estavam incomodados, porque nós somos homens e estamos juntos. – disse ainda mais indignado com a situação.
Sasuke sorriu. Se ele fosse outra pessoa, teria se encolhido diante à forma crua e aberta que o loiro se referiu aos dois, porque culturalmente ainda era difícil admitir aquilo em voz alta, mesmo entre e para os homossexuais.
- No começo é meio complicado lidar com os olhares. – o Uchiha concordou. – Mas, depois de um tempo, você simplesmente deixa de se importar. É só não ligar para o que eles pensam. Ninguém tem nada a ver com a sua vida mesmo.
Naruto bufou como resposta.
- Ninguém deveria se acostumar a ser tratado assim. – rebateu ainda mais bravo. – Nós somos humanos assim como eles. O que é a porcaria de uma sexualidade? – se afastou do outro, impaciente demais para ficar parado.
- Eu não disse que me acostumei, eu disse que deixei de me importar. São duas coisas diferentes. – corrigiu e puxou o Uzumaki de volta, enganchando os dedos no passador do cinto da calça de sarja que o mais novo vestia.
- E qual é a diferença? – cruzou os braços.
- A diferença é que se acostumar significa se habituar e se importar significa dar valor. – explicou como se explicasse o óbvio. – Eu não me acostumei com a reação das outras pessoas, só não dou valor ao que elas acham.
Naruto franziu o cenho, contrariado.
- Você é absurdamente insensível com relação a algumas coisas. – observou criticamente, tentando acompanhar o raciocínio de Sasuke. – E extremamente objetivo em algumas opiniões.
- Eu sou insensível "com relação a algumas coisas." – enfatizou aquela parte específica na declaração do outro. – Não com todas, não se esqueça disso. – puxou carinhosamente uma mecha do cabelo loiro. – E eu não acho que ser objetivo com relação a nossos pensamentos e sentimentos seja algo ruim.
- Eu não disse que ser prático emocionalmente e racionalmente é ruim. Acho que é admirável. – o Uzumaki especificou com um sorriso matreiro, encarando-o com um novo tipo de profundidade. – É só meio confuso para mim às vezes.
O moreno devolveu o olhar, divertido com o rumo da conversa.
O final de semana pode não ter sido romântico, mas o Uchiha reconheceu que o momento foi importante e decisivo para que ambos se conhecessem melhor. Afinal, é nas ocasiões mais conflituosas que é possível enxergar a verdadeira face das pessoas, e Naruto se mostrou alguém realmente digno de reverência. Não era à toa que Sakura estava com ciúme; era difícil deixar um tipo como ele ir. Ao mesmo tempo em que sabemos que tudo já acabou, algo sempre vai te manter ligado.
- O que acha de irmos para algum lugar mais tranquilo? – perguntou e, depois, bufou, quando viu a expressão do mais novo se tornar maliciosa em questão de segundos. O loiro era um idiota incorrigível.
- Você sabe que eu, como homem, sei muito bem o significado dessa pergunta. Você não vai me enganar com esse questionamento aparentemente inofensivo.
Ambos riram.
- Eu não estava nem tentando, dobe. – o Uchiha respondeu com diversão.
- Sei... – divagou, pescando a chave do carro no bolso dianteiro da calça e jogando para o homem, enquanto liderava o caminho para fora do restaurante. – Já que nós vamos para a sua casa, você dirige.
Sasuke arregalou os olhos, surpreso com o gesto de confiança, quando pegou o chaveiro no ar por reflexo. Instintivamente, ele apertou o objeto entre os dedos, olhando o loiro se afastar.
(***)
- U-A-U...! – murmurou o loiro, impressionado e sem palavras, quando o Uchiha acendeu as luzes do apartamento. – Estou realmente arrependido de nunca ter vindo visitar a Karin, depois que ela se mudou! Se eu soubesse que ela vivia em um lugar digno dos filmes de Hollywood, eu não sairia daqui!
- Se você tivesse vindo antes, nós também teríamos nos conhecido antes. Não foi por falta de convites, porque eu cansei de escutar a sua prima no telefone, te chamando para passar o final de semana.
Eles levaram cerca de duas horas para chegar em Nagano. O corvo estacionou o carro de Naruto em sua própria vaga no estacionamento, já que seu veículo havia ficado na mansão dos seus pais em Konoha.
- Eu não sei... Senti que a Karin precisava de um tempo para construir a própria vida sozinha, principalmente depois da morte dos pais. E... Que diferença faria se nos conhecêssemos antes? Eu estava namorando e, pelo que eu saiba, você também estava. – brincou, encarando cada pormenor da sala de estar.
O ambiente tinha iluminação uma fraca e amarelada, que dava um ar misterioso ao cômodo. Havia um grande sofá de pelúcia na cor branca, em forma de "U", que cobria de uma extremidade à outra da parede dourada, uma mesa de café feita de vidro fumê, um tapete felpudo marsala, quadros grandes e vasos de plantas. No local, também havia uma grande mesa de sinuca abaixo de uma luminária de teto simples, que focava a claridade no objeto. Uma cortina de linho pesada, em tom off-white¹, e uma enorme parede de vidro com uma porta de correr do mesmo material os separavam do terraço espantoso.
- Sua presença não a impediria de construir a própria vida sozinha, sabe? Confesse que estava com medo de perdê-la com a mudança da faculdade e se afastou primeiro pra se proteger. Vocês brigam o tempo todo, mas não sabem viver sem o outro. – estalou a língua. – E nós teríamos vivido um dorama², com direito a romance proibido. – o moreno brincou, ajeitando algumas almofadas e se afastando.
Naruto nem se deu ao trabalho de responder, ainda concentrado em analisar o apartamento. Ele sabia que os pais de Karin tinham muito dinheiro, tanto que eles sempre estudaram em escolas diferentes quando eram pequenos, devido ao poder aquisitivo díspar entre as famílias, e que tudo tinha ido pra ela depois da morte deles, mas ele não sabia que a prima tinha como sustentar tanto luxo.
Agora, ele entendia o porquê da ruiva e de Sasuke sempre terem sido amigos, os dois levavam um estilo de vida muito parecido, privilegiado por bens caros e ostensivos.
- A propósito, cadê aquela pentelha? – perguntou. – Não acredito que você tem isso na sua casa. – referiu-se à mesa de sinuca, pegando um taco no suporte de madeira.
- Ela foi para uma feira sobre Design de Interiores em Tóquio, só volta amanhã. – caminhou até a cozinha. – Quem foi responsável pela decoração da casa foi a sua prima. Foi dela a ideia "brilhante" de ter uma mesa de bilhar em casa. – ironizou, pegando duas garrafas de cerveja e voltando para a sala. – Eu nem sei o porquê de ela colocar isso aqui, já que nenhum de nós joga.
- Eu gostei. E Karin gosta de extravagâncias. – inclinou-se em cima da mesa e deu uma tacada na bola branca, que bateu nas outras restantes, espalhando-as pela extensão do veludo vermelho.
- Eu também. – Sasuke dobrou o pescoço para a esquerda, admirando a bunda redonda e firme, enquanto o Uzumaki continuava fazendo o seu jogo.
O loiro estava com a ponta da língua no canto da boca em sua concentração. Ele, vez ou outra, soprava para cima com intuito de tirar a franja do seu campo de visão. Os fios dourados do cabelo e do braço pareciam brilhar como ouro sob a iluminação baixa e amarela. Os músculos do braço ondulavam conforme ele se movia para fazer uma nova jogada, enchendo o Uchiha de fome e necessidade.
- Então, vem jogar comigo! – o outro chamou, distraidamente.
- Posso usar outro taco para brincar? – os lábios finos se esticaram em um sorriso ladino, percebendo a ignorância do outro.
- Claro! Pega outro ali no suporte. – apontou para a parede, ainda não consciente do significado das palavras do moreno.
O mais velho gargalhou com a inocência do loiro. O som do riso incomum surpreendeu Naruto, que ergueu o tronco para observar o mais velho. No entanto, antes que ele pudesse se mover muito, sentiu suas coxas serem prensadas de encontro à madeira pesada. O movimento brusco o fez voltar a se inclinar na mesa. Sasuke depositou as duas garrafas na superfície plana para acariciar as laterais do dorso tonificado e encostar o peito nas costas largas.
- Eu estou falando desse aqui... – deu um impulso com o quadril de encontro à carne macia vestida com a calça de sarja.
O Uzumaki ofegou audivelmente. Ele não sabia se sentia confuso ou se gemia com o prazer que correu o seu corpo. Ele gostou desse lado mais dominante do Uchiha, mas o sentimento era muito novo, exclusivo e intimidante, afinal, era a primeira vez que ele sentia algo cutucando a sua traseira. Olhos azuis cobalto encararam os orbes negros por cima do ombro, tentando expressar todas as emoções contraditórias que ele não conseguia definir, em um mudo pedido que nem mesmo ele sabia especificar.
- Não brinque com fogo se não quer se queimar, usuratonkachi. – sussurrou em um tom rouco e profundo, rodando a pélvis para massagear sua ereção nas nádegas firmes.
Off-white¹ - branco acinzentado, mais discreto que a tonalidade gelo.
Dorama² - séries de drama japonesas.
