Não posso respirar
A porta se abria bruscamente, Rachel entrava como um furacão em casa. Seu rosto, contorcido, mostrava a ira que guardava em seu interior. Quinn sentiu o golpe da porta. Ainda seguia no jardim.
Q: "Princesa!" – exclamou. "Venha para o jardim, tenho uma surpresa." – levantou a voz para que pudesse ouvi-la.
Não recebeu resposta alguma, só escutava o ruído da morena caminhando por todos os cômodos da casa. Estranhou.
Abandonou seu banco na varanda de trás e avançou até a cozinha, tratando de averiguar o alvoroço que a morena fazia.
Q: "Rach?" – perguntou surpreendida diante a velocidade dos movimentos da garota. "O que passa?" – chegou na sala.
A morena murmurava de maneira inaudível ao mesmo tempo que metia objetos em sua bolsa.
Q: "Rachel!" – levantou a voz tratando de obter a atenção da morena.
Rachel pela primeira vez olhou a loira que permanecia quieta embaixo do marco da porta que separava a sala da cozinha.
Q: "O que passa?" – voltou a perguntar se aproximando da garota.
R: "Como se atreve a me dirigir a palavra?" – perguntou mostrando um olhar de ódio.
Q: "O que?" – a loira não compreendia nada.
R: "Por que é tão hipócrita, Quinn?" – deixou a bolsa no sofá e deu vários passos até encarar a loira. "Por que é tão mentirosa? Por que me faz isso?"
Quinn não atinava a compreender que estava ocorrendo. Rachel estava encarando com os olhos infectados de fúria.
Q: "O que? Não sei do que fala Rach."
R: "Não volte a me chamar Rach!" – gritou enfurecida. "não volte a me dirigir a palavra Quinn, não me serve nem teus sorrisos, nem seus perfeitos modos, nem suas palavras, não me serve nada agora, não quero te escutar, nem te ver... não quero..." – se deteve. As lágrimas começaram a cair sobre suas bochechas. A morena bufava com força, engolia saliva diante o rosto pálido da loira que seguia imóvel sem compreender nada.
R: "O que eu sou Quinn?"
Q: "Não entendo do que me fala, carinho, não sei o que está..." – as palavras da loira saiam entrecortadas.
R: "Não me chame carinho." – interrompeu novamente gritando. "não me vale Quinn, não me vale que pense algo de mim e depois diga o contrário, não me vale que me chame carinho se pensa que sou uma perdedora, uma imbecil que faz o que diz, uma estúpida que não vale nada e que necessita que lhe digam linda para ter valores..."
Q: "Rachel." – tratou de segurar os braços da morena tratando de tranquiliza-la.
R: "Não me toque!"
Q: "Não grite comigo!" – respondeu gritando.
Rachel emudeceu durante uns segundos nos quais se limitou a olhar nos olhos da loira. Seus lábios começaram a tremer, as lágrimas voltavam a brotar de seus olhos e o nervosismo provocava um gesto de negação em sua cabeça.
R: "Que te foda, Quinn." – murmurou enquanto dava meia volta e se trancava no quarto.
A loira tratava de alcança-la, mas a porta se fechou diante seu nariz.
Q: "Abre Rachel, abre e me explique que demônios te passa." – o tom de voz de Quinn havia tornado grave, contundente.
R: "Me amargou a vida, conseguiu que não acredite em nada que me diga ou faça." – gritava atrás da porta. "eu poderia estar em Nova York, triunfando e por sua culpa estou aqui, querendo participar em um estúpido concurso de beleza ao que só vão imbecis como eu, estúpidas que não servem para nada e se oferecem para ser a piada de todo o campus..."
Quinn escutava com atenção aquelas palavras. Se lamentava, estava claro que a morena havia se interado do que ela não queria que se interasse. Tratava de conter a respiração.
Q: "Rachel, não sei de onde tirou essas... estupidezes, abra por favor."
R: "Para que? Não riu bastante? Quantas coisas mais me escondeu? Quão covarde é que não se atreve a me dizer o que pensa? O que passa Quinn, necessita ter alguém abaixo de você para se sentir superior? Necessita que me sinta ridícula para você poder se sentir mais perfeita ainda?" – Rachel gritava.
Quinn se mantinha grudada a porta, tratando de assimilar aquelas duras palavras que saiam da morena. Não podia estar passando aquilo, não podia assimilar tudo o que estava sucedendo. Só pensava na mesa no jardim, a comida, o sol e de repente...
Q: "Rachel, saia, conversemos tranquilamente, preparei a comida no jardim, vamos nos tranquilizar por favor." – tratou de se acalmar.
A porta se abriu de repente, a morena saiu do quarto com passo ligeiro. Entrou na cozinha chegando até a varanda do jardim traseiro, sem pensar, se jogou sobre a mesa e empurrando com força, a deixou cair sobre o gramado. Os pratos e os copos não duraram muito em fazer cacos. Quinn não podia acreditar no que estava vendo. A morena estava fora de si, era um ciclone que voltava a entrar na cozinha e deixando ela de lado, abria caminho novamente até o quarto. Dessa vez a porta permanecia aberta.
R: "Não necessito sua perfeição." – disse enquanto tirava um pouco de roupa do armário.
Q: "O que faz?" – perguntou ao ver como a morena metia apressada a roupa em uma pequena maleta, que permanecia aberta sobre a cama. "Rachel." – entrou no quarto. "O que faz?" – a voz da loira se tornava tremida.
R: "Algo que deveria ter feito há muito tempo." – respondeu ao mesmo tempo que fechava com dificuldade a mala.
Q: "Rachel, deixa de fazer tonteiras e vamos falar como pessoas normais." – tratou de voltar a segurar a garota.
R: "Te equivoca, não posso deixar de fazer tonterias porque sou um palhaço, não podemos falar como pessoas normais porque sou uma lerda, uma estúpida, já sabe..." – fez uma pausa. "isso é o que pensa das pessoas que se inscrevem nesses concursos de beleza que são denigrantes, não Quinn? Não é isso o que pensa sobre as coisas em que anima sua namorada a participar?"
Q: "Não seja histérica Rachel, isso eu disse para que me deixassem em paz... não entende, só queria que me deixassem, queriam que participasse e eu não queria."
R: "Por que não queria?" – encarou a loira.
Q: "Porque..." – gaguejava. "porque não tenho interesse."
R: "Por que não diz? Por que não tem o valor de me dizer o que pensa de verdade?"
Q: "Acalme-se Rachel... te peço por favor." – a loira deu um passo e conseguiu acomodar a morena entre seus braços.
Rachel nem se moveu, com um rápido gesto se desfez do abraço e pegou a mala que já estava fechada em cima da cama.
Nem sequer a olhou nos olhos. Quinn observava com terror como a garota a esquivava para sair do quarto. Só se deteve para alcançar sua bolsa que permanecia no sofá.
Q: "Rachel, aonde vai?" – perguntou com a voz entrecortada.
R: "Não sei... só sei que não quero estar aqui." – disse enquanto caminhava firme até a porta.
Q: "Rachel, nem te ocorra sair... estou te pedindo de boa..." – a impotência se apoderava da loira que via como a morena chegava com facilidade até a porta. "Rachel!" – lançou um grito ensurdecedor ao mesmo tempo que corria até ela.
A morena foi rápida e saiu da casa antes de que ela pudesse alcança-la. Puxou com força a porta, deixando uma batida que pode se ouvir em toda a casa. A velocidade que tomou a madeira fez com que não se fechasse corretamente e a porta voltou de maneira contundente sobre o marco, voltando a se abrir e encontrando de frente com o rosto da loira, que acabava de chegar até essa mesma posição.
Quinn não teve tempo de se esquivar e o golpe foi brutal. A loira caiu de costas, a dor intensa em sua cabeça a fez pressentir o pior. O sangue voltava a fazer ato de presença entre suas mãos e a respiração era dificultosa. Sentia como o calor do sangue percorria sua garganta sem poder evitar e a visão começou a borrar.
Sh: "Quinn?" – Shane entrava pela cozinha tratando de encontrar a garota que estava semi consciente no chão. "Quinn!" – gritou ao encontra-la em frente a porta de entrada.
Sh: "Quinn, está bem?" – se ajoelhou junto a loira tratando de reanima-la. "Quinn, responde." – levantou sua cabeça com as mãos.
A loira tratava de falar.
C: "O que passa Shane?" – Carmen, amiga de Shane, interrompia a cena tratando de ajudar.
Sh: "Pegue as chaves do carro Carmen, temos que leva-la ao hospital, está sangrando muito..."
Q: "Não... não posso respirar..." – sussurrou com dificuldade.
Sh: "Tranquila loira, ficará bem..." – a garota fez um esforço e abraçou a loira, a levantando entre seus braços. Com dificuldade conseguiu tira-la da casa. Quinn não tinha nem forças para se manter de pé, a batida havia deixado ela completamente atordoada.
C: "Vamos, suba atrás, eu dirijo." – Carmen tinha o carro parado na porta.
Apenas comprovou que ambas garotas estavam seguras no banco traseiro, acelerou e foi rumo ao hospital.
Rachel conduzia sem rumo fixo as lágrimas entorpeciam sua visão mas era mais a raiva acumulada que não lhe deixava pensar com clareza. Havia estourado, havia feito o que tanto temia e tratava de evitar. Aquele nó terminou por sair de seu interior e o fez da forma mais devastadora que poderia fazer. Não foi realmente consciente do que fazia até que se viu conduzindo, com a mala no banco traseiro e sem nenhum destino em mente. Algo tinha que fazer. Pensou em seus pais, São Diego não ficava muito longe, porém apesar do choque, uma ideia cruzou por sua mente. Poderia dar certo. Rachel trocou o sentido de seu trajeto, havia encontrado seu destino.
Sp: "Quinn!" – a loira entrava no consultório aonde atendiam Quinn. "O que te aconteceu?" – Ashley a seguia.
Por sorte a mãe de Spencer tinha o turno da manhã no hospital. Ao ver que era Quinn quem chegava pela urgência não duvidou em se encarregar na situação.
Sp: "Mas está bem?" – perguntava assustada ao mesmo tempo que segurava a mão da loira.
Quinn permanecia em silencio, estava acordada mas lhe custava poder falar.
P: "Está bem, deu um golpe com a porta e tem o septo nasal quebrado."
Sp: "Outro golpe, Quinn?" – Spencer não terminava de acreditar na má sorte da garota.
Quinn concordou com a cabeça, tratando de esboçar um ligeiro sorriso, mas a dor lhe superava e terminou se queixando.
P: "Quinn, vai estar uns dias muito incomoda, mas vou te receitar um calmante para que possa suportar um pouco a dor... e um relaxante para que não fique nervosa... de acordo? Vejo que não se acostuma a respirar pela boca."
Quinn falou pela primeira vez para deixar escapar um leve som.
Q: "Sim."
P: "Nada de esforços, durante quatro dias."
Q: "Ok..."
P: "Deveria chamar Rachel, tenho que dar algumas indicações para se necessita alguma ajuda." – ordenou a sua filha.
Quinn aproveitava aquele despiste de Paula para tratar de evitar que Spencer chamasse a morena, mostrando um gesto com sua mão.
Ashley se deu conte e em seguida soube tratar a situação.
A: "Paula... necessito que venha... tenho algo para te falar." – mentia.
Spencer a olhou confusa.
P: "Não pode me falar aqui?"
A: "Não!" – exclamou segurando o braço da mulher. "é algo embaraçoso..."
Spencer não compreendia nada, mas bastou um simples olhar de Quinn para saber que algo tinha entre mãos.
A: "É sobre... herpes." – sussurrou se aproximando de Paula, que instintivamente se assustou ao escuta-la. "vem, me acompanhe." – conseguiu arrastá-la para fora da sala de curativos aonde se encontrava Quinn.
Quinn esboçou um sorriso ao escutar a ideia de Ashley para tirar a mãe dali. Spencer se mantinha seria. A preocupação por Quinn era muito maior que aquela brincadeira de sua garota, a que já estava acostumada.
Sp: "Vai me dizer o que aconteceu? Por que não quer que chame Rachel?" – perguntou ao se certificar de que estavam sozinhas.
Q: "Não quero vê-la... nem que me veja assim." – falou com dificuldade.
Sp: "Ela te fez isso?" – perguntou aterrorizada.
Q: "Não... mas foi sua culpa... estávamos discutindo e se foi e eu me dei com a porta."
Sp: "Se foi? Aonde?"
Q: "Não sei..."
Sp: "Mas o que aconteceu? Por que discutiram?"
A pergunta foi interrompida pela chegada de Shane, que regressava após sair para deixar que Paula se ocupasse dela.
Sh: "Q, como está?" – perguntou preocupada.
Q: "Ei Shane, bem parece que está quebrado... vou demorar vários dias para me recuperar." – fez uma pausa. "veja, ela ;e Spencer." – apontou. "lembra?" – falava com dificuldade.
Spencer sorriu enquanto levantava a mão para cumprimenta-la.
Sh: "Sim... é a namorada de..." – tratou de recordar.
Sp: "Ashley Davies."
Sh: "Exato... não lembrava bem o nome, encantada em te ver." – respondeu ao cumprimento enquanto se virava para pedir a Carmen que entrasse na sala, a latina permanecia esperando na porta.
Sh: "Veja Quinn, ela é Carmen... foi sua chofer hoje." – disse com um sorriso.
C: "Encantada em te conhecer." – sorriu. "está melhor?"
Q: "Olá, sinto muito ter nos conhecido nessa situação... costumo ter melhor cara." – brincou.
Shane aproveitou para apresenta-la a Spencer.
Sh: "Escute... necessita que te levemos para casa?"
Sp: "Não." – interrompeu Spencer. "não se preocupe, eu me encarrego, demorarão um par de horas para lhe dar alta e quando derem eu a levo." – comentou.
Sh: Ok, então será melhor nós irmos, tenho que ir trabalhar em breve... me ligue se necessitar algo, de acordo?"
Q: "Farei... Shane, pode avisar a Bette? Não acho que me deixem ir a galeria hoje."
Sh: "Não se preocupe, eu ligo para ela e aviso... mas se cuide hein... quando voltar passarei para te ver... tem que me explicar varias coisinhas."
Q: "Ok." – tratou de sorrir.
Shane abandonou o hospital acompanhada por Carmen, após se despedir de Quinn e Spencer. A garota esteve ao lado da loira, enquanto sua mãe terminava de arrumar os últimos detalhes para lhe dar alta.
Ashley e Spencer se encarregaram de leva-la para casa. O chão manchado de sangue e a mesa com os pratos e copos quebrados no jardim fizeram elas se estremeceram. Quinn havia lhes contado como aconteceu tudo e o motivo pelo qual aconteceu. Nenhuma delas encontravam a desculpa o suficientemente forte para entrarem nesse estado.
Quinn estava brava, se sentia mal por tudo o que havia acontecido, se sentia mal pelo acidente que havia sofrido, mas o que mais lhe doía era ver como Rachel havia desaparecido sem dar sinais, sem se preocupar, sem tratar de se acalmar e falar das coisas de maneira civilizada.
A: "Não tem nem ideia de onde posso ter ido?" – perguntou enquanto ajudava Spencer a arrumar a casa. Quinn permanecia deitada no sofá, com os olhos fechados, tratando de assimilar que tinha que respirar pela boca. Algo que se tornava muito complicado.
Q: "Não... estará com suas amigas... ou quem sabe foi para São Diego com seus pais."
A: "Por que não liga para ela?" – perguntou sua namorada.
Sp: "Não me deixa." – olhou para Quinn.
A: "E desde quando faz caso a essa doida?" – a repreendeu.
Q: "Ash... estou acordada." – interrompeu deixando ver que tinha escutado tudo.
A: "Pouco me importa que esteja acordada loira. Rachel tem que saber o que aconteceu." – olhou para Spencer. "ligue agora mesmo."
Q: "Não quero que diga a ela."
Sp: "Quinn, Rachel também é minha amiga... estou preocupada, quero saber aonde está..."
Q: "Pode ligar para ela, mas nem te ocorra dizer o que me passou... estou bem e só viria por pena, além do mais, não me apetece vê-la."
Spencer pegou seu telefone e marcou rapidamente o número da morena. Ashley terminava de recolher alguns dos cristais que ainda estavam espalhados pelo gramado, enquanto Quinn, com claros sintomas de relaxamento devido ao medicamento tratava de se manter acordada e escutar a conversa que Spencer estava a ponto de manter com Rachel.
Uma conversa que não se deu. Rachel não respondia a ligação da garota, que após várias tentativas, desistiu em sua tentativa de fazer contato com a morena.
Quinn não podia conter mais o sono. Ashley a ajudou a ir para a cama. Os efeitos do relaxante muscular já surtiam efeito e a garota demorou pouco a cair rendida na cama.
O celular de Spencer começou a tocar.
Sp: "Rache? Aonde demônios está?" – perguntou furiosa sem dar tempo para a morena falar.
R: "Estou ocupada Spen... o que passa?" – tratava de dissimular.
Sp: "Está ocupada? Aonde está Rachel?" – se impacientava.
R: "Estou arrumando uns assuntos. O que te passa? Por que está tão alterada?"
Sp: "Pois agora mesmo estou em sua casa... e não posso acreditar no que fez."
R: "Aff..." – bufou. "Spen, não tenho vontade de escutar sermões..."
Sp: "Não é um sermão Rach... de verdade acha que é..."
R: "Spencer, sinto muito, não quero falar disso agora e se é Quinn quem te pediu para me ligar diga que se esqueça de mim." – interrompeu.
Sp: "Primeiro, falaremos do que eu acho conveniente, segundo... Quinn está agora mesmo metida na cama, lutando por respirar..."
Rachel estranhou.
R: "Pois diga que respire e que não faça tanto drama... eu tão pouco estou bem e não vou dando pena." – foi dura.
Sp: "Rachel... acabamos de chegar do hospital, Quinn deu um golpe com a porta que você fechou em sua cara e tem o nariz quebrado."
O rosto da morena ficou pálido.
R: "O que?" – perguntou com um fio de voz.
Sp: "Por sorte a vizinha de vocês escutou o ruído que formaram e quando chegou na casa se deparou com ela no chão, quase inconsciente, ainda bem que veio, senão..."
R: "Vou para aí..."
Sp: "Espera... espera... Quinn está agora mesmo dormindo... ou drogada, minha mãe lhe receitou uns calmantes bastante fortes e antes de dormir disse que não queria te ver."
R: "Pouco me importa o que diga, vou para aí." – disse sem dar opção alguma a Spencer, que escutou como a garota cortava a ligação.
Não tardou muito em aparecer pela casa. Spencer e Ashley a esperavam. Não queria deixar Quinn, que dormia prazerosamente, mas apresentava dificuldades para respirar.
R: "Aonde está?" – Rachel invadia a casa com o olhar confuso.
Spencer e Ashley se levantaram do sofá ao vê-la entrar com tanta efusividade.
Sp: "Rachel, está dormindo, não acho que deva..."
Foi absurdo, as palavras de Spencer ficaram no ar quando Rachel, a ignorando, entrou no quarto.
As pernas tremiam ao observar a loira estendida na cama. Um curativo volumoso cobria parte de seu rosto. Escutava a respiração dificultosa que a loira realizava pela boca e alguma ou outra queixa inconsciente que deixava entrever que continuava passando mal apesar do profundo sono.
Os olhos da morena se inundaram de lágrimas. Estava brava com Quinn, estava doída com a loira mas não podia suportar vê-la mal. Não podia evitar aquela sensação de proteção sobre a garota.
Sp: "Tranquila, ficará bem." – Spencer entrou no quarto tratando de não causar muito ruído.
R: "Não sabe respirar pela boca." – sussurrou. "se afoba e fica mal." – a morena não afastava o olhar da cama.
Sp: "Bom... já se acostumará, em três ou quatro dias tudo será passado."
R: "Não posso vê-la assim... me parte a alma."
Sp: "Rachel, pode me explicar o que aconteceu?" – tratou de convencê-la para que falasse. "não acho que tudo isso tenha acontecido por um estúpido concurso."
A morena reagiu e saiu do quarto, se sentando no sofá aonde aguardava Ashley. Spencer a seguiu.
R: "Isso foi a gota que culminou o vaso." – disse. "faz tempo que estou mal."
Sp: "Por que?" – se acomodou junto a ela.
R: "Porque Quinn é perfeita Spen, desde que vivo com ela tudo me sai mal e para ela tudo sai bem..." – mostrava um gesto de pena em seu olhar.
Sp: "Está brava por que tudo vai bem a ela?"
R: "Não, não é que esteja brava com ela, estou comigo... quando vim para cá, pensava que minha vida ia ser diferente, pensava que não ia sentir falta de não ter aceitado ir para Nova York..."
A: "Se arrepende?" – interrompeu.
R: "Não sei, eu sou feliz com ela... mas minha vida depende toda dela. Tudo o que faço ou deixo de fazer tem haver com Quinn. Quando estive em Londres, vinha pensando que poderia sobreviver aonde fosse, que poderia levar minha vida adiante, meus sonhos, sem necessidade de ninguém... e depois aqui e nada é como pensava."
Sp: "Mas Rachel, é jovem. Quinn disse que não pode conseguir o que se propõe?"
R: "Eu sei, mas também necessito conseguir por mim mesma, necessito tomar minhas decisões e se me equivoco, que seja minha culpa. Com Quinn minhas decisões tomamos entre nós e se sai mal não posso evitar ficar brava com ela..." – fez uma pausa. "... porem, ela toma suas próprias decisões, me consulta mas é ela quem decide." – respirou profundamente. "não posso Spen, não posso depender dela para tudo."
Sp: "E disse isso para ela? Porque é absurdo que me conte tudo isso se a principal interessada não sabe o que é que te acontece..." – lhe recriminou.
R: "Não posso dizer, não posso porque seguramente que buscará a forma de me fazer mudar de opinião e então tudo voltará a ser igual e eu seguirei me sentindo igualmente frustrada."
A: "E a única desculpa que encontra é a de um concurso de beleza?"
R: "Isso foi o ponto final... leva dias me dizendo que eu poderia ganhar esse concurso ainda sem eu estar segura de participar... e eu me intero que ofereceram a ela e o recusou porque pensava que era para perdedores..." – olhou para Ashley. "Como quer que me sinta? Nem sequer foi capaz de me dizer a verdade... ela pensava que isso era para estúpidos e ainda assim me incentivou a participar..."
Sp: "Não vejo que seja motivo para terminar como terminaram hoje..."
R: "Chega Spen, já tomei uma decisão e não quero que venha agora tentar me mudar e me fazer sentir pior do que me sinto... já sei que não são formas, sei que não é desculpa, mas é minha decisão e já está tomada." – se levantou do sofá.
Sp: "E o que vai fazer? Vai jogar fora o que vocês tem por isso em vez de falar com ela e tratar de solucionar?"
R: "Não... não quero me separar dela, mas necessito um tempo... um tempo para pensar, para provar para mim mesmo... não quero depender dela." – sua voz tornava firma. "falarei com ela quando acordar e deixarei isso claro."
Sp: "Espera... espera, não vou deixar que venha com isso agora... não em seu estado."
Rachel não entendia muito bem o que pretendia lhe dizer.
Sp: "Quinn repetiu uma e outra vez que não queria te ver, duvido que seja o que sente de verdade, mas minha mãe me disse que tem que estar tranquila e Quinn não é a mais tranquila quando fica brava ou se altera... então é melhor que espere que ela esteja bem."
R: "Não posso estar aqui com ela como se nada acontecesse e depois lhe dizer tudo quando estiver bem."
Sp: "Pois será melhor que faça... ou do contrário, não esteja aqui até que não se recupere." – foi clara. "Rachel, me dói te dizer isso, mas Quinn também é minha amiga e não vou permitir que passem coisas mais graves. O que tem entre vocês são coisa suas, mas se alguma das duas corre perigo não vou ficar quieta."
Ashley se surpreendia ao ver sua namorada tão firme. Rachel não sabia o que contestar.
Spencer tinha razão. Quinn era uma pessoa autodestrutiva, se fazia dano quando algo não ia bem e aquilo poderia acarretar consequências maiores. O importante era sua saúde, que aquela ruptura do septo nasal se curasse o mais rápido possível e depois haveria tempo para conversar.
Q: "Ash!" – a voz de Quinn saiu entrecortada do quarto.
O silencio inundou o lugar, Spencer olhava para Rachel e essa não sabia o que fazer.
Ashley se apressou a entrar no quarto para evitar que Quinn o abandonasse e descobrisse a situação na sala.
A: "Ei... o que passa?" – perguntou se aproximando da cama. Quinn se removia inquieta sobre ela.
Q: "Me faça um favor..." – sussurrou provocando que a garota tivesse que se aproximar mais ainda dela. "diga para essas duas que se esqueçam de mim, para sua namorada que deixe de pensar por mim e para a outra que nem se atreva a me dirigir a palavra... que não quero e nem me apetece vê-la agora mesmo."
A: "Por que não diz você?" – perguntou um pouco incomoda.
Q: "Porque me dói tudo, me dói a cabeça, me dói o nariz e não posso respirar." – se deteve engolindo um pouco de ar. "só quero dormir. Diga que se vá, não quero ver ninguém."
Ashley a olhava surpreendida, mas entendia a atitude da loira. Ela pensava da mesma forma que fazia Quinn e ainda que sabia que não iam deixa-la sozinha, ela também teria pedido isso em sua situação.
A: "Ok... volte a dormir." – murmurou. "eu me encarrego de calar as duas."
A garota abandonava o quarto, Quinn mantinha os olhos fechados mas permanecia acordada.
A: "Meninas... acho que é melhor..."
R: "Tranquila... escutei tudo." – Rachel permanecia grudada a parede, justo ao lado da porta do quarto. Havia escutado tudo o que Quinn havia lhe pedido. Spencer também era consciente das palavras da loira.
Sp: "Não podemos deixa-la sozinha!" – exclamou.
R: "Será melhor que façamos caso a ela..." – respondeu ao mesmo tempo que pegava sua bolsa.
Sp: "Não posso ir e deixá-la assim... o que passa se necessita algo?"
A: "Spen, tranquila, não é a primeira nem a última pessoa que quebra o nariz... o melhor é que descanse e conosco aqui não vai fazer."
Rachel puxou o braço de Spencer, afastando ela da entrada do quarto.
R: "Escuta." – sussurrou de forma quase inaudível. "eu vou estar na casa de Shane, estarei ali e poderei controlar ela sem que saiba..."
Sp: "E como vai fazer?"
R: "Posso entrar e sair pelo jardim... se a medicação que está tomando a deixa assim, não vai se interar de nada..." – fez uma pausa. "eu te chamo de a vejo inquieta."
Sp: "Ok..." – lhe pareceu uma boa ideia. Ninguém melhor que ela para cuidar de Quinn, daquela forma não saberia nada por isso não poderia se queixar e nem proibir.
A morena se afastou de Spencer, levantou um pouco a voz para que Quinn soubesse que ia da casa. Sabia que estava acordada. Ao passar pela porta do quarto, não pode evitar lançar um último olhar para a loira, que sem perceber a presença de Rachel naquela zona abriu os olhos.
Cruzaram os olhares, apenas durou uns segundos, mas foram suficientes para transmitir o que sentiam naquele momento cada uma.
Quinn estava brava, pensava em fazer ela pagar por tudo o que estava sofrendo e não se referia a dor em seu nariz, mas a impotência por ver como sua namorada, o amor de sua vida, havia se cansado de estar a seu lado. Seus olhos expressavam fúria, soberba. Rachel detectou. Ela, ao contrário que a loira, não sentia fúria. Era pena o que lhe inundava, pena por ver até aonde havia sido capaz de chegar e não poder reprimir ou evitar esses sentimentos que haviam se apoderado dela e que a obrigava a atuar daquela maneira. Seu olhar estava cheio de compaixão, de tristeza. Seu coração não só havia quebrado pela discussão, agora havia congelado ao ver ela naquele estado.
Rachel abaixou sua cabeça e saiu da casa. Voltava para a residência aonde horas antes havia decidido se instalar. O quarto que Marion havia deixado livre, era seu novo lugar.
Necessitava tomar banho e se preparar para passar a noite em sua casa... sem que Quinn soubesse.
Spencer e Ashley aguentaram um par de horas mais no interior da casa, Quinn parecia dormir novamente e a chegada de Shane a sua casa lhes permitiam ir com mais tranquilidade.
Quinn ignorava a trama que haviam planejado. O único que queria era estar sozinha. Esquecer do mundo e dormir, dormir até acordar quando tudo tivesse passado. A imagem de Rachel abandonando a casa se mesclava com a batida recebida em seu rosto. Havia chegado muito longe.
Shane esperava a chegada de Rachel, após falar com Spencer e Ashley. A morena não se fez esperar muito, só tinha que tomar banho e voltar para casa.
R: "Olá." – Rachel cumprimentava a elegante garota que acabava de lhe abrir a porta. "Shane, tenho que te pedir um grande favor..."
Sh: "Não faz falta, já me comentaram suas amigas..." – sorriu. "entre." – convidou a morena a entrar.
R: "Oh, bem... havia pensado que é a melhor forma para poder cuidar de Quinn... ela estará mais tempo dormindo que acordada e poderei vigiá-la sem que perceba." – a morena entrava na casa.
Sh: "Faz uns minutos que fui vê-la e estava jantando..."
R: "Nossa... se importa que espere aqui enquanto ela vai para a cama?" – perguntou um pouco preocupada.
Sh: "Claro... já jantou?"
R: "Não."
Sh: "Pois vamos... te convido e me conta o que aconteceu..."
R: "É uma longa história." – disse caminhando atrás da garota.
Sh: "Temos muito tempo de esperta..."
OBS. 1: História original escrita por CARMEN MARTIN na fanfic 2 NUEVOS CAMINOS (.net/s/7412103/1/2_Nuevos_Caminos)
OBS. 2: Mil, mil, mas mil desculpas pela demora em postar um novo cap. Estou com tantas fics para traduzir e pouco tempo para fazer isso...hahahah
