Desculpem por ter sumido pessoal, mas com meu emprego e minhas aulas de pre-vestibular acabaram com o meu tempo, esse cap já estava pronto mais eu estava um pouco desanimada para postá-lo, eu sempre olho o meu tráfeco e vejo que essa fic é razoavelmente lida, tenho indicações de favoritos, alertas mas não tem comentarios e isso desanima muito o autor. Bem eu tambem li os comentarios dos poucos que comentam e eu digo muito obrigado por lerem e principalmente por comentar. eu quase excluí a fic, mas só por vocês eu vou continuar postando os capitulos, com muito carinho
paloma gomes.
Os: acabei de fazer aniversario, tenho oficialmente 19 anos.
CAPITULO VII
Edward Cullen ergueu um braço para proteger a vista doente da forte luz solar. Com a outra mão, afastou a cortina pesada que vedava a janela da carruagem e espiou para fora. Viu a torre familiar da igreja de St. Owen, em Grafton Renforth, suspirou com satisfação e largou o tecido. Logo estaria em casa, e um dos benefícios daquele dia terrivelmente ensolarado seria uma noite clara, perfeita para seus propósitos.
Ele bocejou.
Nas últimas 48 horas, aventurara-se pelo mundo à luz do dia e descansara à noite. Era uma atividade que lhe parecia anormal, depois de três anos como um notívago.
Sempre dormia de maneira intermitente no período noturno, quando uma quietude fantasmagórica assentava-se sobre a mansão Cullen. Os sons diurnos abafados — criados indo e vindo, vozes distantes — acalentavam-no em um sono tranqüilo e sem sonhos. Depois da guerra de Waterloo, ele imaginara que jamais conseguiria dormir.
Nos próximos meses, teria de esconder-se nas fímbrias ensombreadas do dia, para ficar a maior parte do tempo possível com seu avô. Atingido pelo remorso, Edward lamentou as centenas de horas perdidas durante aqueles três anos. Enquanto ficara dormindo no quarto escurecido, Bella aproveitara a companhia de seu avô.
Edward gostaria de ressentir-se por Bella estar usurpando seu lugar, mas seu senso de honra insistia em que não seria correto. A srta. Swan apenas tomara posse do que ele abdicara. A jovem estaria no direito de reclamar pela intrusão "dele" nas tardes costumeiras de visita ao conde.
Refletia que Bella deveria acostumar-se à nova ordem natural das coisas, quando o coche diminuiu a velocidade e fez uma curva. Todos eles teriam de fazê-lo.
Alguns momentos depois, o veículo parou em frente à entrada da mansão Cullen. Edward puxou para baixo a aba do chapéu, abriu a porta da carruagem, desceu e, a passos largos, entrou no santuário de seu lar.
Entregou o chapéu e o manto a um lacaio de prontidão.
— Onde está meu avô?
— Acredito que na biblioteca, milorde.
Edward iniciou o caminho em direção à galeria leste e parou.
— A srta. Bella ainda se encontra com ele?
— Creio que sim, milorde.
Por que perguntara? Não seria a presença da jovem que haveria de impedi-lo de encontrar-se com seu avô. Estar prevenido sobre o que o esperava talvez fosse uma compulsão remanescente da vida militar.
Naquele horário de fim de tarde, o nível de luz estava bastante suportável na galeria. Edward aguardava ansiosamente a aproximação do solstício de verão, depois do qual as horas do dia começavam a diminuir, permitindo-lhe maior liberdade.
— Veja só, Bella, o nosso filho pródigo voltou — o avô comentou ao vê-lo entrar na biblioteca. — Exatamente como eu lhe disse. Espero que a viagem tenha sido Proveitosa, meu filho.
O avô não se permitiu mais nenhum comentário, nem para saber onde o neto estivera. Em três anos, o conde nunca lhe perguntara para onde Edward ia durante a noite.
— Não foi uma viagem de recreio. — Edward foi até uma mesa alta que ficava ao lado do consolo da lareira. Em cima dela, duas garrafas de cristal lapidado e um arranjo com copos brilhantes. — Tive uma conclusão satisfatória dos meus negócios. A viagem foi tranqüila tanto na ida quanto na volta. O que mais alguém poderia desejar?
Edward serviu-se de uma dose generosa de conhaque. Com sorte, o drinque iria melhorar sua dor de cabeça.
— O senhor me acompanha, vovô? E a srta. Swan?
Por que perguntar a ela? Pelo modo como Bella reagira a uma simples taça de champanha, era de imaginar-se o que aconteceria se ela tomasse um conhaque envelhecido.
— Talvez mais tarde, meu filho.
— Eu não quero, lorde Edward, muito obrigada.
A resposta cortante da srta. Swan fez com que Edward encarasse a noiva, intrigado. Bella estaria imaginando que ele queria deixá-la de novo perturbada para fechar-lhe a. boca com um beijo?
E se ele o fizesse? Não fora ela quem dissera consentir naquela forma de carinho, se fosse preciso? Ou teria afirmado aquilo sob o efeito do álcool?
— Lorde Cullen, gostaria de resolver uma aposta entre nós? — Bella interrompeu-lhe as divagações.
— Aposta? — Edward encorajou-se com mais um gole da bebida. — Vovô, eu não sabia que o senhor era um jogador.
— As pessoas devem arriscar-se de vez em quando, meu filho, ou a vida torna-se tristemente previsível. — O conde fitou Bella e Edward com um sorriso indulgente, como se eles fossem um par de crianças precoces cujas brincadeiras o divertiam. — Se eu ganhar, Bella me permitirá a honra de comprar-lhe um traje para o nosso baile de máscaras.
O olhar de Bella deu a Edward a certeza de que era a primeira vez que ouvia falar nas condições daquele desafio.
— Eu não disse nada! — O grito de Bella confirmou as suspeitas de Edward.
O conde riu com o chiado típico de um asmático.
— Mas aceitaria, não é mesmo? As condições pouco importam se existe a certeza de ganhar.
Bella fitou Edward com cautela.
— Então, está bem. Mas o que será meu prémio, quando eu ganhar?
— Pode dizer o que deseja — o conde desafiou-a. Bella franziu a testa ao analisar as possibilidades.
Edward observou-lhe as mudanças no semblante, à medida que ela considerava e descartava as alternativas em rápida sucessão.
Edward lembrou-se do que ela dissera na tarde anterior, quando ele tentava convencer-lhe a aceitar a farsa do noivado: "Minha situação pode ser modesta, mas as minhas necessidades também são simples".
E ele invejou, em um bom sentido, o contentamento singelo de Bella Swan
— Vamos lá, minha querida — o conde provocou-a. — Deve haver alguma coisa que deseje e que está em meu poder conseguir.
Afinal, Bella descontraiu a testa e deu um sorriso tão luminoso que fez Edward piscar.
— Uma libra de bombons da confeitaria de Rugby...
Um sentimento de culpa idiota tomou conta de Edward. Se ao menos ele soubesse, poderia ter trazido para ela. Seria um gesto de agrado normal para um noivo. E teria proporcionado uma satisfação imensa a seu avô.
— Feito! — O conde bateu no braço da poltrona.
— E... — Bella acrescentou em um tom significativo.
— E? — O conde ergueu as sobrancelhas brancas e hirsutas.
— O senhor e lorde Cullen me acompanharão à igreja no domingo.
Seguiu-se um silêncio sepulcral, como ela já esperava.
— Nas matinas ou nas vésperas, como for mais conveniente para os milordes. Os vitrais das janelas evitam a entrada excessiva de luz, mesmo no mais brilhante dos dias. Eu gostaria de apresentá-los ao nosso novo vigário. Ele é jovem, mas um excelente orador.
— Aceitamos — o conde declarou, com o mesmo entusiasmo afoito que Edward presenciara diversas vezes transformar-se em tristeza.
— Vovô... — Edward tentou protestar, porém o conde o rejeitou com um olhar de pretensa severidade.
— Está bem. — Edward desistiu e tomou mais um gole. — Afinal, que aposta é essa? — Não lhe agradava a ideia de que os dois estivessem especulando sobre ele.
Bella e o conde entreolharam-se.
— Eu e seu avô temos opiniões diferentes sobre o motivo da sua viagem.
— É mesmo? Ela anuiu.
— Seu avô acredita que a sua viagem tem alguma coisa a ver comigo. Eu discordo. Quem está com a razão?
Bella relutou em desapontá-la, embora fosse radicalmente contra a ideia de chamar a atenção sobre si mesmo na igreja.
— Meu avô está certo, srta. Swan. Fui visitar seu irmão no colégio e conversamos a respeito da ideia de comprar-lhe uma patente.
— Esplêndido! — o conde gritou.
Edward não teve certeza por que seu avô se alegrara. Se era pela patente para Emmet Swan ou se por haver ganhado aquela aposta esdrúxula.
Ele ergueu o olhar do copo e viu a noiva aproximar-se. Ela usava um vestido creme pontilhado de flores em tons castanhos que lhe ressaltavam tanto a compleição física quanto os olhos. Os cabelos presos no alto formavam uma espuma de cachos Castanhos.
Bella passou perto da poltrona do conde, e Edward desejou que ela tropeçasse na bengala do avô, para poder ampará-la mais uma vez.
Naquele dia, Bella conservou uma firmeza que acabou por irritá-lo.
— Lorde Cullen, eu lhe disse que "não" era necessário.
Preso em uma teia de emoções descontroladas e poderosas que nem mesmo pareciam pertencer-lhe, Edward não captou de imediato o sentido das palavras de sua noiva.
— A patente, a senhorita quer dizer. — Edward lutou para raciocinar. — Eu lhe disse que insistiria. E, pelo que vi hoje, seu irmão daria um péssimo funcionário da cidade.
— Acredito que tio Crowley verá isso por si mesmo, com o tempo. — Seu tom firme e tranqüilo deixavam claro que ela não desistiria de seu ponto de vista, enquanto tivesse certeza de que o fato não perturbaria o conde.
— A senhorita prefere ser devedora ao marido de sua tia a sê-lo a mim? — Edward murmurou o convencimento.
— Eu suponho... — Bella hesitou. — Estar acostumada a dever favores à família de minha mãe.
Embora Edward achasse ser improvável que o avô tivesse ouvido a troca de palavras, o conde mterveio.
— Bella deixe-o agir como ele deseja. Um cavalheiro tem o dever de ajudar a família da esposa. Haverá muitos falatórios se meu neto falhar nesse pormenor. E não é o que desejamos, e?
Ela se virou para o conde e ergueu a voz.
— Suponho que não.
Depois fitou Edward com a fisionomia impassível.
— Muito bem, lorde Cullen, sou sua devedora. Edward gostaria que as palavras da srta. Swan fossem estimulantes, mesmo duvidando de que fora essa a intenção. A afirmativa de sua noiva tocou em uma corda de amargura que ressoou dentro dele.
A srta Swan podia considerar-se em débito, mas, a não ser que ele mantivesse seu coração protegido, Edward temia acordar um dia e descobrir que caíra sob o poder de Bella Swan.
Antes que lorde Cullen pudesse trair seus sentimentos com um olhar ou uma palavra, Bella recuou e ajoelhou-se ao lado da poltrona de seu amigo.
— Sei que prometi ficar para jantar hoje, milorde, mas acabei de lembrar-me de um compromisso urgente. Espero que o senhor me perdoe.
O conde suspirou com um desalento digno de um ator.
— Eu esperava com ansiedade o prazer de um jantar agradável a três. Mas se for necessário ficar sem a sua presença, é o que teremos de fazer.
— Creio que o senhor está exagerando o valor da minha companhia. — Bella deu uma risadinha. — Mas eu lhe prometo, vovô, que virei amanhã à noite, independente do que possa acontecer.
— Minha filha, saiba que lhe cobraremos a promessa — o conde advertiu-a e fitou o neto. — Mande atrelar o cabriole e leve Bella para casa.
Uma sucessão inconveniente de passeios noturnos a Netherstowe estendeu-se à frente de Edward. Ele pensou em protestar, mas com que argumentos?
Bella endireitou-se e apanhou sua touca.
— De maneira nenhuma, vovô. Aceitei ontem o oferecimento porque estava escuro e chovia. A noite de hoje não poderia ser mais bela e estrelada. Não posso permitir que lorde Cullen perca uma hora de seu tempo levando-me de volta a Netherstowe, sendo que, a pé, chego lá em quinze minutos.
Escute, escute!, Edward teve vontade de gritar para o avô.
O conde deve ter sentido o apoio do neto às palavras de Bella, pois fitou-o de cenho franzido.
— Absurdo! No meu tempo, não era considerada nenhuma perda de tempo um cavalheiro escoltar sua dama à noite, de volta para casa.
— Não culpe lorde Cullen pela minha decisão. — Bella veio em socorro dele. — Eu lhe asseguro, gosto muito de andar, e ainda mais nesta época do ano.
E, como prova de sua resolução, Bella encaminhou-se até a porta da biblioteca.
— Descanse em paz. — Ela acenou uma despedida para o conde. — Virei amanhã, na hora de sempre. Se lorde Cullen estiver em casa, poderá ajudar-nos a escolher uma data para o baile.
Depois que Bella saiu, Edward achou que um elemento vital faltava no recinto. Como um céu de inverno sem o brilhante agrupamento de estrelas da constelação de Orion.
Naquela noite, ele e o avô fizeram uma refeição que lhe pareceu sem sabor. A seguir, jogaram uma partida insípida de xadrez, em que Edward, de propósito, deixou o velho lorde ganhar.
Finalmente o relógio de pedestal que ficava em um dos cantos da biblioteca soou onze horas.
— Está na hora de dormir. — O conde levantou-se da poltrona com a dificuldade costumeira e espreguiçou-se. — Meu filho, seu dia hoje foi longo. Vamos subir?
— Acho que antes tomarei outro drinque, meu avô. Ambos sabiam que aquela era uma desculpa para ele ficar na biblioteca até poder deixar a casa. O conde fitou-o com ar cansado e solene.
— Edward, ela é uma jovem maravilhosa. Está disposto a dar-lhe uma oportunidade, não é mesmo?
O apelo foi diferente de tudo aquilo que Edward esperava ouvir. Por isso, não encontrou espaço para nenhuma de suas evasivas habituais. Para sua sorte, o conde não esperou resposta. Dirigiu-se para o quarto, batendo a ponta da bengala no chão com certa impaciência, sem olhar para trás.
Edward começou a andar de um lado para outro, tentando esquecer as palavras do avô. Fitou a garrafa ornamental de conhaque e resistiu ao impulso de tomar a dose que fingira querer. Sem o descanso habitual daquele dia, não precisava embotar os sentidos para poder dormir.
Depois de uma eternidade em que o relógio insistiu em marcar apenas dez minutos, Edward assoprou as velas e saiu da residência.
Do lado de fora, respirou fundo e embriagou-se com o ar frio, doce e úmido da noite. E pensar que havia médicos idiotas que taxavam aquela atmosfera como insalubre!
Durante o dia, ele permanecia engaiolado entre quatro paredes, prisioneiro de um sol impiedoso. Nada como ficar novamente livre, sentir a brisa noturna brincar em seus cabelos e sussurrar carícias sedutoras em seu rosto.
Ergueu as mãos trémulas com a mesma ansiedade de um jovem imberbe que tirava a veste de sua primeira conquista. Arrancou a máscara odiosa que, durante aquele dia, usara muitas horas a mais do que estava acostumado. A peça era abafada, sufocante e provocava coceiras desesperadoras.
O afluxo do alívio delicioso e puro no rosto limpo só rivalizava com os que Edward sentira havia tempos, com os estertores da paixão. Ou era o que ele dizia a si mesmo.
Deixou a cabeça pender para trás e encantou-se com o tremeluzir do céu coalhado de estrelas, onde a lua ausente não empanava o brilho suave e sepulcral. Teve piedade dos pobres tolos que perdiam as noites, embrulhados na escuridão cega do sono. Embora agradecesse que os outros agissem daquela forma.
A beleza silenciosa da noite era apenas um dos encantos. O outro era a promessa da privacidade. Edward Cullen não tinha intenção de dividi-la com ninguém.
O brilho das estrelas e o ar noturno tinham um efeito estimulante sobre ele.
Com passos animados, caminhou em direção à colina que ocupava quase toda a parte oriental da propriedade de seu avô.
Uma coruja piou ao longe. O vento tocava uma cantiga de ninar fantasmagórica por entre as folhas. Na vegetação rasteira, o ruído de algum pequeno animal de hábitos noturnos. Edward prosseguiu no caminho ladeado de árvores que conduzia ao topo do morro.
Nisso, às suas costas, ouviu sons leves e anormais para as circunstâncias. Atento, procurou escutar além dos pró prios passos.
O que seria aquilo?
Um estalo de um graveto sob outro pé que não o seu. A respiração de outra pessoa? Estaria sendo seguido?
Edward diminuiu as passadas e preparou-se Para uma virada repentina. Precisava confrontar-se com qualquer um que fosse o perseguidor.
Ele faria com que se arrependessem de violar a intimidade de Lorde Lúcifer.
O diabo era mesmo ligeiro!, Bella resmungou, lutando para perseguir a Sombra de lorde Cullen, sem que ele percebesse.
Pelo menos a caminhada rápida servira para aquecê-la. Embora a noite não estivesse fria, Bella foi tomada por calafrios, enquanto esperava nas sombras de Helmhurst, para ver se seu noivo saía de casa à noite.
No momento em que ela estava a ponto de abandonar a vigília e voltar para casa, vira a silhueta longilínea destacada contra uma das janelas iluminadas da casa, imediatamente seu coração disparara e ela tornara a duvidar da racionalidade do seu plano.
Mas uma compulsão, tão irresistível quanto temerária, arrastara-a atrás de lorde Cullen. Até a colina e até a incógnita que a aguardava.
No interesse do conde e de seu próprio, Bella estava determinada a descobrir o que o trazia até ali, noite após noite. Se fosse alguma coisa inofensiva, poderia revelar o fato para o conde e tranqüilizá-lo. Ao contrário, se descobrisse algo sinistro, certamente haveria de curá-la dos sentimentos inadequados que lorde Cullen lhe provocara.
Um grito irreal desafiou-a do alto.
Bella sentiu os músculos congelados de medo, antes de entender que se tratava do pio de um mocho. Seria mesmo? Não se dizia que bruxas pegavam corujas, gatos e morcegos sob sua tutela?
Morcegos! Bella ergueu os ombros e passou a mão nos lóbulos das orelhas.
"Deixe de ser tola!", ela ordenou a si mesma. Nenhuma pessoa educada, em pleno século XIX e na Inglaterra, acreditava em bruxas.
Não havia motivos para ficar assustada. Um passeio agradável naquele caminho rodeado por árvores em plena luz do dia permitiria que ouvisse uma serenata entoada por um coro de garriças e tordos. E ainda ficaria encantada ao descobrir uma profusão de violetas silvestres. Mas a aproximação da noite parecia ter lançado um encantamento tenebroso na sua amada e conhecida região rural.
Haveria um par de olhos claros e luminosos observando-a por trás da vegetação rasteira do bosque?, Bella estremeceu, embora sem sentir frio.
Parou por um momento para recuperar o fôlego e escutar o som dos passos de lorde Cullen à sua frente. Mas só percebeu o murmúrio fantasmagórico do vento que passava por entre as folhas.
Ora bolas! Enquanto se impressionava com cada som e se encolhia por causa das sombras, ele havia tomado uma boa dianteira. Apressou-se para a frente, esperando diminuir a distância entre eles.
Mal tinha dado alguns passos, quando uma sombra enorme de uma substância sólida elevou-se no caminho. Bella não pôde impedir o grito de pavor que ecoou no silêncio da noite. A forma ameaçadora e negra agarrou-a com força.
Ela agrediu a coisa a socos e lutou para escapar. Mas quando aquilo a abraçou, Bella sentiu a fragrância suave de sabão de barba e de conhaque.
— Srta Swan? Mas o que diabo está fazendo aqui a esta hora? — A voz potente de Edward Cullen invadiu o ar noturno.
Saber que se tratava apenas do barão não teve efeito calmante Ele a assustava até durante o dia, nas fronteiras civilizadas da biblioteca do conde. Em um caminho deserto, tarde da noite, era mais difícil esquecer a fama sinistra de milorde.
O medo teve um efeito curioso, levado ao extremo. Por algum motivo que Bella ignorava, houve uma descarga potente de raiva.
— Estou tentando descobrir o "que diabo" o senhor esta fazendo aqui a esta hora! — ela gritou, em desacordo com a sua prudência habitual.
Ele afrouxou o aperto e abaixou o tom de voz.
— E o que a senhorita acha que eu poderia estar planejando?
A ira de Bella pareceu dissolver-se diante do murmúrio sobrenatural de lorde Cullen.
— Eu... não sei — as palavras saíram a custo, em forma de um guincho tímido.
— Tem certeza de que deseja descobrir?
Se negasse, milorde a soltaria e ela poderia voltar correndo para casa tão rapidamente quanto lhe permitissem as pernas?, Bella raciocinou. Claro que sim. Era o que ela deveria fazer. Todavia, se fosse embora naquele momento, teria de renunciar a qualquer direito de descobrir alguma coisa sobre essa parte secreta da vida de seu noivo.
Se, ao contrário de todas as suspeitas, as atividades clandestinas de lorde Cullen demonstrassem ser inocentes, Edward poderia tomar sua recusa como prova de que ela pensava o pior sobre ele.
— Bem? — ele tornou a perguntar. — A senhorita quer mesmo saber?
— Eu quero.
Somente depois de ter respondido, Bella deu-se conta do significado daquelas palavras. Palavras que o barão jamais permitiria que ela pronunciasse diante de um vigário.
Milorde não pareceu notar, ou, pelo menos, não se importou.
Lorde Cullen soltou-lhe o corpo, mas continuou a segurar-lhe o antebraço com firmeza. E, com determinação, conduziu-a na direção do alto da colina.
— Muito bem — ele falou, enquanto caminhavam. — Venha comigo e eu lhe mostrarei.
O que encontraria ao chegar ao misterioso local?, Bella apavorou-se. O que milorde faria com a noiva, depois que ela tomasse conhecimento da verdade?
Bella considerou que, dentre todos os enganos e tropeços de sua vida, aquele poderia tornar-se o maior erro que já cometera.
