N/A: Twilight não me pertence.
Obrigada Lou por, mesmo ocupada, aceitar betar essa fic, sua linda. Obrigada Dans por ficar me ouvindo tagarelar sobre isso no MSN.
Muito Obrigada Cella pela betagem de emergência xD
Celebridade do Mês
Dia 6
A cama tremia como um terremoto e eu lutava com todas minhas forças para não despertar. Só mais 5 minutinhos.
- Bella! Carrapata, acorda...Vamos! – uma voz distante falava.
- Shhh – pedi silêncio afundando mais a cabeça nos travesseiros.
- Eu vou ter que fazer o cotonete molhado pra você acordar, é isso? – alguém muito irritante falou. De repente, senti algo úmido cutucando meu ouvido.
- Que merda é essa? – levantei exasperada.
- Finalmente! – Edward exclamou aliviado.
- Por que meu ouvido tá melado? – perguntei passando o lençol na orelha a fim de limpá-la.
- Porque eu coloquei meu dedo com baba dentro dele, era minha última esperança.
- Eu devo estar pagando por todos meus pecados morando com você – queixei-me limpando o sono dos olhos e vendo que o relógio marcava 6 horas da manhã – O que você quer uma hora dessas?
- Esqueci de te avisar ontem de um pequeno detalhe.
- O quê?
- Sabe a música "Eternal" que vem tocando nas rádios há um tempinho?
- Sei. A que você canta junto com a Tanya Denali, não é?
- Sim, essa mesma. Hoje nós iremos gravar o clipe. A gente tem que sair daqui em no máximo 30 minutos.
- Não acredito que você fez isso de novo, Cachorro. Primeiro Nova York e agora isso? Você tem que lembrar de me avisar as coisas com antecedência.
- Desculpa. Me encontra no carro lá embaixo quando estiver pronta, ok? A gente vai tomar o café da manhã no caminho mesmo.
Tomei o banho mais rápido de minha vida, vesti a primeira roupa que encontrei no armário e coloquei uns óculos de sol. Odiava ter que fazer essas coisas correndo, mas graças a pequena omissão de Edward sobre o quê estava programado para hoje, não me restava outra alternativa.
Eu estava mal humorada e acho que todos os homens perceberam isso quando entrei no carro. Edward apenas entregou-me o café e um croissant de queijo, mantendo-se em silêncio, mas notei que ele me observava do canto de olho.
- Você está chateada? – ele perguntou baixinho, como se estivesse com medo. E ele deveria estar.
- Não – respondi ríspida.
- Não minta para mim. Você está balançando a perna e mal tocou no croissant.
- Se é tão óbvio que eu estou chateada, por que você veio perguntar?
- Isso é porque eu esqueci de te avisar sobre as filmagens hoje de manhã? Eu já pedi desculpas – expressou-se e juro ter escutado Felix murmurar no banco da frente algo como "DR".
- O que você falou, Felix? – interroguei enfiando a cabeça ao lado de seu assento.
- Nada, nada...tava falando da placa do carro que passou agora pouco, DR8049.
- Hmmm – falei retornando a minha posição no carro e tomando mais um gole do meu café.
Permanecemos mais um tempo em silêncio e Edward não parava de bufar ao meu lado. Seus movimentos já estavam memorizados: checava o celular, olhava pra mim e exalava com força. Perdi a conta de quantas vezes repetiu tais atos.
- Foi alguma coisa que eu fiz? – perguntou com os olhos no aparelho telefônico, mas sabia que sua questão direcionava-se a mim.
- Eu não gosto de ser acordada com alguém me sacudindo.
- Sabia que era isso!
- Se você tivesse me avisado antes, eu teria colocado o despertador e me preparado psicologicamente para levantar no horário marcado. Eu achei que estava num maldito terremoto pela forma que você me empurrava de um lado pro outro!
- Carrapata, me desculpa. Eu sinto muito de verdade. Vou te fazer duas promessas, ok? – falou virando-se completamente para meu lado – Mas primeiro tira esses óculos e me mostras esses orbes de chocolate.
- Orbes de chocolate? – repeti e uma risada varou pelos meus lábios – Espero que você não inclua isso em nenhuma de suas canções, porque definitivamente poderia acabar com a sua carreira.
- Meu pai que faz essas coisas com a minha mãe. Toda vez que ele achava que estava em encrenca falava dos "belos orbes verdes como esmeralda" que minha mãe possuía. Sempre funcionava com ela, achei que poderia funcionar com você.
- Se o intuito era fazer com que eu começasse a rir, eu diria que funcionou. O que você vai me prometer?
- Seus óculos ainda continuam cobrindo suas pérolas amendoadas – ele falou com tom sedutor e assim que as palavras deixaram sua boca, nós caímos na gargalhada, inclusive Felix e Benjamin que estavam no banco da frente. Fofoqueiros.
- Pronto – falei retirando os óculos e focando-me nele – Pode falar.
- Eu prometo nunca mais deixar de te avisar alguma coisa – falou colocando a mão para cima como se estivesse fazendo um juramento – Mas se, por um acaso, eu venha a descumprir minha promessa anterior, juro que só te acordo com beijos.
- Estava demorando para fazer o primeiro comentário inapropriado do dia – murmurei, mas minhas bochechas estavam quentes, pois tinha lembrança do beijo que ele havia depositado em minha testa na noite anterior. Estranhamente, quando ele falou isso, imaginei seus lábios contra os meus.
- Eu não seria eu sem meus comentários, assim como você não seria você sem essas maçãs rosadas – falou tocando na pele quente de meu rosto, deixando-as mais aquecidas ainda. Olhando para o retrovisor vi que Felix nos observava com um sorriso no rosto.
- Tira a mão do meu rosto e fica quieto! – falei empurrando a mão dele.
- Eu acho que sou hiperativo, é difícil ficar quieto. – disse segurando as fitas do laço de cetim que ficavam na minha blusa.
- Você reclama que sua irmã não sabe o que é espaço pessoal, mas você aparentemente também não tem muito conhecimento sobre isso – acusei pegando a mão dele e colocando sobre o vãoentre nós no estofado de couro, mas ele segurou minha mão e a virou.
Durante o resto do caminho ficou traçando com a ponta de seu dedo indicador as linhas que eram marcadas em minha palma. Seu toque era leve como o de uma pluma e as sensações que o contato deveras casto que sua pele fazia na minha provocavam reações que estavam longe da inocência.
Quando chegamos ao lugar onde seria feita a gravação do vídeo, a primeira pessoa que encontramos foi a famosa cantora teen Tanya Denali. Seus cabelos eram longos e em uma coloração loira avermelhada. Usava blusa curta, que deixava sua barriga e seu piercing do umbigo expostos, e uma calça jeans baixa extremamente colada ao corpo. Tanya era uma dessas famosas que juravam que só iriam fazer sexo após o casamento, mas achavam que provocar a libido alheia estava ok. Eu - assim como boa parte das pessoas que acompanhavam a carreira dela - duvidava muito da franqueza de sua virtude.
- Edward, querido! – falou praticamente pulando em cima dele, já que media cerca de 1,55m de altura e somente com um pulo era capaz de alcançar os ombros de Edward, que media 1,88m.
- Como você está? – ele perguntou abaixando-se para que Tanya pudesse o abraçar com os pés no chão.
- Ótima! Hiper pilhada pra começar a filmar esse videoclipe, falei com o Eric e ele já me mostrou que a ideia é sensacional, acho que você vai amar.
- Essa aqui é Bella Swan, ela vai me acompanhar durante as filmagens e pelo resto do mês. É a escritora daquela matéria "Celebridade do Mês" da "Crepúsculo".
- Nossa, claro que eu super sei quem você é! Acho essa sua matéria hiper demais! – falou me dando um sorriso. Minha vontade era perguntar se já que ela achava minha matéria hiper demais por que não havia aceitado participar dela quando, dois meses atrás, a revista entrou em contato com seu agente.
- Prazer – falei esticando a mão para cumprimentá-la.
- Onde está Eric? – questionou Edward - Gostaria de saber qual a ideia que ele desenvolveu.
Entramos no estúdio e distintos cenários estavam montados. Um deles parecia uma sala de colégio, outro era um quarto e tinha até um que aparentava ser uma pista de dança. Não fazia ideia do que planejavam fazer com aquela música.
Um jovem oriental de, aparentemente, 20 anos aproximou-se de nós e o reconheci como Eric Yorkie, seu nome artístico. Ele era um dos novos diretores mais cogitados do meio musical, começou a fama como fotógrafo e há cerca de dois anos resolveu aventurar-se no mundo dos videoclipes, ganhando diversos prêmios por suas criações.
- E ai, Edward? – perguntou o cumprimentando.
- Tanya me falou que a ideia que você teve foi sensacional, estou curioso para saber o que essa sua mente doentia planejou. – comunicou rindo, mostrando certa intimidade com o diretor, já que um dos primeiros clipes que Eric havia dirigido foi de Edward.
- Levei um tempo pra pensar como poderia fazer vocês dois interagirem até que tive uma ideia brilhante. A música fala sobre um amor eterno, correto? – perguntou olhando para Edward que concordou assentindo com a cabeça. – A letra começa com os dois protagonistas da música se conhecendo, que depois acabam ficando juntos, porém pertencem a mundos diferentes. No fim a letra deixa implícito que acabam superando isso tudo e tornam aquele amor que tinha tudo pra dar errado, em algo eterno. Veja bem, Edward, estava eu pensando em casa "o que eu posso usar como simbolismo para algo eterno?" e alguns minutos depois veio uma luz em minha mente. Eu tinha que usar algum ser mítico que fosse capaz de viver por anos e anos.
- Vampiros – Edward falou com um sorriso no rosto.
- Exatamente! Ótimo que estamos na mesma página. Minha intenção é fazer o amor entre um vampiro, você, e a humana, Tanya. O que acha?
- É uma ótima ideia.
- Então pode ir para o camarim que você tem uma longa maquiagem para fazer. Enquanto isso vou gravar alguns takes com Tanya.
- Ok – Edward falou despedindo-se e seguindo para o local que Yorkie havia indicado.
Ao entrarmos no camarim um homem chamado Angelo - que preferia ser chamado de Angel - se apresentou a nós e informou que cuidaria da maquiagem de Edward, mas que primeiramente ele deveria pegar a roupa com a figurinista e vestir-se. Ele retornou usando roupas simples e não muito diferentes das que o via usar no dia-a-dia: uma calça jeans, camisa e all star. Angel começou seu trabalho passando um pó branco pelos braços do homem que, brevemente, iria se tornar um vampiro. Prevenindo-nos do tédio, Edward começou a falar.
- Engraçado que essa não é a primeira vez que eu me fantasio de vampiro.
- Eu sei. Alice já me contou do dia em que você resolveu dar um baita susto nela e no Emmett.
- Tem alguma coisa que ela não te contou? – inquiriu retoricamente rolando os olhos. – Foi um tanto quanto divertido. O que você achou da ideia do videoclipe?
- Interessante. Tomara que o resultado seja bom. É um tema um tanto quanto sensual para os olhos adolescentes que são fãs da Tanya. Vampiros são um dos seres míticos mais eróticos que existem.
- Mas não é isso que os adolescentes gostam? Você não tem cara de que era uma santinha quando adolescente. – falou e o peguei sorrindo pelo reflexo que mostrava o espelho.
- Nem vem me olhando desse jeito que eu não vou entregar meus podres, mas gostaria de deixar claro que eu era uma menina íntegra.
- Era? – perguntou com uma sobrancelha arqueada e um sorriso malicioso. Angel começou a rir.
- Não ria, Angel. Se você tivesse que aguentar isso todos os dias já estaria indo a loucura, assim como eu.
- É o preço que se pagar por ter um namorado tão bonito. – falou dando uma piscadela para Edward que me faria rir, caso ele não tivesse distorcido por completo o status do meu relacionamento com Edward.
- Nós não somos namorados. – desmenti abruptamente. Tudo que eu não precisava era que boatos falsos com meu nome começassem a surgir por Hollywood.
- Vocês têm certeza? – Angel perguntou parando por completo de maquiar Edward e olhando para nós como se fôssemos insanos.
- Absoluta. – Edward falou. – Ela me rejeita.
- Ele só fala besteira.
- Ela mente pra mim só pra me deixar confuso.
- Ele é a pessoa mais irritante do universo.
- Okaaay. – Angel arrastou a palavra, meneando a cabeça e rindo de leve. – Como eu fui um tolo de pensar que poderia ter algum sentimento entre vocês dois, esse pó deve estar fazendo com que eu alucine.
- Definitivamente – murmurei, mas assim que meus olhos cruzaram com Edward no espelho, engoli em seco.
- Agora eu preciso que você fique bem quietinho porque vou passar isso em seu rosto. – o maquiador informou a Edward.
Alguns minutos depois, ele estava branco como mármore, dando a impressão que sangue não circulava mais por seu corpo. Eric ficou satisfeito com o resultado e anunciou a gravação da primeira cena.
Edward e Tanya foram para a sala de aula e sentaram lado a lado. Eric disse que os cantores deveriam parecer desconhecidos e trocarem olhares tímidos, como se sentissem atraídos um pelo outro, mas não tivessem coragem para revelar seu verdadeiro desejo.
Na primeira cena ocorreu exatamente como esperado pelo diretor, que só soltou elogios. Tanya era a perfeita menina tímida. Seus olhos azuis eram curiosos vagando o rosto e corpo de Edward, seus dedos enrolavam um tufo de cabelo loiro e os lábios envolviam a ponta de um lápis, atitudes que fariam a menina, nos olhos de uma pessoa mais velha, uma perfeita ninfeta. Edward estava focado no que o professor de mentira gesticulava a sua frente, seu maxilar travado e olhando apenas com o canto do olho para Tanya, suas mãos estavam fechadas com força e apoiadas na mesa, indicando que ele estava juntando todas as forças para se controlar perto da humana.
Os cantores mudaram de roupa e se prepararam para gravar a segunda cena, que deveria dar a ideia de se passar em um dia diferente. Eles deveriam tentar alguma forma de interagir, mostrando o começo de um contato. Tanya estava sentada em sua cadeira e deixou o lápis cair no chão, em seguida cutucou o ombro de Edward que estava coberto por um enorme casaco e fingiu o pedir uma caneta. Ele, por sua vez, imediatamente a entregou o objeto. Seus olhares se cruzando e um enorme sorriso surgindo na boca coberta por batom rosa de Tanya.
A última cena na sala deveria ocorrer depois de uma cena externa que ainda não fora gravada, mas pela praticidade o diretor a filmou logo. A inocente estudante loira estava sentada na mesa e parecia assustada, todos os estudantes ao seu redor pareciam fofocar algo e olhavam em sua direção. O pálido garoto estava sentado ao seu lado e parecia escrever furiosamente em uma folha de papel. Alguns segundos após achar que o quê havia escrito estava bom, jogou o bilhete em cima da menina e saiu da sala. A câmera focava no papel que era aberto e a frase "Você gostaria de ir ao baile comigo?" era visível.
- Corta! – Eric comandou. – Todo mundo trocando de roupa para gravação da cena externa.
Edward ficou conversando com Tanya e ela ria de tudo que ele falava, suas mãos as vezes paravam nos definidos bíceps do cantor, e jogava suas madeixas loiras de um lado pro outro de forma um tanto quanto exagerada. Peguei uma cadeira que estava vaga ao lado do monitor que mostrava os takes filmados e remexi em minha bolsa torcendo para ter largado o meu caderno vermelho dentro dela. Após o encontrar, escrevi um pouco sobre os eventos que havia participado com Edward e tentei deixar de lado todas as bobeiras que ele mencionava quando estávamos juntos. Omiti também o nosso dia anterior, pois não achei que as fãs receberiam muito bem o fato de eu ter ficado em posições comprometedoras com o artista favorito delas enquanto jogávamos Twister.
- Está com tédio? – Edward perguntou chegando mais próximo de mim e sentando-se na cadeira que estava ao meu lado.
- Ainda não, antes isso a ensaios fotográficos.
- A gente vai lá para fora daqui a pouco, tenho que trocar de roupa.
- Sem problemas, eu te espero aqui.
- Qualquer coisa você pode ficar conversando com a Tanya caso ela fique pronta antes de mim. Falei com ela sobre você e tenho certeza que ela será uma boa companhia.
- Acho que vou ficar aqui com meu caderno mesmo.
- Senti certo deboche na sua voz.
- Debochada? Eu? Claro que não.
- Você está fazendo de novo.
- Edward, depois de alguns meses já aprendi que não devo deixar nada para última hora quando se trata desse trabalho. Escrever nesse caderno sempre me ajudou no final do mês. – expliquei e ele continuou me olhando com uma sobrancelha arqueada, como se duvidasse da veracidade do que eu estava falando. - Fora que... ela tem 17 anos, eu sou quase uma década mais velha que ela.
- Na verdade ela acabou de completar 18 anos.
- Que seja, você entendeu o que eu quis dizer.
- Então é esse o problema? Bella, ela é um doce de pessoa, mesmo sendo mais nova que você, tenho certeza que vocês irão se dar bem.
- Acho que falta algo entre minhas pernas para receber o mesmo tipo de atenção que você recebe.
- Do que você está falando?
- Ela está dando em cima de você.
- Claro que não! Carrapata, você está ficando meio obsessiva. Toda mulher que vem falar comigo você diz que está dando em cima de mim. Ciúmes é uma doença.
- Eu não estou com ciúmes! Deixa pra lá, não vou falar mais nada. Vai trocar de roupa antes que pensem que eu quem estou te distraindo. – demandei abrindo o caderno novamente e retomei a minha escrita.
- Você é louca, Carrapata. – ele falou antes de sair do meu lado.
Quando todos estavam prontos, fomos para área externa onde mais um cenário estava montado. Ele consistia, basicamente, em um estacionamento que ficava localizado em frente à escola. Eric explicou a Edward e Tanya que a cena tinha como objetivo mostrar que o garoto estava longe de ser como os outros estudantes do colégio. O acidente que iriam gravar era perfeito para dar a entender que havia algo sobrenatural com ele.
A menina deveria ficar parada ao lado de sua velha caminhonete vermelha e ler um livro que parecia roubar sua completa atenção. Em segundo plano, um figurante dirigia um carro que estava desgovernado e seu caminho levava a potente máquina em direção a compenetrada loira.
Enquanto isso, o vampiro observava tudo de longe, vendo o quão fatal seria o destino da bela garota com quem dividia uma mesa na sala de aula e que, de forma indecifrável, despertava seu interesse como nenhuma outra humana foi capaz de despertar.
Conforme o carro ia se aproximando de Tanya, Edward saía de seu lugar em uma velocidade surreal e segundos antes do veículo colidir com sua adorada, usava sua força extraordinária para impedir o acidente, fazendo até mesmo que a porta do carro ficasse amassada após o contato com a palma de sua mão.
A filmagem começou e tudo estava correndo bem, até o momento em que Edward deveria parar o carro. Alguns efeitos especiais seriam adicionados no momento da edição, mas ele nunca parecia ter o timing perfeito para hora que sua mão deveria encostar no carro, indo certas vezes rápido demais e outras um pouco lento.
Ele mostrava-se irritado e fiz uma pequena anotação em meu caderno que já não era novidade. Edward era perfeccionista quando o assunto era trabalho e qualquer coisa que não ocorria conforme era esperado, o deixava profundamente frustrado.
- Que tal uma pausa? – Yorkie sugeriu após o 13º take errado.
- É patético não conseguir fazer isso. – Edward proferiu bufando ao meu lado. – Você lembra se eu deixei meu maço de cigarros no carro?
- Acho que sim. Quer que eu te acompanhe?
- Claro.
- Ei! Onde vocês estão indo? – Tanya veio correndo atrás de nós.
- Até o carro pegar algo que esqueci. – Edward falou continuando seus passos.
- Essa cena está um pouco difícil, né? – a loira comentou.
- É – Edward respondeu seco. Deus, como ele ficava mal humorado com essas coisas.
- Que tal se a gente saísse pra almoçar com a equipe depois que finalizarmos essa parte da gravação?
- Ok. – falou enquanto abria a porta do carro à procura de seu cigarro.
- Você está muito estressado, Edward. – ela falou colocando as mãos nas costas dele tentando fazer uma massagem, mas faltavam alguns centímetros para seus dedos alcançarem os ombros do cantor. – Você precisa relaxar!
Assim que ela falou isso um forte flash apareceu e quando me virei vi que dois paparazzi tiravam foto do momento que acabava de ser passar entre as celebridades.
- Edward, têm paparazzi aqui. – avisei.
- Merda. – murmurou colocando o maço de cigarros em um saco e fechando a porta do carro com mais força do que era necessário.
Retornamos para o estúdio e Tanya permanecia acompanhando nossos passos, parecendo não se importar com o quê o paparazzi havia acabado de fotografar. Eu conheço esse meio e sei que dentro de algumas horas essas fotos cairão na internet com histórias completamente deturpadas. Estávamos em frente ao camarim e Edward abriu a porta para eu passar. Tanya estava seguindo atrás de mim quando ele colocou a mão no ombro dela, impedindo sua passagem.
- Será que tem como você nos dar uns minutos a sós? Preciso conversar com Bella.
- Oh! – surpreendeu-se a loira. – Ok. Vou ver se Eric precisa de mim.
- Avise a ele que em meia hora eu retorno, ok?
- Claro.
- Obrigado. – disse fechando a porta e virando-se para mim. – Eu odeio fazer clipes!
- Sério? Você pareceu bem animado quando Eric te contou o que havia planejado.
- No começo tudo é legal.
- Você só está sendo pessimista porque as coisas não estão saindo certo. Se você ficar mais calmo e parar com esse ataquezinho, vai ver que tudo dará certo.
- Não estou dando ataque... – falou abrindo o maço de cigarros e retirando um do pacote.
- Está sim. E me diz, por favor, que você não vai começar a fumar aqui dentro, num lugar que praticamente não tem ventilação.
- Eu estou irritado. O cigarro me acalma. – manifestou-se pegando o isqueiro.
- Espera! Não acende isso. Eu vou te dar uma coisa melhor.
Levantei e fui até um móvel que tinha diversas gavetas. Não demorou muito e encontrei exatamente o que estava procurando.
- Prontinho. – falei o entregando um frasco de creme hidratante junto a alguns lenços de papel.
- Carrapata... – ele começou a dizer segurando o riso, mas eu o interrompi.
- Tem um banheiro ali no cantinho. Eu espero do lado de fora.
- Muito engraçadinha, mas acho que pra resolver meu problema eu preciso de...uma mão amiga – sussurrou a última parte e levantou-se, ficando mais próximo de mim. Merda, como ele cheira bem.
- Ha ha ha! Acho que quem resolveu ser engraçadinho foi você, Cachorro! – afirmei e ele fingiu mágoa à minha recusa. – Só porque estou muito legal, vou te dar um agrado. Vira de costas.
- De costas? Carrapata, eu sei que tem gente que gosta de uma...cutucada lá, mas eu não estou incluso nesse grupo de pessoas.
- Cala a boca e vira logo! – demandei e ele rapidamente ficou de costas para mim. – Agora senta entre minhas pernas.
- Eu realmente tenho que ficar de costas? – perguntou com malícia e levou um tabefe na orelha. – Ai! Eu achei que você ia me dar um agrado, não um tapa.
- Isso é por você ser tão inapropriado! Fica quietinho que é melhor.
Ele permaneceu quieto e eu comecei a fazer uma massagem em seus ombros. Alguns minutos depois era notável o quão relaxado ele estava ficando, soltando algumas vezes até gemidos de prazer.
- Você tem ótimas mãos...
- Nem começa, Cachorro.
- Você quem pensou maldade, só quis dizer que você é ótima massagista.
- Sei...
- Eu estou preocupado. – bufou.
- Com o quê?
- Com as fotos que vão sair mais tarde, porque tenho certeza que vão publicar aquilo o mais cedo possível. Na verdade os boatos nem me incomodam, o problema vai ser ter que ficar escutando a Jessica reclamar no meu ouvido.
- Por que ela é tão chata? – perguntei e ele começou a rir.
- Acho que vem com a profissão.
- Não vem mesmo, os assessores das pessoas com quem trabalhei antes estavam longe de ser assim.
- É, sei lá.
- Se ela ligar, deixe-a falando sozinha. Não se preocupa com isso agora.
- Você acha que me viram pegando o cigarro?
- Não. Fica tranquilo. Se concentre no clipe que você tem para gravar.
Quando a gravação voltou, tudo ocorreu melhor. Só foram necessários mais 3 takes e Edward finalmente conseguiu terminar a cena do estacionamento.
Eric liberou todos envolvidos nas filmagens para o almoço e fomos para um restaurante que ficava próximo. Alguns garçons e clientes pediram autógrafos a Edward e Tanya e o que era pra ser um momento tranquilo para podermos comer e conversar um pouco, virou praticamente um encontro de fãs com seus artistas favoritos. Era incrível ver como Edward lidava com essas coisas com extrema graciosidade. Tanya também não deixou a peteca cair em momento algum, mas não parecia tão natural. Seu sorriso aparentava ter sido treinado, como se alguém a tivesse ensinado tudo isso – e eu não duvidava que essa fosse a verdade.
Ao voltarmos, Edward teve que refazer mais uma vez a maquiagem para gravar a cena em que pegava Tanya na porta de casa para levá-la ao baile. Sua vestimenta agora era bem diferente e muito mais formal. Ele usava o típico traje black tie. Tanya estava belíssima e caso aquele fosse um baile de verdade, não me surpreenderia se ela ganhasse o prêmio de "rainha do baile". O vampiro observava a menina com admiração e ela mantinha um sorriso bobo e tímido no rosto. Ao prender o pequeno broche com flores no vestido da loira, acabou a furando sem querer. Suas narinas inflaram e ele cerrou os punhos, ela parecia sem graça e tentava endireitar o broche acima de seu seio esquerdo.
Quando o diretor estava satisfeito com o material gravado, pediu que Edward retirasse a maquiagem e que quando pronto, seguisse com uma parte da equipe para outro estúdio onde ele teria treinamento para as cenas que faltavam e gravariam no dia seguinte.
- Dois dias? – perguntei. – Pensei que vocês conseguiriam terminar esse clipe hoje.
- Na verdade a pessoa que tem mais cenas é a Tanya, por isso ela ainda ficou lá, mas em compensação eu sou o único que tem uma sequência de luta.
- E te deram um dia pra se preparar?
- Bella, é um videoclipe, não é um filme. A cena deve durar uns 30 segundos, não é como se eu fosse fazer milhões de movimentos.
Durante as seguintes horas, fiquei observando o treinamento de Edward. Ele usava uma bermuda e uma camisa larga. Seus cabelos já estavam encharcados de suor e toda vez que alguma gota escorria pelo seu rosto, ele levantava a barra da blusa para secar a face, deixando a mostra seu másculo abdome e o delicioso V de seus quadris. Por um acaso eu acabei de dizer que os quadris dele eram deliciosos? Meu Deus, o que está acontecendo comigo?
O treinamento parecia exaustivo e os exercícios aparentavam que nunca iam acabar, mas ele persistia firme, até mesmo quando errava alguma coisa da coreografia que preparavam para luta e acabava sendo atingido de leve por seu massivo treinador.
Quando o ensaio deu-se finalmente por encerrado, Edward retirou a camisa limpando por completo seu rosto e naquele exato momento tive certeza que tinha gente que mataria para estar no meu lugar.
Após tomar uma ducha no vestiário, ele retornou e finalmente seguimos para casa, parando somente no drive-thru do McDonald's para pedir alguns hambúrgueres e milkshakes. Comemos no caminho e quando chegamos em casa, Edward mal conseguia manter-se em pé, reclamando que as coxas doíam e que suas costas estavam o matando.
- Sabe o que eu precisava? – indagou retoricamente enquanto subíamos as escadas para o segundo andar. – De uma massagem, mas não conheço nenhuma massagista que atende em casa a esse horário.
- Nossa, que pena, né?
- Carrapaaaata.
- Eu vou tomar um banho e volto pra te fazer uma massagem.
- Você acaba de comprar seu lugar no céu.
- Edward, desde o primeiro dia que estou aqui eu já garanti meu lugar no céu. Para te aguentar só sendo uma santa.
- Malvada. – murmurou entrando no quarto. – Estou te esperando.
Segui para meu quarto e tomei um banho rápido, apenas para tentar tirar o cansaço do corpo e dar uma relaxada. Coloquei um pijama confortável e fui para o quarto de Edward, que estava com a porta escancarada. Assim que botei meus pés dentro do quarto o vi jogando o celular na cadeira que ficava longe de sua cama com bastante força.
- Senti certa hostilidade com seu celular. Cheguei num mau momento?
- Não. Era Jessica.
- O que ela queria? Reclamar?
- Não sei, desliguei o celular. Única coisa que quero agora são suas mãos em mim. – ele falou deitando de bruços e afundando a cabeça no travesseiro. Ainda bem que ele não podia ver minhas bochechas ficando coradas.
Sentei-me no final de suas costas, cada perna minha de um lado do corpo dele. Nós estávamos perdendo o profissionalismo por completo, mas ao mesmo tempo eu não conseguia evitar. Minhas mãos pareciam estremecer, porém assim que fiz contato com a macia pele dele, aparentei relaxar. Ele suspirava e estava tranquilo, minhas mãos faziam todo o trabalho e cessei meus movimentos apenas quando ele começou a pegar no sono. Saindo de cima de suas costas, coloquei meus pés no chão e calcei meus chinelos. Quando estava virando para ir até a porta, a voz de Edward chamou minha atenção.
- Dorme comigo. – murmurou, seus olhos ainda fechados.
- Cachorro, sem palhaçadas.
- Eu estou falando sério. Só dormir, nada mais que isso.
- Eu não posso.
- Você não pode ou você não quer? – questionou e tudo que eu queria era ir pro meu quarto. Ele me deixava nervosa quando seu tom indicava que ele estava falando sério e não de brincadeira.
- Boa noite, Cachorro. – desejei correndo para porta antes que ele pudesse perguntar mais coisas que eu não gostaria de responder.
- Boa noite, Carrapata. Amanhã você tem que acordar às 9h. – avisou-me.
- Ok.
Chegando ao meu quarto, deitei na cama e torcia para que o sono logo tomasse conta de meu corpo, mas infelizmente isso não ocorreu. Rolando em meus lençóis apenas um pensamento rondava minha mente.
Eu não posso. Eu não posso.
N/A: GENTE ME LÊ DE NOVO! (tô falando pouco hoje, poxa)
Coloquei uma observação sobre os extras no meu profile, porque acho que ainda tem gente que tá com dúvida. Se eu esqueci de mandar algum extra também tem lá explicando.
O extra desse cap se chama "Me dá uma mãozinha?" e é o ponto de vista do Edward do final do capítulo.
Acho que é isso.
Beijos e até a próxima sexta ;)
