O assunto da torre de rádio foi resolvido pelos policiais, mas demorou algum tempo, pois os agentes rockets queriam que a história da floresta fosse completamente esquecida. E foi. Demorou algum tempo e teve seus prejuízos. Alguns capangas foram presos, porém não abriram a boca sobre nada. Um foi sentenciado à morte.
Apesar das perdas, Giovanni não se importava tanto. Nenhum agente de maior importância foi perdido. Depois do dia em que a confusão acabou, Erick foi chamado para a sala do chefe. Aparentemente, apenas ele; depois não comentou com ninguém o assunto, nem com Erica, apesar de sua insistência natural. E dessa vez ele não queria trocar nada pela informação. Ela começou a ficar com medo.
Os corredores começaram a ficar mais estranhos. Alguns agentes consideravelmente conhecidos se ausentaram e não apareceram mais por lá. Erica não parecia ser a única perdida, pois Domino também estava andando pela base como uma barata tonta tentando entender o que se passava. Mas ninguém abria a boca. Erick desapareceu por três dias.
Depois, no meio da noite, Erica estava deitada, quase entrando em sono profundo. Na verdade, havia acabado de se deitar, pois passou a metade da noite tentando elaborar possíveis teorias sobre essa questão estranhamente incomodante. Ela foi acordada por balanços e chacoalhadas; Erick gritava para ela sair dali. Erica levantou em um pulo, altamente assustada, tentando bobamente tentar sacar um revolver de seu pijama. O outro agente deu uma breve analisada nela e disse para ela rapidamente se vestir.
Acredite, as coisas estão piores do que eu imaginava. Pegue roupas quentes. Vamos passar frio, especialmente eu e você.
Apesar de não estar entendendo nada, ela tirou o pijama. Houve um momento de epifania da parte de Erick, mas ela logo se vestiu, prendeu o cabelo e pegou vestes quentes. Erica pegou sua arma e os pentes de recarga e saiu correndo atrás de Erick, fazendo a mesma pergunta freneticamente: "O que está acontecendo?!".
Ele a prendeu contra a parede e respondeu:
– Estamos sendo atacados. É uma longa e chata história. Tudo o que você precisa saber nesse momento é que estão tentando nos derrubar e não podemos ficar aqui por mais muito tempo. Se destroem nossas blindagens, morreremos afogados, não tem como escapar. A base está emergindo. Temos que lutar.
Mas quem está nos atacando?
A Polícia Federal do Japão. Eles têm charizards e dragonites do lado deles. Se você ainda não está preparada para isso, então vai morrer.
Essas palavras não foram nada reconfortantes.
Erica não conseguia entender como eles descobriram a base, muito menos como estavam atacando. No momento em que voltou a seguir Erick pela base, olhou pelas janelas ao seu lado. Do outro lado do vidro grosso e blindado, havia dragonites nadando e soltando poderes que mais pareciam auroras. A base inteira tremia. Mesmo assim, conseguiram emergir. Os ataques estavam cada vez mais freqüentes. Erick parou em baixo de uma porta redonda no teto e fez uma escada cair de um compartimento ao lado da porta. Parecia que ia dar a um alçapão, porém ela era feita de aço inoxidável. Ele subiu na escada e com alguma dificuldade conseguiu empurrar a porta para cima. Parecia ser muito pesada e era muito grossa. As luzes de emergência piscavam loucas dentro da base e novas sirenes eram disparadas a cada instante. Erick finalmente saiu daquela loucura e pulou para cima. Erica o seguiu.
Apesar de terem fugido das luzes e sirenes, a situação do outro lado não estava melhor. Eles saíram no lado de fora da base. Mais parecia um enorme barco do que uma base militar. Todinha de aço; era como se realmente tivesse sido feita para se algum dia fosse atacada pelo lado de fora.
Erick se desesperou, pulou em cima de Erica e depois caíram no chão. Um charizard quase os havia pegado. Por sorte, Domino apareceu com uma arma que parecia ser pesada e atirou nas asas do animal. Aquele enorme charizard deu um berro de dor e caiu direto na água, formando uma enorme fumaceira, pois todo o fogo de seu corpo se apagou. Naturalmente, ele morreu.
Erica sentou-se e olhou a sua volta. Estava um caos. Muitos de capangas estavam correndo ao redor, cada vez saíam mais da comporta. Agentes respeitados, intermediários, capangas e executivos corriam por todo lado, se agachavam para atirar e alguns levavam tiros na cabeça, pelo fato dos policiais estarem na margem rio com suas armas e Bolas. E eram muitos deles. Aquela carnificina de gente caindo no chão, cabeças estourando e miolos por toda parte, estavam ficando mais freqüente. Os policiais também morriam. Tudo acontecia tão rápido, que Erica pensava em mil coisas e olhava aquilo como uma coisa inesperada. Totalmente.
Mexa-se! – gritou uma agente jogando um rifle no seu colo a fazendo levantar e ir matar policiais.
Ela se levantou em um pulo e correu ao lado de Erick que estava abaixado trocando a munição de uma sniper. Erica se posicionou ao lado dele, escondida pela mureta que dava a volta na parte superior a base. Ela tinha quase certeza que fora projetada para isso; depois se posicionou, mirou... e errou. Ela estava nervosa.
Erick havia terminado de trocar a munição e perguntou a Erica:
Vamos ver quem mata mais? – e fez um sorriso sádico e prazeroso no rosto.
Ele se posicionou, mexeu no zoom da arma e atirou. Acertou em cheio uma policial, espirrando sangue aos que estavam em sua volta. Ele deu risada. Repetiu o mesmo processo com muitas pessoas, parecia ter muita prática com isso. Ao contrário dele, Erica não conseguia mirar de longe, nem que tivesse a mesma sniper. Afinal, onde ele arranjou aquela?
A polícia não parava de chegar, a base não parava de tremer com os ataques dos dragonites e, ao contrário da Polícia Federal, os agentes não tinham como convocar rockets das regiões próximas. Até porque não havia mais bases na mesma rota, nem nas próximas cinco rotas. E isso era longe.
Erick, apesar de toda a carnificina que parecia lhe proporcionar mais prazer do que sexo, estava ficando preocupado e olhava para o céu, no meio daquela confusão, pensativo.
Precisamos sair daqui. – disse mais para ele mesmo do que para Erica que estava ao seu lado, começando a se divertir quando finalmente conseguia matar vários policiais.
A margem do rio e a orla da floresta estavam começando a ficar infestados de uniformezinhos azuis e pretos. E os agentes rockets se esgotando. Domino havia fugido com Giovanni antes da confusão se alastrar.
O quê?! – gritou Erica enquanto o outro estava apenas ajoelhado, segurando a sniper descansada em seu colo. – Me ajude aqui, Erick!
Não. – respondeu tranqüilamente. – Nós vamos embora.
Enlouqueceu?! Não tem como sair daqui sem matá-los!
Você esqueceu que eu tenho como, sim. Automaticamente, você também. Afinal, existem pokémons e pra alguma coisa eles tinham que servir.
Os dois estavam agachados. Erica estava tensa, Erick olhava para os pokémons, tanto dos agentes como dos policiais, que morriam no céu. Erica protestou:
Com que pokémon, Erick?! Nós os odiamos e você por acaso não percebe que nenhum vai conseguir sobreviver aos tiros e ataques de fogo desses dragões infernais?! – logo em seguida, Erica atirou no rabo de um dragonite.
Você tem uma memória péssima. – respondeu o outro largando a sniper, e tirou de dentro da farda uma bola roxa e branca.
Erica por um momento se sentiu meio boba, mas depois deu uma risada aliviada. Erick deu um assobio alto e seu Raichu veio correndo do outro lado da base e subiu em seu ombro.
… onde ele estava? – peguntou Erica.
Ele sabe se virar. Devia estar nocauteando uns dragões por aí. Agora preste atenção, você é a única pessoa que eu quero salvar daqui. Se alguém tentar ir embora com a gente, mate.
Ela assentiu com a cabeça. Erick jogou a bola para cima com toda a força que pôde. Ela voou girando e quando atingiu sua altura máxima, um brilho branco saiu em arcos e a silhueta do Lugia apareceu lá em cima. Depois mergulhou para baixo, em direção ao dono. Erick gritou para Erica pular bem alto. Eles tiveram sorte de não terem morrido naquele tiroteio e bagunça entre os pokémons. Os dois se seguraram com força no pescoço do Lugia e foram embora antes que as pessoas conseguissem entender o que havia acontecido.
Aquilo era um Lugia...!
Até os policiais estavam impressionados demais para acreditar. A maioria das pessoas ali sequer acreditava que Lugia um dia tivesse realmente existido.
Não era o 73 e a parceira gostosa dele? Eles devem estar indo pro Mediterrâneo! VOLTEM AQUI, FILHOS DA PUTAAAAAAAA!
Erick se divertia lá de cima com o desespero de todos. A maioria ainda estava olhando para o céu, enquanto outros agentes mais controlados tentavam tomar conta da situação, aproveitando que grande parte dos oficiais estava também olhando para cima.
Erica sequer olhava para baixo. Ela não tinha medo de altura, mas estar quase acima das nuvens era uma situação completamente diferente. Ela se segurava com força no pescoço do animal, que era quase cinco vezes maior que ela mesma. Sim, só de pescoço. Erick estava sentado de costas para ela, que estava com tanto medo de escorregar para os lados, que acabou se agarrando na cintura dele. Raichu apenas sentia o ar na cara, de olhos fechados.
Como Erick havia avisado, eles passaram muito frio. Lugia voava rápido o suficiente para chegar a tempo no destino, que era a cidade de Mahogany. Ali, eles estariam relativamente seguros, já que era bem longe da rota 29. Finalmente, depois de voar quase uma hora, um tempo exaustivo o suficiente para pessoas que se encontravam em cima de um Lugia, eles avistaram a cidade por entre as nuvens. Erica permaneceu calada durante todo o trajeto e ainda estava agarrada a Erick, que olhava sempre para baixo.
Eles passaram da cidade e voaram para o Norte, rumo ao Lago Vermelho. Não, não havia nenhuma base dentro dele. E por sorte, não havia pessoas pescando por ali.
O Lago Vermelho, igual ao lago da rota 29, ficava entre floresta, mas não era totalmente cercado por ela. Havia um caminho ao Sul em direção à cidade e um pouco mais a diante, tinha uma cabana aparentemente abandonada.
Lugia desceu ao lado do lago e abaixou a cabeça para os três descerem. Raichu pulou do ombro de Erick e se espreguiçou, depois começou a rolar na grama. Erick tentou se soltar de Erica, que ainda o agarrava involuntariamente. Depois ele desceu, seguido dela. Agradeceu a Lugia com uma reverência retribuída, depois o voltou na Bola Mestre. Erica estava congelando de frio, pois ainda era noite e ela havia acabado de voar mais alto do que poderia sonhar.
Tudo bem com você? – perguntou Erick.
Bem melhor agora que saímos de cima do Lugia...
Não diga isso, é muito bom voar com ele.
Erick tirou os óculos e os colocou no bolso. Erica se desfez do rabo de cavalo e balançou a cabeça. Eles chamaram Raichu e foram em direção da cidade. Tentaram andar calmamente para não chamar atenção e de cabeças baixas por entre as pessoas, que não eram muitas. A cidade não era exatamente alegre, o chão era de terra e as pessoas andavam silenciosamente entre as ruas e calçadas. Se não fosse o Ginásio Pokémon que tinha na cidade, talvez ela fosse desconhecida. Erick foi andando na frente e entrou em uma loja de conveniência, daquelas que se vendia coisas tanto para pokémons, quanto para seres humanos. Lá dentro, eles voltaram à postura normal. Ele colocou novamente os óculos, mas ela continuou com o cabelo solto. Raichu apenas acompanhava.
A loja tinha um aspecto estranho, era toda rústica, chão de madeira e prateleiras envelhecidas. Atrás do balcão no fim da loja, não havia ninguém, apenas um persian dormindo em cima do referido balcão.
Erick chegou na parede oposta no fundo da loja, e deu um chute com a sola do pé e mais parecia que estava tentando empurrar a parede. De qualquer maneira, uma parede falsa caiu no chão, abrindo caminho para o subterrâneo. Eles atravessaram e Erica ajudou a colocar a pseudo-parede de volta no lugar. Os três foram andando em um corredor cujo piso era ordenado entre quadrados brancos e cinzas. A cada dez metros, havia duas estatuas, uma em frente à outra, de um pokémon estranho. Não houve comentários da parte de ninguém.
Esse lugar é um labirinto só, não lembro como chega à sala de reuniões – lembrou Erica olhando para os lados. Aparentemente, o corredor se dividia também em outros corredores iguais.
Também não me lembro muito bem daqui. – respondeu Erick – Mas ainda tenho uma noção.
Eles começaram a andar e iam virando os corredores. Erick soltou uma exclamação satisfeita quando se viram na frente de uma escada.
Finalmente. – disse Erica aliviada – A partir daqui, eu me lembro também...
Eles subiram na escada e entraram em um lugar com pisos idênticos aos de baixo, porém com laboratório em uma sala e um enorme gerador de energia dentro de outra enorme sala. Enfim eles foram seguindo dessa vez Erica, passando por escadas, corredores, lugares... Era o Quartel General (QG) da Equipe Rocket, e só havia um em cada região. Aquele era o quartel da região Johto.
A senha para a sala de reuniões continua a mesma, será? – perguntou Erica um pouco preocupada.
Espero que sim. Estamos altos na hierarquia da equipe, se tivessem mudado, seríamos os primeiros a saber.
Bom, hoje é domingo e como todo domingo a noite tem reunião, é capaz de conseguirmos pegá-los ainda lá. O chefe já deve ter exposto os fatos aos cientistas e executivos. Será que ele contava com a nossa sobrevivência?
Porém Erick não respondeu, ele estava pensativo demais. Os dois não estavam apresentáveis para uma reunião de gente importante da hierarquia, até porque suas vestes estavam molhadas, sujas de terra e um pouco manchadas de sangue. Mas pelo menos estavam vivos.
Quando finalmente chegaram em frente a sala de reuniões, havia dois capangas guardando cada lado da porta dupla. Era um andar justamente para essa sala. Ao lado da porta, havia dígitos para inserir a senha.
A hora que Erica foi digitar a senha, um capanga a impediu e falou:
Por ordens de Giovanni, nenhum agente pode entrar inapresentável.
Erick apenas soltou um grunhido de raiva.
Quando o capanga olhou para o rosto de Erick, ele imediatamente o reconheceu e congelou. Ele sabia exatamente do que ele era capaz; de fato todos os agentes sabiam. A mulher que guardava a porta junto com o outro, tentou falar:
Desculpe, mas...
O que você quer? – virou Erick sem paciência.
Erick, por favor! – disse Erica virando-se e o segurando pelos ombros. – Não tente matar ninguém, eu sei que sua sede é grande. Mas eles ainda não deixam de ser nossos agentes. Eu cuido disso.
A mulher capanga se sentiu mais a vontade falando com Erica, então continuou:
Senhorita, se me permite dizer, temos todas as vestes militares de agentes executivos ali naquela sala à direita.
As nossas vestes? – perguntou Erica séria.
S-sim, senhorita. Com os números dos agentes. O do agente 73 está naquele e o seu está naquele. – respondeu a capanga tremendo e apontando para duas portas.
Obrigada. Vamos, Erick. Incrível como esses tipos de agente sabem tudo dos executivos.
Até porque de resto, não sabem nada. – respondeu Erick secamente.
Erick tinha certo preconceito contra os capangas da Equipe Rocket. Eles eram os agentes de mais baixo nível e obedeciam apenas seus superiores. Logo, eles obedeciam a quase todos, exceto outros capangas. Toda vez que um agente desse tipo aparecia, Erick ignorava a existência e quando precisa dirigir a palavra, era de um modo rude e insensível; ele os tratava como vermes. Erica era mais condescendente quanto a eles.
Cada um entrou em uma porta. Erica estava no que parecia um vestiário feminino. Ela caiu tentada por um banho, pois estava se sentindo horrível. Mas tentou ser rápida, a reunião não durava exatamente a noite inteira. Depois de sair, se vestiu com as vestes que estavam embaladas por um plástico e continham os números "98". Há quanto tempo ela não usava aquilo... Colocou as roupas e se sentiu mais importante do que já é. A saia era branca, bem branca com uma faixa amarela contornando a boca da saia e a parte de trás era preta. A blusa também era branca e tinha um pequeno "R" vermelho na parte superior esquerda da blusa. Ela não deixava aparecer nada da barriga e tinha as mangas meio curtas e pretas. Na altura do peito, a blusa era de amarrar. Podia deixar sem amarrar e mostrar o decote, ou então amarraria e não apareceria nada. Erica preferiu amarrar. Havia também luvas pretas que iam até a altura dos cotovelos e botas pretas até a altura dos joelhos. Chegava a ser meio desconfortável.
Quando ela saiu, Erick já estava lá fora, aparentemente também caiu na tentação do banho. A roupa que ele usava era a mesma que estava no dia que Erica o conheceu. Calça totalmente branca, botas pretas e baixas, blusa branca também de amarrar, mas ia da cintura até o pescoço. Na verdade não era de amarrar, era apenas um enfeite. Cheia de detalhes amarelos e ele usava luvas, também. Mas menores do que as de Erica. Ele tinha que usar uma capa branca que era presa pelos ombros em uma pala e boina. Apesar de já terem sugerido várias vezes, ele não cortava o cabelo de jeito nenhum.
Odeio essa capa e essas luvas. – comentou Erick – Por que você amarrou sua blusa?
Erica deu risada.
Aaaaah, vá, vá! Você já viu demais, não me torre.
Eles digitaram a senha e entraram.
A reunião que se seguia foi silenciada no momento em que os agentes colocaram os pés na sala. As portas automaticamente fecharam-se atrás deles. A sala era enorme. Havia uma mesa retangular grande de vidro no meio da sala. No cantos, umas bandeiras da equipe, da região e do Japão. Nas paredes brancas, uns quadros pendurados.
Na ponta da mesa, sentava-se Madame Boss. Poucos agentes tinham a chance de vê-la, apenas pessoas importantes tinham esse privilégio. Ela mandava até em Giovanni, que estava sentado na outra ponta da mesa. Nas laterais, estavam sentados os cientistas Dr. Namba e prof. Sebatian, junto com Domino. Provavelmente era a agente mais nova dali e ficou pálida quando viu Erick. Attila e Hun estavam sentados nas laterais também. Giovanni, Madame Boss não usavam uniforme da equipe, apenas roupas sociais boas, pois estavam acima do nível executivo, o qual se encontra Erick, Erica e Domino, e acima também dos oficiais que eram Atilla e Hun.
Giovanni os convidou para sentar nas cadeiras vazias. Enquanto se sentava, Erick lançou um olhar rivalista para Dr. Namba. Eles não se entendiam muito bem. Ele e Erica se desculparam pelo atraso e Madame Boss exigiu explicação. Erica contou tudo o que aconteceu desde o momento em que começou o tiroteio. Isso pareceu satisfazer a chefona, como chamavam os outros. Giovanni explicou que o assunto da reunião era a separação da Equipe Rocket.
Esse foi o motivo indireto do ataque à nossa base. Agentes 98 e 73, vocês devem se lembrar de quando alguns agentes importantes sumiram e um deles
era Tyson. Aparentemente, ele saiu da Equipe sem aviso e entregou nossa base para a polícia, informando a localização. Apesar dos nossos esforços que fizeram essas pessoas corrompidas sofrerem, aquela idéia do idiota do Hidroni se alastrou antes que pudéssemos fazer algo de efeito.
Erick escutava atentamente e preocupadamente. Ele encostava a mão esquerda fechada na boca, concentrado. Domino continuou a linha de raciocínio de Giovanni, apenas para ter a chance de falar com Erick:
Os agentes corrompidos estão em procura de mais pessoas para se alistar aos dois grupos de captura dos pokémons Kyogre e Groudon. Felizmente grande parte dos agentes é fiel a nós...
Principalmente porque você matou muitos seguidores do Hidroni, então ficaram com medo. – interrompeu Madame Boss, falando também com Erick.
Domino enraiveceu e voltou a falar com ele, como se Erica não estivesse lá.
Esse pequeno grupo de agentes vai se mudar então para a região Hoenn, pois lá a Equipe Rocket não tem filiais, logo é mais fácil para eles conseguirem novos agentes.
Como você ficou sabendo disso tudo? – perguntou Erick, sério.
Eu sou mestre em disfarces, me infiltrei em uma reunião deles e, por sorte, consegui pegar tudo o que precisava. As duas novas equipes que eles irão criar chamam-se Equipe Magma e Equipe Aqua. São para pegar Groudon e Kyogre, respectivamente.
Prof. Sebastian comentou:
Consideramos até na hipótese de fechar a Equipe Rocket.
Erick ficou pensativo e aquela hipótese o incomodou. A Equipe Rocket era o que ele mais gostava de ser e de fazer. Onde mais ele arranjaria um trabalho para matar pessoas, torturando-as? Erica também não gostou da idéia e resolveu finalmente opinar.
Isso é realmente necessário? Quero dizer, se essas equipes resolveram ir para Hoenn, que é bem longe daqui, no que eles podem nos interferir? Ainda continuaremos dominando as regiões Kanto e Johto. Sairemos apenas no prejuízo, se fecharmos.
Madame Boss e Giovanni concordaram. Domino, apesar do ciúme que sentia por Erica, teve que admitir que concordava também. Enfim todos concordaram. Mas decidiram também que ainda não estava seguro para continuar as atividades normais da Equipe, pois alguns agentes poderiam ainda ser corrompidos.
Temos outra sede em outro continente, não temos? Uma que é também aquática. – perguntou Atilla.
Temos. – respondeu Madame Boss – Ela fica no Mar Mediterrâneo. É de longe nosso maior Quartel General. Mas fica bem longe, qual é a relação entre nós e eles?
O Kyogre é um pokémon que passou a controlar as águas depois que Lugia sumiu. – nesse instante, Erick tentou agir naturalmente, mas dr. Namba o encarava assustadoramente. Sabia da verdade. Atilla continuava – Então, se eles conseguirem, podem nos atacar lá. Já que Tyson, que se deixou levar, sabe a localização. Algumas pessoas também podem ter raiva da gente e fazer isso só para se vingar, vai saber. Precisamos pelo menos deixá-los sabendo.
Alguém se habilita a ir até lá? – perguntou Hun, que visivelmente não estava afim.
Pra quê irmos até lá se podemos dar um simples vídeo-telefonema? – perguntou Domino.
Podemos estar sendo grampeados e rastreados. Nunca confie em aparelhos eletrônicos quando a polícia está no seu pé. Temos que ir lá pessoalmente, mesmo. – respondeu Giovanni tilintando os dedos na mesa.
Madame Boss se levantou e tinha tudo formado em sua mente. Ela olhava para todos de uma maneira autoritária.
Eu vou! Sou eu quem manda lá, sou a chefe principal. E também faz algum tempo que não dou as caras por ali. Comigo, quero que vá os agentes 98, 73, 009 e os dois cientistas. Vocês vão ser úteis. Por favor, não tirem a roupa militar que vestem agora, pois as conferências no Quartel Mediterrâneo são bem mais sérias. Sairemos agora e vocês dormem no jato.
