Pinky Swear
Capítulo 6: "Silêncios"
"Sua audição era mais aguçada do que a dele, e ela ouviu silêncios que ele desconhecia." — DM Thomas
Tradutora: Irene Maceió
"Obrigado por isso, Charlie", eu disse, correndo os dedos pelo meu cabelo quando entramos pela porta da frente da casa às seis horas. "Tem certeza que você não tem planos? Eu não quero atrapalhar nada."
Ele balançou a cabeça. "Não há problema nenhum, Bells. Estou feliz por limpar minha agenda para passar a noite com a minha filha."
"Bem, eu estou feliz que você conseguiu encontrar um lugar em sua agenda para mim", eu brinquei. Charlie estava usando seu habitual traje de domingo - calça jeans manchada de graxa e uma camisa de mangas compridas xadrez de botão, com um par de botas de caminhada marrom. Era o que ele normalmente usava quando não estava em seu uniforme, não importa qual a ocasião. Uma vez ele me disse que se a camisa tinha botões, era vistosa o suficiente para ele.
Eu, por outro lado, decidi realmente me vestir. Minha saia preta agarrava em meus quadris e coxas, terminando logo nos joelhos. Meu top cinza era uma espécie de corte baixo e mais apertado do que eu estava acostumada, abraçando meu peito. Foi uma das roupas que Jake tinha escorregado na minha mala, não era nem um pouco o meu estilo.
"Eu não estou ridícula, não é?" Perguntei a Charlie quando nos aproximamos da casa dos Cullen. Eu puxei minha saia e puxei minha blusa, tentando afrouxá-la. Eu estava ansiosa e inquieta, sentindo-me frágil em meus pequenos saltos pretos. Eu tinha economizado na maquiagem, usando apenas um pouco de rímel e batom, e deixando meu cabelo ficar solto. Eu sentia como se estivesse indo para uma entrevista de emprego, para uma posição cobiçada que me disseram que eu não tinha chance no inferno de conseguir.
Mas que eu estava determinada a conseguir, de qualquer maneira.
"Você está bem", Charlie respondeu. "Eu não sei por que você está tão nervosa. São apenas os Cullen."
"Sim, com o convidado especial KC e The Sunshine Band *".
*KC and the Sunshine Band é um grupo musical norte-americano. Fundado em 1973, o seu estilo incluiu funk, pop e disco. As suas canções mais conhecidas são "That's the Way (I Like It)", "(Shake, Shake, Shake) Shake Your Booty", "Keep It Comin' Love", "Boogie Shoes", "I'm Your Boogie Man", "Give It Up", "Get Down Tonight" e "Please Don't Go".
Charlie riu quando acelerou para a varanda da frente. A caminhada levou talvez 15 segundos, mas a antecipação fez parecer uma eternidade. Eu estava enjoada, meu estômago agitado de ansiedade. Charlie foi se aproximar da porta, mas eu o parei, agarrando o braço dele em pânico.
"Espere um segundo," eu disse. "Ainda não."
"Por quê?" ele perguntou, erguendo as sobrancelhas em confusão. Por quê? Eu não tinha uma boa resposta para isso.
Ele ficou parado por cerca de um minuto antes de suspirar. "Eu estou com fome, Bella. Então, ou nós vamos para dentro ou vamos para casa e aquecer os restos de lasanha, porque um homem precisa comer. Estou definhando por nada aqui."
Revirei os olhos, mas pareceu-me que ele realmente estava parecendo muito magro. Ele não era ossudo e provavelmente nunca seria, mas definitivamente não estava tão volumoso como ele costumava ser.
"Bem, eu odiaria que você morresse de fome", eu disse, respirando fundo e caminhando até a porta. Eu levantei minha mão e bati, tocando de forma muito mais suave do que eu pretendia que fosse.
Nem um pouco nervosa.
"Você está batendo?" Charlie perguntou. "Você deve estar nervosa."
Antes que eu pudesse responder a porta foi aberta e o rosto familiar de Esme me cumprimentou com um sorriso. Eu não a tinha visto há algum tempo, mas ela parecia exatamente como ela sempre esteve - longos cabelos cor de caramelo, pele cremosa, os olhos quentes. A visão dela aliviou meus nervos em frangalhos e eu imediatamente comecei a relaxar quando ela me puxou para um abraço.
"Porque no mundo você iria bater?", perguntou ela. "Você sabe que essa é tanto a sua casa como de todos nós."
"Eu não queria entrar sem aviso."
"Por que não?", perguntou ela, saindo do abraço. Ela continuou a sorrir quando segurou minhas duas bochechas com as mãos, segurando-me lá enquanto estudava o meu rosto. Eu senti como se estivesse sob um microscópio e, normalmente, seria desconfortável ter essa atenção, mas quando Esme fez isso, pareceu maternal. Como se ela fosse apenas uma mulher preocupada com seu filho - sem julgamento, sem má vontade.
Era em momentos como esse, momentos em que Esme olhava para mim como se eu fosse sua carne e sangue, que eu realmente odiava a minha própria mãe.
"Você está linda como sempre", disse ela, finalmente, me soltando e fazendo sinal para eu entrar. Eu passei por ela, vendo quando ela examinou o meu pai ao lado. Eu segurei minha risada quando ela arrumou o colarinho para ele, alisando as rugas de sua camisa. "Você precisa comer, Charlie. Você parece faminto."
"Eu estou", respondeu ele, rindo.
Charlie se dirigiu para a sala de estar e Esme correu para a cozinha. Eu fiquei no local, sem saber o que fazer, antes de decidir seguir Esme.
Parei na porta da cozinha, vendo-a mexer a panela no fogão. Ela pareceu sentir a minha presença e fez um gesto em direção à geladeira sem sequer se virar para olhar. "Você pode pegar a manteiga para mim, Bella?"
"Uh, com certeza", eu respondi, abrindo a porta e puxando uma.
"Obrigado, querida", ela disse quando eu a entreguei a ela. "Você não tem que ficar tão desconfortável, você sabe. Somos só nós."
Eu suspirei, desejando que eu soubesse como explicar isso sem soar como uma criança petulante. Eu não estava exatamente desconfortável, tudo só parecia um pouco fora do lugar. Era como se meu porto seguro tivesse sido invadido, tudo tinha sido mexido e de repente não fosse mais a mesma coisa. Ela estava lá, em algum lugar, infectando as coisas que eu amava com sua marca falsa de sol. Ela os contaminava. Pessoas que sempre foram a minha família eram de repente dela agora, também. O pensamento, sozinho, fez meu peito doer.
Ok, talvez eu estivesse sendo uma criança petulante, depois de tudo. Eu nunca disse que eu era boa em partilhar.
"É só que faz tempo", eu murmurei. "Estar de volta aqui leva algum tempo para se acostumar."
"Edward disse a mesma coisa", disse ela, apontando para eu entregar-lhe o sal. "Eu acho que certas lembranças voltam, né?"
"Sim, voltam", eu respondi. "Então, onde está Edward? E uh... ela? Eu pensei que ela estaria ajudando."
Esme sorriu. "Eu não tenho certeza, mas eu suspeito que Tanya não tem jeito nenhum na cozinha. Eu pedi a ela para pegar o coador para mim ontem e ela tirou o ralador de queijo. Ela se ofereceu para ajudar no início, mas eu percebi que é melhor deixar isso para os profissionais."
Eu não poderia dizer que eu a culpava. Esme frequentou a escola de culinária e tinha sido a única a me fazer ter um interesse em alimentos em primeiro lugar. Quando eu era mais nova, eu a culpava pelos quilinhos extras que eu tinha, mas agora eu basicamente devia a ela a minha carreira. Tudo o que eu comia, sempre comparava com a comida da Esme. Ela era ferozmente protetora com sua cozinha e as coisas que saíam dela a tal ponto que até mesmo eu estava com medo de tocar nas coisas.
"Então, onde estão eles?" Eu perguntei quando ela não respondeu a minha pergunta de imediato.
"Oh, eles estão lá em cima", respondeu ela.
Por mais absurdo que a reação fosse, meu estômago afundou. "Juntos?"
Esme me deu um olhar compreensivo, sorrindo um dos seus sorrisos gentis de "Vai ficar tudo bem". Era o olhar que ela me deu quando minha mãe desapareceu, e o mesmo que esteve no rosto dela o mês inteiro antes de Edward ir para a faculdade. "Bem, na última vez que verifiquei Edward estava dormindo em seu antigo quarto. Parece que ele ficou fora até tarde na noite passada, por alguma razão."
Outro olhar compreensivo. Merda, eu era tão transparente? "Parece que ele ficou", disse.
"Sim. E Tanya está no quarto de hóspedes, provavelmente colada ao seu celular. Isso parece ser o que ela está fazendo normalmente."
Minha testa franziu em confusão. "Espere, eles não estão dividindo um quarto?"
"Não."
"Mas eles são..."
"Eles não estão casados ainda."
"Mas ele é..."
"Ainda o meu filho."
Eu balancei a cabeça, sem ter idéia de como Esme fez isso.
"Eles podem ser adultos, mas esta ainda é a minha casa, Bella", ela elaborou. "Você conhece as regras aqui. Você pode não ter sempre as seguido, mas você sabe."
"Um corpo por cama," eu recitei. Ela tinha começado como 'uma cabeça por cama' quando éramos mais jovens, mas não deu muito certo quando Edward ficou adolescente.
"Eu tenho duas cabeças, então eu acho que eu estou ferrado", ele dizia, rindo. "Ou talvez não, já que eu deveria ir para a cama sozinho."
"Exatamente", Esme disse, apontando para algumas pimentas vermelhas e verdes colocadas sobre o balcão. "Você pode cortá-las para mim, querida?"
"Claro."
Peguei uma faca na gaveta e cortei as pimentas, cortando uma cebola depois a pedido dela. Eu joguei tudo em uma panela para que ela pudesse refogá-las e lavei as minhas mãos, meus olhos ardendo por causa dos gases da cebola. Peguei um lenço de papel para limpá-los, gemendo quando notei que meu rímel estava manchado.
"Eu já volto", disse a Esme. "Preciso ir ao banheiro."
"Tudo bem, querida," disse ela. "Leve o seu tempo."
Fui para fora da cozinha e vi Charlie sentado na sala de estar sozinho, sua atenção fixa na televisão. Eu passei sem dizer nada, começando a subir as escadas. Fui direto para o banheiro, lavando as manchas negras debaixo dos meus olhos enquanto eu olhava para o meu reflexo. Meu cabelo estava arrepiando e eu corri meus dedos por ele umas vinte vezes, antes de finalmente desistir de tentar corrigi-lo. Puxei-o para trás em um rabo de cavalo frouxo, prendendo-o com um elástico que eu coloquei no meu pulso antes, apenas no caso.
Voltei para fora quando eu estava satisfeita que eu tinha feito tudo o que eu podia fazer, lentamente fazendo meu caminho pelo corredor. Cheguei ao antigo quarto de Edward e hesitei antes de bater na porta. Não havia nenhum ruído no interior, nenhum sinal de qualquer movimento, então depois de um momento, eu girei a maçaneta. Eu calmamente abri a porta, olhando para dentro.
Edward estava na diagonal da cama de bruços, vestindo nada além de um par de calças de flanela. Ele estava abraçado com um travesseiro, roncos suaves ecoavam do quarto. Eu sorri ao ouvir o som, observando-o dormir em silêncio. Suas costas se moviam com cada respiração que ele dava, os músculos de seus braços esticados. Ele estava tão em forma como estava há uma década, sua pele tão pálida como eu sempre lembrava de estar. Ele estava diferente, no entanto. Mais velho, obviamente, mas algo sobre ele também parecia ter mudado. Ele parecia cansado, talvez.
Peguei a maçaneta novamente e estava prestes a fechar a porta e deixá-lo em paz, quando uma voz repentina no corredor me fez congelar.
"Você chegou!"
Eu pulei, surpresa, e me virei para ver Tanya do lado de fora do quarto de hóspedes. Ela estava olhando para mim e sorrindo brilhantemente, usando um vestido amarelo e sandálias marrons. Eu quase entrei em pânico quando ela começou a andar para mim e fui fechar a porta, mas ela me parou antes que a fechasse. "Edward ainda está dormindo?", perguntou ela, empurrando a porta aberta. "Que tonto, provavelmente, dormiria sua vida inteira se eu deixasse."
"Ele está apenas cansado," eu disse, de repente me sentindo defensiva. Quem era ela para dizer o que Edward poderia ou não fazer? "Eu o deixaria dormir..."
"Oh, ele está sempre cansado. Isso não é nada novo", disse ela, interrompendo quando ela me dispensou. "Ele pode dormir até mais tarde."
Ela foi direto para a cama, estatelando-se ao lado dele. O colchão balançou e ele imediatamente se mexeu. "Se erga e brilhe, dorminhoco", disse ela, em sua irritante voz cantante. "É hora de se juntar à terra dos vivos."
"Mais dez minutos", eu o ouvi reclamar.
"Sem mais minutos", disse Tanya, sacudindo-o. "Acorde, acorde, acorde".
Edward gemeu e se virou para ela, sentando-se de costas para a porta. "Foda-se, tudo bem, eu estou acordado."
"Bom", ela disse, alcançando mais e pressionando seu dedo indicador bem cuidado contra seus lábios. "Mas cuidado com essa boca suja".
"Você nunca reclama da minha boca em qualquer outro momento", ele murmurou. "Na verdade, se me lembro bem, você gosta quando eu faço coisas sujas com..."
Antes que ele pudesse terminar, Tanya gritou e cobriu toda a sua boca com a mão. Edward puxou-a para longe e riu, inclinando-se na direção dela. Ela inclinou-se para o resto do caminho, entrelaçando os dedos juntos em seu colo, enquanto seus lábios se encontraram no meio. Eu senti como se tivesse sido chutada no estômago enquanto eles se beijavam suavemente, nenhum apressando o momento.
Era íntimo. Era doce. Era nojento pra porra.
Fechei os olhos, a visão era muito para meu estômago, e me virei. Eu dei um passo para longe quando Tanya falou de novo, o descontentamento claro em sua voz. "Ugh, bafo matinal. Nojento!"
Parei, olhando de volta para o quarto, Edward riu de novo e se levantou. Ele se virou na minha direção, congelando abruptamente quando nossos olhos se encontraram. A cor pareceu escorrer de seu rosto quando ele olhou para mim, seu sorriso caindo na velocidade da luz. "Swan?"
"Uh, oi", eu disse. Eu acenei, sem ter idéia do que fazer, e imediatamente me senti estúpida quando sua testa enrugou. Que maneira de parecer idiota, Bella.
"Oi", ele disse, seus olhos brilhando com diversão. Pelo menos a minha estranheza o entretia. "Há quanto tempo você está aí?"
Eu dei de ombros. "Não muito."
"Há quanto tempo não é muito tempo?"
"Um pouco".
Ele suspirou. "Você e suas respostas não-respostas. Você ainda faz isso sempre?"
"Talvez", eu respondi, fazendo uma pausa antes de acrescentar: "Talvez não."
Ele esboçou um sorriso, passando a mão pelo cabelo. Ele estava com o cabelo amassado, e eu sorri ao vê-lo. Seu cabelo sempre foi selvagem. Se tentasse fazê-lo ir para a esquerda ele insistiria em ir para a direita, razão pela qual ele costumava nunca se incomodar em tentar domá-lo.
Tanya levantou-se da cama e se aproximou, parando entre nós. "Eu saí do quarto há um momento e encontrei Isabella."
Eu me arrepiei quando ela disse meu nome. "Por favor, não me chame assim."
A voz de Edward soou ao mesmo tempo que a minha. "Não a chame assim."
"O que, Isabella?" Perguntou Tanya. Eu me encolhi novamente quando Edward acenou com a cabeça.
"Ela vai..." ele parou, olhando para mim. Esperei que ele dissesse, mas ele não disse.
"Bella", eu terminei a frase.
"Oh," Tanya disse, encolhendo os ombros como se realmente não se importasse enquanto ela olhou para Edward. "De qualquer forma, se arrume e não se esqueça de escovar os dentes. Ugh, e seu cabelo. Está tão fora de controle."
Ele acenou com a cabeça, reconhecendo o que ela disse, com os olhos ainda em mim. Tanya beijou sua bochecha e saiu, descendo as escadas, e permaneci lá por um momento antes de me afastar em silêncio. Cheguei ao topo da escada quando Edward pigarreou, saindo para o corredor atrás de mim.
"Ei, você parece, uh..." ele começou, com os olhos passando por mim lentamente. Foi intenso, não como a vibe maternal que eu tinha obtido a partir da análise de Esme. "... Diferente."
"Diferente?" Eu perguntei.
Ele acenou com a cabeça. "Diferente".
"Uh, obrigado."
Ele sorriu e desapareceu no banheiro.
Diferente... Eu ainda não tinha certeza se isso era um elogio ou não.
...
Eu gemi quando abri meus olhos, meu corpo rígido. Eu tentei me mover para aliviar a dor, mas era impossível com um braço forte me prendendo. Tentei empurrá-lo, mas ele não se moveu, ao invés disso ele me apertou ainda mais forte cada vez que eu me movia. Minha bexiga de repente parecia que ia explodir e eu estava começando a suar, o ar no espaço confinado da pequena tenda extremamente abafado.
"Edward", eu sussurrei, cutucando-o com o cotovelo. "Vamos."
Ele resmungou incoerentemente, mas no meio dela eu peguei o "não".
"Por favor, Edward", eu disse. "Eu realmente tenho que fazer xixi."
Recebi outro não.
"Eu juro por Deus, Edward, se você não me deixar ir..."
"Quem é Dê?" ele murmurou.
"Dê?"
"Você jurou por Dê."
"Deus, Edward. Jurei a Deus. DEUS."
"Você não deveria fazer isso", ele murmurou sonolento. "Você vai para o inferno."
"Pelo menos eu vou ter você lá comigo", eu disse, tentando erguer seu braço novamente. "Agora, deixe-me ir antes de eu fazer xixi em você."
Ele resmungou e finalmente afrouxou o aperto, rolando para longe de mim. Sentei-me e rapidamente abri o zíper da barraca, rastejando para fora dela e no ar da manhã. Estava bastante quente já, insinuando um dia quente pela frente. Eu não me importava muito - estar fora no calor nunca me incomodou.
Olhando ao redor de nossos pertences espalhados, eu procurei por meus sapatos, mas eles estavam longe de ser encontrados. Eu decidi calçar os tênis de Edward depois de um momento, não tendo tempo para realmente procurar o meu, e peguei minha bolsa de produtos de higiene pessoal antes de ir para a floresta. Os sapatos de grandes dimensões ficou frouxo, quase caindo a cada passo que eu dava enquanto eu caminhava no meio do mato.
Eu parei depois que eu não podia ver as barracas mais e rapidamente fiz o meu negócio, indo direto na direção da linha das árvores depois que eu tinha terminado.
Mesmo que só tivesse levado alguns minutos, a cena nas barracas estava drasticamente diferente quando voltei. Emmett, Riley e Eric estavam começando uma pequena fogueira para fazer o café da manhã, enquanto Edward estava sozinho na frente da minha barraca. Ele parecia confuso, olhando para o chão.
"Você viu os meus sapatos?" Ele perguntou quando eu me aproximava.
Eu apontei para os meus pés. "Sim".
"É melhor não ter mijado neles, Swan", disse ele, brincando. Chutei-os e ele deslizou seus pés por eles antes de começar a se afastar.
"Onde você está indo?" Eu o chamei.
"Eu quero mijar também," ele disse, virando-se para me encarar. "Por que, você quer segurar para mim?"
Revirei os olhos, incapaz de parar de corar quando a imagem mental me bateu, e ele riu, antes de desaparecer na floresta.
Às vezes eu me perguntava se ele sabia o que estava fazendo, se ele entendia a maneira que suas palavras me afetavam. Eu poderia ser sua melhor amiga, aquela que via a versão sem máscara dele, mas isso não queria dizer que eu era imune ao seu charme coquete.
Afinal, eu era apenas uma adolescente.
"Você está com fome, Bella?" Riley gritou.
"Uh, sim," eu disse, caminhando em direção a eles. Eles estavam cozinhando bacon e salsicha, e tinha um monte dessas pequenas caixas de cereal para se servir. Nada disso parecia atraente, mas eu não reclamei, em vez disso peguei uma caixa de Cheerios e tomei um assento em uma cadeira de gramado.
Edward voltou poucos minutos depois, se sentando ao meu lado com um prato de comida, e assim que se sentou. "Quer um pouco?" ele perguntou com a boca cheia, segurando um pedaço de salsicha meio comido para mim. "Está muito bom."
A definição de boa comida entre mim e Edward era frequentemente muito diferente. "Eu vou passar."
"Oh, vamos lá, prove", ele insistiu, praticamente empurrando-a debaixo do meu nariz.
Eu olhei para ele com cautela. "Você lavou as mãos?"
"O que você acha?", ele perguntou, revirando os olhos dramaticamente. "Só coma."
Dei de ombros e a tomei dele, mordendo um pedaço. Eu tinha que dar-lhe crédito - estava muito bom. Riley se aproximou e sentou-se do outro lado de Edward enquanto nós terminamos de comer, olhando para nós. "O que está acontecendo?"
"Nada de mais", Edward respondeu, sorrindo. "Só que eu finalmente convenci a Swan aqui a colocar a minha salsicha em sua boca."
Riley balbuciou, engasgando com a bebida, e ficou vermelho. "Você é um pervertido", eu disse, batendo no braço de Edward.
"O quê? Você colocou!" disse ele, fingindo inocência. Ele pegou outro pedaço de salsicha, dando uma grande mordida do final antes de apontá-la para mim. "Agora que pensei sobre isso, eu realmente não me lembro de lavar as mãos."
Eu fiz uma careta. "Que nojo, Edward! Você tocou seu negócio!"
Ele riu quando Riley, mais uma vez começou a tossir, rindo tanto agora que estava perdendo o fôlego.
"Meu negócio, Swan? O que há de errado com o meu negócio?"
"Ugh, eu não sei", eu disse. "Não quero saber sobre ele, também."
"Você tem certeza?" ele perguntou, arqueando uma sobrancelha para mim.
"Absolutamente", disse eu, levantando-me. "Você pode mantê-lo para si mesmo, Edward."
Eu comecei a andar para longe, na direção da barraca, quando ele chamou meu nome. "Você quer ir nadar?"
"Agora?"
"Sim, eu preciso me refrescar."
Isso você precisa, amigo.
"Claro, eu vou colocar no meu traje de banho," eu disse, fazendo meu caminho para dentro da barraca. Fechei a tampa antes de tirar minhas roupas e puxar minha roupa de banho da minha bolsa. Era uma peça azul marinho, o corte inferior como um calção, enquanto o top amarrava em volta do meu pescoço. Ele era novo, tinha sido comprado no final do verão passado, quando tudo começou a gelar.
Puxei-o, um pouco surpresa com o quão confortável ele se encaixava. Era uma espécie de decotado na frente, definitivamente não era como o maiô preto liso que eu usava a cada dois anos. Eu o situei o melhor que pude para manter tudo coberto e tentei amarrá-lo, mas eu não conseguia direito.
Recuando para fora da barraca, eu segurei o topo para cima enquanto caminhei de volta para os meninos. "Edward, você pode amarrar isso para mim?"
Ele se levantou de sua cadeira e se virou para mim. Seu corpo ficou rígido, seus olhos se arregalaram ligeiramente e seu olhar ficou intenso, de repente, quando ele me viu lá. Eu não poderia dizer se ele parecia assustado ou em pânico, ou talvez ele estivesse atordoado.
Nenhuma palavra foi dita. Ele só me olhou, e minha pele começou a aquecer a partir da atenção. "Tem alguma coisa errada?" Eu perguntei, olhando para mim.
"Ah, não", disse ele, rindo sem jeito para si mesmo. "Você só..."
Ele não terminou a frase e que me deixou ainda mais nervosa.
"Eu o quê?"
Ele balançou a cabeça, parecendo se sacudir de seu estupor, e fez sinal para eu virar. Eu girei, segurando meu cabelo enquanto ele amarrou meu maiô no lugar. Seus dedos tocaram levemente contra a pele das minhas costas expostas, fazendo arrepios surgirem na esteira do seu toque.
Emmett se aproximou quando Edward terminou e eu deixei meu cabelo cair de volta para baixo. Seus passos vacilaram quando ele olhou para mim, seus olhos alargando assim como os de Edward. "Puta merda", disse ele. "Peitos!"
Mortificada, eu cobri meu peito enquanto Edward riu atrás de mim. "Tirou as palavras da minha boca."
...
Estamos todos reunidos em volta da mesa, Edward e Tanya tomando assentos em frente de mim e Charlie. Eu vi quando ele puxou a cadeira para ela e ela sorriu docemente, agradecendo-lhe quando se sentou. Ele era tão cavalheiro, tão educado... tão não o meu Edward.
Meu Edward não era o Príncipe Encantado, nenhum cavaleiro de armadura brilhante, mas ele era perfeito em sua própria maneira grosseira.
Esme sentou-se à minha direita, na cabeceira da mesa, e eu olhei para o assento vazio na outra extremidade. "Carlisle não vem hoje à noite?" Eu perguntei, querendo saber onde ele estava.
"Oh, ele vai chegar", Esme disse, pegando o guardanapo e o colocando no colo, enquanto olhava para o relógio pendurado na parede. "Na verdade..."
Ela parou de falar, nada mais precisou ser dito, quando a porta da frente se abriu e a voz de Carlisle voou pela casa. "Desculpem o atraso", disse ele, entrando na sala de jantar. "Foi um dia corrido."
"Você chegou bem na hora," Esme disse, pegando seu garfo e acenando para as tigelas cheias de massas e salada na mesa. "Estávamos prestes a comer".
"Ótimo," ele disse, beijando a testa de sua esposa quando nos cumprimentou. Ele virou para mim depois, sorrindo largo. "Bem, se não é Bella, a filha que eu sempre quis."
Sorri quando ele me deu um abraço de um braço só, cheirando à sua familiar colônia amadeirada que me fez me lembrar da minha infância, e Charlie riu. "Eu tentei dá-la algumas vezes quando ela era uma adolescente", ele brincou. "Você não quis aceitar."
Carlisle riu, apertando o ombro de Charlie em saudação. "Eu me ofereci para trocar. Eu não poderia lidar com ambos. As fases de Edward foram muito piores do que as da Bella."
"Nem sempre", Charlie disse, balançando a cabeça. "Não até o ultimo verão que ambos estavam em Forks."
"Sim, mas isso não foi tudo culpa da Bella," Carlisle disse, tomando o seu lugar. "Corrija-me se eu estiver errado, mas o que aconteceu foi tanto culpa do meu filho como da sua filha."
Eu vi Edward visivelmente tenso em minha periferia. "Podemos não..." ele começou.
"É verdade," Charlie disse, ignorando a interjeição de Edward. "Ele merece alguma culpa."
"Provavelmente, a maior parte da culpa, na verdade", Carlisle disse, continuando a conversa como se Edward e eu não estivéssemos mesmo na sala.
"Talvez até mesmo toda", Charlie adicionou.
Edward colocou os cotovelos sobre a mesa, colocando a cabeça nas palmas de suas mãos, enquanto ele olhou para o prato vazio. A tensão que irradiava dele era palpável e desconfortável, penetrando em minha pele.
"Vocês não podem culpar Edward", eu disse.
"Sim, nós podemos", Charlie e Carlisle disseram, ao mesmo tempo, fazendo-os rir e bater na mesa de madeira. Para dar sorte. Mesmo que ambos estivessem na casa dos cinqüenta, eles poderiam ainda parecer extremamente infantis quando se encontravam.
"Não, vocês não podem," eu discordei. "Quero dizer, não há realmente nenhuma razão para culpar ninguém. Foi o que aconteceu, essa é a vida. Você vive e você aprende. Podemos superar isso? Foi há dez anos."
"Não importa se faz dez ou cem anos, Bells," Charlie disse. "As pessoas devem sempre assumir a responsabilidade por suas ações."
"E eu assumi a responsabilidade pela minha", eu disse. "Se você quer apontar o dedo a alguém, aponte-o para mim. Eu não culpo Edward, então você também não deveria."
A mesa ficou extremamente silenciosa... tão silenciosa, na verdade, que eu estava apavorada que eles pudessem ouvir as batidas fortes do meu coração. Eu nunca disse essas palavras em voz alta, embora eu pensasse nelas dezenas de vezes ao longo dos anos.
Edward olhou para cima, seus penetrantes olhos verdes presos em mim do outro lado da mesa. Olhei para ele, vendo o vinco entre seus olhos semicerrados e a expressão em seus lábios. Não havia raiva ali, mas não era alívio. Parecia mais confusão - como se ele ainda não tivesse decidido como se sentia sobre isso tudo.
Ele teve uma década... quanto tempo ele precisaria?
"Estou confusa", disse Tanya, o som de sua voz me desprendeu do olhar de Edward. Eu cheguei perto de me esquecer dela no meio disso. "O que aconteceu?"
Edward balançou a cabeça, sua postura relaxada, ele recostou-se na cadeira. "Não foi nada."
Nada. A palavra picou como um tiro no coração.
"Nada?" Charlie disse laconicamente. Eu podia ouvir a raiva em sua voz, que era uma reminiscência de outro tempo atrás. Charlie sempre gostou de Edward - o amava como um filho, mesmo - mas ele era protetor. Muito provavelmente pensaria que era o policial nele, mas eu gostava de pensar que, no fundo, eram seus instintos paternais.
Antes tarde do que nunca, eu acho.
"Eu acho que o que Edward queria dizer era que agora não é o momento nem o lugar para essa conversa", disse Esme. "É um pouco ridículo estar segurando o jantar para discutir sobre algo tão... irrelevante. Meu filho voou por todo o país para estar aqui com sua noiva, e Bella largou tudo para vir celebrar a ocasião com a gente. Vamos nos focar no que importa, não é?"
Charlie resmungou de acordo quanto Carlisle e Edward foram favoráveis à ideia. Eu balancei a cabeça, grata por estar fora do tema, mas Tanya permaneceu em silêncio. Ninguém mais pareceu notar, mas a sua falta de resposta foi mais alta do que palavras para mim.
Olhei para ela com cautela, vendo que ela estava olhando para mim. Era como se ela estivesse me lendo, tentando encontrar a resposta para sua pergunta na minha cara. Depois de um momento todo mundo começou a encher seus pratos com comida e ela sorriu, finalmente, desviando o olhar.
A atmosfera ficou imediatamente mais relaxada, a conversa sendo amigável. Carlisle e Charlie falaram sobre seus trabalhos, Edward falou um pouco sobre Harvard enquanto Esme jogou um pouco de sua sabedoria de costume aqui ou ali. Fiquei quieta na maior parte, aproveitando a minha refeição. "Isso está maravilhoso, Esme", eu disse finalmente. "Eu sempre amei seu Fettuccine com Frango e Tequila. Ninguém faz isso melhor."
"Tequila?" Tanya interrompeu. "Há álcool nisso?"
Ela parecia quase em pânico quando imediatamente deixou cair o garfo, olhando para as massas com descontentamento.
"Há um pouco de Tequila", eu respondi.
"Eu não tenho vinte e um ainda", disse Tanya. "Eu não deveria tomar Tequila. Isso é ilegal."
Eu comecei a rir, pensando que ela estava brincando, mas vi que sua expressão estava completamente séria. Que porra é essa?
"O álcool evapora da comida, querida", disse Esme.
"Mas ainda está nela", disse ela.
"Não faz mal", Charlie disse, usando sua voz policial. "Você não pode ficar bêbada com isso."
Tanya não disse uma palavra sobre isso enquanto pegava o garfo, mas não escapou de meu conhecimento que ela se recusou a comer mais.
"Então, como a cidade está te tratando, Bella?" Carlisle perguntou, infelizmente mudando o assunto diretamente para mim.
"Ah, bem", eu respondi. "Tenho estado ocupada trabalhando no jornal, mas é bom fazer algo que eu amo."
"E eles estão bem com você vindo para Forks tão de repente?", perguntou ele.
"Eu espero", eu respondi, rindo. "Eu costumo trabalhar no meu próprio horário, por isso não é um grande negócio. Vou ter que verificar com meu chefe para ver se algumas críticas voltaram, então eu provavelmente vou ter que gastar algum tempo na biblioteca desde que Charlie não tem internet. Isso ainda é uma opção, certo? A biblioteca?"
Edward, que estava tomando um copo de água, engasgou um pouco quando eu mencionei a biblioteca. Tanya estendeu a mão para esfregar suas costas enquanto ele tossia, e eu desviei o olhar, não querendo ver.
Jesus, arrumem um quarto.
Oh merda, espere... Eu retiro o que disse.
"Se você está perguntando se a biblioteca ainda está de pé, sim", disse Carlisle.
Charlie resmungou algo que soou como uma risada amarga. "Não graças a esses dois", disse ele em voz baixa.
"Você pode usar a nossa Internet", Esme disse, olhando para Charlie com desaprovação. "Não precisa ir até a biblioteca."
"Você tem certeza?"
"Absolutamente. O que é nosso é seu."
"Obrigada", eu respondi. "Porque ficar ao lado é como viver na Idade da Pedra, quando se trata de tecnologia."
"Não é tão ruim assim", disse Charlie. "Eu tenho uma secretária eletrônica."
"Sim, aquela que usa fitas cassete para gravar," eu disse. "Elas nem mesmo se viram. Tudo é digital agora, Charlie."
Tanya limpou a garganta do outro lado da mesa. "Por que você o chama de Charlie?"
Eu olhei para ela com confusão. Que tipo de pergunta é essa? "Porque é o nome dele."
"Sim, eu entendo isso, mas ele é seu pai, então por que não o chama de pai?"
"Ele sempre foi apenas Charlie para mim," eu respondi, encolhendo os ombros. Era como todos na minha vida tinham se dirigido a ele quando eu era mais jovem, por isso era exatamente como eu acabei chamando-o também. Ele nunca pareceu se importar.
"Você chama sua mãe pelo nome dela, também?"
Pela segunda vez durante o jantar, o silêncio intenso caiu sobre a mesa. Todos os olhos se voltaram diretamente para mim. Eu queria levantar-me e fugir da sala. "Não", eu respondi.
"Então você a chama de mamãe?"
"Não", eu disse de novo, meu tom cortante. "Eu não a chamo de nada."
"Oh," ela disse. "Por que não?"
Todo mundo ainda estava me olhando, esperando que eu reagisse, mas eu não faria isso. Eu não podia. Fiquei lá em silêncio, olhando para o meu prato de macarrão meio comido. Meu apetite foi embora agora, o simples pensamento de comer outra mordida fazendo-me sentir como se eu estivesse prestes a vomitar. A comida que eu já tinha comido pesava dentro de mim, me inchando.
Era isso, ou o meu coração tinha realmente afundado em meu estômago.
Carlisle limpou a garganta depois de um momento, chamando a atenção de todos para longe de mim. "Não posso dizer que tenho ouvido falar muito sobre seus pais, Tanya", disse ele, tentando ser casual sobre isso. "O que eles fazem?"
Ele me lançou um olhar de compreensão quando Tanya começou a falar. Agradeci a Deus por Carlisle vir ao meu resgate.
"Oh bem, o meu pai, Laurent, trabalha para uma empresa farmacêutica. Ele é um químico, você poderia dizer. Ele sempre foi fascinado por isso. E minha mãe, Irina, sempre ficou em casa, mas acho que ela é mais uma dona de casa agora. Ela quis ser dançarina por muitos anos, querendo isso como profissão. Meu pai a apoiou, mas ela deixou isso de lado. Ela disse que estava ficando muito velha para o negócio e seu corpo não era o que costumava ser".
Eu gostaria de poder dizer que sua resposta me surpreendeu, mas isso não aconteceu. Era como Beauty and the Geek . Típico.
"E eles ainda estão juntos?" Carlisle perguntou.
Tanya acenou com a cabeça.
"Interessante", disse Esme. "Então, eu suponho que nós vamos chegar a conhecê-los em algumas semanas no casamento?"
"Oh, não, eles não virão", Tanya disse, balançando a cabeça. "Eles estarão viajando pela Europa durante o verão."
Esme parecia atordoada, quase horrorizada. "E eles não podem voltar para o casamento de sua filha?"
"Bem, eu suponho que poderiam, mas eles não são exatamente esse tipo", respondeu ela, encolhendo os ombros casualmente, como se não fosse grande coisa. "Mas eles vão enviar um presente, é claro."
"É claro", Esme disse, olhando para Tanya com cautela.
Todos voltaram seu foco para a sua comida e, pela primeira vez desde o encontro com Tanya, eu realmente me senti mal por ela. Eu simpatizava com ela. Eu sabia o que era ser esquecida. Eu sabia como era a sensação de ser ignorada. Eu sabia o que era ter um pai que não a considerava digna de atenção.
E lá estava eu, na esperança de tirar dela alguém que a tinha notado. A única pessoa que eu conhecia de fato com quem ela seria capaz de contar. Eu conhecia a alma de Edward. Ele era generoso e amoroso, exatamente o que alguém como ela precisava.
Eu era horrível, terrível, uma péssima pessoa - eu sabia disso - e eu quase me senti mal sobre isso por um momento.
Quase.
...
"Aqui, certifiquem-se de levar isso", Esme disse, colocando alguns recipientes cheios de fettuccine com frango e tequila no balcão. "Há mais do que suficiente para comermos."
"Obrigado", Charlie disse, agarrando-os. "Nunca se nega comida."
Ele disse um adeus rápido antes de ir para a porta e eu permaneci ali por um momento, não estando pronta para sair. Tanya tinha ido de volta para cima, após o jantar, dizendo que precisava fazer uma ligação, e Edward estava sentado na sala de estar com Carlisle. Esme estava arrumando a cozinha e para minha grande consternação, tinha me proibido de ajudar.
O jantar tinha terminado relativamente tranqüilo. Ninguém gritou. Ninguém chorou. Ninguém foi esfaqueado com um garfo.
Em outras palavras, eu não estava mais perto de conseguir com que Tanya fosse embora.
"Esme, posso perguntar uma coisa?"
"Você sabe que pode", respondeu ela quando eu me inclinei contra o balcão ao lado da pia, a observando lavar os pratos.
"O que você pensa sobre Tanya?"
Ela olhou para mim. "Eu acho que ela é legal."
"Sim, mas você não acha que talvez ela seja muito legal?"
Ela riu. "Existe algo desse tipo?"
"Sim", eu respondi. "Quer dizer, quando as pessoas são muito legais, gostam muito de tudo, são muito boas - Às vezes parece uma espécie de... atuação."
"Ah, você acha que talvez ela não seja verdadeira."
"Eu não quis dizer isso," eu disse rapidamente, embora, tudo bem, isso era exatamente o que eu disse. Era definitivamente o que eu sentia. "Eu estou apenas, você sabe, preocupada com Edward."
"Eu sei, querida, mas eu não acho que você tem com que se preocupar", disse ela. "Eu confio em meu filho. Tenho certeza que se casar com Tanya for o que é melhor, isso é o que ele vai fazer."
"Sim, eu acho que você está certa," eu disse, afastando-me do balcão. "De qualquer forma, eu deveria ir. Obrigada pelo jantar."
"A qualquer hora, Bella. É bom ter você aqui", ela respondeu.
"É bom estar aqui", disse, antes de sair. Parei na sala para me despedir de Carlisle, e Edward se levantou de seu assento.
"Eu vou levá-la", disse ele.
"Você não precisa. É meio ridículo, Edward. São apenas uns 10 metros."
"Oh, cale-se e deixe-me levá-la", disse ele, apertando a mão nas minhas costas quando ele me empurrou em direção à porta. Ele me levou para a varanda da frente e fechou a porta atrás dele, suspirando.
Nenhum de nós disse nada enquanto caminhávamos em direção à varanda de Charlie, mas eu poderia dizer que ele tinha algo na ponta da língua. Parei na porta da frente, dando-lhe tempo para conseguir dizer tudo o que queria.
Não demorou muito.
"Eu não contei a ela." Sua voz era calma. Eu não precisava pedir esclarecimentos... Eu sabia exatamente do que ele estava falando. Nossos pais tinham comentado no jantar.
"Você planeja?"
Ele deu de ombros. "Eu provavelmente deveria. Se você fosse ela, você iria querer saber?"
Eu hesitei, mas acenei com a cabeça. "Eu acho que eu iria."
"Isso é o que eu pensava", disse ele. "Bem, eu tenho que voltar, agora que você está em casa a salvo."
"Sim, obrigado por isso", eu respondi. "Quem sabe o que poderia ter acontecido sem você aqui. Eu poderia ter tropeçado em um pedaço de pau ou caído na grama."
Ele riu. "Nunca se sabe, você poderia ter sido atacada por um esquilo malandro louco."
"Sim, isso seria péssimo", eu disse, cutucando ele. "Então, certifique-se que você será cuidadoso na caminhada de volta."
Ele revirou os olhos antes de ir embora e eu fui para casa, imediatamente ouvindo a voz de Charlie. "... Não posso fazer isso agora. Você sabe por quê. Temos que ter cuidado, pois isso pode explodir..."
Ele estava segurando o telefone sem fio e parou no meio da frase quando me viu indo em direção a ele. "Eu tenho que ir", ele disse ao telefone, desligando rapidamente sem dar tempo para responder.
"Com quem você estava falando?" Eu perguntei.
"Alguém do trabalho", disse ele calmamente, colocando o telefone de volta em sua base antes de ir para a cozinha.
Trabalho... Sim, certo.
N/B: Olá gente! Aqui é a Ana, a beta da fic. A Bia ta meio sem tempo e me pediu pra postar esse capítulo hoje pra vcs.
Eu apenas tenho que dizer que não engulo a Tanya. Sou da mesma opinião que a Bella, pessoas que são simpáticas demais soam falsas, não engulo!
E o que será que aconteceu nesse verão hein? E o Charlie, o que será que ele esconde tanto? Deixem seus palpites!
Beijoos e até s2
