Título: São Precisos Dois Para Praticar.
Capítulo 7: Tentativa 2
Autora: Rogue in Rouge. Profile: ht tp: u/ 558994/ Rogue_in_Rouge
Disclaimer 1: não possuo as HQs do X-Men, desenhos, filmes ou qualquer outra franquia relacionada – isso parece chocante.
Disclaimer 2: Eu, que estou traduzindo, não possuo as HQs do X-Men, desenhos, filmes ou qualquer outra franquia relacionada E ESSA HISTÓRIA, quero deixar claro. =P
N/T: Nota da frente do capítulo!? Siiim! =P
Sei que isso é detestável para a maioria, mas antes que você comece a ler, eu preciso te dar um recado. Esse capítulo é um tanto 'caliente', por assim dizer, então eu tive que fazer mais alterações do que eu gostaria no momento da tradução. A razão disso é muito simples: tem certas palavras e expressões em inglês que, quando traduzidas, ficam extremamente vulgares - ainda que isso não aconteça quando estão no seu idioma original. Então tive que fazer algumas alterações, mas nada que modifique qualquer coisa importante. Isso seria um crime contra essa história muito boa e contra a autora também. Espero que gostem do capítulo e aproveitem (confesso que eu ruborizei em algumas partes, enquanto estava traduzindo, haha)
Até a próxima! ; )
"Tem certeza de que está pronta para isso, Vampira?"
Vampira soltou um suspiro, desejando desesperadamente que estivesse usando suas luvas para que ela pudesse mexer com elas. Mas isso iria contra o ponto principal.
Ela encolheu os ombros. "Agora é uma boa hora como qualquer outra." Scott pareceu tomar isso como um sinal positivo e sorriu para ela, tranqüilizador.
Ela evitou o olhar atento do Professor Xavier, sabendo que ele estava se lembrando da conversa deles de outro dia. Mas ele não disse nada. Se havia algo que ela mais apreciava sobre o Professor era que ele tinha um apurado senso de discrição. Isso era da conta dela e ele não iria fazer nenhum comentário a menos que ela quisesse falar sobre o assunto. Os outros poderiam achar essa reticência irritante, mas ela tinha segredos o suficiente para realmente apreciar esse comportamento dele.
Scott estendeu a mão.
A nudez da mão oferecida para ela pareceu quase obscena. Por quanto tempo ela desejou pegar naquela mão? E agora, agora que era possível, o entusiasmo pareceu tão... estranho. Espontaneamente, a imagem da mão do Remy se sobrepôs a do Scott, a contraposição de uma vida cheia de cicatrizes com a ficha limpa de Scott. Ela espantou a imagem.
E com mais confiança do que garantias de que iria dar certo, ela colocou a mão sobre a dele.
Ela tinha consciência de que os outros observavam atentos, o Professor Xavier, Senhor McCoy, Kitty, Kurt e Scott, mas todos estavam bem distantes dela. Ela estava tocando – Scott. Era uma novidade, um desejo, uma esperança uma vez abandonada, uma vez negada.
Sua mão estava quente, pálida, firme, sem calos, com exceção das pontinhas dos dedos - sem dúvida, endurecidas devido ao uso constante da sua viseira.
Ela ficou maravilhada e com uma onda repentina de algo como uma tontura. Se projetou para frente e mudou o aperto de forma a envolver a mão dele.
De mãos dadas.
Parecia tão, tão juvenil, inocente, e ainda assim – com qual freqüência ela tinha ansiado por aquele simples prazer?
E com Scott -
O surto veio tão rapidamente que ela quase não soltou a mão dele a tempo. Não é como se o garoto da viseira fosse tão bom assim. A cabeça dela girou intensamente – ugh, o que era aquilo? Podia sentir a sensação de ácido de bateria no fundo da garganta dele – não, dela! – Não! Ela forçou sua personalidade para tomar a frente, empurrando a outra para o lado. A outra personalidade se rendeu sem muita resistência.
Não precisa ser tão enérgica, chérie.
Inacreditável. Remy? Ele estava –
Achei que o Gambit era o único voluntário para o negócio de ficar de mãos dadas.
Com ciúmes.
Esse simples pensamento fez sua cabeça girar numa direção totalmente nova. E tecnicamente, sem muito sentido, ela informou à psique que ela é quem fora atrás dele.
Ainda sou seu companheiro de cama.
O último comentário sarcástico, antes da psique de Remy sair furtivamente para onde quer que ela normalmente se alojava, foi o suficiente para puxar Vampira de volta à realidade. Ela não poderia ter esses pensamentos correndo em volta da sua cabeça com Xavier aí! Seus olhos se abriram, apenas para perceber que ela havia colocado as duas mãos na cabeça, num gesto de defesa reflexiva. Ela soltou as mãos imediatamente.
"Vampira, você está bem?"
Scott estava se inclinando perto demais para seus nervos hipersensíveis e ela mal conseguiu conter o impulso para tropeçar para trás. À sua esquerda, ela podia sentir Kurt e Kitty pairando, mantendo distância suficiente para não sufocá-la - algo que não era possível no momento, mas ela conseguiu virar os cantos da boca num frágil sorriso.
"Estou legal," ela falou entre dentes, percebendo apenas muito tarde que sua mandíbula tinha se contraído. Scott franziu a testa e no momento seguinte ele se afastou para deixar Professor Xavier deslizar até ela.
"Talvez nós devamos postergar esse treino para outro dia quando você estiver mais descansada," ele ofereceu a desculpa com apenas um mínimo franzir de sobrancelhas, embora ela pudesse perceber que ele realmente queria falar com ela. Ela encolheu os ombros.
"Estou bem, só tive a agitação de uma psique que eu não esperava," era a resposta mais vaga que ela poderia dar. E era a verdade. A psique de Remy nunca havia demandado tal atenção, normalmente ela só aparecia nos momentos mais estranhos para fazer seu próprio comentário sobre o dia dela.
Ele, a psique dele, nunca tinha mostrado uma emoção tão intensa...
Mas as sobrancelhas do professor franziram ainda mais com a resposta, provavelmente, tentando descobrir qual era a psique, das poucas que ela tinha absorvido, e ela se obrigou a continuar falando, "Está tudo bem agora. Além disso, eu tinha que encarar isso em algum momento e adiar não vai resolver nada."
Ele ainda estava com o cenho franzido, mas Scott estava olhando para ela. O Professor suspirou e juntou suas mãos.
"Se você se sente segura que esse é a melhor maneira de agir, Vampira."
Ela assentiu com a cabeça e fervorosamente desejou que seus escudos mentais estivessem trabalhando com força total.
Alguma coisa, ou alguém, fez um som de desaprovação dentro dela.
Mas isso não iria arruinar seu momento.
E ainda assim...
Por que ela não se sentiu satisfeita quando segurou a mão do Scott?
"Eu tive um treino hoje."
Não havia nenhuma maneira fácil de trazer à tona o assunto então ela simplesmente colocou para fora. Remy não respondeu, ocupado em reorganizar a posição deles, de modo que ela estava agora confortavelmente aninhada contra seu peito. Era como ficavam no estranho período antes de começarem efetivamente os treinos, que foi finalmente sobrepujado pelo ligeiro mau hábito de Remy de pular em cima dela. Ela se questionou brevemente sobre a mudança. Quanto mais longe eles iam, mais acomodado ele se tornava.
No entanto, ela franziu a testa diante da falta de reação ao seu anúncio e olhou para o rosto dele. A única coisa que Remy nunca poderia ignorar era atenção. E precisamente, ele finalmente voltou seu olhar, seus lábios se curvando para cima num gesto de diversão condescendente.
"Oui?"
"Sim," ela prosseguiu com indiferença. "correu tudo bem, exceto por uma psique que resolveu aparecer." Ele levantou uma sobrancelha e diante do seu interesse educado, as palavras ficaram presas na garganta dela. Ela desviou o olhar. "Eu a acalmei," ela disse sem jeito. Ele sorriu.
"Bien, isso significa que você está ficando boa nisso, non?"
"Certo."
Remy sorriu e inclinou-se ainda mais para o seu pescoço, cobrindo-o com o toque dos seus lábios. "Mas nós já sabíamos disso, não é?" murmurou confidencialmente. Ela engoliu em seco, no momento em que uma mão sem luva, áspera devido a experiência, deslizou sob sua camisa, e ela assentiu trêmula.
Covarde.
Ele recuou quase no segundo que ela sentiu que os poderes dela entraram em ação. Ele estava ficando muito bom em discernir as alterações, ela observou de longe, ofegante e mais focada na faixa vermelha que era a boca dele.
"Un secret", ele murmurou, sem vontade de ir mais longe do que alguns centímetros de distância.
Era um jogo perigoso que eles jogavam. Quanto mais exposta ela, ou ele, se tornava, mais pele tinha de ser cuidadosamente descoberta. No entanto, ele forçava os limites enquanto ela tocava a camisa que ele, então, retiraria, movendo-se para retirar a calça do pijama dela, deslizando tentadoramente sobre seus quadris.
Ele inclinou a cabeça, enterrando o nariz no cabelo dela, muito perto de seu rosto nu. "Un secret", ele solicitou novamente.
A frase saiu antes que ela pudesse detê-la, o fluxo sem controle de uma mente agitada. "Eu entrei para os X-Men por causa de Scott", ela deixou escapar. Imediatamente seu estômago se revirou e ela se encolheu.
Ela não queria discutir sobre Scott com o Remy – não havia razão para isso: os sentimentos dela, os antigos sentimentos ou seja lá o que fossem, não eram da conta dele e por que deveriam ser, de qualquer forma? Ciúmes. Não era como se ele tivesse alguma pretensão e também não era como se importasse o que ele sentia, se ele sentia alguma coisa. Eles eram apenas companheiros de cama, a frase zombou dela, vinda das profundezas da sua mente, e ela se contorceu mentalmente. Parceiros de sexo casual, companheiros de cama – qual era a diferença?
Ela encarou Remy – tão perto dela, ele não podia esconder sua expressão nas sombras ou com movimentos feitos para distrair. Ele estava bem ali e seus olhos tinha se desviado. Ela esperou pela leve distração causada pelas batidas dos dedos dele contra sua coxa, suas costelas, seus seios; ele sempre a tocava para quebrar um súbito momento de tensão ou, bem, para intensificá-los. Mas ele ainda estava parado.
"Ele foi legal comigo e na verdade me viu como uma pessoa – não uma arma, como eu descobri que a Mística fazia," aquela traição ainda doía, intensificada pelos outros jogos posteriores da trocadora de formas, mas aquele não era o ponto dessa pequena confissão. "Nós acabamos caindo naquela situação ruim e foi ele, junto com os X-Men, quem tirou a gente daquilo." Ela estava gaguejando. Ele não podia simplesmente interrompê-la?
Vampira abriu a boca para dizer algo, qualquer coisa, mas ele (finalmente) falou primeiro que ela. "Você deixou a Mística por causa do Senhor Eu-Uso-Cueca-Zorba?" O tom dele era casual, divertido – isso era pior do que a mutação dela entrando em ação e então ela o empurrou. Além disso, citar a roupa de baixo do Scott enquanto eles estavam naquela posição era obsceno. E grosseiro.
"Não chame ele assim."
Ele sorriu maliciosamente, mas pareceu mais afiado do que o normal. Ela não devia ter citado Scott. Quais respostas ela estava procurando, afinal? "E o que você prefere? Líder alto e poderoso? Escoteiro? Um olho?" Ela revirou os olhos quando ele sorriu mais largo. Maravilhoso, agora ele só estava sendo sarcástico.
Remy nunca gostou do Scott, e esse sentimento era mais do que mútuo. Scott teve dificuldades para superar o negócio do 'trabalhou-para-Magneto' embora ele tivesse começado a valorizar a presença do Piotr. Provavelmente isso tinha algo a ver com o fato de que Piotr era realmente um doce de pessoa e praticamente tinha sido chantageado para seguir Magneto. Gambit? O arrogante e solitário ladrão tinha dito algo levianamente sobre um contrato. Nem seu passado nem suas maneiras agradaram o líder do time. Era como se o que aconteceu com o Lance estivesse se repetindo, exceto pelo fato de que o Lance era um líder e acreditava em trabalho de equipe, pelo menos em teoria. Assim, pelo menos, ele e Scott tinham algumas coisas em comum (sem mencionar a afeição mútua por uma garota X-Men). Gambit e Scott não tinham tal meio termo. E embora houvesse várias boas razões para essa divisão, eles simplesmente agiam infantilmente sobre o assunto – por isso o pequeno sermão durante o jogo de flag football e o apelidinho que Gambit usara há pouco. Scott simplesmente ficaria bravo com o Gambit, mas Gambit seria mais criativo, dependendo do seu humor.
Remy inclinou sua cabeça e colocou a mão sob o queixo, falsamente pensativo. "Hmm, e que tal garoto-viseira?" Vampira congelou. Ciúmes. "Ou sempre há o velho padrão: Quatro-Olhos." O coração dela bateu um pouco mais depressa e ela lambeu os lábios.
"Você usa óculos também," ela apontou e a zombaria desapareceu da expressão dele, antes dele bufar.
"Eu posso tirá-los." Os olhos deles se encontraram e a cor rubi dos olhos dele começou a brilhar. "Mais acho que usá-los parece ser preferível." A voz dele estava cuidadosamente neutra.
Não era uma pergunta, não é?, Mas ela estava balançando a cabeça antes que pudesse compreender as implicações do gesto e ela teve que quebrar o contato visual.
"Caras de óculos," ela disse levemente, com a voz muito alta para demonstrar indiferença. "A nova moda para as garotas curtirem."
E lá estava, o roçar dos dedos dele contra a curva da sua cintura. "Hmm," ele murmurou, se inclinando em direção a ela. "Eu uso óculos porque a luz é um pouco brilhante demais. Meus olhos funcionam melhor de noite, o que é bom para os negócios. Além disso," ele disse e em seguida fez uma pausa, mas ela não precisava que ele completasse a frase. No interior dela, o nome reverberou: Le Diable Blanc. Não era um nome carinhoso.
"Eles são quem perde", ela murmurou e ele olhou para ela com aqueles olhos lindos.
"Sim," ele sussurrou e então sua boca estava sobre a dela.
Segredos podem ser pequenos.
Como ela não ter sido capaz de dormir na sua primeira noite na Mansão, ele ter desejado ir para casa para o Mardi Gras, a admissão dela de que alisava o cabelo (Remy desaprovou o costume), ou ele estar reconsiderando deixar o cavanhaque crescer (Vampira desaprovou a idéia).
Segredos podem ser estúpidos também.
Como odiar couve-flor por sua insipidez; como não ser capaz de sentir o gosto de nada por dois dias inteiros depois de experimentar o verdadeiro gosto da comida Cajun; como recusar-se a assistir a certos filmes românticos, porque eles realmente a faziam chorar; ou como admitir que ele realmente enfiou um cigarro ainda aceso em um de seus bolsos porque ele sabia que não era permitido fumar na frente das 'crianças'. (Embora esse último fato apenas tenha demonstrado a estupidez de Remy, na mente da Vampira.)
Certos segredos eram um pouco mais complicados. Tal como quando ela tinha revelado uma certa experiência como 'Sereia' de Bayville.
"Deixe o Remy ver se entendeu direito: você, a Ruiva, a Gatinha, a garota vulcão e a Big Bang," ele as enumerou e ela não pôde evitar balançar a cabeça diante dos apelidos que ele inventou. Ela tentou pensar em alguém que ele chamasse pelo nome... "se reuniram e colocaram os caras maus nos seus devidos lugares?" Ela assentiu e ele desatou a rir, um riso de corpo inteiro que chegou a sacudir a cama.
Ela mergulhou em direção a ele, pondo a mão sobre a boca dele. "Será que dá para calar a boca?! Eu tenho vizinhos!"
Ele continuou rindo e depois de um momento, ela sentiu algo frio e pegajoso contra a palma da sua mão. "Eww," ela silvou, limpando a palma na colcha da cama. No meio do movimento, ela percebeu o despropósito daquilo. Exatamente o quanto dela Remy já tinha lambido? Seu rosto queimou de vergonha.
Enquanto ela estava distraída, Remy pulou da cama. "Eu suponho que vocês não usavam seus uniformes de X-Men".
Ela balançou a cabeça, virando-se na cama para se sentar de pernas cruzadas e vê-lo rondar o quarto. O que ele estava fazendo? "Não, nós inventamos nossas próprias roupas. Bem, agora a Boom-Boom está usando a roupa como seu uniforme de X-Men."
"Ah é?" ele se virou na direção a ela.
Sua próxima declaração só pôde ser atribuída ao fato de que ela estava agradavelmente distraída pela visão de certos músculos elegantes se flexionando sob a luz fraca enquanto Remy ficava na frente de seu armário. "Sim, roupa de couro preto e tudo mais."
Os olhos de Remy literalmente acenderam com interesse e ela percebeu exatamente o que ela tinha acabado de deixar escapar. "Ah, eles não eram tão impressionantes, nem nada assim"
O sorriso dele ganhou dimensões gigantescas. "Ah, me deixe julgar por mim mesmo."
Assim determinado, ele a persuadiu e convenceu a encontrar a roupa - seja lá em qual canto escuro do seu armário ela estivesse escondida - só com a ameaça de pesquisar todas as suas gavetas para encontrá-la. Triunfante, ela puxou de uma caixa que fora empurrada até o final da parte de trás de sua prateleira mais alta, extremamente ciente do fato de que ele estava examinando cada pedaço do que pudesse pousar os olhos.
"Dieu chère, tem cores escuras o suficiente?"
Ela zombou. "Eu sou gótica." Virando, ela o viu tocando no topo de uma malha laranja horrível que ela tinha usado no baile destruído pelo acidente com as bestas que saiam dos portais que o Kurt usava para se teleportar. Ela arrancou a malha da mão dele, mas ele apenas riu.
"Você poderia usar algumas coisas mais ousadas, chérie".
"Você quer ver a roupa ou não?" ela retrucou, sentindo um rubor subir pelo seu rosto. O comentário seguinte dele seria muito provavelmente algo relacionado com o quão disposto ele estava a ajudá-la com isso. Ugh, quando ela iria parar de corar perto dele?
Voltando para a cama, ela abriu a caixa e tirou a calça de couro, top, pulseiras e jaqueta. Considerando a variedade por um segundo, ela voltou para o armário para desenterrar as botas de cano alto. Remy assobiou.
"Quando você disse couro não estava brincando." Ela encolheu os ombros, embaraçada.
"Nós queríamos parecer poderosas." Pegando as calças, ela estava prestes a pedir para que ele olhasse para outro lado quando percebeu o absurdo. Ela já estava basicamente nua na frente dele, usando apenas calcinha e sutiã. E ela estava colocando roupas.
Ainda assim, enquanto ela deslizava para dentro das calças e colocava o top, ela podia sentir o olhar ardente dos olhos dele registrando cada movimento – o deslizar do couro sob na parte interna do joelho, o leve abotoar nos quadris, o deslizar do top sobre seus seios, a forma como a jaqueta cobria seus ombros, a fita que firmava as grossas luvas no lugar. Se vestir na frente dele parecia surreal e o toque do tecido foi de alguma forma ampliado, se agarrando a sua pele com tanta intensidade que a fez tremer com tanto calor. Entretanto, foi somente depois que ela estava segura, já com as luvas, que ela percebeu que havia se esquecido de prender as fivelas primeiro. Mas elas não estavam na cama – Remy deu um passo as suas costas e ela pode vê-lo girando no dedo uma das suas pulseiras com rebites.
"Laisse-moi," ele falou muito próximo a sua orelha e a envolveu para afivelar a primeira pulseira em volta do seu braço esquerdo, prendendo-a com a facilidade de um ladrão, mas levando mais tempo do que seria necessário para deixar que seus dedos roçassem na parte interna do braço dela. Ela estava tremendo e tentou parar, mas a respiração curta não estava ajudando. Ele se direcionou para o outro braço, puxando-a mais para trás contra o corpo dele e ela podia senti-lo cercando-a. Os dedos dele deslizaram por seu braço, arrastando-se sobre a manga da jaqueta, subindo para traçar os contornos de sua garganta. Seus olhos se fecharam quando ele roçou na região das suas cordas vocais. O colar de couro com rebites pareceu grosso e pesado contra seu pescoço e ela tentou se lembrar por que tinha colocado aquilo em primeiro lugar. Para afastar os outros, mostrar que ela era intocável? Os dedos do Remy alisaram o adorno desnecessariamente, enviando frissons pela sua espinha. Ela se sentiu extremamente tocável.
Pegando no seu quadril, ele a virou de frente para ele, observando o conjunto da obra. Ela não se importou em dizer que se ele desse um passo para trás, ao invés de ficar assim, coxa contra coxa, ele teria uma visão melhor. "Ah," ela engoliu em seco. "As botas-"
O vermelho dos olhos dele acendeu. "Talvez mais tarde," falou com uma voz rouca. "Ah, eu gostei muito disso." Sua íris estava muito brilhante e ela, ridiculamente, estava parecendo a Magma. Com exceção do fato que Remy a fazia ficar quente de um jeito completamente diferente... "Bem, acho que Remy sabe por que vocês se autodenominaram Les Sirènes." Ele estava tentando brincar com o efeito que ela estava causando, mas talvez pela primeira vez, ele não estava tendo muito sucesso. Ela finalmente corou, o sangue fluindo para seu rosto como se estivesse desejando há muito tempo ser libertado. Ele se inclinou para mais perto, o tom da sua voz banhado em mel. "Fico feliz por você ter mudado seus métodos para pegar ladrões." Um dedo pairou sobre seu decote. "Ainda que eu ache que o outro era bastante," ele estendeu a palavra enquanto o dedo corria pelo seu top. "eficaz".
Vampira estava atordoada, tonta, embriagada. Ela lambeu seus lábios e sorriu maliciosamente para ele. "Quem disse que eu mudei?" Ele a olhou fixamente antes que ela finalmente soltasse uma gargalhada. Ele se juntou a ela, mas muito rapidamente estava concentrado em despi-la do traje, febrilmente se assegurando de que ele pudesse espalmar cada centímetro da pele dela que a roupa havia coberto apenas por um período tão curto de tempo – garganta, costas, ombros, braços, quadris, coxas, panturrilhas e seios.
Quando ele a tocou, ela ficou eletrificada e ele deu continuidade aos seus movimentos. Finalmente desfez aqueles limites que eles haviam configurado e na sequência seu sutiã caiu no chão. Ela se cobriu reflexivamente, mas ele se aproximou e entrelaçou suas mãos nas dela. "Du calme", ele suspirou.
Ele a tocou com todo o cuidado de Michelangelo, de um, de um – um amante, acariciando com dedos ágeis. Passando sobre ela a língua e dentes, ele se ajoelhou diante dela e ela não pode evitar de tremer.
"Dieu, tu es belle."
Não foi elegante, mas foi honesto e algo dentro dela continuou se expandindo.
Ela abaixou o olhar até ele. "Você também."
Mas lentamente os segredos escorreram aos poucos e começaram a preencher o tempo que eles tinham juntos. Havia se tornado quase um ritual – admitir algo antes do treino e em alguns momentos estranhos durante o treino, sempre que Vampira se sentia perigosamente perto demais dele.
E às vezes ela se pegava apenas sussurrando – como se tudo que ela precisasse fosse o simples ato de contar a ele, sem qualquer motivação. Aquelas eram as horas que ela ficava realmente nervosa.
E às vezes, aqueles estúpidos e pequenos segredos queriam realmente dizer alguma coisa.
"Eu pensei em tingir minha franja," seu nariz repousava no espaço entre o queixo e ombro dele. "Eu adoro ela, mas –". Ela podia imaginar aqueles olhos flamejantes, encarando-a. Mas ainda assim, tinha certeza de que ele entenderia. Será que ele não tem um indutor de imagem? Lentes de contato?
"Eu gosto dela," ele murmurou, colocando um beijo no topo da cabeça da Vampira, antes de levar uma mão até a distinta franja, passando os dedos pelos fios. "Te dá personalidade."
Ela riu. "É mesmo? De quem, Pepé Le Pew?" (1) Ele estalou a língua, mas ela fez um movimento antes que ele pudesse responder, empurrando-o levemente para ficar numa posição que a possibilitava olhar para ele. "Espere, um incansável mulherengo que não consegue entender um 'não' como resposta e fala um francês de origem duvidosa," ela colocou a mão no queixo, deixando sua outra mão deslizar sobre o peito dele. Vendo que ele estava prestes a falar, ela o calou. "Hmm, ainda estou pensando... Eu sei que isso me lembra alguém!"
Ele revirou os olhos e então, sem aviso, rolou sobre ela. Ela não pôde reprimir a risada. "Cheguei perto da verdade?" Ele levantou a cabeça e ela ficou maravilhada com o fato de que havia ficado tão confortável com ele por cima dela.
"Aquele pobre gambá é mal interpretado, comprends?"
"Estou certa disso," ela riu.
"Além disso, ele está sempre perseguindo um gato, não é um gambá de verdade como aquele que eu tenho aqui." Ele puxou suavemente sua franja e ela fez uma careta de dor fingida. A próxima coisa que ela percebeu é que ele tinha se inclinado para apenas uma polegada de distância, inclinando seu rosto para combinar com os contornos do seu próprio. Seus olhos incandescentes eram o único brilho que ela podia ver, uma vez que ele bloqueava a luz acima. "E a femme sempre foge."
E sua respiração ficou presa diante da pura intensidade do olhar dele, mas como sempre, ela não tinha certeza do que ele estava tentando transmitir. Ela engoliu as perguntas não formuladas.
Mas tudo o que ela pôde oferecer foi - "Não é a sua vez de me contar um segredo?" O brilho dos olhos dele voltou para um leve tom de vermelho e ela ficou espantada por conseguir dizer. "Quid pro quo".
Ele se inclinou para baixo e espalhou completamente seus dedos na região abaixo do seio dela. Ela prendeu a respiração.
"Eu nunca assisti muito TV. Não que tivesse muito o que fazer nas ruas também, de qualquer forma." disse ele casualmente e ela poderia ter odiado-o, se não fosse o toque das suas mãos.
Foi só mais tarde que ela se perguntou se isso não tinha sido o único segredo de verdade que ele tinha contado a ela.
E ela percebeu que, quanto mais próximos eles ficavam, mais difícil era manter a frieza...
Vampira amava o verão. Lembrava, apenas vagamente, o clima usual da sua cidade natal no sul. Outros teriam reclamado sobre o calor pegajoso, alta umidade e muita luminosidade, mas Vampira, ah, ela saboreava isso. É claro, sempre fora difícil aproveitar o calor apropriadamente dado o fato que ela ficava coberta dos pés a cabeça, mas com o advento do seu treinamento, era uma perspectiva que ia se tornando cada vez mais acessível.
E, finalmente, num dos últimos dias verdadeiramente bonitos do verão indiano que eles estavam desfrutando, ela iria aproveitá-lo ao máximo.
Bem, na verdade, aquilo tinha sido o esforço combinado de Kitty e do resto das meninas da Mansão, que foram capazes de usar o pretexto do treinamento da Vampira para reivindicar oficialmente a piscina da Mansão - e puxar os biquínis do cabide. Os garotos foram oficialmente proibidos, deixando as meninas se bronzearem alegremente à beira da água.
Pelo menos, era assim que deveria funcionar.
"Lindo dia, não é, senhoritas?"
A voz e sombra repentina interromperam o diligente ato de adoração ao sol da Vampira. Acima dela, o rato de pântano arrogante olhava todas atentamente, causando risadinhas em algumas garotas mais novas e ela se contraiu. "Simplesmente belle," acariciou a palavra, como se ela tivesse sido mergulhada em mel.
Ele estava bloqueando a luz do sol; essa foi a única razão pela qual ela levantou, realmente.
"O que você quer, Rato de Pântano?" Ela falou rispidamente, ficando de pé. Ela cutucou o peito dele (a camisa preta de gola alta que ele usava lembrando-a um pouco demais os treinos), sentindo uma leve onda de excitação diante do quão abertamente exposta ela estava para ele. Isso é provocante o bastante, Gambit? Ela cuidadosamente guardou a emoção dentro de si. "Essa é a hora das garotas e você não foi convidado."
Ela podia sentir os olhos dele percorrendo-a e tomando nota do biquíni ousado que Kitty tinha persuadida-a a comprar para celebrar o advento do controle dos seus poderes. A obstinação da amiga teve como aliada uma satisfação puramente feminina. "Oh, deixe-me contar as possibilidades..." ele murmurou, ignorando a última parte do comentário dela. O rubor que o olhar dele inspirava era excitante, quase indecente.
Ela não estava bem certa como, mas no momento seguinte ela sentiu um dedo brincando com o laço amarrado às costas dela, um mínimo roçar do contato de pele contra pele (ela dificilmente podia se enganar com relação a essa sensação), assegurando a ela de que o dedo estava descoberto.
Ela girou e agarrou o pulso coberto dele, com um único movimento suave. Seus olhos se cerraram. "Dedos grudentos". A acusação mais rouca do que do que o planejado e ela sentiu o início de um rubor aparecer.
A situação só piorou quando ela pôde ver o olhar ardente atrás daqueles estúpidos óculos escuros que ele estava usando "Pele grudenta," ele murmurou de volta, a voz ecoando através dela enquanto ele puxava o braço de volta para si.
Algo lhe dizia que ele não se importava nenhum um pouco com a aderência que ele estava sugerindo e ela estremeceu.
Soltando o braço dele, ela se virou e com poucos passos, talvez rebolando um pouquinho, mergulhou na piscina. Realmente, ele era simplesmente muito intenso as vezes.
Aparecendo na superfície, ela se acomodou com os braços cruzados sobre a beirada da piscina. Ela sacudiu o cabelo do rosto. "Cai fora, Cajun" Ela estava orgulhosa com o quão estável a frase tinha saído.
Olhando para ela por um segundo a mais, ele ironicamente levantou dois dedos em uma saudação respeitosa. Ele virou para encarar as outras garotas. "Tenham um bon jour, meninas". E com um arco melodramático, ele finalmente se afastou.
Ele dificilmente estava muito longe quando um assobio se fez ouvir. "Preciso me abanar por um momento." Tabitha relaxou dramaticamente sobre sua cadeira reclinável. "Alguém mais está um pouco quente por causa daquilo?"
"O quê?" Vampira, pronta para submergir, enrijeceu. Testemunhas, testemunhas – por que ele sempre era capaz de fazer com que ela se esquece das testemunhas?
Tabitha olhou para ela, abaixando aqueles ridículos óculos escuros, brilhantes e enormes. Extravagantes, eles não combinavam com seu provocante biquíni dourado, mas ela era a Boom Boom, afinal.
"Aquilo, minha cara," ela informou Vampira, "foi quente."
"Ardente", um assentimento murmurado veio da platéia e houve mais uma rodada de risadinhas. Vampira sentiu sua espinha arrepiar.
"Do que vocês estão falando?" ela perguntou cuidadosamente, ou pelo menos assim ela esperava que fosse. Nervosismo nunca era uma coisa boa de mostrar quando se estava discutindo sobre um cara, com um monte de garotas adolescentes. Era como sacudir um bife mal passado e um pacote de charutos cubanos na frente de Wolverine.
Tabitha bufou. "Aquele garoto quer a Vampira realmente," ela enfatizou a última palavra longamente.
"Humph," Vampira soltou a borda da piscina para mexer no cabelo. Ela boiou. "Ele flerta com qualquer coisa que fique bem num sutiã e com uma tanga." Uma frase cínica, porém verdadeira.
"Não como aquilo." Vampira quase afundou antes de se lembrar de boiar. Jean?
Tabitha riu, antes de completar maliciosa, "Deveria dar o que ele quer." (2)
"Tabitha!" Agora parecia mais com a Jean, Vampira pensou, sentindo o rubor subindo pelo seu rosto, enquanto as outras meninas riram constrangidas, um indicio indireto de rebelião. Por um instante fugaz, muito fugaz, Vampira considerou contar a elas. Algo como levantar uma sobrancelha e responder, "O que a faz pensar que eu não farei isso?" ou alguma outra frase que fosse chocá-las. Rebelião...
Ela submergiu, aparecendo bem a tempo de ver a loira dar de ombros. "Ele é um dos caras mais bonitos da Mansão," a outra garota estava dizendo, "praticamente exala sexo," ela falou, encobrindo o protesto seguinte da Jean, "e se a Vampira é a única para quem ele mostra esse particular tipo de atenção," as palavras enviaram uma onda ilícita de excitação pela espinha da Vampira, "Por que ela não deveria mostrar também?"
Vampira bufou, saindo da piscina. "Talvez porque eu não queira." Tabitha lançou a ela um olhar avaliador e Vampira repentinamente se sentiu com frio. A verdade era assim tão evidente? Ela se apressou em se enrolar em uma toalha.
Mas antes que Tabitha pudesse fazer mais um comentário malicioso, Laura falou. "O que você quer dizer com 'quente'?"
Todas as cabeças se voltaram para a X-23. De todas as meninas que estavam lá, ela era a mais improvável de ter aparecido - Tinha levado quase uma hora para que Jubileu, Rahne e Amara convencessem-na a colocar um traje de banho, e, honestamente, tal fato poderia não ter acontecido se Logan não tivesse passado por ali e dito rispidamente ao seu clone para "ir se divertir." De forma previsível, ela escolheu um bodysuit que alcançava até o pescoço. Surpreendentemente, descobriu-se que ela realmente estava desenvolvendo certa forma física, apesar do uniforme rígido que ela normalmente insistia em usar.
"Quente?" Jean ecoou.
Laura observou-as com os olhos calculistas. "Vocês usam o termo 'quente' para se referir aos homens frequentemente. Por quê?" Foi o máximo que Vampira já a ouvira dizer e, de repente, teve a sensação de que ela não estava sozinha em sua surpresa. Assim, levou um momento para perceber exatamente o que a garota estava perguntando.
Rahne riu primeiro, colocando a mão sobre sua boca. Isso desencadeou a mesma reação em Jubileu, Amara, Tabitha e nas outras, numa cadeia de risadas que seguia efeito dominó.
Laura franziu o cenho.
Ainda assim, ela teve sua pergunta respondida, o que levou a um debate bastante divertido sobre as várias qualidades de todos os mutantes homens, de dentro ou de fora da Mansão. (Foi particularmente engraçado ver a expressão da Laura quando alguém citou Logan como atraente, para um cara mais velho.) Vampira prendeu a respiração quando a conversa rumou para o Remy, mas ela estava razoavelmente segura de que suas evasivas haviam sido interpretadas como honestas.
E elas não voltaram à questão do Gambit aparentar gostar da Vampira.
Foi apenas mais tarde, quando elas estavam guardando suas coisas e os meninos tinham convidado as garotas para jogar vôlei, que ela finalmente fez a pergunta para a Kitty.
"O que as meninas estavam dizendo antes - elas pensam que o Remy tem uma queda por mim?" Isso era... absurdo.
Kitty pareceu surpresa com a pergunta. "Bem, dãã," ela olhou para a outra garota, por baixo das suas franjas. "É, tipo, totalmente óbvio. Você não percebeu?" Vampira se sentiu desconfortável diante do olhar intenso – o acento de Garota do Vale (3) sempre parecia mais claro quando ela estava defendendo um ponto – e simplesmente balançou a cabeça.
"Ele flerta com todo mundo," ela desviou.
"Não do jeito que ele faz com você." Vampira não ousou encontrar os olhos da amiga, por medo de se trair e depois de um momento, Kitty prosseguiu com um encolher de ombros. "Provavelmente porque você é como um desafio."
O estômago da Vampira deu um nó. "É claro que eu sou," ela respondeu um pouco ríspida demais e os olhos de Kitty se arregalaram. "Me desculpa," ela murmurou.
Houve uma chamada para o início do jogo de vôlei, "Só um minuto!" Vampira gritou em resposta. Ela olhou para a carregada Kitty, que estava equilibrando uma bolsa de lona sobre o ombro do lado oposto ao da perna engessada. "Você tem certeza de que não precisa de ajuda?"
Kitty revirou os olhos, aumentando o aperto nas suas muletas. "Eu não sou uma inválida, Vampira. Posso entrar sem ajuda."
Vampira olhou intencionalmente para a perna dela. "Todos nós pensamos que você podia tomar banho sozinha também."
Kitty fez uma careta. "Oh haha, como se eu já não tivesse ouvido essa piada cem vezes." Ela levantou uma muleta e fez um gesto vago em direção a quadra de vôlei. "Agora vá se divertir."
Vampira sorriu a contragosto. "Sim, senhora".
Foi só quando a garota de franjas brancas foi embora que Kitty percebeu que havia acabado de perder a melhor oportunidade para arrancar da Vampira o que ela sentia em relação ao flerte do 'Remy'.
"Maldição!"
Ela odiava ter o banheiro no corredor. Especialmente em momentos como esse – depois do jogo de vôlei, ela optou por ser a última a tomar banho. Ela gostava da falta de pressa que isso dava a ela, bem como o fato de que isso causava bem menos estresse, dado que situações de nudez sempre a deixavam nervosa. Além disso, ser a última dava a ela tempo o suficiente para se refrescar para a chegada do Remy. Exceto que, num momento de estupidez, ela havia pegado apenas seu pijama – e não as roupas íntimas que completavam o vestuário. Ela havia feito questão de lavar o cloro do seu traje de banho e não havia jeito de deslizar novamente pra dentro do biquíni molhado. E como sair nua estava fora de cogitação, só restava uma opção:
Uma incursão pelo corredor usando apenas a toalha.
Praguejando baixinho, ela abriu a porta. O corredor estava quieto e vazio, escuro provavelmente devido ao toque de recolher. Ela rangeu os dentes. Não havia jeito de saber se alguém ia aparecer (por que ela não havia nascido telepata?) e esperar não dava nenhuma garantia real de que ninguém iria surgir do nada. Além disso, ela não estava com sua chapinha e seu cabelo estava uma droga, mesmo depois de ela ter tirado o excesso de cloro.
Não tinha outro jeito.
Ela deu outra olhadela cuidadosa, respirou fundo e correu pelo corredor. Devido às suas mãos escorregadias, a porta do seu quarto resistiu à primeira puxada na maçaneta, mas abriu sob a segunda tentativa. Ela se lançou para dentro e se encostou a porta, segurando suas roupas contra o peito e com o biquíni molhado enrolado na toalha que ela usara para o cabelo.
Ela odiava corridas malucas.
Não precisou dar dois passos até perceber que ela não estava sozinha. As roupas caíram no chão, antes que suas mãos fossem, reflexivamente, apertar a toalha em torno de si.
"Remy," ela lambou os lábios repentinamente secos, "você chegou mais cedo."
Ele assentiu se aproximando, vindo de onde ele esteve esperando na cama dela. Ocorreu a ela, enquanto o olhar faminto dele ardia sobre os contornos evidenciados pela fina toalha, que ela estava se sentindo mais nua diante dele agora do que quando ela estava de calcinha e sutiã. Talvez fosse o pensamento de que, em um único movimento, ela estaria efetivamente nua.
"Depois do pequeno show de hoje, eu fiquei um pouco impaciente," os olhos dele pairaram sobre o lugar onde a toalha estava atada e o aperto dela contra a toalha se intensificou reflexivamente. O olhar dele finalmente se ergueu até o cabelo dela. Ele deu um passo a frente e pegou um cachinho solto que secava lentamente. "Sabia que eu ia adorar os cachos," ele disse com um sorriso. Ela tentou sorrir, mas isso não serviu para aliviar o clima. Em vez disso, a mão dele desceu para sombrear a curva da sua clavícula e depois vieram descansar sobre a toalha.
"Eu posso me vestir num minuto se você só –"
Ele pousou um dedo contra a boca dela. Demonstrando calma, ele prendeu os olhos nos dela. "Sei que você não está pronta para tudo, mas há mais coisas no sexo do que o entrar e sair." Ela sabia que seus olhos estavam inacreditavelmente arregalados, mas não resistiu quando ele a conduziu até a cama.
De volta para a cama, ela estava diante dele. A mão de Remy pousou sobre a dobra de sua toalha e ela desesperadamente tentou controlar seus poderes. Ela tinha que respirar. Para dentro e para fora, para dentro e para fora. Mas isso só serviu para lembrá-la das palavras dele e do que quer que ele estivesse planejando fazer...
Ele cutucou seu queixo e de repente ela se focou novamente nele. "Confie em mim." Havia algo em sua voz, no brilho de seus olhos – aquilo era uma declaração? Um comando? Um apelo? Uma pergunta? Ela assentiu com a cabeça, impotente.
Remy soltou o nó que prendia a toalha, com todo o cuidado de um cara de vinte anos desembrulhando um presente cuja embalagem ele havia gostado muito. Seu coração trovejava no seu ouvido enquanto ele lentamente desenrolava a toalha, até que, finalmente, ela estava nua diante dele. O brilho dos olhos escarlates percorreu seu corpo e ela pensou que o tinha visto engolir em seco. Mas com uma mão firme, ele deu um passo em direção a ela – ela enrijeceu involuntariamente – e espalhou a toalha em cima da cama, atrás dela.
"Deite-se", ele sussurrou. Respirando fundo, ela o fez, trêmula. Ele não estava tocando-a ainda – o que era bom - ela não podia ter certeza de que sua mutação ficaria desligada, dada a potente mistura de medo e antecipação no seu interior. Foi só quando ela tinha se deitado que ela percebeu que ele tinha tirado algo dos seus bolsos. Luvas.
Seus olhos se arregalaram. "Remy?"
"Shh, chère," ele olhou calorosamente e ela pôde quase jurar que podia sentir o alcance dos poderes empáticos dele, acalmando-a. Fixando-se ao seu lado, ele balançou as luvas diante dela. Elas brilharam na luz opaca, muito brilhante para ser seda. "Cetim," – ela não estava certa se a resposta veio de dentro ou de fora, mas ela continuou olhando para elas sem compreensão. "Ce soir, c'est tout pour moi." Essa noite, só ele usaria luvas? O que isso deveria significar? Seus batimentos cardíacos estavam acelerados, em medidas iguais de pânico e expectativa. Mas ele estava vestindo as luvas e falando de novo, "nós vamos deixar você ter alguma experiência sem toda a pressão, d'accord?" Ele levou uma mão até a cintura dela. Ela estremeceu, seus sentidos super conscientes da situação. Ele procurou os olhos dela mais uma vez. "Quero que você tente manter sua mutação desligada, mas também quero que você se deixe levar pelo que for sentir."
"Mas-" A mão dele deslizou até seu quadril e sua boca se fechou com um estalo. Mesmo com luvas, o toque dele incitou uma rumba incrivelmente barulhenta dentro dela. E aquela sensação causada pelo cetim - nem mesmo a seda tinha preparado-a para isso.
"Preciso que você saiba o que é tudo isso, Vampira. Então nós poderemos trabalhar em como fazer você se acostumar," os arrepios que a acometiam pareciam estar diretamente ligados com a pulsação dos olhos dele. Distantemente, ela estava feliz de que não estava sendo a única a ser afetada por essa idéia. "D'accord?"
Ela estava seduzida pelo vermelho e preto, pelo puro encanto das mãos dele pousadas nela.
"Oui." Ele olhou para ela por um longo segundo, em seguida, inclinando-se, deu um beijo na testa dela.
"Bien," a voz dele soou um pouco rouca, mas ela quase não teve tempo para pensar quando seus lábios começaram a trilhar um caminho pelo seu rosto, batizando suas pálpebras, nariz, bochechas, os lábios, o queixo... E as mãos dele, como as de um excelente violinista, começaram a explorar seu corpo - varrer a curva de sua coxa, quadris, passando pelo seu umbigo, acariciando sua cintura, seus seios... O cetim não era texturizado, permitindo que ela fosse coberta com maciez, mapeando-a em apreciação polida. Ele estendeu as mãos sobre as partes planas, delineou as partes curvas, explorou as imperfeições com toda a absorção sincera de Magalhães (4). E os seus lábios ecoaram sua pesquisa, passando pela sua pele como se ela fosse feita de ambrosia. (5)
Ela tentou resistir, realmente tentou, mas o zumbido nos seus ouvidos soava muito alto e ela estava totalmente exposta diante dele, só podendo queimar sob o ataque habilidoso. A respiração dela estava curta e ela agarrou a camiseta dele, enterrando seus dedos no tecido como se a peça de roupa fosse sua âncora que a mantinha na terra. Ele fez um som de 'tsk' na orelha dela.
"Ahh, não seja tão gananciosa," seus dedos enluvados acariciaram os quadris dela e um sopro da boca dele roçou sobre o ombro dela. "Dite-moi un secret." Foi uma súplica, um comando, o princípio de um flerte, a ordem de um encantador de serpentes.
Os olhos dela estavam apontados para o teto, mas ela não estava vendo nada. Ela engoliu em seco "Eu tive um sonho noite passada," a voz dela era frívola, mas pelo menos ela estava falando. As palavras saíram numa linha de produção enquanto ela lutava contra a comoção da sua mente e corpo. "Foi estúpido, mas era você e eu, nós estávamos indo para a escola e então a avenida se transformava num vagão de trem e nós íamos para o sul, para o Mardi Gras."
"Para la Belle Orléans?" Os dedos dele estavam vagando sobre sua pélvis e o zumbido nos ouvidos dela aumentou ao extremo.
"Sim," ela disse tremendo.
"E como foi?" A displicência era enervante enquanto ela começava a pulsar. Ele parou para tamborilar seus dedos nela e ela percebeu que ele estava esperando por uma resposta.
"Bom," ela engoliu de novo. "Mas, de algum jeito, nós acabamos indo parar no pântano. Isso é tudo que eu lembro."
"Hmm, não era exatamente a espécie de umidade que eu tinha em mente." E sem aviso, ele deslizou os dedos para dentro dela.
Seus olhos se voltaram repentinamente para ele. "Me escute, chérie," a voz dele era baixa e íntima, lutando contra o zumbido que agora tinha atingido sua mente. "Não fique tensa, só relaxe. Eu estou com você." Sua outra mão veio para acariciar tranquilizadoramente a lateral do corpo dela, mas ela ainda estava tremendo.
Ela podia senti-lo – dentro dela e isso parecia bizarro. Mas então ele mexeu em algo e ela sentiu as reverberações pelo seu corpo inteiro. O aperto que ela dava na camiseta dele se tornou assustadoramente forte.
Ele estava falando.
"Minha coisa favorita no Mardi Gras era comer bolo-rei enquanto assistia os carros alegóricos, mas," ele estava se inclinando mais na direção dela e pressionando mais forte. Ela sentiu algo se contrair no seu corpo, quase ao ponto de causar dor. "Nunca realmente tive alguém para aproveitar comigo."
Seus olhares se cruzaram e ela não pôde entender a intensidade que eles exalavam. "Da próxima vez," ele prometeu e sua boca estava na dela e ela o estava guiando para cima dela, virando conforme o mundo girava e ele estava tão excitado quando ela estava. Ela a soltou para que ela conseguisse dar uma profunda e ofegante inspiração.
Ela estava tremendo. Ele tinha parado? Sua mente era uma bagunça de cores e sensações.
E então ela se sentiu mole, como se tivesse inflamado toda a energia dentro de si, só para que ela fosse detonada e desaparecesse na seqüência.
Ele a aconchegou lentamente e tudo o que ela pôde fazer foi ofegar como se tivesse corrido uma maratona. A outra mão dele ainda estava acariciando a lateral do seu corpo.
"Só respire."
Ela estava em êxtase.
Ele tinha feito tudo aquilo por ela.
Finalmente, ele retirou seus dedos e ela se sentiu estranhamente vazia pelo movimento. "Você está bem, chère?" Não havia nenhuma grosseria obscena no rosto dele e ela poderia ter chorado por isso.
Ela assentiu, apenas agora recuperando o ritmo normal da sua respiração. Pensando por um momento, ele se aproximou e pegou a toalha. Ainda terrivelmente, deliciosamente perto, ele pediu para que ela se sentasse, se apoiando contra ele. Ela ficou ali, com o nariz no ombro dele, sentindo seus dedos passeando distraídos para cima e para baixo na sua espinha. Ela puxou suas pernas para se aninhar mais próxima a ele e ele a puxou ainda mais para perto. Ela queria dizer que ele realmente podia tocá-la novamente, que ela já estava calma, mas ela estava se sentindo muito em paz para quebrar o encanto com palavras.
Vampira não estava certa sobre quanto tempo eles permaneceram ali, antes dela timidamente abaixar sua cabeça. Mas não podia falar sobre o que eles tinham acabado de fazer – a presença dele ainda era muito forte em seu interior – e ao invés disso, se dirigiu a ele.
"Você gostaria – Quero dizer, eu posso…" Apesar de tudo, ela podia sentir seu rosto ruborizando, sua língua se enrolando na tentativa de dizer as palavras. Ela desistiu de falar e com um gesto estranho apontou para a região abaixo da cintura dele, onde ela podia ver claramente o quão excitado ele estava.
Ele sorriu e quase distraídamente agarrou a mão com que ela tinha apontado e pressionou a parte interna do pulso dela contra sua boca. "Isso foi doce, chère, mas não queremos mais uma bagunça por aqui, não é?"
Ela levou um segundo para perceber que ela estava dizendo 'não'. Não? Qual cara em sã consciência recusava ser masturbado por uma garota?
Mas ele manteve sua postura negativa. A levou para um outro banho e então, bizarramente, a ajudou a se vestir e ir para cama. Ela se questionou sobre essa placidez, mas simplesmente não tinha energia para questionar isso.
Sonolenta em sua cama, ela contou sobre a conversa que ele perdeu na piscina. Ele riu e na seqüência ela sabia o que deveria dizer a ele. Ela deveria falar sobre o que Kitty disse, sobre ser óbvia a razão de certas reações, sobre as impressões que elas tiveram, sobre as fofocas sobre eles...
Mas ela não o fez e ele não permitiu que ela refletisse sobre a razão.
Tradução Francês para o Português:
Laisse-moi: Permita-me
Les Sirènes: As sereias.
Tradução Inglês para o Português:
1 – Pepe Le Pew: Também conhecido como Pepe Le Gambá no Brasil. Um gambá francês que tem como característica principal o romantismo extremamente exagerado e que vive perseguindo uma gata (que ele pensa que é uma gambá)
2 – "Should give him a ride", no original: No inglês praticado na Inglaterra, 'give a ride' pode significar fazer sexo com alguém. Acredito que essa tenha sido a intenção da Boom Boom.
3 - Valley Girl, no original. É um estereótipo americano que engloba as garotas brancas, de classe média alta, que falam um inglês mais coloquial. Uma caricatura da garota mais interessada em shopping,
4 – Magalhães: É uma referência ao explorador português, Fernão de Magalhães. Gambit explorava o corpo dela, assim como Magalhães explorava terras desconhecidas.
5 – Ambrósia: Manjar dos deuses do Olimpo. Notadamente saboroso.
