Meu Fantasma
Observação: Os parágrafos em itálico serão flashbacks.
Disclaimer: Se Bleach fosse meu... não teria nada de humor no anime. Ainda bem que é do Kubo Tite!
Capítulo 07 - No one would listen
"Por quem devo começar?" - Matsumoto perguntou, enquanto brincava com o suco que havia acabado de chegar na pequena mesa da lanchonete.
"Acho que a Rukia-chan..." - Hinamori falou, com um sorriso gentil.
"Sem problemas!" - A baixinha falou, animada.
E Rukia contou como voltaram, como fora o receio inicial... Até que eles voltaram a ser o que eram antes. Matsumoto ouvia dando gritinhos de felicidade, adorava histórias como aquela. Hinamori ouvia, mas não fitava a amiga. Aquela tarde de domingo estava extremamente agradável, mas ela ainda não conseguia se acalmar. Não conversara mais com Hitsugaya depois do ocorrido, simplesmente fugira, com medo. Ela nunca havia passado por aquilo! As pessoas entravam e saíam da lanchonete e a menina evitava olhar algum casal que entrasse.
"O Ichigo não anda tão ciumento como antes... ele está mesmo é grudento e possessivo!" - Rukia riu.
"Ele não quer te perder de novo, né?" - A ruiva riu, bebericando um pouco do suco. - "Sorte sua que pra você as coisas são simples assim..."
Hinamori voltou a prestar atenção na conversa, com uma enorme pena da amiga. Parou de apertar os próprios dedos e relaxou no assento, lembrando-se do dia em que ela contara a história... Realmente, existiam homens que simplesmente não sabiam como tratar uma mulher! Ela e Rukia tentaram até ajudar... Mas fora em vão, Matsumoto continuou amando aquele homem como se nada houvesse acontecido.
"Você precisa dar um jeito na sua situação, Rangiku-san." - Momo falou, cabisbaixa.
"Eu sei, mas, o meu mundo é diferente... Eu espero que quando vocês crescerem, vocês não tenham o mesmo destino que o meu. Esse mundo adulto..." - Rangiku fechou os olhos, com uma feição indignada. - "É corrupto, horrível. São todos ambiciosos... Sem cura."
As duas jovens de calaram. Invadidas com a lembrança de um certo dia, que acontecera ali naquela mesma mesa, um ano atrás, elas divagaram no passado da amiga... Uma história forte, talvez não, mas que para elas não poderia ser daquele jeito. Elas tinham de fazer alguma coisa, ou não veriam o sorriso sincero da amiga por muito tempo.
"Finalmente nos mudamos para um lugar bom! Vai ser muito mais fácil trabalhar assim!" - Matsumoto sorriu, observando o chefe, que fitava tudo com o mesmo sorriso de sempre.
"Poderíamos... comemorar, Rangi-chan!"
Ela estremeceu. Ele só a chamara daquele jeito uma vez, quando aprendeu a amar, em um quarto à noite no último ano da universidade... e ela sofreu muito. Gin nunca namorara, se divertia com a primeira mulher que o fitasse com segundas intenções e depois a dispensava cruelmente. Ele não dissera nada para a ruiva, mas agira como se nada tivesse acontecido.
Matsumoto cresceu, aprendeu a não cair nas virtudes de um homem e se tornou mais atraente do que nunca... Talvez por isso não conseguisse enchergar que ele realmente a amava. Mas o amor de Ichimaru Gin, é doentio, cruel, obcecado e não almeja um final feliz, apenas diversão.
"E-eu não acho que a gente possa começar a beber logo no primeiro dia... Logo vai escurecer." - Ela falou, sentada no sofá da sala de espera, descansando. Haviam desempacotado coisas a tarde toda.
"Não é isso, você não me entendeu?" - Ele foi se aproximando.
"Você não vai fazer isso comigo." - Ela respondeu, séria, tentando esconder o medo de se entregar naqueles braços novamente. Levantou-se, mas fora puxada de volta. Para o colo dele. - "Gin, me solta."
"Eu não quero..." - Ele sussurrou, depositando beijos no pescoço da mesma.
"Eu não sou nenhum brinquedinho."
O silêncio se instalou no aposento. Matsumoto suava como nunca, seu corpo tremia... Ela iria se machucar emocionalmente, sabia, mas daria tudo para poder sentí-lo novamente... Talvez aquele tenha sido o dia mais feliz de sua vida, quando se sentiu mulher, não apenas por uma relação, mas por ter se entregado, para o antigo vizinho, amigo de infância, que a consolava quando chorava pela briga dos pais ou por qualquer outra coisa...
"Eu sei que não." - Ele abriu seus olhos, o que fez a ruiva arregalar seus olhos, fitanto as pupilas castanho avermelhadas. - "É a minha amante, e de mais ninguém."
Eles se beijaram com paixão, ele segurando-a fortemente pelo quadril e ela puxando sua nuca para mais perto, como se fosse o último beijo de suas vidas. Ela não se importava mais em estar no colo daquele homem, precisava de carinho... e só ele sabia como saciá-la, nenhum outro homem conseguira.
No dia seguinte, ambos acordaram com as roupas espalhadas pelo chão do escritório, vestiram-se e resolveram começar o trabalho. Ichimaru tinha um sorriso maior do que o de costume, e ela, parecia mais aérea do que nunca, afinal, aquele dia se repetiria muitas vezes.
"Mas, eu quero saber o que aconteceu, Hina-chan." - Matsumoto falou, tirando-as do transe.
"C-como?" - Momo piscou.
"Nós sabemos que aconteceu alguma coisa, Hina. Você está nervosa, aérea... Te conhecemos!" - Rukia falou, colocando ambos os cotovelos na mesa e usando as mãos como apoio do rosto.
A menina suspirou, rindo baixinho. Nunca conseguiria enganar suas amigas, talvez elas a ajudassem! Ela só precisava de um conselho... um caminho para decidir qual rumo seguir. Apenas aquilo. Respirou fundo e finalmente encostou na xícara de café que pedira, que já estava esfriando. Bebericou um pouco e fitou as amigas, decidida a revelar tudo.
"Eu e o Hitsugaya-kun, outro dia, nos beijamos." - Rukia e Matsumoto arregalaram os olhos. - "Mas.. foi estranho. Aquele homem, o Ichimaru... ele tem algo relacionado com o meu pai, eu os vi conversando semanas atrás! Eu fiquei tão chocada que não percebi que todo mundo queria me consolar, me ajudar..." - Momo contava aquilo fitando o café, que ainda soltava uma leve fumaça no ar. - "E o Hitsugaya-kun... estava tão preocupado... e aquilo aconteceu."
"Você está confusa?" - Matsumoto perguntou.
"Ele é meu amigo! Eu não posso deixar que a nossa amizade seja abalada por isso...Eu não sei o que deu na gente!"
"Hina," - A Kuchiki começou. - "Vocês se gostam? Mais do que amigos? Aquele dia no hospital, eu vi... Ele quase te beijou!"
Hinamori arregalou os olhos, não sabia que a amiga havia visto aquela cena. Ou talvez soubesse, mas estava muito confusa para ter realmente notado. Fitou os próprios pés, seus sapatos boneca surrados, de tanto que os usava. Ela não poderia estar gostando dele, o conhecia há tão pouco tempo! Um amor verdadeiro não seria daquele jeito, seria? Ela nunca se apaixonara verdadeiramente antes, não sabia responder.
"Hina-chan, ele é seu melhor amigo... é normal virar algo mais intenso."
"Mas eu não quero!" - Ela falou alto, batendo o punho na mesa.
Rukia arqueou as sobrancelhas. Hinamori com certeza estava gostando do amigo, mas havia um obstáculo que a impedia de admitir aquilo. O tempo nada havia com aquilo, ela sabia e desejava a felicidade da amiga. Quando Hinamori fosse embora, ela e Matsumoto iriam agir, teriam de bolar algo... Mas aquele medo estampado nos olhos da menina, pareciam tão intensos!
"Hinamori." - Rukia começou, do jeito mandão de sempre. - "Você tem medo do que? Que todos os homens do mundo sejam como ele?"
Hinamori arregalou os olhos e parou. Rukia havia acertado em cheio. Lágrimas invadiram os olhos da jovem, seu corpo tremia... as lembranças, voltavam com mais intensidade do que nunca. Levantou-se e foi correndo para o banheiro, alguns minutos sozinha com certeza lhe fariam bem.
"Foi muito difícil para ela..." - A ruiva comentou. - "Espero que ela consiga superar um dia."
"Ela vai. E a gente vai ajudar." - Rukia falou, determinada. - "Eu vou dar um jeito nisso, nem que eu a faça bater a cabeça na parede e esquecer daquele Aizen!"
"Calma, vamos raciocinar!" - Matsumoto falou, achando graça do comentário.
Alguns minutos e Hinamori voltou, com um fraco sorriso no rosto. Rukia franziu o cenho em desgosto e Matsumoto observava ambas, imaginando o que fariam. Pagou as bebidas e espreguiçou, vendo que a Kuchiki e Momo ainda se encaravam, com as mesmas expressões de antes. Uma veia pulsou na testa da ruiva, que se levanou de repente e assustou ambas.
"Não gostei dessas caras! Vamos nos divertir!"
Assim, com muito esforço, aquela tarde fora divertida. Hinamori e Rukia prometeram se animar e esquecer temporariamente aquele papo, afinal, o fliperama não era lugar para ficar pensando. Momo ainda pensava em alguma solução, não tinha coragem de encarar o amigo depois de tudo.
"Hitsugaya-kun..." - Pensou.
Toushirou estava deitado em sua cama, naquele pequeno quarto com as paredes verde escuras, roupas espalhadas pelo chão e vários cadernos abertos encima da escrivaninha. Pensava em como fora bom encostar seus lábios no da amiga... Mas aquilo não era certo. Hinamori estava passando por um momento difícil e ele insistiu em colocar mais lenha na fogueira.
E, aquilo... Atendera o telefone naquela manhã, mas ao escutar a voz feminina, ele desligara... Sua mente parecia incrivelmente fechada novamente. Sua mãe havia telefonado, tinha certeza! Mas não sabia o motivo. Ele se sentia confuso, se contasse provavelmente o encheriam de conselhos sem fundamento... Mas ela não. Hinamori escutaria e sorriria, nada mais.
No one would listen
Ninguém escutaria
No one but her
Ninguém.. mas ela,
Heard as the outcast hears
Ouviu como a platéia ouviria.
"Eu preciso parar de pensar nela..." - Ele bufou.
Levantou-se e foi até a cozinha, estava morto de sede. Dormia apenas com uma calça de moletom preta e meias, que por um acaso não havia tirado ainda. Estava com vontade de ficar daquele jeito, era mais confortável. O apartamento vazio, ele nunca gostara. Seu pai voltara ao hospital para exames e só voltaria em três dias. Naquele tempo, ele poderia cozinhar menos, mas não era tão confortante quanto levar o almoço para o homem.
"Acho que estou precisando de férias..." - Falou consigo mesmo, coçando a nuca.
Hitsugaya fitou a janela e o céu azul. Respirou fundo, estava irritado demais. Talvez se desse uma volta, se acalmasse. E foi o que ele fez, vestiu uma calça jeans escura, um tênis, uma camiseta preta e assim foi cidade afora, andando lentamente, observando as pessoas como se assim pudesse achar a solução.
Quando estava em um grande bairro comercial, parou, fitando as enormes propagandas, postas nos prédios, até que ouviu uma voz familiar o chamando. Virou-se e encontrou Hinamori, Matsumoto, Rukia e Ichigo, que havia acabado de se juntar ao trio. Toushirou ficou tenso, optou por agir da mesma maneira de sempre, mas teria de conversar com a amiga depois. Ficou parado, observando-as chegar ao seu encontro, sem notar o barulho de moto que ecoava ao longe.
Shamed into solitude
Envergonhado na solidão
Shunned by the multitude
Escondido pela multidão
"Toushirou! Indo a algum lugar?" - Ichigo perguntou, de mãos dadas com a Kuchiki.
"Não.. estava esfriando a cabeça." - Ele comentou, dando de ombros.
Hinamori o fitava, levemente corada, aliviada por ver que ele não estava agindo diferente... Havia algo estranho em seu olhar, mas não parecia ser algo muito grave. Pensava em algum assunto, algo para conversar, mas não lhe vinha nada à cabeça. Observou a rua e fitou uma moça correndo com uma potente moto, um sorriso sarcástico no rosto e longas madeixas brancas... A achou muito bela, até reparar no olhar incrédulo que Hitsugaya lançara.
"Você não parece muito bem." - A ruiva comentou, abanando a si mesma com um pequeno leque.
"Estou ótimo." - Respondeu, fitando Momo longamente.
Hinamori não entendeu o significado daquele olhar, mas foi o suficiente para corar fortemente. Ele estava estranho... E aquela moça, se pensasse bem, parecia-se com ele! Mas não poderia ser a mãe do mesmo... poderia? Arregalou os olhos e decidiu que seria o próximo assunto a falar com o amigo, caso conseguissem conversar.
I learned to listen
Eu aprendi a escutar
Hitsugaya acompanhou-os naquele divertido final de tarde. Fingiu estar normal como sempre, mas no seu interior, sentia-se vazio... Aquela estranha solidão o atormentava novamente! Ele já havia aceitado aquele fato, ninguém preencheria o vazio que sua querida mãe deixara... Mas, estivera determinado à combater aquilo, até revê-la. Continuava alegre como sempre! Na verdade, ele achara que nada mudara nela... E seus olhos quase encheram-se de lágrimas. Mas ele não era mais um pequeno garotinho. Estava crescendo, mais alguns anos e seria um homem adulto.
In my dark, my heart heard music
Em minha obscuridade, meu coração ouviu a música
Seu maior alívio era que Hinamori não parecia diferente. Sorriu com todos, com seu jeito meigo de sempre, o confortou. Enquanto fitava o teto de seu quarto pela milésima vez somente naqueles poucos minutos em que chegara em casa, ele percebeu que ela uma amiga muito especial, mais do que imaginava. Afinal, ela sabia o que era se sentir sozinho, não? Ela perdera a mãe e o pai nunca a amara... a abandonara! Eram situações tão precidas que talvez pudessem confortar um ao outro.
"Amigos fazem isso o tempo todo, não é?" - Ele se perguntou, inconformado com aquele pensamento. Chutou o pé da cama e dirigiu-se para a sala, procurando alguma distração na tv.
"Mais alguns meses e as férias de verão finalmente irão chegar!" - Nanao comentou, sorrindo, enquanto lia uma revista sobre cosméticos.
"É verdade. Eu e Rukia-chan estavamos começando a planejar o que fazer... Ficar dois longos meses sem sair de casa é horrível, então vamos ter uma programação diferente para cada dia!" - Momo falou, entre pulinhos.
Hinamori estava assstindo a um programa qualquer na tv, enquanto aquecia seus pés com uma meia bem quentinha. Em seu colo, uma folha de papel com uma lista enorme de filmes que planejavam assistir em conjunto. Tudo bem variado, sessões de terror, humor, suspense... Tudo menos romance, Rukia e Ichigo não gostavam muito daquele tipo de filme e ela imaginava que Hitsugaya também não. Parou, ao lembrar-se dele.
"Hitsugaya-kun... Aquela era realmente a sua mãe?"
Com aqueles pensamentos em mente, ela fitou uma foto de Mimi, pendurada no final do corredor. Ela sorria, com um vestido florido, muito antes de se casar ou ficar doente... O coração da filha bateu doído. Ela queria ter passado mais alguns anos em companhia dela. Mas, a vida não permitiu e Momo viu que chorar de nada adiantaria. Possuía amigos maravilhosos, não poderia se considerar mais sortuda.
I long to teach the world
Eu quero ensinar o mundo
Rise up and reach the world
a se erguer e alcançar o topo
Balançou fortemente a cabeça, já que precisava desesperadamente melhorar o humor, que estava começando a ficar bem pequeno e melancólico. Foi em passos lentos até o quarto, pegando o livro com o maior cuidado possível. Abraçou-o, encostando o queixo no mesmo, como se assim pudesse sentir que sua mãe estava ali. Sentou-se no chão sem cuidado algum, usava um pijama velho; e assim começou a sua leitura, mais uma vez.
Nas primeiras páginas, todos ensaiavam uma ópera no grande teatro, até que os dois novos donos foram anunciados a todos. A governanta daquele lugar, uma mulher imponente e forte, cumprimentou-os e avisou-os das exigências do Fantasma sobre aquele lugar. Tolos, os homens não deram ouvidos e o habitante misterioso do lugar tratou de prometer que iria se vingar.
Toda vez que lia aquele pedaço, a jovem lembrava-se da época feliz que tinha com Mimi. Desde que se mudaram para aquela cidade, Aizen ficara incrivelmente estranho. Até que, um dia, ele, assim como o Fantasma, fez algo que ficou para sempre na lembrança de todos... e ela ainda tentava acreditar que nada passara de um sonho ruim.
"Antes fosse..." - Murmurou.
I learned to listen
ninguém escutaria
In my dark, my heart heard music
Na minha escuridão, meu coração ouviu a música
Um sorriso melancólico preenchia a face da menina. Ela leu várias páginas antes de pegar no sono e adormecer encima do tapete roxo, abraçada ao livro como se sua vida dependesse daquilo. Nem mesmo se lembrou de que teria aula no dia seguinte, suas coisas estavam jogadas pelo cômodo, assim como seu uniforme.
"Todos os dias é a mesma coisa..." - Ele murmurou, sentado no sofá.
"G-gomen!" - Hinamori respondeu, aflita. - "Eu me esqueci completamente que hoje era segunda!"
Hitsugaya suspirou. Acordara pouco disposto e com sono, a amiga ainda o fazia esperar mais alguns minutos... Ele acabaria cochilando! Coisa que com certeza faria na aula. Porém, concordou consigo mesmo, Hinamori nunca seria a mesma se não demorasse para acordar todas as manhãs e perdesse a hora. Imaginou como seria quando ela conseguisse um emprego.
"Pronto! Podemos ir!" - Ela falou, com a franja ainda desarrumada.
"Puts..." - O menino bufou, levantando-se e indo até a mesma, passando os dedos pelos fios soltos. Hinamori corou, ele estava próximo demais. Hitsugaya mesmo tentou disfarçar a tremedeira que se apossou de si naquele momento. - "P-podemos ir. Já arrumei a sua franja, vamos correr!"
Mas Hinamori não deu um passo sequer. Ela estava séria, corada, segurando fortemente a pasta. Hitsugaya arqueou uma sobrancelha, nunca a vira daquele jeito. Se ela continuasse parada ali, com certeza perderiam o trem e chegariam atrasados!
"Sabe..." - Ela começou, fitando o chão. - "Aquele dia... Por que você me beijou?"
Silêncio. Hitsugaya fitou a janela, colocando a mão livre no bolso.
"Eu não sei." - Esperou pela resposta da amiga por alguns instantes e não ouviu nada. - "Mas eu espero que isso não afete a nossa amizade em nada."
"Mas é claro que não!" - Ela falou, aproximando-se. Viu o sorriso de lado do amigo e se acalmou, sorrindo também. - "Vamos."
E assim correram, com todo o fôlego que possuíam, conseguiram pegar o trem a tempo. Hitsugaya fitava as janelas sério, pensando em várias coisas ao mesmo tempo. Seu pai estava com a saúde piorando, seu irmão pouco se importava, sua amiga não saía da sua cabeça... E aquela moça, parecia-se tanto com ela! Bufou, por que aquelas coisas aconteciam?
"Hitsugaya-kun! Vamos!"
Ele despertou e correu, para não ficar dentro do trem. Haviam chego na estação e ele nem mesmo percebera. Foram andando apressados, sem se falarem, observando o grande fluxo de pessoas na rua. Ele nunca gostara daquilo, sentia-se sufocado naquele meio. Talvez, depois da escola, fose bom fazer uma visita a seu pai, no hospital. Nunca o visitara, mas sempre sentia-se sozinho e uma grande vontade de conversar sobre tudo com o homem o dominava. Mas Hitsugaya era orgulhoso demais para ter desabafado com ele. Raramente confiava em alguém e o fato de Ukitake ter lhe escondido a verdade, provara que não era digno de confiança.
"Ichigo, se eu fosse você, eu sairia daí..." - Renji falou, com uma gota se formando em sua nuca.
Era o horário de educação física e eles poderiam nadar naquele dia. Os meninos se trocavam mais rápido, enquanto as meninas arrumavam suas coisas cuidadosamente, alguns se prevenindo contra olhares indesejados. Ichigo estava em uma incrível expectativa de ver a namorada em trajes de banho, mesmo ela não sendo encorpada ele gostava. Rukia era Rukia, afinal. Mas, ele apenas se esquecia de um fator: A pequena não gostava de ser olhada, tanto que atacava qualquer um que ousasse.
"Mas ela vai sair daquele maldito banheiro logo!" - O Ruivo respondeu, emburrado.
"Por isso mesmo! Você quer perder a capacidade de ter filhos?"
Ichigo estremeceu. Keigo já ousara espiar o banheiro feminino uma vez, quando a baixinha estava tomando seu banho... Além de apanhar feio do Kurosaki, ele levara um chute nas partes baixas tão forte que precisou ir ao médico depois. Os meninos presentes apenas estremeciam, vendo a tamanha dor que o mesmo sentia.
Não demorou e Momo acompanhada de algumas colegas saíram. Rukia ia disfarçadamente no meio delas, com a sua altura não seria vista. Molharam os pés naquela deliciosa água, todas animadas. O dia estava perfeito para nadarem, sol, calor e só teriam mais uma aula depois daquela. Definitivamente, era de se comemorar.
Momo estava tão entretida molhando seus pés que nem mesmo notou um olhar sobre si. O Toushirou pensava em como ela ficava bem vestindo aquele maio roxo, com pequenos desenhos de flores nas alças. Era meigo, assim como ela. Ele usava uma bermuda preta e mais nada. Aproximou-se sorrateiramente, torcendo para que ela não o percebesse. Quando se aproximou o bastante, abraçou-a e se jogou na água gelada, vendo com gosto a menina se debater e arrepiar toda.
"Hitsugaya-kun!" - Ela esbravejou, passando a mão pelo cabelo completamente encharcado. - "Que susto!"
"Foi essa a intenção, baka." - Ele respondeu, mostrando língua logo em seguida.
"Você vai ver então!"
Momo sabia ser bem inteligente quando queria, mas haviam horas que seu cérebro tirava férias e as coisas não saíam como a mesma planejava... Naquele momento, ela tentou afogar o amigo, mas ele era mais forte e o feitiço acabou voltando-se para o feiticeiro. Lá estava ela, no fundo da piscina, novamente, bebendo litros d'água, enquanto praguejava mentalmente.
"Isso não vale!"
"Claro que vale. Eu sou mais forte e me defendi, não foi?"
"Hum..." - Hinamori fechou os olhos e cruzou os braços como uma criança. Ao seu lado, Ichigo caía na água devido ao empurrão da namorada. - "Eu ainda vou me vingar, você vai ver!"
"Vou estar esperando." - Ele riu.
Todos os alunos pulavam, nadavam e se divertiam muito. Talvez a atividade preferida do Toushirou, Ichigo e Rukia tenha sido afogar a pobre Momo. Era tinha um ótimo equilíbrio corporal, mas não podia resistir quando o assunto era a força dos amigos. Ela podia jurar que o volume da piscina estava diminuindo, já que ela acabava bebendo muita água quando levava um belo de um caldo.
"Chega! Ataquem outra pessoa!" - Ela exclamou, nadando na direção contrária do trio, desesperada.
"Não mesmo!" - Rukia respondeu, nadando atrás.
Hinamori agradecia por ter fôlego, pois nadar desesperadamente e com vários colegas como obstáculo não era nada fácil. Naquilo, ela ganhava da Kuchiki, com certeza. Não enchergava Ichigo ou Toushirou, mas chegou no fundo da piscina rapidamente, respirando fundo e procurando-os. Mergulhou, aproveitando o momento de paz, até sentir ser puxada por duas mãos.
"Te achei." - Hitsugaya falou, prendendo ambos os braços da garota.
"Ei, isso não vale!" - Hinamori se debatia, não reparando que estava praticamente abraçada com o garoto.
Ela não reparava, mas Hitsugaya sim e Rukia e Ichigo observavam de longe, torcendo para acontecer alguma coisa. Keigo ainda tentou atrair a atenção da dupla em questão, mas nada que uns bons tapas não resolvessem.
"C-claro que vale."
"Não, me solta!"
"Não vou soltar!"
Momo o fitou, indignada, parando de repente. Eles podiam sentir a respiração um do outro, seus rostos estavam novamente próximos. Hitsugaya, se pudesse, já teria tomado aqueles lábios há muito tempo, mas sabia que na frente de toda a sala não seria uma boa coisa. Já Hinamori, Não sabia o que fazer. Era sempre um sentimento novo quando se aproximava do amigo e ela gostava daquilo. Os braços dele podiam ser magros, mas eram fortes e ela sentia-se segura.
Os olhos estavam se fechando, as mãos dela seguradas pelas dele... Os corpos tão próximos, mesmo não os sentindo, devido à água. Hitsugaya queria e muito, beijá-la, assim como ela queria beijá-lo. Para ele, era um sentimento que ele sabia que existia, só precisava aceitá-lo. Já Momo... Não sabia reconhecê-lo, sentia-se confusa mas completamente atraída pelo amigo.
"Atenção, seus pirralhos!" - Uma forte e mandona voz chamou, atraindo a atenção de ambos.
O professor e sua assistente haviam finalmente chego e convocavam todos os alunos presentes. Ele tinha uma fama de ser assassino e cruel, embora muitos o achassem engraçado. A assistente não era nada mais nada menos do que uma menininha pequena e de cabelos róseos, alegre, o que contradizia completamente a aparência do professor. Zaraki Kempachi era um homem frio, ganancioso e competitivo, principalmente quando se tratava de derrotar alunos talentosos. Kusajishi Yachiru era um doce de menina, que fora adotada pelo mesmo quando perdera seus pais, ainda bebê.
"Quero todos correndo envolta da piscina enquanto Ichigo e eu vamos ver quem nada mais rápido."
"O QUÊ!?" - Kurosaki exclamou, revoltado. - "Por quê diabos sou sempre eu?"
"Você é o único páreo para mim, então não reclame."
"Mas que saco!"
Hinamori, espirando fundo, viu que o garoto não segurava mais suas mãos e se afastou, saindo da piscina. Respirou fundo enquanto colocou a mão no peito, o coração batia incrivelmente rápido. Hitsugaya a seguiu, silencioso, não acreditando que quase cedera a tentação... Daquele jeito ela não iria simplesmente esquecer, já que parecia que ele insistia em criar um clima a qualquer momento!
"V-vamos correr... Hitsugaya-kun." - Ela falou, levantando-se.
"Vamos."
Porém, a turma era animada demais para apenas correr e deixar de assistir a competição de Zaraki com Ichigo. Muitos formavam pequenas torcidas, gritando e pulando, enquanto fingiam dar suas voltas, ansiosos. Rukia ria, desejando boa sorte para o ruivo enquanto esperava pela chance de parar e descansar.
"Yachiru vai ser a juíza, quando ela der o sinal nós atravessamos a piscina quatro vezes, Ichigo!"
"VOCÊ QUER ME MATAR!?" - O Kurosaki perguntava, incrédulo.
Zaraki já estava passando dos quarenta mas possuía uma resistência de quem tinha vinte. Sempre fora competitivo e talvez suicida, atraía medo por parte dos alunos mas ninguém podia negar que ele conseguia deixar todos em forma. Quem fracassasse, sofreria sua ira depois e a de Yachiru também, o que piorava as coisas, já que a sádica menininha adorava ter escravos.
"Um, dois três e... VAMOS!" - Ela falou, com um pulo e logo desviando a atenção para uma menina que continuava a correr, apesar de atenta na competição. - "Hina-chan..."
Enquanto Ichigo dava tudo de si para não morrer no meio da piscina, a pequena Yachiru corria velozmente atrás de Momo. A mesma, ao perceber, já estava a passos de ser capturada e sofrer pelo resto da aula. Andar de cavalinho e aguentar o falatório da menina era uma proeza para poucos que Hinamori, infelizmente, possuía. Choramingou pedindo ajuda quando sentiu suas pernas abraçadas, mas nenhum colega ousou aproximar-se, era perigoso demais.
"Vai ser uma longa aula..." - Momo choramingou.
"Argh!" - Ela exclamava alto outra vez. Seus passos eram firmes e fortes, atraindo a atenção de quem cruzasse seu caminho. - "Vocês dois nem mesmo pra me ajudarem! Não acredito que passei a aula inteira fugindo da Yachiru!"
Ichigo continuava emburrado, ele também fora uma vítima, mas do professor. Nadara tanto que quase afogara, além de ter tido uma bela tontura depois e levar um tapa por conseguir ganhar de Kenpachi mais uma vez. Também, tendo um pai maluco, quem não estaria acostumado a fugir bem rápido nos momentos mais difíceis?
"Foi horrível..." - Ele murmurou, recebendo um aceno de concordância de Momo.
"Ok, a gente sabe que foi, mas seria suicídio tentar resgatar vocês dois!" - Rukia levantou as mãos para o céu, com sua falsa expressão de coitada.
Hitsugaya apenas permaneceu em silêncio. Não aturava Yachiru, sempre procurava manter distância da mesma, até tentar ignorar a amiga. Desde que a vira pela primeira vez sentiu uma veia pulsar em sua testa e decidiu ser um aluno bem discreto nas aulas de educação física, mesmo sendo um excelente jogador.
"Hitsugaya-kun, você teria conseguido me salvar!" - Momo exclamou, mostrando a língua para o garoto.
"E ter que passar o resto do ano marcado por aquela pirralha? Nem morto." - Ele deu de ombros, indiferente.
Momo então teve uma idéia, mostrando que não se tratava de algo bom pelo brilho maligno de seus olhos. Disfarçadamente deu um chute na canela de Toushirou, se virando para ele enquanto tentava segurar o colarinho da camiseta do mesmo. Em vão, ele era forte e não se intimidava com ela. Um leve tremor se apossou do corpo da menina, que tratou de ignora-lo rapidamente.
"Ou você me salva nas próximas aulas ou eu brigo com você!"
"Hinamori," - Ele riu. - "Isso é uma ameaça?" - Hinamori não sabia ameaçar, mesmo brava sua expressão era meiga e exalava inocência.
Rukia soltava um pequeno risinho, olhando esperançosa para a dupla de jovens. Ichigo apenas arqueou uma sobrancelha, observando a atitude da namorada. Bufou, irritado, tudo o que ele mais queria era poder voltar para casa e descansar em seu quarto, estava fisicalmente morto eseus neurônios estavam se esforçando para não o abandonarem também.
"É!" - Ela respondeu, largando-o e saindo correndo, indicando que queria se afastar do mesmo.
Mas estava tão entretida em fugir que não percebera um homem à sua frente, se chocando contra o mesmo. Fitou o rosto do estranho, almejando pedir desculpas, porém paralisou. Era um japonês diferentemente negro, com cabelos presos em um rabo e óculos escuros. Não só aquilo chamava a atenção como também uma bengala especial que segurava. Ele era cego.
"Mil perdões, senhor!" - Hinamori tratou de se recompor e fazer uma pequena mesura, mesmo que ele não fosse ver. - "Você está bem?"
"Não se preocupe, estou bem." - Ele respondeu, com uma voz séria porém gentil. - "Cuidado quando andar na rua, nada garante que a próxima pessoa não se importe."
"H-hai."
O homem voltou a andar e Momo ficou parada, observando, sentindo o coração bater rápido. Nunca havia fitado um cego tão de perto, era curioso e ao mesmo tempo estranho. Os óculos não eram capazes de esconder cicatrizes que passavam por seus olhos. Ela gelou, com dó, pensando que ele havia perco a visão pelas mãos de alguém.
"Hinamori!" - Hitsugaya chegou ao seu lado, assustando-a. - "Acorda e vamos embora."
"V-vamos." - Ela balançou a cabeça de leve, seguindo seu caminho com os amigos.
O homem continuou andando, desviando-se habilmente das pessoas que passavam, bem até demais para alguém que não estava com um cão guia ou que havia acabado de trombar com uma estudante. A mão livre estava dentro do bolso da calça escura, enquanto a outra o guiava com qualquer dificuldade à frente. Parou ao sentir uma pedra solta, virando-se para o beco localizado logo em frente. Poderia usar bengala ou não, para ele não fazia muita diferença.
"Você conseguiu?" - Uma voz forte invadiu o local, fazendo o homem tirar enfim a mão do bolso.
"Consegui, Aizen-sama."
"Muito bom, Tousen. Está aprendendo como se joga, enfim."
Tousen apenas assentiu, entregando a Aizen uma carteira azul, com alguns rabiscos na mesma. O homem segurou-a e sorriu, vendo que a identidade, endereço e horários da filha estavam todos ali. Com aquilo, seu plano seria facilitado e poderia executá-lo com mais precisão.
"Logo logo nos encontraremos... Momo-chan."
Continua.
Aleluia! Eu enfim terminei esse capítulo! Enrolei tanto com as fics de Naruto, mas quando eu vou descrever briga, eu travo mesmo. Aí, a inspiração vai por água abaixo e tudo complica, muito lindo.
Uma confusão incrivelmente idiota que eu fiz e queria pedir desculpas foi por ter dito no primeiro capítulo que a mãe do Hitsugaya tinha morrido quando ele nasceu. Mas não, eu tenho planos pra ela, desde o início, nem sei porque tinha colocado aquilo, talvez só pra deixar o momento mais profundo... e acabou rolando confusão. Desculpas pra quem percebeu e ficou fulo da vida e muitíssimo obrigada L-chan s2, QUE ME AVISOU DESSA MEGA BURRADA! Me xinguem, eu mereço.
Agora, muito obrigada à Nana Ana, Lecka-chan, L-chan s2, YumIIIIII, Danipj pelas reviews e quem adicionou nos favoritos ou no alerta também, fiquei feliz!
É isso, eu espero que o capítulo oito saia mais rápido...
Kissus
